Capítulo 19
- Eu não acredito que estou fazendo isso aqui.
As mãos de Maurício passavam por todo o meu corpo, e me preensava cada vez mais forte contra a parede atrás de mim, eu estava extasiado e excitado, o mesmo valia para o macho alfa. Ficamos curtindo a metade da noite, e nos olhando disfarçadamente, mas não somos de ferro, logo entendi seu recado e deixamos o pessoal na piscina e caminhamos em direção aos fundos do salão. Aquela não seria a primeira vez que fazia isso, também não esperava pelo beijo do meu príncipe encantado, éramos Homens com sede e fome que subia de dentro das nossas entranhas.
-Espera... um pouco.
Maurício desceu as mãos para meu bumbum, com aquela pegada iria desfalecer a qualquer momento.
-Eu disse para parar!
O afastei enquanto de onde estávamos dava para ver seu rosto um pouco corado e suado, devido ao nossos esforços para nós manter quietos bem ali.
-Qual o problema?
- Eu não mereço isso.
Me afastei um pouco para respirar, apesar da minha excitação está a mil precisava ter essa conversa com ele.
-Ah você e daqueles que curtem algo mais romântico, pode deixar eu pago um hotel.
Eu fechei os olhos enquanto olhava ao longe o povo se divertindo.
- Então e isso ? Um hotel ?
Maurício me olhou sem entender e tentou se aproximar, o impedi.
- Não se aproxima.
-O que foi Oliver, até alguns minutos estavamos nos pegando.
Fechei os olhos e suspirei.
-O evento e essa semana, e eu não sei se quero que vá.
- Não sabe se quer que eu vá, que papo doido e esse.
- O que eu vou falar, como vou te apresentar, um amigo ? Um primo distante ? Ou como meu namorado ?
Ele ficou branco por um instante, e evitou olhar para mim.
-Você sabe que... Eu não tô pronto pra me assumir.
Eu assenti com a cabeça completamente decepcionado, o homem até antes hetero pagando de machao para todos, agora estava retraído e confuso.
- Eu não estou pedindo para me assumir para sua família, estou pedindo para assumir seus sentimentos perante a mim.
Ele riu e negou com a cabeça.
-E quase a mesma coisa Oliver, será que não dá pra deixar as coisas como estão? Seria bem mais fácil.
Suas palavras me causaram uma revolta imensa, não era a primeira vez que ouvia uma coisa dessas, mas não sofreria novamente por homem algum.
-Seria bem mais fácil pra quem, Maurício! Pra você se sentir o macho para seus amigos e a noite dormir numa cama quentinha comigo!
-Oliver por favor fale baixo, alguém pode nos escutar.
Ele olhava preocupado para o lado de fora do cubículo, eu me sentia sujo mesmo sem termos dado um passo a diante.
-Está se ouvindo, e assim que quer me ter.
Ele olhou-me preocupado e tentou se aproximar novamente, eu a essa hora já chorava copiosamente.
-Olvier por favor não chora, o que está me pedindo e... E complicado. Eu não sou igual a você.
Eu enxuguei as lágrimas com a palma da mão, aquilo era demais pra mim.
- Complicado e fingir ser seu brother, complicado e ter que não te dá as mãos na rua, complicado e não poder te beijar porr*! Isso sim é complicado!
-Escute Oliver.
Maurício me tocou e eu o empurrei com tanta força que fez um enorme barulho, ele caiu por cima de uns tambores e aproveitei para sair correndo dali.
Passei no meio de todos que tentaram me parar, logo atrás ouvia os gritos do Maurício, eu corri o mais rápido que pudi até não só restar mais ar em meus pulmões.
Oliver estava magoado e com raiva de mim, sua força descomunal me fez cair em cima de um monte de latão, a queda doeu mas não doeu mais do que vê-lo sair correndo daquele jeito, eu passei pelas pessoas que não estavam entendendo nada, cheguei na rua e o perdi de vista, não sabia para onde tinha ido, eram duas da manhã, poderia ser perigoso.
-Oliver Oliver Oliver!!
-Nossa parece que aconteceu alguma coisa com o Oliver.
- Eu tô achando que esses dois tem um lance.
Junior me olhou assustado, e depois voltou a atenção para a rua, aonde estava Maurício.
-Será?
- Bom e o que parece, olha lá a sua mina, já falou com ela?
Olhei para Anita que estava animada conversando com a Lívia, eu ainda não tinha me declarado para ela.
- Eu não tive tempo ainda.
-Tu e um frouxo mesmo, cara vai lá ou tá esperando outro roubar o teu lugar!
- Eu não sou frouxo, só que não é qualquer mulher e a Anita!
Falava enquanto olhava atentamente para ela.
-Vem cá nerd olha vou te dá uma ajudinha, toma leva essa bebida pra ela, e conversa sobre qualquer coisa.
Vitao me acompanhava enquanto eu estava me preparando para falar algo, até que ele ficou para trás, limpei a garganta e estufei o peito tomando coragem.
-Vamos lá Junior.
Eu estava me aproximando cada vez mais até que travei, eu sabia o que falar só que minha voz não saia, até que levei um tranco e acabei me chocando contra Anita que estava de costas, e acabei derrubando-a na piscina.
-Junior seu babaca!
-Anita não foi minha culpa.
Enquanto tentava ajudá-la Vitao rachava o bico atrás de mim.
-Vem me de sua mão.
-Muito gentil você hein me derruba agora que me ajudar!
Eu a puxei ela estava ensopada e seu vestido estava transparente, eu peguei meu casaco e a cobri.
-Assim ficará mais aquecida.
Ela riu
-Você vai acabar morrendo virgem!
Eu fiquei sem graça, no fundo ela estava rindo era da minha vergonha, o que eu poderia fazer, diferente dos outros homens eu não pensava em sex* por 24 horas, eu trabalhava muito para adquirir estabilidade financeira, só depois pensar nessas coisas, e no fundo a Anita sabia disso.
-Você gostou da festa?
Falei tentando mudar de assunto e deixar o embaraço de lado.
- Sim foi bem legal, mas soube que vai ter uma festinha só para a galera, quem sabe lá você não perca a virgindade.
Anita piscou para mim e se afastou encontrando com Lívia que foram para o outro lado do salão.
-Ae Juninho vai tira o atraso!
-A cala a boca vitao, isso é tudo culpa sua.
-Ue ainda te ajudei, não consigo te entender.
Passei toda a festa pensativa, Bebel estava mais solta e pude ver um brilho diferente em seus olhos, mas suas palavras duras não me fez esquecer daquele dia.
Eu estava esperando a minha mãe para que pudéssemos ir embora, foi quando ela se aproximou do meu carro.
- Essa festa foi incrível não acha?
Ela se encostou na porta do motorista e me olhou de soalho.
- Sim.
Lembrei do dia da feira com a Marcele a vida e como um jogo de xadrez.
Oito peões: Bebel Silvana Lívia Marcele Junior vitao Oliver Maurício
Duas torres: Marcele e Safira
Dois cavalos: Maurício e Caio
Dois Bispos: Emanuelle e a Rayssa
Dama: Bebel
Rei: John
-No que está pensando Nina ?
Sua voz suave me fez voltar a realidade.
-No chato... que a... Silvana não pode... ter vindo.
Sim foi uma água gelada em cima da Bebel, o que ela queria com essa conversa fiada.
-Ah sim percebi que as pessoas chatas não vieram.
Olhei para ela e não gostei nem um pouco da sua resposta, me afastei para entrar no salão porém fui impedida por seus braços, Bebel se pois na minha frente e ficou me olhando por muito tempo.
-Você sabe que eu vou embora né ? Vai ter uma festinha do pessoal e bom gostaria que fosse.
-Pra que!?
Respondi rude.
-Por educação Nina, fala sério você ver maldade em tudo!
Foi a vez dela se afastar e passar a mão nos cabelos.
-Talvez se... não tivesse me...iludido... Eu não iria pensar...Assim.
Ela virou-se e suspirou pesadamente.
- Eu sou uma idiota não é ? Eu só não queria ir embora com uma dor na consciência.
-Pensa-se nisso.... antes!
Eu caminhei até a entrada é novamente Bebel se pois em minha frente, isso já estava chato.
-Espere, iria agir assim com a tal Emanuele ?
Eu pensei muito antes de responder essa pergunta, já havia passado tanto tempo.
- A Emanuelle ....não é... você.
E entrei no salão a procura da minha mãe.
Eu estava terminando de me maquear quando a porta do box se abriu, me revelando-a. Ela caminhou até a pia e sorriu sem jeito para mim.
-Esses jovens são muito elétricos, acabei me deixando me levar.
Safira estava com o vestido úmido, minha mãe já tinha ido embora e só restava poucas pessoas.
- Esse batom e muito bonito.
Ela falou me vendo pelo reflexo do espelho, enquanto terminava de passar.
-Ele não perde o brilho, como eu.
Ela sorriu alegremente.
-Se quiser eu te empresto!
- Não precisa, eu não sou muito amante de cores exóticas, mas esse me chamou a atenção.
Lívia e Anita bateram na porta e falaram que já estavam indo, Safira se apressou para ir também.
-Nossa deve ser bem tarde e a Nina tem aula amanhã na faculdade.
-Se quiser pode dormi em minha casa.
Ela me olhou sem entender o convite.
- Eu moro perto, e você e a Nina estão com as roupas úmidas podem pegar um resfriado.
Ela pensou por um tempo e viu que não havia como dizer não.
- Tem razão, mas não quero incomodar.
- Que isso, sem incômodo recebo vocês de todo meu coração.
Deixamos o banheiro e encontramos com Nina nos procurando, não havia mais ninguém no salão, entreguei a chave ao vigia que o fechou, entramos no carro do Junior e fomos para casa.
Ao chegarmos tratei de instalar a Nina e a Mãe, e procurar um banho quente.
Ao entrar no quarto notei que Bebel estava trocando de roupa, ela estava apenas de calcinha e uma blusa branca, ao me ver terminou de se arrumar e se sentou em sua cama.
Eu estava um caco, minha coordenação motora não me permitia muito esforço, acabei derrubando umas coisas no banheiro.
-Nina você está bem!?
Bebel invadiu o banheiro e me fez sentar no vaso sanitário.
-Ei tudo bem ?
Apenas assenti com a cabeça e menti disse que era o calor.
- Eu te ajudo.
Ela tirou o meu sapato enquanto eu protestava.
- Não... não precisa.
-Quieta por favor eu sei o que faço.
Tirei seu tênis e meia subi para a sua blusa desabotuando botão por botão, seus cabelos cacheados cobriam seus rosto, eu até gostava disso nela um ar de mistério.
Depois foi a vez do seu jeans, mas ao descer mais meus olhos se fixaram em sua perna paralisada, ela era torta.
- Feliz pela... caridade.
Sua voz embargada me fez fitar o seu rosto, peguei um elástico do meu próprio cabelo e prendi seus cachos neles, e vi seus olhos marejados e as primeiras gotas de lágrimas caindo. Eu precisava ver isso.
-Nina não é caridade e... olha isso não é nada você vai ficar melhor depois de um banho.
Ajudei a se levantar e ela insistiu que conseguia tomar banho sozinha, eu me senti no vaso e esperei o seu banho acabar.
Ela vai ficar bem ela vai ficar bem ela vai ficar bem.
Eu me repetia mentalmente esse era o certo a fazer.
Depois que o seu banho acabou a ajudei a sair e coloquei o roupão nela.
-Obrigada... Bebel.
-Vem vamos dormir, amanhã e outro dia.
Eu não conseguia dormir só de pensar que Oliver está na rua me tirava o sonu.
Me levantei e fiquei olhando pela janela pra ver se o via na rua, e nada.
A porta do guarda roupa estava meia aberta, a abri e vi suas roupas separadas por cor e estação do ano.
-Você é tão certinho.
Passei a mão em algumas peças e peguei sua blusa florida que usava em dias de sol, e trouxe para perto do meu corpo, havia seu cheiro ali.
Eu desci com a peça e preso em meus pensamentos, escutei um barulho na cozinha e pensei que fosse ele, ao entrar me deparo com Marcele terminando de adoçar o leite.
- Tudo bem Maurício?
-Eu eu pensei que fosse o Oliver.
Me senti na cadeira enquanto seus olhos me fitavam.
-Ele deve ter saído com alguém.
- Não, nós brigamos e ele fugiu.
Ela se aproximou e me estendeu o copo com leite.
-Toma você precisa mais do que eu.
Olive amava tomar leite quente a noite.
-Parece que vocês dois estão íntimos.
Ela olhou para a blusa em minhas mãos e começei a chorar.
- Eu sou um imbecil burro machista, ele só queria a minha atenção e estraguei tudo!
-Querido não fique assim, quando ele chegar vocês conversam.
-Eu não sei se ele vai querer me ouvir.
Solucava igual uma criança.
-Eu... eu eu sou gay.
Marcele apenas me abraçou forte, nunca essas palavras pesaram tanto, agora entendia o Oliver é o meu equilibrou, eu não posso passar por tudo isso sozinho, não sem ele.
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Sem comentários
Deixe seu comentário sobre a capitulo usando seu Facebook: