O som estridente do baixo parecia vibrar diretamente contra as paredes do estômago de Ianny, mas o barulho ensurdecedor da boate tornou-se irrelevante no exato segundo em que seus olhos travaram em David Newton. O rapaz ria descontraído, escorado no balcão oposto, como se a vida seguisse seu curso normal e as acusações de agressão fossem apenas um mal-entendido passageiro. Cada músculo do corpo da motorista tencionou, transformando sua postura relaxada em uma rigidez quase predatória. O cenho franziu-se numa linha severa e os nós dos dedos ficaram brancos de tanto apertar o copo de cerveja.
Ao notar a metamorfose na feição da moça, Dominique deu um passo à frente, erguendo uma sobrancelha com um misto de cautela e diversão sombria. Ela conhecia aquele olhar de cor; era a expressão exata de quem calculava mentalmente o custo de uma vingança implacable. — Calma, Simmons — murmurou a executiva, mantendo a voz baixa para competir com a música eletrônica. — Fazer uma chacina dentro de um estabelecimento público não vai ajudar em nada a causa da Samantha.
— Eu não planejo fazer uma chacina, senhorita Foster — retrucou Ianny com uma calma gélida e aterrorizante, sem desviar os olhos do alvo. — Apenas acho fascinante como certas pessoas têm o condão de aparecer exatamente onde deveriam estar escondidas sob uma rocha.
— Ele tem audácia, admito. Ou pura estupidez — analisou Dominique, bebericando seu tinto com elegância. — Mas o timing não poderia ser mais oportuno. Onde está a Samantha?
— Foi ao toalete assim que chegamos. Se ela o vir aqui, vai ter uma crise de pânico na certa.
— Pois trate de mantê-la longe desta ala — ordenou a morena, assumindo o controle da situação com a autoridade natural que lhe era peculiar. — Eu mesma vou cuidar para que a estadia do ilustre sobrinho do prefeito seja o mais desconfortável possível.
Antes que Ianny pudesse argumentar, Dominique já havia deslizado por entre a multidão com a graciosidade de uma pantera, ajustando o blazer escuro e mantendo o semblante impassível. A motorista respirou fundo, praguejando mentalmente por ter aceitado a ideia de acompanhar a ruiva naquela noite, e apressou o passo em direção aos banheiros para interceptar Samantha antes que o pior acontecesse.
Enquanto isso, Samantha lavava as mãos no lavatório reluzente, tentando afastar a sensação incômoda de que algo estava errado. O ambiente abafado da boate parecia sugar o oxigênio de seus pulmões, lembrando-lhe vagamente da opressão que sentira no dia do ataque. Secou o rosto com uma folha de papel toalha e respirou fundo, decidida a voltar para junto de Ianny e ir embora dali o mais rápido possível.
Assim que empurrou a porta de saída do toalete, no entanto, seu coração deu um salto violento e despencou. Parado a poucos metros do corredor, conversando com duas mulheres que riam alto, estava David Newton.
O mundo ao redor de Samantha pareceu silenciar. Os rostos borrados das luzes neon sumiram, substituídos pelas memórias nítidas dos braços machucados e da força bruta que tentara subjugá-la. Suas pernas fraquejaram e um frio gélido tomou conta de sua espinha. Ela deu um passo involuntário para trás, buscando a segurança do corredor, mas já era tarde demais. Os olhos de David cruzaram com os dela.
Um sorriso cínico e desagradável curvou os lábios do rapaz. Ele dispensou as acompanhantes com um gesto rápido e começou a caminhar em direção à ruiva, que sentiu o ar faltar nos pulmões. — Ora, veja só quem diria... A famosa vítima do ano — ironizou David, aproximando-se perigosamente com um copo de uísque na mão. — Veio terminar o que começamos na empresa, ruivinha? Sabe, por sua culpa minha vida virou um inferno, mas acho que podemos negociar algo para você retirar aquela queixa ridícula...
Samantha abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu. O pânico a havia algemado no lugar.
— Afaste-se dela imediatamente, David — sibilou uma voz cortante como vidro quebrado logo atrás dele.
O rapaz sobressaltou-se, virando o corpo de supetão. Dominique Foster estava ali, postada a centímetros dele, exalando um perigo palpável. Seus olhos escuros pareciam fuzilar o agressor, e a postura altiva intimidou o homem instantaneamente.
— Olha só... A patroa protetora — David tentou recuperar a empáfia, sorrindo de forma torta, embora a tensão em seus ombros revelasse seu desconforto. — Aconselho a cuidar dos seus negócios e a educar melhor suas funcionárias antes que elas inventem histórias por aí.
— O único negócio aqui que vai ruir hoje é a sua sanidade mental, caso você ouse dar mais um passo na direção dela — retrucou Dominique, dando um passo à frente que obrigou David a recuar. — Você já causou estrago suficiente. A polícia e a imprensa estão à sua procura, e garanto que este cubículo não vai protegê-lo por muito tempo.
O sangue do rapaz ferveu com a humilhação pública. Ele abriu a boca para proferir uma ameaça, mas sentiu um toque firme em seu ombro esquerdo. Ao virar-se, deparou-se com Ianny, que ostentava um sorriso perigoso e os punhos cerrados.
— A patroa mandou você recuar, otário — rosnou a motorista, desferindo um empurrão firme no peito de David que o fez desequipar e derramar metade do uísque na própria camisa.
A comoção começou a atrair os olhares curiosos dos frequentadores mais próximos. Percebendo que a situação fugia do controle e que sua imagem já estava irremediavelmente manchada, David limpou a camisa com raiva, apontando um dedo trêmulo para as três mulheres.
— Vocês vão se arrepender disso. Todos vocês! — vociferou antes de virar as costas e abrir caminho à força pela multidão, sumindo pela saída de emergência.
Samantha, ainda apoiada contra a parede com as mãos trêmulas, sentiu as lágrimas escaparem de seus olhos, mas, desta vez, não era apenas de medo; era de alívio. Dominique aproximou-se calmamente, ignorando a plateia curiosa, e estendeu a mão para ajudar a ruiva a se recompor.
— Fica tranquila, Samantha. O espetáculo dele acabou — disse a executiva, com uma suavidade incomum em sua voz. — Agora vamos para casa. A noite mal começou, mas já cumprimos nossa cota de justiça por hoje.
Fim do capítulo

NayGomez
06/10/2020 às 04:01
As vezes fico pensa do será que a Dom vai voltar a Amar de verdade alguem ?
NayGomez
06/10/2020 às 04:01
As vezes fico pensa do será que a Dom vai voltar a Amar de verdade alguem ?
NayGomez
21/02/2019 às 16:51
Um incrivel olhar assassino kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Resposta do autor: Kkkkkkk O jeito é rir com você kkk Bjs
zilla
18/02/2019 às 09:39
Tô achando que essa festa vai ter confusão kkkk! Adoooro
Tô achando que a Lanny gosta da Sam!!!
Terei paciência contigo Tyka, adoro essa história hehe!!!
Resposta do autor: Só um pouco rsrs Muito obrigada! Bjs
Kell269
17/02/2019 às 20:36
Parabéns por mais um capítulo dessa história.
Sua história é muito boa , fico na expectativa dos próximos capítulos.
Sinal que vc está no caminho certo.
Beijos
Resposta do autor: É bom saber disso rsrs Muito obrigada! Bjs