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  • Luana: as várias faces da Lua
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Luana: as várias faces da Lua por Ana Pizani

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Palavras: 547
Acessos: 1741   |  Postado em: 09/01/2019

Capítulo 22

 

          Numa segunda-feira, que seguiu um fim de semana inteiro em casa debaixo das cobertas assistindo tevê, cheguei ao trabalho decidida a encontrar naquela semana um novo lugar para morar que fosse mais barato.

         Estava afastada dos meus velhos amigos e liguei apenas para três pessoas, três amigos que considerava ser de confiança, os únicos a ligarem para minha casa para saber como eu estava na época do acidente. E a última vez em que conversamos, eles prometeram me ajudar a achar um lugar legal.

          Logo na entrada, no elevador, encontrei a Anabelle e ela não me perdoou:

          _ Mais uma noite em casa, Luana?

         _ Assisti a filmes ótimos, Anabelle.

          _ Assisti e participei de cenas ótimas na boate que fui sexta, sábado e domingo.

          _ Já te deixam entrar? Pensei que menor de idade não pudesse entrar! _ eu disse fingindo falsa tristeza

          Ela mudou a expressão irônica para a séria:

          _ Você sabe que não sou menor de idade. Fala isso para me tirar do sério, mas não vai conseguir. Não hoje.

          Eu sorrio um pouco pensativa. Descemos no mesmo andar. Vamos para as nossas respectivas mesas e acabamos por não mais conversar até nos reunirmos novamente na sala do nosso chefe. Ele queria apresentar uma pessoa. E era o novo chefe do nosso chefe. Ele nos disse algumas palavras educadas e depois se foi. Reparei que Anabelle não estava bem.

          Aquele cara despertava algo no interior dela que me dava medo. Ela reparou que eu a observava e ao invés da piscadela habitual, virou o rosto e saiu em direção ao banheiro.

          Um amigo me pediu para ir vê-la, pois, o cara era pai dela e o convívio dos dois era precário.

          Fui até o banheiro e ela estava retocando a maquilagem. Parecia refeita. Nem se desfez para falar a verdade.

          _ Tudo bem, Anabelle?

          _ Tudo, por que não estaria? O Victor lhe mandou aqui para ver se eu não havia me jogado no vaso e dado descarga?

         Eu ri. Confesso, ela tinha senso de humor.

         _ Eu vim porque fiquei sabendo que você é filha do tal chefão e que vocês não se bicam.

          _ Pois é, pelo jeito já está todo mundo sabendo. Você geralmente é a última a saber de tudo por aqui.

          _ Ou seja, todos já sabem.

          _ Exatamente. Luana, você comentou com o Victor que está procurando um lugar para morar, é verdade?

          _ Sim, estou.

         _ Posso saber por quê?

         _ Porque preciso poupar dinheiro. Quero terminar o ano matriculada numa faculdade.

          _ Isso é ótimo. O que você pretende cursar?

          _ Vou cursar economia.

          _ Hum, gostei da atitude. Eu faço economia.

          _ Sério? Aceitam “de menores” nas faculdades?

          Ela ri.

          _ Você cursa aonde?

          _ Na UFMG. Porque não tenta lá?

         _ É difícil.

          _ Tenta, uai!

          _ Me avisa quando abrir as inscrições para vestibular, então?

          _ Ok, então vamos voltar ao trabalho. Mais do que nunca preciso ser a melhor no que faço.

         Ela saiu e pela primeira vez enxerguei uma mulher por detrás daquela garota.

Fim do capítulo


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