Capítulo 20
Eu desabafei aquela noite com a Marcele, que me deu todo apoio que precisava.
Enquanto Nina dormia eu pensava se estaria fazendo o certo.
Claro que nada de grave vai acontecer com ela, meu irmão pode ser ruim, mas não um assassino. Seu sono estava agitado e deixei minha cama me aproximando e me sentando na sua.
-Shh calma calma vai ficar tudo bem.
Fiz um afago em seus cachos e aos poucos voltou a dormir serenamente. Os primeiros raios de sol invadiam o quarto, acabei acordando primeiro, olhei pro lado e Nina ainda dormia, eu precisava ir me aproximei do seu rosto angelical e tentei fotografar cada pedacinho dele, seus lábios estavam entreabertos.
-Até dormindo você não perde a sua beleza.
Falei baixinho ao me afastar ouvi sua voz fraca falar o meu nome , mas ao me certificar ela ainda estava dormindo.
- Até um dia Nina.
Eu me aproximei e a beijei, foi o beijo mais delicado e dolorido da minha vida, o início e o fim. Talvez não fosse pra ser mesmo. Uma lágrima rolou do meu rosto e desfi o beijo, me afastando, peguei minha mochila que já estava pronta e deixei o quarto. Ao passar no quarto da Marcele deixei um envelope em cima da mesinha e desci as escadas, ao descer encontrei com Maurício dormindo no sofá, estranhei, mas ao chegar na porta quem me recebe e Silvana chegando em casa. Ao me ver ela logo sorri triunfante.
-Fugindo de casa Bebel ?
Seguro a alça da mochila com toda a minha força, a última coisa que queria era que a Nina acordasse e me visse partir.
-Desde quando se importa com a minha vida, Silvana, a deixa eu pensar desde que você achou mesmo que estava gostando da Nina né.
-E muito bom que você vá embora mesmo, afinal a Nina merece um pouco de paz e não de pessoas encrenqueiras como você.
-Me da licença!
A empurrei contra a porta pois estava em meu caminho.
-Ei também não era de se esperar uma atitude dessas vindo de você.
Eu estava de costas, mas não deixei passar.
-Você pode até ficar com a Nina, mas o meu nome estará sempre nos lábios dela.
E sorri satisfeita descendo a rua, na esquina John já me esperava, bati no vidro e ele acordou assustado.
- Vamos!
- Bom dia gata!
Ele se aproximou para me beijar e eu evitei dizendo que estava com bafo. Ela apenas se afastou e ligou o carro um pouco chateado.
-Você madrugou.
-E... Foi melhor assim.
Eu dormi todo torto naquele sofá, escutei umas vozes se aproximando dentre elas uma conhecida.
-Oliver?
Ele parou na entrada da sala estava com Marcele que acabava de chegar da padaria.
-Oliver eu preciso falar com você.
Ele se fez de desentendido e subiu as escadas, como se eu não tivesse ali.
Eu fiz menção em subir e Marcele tocou em meu ombro me pedindo para ir com calma, assenti mesmo tomado pela afobação.
Eu subi aquelas escadas correndo e entrando no quarto, Oliver estava no banho e a sua roupa estava separada. Eu esperei ele sair do banheiro, estava me matando aquela demora, até que ele saiu e o aroma de morango se misturou no ambiente, ao me ver sentado tentou fingir que não estava ali.
-Oliver aonde você estava? Eu fiquei preocupado.
-Maurício eu preciso ficar sozinho, por favor.
- Não Oliver, eu dormir todo torto naquele sofá te esperando, liguei para seu celular, mas só caia na caixa postal, você precisa saber o meu lado da história.
Ele se virou estava lindo usando uma blusa social azul claro e uma calça preta que combinava com o sapato, parecia outra pessoa diante de mim.
- Seu lado da história, ficar com mulheres comer homens gays e fim .
Ah eu fiquei tão furiosos com suas palavras, segurei em seu ombro e o empurrei contra a porta do guarda roupa.
- Que linguajar e esse hein ? Eu quero que saiba que... Que meus sentimentos por você são verdadeiros.
-Maurício me solta, você está amassando a minha camisa.
-Foda-se a sua camisa! Olha pra mim.
Segurei o seu rosto e o fiz olhar para mim.
- Eu gosto de você, de verdade.
Oliver me olhava sério e desviou o olhar olhando para a janela. Eu segui seus olhos e havia um homem alto loiro e bem vestido formalmente do lado de fora do carro, eu voltei a fitar seus olhos entristecidos.
-Gosta no seu mundinho, agora me solta Maurício!
Ele me empurrou, novamente aquela força descomunal.
Ele pegou suas coisas e o segui pelo corredor.
-Quem é aquele homem Oliver, você passou a noite com ele!?
Eu falava alto e não me importava se todos estavam ouvindo, Oliver desceu as escadas correndo e eu também, ao sair ainda o vi entrando no carro, eu me aproximei batendo no vidro.
- Oliver fica Oliver!
O sujeito arrancou com o carro, e eu fiquei no meio da rua desacreditado em tudo aquilo.
Ao entrar em casa todos estavam reunidos no café, e Nina estava descendo as escadas.
-Me desculpe eu acordei vocês.
Falei retraído nunca pensei que chamaria tanto a atenção assim.
-Relaxa Maurício não é todo dia que acordamos com uma cena dessas.
Vitao ria enquanto tentava comer um biscoito.
- Acha engraçado não é Vitao ? Acha engraçado um outro homem se apaixonar por outro!?
Ele nem consegui comer o biscoito, Junior estava com a boca aberta enquanto as meninas se entreolhavam. Nina se sentou ao lado da mãe e eu me sentia um idiota naquele momento.
-Então você e gay Maurício?
Eu ia responder o Junior quando Marcele começou a falar.
-E isso importa Junior ? O que eu ensinei para vocês, o Maurício ainda continua sendo o Maurício que todos nós conhecemos, quem somos nós para julgar, se eu presenciar um pingo de preconceito de um de vocês, não estaram apenas o ferindo e sim a mim também, caso algum de vocês não concordem reflitam antes de falarem besteiras.
-Isso não importa para mim, só fiquei surpreso, e pra você Vitao isso importa ?
-Eh não não de boa, somos família.
Todos se levantaram e vieram me abraçar um por um, inclusive a Safira.
-Obrigado gente, mas preciso saber aonde o Oliver foi com aquele homem.
-Nossa tu tem que aprender muito em cara, o Oliver foi para o museu.
-Nossa eu havia esquecido, subi as escadas correndo pra ir me arrumar.
-Filha coma para podermos ir.
-Está com pressa de ir embora?
Safira estava em minha frente enquanto eu preparava o meu café, agora na cozinha.
- Não que isso, só que preciso ir para a clínica.
- É médica?
-Quase isso, esteticista se quiser pode aparecer por lá.
-Olha que eu vou.
Sorrimos uma para a outra.
- Bom melhor irmos.
- Tudo bem.
Eu estava conversando com a Silvana, ela me disse que trabalhou muito pros preparativos da festa da Marcele e no final ficou cansada.
- Que bom que sentiu minha falta, Nina.
-Você é ...importante Silvana. Você viu ...a Bebel por... aqui ?
- Não não a vi, provavelmente deve está com o namorado.
-Hum e... provavelmente.
Minha mãe se aproximou e perguntou se já estava pronta.
-Sim ...mãe eu...
Estamos no em frente a delegacia de Polícia esperando a soltura do juiz Gonçalo Arantes, que se encontrava detido por agressão a sua esposa Safira, olhem ele está saindo, senhor Gonçalo como foi os dias que passou na cadeia ? O que pretende fazer daqui em diante ? Sua carreira está ameaçada diante dessa acusação.
Meu pai não respondeu nenhuma das perguntas, entrou com o advogado em seu carro e deixou os jornalistas para trás.
-Melhor irmos filha.
A voz da minha mãe saiu arrastada e envergonhada pela situação constrangedora.
Lívia desligou a televisão e agradeci mentalmente. Eu me levantei enquanto minha mãe e Marcele nos levava até a saída.
- Não precisa ficar assim Safira, escolhemos a Nina sem saber quem era, não há porque ficar constrangida.
- Eu vou tentar, preciso ser forte pela Nina.
-Espere...
Marcele segurou minha mão e me fitou nos olhos.
-E quem será forte por você ?
- Eu não sei, obrigada por tudo, a abracei e foi o abraço mais sincero e acolhedor que recebi.
Entrei no carro e voltamos para as nossas vidas.
Depois que Safira foi embora entrei e fui para o quarto, ao chegar encontrei um envelope e nele continha o dinheiro dos meses, e um bilhete.
Marcele obrigada por me abrigar em sua casa, sei que não fui uma companhia agradável, mas o tempo que fiquei com vocês foram os melhores da minha vida. Ps cuida da Nina por mim, com amor Bebel.
-Ah Bebel por que ?
Guardei o dinheiro e o bilhete, aproveitei para ligar para a minha mãe, mas o telefone tocou umas três vezes na quarta ouvi uma voz grossa e repleta de raiva, era meu pai eu desliguei na hora.
- Quem era ?
-Me fale você? Quando fui atender desligou.
-Deve ter sido engano, isso acontece muito.
- Eu te conheço Mayssa, você está nervosa, não me diga que era aquele...
- Antônio não!
- Eu sabia, você acha mesmo que não percebi a sua fugidinha ontem a noite!
Joguei o celular contra a parede.
-Ele e nosso filho!
-Aquele viado não é o meu filho!?
Deixei a casa enquanto minha esposa me chamava de volta.
Sai correndo de casa e dirigi em alta velocidade passando entre os carros, cheguei no Museu e entrei procurando por Oliver, o encontrei ao lado daquele homem e umas pessoas o ouvindo falar sobre a sua peça, eu fiquei num canto escutando e olhando atentamente, aquele cara não desgrudava dele em nenhum momento, depois de uma hora Oliver e o homem deixaram o museu, mas foi Oliver que encontrou no carro e foi embora, aproveitei para me aproximar do homem que estava de costas.
-Ei!
Ele se virou e dei um murro certeiro em seu rosto, que o fez cair.
-Levante-se e lute que nem homem.
O peguei pelo colarinho da camisa, enquanto ele tentava se soltar.
-Você é louco! Bem que o Oliver me disse.
-Ah ele te falou de mim né , me diz o que você e dele, diz!
- Eu sou o irmão dele, porr*!
-Irmão dele ?
Na faculdade e todos só falavam do meu pai, senti falta da Rayssa, a tarde fui para casa e almocei, e ao cair da noite fui para a praia, ao chegar encontro com Silvana atarefada em vender seus salgados .
-Quer ...ajuda ?
-Claro minha linda.
A ajudei dando o troco a praia estava cheia e sua barraquinha bombava.
- Quem diria filha do Gonçalo dando troco.
- Eu não... sou o... meu pai.
- Eu sei que não, mas foi uma surpresa.
Perguntei se ela não gostaria de ter uma loja fixa, ela me disse que gosta do calor da multidão, e que sempre está vendo os amigos.
Estávamos dando conta fizemos uma parada para descansar e ficamos conversando um pouco.
-ah não lá vem aqueles valentões.
- Quem são?
- Eles são da turma do Carlos, eles acham que são os donos da praia, fica atrás de mim Nina.
Eu passei a tarde toda numa reunião de negócios, ao anoitecer voltava para a casa e a praia estava lotada, enquanto caminhava carregava umas pastas com meus desenhos, mas me esbarrei em um homem alto e musculoso, pedi desculpas, mas ele não quis aceitar o meu pedido de desculpas.
- Eu conheço você, você não é o tal que anda com o Maurício?
-O meu nome e Oliver.
Eu tentava passar mas ele não deixou.
-Calma pra que tanta pressa, vamos brincar um pouco.
-Sai da minha frente!
-Olha ele fala grosso.
Um amigo seu o chamou e proveitei pra sair correndo, mas ele me pegou e me deu uma gravata. Deixei minhas pastas caírem, enquanto seu amigo ria.
- Vamos brincar um pouquinho você vai gostar.
Fim do capítulo
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