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O Amor Tem Cheiro de Flor por Vandinha

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Palavras: 2104
Acessos: 1342   |  Postado em: 04/03/2019

Capítulo 3 - Pimentões Mágicos

O AMOR TEM CHEIRO DE FLOR 

 

Pimentões Mágicos 

 

Quando chegou em casa, Nicolle tirou o sobretudo, jogou sobre a poltrona de couro branco e foi direito para a cozinha. Os saltos de suas botas elegantes ressoavam sobre o piso brilhante da mansão.  

Entrou na cozinha e encontrou a senhora Justine preparando o almoço. Imediatamente a empregada se virou sorrindo. 

-- Menina Nicolle, ravi de vous voir! 

-- Também estou feliz em vê-la, Justine -- Nicolle abaixou-se para beijar a bochecha da senhora -- Já percebeu que você está cada dia mais baixinha? Daqui a pouco vou ter que me ajoelhar para beija-la. 

-- Escutei em um programa no rádio que pessoas baixas vivem mais - respondeu de imediato, sentindo-se confiante. 

-- Então, você é imortal, mon cher -- a loira sorriu, com um brilho divertido nos olhos -- Onde está Lorran? 

-- Ele está no jardim. Madame Charlotte está com ele. 

Nicolle fez uma careta, mudando rapidamente de humor. 

-- Que beleza! Quando será que essa mulher vai embora? 

-- É bem provável que a madame vá embora somente depois que a nova babá chegar -- Justina secou as mãos e jogou a toalha sobre a pia -- Enquanto isso, minha filha, procure ter paciência com ela. 

-- Ter paciência é bom, mas eu prefiro ter uma metralhadora. 

-- Nicolle Chevalier, olhe os modos! -- a senhora fez cara feia, depois sorriu. 

Justine era uma mulher baixinha de cabelo longo e grisalho. Quando Nicolle chegou a mansão era apenas uma menina assustada e cheia de medos. A senhora se dedicou a cuidar dela como se ela fosse sua própria filha. Muito simpática e atenciosa logo conquistou a confiança e o respeito de Nicolle.  

-- Sua sogra é uma mulher difícil, mas pense em Dominique. Ela já tem sofrido tanto, tadinha. Tente se impor sem ser grossa. 

-- Você tem razão, Justine. Quando ela me encher o saco, vou levantar a cabeça e dizer: Quem manda nessa porr* sou eu. 

-- Niiii... -- Lorran entrou correndo na cozinha, Charlotte entrou logo atrás dele. 

-- Meu garoto! -- Nicolle se abaixou para beijar a face do menino -- O que você estava fazendo? 

Pequenos braços enlaçaram o seu pescoço. 

-- Estava brincando no jardim, né vovó? 

Charlote Chevalier observava a cena sem demonstrar qualquer tipo de emoção. 

-- É isso mesmo, Lorran. Estávamos brincando no jardim -- a senhora Charlote dirigiu um olhar frio para Nicolle -- Você deveria dar mais atenção a Dominique. Minha filha está muito deprimida. 

Nicolle ameaçou dizer um palavrão, mas controlou-se a tempo. Charlotte parecia sentir prazer em provocá-la. 

-- Os únicos momentos que não estou ao lado dela é quando estou trabalhando. O que mais quer que eu faça? -- ela falou, levantando o queixo de forma determinada. 

-- Nunca escondi que era contra esse casamento, algo me dizia que Dominique estava fazendo uma grande besteira casando-se com uma mulher quinze anos mais nova -- a senhora olhou para o neto e deu um sorriso amarelo -- Ao menos poderia fingir que a ama. Seria o mínimo a fazer, depois de tudo o que causou a ela -- Charlotte fez uma expressão que movimentou todos os músculos da face -- Vou até o quarto de Dominique -- Charlotte se virou e saiu sacudindo o cabelo de um lado para outro. Nicolle abriu os braços inconformada. 

-- Sogra ao contrário é argos, que significa demônio na língua que acabei de inventar. 

-- Não fale essas coisas na frente do menino -- Justine passou a mão pela cabeça de Lorran. 

-- Vovó "demono"! -- disse o menino, eufórico. 

-- Viu! -- Justine ficou apavorada. 

Nicolle deu uma gargalhada. 

-- Mas que garoto bocudo!  

-- Puxou a quem, será? -- a empregada levantou o menino no colo e o colocou sentado na cadeira -- Vou preparar um chocolate quente para ele. 

-- Vou até o quarto ver como Dominique está. 

-- Como vai entrar lá? -- perguntou a senhora, curiosa. 

-- Pelo buraco da fechadura -- respondeu Nicolle, irritada -- Cada pergunta! 

Justine bufou. 

-- O que quero dizer é que Charlotte está lá com Dominique. Vai entrar mesmo assim? 

-- E você acha que eu tenho medo daquela Crotalus durissus terrificus? 

Justine franziu a testa. 

-- O que é isso? 

-- Não posso falar -- Nicolle caminhou até a porta. 

-- Fala Nicolle -- ela exigiu -- Não ouse sair sem falar. 

Nicolle voltou e parou na frente dela. 

-- Cobra Cascavel -- berrou próximo ao ouvido da empregada -- Cas-ca-vel. Entendeu agora? 

-Aiii... -- Justine tapou os ouvidos com as mãos -- Não precisa berrar. Não sou surda. 

-- Vovó é "cacavel"? 

As duas olharam para Lorran, admiradas. 

-- Olha só o que você fez, Justine. Sua enxerida -- Nicolle deu meia volta, saiu da cozinha balançando a cabeça e atravessou a sala em direção ao quarto. 

A gravidez de Dominique aconteceu através de uma inseminação artificial. Apesar de saber que a esposa havia decidido pela inseminação apenas como uma forma de prendê-la ao casamento, Nicolle amava aquela criança maravilhosa. O sorriso de Lorran era encantador, ele era em sua vida uma benção divina. E por nada desse mundo se afastaria dele.  

-- Dona Nicolle! 

Ao ouvir a voz, Nicolle parou bruscamente com uma expressão de surpresa nos olhos, ao ver aquele belo rosto desconhecido. 

-- O que? 

-- Está precisando de alguma coisa, dona Nicolle? 

Então Nicolle deu um sorriso sensual, com um brilho malicioso nos olhos.  

-- Sim. Estou precisando de uma massagem erótica com óleos exóticos, mas de preferência comestível e a base de água para algumas lambidinhas. Pode ser? 

A moça ficou olhando para ela de boca aberta sem saber o que responder. 

-- Não pode? Então por que perguntou? -- Nicolle deu alguns passos, depois se voltou para olhar para a moça -- Desculpa, eu dou uns surtos que até eu depois olho pra mim e digo: "Tu é perturbada, hein!" -- a voz dela soou mais cordial e seu olhos refletiram interesse na desconhecida -- Como se chama? 

-- Adeline Baron. Fui contratada pela madame Charlotte para ajudar Justine em seus afazeres doméstico. 

-- Eu não acredito que a Cachalote grisalha nem bem chegou e já está querendo mandar em tudo -- Nicolle parou diante da porta do quarto, em seguida, abriu-a e entrou sorrindo -- Bonjour mon amour! 

-- Bonjour mon amour! -- Dominique respondeu suavemente. 

Nicolle se ajoelhou ao lado da cadeira de rodas, sorrindo com afeição para ela. 

-- Como você está? -- a loira segurou a mão de Dominique na sua e beijou-a com carinho -- Desculpe-me por não ter retornado ontem. O aeroporto foi fechado devido ao mau tempo e os voos foram cancelados. 

Dominique tocou os lábios dela com a ponta do dedo. 

-- Não precisa se desculpar, meu bebê -- ela disse sorrindo -- Sente aqui -- Dominique pediu, apontando para uma cadeira, que Charlotte havia colocado ao lado da cadeira de rodas -- Marcelle aceitou o valor que eu ofereci pela empresa? 

-- Ela não quer vender a empresa, Dominique. Não adianta ficarmos insistindo nisso. 

-- Todo mundo tem seu preço, Nicolle. Você é que não soube negociar -- Charlotte ajeitou o cabelo diante do espelho e abriu a porta -- Marcelle é tinhosa, mas é humana. 

-- Já dizia Fernando Sylon: Um homem que tem preço, é um homem sem valor. Escutem o que vou dizer, Marcelle não vai aceitar vender a empresa. 

Dominique girou a cadeira e ficou de frente para Nicolle. 

-- Você vai voltar lá e fazer outra proposta a Marcelle, aumente em 10% o valor, ou até mais se for preciso. Eu quero aquela empresa a qualquer custo. 

Nicolle fez que sim com a cabeça, triste. Para que tudo isso? Ela perguntou-se, olhando para Dominique. A esposa ficou à beira da morte depois do acidente. Ela praticamente nasceu de novo, deveria enxergar a vida com outros olhos agora. Valorizar cada segundo, curtir o filho, a natureza. Para que mais uma empresa? A marca Chevalier liderava o mercado de cosméticos com folga, não precisavam da pequena empresa de perfumaria de Marcelle. 

-- A técnica e a babá quando chegam? -- Nicolle olhou para a sogra e depois voltou a olhar para Dominique -- Não quero deixá-la sozinha por muito tempo.  

-- Não se preocupe, meu amor -- Dominique passou a mão pelos cabelos dourados da esposa -- Segundo a agência de emprego, elas chegam na quarta. E mamãe está comigo, não ficarei sozinha. Pode ir tranquila. 

Nicolle olhou para Charlotte por cima do ombro de Dominique e deu um sorrisinho cínico. 

-- Charlotte é um doce. Não sei o que faria sem minha sogra. 

 

 

Francine tomava o café da manhã e se engasgou ao ouvir o nome Chevalier no principal jornal da manhã.  

-- O que foi Francine? -- O homem sentado do outro lado da mesa indagou, franzindo as sobrancelhas. 

Deise olhou para ela assustada. 

Aparentando tranquilidade, Francine se virou para a televisão e levou o guardanapo à boca, sorrindo em seguida para o pai. 

-- O café está muito quente -- sabendo de como ele era desconfiado, não desejava levantar a mínima suspeita. 

-- Mas que coisa deselegante, Fran! -- resmungou Laura. 

Francine se levantou para pegar um pano úmido e limpar a mesa. 

-- Que coisa gente, ela só derramou um pouco de café e a toalha tem mesmo que ser lavada -- Deise revidou. Porém, diante do olhar bravo que o pai lhe deu, arrependeu-se imediatamente -- Desculpe-me pai. Acho que exagerei na altura da voz -- ela suspirou e também se levantou. 

-- Vocês estão muito nervosas hoje. O que está acontecendo? -- Leôncio olhou para elas e franziu o cenho. 

-- Papai tem razão -- afirmou, Laura -- Vocês estão muito esquisitas. 

-- E vocês procurando chifre em cabeça de cavalo -- Francine tratou de ser o mais convincente possível. Se ele desconfiasse, seu plano estaria arruinado.  

Leôncio empurrou sua cadeira para trás e levantou-se.  

-- Preciso ir agora. Recebi três carros para conserto -- falou enquanto vestia a capa de chuva -- Não se esqueçam que vamos jantar na casa do Geraldo esta noite. 

Francine olhou para Leôncio com os olhos arregalados, assustada lembrou que semanas atrás, o pai havia comentado sobre o jantar. Como pôde esquecer? Nervosa e inquieta, o suor escorrendo pelo rosto, apoiou-se na cadeira. 

-- Mas, justo hoje? -- falou em voz alta, de modo que o pai ouviu a sua indagação. 

-- Como assim? -- a voz de Leôncio pareceu um trovão. 

-- Jamais esqueceríamos uma data tão importante, pai! -- Deise estava tão nervosa quanto a irmã -- O que a Fran quis dizer pai, é que, justo hoje tinha que cair essa chuvarada.   

-- Por acaso alguém aqui é feito de açúcar? -- ele fez um gesto vago e saiu irritado com o comportamento das filhas.  

Laura balançou a cabeça, acenando com uma das mãos, em um gesto de indignação. 

-- Vocês incomodam o papai com essas picuinhas. Desde quando a chuva foi problema para sairmos de casa? -- O silêncio foi sua única resposta. Francine e Deise ficaram olhando-a por um momento. Depois Francine disse com calma: 

-- É que eu havia escolhido uma sandália branca para combinar com o vestido, mas tudo bem, escolho outra. 

-- Quanta frescura! -- disse Laura com uma grande dose de sarcasmo. Francine arqueou uma sobrancelha -- Vou dar uma saída, mas logo volto - anunciou, se levantando. 

-- Aonde você vai com toda essa chuva? -- Deise perguntou, curiosa. 

-- A única pessoa a quem devo dar satisfações é o papai. Portanto, não encha o saco. 

Laura pegou a bolsa e o casaco e saiu sem olhar para trás. Deise foi até a porta para conferir se ela havia realmente saído e voltou completamente agitada. 

-- E agora, como você vai fugir para pegar o ônibus? 

Sem perceber, Francine levou a mão a boca e começou a roer as unhas. 

-- Droga! Vou ter que pensar em algo urgentemente. Tenho que viajar hoje sem falta. Prometi que me apresentaria a madame, até quarta-feira. 

Agitada, Deise andava pela cozinha, tentando encontrar uma saída.  

-- Tive uma ideia! -- ela parou bruscamente diante do armário e pegou um vidro de pimentão em conserva -- Essa será a sua saída. 

-- Pimentão? Ah, entendi! Vamos rechear os pimentões com veneno e dar para a Laura e o papai comer -- Francine disse, com um grande tom de ironia -- Eu aqui à beira da loucura, pensando numa saída e você me vem com pimentões mágicos. 

-- Idiota! -- Deise disse, sorrindo -- É uma grande ideia. Eu mesma já fiz e deu certo. Pode confiar em sua querida irmã.  

Francine suspirou e esfregou a nuca. Não tinha outro jeito a não ser confiar em Deise e em seus pimentões mágicos. 

 

 

Fim do capítulo


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Comentários para 3 - Capítulo 3 - Pimentões Mágicos:
Karu Dias
Karu Dias

Em: 06/06/2019

Deise, Deise, olhe bem o que você vai aprontar, hein? Cuidado!Rsrsrs

Boa sorte,Fran! Vá e se reconstrua, longe desse lugar tóxico em que vc e suas irmãs vivem.

Nicole, não sei o motivo e nem como,mas acho que vc é Micaela desaparecida...

 

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NovaAqui
NovaAqui

Em: 04/03/2019

Minha irmã mais velha também é uma mala kkkkkkkk tenho uma penca de irmãos e confesso que não sei qual deles é mais chato kkkk sou a mais nova e aí já viu né: se não apanhasse da mãe, apanhava dos irmãos kkkkkkkk 

Acho que a fuga será surreal, mas ela vai conseguir

Obrigada pelo capítulo de carnaval. 


Resposta do autor:

Boa Tarde, minha querida.

Irmãos, são tudo de bom. Kkkk...

Com a ajuda da caçula, acredito que a Fran vai conseguir.

Beijão.

Responder

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Mille
Mille

Em: 04/03/2019

Ola Vandinha 

E agora como ela vai fugir de casa. 

Dominique e sua ganância.

Falta só a Micaela aparecer. 

Bjus e até o próximo capítulo 


Resposta do autor:

Boa tarde Mille.

Pois é. Deise disse que tem um plano. Vamos confiar nela.

Dominique é só mais uma nesse mundo repleto de gananciosos. 

E Mikaela? Onde andará?

Beijos, garota!

Responder

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