Capítulo 12
Eu me descobri homossexual com uns treze anos, mas já com uns sete sentia atração pelas minhas primas e por coleguinhas de escola. Porém, eu não sabia que aquilo que sentia se chamava atração e não ligava muito para o que eu sentia. Só queria mesmo é brincar com meus carrinhos e jogar meu vídeo game em paz.
Meus pais começaram a achar meu comportamento estranho por causa das amizades que comecei a ter lá pelo os catorze anos. Eram garotos, mas eram gays e isso começou a incomodar minha mãe que achava que eu deveria andar com meninas da minha idade e namorar meninos ‘normais’ e não ficar andando por aí com meninos que não eram ‘normais’ e não tinham um ‘certo padrão’ de comportamento esperado pela sociedade.
Meu pai não ‘morria de felicidades’ por eu andar com homossexuais, mas o que realmente o irritava era a minha natureza argumentativa.
Ele tentava, mas não conseguia me convencer que o certo era eu chegar à meia-noite e não às duas da manhã como eu fazia. Eu sempre batia de frente com ele, e confesso que gostava de vê-lo sem palavras, sem argumentos.
Meus irmãos sempre foram distantes de mim (ou eu deles). Então na infância convivemos bastante meio que à força, pois eu nunca dei muito certo com eles e sempre gostei de brincar sozinha a me rebaixar e brincar com quem não era muito legal comigo. E eles não eram muito legais comigo, tirando o Gabriel que só veio a nascer na menopausa da minha mãe e era novo demais para brincar comigo.
Meu corpo parece reagir aos remédios e aos poucos consigo voltar a andar direito e meu braço está melhor também.
Mamãe está batendo na porta, interrompendo minhas lembranças...
_ Luana, posso te fazer uma pergunta?
Aposto duas tortas de abacaxi que é sobre meu namoro com a Lisa.
_ Pode, mãe. Pergunte.
Mamãe fecha a porta do meu quarto e senta na minha cama.
_ Você está firme mesmo com aquela garota que foi da sua turma de escola, né?
_ Sim, mãe. A Lisa e eu estamos firmes.
Ela me olha com olhos de piedade e sei que um pedido dali surgirá.
_ Você já está ficando boa e podia ficar mais um tempo aqui com seus pais que tanto te amam (ênfase no “que tanto te amam”). Quem sabe você se arruma por aqui mesmo e continua seu namoro. E fica com a sua família.
_ Olha, mãe, eu agradeço o convite. Eu passei muito tempo esperando ouvir isso e sentir verdade nesse pedido. Eu não vou esquecer o que vocês fizeram por mim e não vou me afastar mais como fiz, pois sei que hoje sou aceita e que não preciso fazer “um tipo” para vocês. Mas eu gosto de BH, lá eu tenho maiores oportunidades de vida e se vocês me amam, vão desejar a minha prosperidade. Eu não tenho essa natureza de ser sustentada e eu quero voltar a estudar esse ano, entende? Quero fazer faculdade, tentar concursos públicos e continuar trabalhando.
Mamãe me abraçou e eu senti que ela me amava. E isso me fez um extremo bem.
_ Filha, eu fico muito feliz em saber que você está pensando em seu futuro. Sei também que você não tem tendência a ser sustentada por ninguém e desde sempre trabalhou. Eu sempre te admirei por isso. Pela sua força, sua determinação. Mas... E a menina? Ela parece gostar de você... Eu nunca pensei que ia falar uma coisa dessas, mas eu a conheço desde que nasceu e sei que é de boa família e boa pessoa.
Sempre a vejo abrindo a floricultura quando vou à padaria. Ela cuida dos avós dela como se cuidasse de bebês. Sinceramente, se é para te ver ao lado de uma mulher que seja ao lado dela.
Eu estava atônica. Não esperava ouvir isso da minha mãe. O que alguns anos não fazem com uma pessoa, em?
Fim do capítulo
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