Esse capítulo foi o mais complexo de escrever, porque Carolina é baseada em uma pessoa que passou pela minha vida e que eu imagino o quanto sofreu e o quanto se julgou, mas nunca consegui entender porque nunca me deu abertura pra isso. Agora sem mais papo e segue o baile! Vamos tentar entender um pouco da nossa morena!
Capítulo 15 Set fire to the rain
Setembro de 2015
Carolina estava sentada na beira da piscina na casa de seu pai, tinha tudo o que queria ao seu alcance, sabia que por ser filha única era mimada por ele, lia um livro de poesias da Cecília Meireles, antes de tudo o que acabará de acontecer em sua vida era uma romântica assumida, mas agora achava aquilo tudo um mero jogo com as palavras, achava que sentimentos, emoções eram raramente sentidos de verdade ou na intensidade que antes ela imaginava que podia existir.
Tinha a vida toda pela frente, mas sentia-se solitária.
Acabará de descobrir que suas amizades eram pura e restritas ao interesse em suas posses e a vida que levava que com sua generosidade e coração puro também era proporcionada aos amigos que faziam viagens pagas por ela, iam a shows em camarotes, mas que no momento em que ela mais precisava desapareceram sem deixar rastros.
Sua mãe havia falecido a poucos meses e isso tinha feito uma cratera em seu peito, sua melhor amiga havia partido e deixado um vazio em seu lugar.
Sua mãe era muito espirituosa e nos seus últimos meses de vida, com o câncer já espalhado pelo seu corpo, havia aceitado a morte e tentava preparar a filha para sua partida, o que foi em vão, Carolina achava injusto o que a vida havia feito com ela.
Com a partida de sua mãe ela se aproximou ainda mais do pai que começou a tentar compreendê-la para que dessa forma o vazio fosse menor, mas ele sabia que aqueles acontecimentos próximos um ao outro havia afetado sua filha que parecia ter se fechado para o mundo e agora estava apática diante da vida.
Só que na verdade ela estava apaixonada por alguém no qual ela achava que era um amor proibido, apesar de seus pais serem pessoas livres de preconceitos e não lhe tecerem críticas morais a autocrítica da morena era imensa.
Com a falta de pessoas a sua volta, somente com seu pai, ela sentia que deveria ser aceita e por isso agia nas "regras que a sociedade dizia serem normais" e quando se apaixonou pela sua professora da faculdade se culpou, não aceitava que aquele era o tipo de amor que ela tinha que viver, seu coração e seu corpo não mandariam em sua mente. O cérebro é mais forte que o corpo, era o que ela pensava e para fugir de seu objeto de desejo decidiu que faria intercâmbio e assim o fez.
Agosto de 2018
Ela estudou em instituições de qualidade invejável e sua inteligência e sagacidade eram maiores do que se podia imaginar, quando foi fazer intercâmbio no exterior percebeu que deveria aprender a se virar sozinha.
Quando voltou para o Brasil decidiu que a ajuda do pai não seria mais necessária e assim foi atrás de ganhar tudo com suas próprias mãos.
Seus pensamentos, que julgava serem moralmente inaceitáveis, com o tempo se dissiparam e ela pensou que a distância havia ajudado sua mente a superar seu coração.
Estava dura feito uma pedra e vazia de sentimentos, seus livros de poesia que a faziam viajar para um conto de fadas e sonhar com um grande amor, agora estavam na lareira de seu apartamento, eles queimavam enquanto ela fazia suas malas para sua volta ao seu país de origem, não levaria peso extra nem em suas mãos e nem em seu coração. Havia se prometido de nunca se entregar para alguém que não tivesse nada a lhe dar de volta, seja estabilidade, fidelidade ou uma aparência de uma vida falsamente feliz.
Havia conhecido um rapaz que também fazia intercâmbio na mesma universidade que ela e achou que ele seria o 'homem ideal' aos olhos das pessoas do seu círculo de um futuro trabalho, além da possibilidade de trabalhar na empresa que sua família mantinha no Brasil.
Ela já não ligava para sentimentos, emoções para ela eram algo em que nada que uma boa atuação não pudesse ser notado que aquilo que ela demonstrava não era real, não podia amar quem ela achava errado e muito menos perder novamente alguém a quem ela havia dedicado tanto amor.
Sua frieza não passou desapercebido por Eduardo, o jovem rapaz adorava exibir sua namorada como se fosse um troféu, gostava do jeito em que ela interagia com as pessoas e de sua inteligência para falar de qualquer assunto, ela era adorada pela família dele que torcia para que o casamento saísse logo e a ideia da morena trabalhar no escritório de advocacia fora do seu sogro.
-
Eu sei que é domingo e não deveríamos falar de trabalho enquanto almoçamos, mas minha querida nora, eu gostaria que trabalhasse conosco, sei que será uma ótima colaboradora.
O homem gesticulava com a taça de vinho na mão e olhava a nota com carinho, os pais de Eduardo realmente gostavam e admiravam a morena.
-
Seria uma honra, sogro.
"Finalmente" ela pensou, conseguiu o que queria, um trabalho em um escritório de prestígio e estar entrando para uma família de renome no Estado todo, ela estava conseguindo alcançar com facilidade o status que desejava.
Começou com pequenos casos, mas ganhou destaque ao defender e livrar da prisão uma quadrilha inteira de assaltantes de bancos que já haviam conseguido levar mais de 1 bilhão entre dólares, euro e reais do bancos espalhados pelo Estado.
Esse caso teve repercussão nacional e levou seu nome a ser reconhecido em todo o país, com essa "fama" repentina ela acabou deixando um pouco de lado o sonho de ser delegada.
Com seu nome sendo falado por todo o canto, começaram as críticas a justiça brasileira por não conseguir lidar com os argumentos de Carolina, mas uma jornalista em particular a incomodava muito profundamente tanto com sua insistência e suas palavras que a agrediram diretamente, fazendo as pessoas do mesmo meio de trabalho da morena duvidar de sua integridade e a deixando furiosa com a tal jornalista.
-
Quem essa Marina pensa que é? Ela acha que é melhor que eu com o tipo de vida que ela leva? Me diz Eduardo, quem ela pensa ser?
Eduardo só a observava em silêncio, sabia que se ele argumentasse algo no qual a morena julgasse ser uma defesa a favor da loira seria severamente criticado. Então ele apenas concordou com a cabeça, sabia que ali, depois das duras palavras de Marina, havia uma guerra instaurada
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: