A Ester nunca faria isso comigo.
-Desliguem o telão!
Gritei para que os empregados me obedecessem, enquanto todos olhavam atentamente para as imagens refletidas nele. Corri até o palco e me pus eu mesma a desligar os fios, arriscando a tomar um choque a qualquer momento. Haviam muitos fotógrafos e o burburinho entre o meio começava, ao desligar o telão Yumi se aproximou de mim.
-Calma Magnólia.
-Calma Yumi... Sabe o que isso significa para a empresa e para a carreira da Cecilia!
Ela me olhava assustada, eu estava transtornada na manhã seguinte em vez de ganhar elogios apenas o fiasco da vida pessoal da minha modelo estará em todas as capas.
-Em vez de me pedir calma, porque não assume que foi você que está por trás disso tudo.
Yumi me olhou sem reação e me levou até um canto, se mostrava levemente ofendida.
-Acha mesmo que faria isso? Logo que sei o quanto se dedicou bastante para essa noite ?
-Há Yumi você tem muitos motivos para querer a Cecilia longe, vai negar agora?
-Não... não vou negar, mas antes de uma reação mal caráter, existe você, você é o centro de tudo isso.
Segurei em seu rosto e a fiz me olhar nos olhos, aos poucos foi se acalmando, até se afastar e sumir no meio das pessoas.
Depois de me convencer que Yumi não tinha nada a ver com isso, fui atrás da Cecilia e a encontrei com a ficante, estavam sentadas ao longe do evento. Ao me aproximar a garota se levantou e me encarrou, como os cães de guarda costumam ficar.
-Ela é minha chefe, Leandra.
-Será que pode nos dar licença!
Não pergunte afirmei com a voz um pouco agressiva, por sorte ela se afastou não muito. Me aproximei da Cecilia e sentei ao seu lado, notei o rasgo do vestido em seu braço.
-Tudo o que aconteceu no estacionamento, fui visto no telão de dentro.
Seus olhos miraram nos meus, dava para ver o pânico.
-Eu não acredito!
-Alguém filmou e plugou o celular ou câmera sei lá no telão, mas vou descobrir quem foi.
-Isso não importa, mas a Amanda não deveria ter vindo atrás de mim.
Me levantei rapidamente aquela mulher não me descia desde o início, Cecilia se levantou também e ficamos olhando a noite da praça.
-Agora e só esperar até amanhã, as revistas não vão falar em outra coisa sobre a sua vida amorosa, mas daqui a poucos eles esquecem.
-E se eu não quiser que eles esqueçam ?
A olhei curiosa.
-Isso pode alavancar a minha carreira, vendo pelo ponto de vista, metade das mulheres como eu se sujeitam a serem passionais demais, submissas ao homem ou mulher, mas são poucas que terminam uma relação assim.
-Está se referindo a porcentagem de solidão da mulher gorda ?
-Estou, acredito que agora a Amanda não irá voltar, talvez ela se sinta perseguida pelos fotógrafos em sua cidade, enquanto isso vou subindo cada vez mais.
-Sinceramente você me surpreendeu!
Eu riu e a garota se aproximou de nós dizendo estar ficando tarde.
-Bom eu tenho que ir.
-Tudo bem, descanse Boa Noite.
Pedi para Leandra me levar para a minha casa, ao chegar me emprestou sua jaqueta para que a minha madrasta não visse o rasgo, agradeci e beijei sua boca, apesar do beijo não ser carregado de emoções àquela altura o cansaço e o baque me fizeram me sentir mal. Ao entrar em casa meu pai veio ao me encontro para me abraçar, e me perguntou como foi o desfile, respondi que foi uma das melhores sensações que já senti, e subi para o meu quarto alegando está muito cansada.
Ao entrar no quarto desmoronei, socava as almofadas com toda a minha força, ah como odiava a Amanda naquele momento, porque ela tinha que está ali. Voltou tudo na velocidade da luz os olhares os presentes o sorriso a gentileza, e o calor do seu corpo, as sensações eram inevitáveis, corri até o banheiro e comecei a vomitar.
Voltei para casa em silêncio ao lado estava Yumi quieta também, ao chegarmos ela subiu primeiro e eu fiquei na sala bebendo um pouco. Costumava folhear algumas revistas e beber um pouco, só que aquela noite apenas bebi, não muito, ao subir a luz do corredor ainda estava acesa ao entrar no quarto olho para o canto e encontro uma mala arrumada.
-Yumi...
-Não diz nada Magnólia, na verdade não há muito o que falar... eu poderia converter essa situação, te reconquistar, usar da minha sedução e te levar para a cama ou até mesmo ficar com outra para te causar ciúmes. Só que nada disso iria funcionar pois, sua possessividade por essa garota apenas me machucaria mais ainda, nunca pensei que alguém fosse duelar comigo a esse ponto, era minha essa coroa.
Eu sabia que a Magnólia ainda me amava dava para ver em seus olhos, e a sua firmeza empoderada firme diante de mim a todo momento., quando a conheci suas armas eram as mesmas a velha possessividade inteligente, aquela que deixa a pessoa pensar e ser "livremente" até notar a sua presença constante mais perto ainda, a amiga protetora que te dá espaço, mas no final acaba com você numa cama um dia secando suas lágrimas, e na outra você se encontra perdidamente apaixonada por esse poder e desenvoltura e agitação de sua vida, e quando ela têm a noção de que você está no mesmo ritmo que o dela, de duas uma. Ou ela se apaixona por você ou ela continua esse joguinho até o final.
-Você vai passar o natal na casa da sua mãe ?
-Não.
Seus olhos se fixaram nos meus e pude ver brevemente o tremor de seu corpo, ela sabia todos os lugares que iria, era só instalar os dedos que ela aparecia, se fosse realmente amor ela voltaria mais cedo ou mais tarde.
-Pode apagar a luz, quero ir dormir.
Ela desligou as luzes e ouvi seus passos ao redor da cama, nosso quarto ficou um breu senti o peso do seu corpo no colchão, mesmo estando tão perto e sentindo o seu cheiro não voltaria atrás em minhas palavras.
A volta para casa:
A volta para casa não foi confortável e muito menos agradável.
-Então é isso que os jovens sentem ?
Eu me lembrava de tudo, mesmo sem querer lembrar me sentia uma idiota e tola para no fim não restar absolutamente nada, havia largado tudo para vim atrás dela e pra que... o que temia admitir e que a Ester estava certa em todos os momentos.
Cheguei em minha cidade a noite o tempo estava chuvoso, como aquele fatídico dia, peguei um taxi e seguimos até um percurso do meu bairro, o trânsito estava engarrafado e como não havia mais nada a perder apenas paguei o motorista peguei minhas coisas e sai, faltava uma quadra para chegar em minha casa.
Comecei a minha caminhada a chuva pesada deixou minha roupa transparente e pesada, as poucas pessoas que passavam por mim cochichavam, nada havia mudado. Não iria me prometer nada naquele momento, minha cabeça estava uma bagunça. Lembro de ter caminhado muito aquela noite e finalmente cheguei, subi alguns degraus com dificuldade e bati na porta, a porta se abriu devagar e depois rapidamente.
-Dona Amanda! O que faz aqui ?
-Eu não tinha outro lugar para ir... será que posso ficar aqui ?
-Mas é claro que sim... venha entre!
Clara correu até o banheiro e pegou uma tolha para me secar, enquanto tirava o tênis para não encharcar a sua pequena casa.
-Aqui ... são roupas da minha filha.
-Obrigada, Clara.
Me troquei em seu banheiro ao terminar me olhei no espelho, eu estava um farrapo, ao sair senti o cheiro de achocolatado vindo da cozinha.
-Clara não quero dá trabalho.
-A senhora me surpreendeu... nessa chuva.
Ela me entregou o achocolatado do jeito que gosto sem muito açucar, nos sentamos e ficamos nos olhando.
-E a Cecilia ?
-Ela não veio, resolveu ir pelo lado mais fácil, e me mandou um Email terminado tudo, isso antes de encontrá-la.
-Só pode ser um engano.
-Não foi um engano, ela mesmo tocou no assunto enquanto estava diante dela, até a garota com que ela está ficando aparecer.
-Minha nossa senhora! Mas como ? Vocês se gostavam tanto.
-E o que me pergunto a horas... a carreira dela é mais importante agora, você tinha que está lá Clara, parecia outra pessoa, ou alguém que nunca quis enxergar.
-Eu não sei o que falar.
Suspirei. -Não tem problema, vou seguir a minha vida, sei que nada vai voltar a ser como antes só não quero ficar sentada chorando por ela é que não vou ficar.
Como estava me enganando infelizmente havia um coração dentro de mim, enquanto Clara dormia tranquilamente no sofá, mesmo insistindo para ficar em sua cama, me disse que o momento era propicio, a solidão da madrugada trazia com ela suas lembranças e as poucos as lágrimas que jamais pensei em chorar vieram com força.
Na manhã seguinte fomos para a minha casa, minhas roupas ainda não estavam secas, então usei mais uma vez umas peças de sua filha. Enquanto voltávamos tudo parecia estar melhor menos por uma pessoa, sua mãe que ao me ver cruzou os braços e me olhou seriamente nos olhos.
-Nossa sem carruagem ? Cadê a sua princesinha ?
Clara entrou e levou consigo a minha mala, Patrícia por outro lado estava disposta a me atormentar.
-Me espanta a sua presença ainda nesta cidade, Patrícia pensei que estivesse com vergonha da sua filha, e dá "má" reputação que deixo.
A mulher mais velha se fez de desentendida e começou a olhar para os lados, para se certificar que ninguém ouvia a nossa conversa.
-Isso não é da sua conta!
-Pelo seu nível de estresse, digamos que isso ainda te atormenta. Não se esqueça que eu posso acabar com você num piscar de olhos, ou agora toma jeito ou eu te tiro da minha vista!
Com as minha ameaças gritantes Patrícia recuou e se amedrontou, era incrível que com tudo que passamos não havia mudado nem se quer um pouco.
Apesar da noite mal dormida precisava voltar aos eixos, peguei minha bicicleta e decidi ir pedalar assim mesmo, pedalei dando a volta no quarteirão várias vezes e parei em frente a uma padaria, ao descer da bike vejo Ester saindo da padaria, um pouco distraída, distraída até demais que não notou minha presença em sua frente.
-Ester!
Ela levantou a cabeça e se surpreendeu com a minha volta, mas depois voltou a ficar séria.
-Olá Amanda.
-E oi... Então como está a Lara ?
-Acho que deveria perguntar para ela mesma não acha ? Não sou o exemplo de mãe perfeita.
-Eu só queria ser simpática... só isso.
-Agora quer ser simpática?
Ester olhou para o relógio de depois para mim.
-Está tarde demais, agora me de licença.
-Claro, me desculpa.
Estacionei a bicicleta num lugar reservado e a vi se afastando indo em direção ao carro, o bairro não era grande poderíamos nos encontrar sempre. Entrei na padaria e pedi um café com leite e um sanduiche de peito de peru, estava com muita fome e acabei pedindo um para a viagem. No caminho para casa notei que havia umas lojas para alugar e decidi parar, um homem que saia de dentro de uma delas me viu observar e se aproximou, conversamos sobre quanto estava querendo pelo aluguel e outras burocracias, estava num preço acessível.
Há algum tempo pensava em dá um novo rumo para a minha vida, e finalmente esse dia chegou, pedalei até em casa e ao entrar me deparei ainda com a decoração feita pela Cecilia. Clara ao me ver parada na sala se aproximou e não sabia como reagir, ou o que falar.
-Tire essas coisas da minha casa, agora! De queime faça o que quiser.
-Sim senhora.
Subi as escadas correndo e entrei em meu quarto, o único lugar que pensará está segura, porém me enganei novamente, aquela maldita sacada do outro lado, liguei para a academia e avisei que estava na cidade, aparentemente a minha socia me disse que houve um rombo nas financias das filiais, e que tudo foi de interesse do Marcio, o desgraçado roubou uma grande quantia em dinheiro das filiais sem que eu percebesse, com a sua prisão todos os seus bens foram detidos, menos as contas no exterior.
-Filho da Puta!
Desci as escadas possessa, Clara havia se livrado de tudo estava tão nervosa que bati com o punho na mesa a assustando.
-Merda não devia ter ficado tão longe, tão cega, Burra burra burra burra!
-Dona Amanda não!
Clara segurou minhas mãos me impedindo de me machucar, e me abraçou.
-Está tudo desmoronando Clara, as filiais já eram.
-Para tudo existe uma solução...
Me afastei de seu abraço e me dei conta que eu fiz tudo errado.
Puxei uma cadeira e me sentei.
-Eu vi a Ester hoje na padaria, eu não queria uma chuva de confetes ou beijos e abraços sei que não mereço isso, ainda mais depois de tudo que eu fiz. Mas me sentia sufocada com a sua presença e a mania de dar em cima de mim constantemente me deixava desconfortável, mas ela nunca deixaria isso acontecer.
-A senhora não está pensando em entrar em outra relação está ?
-Claro que não... nem tudo é relacionamento, só preciso consertar muitas coisas.
A noite chegou e decidi tomar uma decisão de aproximação, depois de me arrumar desci as escadas o jantar estava quase pronto, avisei a Clara que iria dar uma saidinha rápida.
Decidi caminha mesmo e pensar o que falaria frente a frente com a Ester, ao chegar em sua casa bati levemente em sua porta, que logo foi aberta e Lara sorriu ao me ver, e me abraçou.
-Que surpresa! Então a Cecilia voltou?
-Não ela não voltou, e uma grande história depois te conto, a sua mãe está em casa?
-Sim ela está....
Ester apareceu muito bem vestida e com uma bolsa a tira colo, e ao me ver parou de caminhar.
-O que faz aqui Amanda?
-Eu vim conversar com você.
-Infelizmente não tenho nada e nem tempo para falar com você.
Ouvimos uma buzina chamar nossa atenção e de dentro do carro saiu um homem de aparentemente cinquenta anos usando um terno azul escuro, Ester passou por mim e caminhou em direção ao carro, que gentilmente o homem fez questão de abrir a porta para ela, nesse momento desviei os olhos, pois, as lembranças me matavam.
-Vem entra, temos muitas coisas que você não sabe.
-
Fim do capítulo
Olá, Primeiramente gostaria de deixar bem claro que não estou GENERALIZANDO o teor da pauta que mulheres gordinhas são passionais, há uma grande porcetagem que são, desde o turbulento momento em que a Cecilia quis buscar por idependencia muitas coisas aconteceram, o fato dela pensar que ficando na cidade com a Amanda depois de TUDO o que aconteceu, em sua cabeça apenas iria a oprimir ainda mais. Definitivamente a menina precisava crescer por isso ela passou por toda essas transições que vocês vem lendo até aqui, sei também que muitas pegam o bonde andando e querem sentar na janela, mas garanto que isso será uma experiencia ruim. Segundo fato, espero que agora vocês entendam a real situação da Magnólia e a decisão da Yumi, sei que muitas abandonariam num piscar de olhos, e Terceiro fato, poderia sim por outra personagem na história, mas isso só iria alongar mais o procedimento, mas usei a mesma pessoa que vocês estão acostumadas. Cada personagem aqui é muito importante para o desenvolvimento final, creio que a Ester mereça uma segunda chance, e principalmente de tratamento para a sua neurose, agora vai haver mais da Amanda e da sua transformação que até antes era ofuscada pela Cecilia. Resolvi por a parte a minha opinão para depois não surgirem pessoas do nada, querendo dá palpites sem mesmo conhecer a história apenas para me abalar. Estarei chegando ao fim dessa história com a sensação de dever cumprido, sem ter deixado pautas abertas, mesmo a Cecilia ter terminado com a Amanda por E-mail foi uma decisão burra e cruel, mas ela não foi a primeira nem a última a passar por ums situação dessas, mais uma vez OBRIGADA.
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Ana28
Em: 15/02/2019
Gosto d+ desse romance. Fico ansiosa pra ler os próximos capítulos. Sei que vc tem muitos compromissos rsrsrs. Mas n demora muito ñ????????.
Resposta do autor:
Quando comecei a escrever havia muitas dúvidas pairando em minha cabeça, mas de início existiam muitas histórias e muitos amores, umas que me apeguei demais e outras que estou tentando entender, por exemplo o comportamento de várias mulheres. Nunca pensei que poderia dá certo de verdade, até hoje tento me expressar e envolver um ritmo que não seja apenas sexo, e sim a vida. Pena que poucas pessoas procurem isso, gosto de respostas verdadeiras e simples. E saber que existe alguém do outro lado como eu que ler e aprecie o caminho dessas mulheres me deixa satisfeita, até mesmo 1 pessoa lendo para mim é enriquecedor.
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