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Impulsos de Sinais por Sorriso

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Palavras: 2209
Acessos: 1685   |  Postado em: 27/11/2018

Capítulo 16

 

Minha mãe não saiu do meu lado aquela noite pela primeira vez estávamos fazendo algo que eu queria, todos nós nos sentamos a mesa inclusive a Rosa. A conversa se estendeu até as 23:00 e até esse momento nenhuma sombra da existência de meu pai, não quis estragar a noite contando do ocorrido na praia minha mãe não merecia isso, Rayssa foi embora mais cedo, pois tinha muitas coisas para resolver na manhã seguinte, Rosa foi para seu quarto restando apenas eu e minha mãe e uma pizza gigante de portuguesa na mesa.  

 

-Eu senti sua falta filha. 

 

Minha mãe estava cansada e com olhos distantes, isso me preocupou bastante. 

 

-Acredito que... não perdi... muita...coisa. 

 

Ela sorriu e se levantou. 

 

-E verdade não perdeu quase nada, mas se fizer isso de novo não sei do que sou capaz de fazer. 

 

Minha mãe tentava me intimidar, mas no fundo sabíamos que o general da casa era o meu pai, a ajudei com os copos e pratos, mas ao retornar para a cozinha acabo deixando um corpo cair meus olhos assustados olham para os cacos de vidros e uma lágrima rola do meu rosto. 

 

-Filha o que houve? 

 

Minha mãe se aproxima e não entende o meu motivo por está chorando, se nem me cortei. 

 

-Minha mão. 

 

Falei com a voz embargada, minha mão estava perdendo os poucos movimentos que tinha. 

 

Senti suas mãos me envolvendo num abraço sensível e colhedor, caminhamos em direção ao meu quarto, ao entrar nada havia mudado estava da mesma maneira que deixei. Me deixei sendo acompanhada pelos seus olhos preocupados, com muita calma minha mãe tirou meu ténis e me cobriu da mesma maneira quando era criança. 

 

-O dia que soube que estava gravida foi um dos momentos mais felizes da minha vida, e quando soube que era uma menina aí mesmo que explodi de emoção. 

 

Eu segurava minha mão e fazia uma leve pressão com os dedos para saber se ainda possuía tónus muscular, enquanto ouvia minha mãe falar sobre sua juventude. 

 

-Você ainda... se amam ? 

 

Ela olhou-me ligeiramente intrigada, mas logo seus olhos quebram o contato com os meus e fitou um livro em cima da minha mesa.  

 

-Eu encontrei esse livro, lembra costumava ler para você. 

 

Suspirei enquanto ela me mostrava a capa do livro. 

 

O Rei Leão 

 

-Responda. 

 

Meio impaciente ela fechou o livro, provavelmente ira me falar para esquecer esse assunto, mas estávamos num estágio muito avançado da nossa família, e temia que não houvesse mais uma reviravolta.  

 

- Ao saber que estava grávida Gonçalo vibrou, lembro que ele comprou quase todo o enxoval azul, mas ao descobrir que era uma menina eu vi o brilho dos seus olhos sumirem, e dá lugar a um conformismo. Tudo foi fluindo como um rio em movimento, não havia mais emoção de sua parte bom na minha frente nunca demonstrou, eu mesma montei o enxoval rosa enquanto ele só me dava o dinheiro para comprar, foi então que você nasceu linda e chorona, só parava de chorar quando ele o pegava no colo. Com o tempo vieram os sintomas nos perguntávamos porque você não andava e não falava normalmente como os outros bebés, até o dia que levamos você ao medico e depois de alguns exames contataram uma mancha no lado esquerdo do seu cérebro, foi diagnosticada com paralisia cerebral, isso foi a gota d'água para o Gonçalo. Eu fiz de tudo fisioterapia fonoaudióloga e percebi que se ele não te amava da maneira que você merecia porque eu deveria amar, eu me acomodei com o crescimento do seu pai e para não ouvir que dependia do dinheiro dele entrei no ramo da estética, e o resto você já sabe.   

 

-Existe o outro... lado do... amor...mãe. 

 

-Se você está me dizendo então eu acredito! Agora está na hora de dormir, amanhã vou te levar na fisioterapeuta, boa noite querida. 

 

Recebi um beijo no rosto e um sorriso materno, apesar de está em casa sentia falta da minha segunda família. 

 

 

No dia seguinte acordei ouvindo uns barulhos e uma falação era meus pais discutindo, me levantei e fui fazer minha higiene. Minutos depois desci e os encontrei na mesa do café da manhã, ao me ver meu pai apenas abriu o jornal e deu-lhe a atenção necessária. 

 

-Vem filha senta aqui. 

 

Me sentei de frente para minha mãe, Rosa me serviu e agradeci. 

 

-Cansou de se passar de pobre Nina ? 

 

Sua voz grossa seguida de odio e rancor me causou uma combustura. 

 

-Gonçalo isso e maneira de falar com a nossa filha! 

 

-Eu falo como quiser, a casa e minha! 

 

Dobrou o jornal e o colocou ao lado da sua pasta. 

 

Seu aspecto cansado e com os olhos cheios de olheira, nem de longe lembrava o Gonçalo que conhecia.  

 

-Então eu te fiz uma pergunta, será que nem isso e capaz de distinguir. 

 

Engoli a seco e respirei fundo várias vezes. 

 

-Já era de se esperar, de qualquer maneira agora que está de volta seguira ordem ouviu! 

 

-Não pai...não seguirei...ordens. 

 

Ele fitou me com odio ainda não acreditando em minhas palavras. 

 

-Está na minha casa, seguira as ordens que eu ordenar! 

 

Neguei com a cabeça fazendo-o se levantar imediatamente, meu pai costuma ser o homem que mete medo em qualquer pessoa, seu físico musculoso e seu olhar semi cerrado causa pavor em qualquer um.  

 

-Eu voltei... por causa...da...mamãe.... sou livre....para poder....sair....a qualquer....hora.  

 

-Está vendo Safira a rebelde sem causa da sua filha como voltou, sabe se lá com que tipo de pessoas ela se juntou. 

 

Minha mãe se levantou e o encarrou de frente. 

 

-Quer saber Gonçalo eu cansei de você, casei das suas conversar e ordens para com nosco, cansei dos coquetéis jantares e eventos, você não é um bom pai, e nem um bom marido, tenho pena de quem ficar com você! 

 

O que eu vi foi algo catastrófico meu pai agrediu minha mãe não só fisicamente, porém verbalmente.  

 

-Acha mesmo que pode falar assim comigo, você não passa de uma ingrata te dei tudo e é assim que me trata sua vadia. 

 

Eu caminhei até a minha mãe que estava jogada no chão em prantos, mas em nenhum momento ela abaixou a cabeça para meu pai. 

 

-Depois que já comeu e bebeu as minhas custas, agora vem falar que não sou homem para isso ou aquilo, sou muito macho! Você que sempre foi uma frigida na cama, em vez de me dá um Homem me deu isso ae. 

 

-Cala a boca! A Nina e o meu bem maior, graças a Deus não puxou nada de você! 

 

Meu pai ia parti para cima da minha mãe porem homens invadiram nosso apartamento, era os seguranças do condomínio seguidos da polícia.  

 

Eles seguraram meu pai a tempo, falando que não estava fazendo nada que estávamos apenas conversando em família, mas estava nítido para os policias o que estava acontecendo bem ali, fomos parar todos na delegacia naquela manhã. Nunca passou pela cabeça da minha mãe está numa delegacia, ou muito menos ser agredida pelo meu pai, aquela manhã foi exaustiva para mim e para ela, meu pai foi detido passaria alguns dias na cadeia. 

 

 

 

Acordei com uma puta dor de cabeça ao olhar para o lado vi John roncando, o cutuquei e ele acordou resmungando. 

 

-Caraca pode nem se dormir mais. 

 

-Que horas eu cheguei aqui? 

 

-Tu chegou aqui bem tarde gata, pior trocando as pernas, nem sei como conseguia andar. 

 

John zombava de mim, era de se esperar a bebida e o impulso de fúria diante daquela mulher só me deixou mais alterada.  

 

-Mas não pode ficar assim, a corrida e na semana que vem, e tu ta ligada que o Maurício quer a Nina na mão dele antes. 

 

-Eu sei John não precisa me apressar, o Maurício e burro é tem que ser tudo planejado para não houver problema, ou tu  quer a policia atrás da gente? 

 

-Eu não tá doida! 

 

-Então tenho até o lugar planejado para isso. 

 

-Olha minha Bebel está mais habilidosa, assim que eu gosto. 

 

John veio se aproximando cheio de charme e fogo, minha boca ainda estava com gosto de álcool, bom ele não quis saber e me beijou e tentou tirar minha roupa, no fundo eu precisava disso e acabamos trans*ndo. 

 

 

Enquanto isso na casa: 

 

 

Tomávamos café eu Junior Vitão Anita Lívia e Marcele e silvana, nem sinal do Mauricio e o lugar da Nina estava vazio.  

 

-Não fique assim ela vai vim na sexta gente. 

 

Disse Anita tentando animar a gente. 

 

-Nos apegamos muito aquela baixinha. 

 

-E verdade Vitão está certo, mas como a Anita disse ela voltará. 

 

-Como o exterminador do Futuro.  

 

-Falo o Nerd. 

 

Vitão me deu um tapinha na nuca que fez todos rirem. 

 

-E tu Oliver tá de bode aí. 

 

-Um pouco vitão. 

 

-Querido o que foi isso no seu rosto. 

 

Marcele tocava minha pele ferida, resmunguei com o contato era inútil cobrir com a maquiagem.  

 

-Eu apenas me meti numa briga só isso. 

 

-Não foi com o Carlos foi ? 

 

Revirei os olhos. 

 

-Não foi com o Carlos Vitor. 

 

 

Fui o primeiro a me levantar e sair para mais um dia de trabalho iria para o museu, durante o caminho não pude deixar de lembrar da briga que tive com o Maurício, como ele estava dececionado comigo. 

 

 

FlashBlack: 

 

 

Mais um fiz de tarde estava eu caminhando em direção a praia quando um carro para ao meu lado, sem muita ação homens me pegaram e me jogaram dentro do carro, antes de pensar ser um sequestro eles me falaram que Gonçalo queria falar comigo, eu achei aquilo tudo muito estranho. Chegamos no lugar e eles me tiraram de dentro do carro, ainda me segurando fui levado para dentro de uma casa escura e sem moveis, eles só me soltaram quando estávamos de frente para o mesmo. 

 

-Que porr* e essa!  

 

Exclamei diante daquela situação, Gonçalo apenas se aproximou ficando de frente para mim. 

 

-Seu viadinho! 

 

E me atingiu com um soco que me fez cair, mesmo no chão ele não parou de me socar foram quartos socos, no final cuspia sangue. 

 

-Eu deveria te arrebentar todo! 

 

-Mas porque eu não nada! 

 

 

Seus homens me levantaram e ouvi as palavras raivosas saindo de seus lábios. 

 

-Você me passou o vírus da Aids!  

 

-Eu ? Isso e impossível, eu não tenho Aids!  

 

Ele gargalhou e me fitou furioso expelindo odio das entranhas. 

 

-Você acha que vou cair nesse papo, seu merd*. 

 

-E a verdade eu não tenho Aids!  

 

Gritei em seu rosto e em troca recebi um soco na boca do estomago que me fez me curvar, logo seus homens me arrastaram para uma mesa e me fizeram me sentar. 

 

-O que vocês vão fazer! 

 

-O que você acha tirar o seu sangue. 

 

Eles pegaram meu braço e amarraram no garrote para impulsionar a veia, senti quando a agulha entrou e no tubo de ensaio ficou o meu sangue vermelho escuro.  

 

Na volta quem me trouxe foi o Gonçalo, todo o caminho foi feito em silêncio ele me deixou no mesmo local aonde me pegaram. 

 

-Eu juro que se o seu teste de positivo eu venho atrás de você é te mato! 

 

Meu coração estava acelerado e minhas veias saltadas de tamanha raiva e insatisfação. 

 

-Ele não vai dá. 

 

 

Só de me lembrar as lágrimas rolam do meu rosto, eu precisava fazer alguma coisa, passei a manhã inteira no trabalho, na hora do almoço eu dei uma passadinha rápida na praia, e o encontrei surfando, estava lindo e sorridente.  

 

Ao me aproximar seu sorriso se desfez e a posse de homem hetero macho Alfa se fez presente. 

 

-Eu preciso falar com você. 

 

-Jura pois eu não tenho nada para falar com você. 

 

Maurício pegou sua prancha e se retirou indo em direção a oficina.  

 

 

Ao entrarmos notei que estávamos sozinhos isso era bom. 

 

 

-Você deve está pensando barbaridades ao meu respeito. 

 

Ele colocou a prancha no lugar e deu atenção para alguns desenhos, as gotículas de água desciam pelas suas costas e focavam apenas em sua sunga vermelha.  

 

 

-Ai Jesus. 

 

-Melhor você ir embora, Oliver. 

 

-Não eu vou te contar tudo mesmo que não queira ouvir. 

 

-E do que adianta não posso mudar o que houve. 

 

-E verdade Maurício você não pode mudar, mas e uma questão de carater e respeito a você. 

 

Ele se virou e olhou-me sério. 

 

-Respeito a mim? 

 

-Sim, respeito a nossa amizade. 

 

Como me doeu tocar no campo da amizade, era para esse homem ser meu! Bom vamos lá Olvier se concentra. 

 

Comecei a contar tudo o que vivi ao lado do Gonçalo, desde seu casamento fracassado até a sua filha que era doente, mas em nenhum momento pensei que sua filha fosse a Nina, depois de deixar isso bem claro contei o que me aconteceu, foi como se um peso saísse das minhas costas eu disse tudo, e no fim só restou o silêncio.  

 

 

-Diz alguma coisa Maurício! 

 

 

Ele estava pensativo e inquieto. 

 

 

-Como você é covarde Oliver, tenho pena de você. 

 

 

Eu e minha mãe ainda ficamos um bom tempo na delegacia, estávamos terminando de falar com o delegado quando um homem entra na sala com um policial, ao olharmos quem era me espantei. 

 

-Oliver ? 

 

-Oie Nina.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fim do capítulo


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