Boate Royale
Duas semanas depois:
-A senhora vai ficar aqui fora lendo esse livro ?
Abaixei o livro e olhei para Clara que estava encostada no batente da porta.
-Se quiser ir para casa pode ir.
-Não é isso e que...
Clara hesitou em falar e sabia o quanto isso me deixava mais curiosa.
-Clara...
Falei com uma voz mansa e a deixei mais tranquila para se abrir.
-E que a senhora passa muito tempo sozinha, e bom depois de tudo que houve ninguém se quer vem ver a senhora a não ser a Lara.
-Fez esse discurso todo para me chamar de solitária, Clara?
-Não! Não foi com essas palavras.
Sorri e me levantei caminhando até a varandinha, Clara se aproximou e ficamos em silencio por um minuto.
-Ouvi as garotas falarem de uma boate aqui perto.
-E porque a senhora não vai, será bom para se divertir.
-Tem muitos anos que não piso numa boate Clara, não sei se isso me faria bem.
-Se a senhora quiser posso te acompanhar!
Nos olhamos era nítido o carinho que Clara tinha por mim, as vezes me esquecia que era a sua patroa.
-Se quiser por mim tudo bem.
-Que bom!
Ela se animou e entrou, aproveitei para entrar e vestir uma roupa mais ousada, ao entrar no quarto notei o quanto não comprava roupas novas a anos, o mais sexy que possuía era um monte de vestidos que usava para seduzir o Márcio, peguei um vestido preto básico com um V nas costas, realcei meus olhos com um rímel e um batom cor vinho.
Ao descer as escadas Clara me esperava estava usando um macacão pêssego acompanhado de uma bolsa de colo.
-Está muito bonita Clara.
-A senhora também.
Saímos de casa rumo a boate Royale no gps era um pouco longe, mas de carro chegaríamos rápido, dito e feito não precisou nem de corta caminho, ao chegarmos estacionei num lugar de fácil acesso, a entrada estava lotada, estávamos na fila e um grupo de jovens estavam causando a maior arruaça chamando a atenção de todos, Clara estava na minha frente queria protege-la daquela bagunça juvenil.
-Está tudo bem dona Amanda, eu tenho uma filha dessa idade.
-Me desculpe Clara, as vezes me esque.... AHH!
Gritei ao ser atingida por algo que me fez me curvar, ao ver o que era não era algo é sim uma garota.
-Seus imbecis! Olha o que eu fiz com a moça, nossa me desculpe.
Seja o que foi o que estava tomando melou meu ombro inteiro, ela me pedia desculpa de 5 em 5 minutos, enquanto tentava me limpar com lenços umedecidos, logo o segurança chegou e os tiraram da fila inclusive ela.
-Tá vendo por isso não gosto desses lugares!
-Quando a gente entrar vamos no banheiro, eu te ajudo.
Meia hora depois entramos o lugar era muito bonito por sinal, com uma pista de dança enorme no meio, o bar se estendia ao longo da pista e mais ao fundo havias as mesas de praxe e os bancos de couros, Clara insistiu em ir comigo no banheiro, mas pedi para guardar meu lugar, por sorte não havia fila no banheiro entrei e molhei meu ombro, tirando o doce da minha pele.
Ao sair procurei por Clara na boate e a encontrei sentada perto do bar, havia duas bebidas para a gente.
-Eu pedi duas caipirinhas, a sua e de morango e a minha de maracujá.
-Ah sem problema, aqui e bem divertido.
Bebi um pouco da caipirinha enquanto a música tornava cada vez mais difícil a nossa conversa, Clara se levantou e foi ao banheiro, aproveitei para apreciar mais a noite de solteira, embora estivesse mais confrontável em casa lendo um livro, estava distraída quando escuto o som de um copo sendo colocado em cima da mesa, meus olhos rapidamente pairam em cima da garota da fila, ela sorria e puxava a cadeira para se sentar.
-Noite divertida não acha ?
Perguntou brincalhona, na hora do choque da fila não reparei muito em seus trejeitos, branca dos olhos negros e cabelos loiros curtos com as pontas vermelhas, dois piercings de bolinhas no lábio inferior chamava a atenção.
-Esse lugar está vago.
-Jura ?
Ela olhou para os lados como se estivesse à procura de alguém, depois seus olhos negros me fitaram.
-Não parece que esteja acompanhada, mas te pago uma bebida pelos erros dos meus amigos babacas.
A minha noite estava apenas piorando e Clara que não voltava do banheiro.
-Não precisa pagar nenhuma bebida para mim, é sério estou bem.
-Numa balada vestida para matar sozinha é bebendo, não parece está bem.
Ela se apoiou na mesa e se aproximou o bastante, e me inspecionou de cima a baixo com o olhar audacioso.
-Qual o seu nome afinal ?
-Você é engraçada, geralmente perguntam meu nome ao raiar do sol.
-Eu sou educada apenas isso, não fico encarando as pessoas assim.
Ela sorriu ardilosamente e se afastou, bebeu um pouco do seu drink não sabia quem mais era chamativo aquela noite, ela ou o drink, senti meu celular vibrar e ao pegá-lo na bolsa era uma mensagem da Clara.
Dona Amanda foi bom a nossa saída, mas acredito que será ainda melhor ao lado dessa moça, APROVEITE!
-Algum problema?
A olhei e guardei o celular, não acredito nisso Clara havia se mandado, uma nova música começou a tocar e senti sua mão pegando na minha e me levando para a pista, em meio as meus pedidos inválidos, ao chegarmos no centro estávamos uma de frente para a outra, enquanto os outros jovens dançavam freneticamente.
-Qual o problema ?
-Eu não sei dançar essa música!
Ela apenas assentiu e se aproximou o máximo e tocou em meu queixo, e sorriu.
-Relaxa.
Li seus lábios e me senti mais aliviada, seu corpo começou a ser consumido pela música eletrônica, algumas vezes ela descia e subia em corpo, a cada descida, subia majestosamente com um sorriso no rosto, tentava seguir o seu ritmo aproveitando os anos perdidos. Seus braços me envolveram e seus dedos realizavam movimentos circulares em minha nuca, sua dança erótica tomava outras proporções sua cabeça tombava para trás e o sorriso surgia em seus lábios na terceira música seguida, a segurei e lentamente seus olhos se cruzaram com os meus, o suor descia de sua testa e seus lábios se encontravam entreabertos.
-E melhor pararmos e irmos para casa.
-Me leva para casa ?
Sua voz mansa e cansada me fez assentir, saímos da pista de dança peguei minha bolsa e seguimos para a saída, ao entramos no carro foi a chance de me falar onde morava e literalmente apagar no banco do carona.
Ao chegar notei que a casa de dois andares estava as escuras, desliguei o carro e tirei o cinto, como não sabia seu nome apenas a balancei, seus olhos logo se abriram e ao me ver sorriu.
-Chegamos.
-Me ajuda.
Eu sabia aonde isso iria terminar fiquei em silêncio por uns minutos, senti sua mão em minha coxa e fitei seus olhos.
-Entra eu juro não judiar de você.
-Eu entro...
Fim do capítulo
Fiquei na dúvida se rolaria cena de sexo, uma personagem temporaria nova no pedaço.
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