Capítulo 18

Capítulo 18

de Luana: as várias faces da Lua, por Ana Pizani

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          Eu trabalhava como já disse, em três trabalhos para conseguir me manter em BH.

          Era assistente administrativa numa empresa de segunda a sexta, nos sábados era bar girl em uma boate GLS e nos domingos dava aula particular de matérias variadas para dois vizinhos de apartamento.

         Morava com o Lucas e as despesas do apartamento ficavam divididas.

          E agora isso me preocupava.

         Do hospital, após o acidente, eu liguei contando o que havia acontecido para a empresa. Meu chefe me deu o tempo que precisasse para cuidar da minha saúde. Já a boate GLS disse que não poderia ficar sem bar girl e eu entendi. Fiquei de procurá-los quando voltasse de minha cidade. Já as aulas, foram por água a baixo. Os dois garotos precisavam fazer uma prova para entrar no Cefet e não poderiam esperar.

         Agora eu só tinha a garantia de um trabalho e teria que me apertar para pagar o aluguel, água e luz e ainda me alimentar.     Pensei toda uma semana na minha situação.

         Eu precisava arrumar um serviço certo, que me desse garantias e estabilidade. Foi aí que comecei a pensar ainda mais em fazer uma faculdade e tentar concurso público até consegui passar em alguma coisa. Já não sou uma criança e preciso pensar em meu futuro.

         Também a dívida com a fisioterapeuta, que dividiu para mim as sessões em três parcelas sem juros, contra a vontade de meus pais, que queriam pagar.

          Então, pelas minhas economias, precisava voltar a trabalhar. Mas me faltava à coragem para deixar tudo e ir embora.

         A situação era cômoda. Meus pais me aceitavam, meus irmãos me respeitavam, eu tinha uma namorada maravilhosa (e gostosa, risos) e estava rodeada de pessoas familiares.

         Porém, eu precisava ou ir embora ou começar a procurar emprego. E com salário mínimo poderia alugar uma casinha pra mim e assim me virar, sem perder a minha família e minha mulher.

         Tudo estaria certo se não fosse um problema que eu considerava grave: eu sentia que faltava algo ali.

          Eu queria mais, não queria ficar eternamente naquela vida, sem ter a possibilidade de estudar, de andar de mãos dadas na rua com a mulher que eu amava, de viver livremente, detentora de uma consciência tranqüila.

         E eu conhecia bem a Lisa, ela se importava demais com a sociedade e eu não iria implorar para ela me assumir publicamente, pessoa nenhuma precisa implorar por uma coisa dessas, certo? Seria o mínimo que ela deveria sentir de mim: orgulho. E ela sentia, calada, em casa, evitando meus toques em público, sempre preocupada com o que os outros poderiam dizer dela.

         Eu a amava, mas precisava me amar acima de tudo, e não era egoísmo, era amor próprio.

         E eu mais do que nunca queria voltar a minha antiga vida. Precisava recomeçar consciente de estar fazendo algo por mim e pelo meu futuro.

          Até porque é para isso que existem ônibus, certo? Para matar a saudade. E eu não me distanciaria das pessoas que amava novamente. Não mesmo!

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
E

Endless

11/01/2019 às 00:35

CEFET... Antiga Escola Técnica, atual IF... Rsrsrsrs! Boa sorte.

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