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Even if we're not friends por asuna

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Palavras: 2993
Acessos: 4988   |  Postado em: 30/03/2019

Capítulo 20

 

20.

À medida que o tempo avançava, as coisas pareciam acalmar. Os meus pais receberam Claire com uma hospitalidade que, embora genuína, ainda a deixava desconfortável. Viver sob o mesmo teto que ela era uma situação delicada, e eu compreendia perfeitamente o seu desconforto. Afinal, para alguém como Claire, que sempre valorizou a sua independência, era difícil sentir-se agora uma intrusa num espaço que não era o seu. Eu tentava aliviar a tensão, esforçando-me para que esta se sentisse em casa, mas sabia que, no fundo, Claire carregava um peso que eu não podia simplesmente tirar dela.

No entanto, essa calmaria era apenas uma ilusão. Relembrando tudo o que tinha acontecido, não conseguia livrar-me da sensação de que algo ainda não estava resolvido. E esse pensamento tornou-se realidade numa tarde aparentemente banal, durante uma das minhas aulas de Direito Desportivo. Enquanto o professor discorria sobre um ponto específico da legislação, senti o meu celular vibrar discretamente. Curiosa, peguei no aparelho e vi que tinha recebido uma mensagem de um número desconhecido.

Ao abrir a mensagem, o meu coração deu um salto. Era uma foto minha e de Claire, tirada no estacionamento do shopping. Na imagem, trocávamos um beijo discreto, mas que, naquele contexto, parecia gritante. Abaixo da foto, uma mensagem curta e venenosa:

“Como reagiria o teu pai se descobrisse que a menina de ouro come a melhor amiga debaixo do seu nariz?”

O meu primeiro impulso foi rir. Uma gargalhada quase automática, uma reação de desdém à patética tentativa de intimidação. No entanto, por trás do riso, uma inquietação crescia.

Quem teria feito isto?

Quem teria tanto tempo livre e tão pouca decência para uma provocação destas?

A mensagem que Claire recebera surgiu imediatamente na minha mente. Duas pessoas que obviamente, poderiam ter interesse em me ver numa situação desconfortável. Contudo suspeitas não eram suficientes. Eu precisava de provas.

— Hey! — Ouvi um sussurro bem perto do meu ouvido, fazendo-me recuar bruscamente.

Confusa, virei-me para o lado direito e deparei-me com uma morena de cabelos cacheados e olhos castanhos a encarar-me com um sorriso tímido.

— Desculpa se te assustei. Tens uma caneta a mais? A minha acabou de arrebentar.

— Sim, claro. — Respondi, procurando no estojo.

Encontrei uma e estendi-lha, observando-a com mais atenção. Havia algo de familiar nela, contudo não conseguia lembrar-me onde a tinha visto antes.

— Sou a Beatriz. Qual é mesmo o teu nome?

— Jéssica, mas todos me chamam de Jess. — Sorriu, fazendo-me sorrir de volta.

Abri a boca para dizer algo, mas desisti quando a atenção da sala se voltou para o professor, que começou a distribuir fotocópias sobre fiscalidade.

A conversa morreu ali. Tentei concentrar-me na leitura da matéria, porém a mensagem que tinha recebido momentos antes continuava a vaguear pela minha mente. Voltava a ponderar sobre o seu significado, tentando ligar os pontos e antecipar possíveis consequências. Minutos depois, dei por mim a pensar na reação dos meus pais caso descobrissem a verdade sobre a minha sexualidade. Eu sabia que um dos seus desejos era que eu me casasse com alguém associado aos negócios da família. Claire poderia ser uma opção viável, dada a relação profissional entre os nossos pais.

Mas quão importante seria, para eles, o sex* masculino nessa equação?

Nunca tinha ouvido comentários homofóbicos da parte dos meus pais. No entanto, agora que pensava nisso, percebia que raramente esse assunto era abordado. E isso, por si só, já dizia muito. Fazia-me questionar se o verdadeiro problema não seria a minha sexualidade em si, mas sim o impacto que isso teria na imagem da família.

Será que estariam mais preocupados com quem eu amava, ou com o que os outros diriam?

A conversa que tive com o meu pai sobre Claire e Raul veio-me à mente, e de repente, algumas peças do puzzle começaram a encaixar-se. A confirmação que eu tanto temia começava a desenhar-se à minha frente: as aparências eram, provavelmente, o que mais importava. O pensamento fez o meu estômago revirar. Claire poderia ser vista como uma opção aceitável, uma herdeira de uma família influente com quem os laços de negócios já existiam.

Mas… e se fosse outra pessoa?

E se o problema não fosse o género, mas sim o controlo que poderiam ou não ter sobre a situação?

A incerteza pesava em mim.

E então, como um clarão, um nome surgiu na minha mente: Emma.

Emma era alguém que, provavelmente, já teria passado por uma situação semelhante. Se havia alguém que poderia ter uma noção sobre a opinião da minha mãe em relação a este assunto, seria ela. Não tinha certeza se a minha mãe sabia sobre a sua sexualidade, mas a única forma de descobrir… seria perguntando-lhe.

Assim que a aula terminou, apressei-me a sair da sala. A minha mente estava demasiado ocupada para sequer prestar atenção ao que me rodeava. Caminhei até um lugar mais tranquilo e sentei-me num banco, segurando o celular com mãos um pouco trémulas. O meu coração batia mais rápido do que eu gostaria de admitir.

E se isto for um erro?

O pensamento passou pela minha cabeça, contudo foi rapidamente abafado pela necessidade de respostas. Respirei fundo e percorri a lista de contatos, até encontrar o seu nome. No segundo toque, ela atendeu.

— Beatriz! — A sua voz soou surpresa, mas calorosa.

Engoli em seco.

— Olá… — Cumprimentei, timidamente.

— Está tudo bem? — O tom dela tornou-se mais atento, preocupado.

Vacilei por um segundo. Contudo já tinha chegado até ali.

— Será que nos podemos encontrar?

A pergunta saiu num fio de voz, carregada de incerteza. Mas Emma nem hesitou.

— Claro que sim. Diz-me quando e onde.

Senti-me respirar um pouco melhor. Como não teria mais aulas naquela tarde, combinámos de nos encontrar num bar perto da praia.

Após o almoço, segui diretamente para lá. Ao chegar, entrei no local e pedi um café antes de me dirigir para a esplanada. O céu estava limpo e o som das ondas ao fundo trazia um contraste curioso à inquietação que se acumulava no meu peito. Coloquei os óculos de sol, na tentativa de disfarçar a ansiedade que sentia. Felizmente, Claire teria o dia ocupado e ficaria na faculdade até mais tarde. Enviei-lhe uma mensagem breve, avisando que iria sair e que passaria para a buscar no final da tarde. E então, respirei fundo.

Agora só me restava esperar por Emma… e pelas respostas que esperava encontrar.

— Desculpa o atraso, tive uns problemas no escritório.

A sua voz puxou-me de volta à realidade. Ela pousou a carteira na mesa apressadamente e tirou os óculos escuros antes de me lançar um sorriso breve.

— Não tem problema. Queres um café? Vou pedir.

— Não, tudo bem, já pedi no balcão. — Respondeu, sentando-se à minha frente.

Havia uma tranquilidade estudada nos seus gestos. Emma abriu o maço de tabaco e retirou um cigarro, acendendo-o com um movimento natural, sem nunca desviar o olhar de mim. Esperava que eu começasse a falar. Engoli em seco e tentei reunir coragem.

— Imagino que estejas surpreendida pelo meu contato.

Ela arqueou ligeiramente uma sobrancelha e esboçou um sorriso discreto.

— Sem dúvida que fiquei surpresa. Depois daquele episódio naquela noite, imaginei que seria algo sério.

A forma como as suas palavras foram ditas, leves, mas analisadoras, deixava claro que estava a tentar perceber onde eu queria chegar. O garçom aproximou-se com o café dela, e Emma agradeceu com um aceno de cabeça antes de dar um primeiro gole na bebida. A minha hesitação tornou-se mais evidente.

— Eu queria perguntar-te algo, mas achei melhor fazê-lo pessoalmente.

Esta manteve-se em silêncio, observando-me com paciência enquanto apoiava o cotovelo na mesa, o cigarro preso entre os dedos.

— Então… A minha dúvida é… A minha mãe sabe?

A minha voz saiu num sussurro tímido, e, quando vi o olhar confuso de Emma, acrescentei rapidamente:

— Sobre a tua sexualidade.

Ela ajeitou-se na cadeira, levou a xícara aos lábios e tomou mais um gole do café antes de responder. O seu olhar tornou-se mais atento.

— Existe alguma razão para essa pergunta? —  Inclinou ligeiramente a cabeça, cautelosa. — Ela viu algo? Soube de alguma coisa?

Fiquei em silêncio por um instante, ponderando o que ela queria saber com aquilo.

Será que a minha mãe suspeitava?

Antes que eu pudesse responder, Emma continuou:

— Pergunto por causa daquela noite. Imagino que ela não ficaria muito feliz em saber que eu tentei algo contigo daquela forma…

A sua expressão parecia genuinamente preocupada.

— Não, não tem nada a ver com isso. — Apressei-me a esclarecer. — Ela não sabe de nada.

— Então? — Emma inquiriu, soprando lentamente o fumo do cigarro para o lado, sem pressa.

— Na verdade, o que eu queria saber era qual a opinião dela sobre esse assunto. Como ela reage ao saber que alguém é homossexual.

Emma desviou o olhar brevemente, como se ponderasse na resposta, e voltou a levar o cigarro aos lábios antes de falar.

— Sinceramente, acho que ela não sabe.

Deu mais uma tragada longa, soltando o fumo devagar, antes de continuar:

— Aliás, nesse grupo em que a tua mãe está incluída, raras são as pessoas que sabem.

O tom da sua voz era casual, mas carregado de um certo pragmatismo.

— Nós somos conhecidas da academia, saímos de vez em quando, mas nunca senti necessidade de contar.

Os seus olhos voltaram a encontrar os meus.

— Nós não temos de sair por aí a gritar aos sete ventos as nossas preferências.

Sorriu ligeiramente no final, todavia percebi que havia um peso por trás daquela frase. Havia uma verdade mais profunda ali.

— Entendo. — Murmurei.

Houve um breve silêncio entre nós, antes de eu perguntar:

— E quanto à tua família? Eles sabem?

Dessa vez, Emma não respondeu de imediato. Os seus olhos desviaram-se momentaneamente para o mar ao fundo. Ela brincou com o cigarro entre os dedos, pensativa, e soltou um suspiro antes de me encarar novamente.

— Sabem. — O tom da sua voz mudou ligeiramente. — Mas saber não significa aceitar.

As suas palavras ficaram suspensas no ar, pesadas, carregadas de algo que ela não estava disposta a explicar tão facilmente. E, de repente, percebi que essa conversa estava prestes a tornar-se muito mais profunda do que eu imaginava.

— Os meus pais sabem. — Respirou fundo antes de continuar. — Queres saber como reagiram, não é?

Acenei com a cabeça, confirmando. Ela levou o cigarro aos lábios e deu mais uma tragada longa antes de prosseguir.

— Confesso que, no início, foi difícil. Especialmente por parte do meu pai. Como é óbvio, sabes o que as nossas famílias esperam: casamentos baseados em interesses e continuidade de negócios. Há certas expectativas, Beatriz.

O seu olhar tornou-se mais intenso.

— Para além disso, apesar de vivermos numa sociedade aparentemente moderna, a homossexualidade ainda é um problema na mentalidade de muitos.

Emma soltou um riso seco e abanou a cabeça.

— Acho que o meu pai ainda espera que eu ultrapasse esta ‘fase’. — Fez o gesto de aspas com os dedos, e a ironia no seu tom não passou despercebida.

Aquela palavra ressoou na minha mente.

Fase.

Exatamente a forma como eu conseguia imaginar o meu próprio pai a reagir.

— E quanto à tua mãe?

Ela inclinou ligeiramente a cabeça, refletindo antes de responder.

— A minha mãe foi mais tranquila. Acredito que teve alguma influência na forma como o meu pai lida com isso hoje em dia. Não posso dizer que ele aceita completamente, mas também não me confronta abertamente. — Fiquei a considerar as suas palavras. — Demorei algum tempo até lhes contar, mas não por medo da reação deles. Eu queria ter a certeza do que sentia.

O seu olhar pousou no meu, como se procurasse entender o que se passava na minha mente.

— Definitivamente, assumir perante a tua família é um grande passo. Se estás a pensar nisso, o primeiro conselho que te dou é que estejas completamente segura antes de avançar.

Aquelas palavras ecoaram dentro de mim. No entanto eu já tinha tomado a minha decisão.

— Não tenho dúvidas quanto a isso. — A minha voz saiu firme, sem hesitação.

Emma assentiu, observando-me atentamente. E foi nesse momento que um pensamento me atingiu.

Quantas vezes eu e Claire falámos abertamente sobre isto?

Poucas.

Talvez porque evitávamos pensar no que poderia acontecer se um dia nos descobrissem. Talvez porque, até agora, eu nunca tinha temido realmente as consequências. Contudo, ao olhar para a mensagem que tinha recebido hoje, tudo se tornou demasiado real. Eu sabia que o facto de Claire estar agora a viver na minha casa poderia tornar-se um problema caso as coisas corressem mal. Porém eu não ia permitir que alguém me intimidasse com joguinhos infantis.

Emma pareceu perceber que algo me incomodava.

— Posso saber o porquê dessa dúvida? Aconteceu alguma coisa?

O seu tom era calmo, mas atento. Olhei para ela e concluí que algo na minha expressão devia ter-me denunciado.

Suspirei.

— Hoje recebi uma mensagem…

Esta ajeitou-se na cadeira, pousou o cigarro no cinzeiro e inclinou-se ligeiramente para a frente. Agora eu tinha toda a sua atenção.

— Foi uma mensagem com o intuito de me intimidar. — Olhei para o celular, vacilando por um instante, mas continuei. — Alguém tirou uma foto minha e da Claire, num momento íntimo, e enviou com uma legenda do género ‘o que os teus pais pensariam disto?’.

Recostei-me na cadeira, cruzando os braços, sentindo uma mistura de raiva e desconforto.

— Acho que antes nunca tinha realmente pensado muito sobre isso, mas essa mensagem atingiu-me de um jeito que eu não esperava.

Emma franziu ligeiramente a testa.

— Sentes-te ameaçada?

— Não. — A resposta foi imediata.

Talvez revoltada, sim. Mas não ameaçada. Pensei.

— Definitivamente, eu não quero sentir-me intimidada por uma infantilidade como esta.

Emma acenou com a cabeça, compreendendo. Depois de um instante de silêncio, perguntou:

— Tens alguma ideia de quem enviou?

Mordi o lábio, ponderando.

— Recentemente tive alguns problemas, então acho que consigo pensar em dois nomes. Mas não tenho certezas…

— Entendo.

Ela cruzou os dedos sobre a mesa, o olhar pensativo. O seu tom tornou-se mais ponderado quando voltou a falar:

— Sair do armário é sempre um passo difícil de dar. Mas, se tens a certeza do que sentes, talvez possas usar esta situação infeliz como um incentivo.

O meu peito apertou. Eu já tinha pensado nisso, mas ouvir alguém dizê-lo em voz alta tornava tudo ainda mais autêntico.

Ela prosseguiu.

— De uma forma ou de outra, tens dois finais possíveis: ou os teus pais aceitam, ou não.

O peso daquela verdade caiu sobre mim.

— E, de qualquer forma, acho que tu já sabes o óbvio, Beatriz.

Inclinou-se ligeiramente na minha direção.

— O melhor é que os teus pais saibam por ti.

A minha respiração ficou presa na garganta. Ela tinha razão. Se alguém estava disposto a expor-me dessa forma, era só uma questão de tempo até que a verdade viesse à tona. E se era para os meus pais descobrirem… Que fosse pelos meus próprios lábios.

— A intenção é essa. — Garanti, tentando convencer-me tanto quanto a ela. No entanto a incerteza persistia. — O dilema é que a minha namorada teve um problema com os pais e, neste momento, está a viver connosco.

Passei nervosamente a mão pelo cabelo, sentindo o peso da situação.

— Se as coisas ficarem complicadas, ela não tem para onde ir. Não sei se esta é a melhor altura para que isto aconteça.

Emma ouviu-me atentamente. Depois de um instante de silêncio, suspirou e apoiou os cotovelos na mesa.

— Não te posso ajudar a tomar essa decisão. — Os seus olhos castanhos eram sinceros, compreensivos. — Isso tens de ser tu a decidir.

Pousou o cigarro no cinzeiro e inclinou-se ligeiramente na minha direção antes de continuar.

— Mas quero que saibas que, se algo acontecer, eu estarei aqui. — A sua voz era firme. — Farei o possível para ajudar.

Um pequeno sorriso surgiu nos seus lábios, e algo dentro de mim relaxou. Aquela tranquilidade repentina fez-me perceber que, mesmo que tudo desabasse, eu não estava sozinha. Sorri de volta, num misto de gratidão e alívio.

— Obrigada, Emma.

O resto do encontro seguiu num tom mais leve. Conversámos sobre coisas triviais, e por um momento, quase consegui afastar os pensamentos que me assombravam. Contudo, quando olhei para o relógio, senti o coração acelerar. Estava atrasada. Faltavam apenas dez minutos para Claire terminar a última aula do dia. Soltei um suspiro e levantei-me apressadamente.

— Desculpa, tenho de ir.

Emma não pareceu ofendida, apenas assentiu com um sorriso compreensivo.

— Vai lá. E, Beatriz… pensa com calma, ok?

Acenei, pegando no capacete, dirigindo-me rapidamente para a saída.

Cheguei à faculdade de Claire alguns minutos depois. Assim que estacionei, tirei o celular do bolso e vi três chamadas perdidas e uma mensagem de texto:

"Onde estás?"

Mordi o lábio e rapidamente respondi, dizendo-lhe onde me encontrar. Dois minutos depois, ela apareceu no meu campo de visão. Caminhava apressadamente, o cabelo esvoaçando ao vento, a expressão carregada. Observei-a e senti um formigueiro no estômago. Mesmo depois de tudo, ela ainda me provocava esse efeito. Sorri ligeiramente. Porém o sorriso esmoreceu assim que vi o seu olhar. Claire parou ao meu lado e pousou uma mão no meu ombro.

— Onde estiveste? Estás atrasada. — Murmurou, antes de beijar o meu rosto.

O seu tom não era de acusação. Era de preocupação. Suspirei e desviei o olhar.

— Desculpa, amor. Tive um contratempo.

Ela não disse nada, apenas pegou no capacete e colocou-o com calma. No entanto senti os seus olhos em mim. Queimando. Como se estivesse a tentar decifrar o que se passava. Como se já soubesse que algo estava errado. E, de certa forma, ela estava certa.

 

Fim do capítulo


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Comentários para 20 - Capítulo 20:
Lili
Lili

Em: 31/03/2019

Obg por ter voltado.

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