Capítulo 23
Eu fico observando as mulheres e tenho a impressão de que todas elas só querem uma coisa: carinho. Sejam hetero ou não, elas querem carinho. E esse carinho consiste em ouvi-las, estar presente, querer e gostar de estar ao lado delas, participando da vida delas.
É difícil entender as mulheres tanto quanto os homens.
Homens são mulheres de calça com todo o respeito do mundo. O que quero dizer é que homens são tão sensíveis quanto nós, mas esse mundo que eles mesmos criaram não os permite chorar, pedir colo, ser um ser humano.
Eu não tenho saído muito, mas resolvi sair hoje. Hoje porque mais uma semana se passou e a Lisa não me ligou, mais uma semana se passou e o Lucas não chegou.
Conversei com um colega pelo telefone e ele vai hoje para uma boate “de riquinho”. Ele disse que conhece um pessoal que tem uma república e que eles vão para essa boate hoje também. Então concordei em ir. Vocês tinham que ver o preço do ingresso dessa boate! Quase botei um ovo de raiva, suei frio e quase voltei correndo. Mas paguei. E antes de sair de casa liguei pra Anabelle. Ela não atendeu então deixei pra lá.
Cheguei às 23 horas na boate. Havia muita gente na porta e tive medo de não conseguir entrar. Porém o Gustavo (o nome do tal amigo) estava com algumas amigas me esperando na entrada. Então entrei e os encontrei. Fui apresentada a cinco botinhas muito bonitas, mas nenhuma fazia meu tipo.
Sentamos numa mesa que estava reservada ao Gustavo. Estranhei ele conhecer tanta gente e então perguntei:
_ Ou você ganhou na loteria ou você tá vendendo drogas?
Todos riram.
_ Nem uma coisa nem outra. Apenas trabalho numa empresa de publicidade que me paga bem.
_ Ah sim, publicidade. Espertinho!
Rimos todos.
_ Você não bebe?_me perguntou uma menina chamada Amanda.
_ Não bebo, Amanda.
_ Que pena! Acho que você perderia toda essa pose se bebesse um pouquinho.
_ Mas não bebo. Para o meu bem.
_ Que pena...
A Amanda era alta e loira, tinha uma pele clara e tinha uma maquilagem muito linda, porém eu só queria uma república e não uma confusão.
_ Qual de vocês moram na república Angliari?_eu perguntei.
_ Todas nós, uai!_ respondeu uma moça chamada Kamila.
O primeiro pensamento que me veio à mente era eu e elas todas numa banheira enorme fazendo aquilo que não deve ser nomeado. Me contive e continuei:
_ Mas então lá não cabe mais uma, né?
_ Cabe sim, lá é muito grande e pertence a uma dona bem legalzinha. Ela é de boa e pra você ir para lá, só precisa falar com ela primeiro.
_ E como faço para conseguir falar com ela?
_ Vem comigo, eu te passo o endereço.
Essa pessoa (a Kamila) me puxou pelo braço e saiu me arrastando pela boate. E eu não sabia para onde ela estava me levando.
A boate estava lotada e ao andarmos eu trombava em mulheres e homens perfeitos. Todos muito bem vestidos bebiam ou dançavam feito loucos na pista de dança, que era enorme. Eu devia admitir que a boate valia o preço que se pagava.
Entre todas aquelas pessoas, paramos próximo a uma mesa em que estavam alguns caras e junto deles uma mulher lindíssima. Ela estava de óculos escuros e é claro que nem me notou. Todos ao redor dela a veneravam e ela parecia não esta nem aí para nada, parecia até meio triste. Eu era apenas mais uma que se impressionava por sua beleza.
Curti muito. Fiquei com três das cinco meninas sendo que todas as três tinham namorada, mas era tarde para pensar, eu estava bêbada (sim, eu bebi) e estava pegando quem aparecesse na frente. Até o Gustavo eu beijei!
Estávamos bêbados e eu resolvi ir ao banheiro antes de pegar um táxi para ir embora. Lá encontrei a tão desejada gostosa de óculos escuros e foi assim que me referi a ela.
_ Oi Gostosa de óculos escuros. Cadê os bajuladores?
Para meu espanto, ela se virou pra mim e respondeu:
_ Não sei, devem estar por aí. _ela entrou para o box rindo e eu com cara de otária disse ainda(alto):
_ É, está na hora de ir embora, estou com vontade de chorar. É cachaça mal tomada...
Ainda tive tempo de vê-la saindo.
_ Essas amigas do Gustavo são tão engraçadas!_ ainda a escutei dizer.
Fim do capítulo
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