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Impulsos de Sinais por Sorriso

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Palavras: 2038
Acessos: 1698   |  Postado em: 19/12/2018

Notas iniciais:

 







Capítulo 19

- Eu não acredito que estou fazendo isso aqui. 


As mãos de Maurício passavam por todo o meu corpo, e me preensava cada vez mais forte contra a parede atrás de mim, eu estava extasiado e excitado, o mesmo valia para o macho alfa. Ficamos curtindo a metade da noite, e nos olhando disfarçadamente, mas não somos de ferro, logo entendi seu recado e deixamos o pessoal na piscina e caminhamos em direção aos fundos do salão. Aquela não seria a primeira vez que fazia isso, também não esperava pelo beijo do meu príncipe encantado, éramos Homens com sede e fome que subia de dentro das nossas entranhas. 


-Espera... um pouco. 

Maurício desceu as mãos para meu bumbum, com aquela pegada iria desfalecer a qualquer momento. 

-Eu disse para parar!

O afastei enquanto de onde estávamos dava para ver seu rosto um pouco corado e suado, devido ao nossos esforços para nós manter quietos bem ali.


-Qual o problema? 


- Eu não mereço isso. 

Me afastei um pouco para respirar, apesar da minha excitação está a mil precisava ter essa conversa com ele. 

-Ah você e daqueles que curtem algo mais romântico, pode deixar eu pago um hotel.

Eu fechei os olhos enquanto olhava ao longe o povo se divertindo. 

- Então e isso ? Um hotel ? 

Maurício me olhou sem entender e tentou se aproximar, o impedi. 


- Não se aproxima. 


-O que foi Oliver, até alguns minutos estavamos nos pegando. 

Fechei os olhos e suspirei.

-O evento e essa semana, e eu não sei se quero que vá. 

- Não sabe se quer que eu vá, que papo doido e esse. 

- O que eu vou falar, como vou te apresentar, um amigo ? Um primo distante ? Ou como meu namorado ? 

Ele ficou branco por um instante, e evitou olhar para mim.

-Você sabe que... Eu não tô pronto pra me assumir. 

Eu assenti com a cabeça completamente decepcionado, o homem até antes hetero pagando de machao para todos, agora estava retraído e confuso. 

- Eu não estou pedindo para me assumir para sua família, estou pedindo para assumir seus sentimentos perante a mim.

Ele riu e negou com a cabeça. 

-E quase a mesma coisa Oliver, será que não dá pra deixar as coisas como estão? Seria bem mais fácil. 

Suas palavras me causaram uma revolta imensa, não era a primeira vez que ouvia uma coisa dessas, mas não sofreria novamente por homem algum. 

-Seria bem mais fácil pra quem, Maurício! Pra você se sentir o macho para seus amigos e a noite dormir numa cama quentinha comigo! 

-Oliver por favor fale baixo, alguém pode nos escutar. 

Ele olhava preocupado para o lado de fora do cubículo, eu me sentia sujo mesmo sem termos dado um passo a diante. 

-Está se ouvindo, e assim que quer me ter. 

Ele olhou-me preocupado e tentou se aproximar novamente, eu a essa hora já chorava copiosamente. 

-Olvier por favor não chora, o que está me pedindo e... E complicado. Eu não sou igual a você. 

Eu enxuguei as lágrimas com a palma da mão, aquilo era demais pra mim. 

- Complicado e fingir ser seu brother, complicado e ter que não te dá as mãos na rua, complicado e não poder te beijar porr*! Isso sim é complicado! 

-Escute Oliver.

Maurício me tocou e eu o empurrei com tanta força que fez um enorme barulho, ele caiu por cima de uns tambores e aproveitei para sair correndo dali. 


Passei no meio de todos que tentaram me parar, logo atrás ouvia os gritos do Maurício, eu corri o mais rápido que pudi até não só restar mais ar em meus pulmões. 


Oliver estava magoado e com raiva de mim, sua força descomunal me fez cair em cima de um monte de latão, a queda doeu mas não doeu mais do que vê-lo sair correndo daquele jeito, eu passei pelas pessoas que não estavam entendendo nada, cheguei na rua e o perdi de vista, não sabia para onde tinha ido, eram duas da manhã, poderia ser perigoso. 


-Oliver Oliver Oliver!!


-Nossa parece que aconteceu alguma coisa com o Oliver. 

- Eu tô achando que esses dois tem um lance. 

Junior me olhou assustado, e depois voltou a atenção para a rua, aonde estava Maurício.

-Será?

- Bom e o que parece, olha lá a sua mina, já falou com ela? 

Olhei para Anita que estava animada conversando com a Lívia, eu ainda não tinha me declarado para ela. 

- Eu não tive tempo ainda. 

-Tu e um frouxo mesmo, cara vai lá ou tá esperando outro roubar o teu lugar!

- Eu não sou frouxo, só que não é qualquer mulher e a Anita!

Falava enquanto olhava atentamente para ela. 

-Vem cá nerd olha vou te dá uma ajudinha, toma leva essa bebida pra ela, e conversa sobre qualquer coisa. 

Vitao me acompanhava enquanto eu estava me preparando para falar algo, até que ele ficou para trás, limpei a garganta e estufei o peito tomando coragem. 

-Vamos lá Junior.

Eu estava me aproximando cada vez mais até que travei, eu sabia o que falar só que minha voz não saia, até que levei um tranco e acabei me chocando contra Anita que estava de costas, e acabei derrubando-a  na piscina. 


-Junior seu babaca!


-Anita não foi minha culpa. 

Enquanto tentava ajudá-la Vitao rachava o bico atrás de mim. 

-Vem me de sua mão. 

-Muito gentil você hein me derruba agora que me ajudar!

Eu a puxei ela estava ensopada e seu vestido estava transparente, eu peguei meu casaco e a cobri. 


-Assim ficará mais aquecida. 


Ela riu 

-Você vai acabar morrendo virgem!


Eu fiquei sem graça, no fundo ela estava rindo era da minha vergonha, o que eu poderia fazer, diferente dos outros homens eu não pensava em sex* por 24 horas, eu trabalhava muito para adquirir estabilidade financeira, só depois pensar nessas coisas, e no fundo a Anita sabia disso. 


-Você gostou da festa? 


Falei tentando mudar de assunto e deixar o embaraço de lado. 


- Sim foi bem legal, mas soube que vai ter uma festinha só para a galera, quem sabe lá você não perca a virgindade. 


Anita piscou para mim e se afastou encontrando com Lívia que  foram para o outro lado do salão. 


-Ae Juninho vai tira o atraso!


-A cala a boca vitao, isso é tudo culpa sua. 

-Ue ainda te ajudei, não consigo te entender. 


Passei toda a festa pensativa, Bebel estava mais solta e pude ver um brilho diferente em seus olhos, mas suas palavras duras não me fez esquecer daquele dia. 


Eu estava esperando a minha mãe para que pudéssemos ir embora, foi quando ela se aproximou do meu carro. 


- Essa festa foi incrível não acha? 


Ela se encostou na porta do motorista e me olhou de soalho. 


- Sim. 


Lembrei do dia da feira com a Marcele a vida e como um jogo de xadrez. 

Oito peões: Bebel Silvana Lívia Marcele Junior vitao Oliver Maurício 

Duas torres: Marcele e Safira 

Dois cavalos: Maurício e Caio 

Dois Bispos:  Emanuelle e a Rayssa 

Dama: Bebel 

Rei: John 


-No que está pensando Nina ? 

Sua voz suave me fez voltar a realidade. 

-No chato... que a... Silvana não pode... ter vindo. 

Sim foi uma água gelada em cima da Bebel, o que ela queria com essa conversa fiada. 

-Ah sim percebi que as pessoas chatas não vieram. 

Olhei para ela e não gostei nem um pouco da sua resposta, me afastei para entrar no salão porém fui impedida por seus braços, Bebel se pois na minha frente e ficou me olhando por muito tempo. 


-Você sabe que eu vou embora né ? Vai ter uma festinha do pessoal e bom gostaria que fosse. 


-Pra que!? 


Respondi rude.


-Por educação Nina, fala sério você ver maldade em tudo!


Foi a vez dela se afastar e passar a mão nos cabelos. 


-Talvez se... não tivesse me...iludido... Eu não iria pensar...Assim.


Ela virou-se e suspirou pesadamente. 


- Eu sou uma idiota não é ? Eu só não queria ir embora com uma dor na consciência. 

-Pensa-se nisso.... antes!


Eu caminhei até a entrada é novamente Bebel se pois em minha frente, isso já estava chato. 


-Espere, iria agir assim com a tal Emanuele ? 

Eu pensei muito antes de responder essa pergunta, já havia passado tanto tempo. 


- A Emanuelle ....não é... você. 


E entrei no salão a procura da minha mãe. 



Eu estava terminando de me maquear quando a porta do box se abriu, me revelando-a. Ela caminhou até a pia e sorriu sem jeito para mim. 


-Esses jovens são muito elétricos, acabei me deixando me levar. 


Safira estava com o vestido úmido, minha mãe já tinha ido embora e só restava poucas pessoas.


- Esse batom e muito bonito. 

Ela falou me vendo pelo reflexo do espelho, enquanto terminava de passar. 

-Ele não perde o brilho, como eu. 

Ela sorriu alegremente. 


-Se quiser eu te empresto!


- Não precisa, eu não sou muito amante de cores exóticas, mas esse me chamou a atenção.


Lívia e Anita bateram na porta e falaram que já estavam indo, Safira se apressou para ir também. 


-Nossa deve ser bem tarde e a Nina tem aula amanhã na faculdade. 


-Se quiser pode dormi em minha casa. 

Ela me olhou sem entender o convite.


- Eu moro perto, e você e a Nina estão com as roupas úmidas podem pegar um resfriado. 

Ela pensou por um tempo e viu que não havia como dizer não. 

- Tem razão, mas não quero incomodar. 

- Que isso, sem incômodo recebo vocês de todo meu coração. 

Deixamos o banheiro e encontramos com Nina nos procurando, não havia mais ninguém no salão, entreguei a chave ao vigia que o fechou, entramos no carro do Junior e fomos para casa. 


Ao chegarmos tratei de instalar a Nina e a Mãe, e procurar um banho quente.


Ao entrar no quarto notei que Bebel estava trocando de roupa, ela estava apenas de calcinha e uma blusa branca, ao me ver terminou de se arrumar e se sentou em sua cama. 


Eu estava um caco, minha coordenação motora não me permitia muito esforço, acabei derrubando umas coisas no banheiro. 


-Nina você está bem!? 


Bebel invadiu o banheiro e me fez sentar no vaso sanitário. 

-Ei tudo bem ? 

Apenas assenti com a cabeça e menti disse que era o calor. 

- Eu te ajudo. 

Ela tirou o meu sapato enquanto eu protestava. 

-  Não... não precisa.

-Quieta por favor eu sei o que faço. 

Tirei seu tênis e meia subi para a sua blusa desabotuando botão por botão, seus cabelos cacheados cobriam seus rosto, eu até gostava disso nela um ar de mistério. 

Depois foi a vez do seu jeans, mas ao descer mais meus olhos se fixaram em sua perna paralisada, ela era torta. 

- Feliz pela... caridade. 

Sua voz embargada me fez fitar o seu rosto, peguei um elástico do meu próprio cabelo e prendi seus cachos neles, e vi seus olhos marejados e as primeiras gotas de lágrimas caindo. Eu precisava ver isso. 


-Nina não é caridade e... olha isso não é nada você vai ficar melhor depois de um banho. 

Ajudei a se levantar e ela insistiu que conseguia tomar banho sozinha, eu me senti no vaso e esperei o seu banho acabar. 


Ela vai ficar bem ela vai ficar bem ela vai ficar bem. 


Eu me repetia mentalmente esse era o certo a fazer. 


Depois que o seu banho acabou a ajudei a sair e coloquei o roupão nela. 


-Obrigada... Bebel. 


-Vem vamos dormir, amanhã e outro dia. 


Eu não conseguia dormir só de pensar que Oliver está na rua me tirava o sonu. 

Me levantei e fiquei olhando pela janela pra ver se o via na rua, e nada. 

A porta do guarda roupa estava meia aberta, a abri e vi suas roupas separadas por cor e estação do ano. 

-Você é tão certinho. 

Passei a mão em algumas peças e peguei sua blusa florida que usava em dias de sol, e trouxe para perto  do meu corpo, havia seu cheiro ali.


Eu desci com a peça e preso em meus pensamentos, escutei um barulho na cozinha e pensei que fosse ele, ao entrar me deparo com Marcele terminando de adoçar o leite. 


- Tudo bem Maurício? 


-Eu eu pensei que fosse o Oliver. 


Me senti na cadeira enquanto seus olhos me fitavam. 


-Ele deve ter saído com alguém. 

- Não, nós brigamos e ele fugiu. 

Ela se aproximou e me estendeu o copo com leite. 

-Toma você precisa mais do que eu. 

Olive amava tomar leite quente a noite. 

-Parece que vocês dois estão íntimos. 

Ela olhou para a blusa em minhas mãos e começei a chorar. 

- Eu sou um imbecil burro machista, ele só queria a minha atenção e estraguei tudo! 

-Querido não fique assim, quando ele chegar vocês conversam. 

-Eu não sei se ele vai querer me ouvir. 

Solucava igual uma criança. 


-Eu... eu eu sou gay.


Marcele apenas me abraçou forte, nunca essas palavras pesaram tanto, agora entendia o Oliver é o meu equilibrou, eu não posso passar por tudo isso sozinho, não sem ele. 








Fim do capítulo


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