Verdades não ditas antes
Seus lábios atacaram os meus com rapidez, enquanto suas mãos ágeis passavam pelo meu corpo. Me sentia estranha, mas a sensação era ótima . Deixamos o carro as pressas, ela me guiu até o interior da casa, fechou a porta com um pé só, e fomos nós embolando e nos beijando até subirmos e irmos para o seu quarto, seu cheiro era místico e novo, sua pele macia e quente. Ao entrarmos derrubamos algumas coisas, e senti a cama atrás de mim. Começamos a nos despir eu a ela é ela a mim, a única iluminação que tínhamos era do poste da rua, mas dava para ver nitidamente as curvas do seu corpo baixinho, seu cheiro era místico e sua pele macia.
-Espe... Espera!
-O quê foi ?
Ela me olhou inquieta e ofegante.
- Eu nem sei o seu nome.
Ela riu e me fez sentar na sua cama, se sentando em meu colo em seguida.
-Me chamo Luana.
- Eu Amanda.
-Humm muito prazer Amanda.
Nos beijamos novamente estávamos apenas de sutiãs e calcinhas, eu queria proporcionar prazer e conforto a ela, então mudei nossas posições e deitei por cima dela, que apreciou gostar da minha iniciativa. Senti o fecho do sutiã se abrir e o umidecer de seus lábios em seguida. Aquilo era novo para mim, o cuidado e o auto controle ficou para trás, ela não era nem um terço do que foi a Cecília.
-Você é muito gostosa, Amanda!
- Como sabe ainda não me provou.
Ela sorriu maliciosamente e me virou montando em mim, e seus cabelos curtos favoreciam a beleza de seu rosto. O restante que me lembrava era de pequenos flashs de nossa trans*, do seu corpo em ebulição em meu colo, das suas puxadas de cabelo em mim, das minhas unhas arranhando suas costas, e dos seus gemidos sussurros e gritos estridentes para uma jovem.
- Eu devia ter bebido mais.
-Falando sozinha Amanda!
Olhei para a porta e Luana estava encostada no batente, usando uma camiseta longa com um símbolo satânico, e uma calcinha branca.
-Eu...estava pensando alto.
-Você fica uma gracinha pensando alto sabia.
Luana se aproximou e engatinhou na cama, e se aproximou o bastante para me dá um selinho.
- Bom dia!
-Bom dia.
Respondi surpresa por sua ação fofa porém macabra.
-Você viu as minhas roupas ?
Olhava ao redor e não as via, Luana desceu da cama e me disse que estavam no secador, incluindo minha calcinha, enquanto me encontrava em sua cama sentada coberta por um lençol fino.
- Eu não queria que você, voltasse para casa com cheiro de balada.
-Você é muito gentil.
Ela riu enquanto estava de costas mechendo em algo na mesinha, inclinei minha cabeça e avistei tubos de ensaio.
-Trabalho ?
-Ah não, eu sou quase uma médica.
E virou -se me mostrando um dos tubo de ensaio, me disse que estava no seu terceiro período da faculdade de Medicina, na área de Clínica médica.
- Eu pensei que você fosse mais radical, apontei para a sua blusa.
-Ah isso, e só uma banda, a sua roupa deve está seca vou pegar!
Ela deixou o quarto enquanto meus pensamentos estavam confusos, me levantei e olhei pela janela o dia estava ensolarado, deveria ser nove horas da manhã.
-Suas roupas!
Ela jogou minhas roupas e as peguei num único impulso, me disse que quando descesse tomariamos café antes de ir. Me troquei rapidamente e ajeitei o cabelo e desci em seguida, a encontrei na cozinha e havia uma mesa cheia de coisas, café leite pães sucos bolachas biscoitos manteiga requeijão geleia, entre várias frutas.
- Não carece de tudo isso.
-Carece sim, gastamos muita energia ontem.
Ela se afastou e me sentei me servindo.
-Você é privilegiada Amanda, não é com todas as ficantes que faço isso.
-Por que sou privilegiada ?
Me servia de café e pegava umas torradas.
-A sua colega me disse que você era diferente, porém não quis acreditar até ontem. A sua preocupação a gentileza em cuidar de mim, qualquer mulher se sentiria segura ao seu lado, ah fora o seu lado masoquista pois me arranhou toda!.
Ela me olhou com uma cara de me desculpa não foi por mal, que não resisti rir e depois a beijei.
- Eu estou brincando, você não é masoquista, mas o seu gosto e uma delícia.
Fiquei tão constrangida que terminei aquele café o mais rápido que pude, ainda ia ter uma conversinha com a Clara.
-Luana obrigada pelo café e... E tudo isso, só que preciso ir.
-Tudo bem, eu também daqui a pouco.
Ela me acompanhou até a porta aonde coloquei meu salto e peguei minha bolsa.
-Bom aqui está o meu número caso necessite.
Estendi o pequeno papel para a menor pegar.
-Espero necessitar mais vezes.
Eu sabia que a Amanda ficava constrangida a casa investida minha, e adorava ver isso.
Me despedi daquele mulherão e ao fechar a porta bateu aquela duvidazinha.
-Será que deveria convida-la ?
Enquanto isso em Londres.
Alguns dias depois do desfile não se falavam em outra coisa a não ser na polêmica do desfile da Freedom, e no meu vídeo sendo humilhada e maltratada pela Amanda, a Leandra saindo como a Heroína a Amanda como a vilã e eu a mocinha. A Magnólia decidiu não se pronuncia em relação ao ocorrido, ficou uns dias sem aparecer na empresa, conversava comigo por mensagens. Os fotógrafos não saíam da porta da empresa, Alexia que gostou de se exibir. Faltando uma semana para o Natal o dinheiro havia caído na minha conta, e não era pouco. Minha madrasta me ligou e disse que meu pai queria falar comigo, era bom tê-lo de volta novamente. Segui para sua casa e ao chegar eles estavam sentados na mesa de jantar.
-Cecília que bom que veio.
-Você me ligou e eu vim, apesar das correrias com as provas e...
Olhei para meu pai e ele estava sério, tão sério que chegou a me dá medo.
- Que bom que voltou pai.
Ele se levantou e veio em minha direção, me deu um abraço frio e quis conversar na sala. Me sentei na poltrona e ele no sofá de três lugares.
- Como está minha mãe?
-Bem apesar de tudo.
A televisão estava desligada e era até bom.
-Tem dias que anda sumida.
-E... Eu estou numa casa afastada da cidade, e bom para pensar.
Meu pai sempre foi um homem correto e bondoso, nunca o vi assim tão sério e hostil as minhas palavras.
-Pensar em não ser uma mal caráter!
-Querido...
Meu pai ergueu a mão e fez sinal de para.
-Deixa Eliana esse assunto precisa ser resolvido, pois a Cecília se diz tão alto independente que pode responder por si mesma.
Ouvir meu pai me tratar assim me subia um ódio mortal dele, me ajeitei na poltrona e olhava em seus olhos frente a frente.
-A minha mãe deve ter envenenado o senhor contra mim.
-De certa forma sua mãe nunca foi flor que se cheire, foi muito doloroso ver o juiz deixar você com ela, mas não sou homem de ir pela cabeça dos outros, conversei com a sua ex namorada.
Fiquei em choque novamente a Amanda estava se metendo aonde não era chamada.
-Agora o senhor vai defender a Amanda!
- Fala baixo comigo garota, está pensando que é quem ? Ela me levou até a casa dela e conversarmos sobre você, me pareceu uma pessoa correta e diguina, passei por um momento tenso naquele tribunal e vergonhoso!
-Vergolhoso!
Gritei e me levantei seguida do meu pai.
-O senhor sabe o que eu passei, não foi nem um mar de rosas, aquelas pessoas riram de mim!
-E Daí, acha mesmo que foi a única na face da terra a rirem de você? Sua mãe te criou muito mal, se encherga garota as pessoas passam por coisas piores, você não é melhor nem pior do que ninguém.
-Está alegando que o que eu passei foi certo!?
- Não foi, mas fugir nunca foi a solução para nada, depois que eu saí daquele tribunal as pessoas me questionaram perguntando aonde está a sua filha? Ela fugiu da justiça?
-E só com isso que o senhor está preocupado, não precisa o senhor não mora lá.
Me sentei e ele continuou de pé.
-Mas a Amanda mora, soube de tudo das academias do casamento dela, da prisão do marido, você não se importa com o que a Cecília Morales foi para a Amanda, olha pra mim quando estiver falando com você!
Eu o encarei e ele continuou.
-Se fosse criada por mim entenderia o que é formação de caráter, de não sair fugindo e dando -se um foda-se para tudo o que ficou para trás, e eu pensando que veio para cá decepcionada com sua mãe, que decepção.
Me levantei e subi as escadas, escutei seus passos em seguida.
-O quê pensa que está fazendo!?
-Indo embora, o senhor defende tanto a Amanda que pra mim já deu .
Abri o guarda roupa e peguei tudo socando nas malas e na mochila, inclusive aquela boneca.
-Está vendo a verdade dói, está achando que é muita coisa só porque desfilou uma única vez!
- Por favor meu amor pare! Somos uma família lembra? Semana que vem já é Natal não podemos ficar assim.
Passei pelos dois descendo com dificuldade devido aos pesos, meu pai veio logo atrás pisando duro. Abri a porta da frente e os dois ainda me olhavam, minha madrasta chorava copiosamente e veio me abraçar.
-Está tudo bem, vou dá notícias.
Meu pai a tirou de meus braços e me disse que se saísse daquela casa, seria para não voltar dá mesma maneira.
- Eu ainda vou provar para o senhor que está errado!
Deixei sua casa e pedi um uber.
-Deveria provar algo para sim mesma!
E fechou a porta com força que por um fio não quebrou os vidros. O uber ainda demorou um pouco para chegar, o motorista não muito simpático me reconheceu, mas não falou nada. Ao chegar em casa deixei as malas na sala, caminhei até a adega e peguei um vinho abrindo e bebendo em seguida, limpando a boca com a Costa da mão. Peguei o celular e liguei para Leandra perguntando se ela iria passar o Natal sozinha, ela me respondeu que não, que iria passar com a família e que eu estava convidada também, dei uma desculpa qualquer e desliguei em seguida.
-Existe outras maneiras de se divertir.
De volta ao Brasil.
-Ainda pensando na oferta da Amanda ?
-Lara deveria se preocupar com a sua aprovação escolar, e deixar conversa de adultos com os adultos.
- Que isso mãe, vai me dizer que não ficou curiosa! ?
-Pode ser, mas a Amanda errou muito comigo, agora me deixe quieta.
Alguns dias depois..
-Semana que vem vou tirar os equipamentos das filiais.
-Nem acredito que isso está realmente acontecendo.
- Não fique triste Clara coisas boas viram, estou com uns plan...
A campainha tocou e achei estranho, Clara foi abrir a porta e reconheci a voz calorosa e peculiar da baixinha da Royale.
-Luana o que faz aqui ?
Clara a deixou entrar e ela me cumprimentou com beijos no rosto.
- Eu vim aqui saber se você não quer ir numa festa comigo ?
Olhei para Clara e ela não sabia de nada, e até se retirou.
- Que tipo de festa?
-E coisa do meu pai, a metade lá curte essas paradas de academia e eu não saco nada, então pensei que você poderia ir comigo, sabe pra mim não ficar deslocada, então aceita ?
Fim do capítulo
Estou de volta, agora o sarrafo desceu na Cecília kk é essa Luana que tal ?
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