Capítulo 57
Dona Flávia esperava a filha ansiosamente.
Há meses não a via!
Naquele sábado com cara de chuva, pedia a São Pedro que não deixasse sua filha pegar chuva na estrada. Olhava a todo o momento para o relógio.
O marido estava em casa sentado na sala assistindo a um filme com o filho mais novo, Gabriel.
Bárbara estava ainda dormindo. Chegara muito tarde naquela noite e cheirava a álcool. Dona Flávia já não sabia o que fazer com a menina.
Quanto ao mais velho, esse estava encrencado. Bernardo acabara de levar um pé na bunda da namorada de anos. Estava arrasado, trancado no quarto, esperando o tempo passar e com ela a dor que sentia de ser trocado por um cara mais velho e bem resolvido.
Dona Flávia enxugava as mãos no avental enquanto olhava ansiosa à janela.
Temia que a garota que Luana trouxesse fosse uma espécie de mulher travestida de homem. Temia não mais pelos vizinhos, mas pela filha e sua imagem.
E foi assim, com os braços de mãe, sempre abertos apesar de imperfeitos, que Dona Flávia viu um carro encostar à porta de sua casa.
Fim do capítulo
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