Mentiras Sinceras me interessam
- Como soube aonde moro ?
Luana apenas tirou o celular do bolso e me mostrou.
-Parece que você virou celebridade, e bom não quis te contar no dia seguinte.
Me levantei lentamente e vi as imagens no seu celular.
- Isso não é uma coisa que me agrado.
Luana pareceu ficar sem jeito, e guardou o celular.
- Não foi difícil te achar, só quero saber se pode ser minha acompanhante ?
- Hã e... Eu acho que sim.
-Massa, então nos vemos a noite!
-Te acompanho até a porta.
Ao abrir a porta Lara estava com a mão erguida e ao nos ver, a abaixou.
- Eu preciso da sua ajuda.
-Sobre o que ?
Enquanto perguntava Luana e eu saímos, as duas se entreolharam por alguns instantes.
-Uma prova final na sexta e... pensei que pudesse me ajudar.
-E professora?
-Sim sou.
Respondi sem graça, e aproveitei para apresentar as duas. Entrei para pegar minha agenda e procurar um horário para a Lara.
Enquanto isso.
-Nunca te vi por aqui.
- Não sabia que era fiscal da vida da Amanda.
Me surpreendi com sua resposta, e logo me coloquei em posição de defesa.
- Somos amigas, venho sempre aqui por isso disse aquilo.
- Foi mal, pensei que fosse mais um "casinho" da vida da Amanda.
-E isso te incomoda ?
A mulher mais baixa se apoiou na sacada e negou sorrindo.
-A Amanda e uma pessoa legal, chega a ser transparente. Só não gosto de ver pessoas sofrendo.
-Nem eu.
Me aproximei e o clima me parecia hostil, tinha um dia de folga e seria na quarta, Lara concordou. Ao terminar de anotar ouvimos o som da sirene ao longe se aproximando, vimos que dois policiais desceram da viatura e caminharam até onde estávamos.
-E melhor a jovem vim com a gente.
Lara ficou mais branca do que já é.
- Eu não fiz nada!
-Estamos a mando da sua mãe, melhor nos acompanhar por bem ou por mal.
-Caraca a sua mãe chamou a polícia pra você!
Lara olhou apreensiva para Luana e depois para mim, seus olhos emitiam revolta, e me demonstravam que voltaria, apenas a abracei Ester estava indo longe demais.
Depois que Lara foi escoltada até em casa, o clima parecia ter voltado ao normal.
-Sua vida parece uma montanha russa!.
Olhei para Luana e ela estava certa, os acontecimentos seguidos depois de Londres estavam me deixando louca, nos despedimos e aproveitei para entrar, subi as escadas e entrei em meu quarto, ao fechar a porta fechei os olhos aquilo só iria me machucar mais, mas precisava saber. Peguei o notebook e digitei seu nome no YouTube, entre o vídeo polêmico do estacionamento alguns novos surgiram, uma delas era de sua presença numa boate e dançando com uma mulher que não era a mesma do estacionamento.
Meu corpo estava imóvel sentada na cama, aquilo era sofrimento demais.
- Como ela está feliz sem mim.
Clara entrou em meu quarto com umas toalhas nas mãos e viu meu estado melancólico. Colocou as toalhas na cama e se aproximou, não havia muito o que falar.
- Não se martirize mais, dona Amanda.
- Eu precisava ver Clara, precisava ver a felicidade estampada em seu rosto sem mim.
Clara pegou o notebook e o fechou colocando na mesinha ao lado, e me abraçou. Não havia mais lágrimas para chorar pela Cecília, deveria me concentizar de tudo que aconteceu.
- Eu vou fazer um chá para a senhora descansar.
- Não... Não eu estou bem, preciso ir num lugar.
Enquanto dirigia me lembrei do dinheiro da indenização da Cecília, ao desligar o carro olhei pela janela, e suspirei. De dentro do carro liguei para uns amigos do tempo das festas que o Márcio dava e pedi ajuda, aos poucos eles iam falando que não dava que estavam ocupados, apenas um disse que conhecia um pessoal que poderia me ajudar, porém ia custar caro. Engoli a seco e pedi pra que eles me encontrassem no endereço que passei.
Uma hora depois eles chegaram e desci do carro, me apresentando e mostrando a casa dos meus pais.
-Gostaria de uma reforma para transforma-la numa biblioteca.
Voltaria a dá aulas mas agora em outro ambiente, num lugar aonde precisariam de mim. A casa não estava podre, mas uma reforma no telhado e no assoalho iria da vida nova ao local. Um dos empregados me perguntou sobre a horta.
-Ela fica, será bom para as crianças terem contato com os legumes e frutas.
Enquanto isso em Londres:
-Você viu ela veio trabalhar sozinha!
-Será que aconteceu alguma coisa?
-Aposto que a Yumi deve estar doente.
Depois da minha vingança a Cecília, havia boatos que a Yumi não estava mais com a Magnólia. Odiava pensar que teria que competir com essa garota, em meio ao burburinho entrei em sua sala, estava linda sentada realizando algumas anotações.
-Sabe que não pode entrar em minha sala sem ser chamada, Alexia.
-Sua secretaria não estava, então aproveitei para entrar.
Ela levantou a cabeça e me fitou com aqueles olhos temíveis, por um momento senti o medo tomar conta do meu corpo, uma palavra a mais um vacilo e caso ela descobrisse meu plano, adeus carreira.
-O quê quer?
-Saber quando será o próximo desfile, e... bom saber como anda a Yumi, as garotas estão preocupadas.
-Saberá do próximo desfile pelo Miguel, e Yumi está muito bem.
Engoli a seco com seus olhos fixos nos meus.
- Pode ir Alexia.
Ao deixar sua sala soltei o ar lentamente.
-Será mais difícil do que pensei.
Depois que Alexia deixou minha sala, recostei na cadeira e pensei em Yumi. Não sabia aonde estava é isso me irritava, estava fazendo de propósito. A porta se abriu novamente pensei ser Alexia de novo, porém me enganei era Cecília, com um aspecto nada agradável.
-Sua secretaria me disse que queria falar comigo.
Ela se aproximou e se sentou na cadeira a minha frente, cruzando as perdas em seguida.
-Sim e sobre o novo desfile, olha eu não posso opinar em sua vida particular, mas essas noitadas estão acabando com a sua beleza.
- Eu sei me cuidar Magnólia, não se preocupe.
- Eu tenho motivos para me preocupar!
Me levantei e fiquei atrás da minha cadeira de couro, minhas unhas a arranhavam tamanha era a minha fúria.
-E modelo da Freedom, e não uma garota da noite. Não basta o escândalo do primeiro desfile!
Cecília se levantou agitada e caminhou até onde estava, ficamos frente a frente.
- Não me diga o óbvio, se for falar algo que eu não saiba diga agora!.
Não era de hoje que estava a par das investidas educadas da Magnólia, não se falava em outra coisa na empresa sobre a possível separação dela e da Yumi, e não estava nem aí para o que ela fosse pensar de mim depois.
Estávamos naquele impasse, seus olhos e sua postura "acuada" não passava de afirmações.
- Não há nada que eu queira te falar.
Dei mais alguns passos em sua direção, e enquanto chegava mais perto mais tensa a mulher a minha frente ficava.
- Eu cheguei a ser gentil, pedi para me tratar como as outras, não quis interferir num relacionamento, mas a culpa nunca foi minha, a culpa é sua...
-Cecília eu...
A calei com um beijo desprovido de qualquer culpa ou receio, no início magnólia não correspondeu, mas aos poucos o beijo se tornou excessivo e dominador, suas mãos em encurralaram na mesa de vidro, e seu corpo se fez presente ao meu, sentia seu cheiro de frutas vermelhas e o calor que emanava dele, suas mãos ágeis seguravam minha nuca e a outra a minha cintura me mantendo firme, havia pressa de ambas e o calor era constante, sua língua habilidosa dançava em minha boca e chegou a descer pelo meu pescoço, arrancando uns gemidos de meus lábios, mas fomos interrompidas por batidas na porta, Magnólia se afastou e eu dei a volta na mesa, pegando minha bolsa e dando uma olhadinha para trás, antes de sair. Ela estava atordoada e se arrumava para manter o seu nível de superioridade. Ao abrir a porta era Miguel que ao me ver sorriu, passei por ele desejando um bom dia.
-O quê foi Miguel!
Me sentei em minha mesa ainda com as pernas bambas, como ela teve coragem.
-Trouxe umas papeladas para assinar.
Ele ficou um bom tempo olhando para mim, e isso me incomodou.
-Algum problema ?
-E a Yumi ?
Foi a única coisa que ele disse antes de fechar a pasta.
- Isso não é nada Miguel, a Yumi e a única que tem meu coração, vou passar o Natal com ela.
Afirmei mesmo sem saber aonde minha esposa estava.
De volta ao Brasil:
A peguei em sua casa e ao entrar no carro me deu um beijo no canto da boca, liguei o carro e seguimos até o evento.
Luana estava usando uma saia preta de corte, e uma blusa branca de manga, seguida de um salto alto. Como estava acostumada a ir nesses eventos, fui mais formal impossível.
Ao chegarmos havia muitas crianças e adultos, Luana me apresentou a um grupo de amigos que praticavam esportes radicais, entre eles a canoagem, falavam em descer um rio, e chegaram até em me convidar, não sabia o que dizer porém Luana me incentivou. Aceitei de improviso, e em meio a uma conversa e outra uma criança passou por nós correndo, e se esbarrou em mim. Seu nome era Laís e me pediu desculpas de imediato, aparentava ter seus sete anos, loirinha e de olhos verdes. Avistei de longe o grupo de crianças brincando, longe dos papos chatos de adultos, a noite caiu e as pessoas estavam ficando cada vez mais chatas, Luana sumiu por uns instantes e voltou com duas tequilas nas mãos, uma me entregou e a outra virou de uma só vez, fiz igual e senti o peso do álcool em minha garganta, Luana ria de mim e me levou até a cozinha, passamos por um corredor e entramos na área da lavanderia, que não era muito grande, Luana fechou a porta de correr e ficamos nos olhando por um momento.
-Por que estamos aqui dentro ?
- Eu queria conversar com você a sós.
Ela falava enquanto mexia na gola da minha camisa.
-Sobre o que queria falar.
-Coisas... Coisas que estão acontecendo comigo.
Luana não falava coisa com coisa, estava ficando preocupada. A ergui e coloquei sentada na pia e peguei uma porção de água e joguei em sua testa e ombro.
- Não devia ter bebido tanto.
-Para... Para!
Ela segurou minha mão e me fitou.
- Só estou tentando ajudar.
-Shhh só me escuta, cara você é incrível gentil educada atenciosa bonita e um corpo que me tira do sério.
-Luana eu agradeço o seu elogio, só que...
Me calei ao ver sua boca deslizar sobre o meu dedo, indo e vindo de uma maneira tão sexy que perdi o ar por um momento.
- Me come Amanda, agora.
Fim do capítulo
Voltei pessoal depois de uma semana atribulada
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