II
Em toda sua vida, nunca havia cogitado ter aquele tipo de intimidade com alguém. Era uma menina tímida, que poucas pessoas conseguiam ter uma aproximação, Aline era meiga, doce e ingênua muitas das vezes.
Naquele momento, não conseguira reconhecer o que seu corpo indicava, o que sentia. Era como se algo aprisionado quisesse deixar seu casulo.
Verena percebia, era como se pudesse ler o que a menina expressava.
Sentia cheiro da pureza, os sentindos da mulher estavam aguçados a tudo que a menina indicava.
A mulher soltou a mão que estava sobre a mão da menina, e Aline sem forças, deixou que a mão caísse, deslizando pelo colo, fazendo todo o contorno do seio atê chegar na metade da barriga de sua professora. Nesse momento a mão desabou de vez ficando em posição pênda, recostada no próprio corpo.
Verena a olhava com os olhos escuros, a sua mente borbulhava, pensando no inimaginável com a presença daquela menina.
Já a mais nova, estava aos poucos voltando a si e percebendo o que acabara de fazer. Naquele momento, Verena ja havia cortado o contato com a menina e juntava elegantemente os papéis.
- Já está ficando significamente tarde. Preciso deixar você de onde eu trouxe.
A voz da professora soou fria, parecia que nada houvera ocorrido.
- N-não preci..sa - as palavras foram rapidamente proferidas.
- Bobagem, aqui é longe, não quero ser responsável se algo acontecer com você pelo caminho.
Aquilo deixou a menina tensa, realmente passar pelo cemitério sozinha, não estava em seus planos.
Novamente a professora entregou a pasta, milimetricamente organizada, apanhando as chaves do carro.
No momento em que chegou na enorme porta, olhou para trás encontrando uma Aline ainda estática.
- Gostou daqui, Aline?
Era a segunda vez naquele dia que ela falava o nome dela pausadamente.
Aline saiu do torpor e passou rapidamente pela porta, arrancando em direção de onde o carro estava estacionado e esperou até que sua professora chegasse até ela. A professora caminhava lentamente, como se não houvesse mais nada no mundo. Era assim que Verena se portava.
Como se nada importasse.
O caminho foi trilhado no mais profundo silêncio. Alline achou bom, pois não sabia se estaria preparada para comentar sobre o ocorrido de logo cedo.
Olhava de soslaio para sua professora e ela permanecia impassível, feito uma boneca de cera. Era tão linda que causava um certo pavor, seus pensamentos fluíram e chegou a possibilidades de Verena não ter família, filhos e marido, Alline achava que não, pelo fato de estar sozinha naquela casa.
Assustou-se por estar ao lado de uma pessoa que mal falava, pior, teve um contato íntimo e só de imaginar aquele monte macio em sua mão, corou violentamente. Queria ter sentido mais, queria vê como ele era, os dois.
Instantaneamente levou as mãos no meio da coxa e cruzou as pernas, mas arrependeu-se quando percebeu que Verena captou esse movimento, um tanto óbvio.
Ja saiam do cemitério e Aline nem percebeu que haviam passado por ali.
- Me diz onde você mora.
Aline assustou-se e logo respondeu.
- Há três ruas, entrando a direita.
Assim Verena o fez, parando bem em frente a casa da menina.
- Pronto!
- Obrigada professora.
- Até amanhã
Aline não queria deixá-la, mesmo sua consciência mandando dá o fora dali. Retirou os cintos e olhou novamente para a mais velha, que mantinha o rosto virado para a janela.
Algo no seu interior desapontou por ela ser tão estranha, de nem mesmo olhá-la por educação.
Verena virou-se sorrateiramente e pôs a mão no queixo da menina, depositando um beijo macio inesperado em seus lábios.
Afastaram-se e Verena a beijou na testa.
- Vejo você amanhã, sem falta. E coma algo, passou muito tempo sem se alimentar. Estude.
E Aline praticamente correu para dentro de sua casa, sorria e ao mesmo tempo tinha receio do que fizera. Seu coração batia tão forte que a impressão que tinha era que ele estivesse pulsando na garganta.
***
Estudou quase nada, comeu pouco, não sabia porque as últimas palavras dela não saíam de sua cabeça. "Vejo você amanhã...". No seu peito havia esperanças de tê-la novamente, mas um grande medo invadiu seu ser, e do mesmo modo que a queria, também queria deixá-la longe.
Na visão da pequena Aline, aquilo era errado. Mas algo doce surgia em seu paladar.
Dormiu mais cedo, na esperança da noite passar depressa, ansiedade fazia-se totalmente presente no peito da pobre adolescente.
Doce deveria ser o sabor do pecado, e de fato, ela estava tentada a provar...
Novamente.
Fim do capítulo
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