III
O dia estava com o clima ameno, mas o frio que Aline sentia era diferente do frio que sua pele captava.
Era o frio da ansiedade, os piores dos apaixonados.
Paixão? Talvez fosse cedo demais pra sê-lo. Ainda.
Aline resolveu esquecer um pouco o que habitava a sua mente nas últimas horas. Decidiu manter-se firme, iria lutar por sua integridade mental. Entendia que era apenas uma menina, e ela, ah! E ela, sua professora.
E que mulher estranha.. Pensou.
O ritualístico café com panquecas e cereais fora feito pelo seu pai. A menina estava aérea, parecia viajar longe dali.
- Filha?
- Sim, papai?
- Perguntei como foi a aula, ontem conversamos pouco.
- Interessante, papai.
- Ou seja, passou todo tempo calada e não fez amigos.
O sorriso da menina foi automático.
- Conheço essa coisinha que eu criei. Agora vamos que a mocinha foi às pressas ontem.
Era sempre assim, Tulio, seu pai, a tratava como uma garotinha, e Aline gostava de ser a sua menininha, mas depois do que fizera, sentia-se culpada, era como se aquela menina inocente estivesse morrendo dentro dela.
Trilharam a estrada numa calmaria, não corriam como o dia anterior, iam devagar contemplando a paisagem e Aline respirava bem, estava melhor. As vezes é bom simplesmente espairecer.
***
Chegaram quinze minutos mais cedo, entrou caminhando e contemplando a paisagem envolto da escola, o piso era revestidos de grama impecavelmente tratadas, o jardim ficava em fileiras, com flores distributdas em ordem arranjada, flores que nem mesmo a menina conhecia. De fato, era uma bela escola, e prezavam a natureza ao redor e a conservavam.
Aline sentou-se em um banco de madeira, onde havia um chafariz ao lado, ficava a poucos metros da entrada para a instituição. Ali ficava perfeitamente dentro do campo de visão da menina, caso o portão abrisse. Haviam bastante alunos distribuídos em diversas partes, todos em grupos. A menina passeava os olhos por cada cantinho e seu coração acelerou quando reconheceu senhorita Bolder entre os alunos, caminhava tranquilamente, muitas olhos e cabeças voltaram na direção daquela figura estranhamente linda.
A professora trajava um sobretudo preto, com botões em formado redondo de coloração acinzetados, faziam um quadrado posicionalmente alinhados. Calçava uma quase bota, em bico fino e bem alta.
Será que ela sempre dava aula impecavelmente linda, todos os dias assim? Não sei. Aline não sabia, mas gostaria de descobrir.
A menina e todos que estavam ali a seguiram assim que a professora adentrou na portaria da escola. Uns se despediam e rumavam às suas respectivas salas, os demais iam juntos pras outras, e Aline apenas foi.
Aquele dia não teria física, mas na sua bolsa haviam os papéis da ementa, xerocou todos na esperança de devolver a ela naquele mesmo ambiente.
Mas não o faria naquele momento.
Entrou na sala e ficou no mesmo lugar que no dia anterior. A professora de biologia entrou e todos voltaram a atenção na aula e Aline estava alheia a tudo que ali fora dito.
- Não gosta de biologia?
Uma voz a despertou de suas divagações e virou instantanemente. Um rapaz negro que usava dreads, dos olhos cor de mel a olhava sorrindo.
A menina assustou-se o rapaz era lindo, parecia aqueles modelos fotográficos. Meneou a cabeça sem dizer nada.
- Meu nome é Guilherme, E o seu é Aline, certo?
E novamente a menina apenas movimentou a cabeça, dessa vez assentindo.
- Você não fala? Heim.
- Sim.
- Ah! Agora ficou melhor, vamos lanchar comigo eu te apresento pro resto da turma.
- U-hum.
A professora chamou atenção de Guilherme e ambos deixaram para se falarem na hora do intervalo.
As aulas pausaram para o intervalo dos alunos, Aline preparava-se para deixar a sala e sentiu alguém tocar-lhe seu ombro, olhou assustada pensando ser quem seu coração tanto desejava, mas era Guilherme e uma menina mais alta que ela.
- Oi Aline, vamos lanchar? Ah! Essa é Giovana, Giovana essa é Aline.
- Oi Aline! Prazer em conhecê-la.
Aline apenas conseguiu sorrir educadamente.
- A Giovana faltou ontem, mas ja estão apresentadas. Vamos?
Giovanna era morena clara, o cabelo tinha o corte em chanel, usava aparelho nos dentes e óculos de grau, que davam a ela um ar de um estilo nerd estilosa, e era incrivelmente alta e magra.
Foram em direção a cantina que ficava aos fundos dos blocos, atrás havia a praça e uma espécie de refeitório ao ar livre.
- O que vai querer Aline? - Giovana indagou-a sorridente.
- Um suco de maracujá.
- Eu quero uma Coca-Cola zero e um hambúrguer com extra bacon - Guilherme gritou de londe, tentava avistar uma mesa vazia para se acomodarem e Giovana fazia sinal positivo a ele.
- Vamos, quando ficar pronto eles nos levam.
Giovanna enlaçou os braços de aline com o dela e foram de braços dados até a mesa, Aline ficou sem reação, era muito tímida e com certeza havia ficado vermelha.
Atravessaram o fim do bloco e a menina leu uma placa em que havia escrito Sala dos professorese uma seta indicava a localização da esquerda, e sua cabeça moveu automaticamente pra sala e seus olhos cruzaram com o de Verena, que acabava de sair da mesma.
Olharam-se por segundos e sentiu algo que a fez arrepiar a espinha dentro daquelas água verdes.
Que eram os olhos de Bolder .
O contato foi cortado com Giovana a chamando e Aline a olhou meio perdida.
- Sim?
- Você sempre vive no mundo da lua, Aline?
- Às vezes - sorrio
Sentaram-se e Guilherme olhava perdido a uma direção qualquer, direção que foi seguida pelos olhos curiosos da menina. O alvo era sua professora, que conversava alheiamenfe com um professor qualquer.
- Para de babar Gui, ela é um deserto pro seu carro pipa - Giovana se divertia com a cara de decepção de Guilherme ao ser flagrado pela colega.
- Nada a ver Gi, ela é linda, ninguém nega, só estava olhando.
- Linda e não se importa nem um pouco com isso.
- Porque ela não precisa se gabar né.
- É, ela sempre com essa expressão de "e eu com isso?" - e imitava uma expressão exagerada.
- Isso é inveja, Gi.
A pequena apenas ouvia a conversa enquanto tomava seu suco e seus olhos escorregavam na direção daquela mulher. Agora a professora mantinha a mão na cintura enquanto lia algo que o tal professor lhe mostrava.
- Dizem que ela é solteira - Giovana afirmava pensativa.
- Que desperdício.
- Tira teu cavalinho da chuva, ela não gosta de criança pelo visto.
Mais uma vez os olhos de Verena e Aline cruzaram e ambas não sabiam exatamente como desviar daquele transe.
- Disfarça Gui, ela tá olhando pra cá, acho que ela percebeu teu descaramento.
- Não viaja Gi - Guilherme estava visivelmente nervoso, mal sabia ele que aquele olhar não era direcionado a si.
O coração de Aline, Giovana e Guilherme quase deu um pulo pirotécnico quando Verena caminhava naquela direção. Ela estaria vindo para cá? pensou a doce Aline.
A professora se aproximava e os dois amigos de Aline pareciam não saber como se comportar, a menina apenas observava atentamente a professora e pôde sentir o perfume dela quando a mesma parou em sua frente abaixando um pouco a cabeça para olhá-la melhor, já que a pequena estava sentada.
- Bom dia.
- Bom dia professora - os dois amigos apenas falaram monossilábicos e a pequena Aline não conseguia desviar daqueles olhos.
- Alline, poderia vir comigo um momeno?
Verena não os olhava, os olhos estavam fixos numa certa meninas dos olhos rasgados. Menina essa que não saia do seu pensamento um minuto sequer.
Aline apenas levantou e saiu andando como se fosse um robô por comando de voz. A professora tocou levemente os braços dela e a conduziu pelos extensos corredores, só pararam quando chegaram em frente a sala da menina.
- Você ainda tem aula hoje?
- Não, as três matérias ja foram dadas, depois seria palestra.
- Pode pegar suas coisas e vim comigo?
Aline apenas entrou na sala e nada disse, chegou na sua carteira e o coração parecia que ia parar a qualquer momento. Na sua cabeça havia uma luta interna, algo a prendia naquela mulher e metade gritava pra ela não ir. Arrumou seus materiais e ao sair, passou pela professora e foi andando na frente.
- Irei com você.
- Vá para o estacionamento e me espere.
***
As duas faziam o mesmo trajeto que do dia anterior, o estômago de Aline se contraía de tão nervosa, não sabia o que poderia acontecer. Olhava de canto de olho para Verena, ela mantinha o olhar fixo na pista, o peito estava arfante, parecia controlar a respiração para que saísse devagar, dirigia com uma certa velocidade, não havia a calmaria do outro dia.
Pararam em frente da enorme casa e no momento que Verena girou a chave e o motor morreu, fechou os olhos. Parecia se controlar e a menina percebendo a tensão da professora, retirou os cintos de segurança e praticamente correu do carro.
Os pensamentos de Aline estavam fixos no que poderia acontecer e tinha medo.
- Entre.
Não se deu conta até ouvir a voz da professora que estava ao seu lado, segurando a maçaneta.
- Primeiro as damas - entraram e Aline ficou em pé sem saber como agir.
- Quer água, suco?
- Água.
Verena foi a cozinha e voltou com um copo sobre uma bandeja, entregou a menina e ficou observando a mesma tomar aquela água com tanta vontade.
Os olhos dela perturbavam a pequena pela forma que a encarava, Aline tinha vontade de tocá-la.
Verena aproximou-se e tocou o queixo da menina.
- Posso, Aline?
E no mesmo instante, teve a resposta com um aceno de cabeça.
Aline não se fez de rogada e avançou naqueles lábios e a beijou, não sabia beijar, mas apenas repetiu o que sua mestre fizera com ela, porém com uma certa fome daquilo.
Verena sorriu e soltou os seus cabelos com um só movimento, e eles caíram pelas costas da mulher deixando-a ainda mais linda, se é que isso era posstvel. Afastou os lábios da menina com um leve desvio e pôde notar a voracidade com que ela a beijava, os lábios da menina estavam rubros e a respiração pesada.
- Você tem certeza, Aline?
Aline não sabia do que ela falava, mas não queria saber sobre o que ela se referia. Mas tinha certeza de que aquilo ela queria fazer, beijar, e se fosse possivel entre duas mulheres, já que a doce Aline não possuía conhecimentos nesse assunto, queria ter um contato a mais no corpo daquela mulher.
Beijaram-se docemente, Verena dava lambidas leves nos lábios macio da menina, as mãos passeavam sobre o corpo dela, arrancava suspiros e gemidos quase inaudíveis, deixou a boca e pousou os lábios na curvatura do pescoço de Aline que mantinha os lábios entreabertos tentando respirar, umedecia-os e os mordia tentando conter a intensidade do que estava sentindo com os toques da sua professora.
Tesão, era o que ela desconhecia.
A professora estava a vontade, pois sentia que a menina também queria.
Queria até mais que a própria Verena.
Fim do capítulo
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