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Impulsos de Sinais por Sorriso

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Palavras: 1917
Acessos: 1610   |  Postado em: 19/11/2018

Capítulo 15

 

Na volta pra casa subi para descansar um pouco, ao entrar no quarto me deparo com a Bebel saindo do banheiro, ficamos naquele impasse e trocas de olhares, até que ela foi a primeira a quebrar nosso contado visual. Fiquei pensando no que Marcele me disse e não fazia nenhum sentido, no fundo a Bebel era do John, isso me deixava desmotivada e frustrada. 

 

Evitava voltar para a casa pois sabia que Nina estaria lá, tentei ser o mais rápida possível no banho, mas ao abrir a porta meus olhos se encontraram com os seus, eu sentia tudo ao mesmo tempo raiva frustração e odio, no fundo eu saberia que ela ficaria bem, e nada que o dinheiro não possa comprar.  

 

Não permaneci muito tempo no quarto sua presença me incomodava bastante, ao descer encontro com Silvana na cozinha, o recado que Marcele tinha me dado estava por um fio, eu sabia que aquele plano do notebook sendo encontrado pela Nina era obra da Silvana, pena que nem ela e nem eu ficaríamos com o premio final. 

 

-Que milagre você por aqui Bebel, faz tempo que não te vejo. 

 

-Minha presença deve ser admirada por caçadores, e não por cobras. 

 

Silvana me fuzilou com os olhos no fundo ela sabia muito bem do que estava falando, embora quisesse ficar ali jogando farpas e provavelmente acabar esbofeteando em cima da mesa, me controlei e me conformei em pegar uma maça e me retirar da cozinha, passando em seguida pela Marcele. 

 

Ao sair encontrei com Júnior mexendo no motor do carro que dividíamos, me parecia muito concentrado. 

 

-Preciso falar com você, vamos dá um role ? 

 

-Tá bom. 

 

Fechou o capo e entramos no carro, durante o caminho meu primo me confessou estar gostando da Anita, fiquei super feliz por ele, mas o mesmo não sabia se a mesma o queria.  

 

 

Ao chegarmos descemos do carro mesmo sendo pessoas completamente diferentes eu e Júnior possuímos interesses em comum. 

 

-Viemos longe hein! 

 

Brinquei com ele bagunçando seu cabelo. 

 

-A vista Chinesa e muito bonita (Vista Chinesa da Tijuca) 

 

-E verdade e um dos melhores lugares do Rio, o silêncio e a paisagem faziam meu coração vibrar.  

 

 

-Sinto falta da minha priminha arteira que deixava todos de cabelos em pé, agora você só se mistura com pessoas ruins. 

 

 

-Por favor Júnior, o John não é ruim ele... ele cuida de mim. 

 

 

O pesar e a lamentação que sentia naquele momento fazia meu coração se apertar, mas era o certo, não poderia voltar atrás. 

 

 

-A Nina vai voltar para a casa dela. 

 

 

-O quê por que ? 

 

 

O olhei sem reação, Júnior apenas olhava a imensidão que nos cercava, meu entristecido disse que a mãe precisava dela, mas que sempre estaria vindo aqui para visitar a gente.  

 

 

-Então o que queria me falar. 

 

 

-Pensei de a gente reunir o pessoal para uma festinha entre a gente, sabe bebidas maconha o do mesmo. 

 

 

-Sei lá não sei se vão concordar. 

 

 

-Vamos vai ser legal, pode chamar a Nina se quiser. 

 

 

Júnior riu. 

 

 

-Essa vai ser boa a Nina numa roda com o narguile. 

 

 

-Imagina, sei lá acho ela tão sem sal, ainda mais o narguile não vicia assim tão fácil.  

 

 

-Eu vou falar com a galera. 

 

 

-Ótimo, esse e meu priminho. 

 

 

O abracei forte e ficamos olhando ainda a vista privilegiada, antes de entrarmos no carro e pararmos em um barzinho qualquer.  

 

 

 

 

Estava me alongando enquanto Vitão se aproximava com sua prancha no braço, a fincou na area e começou a se alongar junto comigo. 

 

 

-A maré está alta. 

 

 

Indagou, olhei para os lados e não vi o Carlos. 

 

 

-O que procura, Mauricio ? 

 

 

-Seu bichinho de estimação, o Carlos. 

 

 

Respondi com ironia e o mesmo parou de se alongar e apenas fitou o mar. 

 

 

-Se foi pela noite de ontem, o Carlos estava bêbado. 

 

 

-Quem dera fosse por ontem, o Carlos e o tipo de pessoa que me parece agir assim com bebida ou sem me admira você está andando com pessoas como ele.  

 

 

-Velho quem é tu para falar do Carlos, qual é eramos um quarteto foda! Agora toda vez que o procuramos está com o Oliver. 

 

 

Peguei minha prancha e o encarrei. 

 

 

-Pelo menos o Oliver possui carater. 

 

 

E corri em direção ao mar me jogando por cima da prancha e nadando o mais longe que conseguia, a competição já estava chegando e gostaria de pegar o primeiro lugar.  

 

 

Passei a tarde toda com Anita Lívia  Silvana e Marcele arrumando a casa para o natal, gostava muito do natal embora na minha casa ficava cheia de pessoas desconhecidas, empresários e amigos do meu pai, ao cair da tarde foi para a praia ajudar a Silvana, enquanto bebia um pouco de suco avistava os garotos surfando ao longe.  

 

 

-Você vai vim para a festa da Marcele né ? 

 

 

-Sim.... pode contar.... com a minha....presença. 

 

 

Ao olhar para o calçadão avistei um carro muito parecido com o do meu pai, foi estranho pois ele não era de frequentar praia. 

 

 

-Nossa que sede, me ver um suco de melancia aí Nina, por favor. 

 

 

Maurício sempre fora um amor comigo, o servi sem tirar os olhos do carro preto, mas quando a porta foi aberta me surpreendi.  

 

 

-Oliver. 

 

 

-Oliver aonde? 

 

 

Maurício procurou com os olhos e segui os meus para onde olhava, logo o mais velho o viu. 

 

 

-Conhece o dono daquele carro Nina ? 

 

 

-E... conheço...é do... meu pai. 

 

 

Falei entristecida, durante as colocações dos enfeiteis de natal o assunto da vez foi Oliver, Anita como conhece muitas pessoas com Oliver não foi diferente, ela relatou que antes de ser um artista plástico Oliver foi garoto de programa junto com ela, ele atendia muitos homens influentes e ricos, mas ao vim para cá quis deixar seu passado de lado, por isso apenas fingiu não a conhecer a fundo.  

 

 

Maurício tomou o suco num único gole e caminhou em direção ao carro, logo me assustei por sorte meu pai havia arrancado com o carro, deixando Oliver para trás.  

 

 

-Oliver! 

 

 

Gritei seu nome mais o mesmo nem se quer se virou para me fitar, mesmo não sendo nada demais ver o Oliver saindo do carro do pai da Nina me deixou furioso. 

 

 

-Eu estou falando com você! 

 

 

O virei e pude notar um olho roxo, aquilo me tirou o chão. 

 

 

-O que aconteceu com você, foi aquela pessoa que fez isso não foi!  

 

 

-Me solta Maurício, você não tem o direito de me cobrar nada!  

 

 

Gritou Oliver, enquanto chorava copiosamente, que merd* eu estava furioso e queria saber a verdade e ao mesmo tempo abraça-lo e falar que tudo ficaria bem. 

 

Oliver passou na minha frente e começou a caminhar e eu o seguia, cobrando por respostas e uma possível ida ao pronto socorro.  

 

 

-Aquele cara que estava com você, era o pai da Nina. 

 

 

Ele parou de caminhar e olhou para trás assustado. 

 

 

-Quem te disse isso ? 

 

 

-Foi a própria, me diz por que ele te bateu ? 

 

 

-Deixa isso pra lá. 

 

 

Oliver estava irredutível ao chegarmos quase perto de casa o puxei, e fiz com seu corpo gelido se encontrasse com o meu.  

 

 

-Me diz porr*, por que ele fez isso com você. 

 

 

Acariciei seu rosto sem pensar direito, talvez fosse apenas empatia sei lá. 

 

 

Oliver fechou os olhos sentindo apenas o meu carinho, depois os abriu para me fitar. 

 

 

-Porque ele descobriu que está infectado. 

 

 

Franzi o cenho e me afastei de Oliver. 

 

 

-Infectado, que papo e esse. 

 

 

-O Gonçalo pegou o vírus do HIV. 

 

 

Levei as mãos na cabeça e tentava processar tudo rapidamente. 

 

 

-Você ele juntos ? Você tem Aids !? 

 

 

-Não Maurício, eu não tenho Aids, o que eu tive com o Gonçalo foi no passado, ele deve ter pego de outra pessoa. 

 

 

Olive veio se aproximando tentando tocar em mim, porém eu não deixei pela minha cabeça passava várias coisas ao mesmo tempo. 

 

 

-Eu já disse para não tocar em mim! 

 

 

O empurrei e sai correndo, corri o mais rápido que conseguia só de pensar os dois juntos me causava ânsia de vomito, e foi assim que ao parar de correr vomitei em seguida.  

 

 

 

Mais tarde estava tudo pronto para ir embora, me despedi de todas enquanto Rayssa me esperava dentro do carro, os únicos que não estavam ali era Bebel e Júnior, Marcele me abraçou forte era como se nunca mais nos víssemos.  

 

 

-Eu vou...voltar... na sexta. 

 

 

Aleguei e a mais velha se afastou chorando. 

 

 

-Isso não são lágrimas, são rios de glitters. 

 

 

Todos riram, ao entrar no carro acenei, séria apenas uma semana sem eles, mas para mim pareia um ano. 

 

 

Rayssa foi rápida na corrida era a mais feliz ali, ao chegarmos o porteiro arregalou os olhos e nos ajudou com a minha mala, Marcele fez questão de comprar umas roupinhas para mim antes de me deixar partir.  

 

 

Nada havia mudado o prédio ainda continuava com o mesmo cheiro, pegamos o elevador e meu coração dava pequenos pulos, ao pararmos no meu andar saímos. 

 

 

-A senhora quer que eu faço algo para o Jantar ? 

 

 

-Faça qualquer coisa Rosa, provavelmente o Gonçalo não vai vim jantar novamente. 

 

 

Estava na sala lendo o livro a caixa de pássaros enquanto Rosa fazia um leve esforço para me animar, durante todo o meu casamento amava dar coquetéis e jantares regados a vários pratos, mas hoje o que me restou foi um apartamento frio e solitário, a campainha foi ouvida e Rosa foi atender, estranhei a demora provavelmente fosse alguma vizinha. 

 

 

-Quem é Rosa ? 

 

 

Ouvi passos se aproximando da entrada da sala, seja quem for não era para mim. 

 

 

-Sou eu...Mãe. 

 

 

Levantei a cabeça e está guinei olhando para minha filha em pé com Rosa e Rayssa ao fundo, deixei o livro de lado e corri em direção a minha filha, a abraçando forte e beijando seu rosto todo.  

 

 

-Nina graças a Deus você voltou, eu sabia que a Rayssa iria te trazer de volta. 

 

 

-Rosa não fique aí parada, vá prepara o que a Nina quiser comer. 

 

 

-O que deseja comer menina ? 

 

 

Nina nos olhou e sorriu. 

 

 

-Pizza. 

 

 

-Então será Pizza! 

 

 

 

 

Já era a terceira latinha que pedíamos, enquanto Júnior estava entregue aos petiscos do barzinho.  

 

 

-Eu vou pedir a conta, falou limpando a boca com o guardanapo. 

 

 

-Claro pede lá. 

 

 

Ao terminar a cerveja avisto na mesa mais a frente uma mulher conhecida, ela ria e curtia tudo ao lado de outra mulher, foi quando a minha fixa caiu. 

 

 

Me levantei e fui até a mesa, Júnior tentou me impedir pois já era tarde demais. Ao me aproximar o grupo de garotas parou a conversa para me olhar, inclusive a cobra.  

 

 

-Você é a Emanuelle, a ex da Nina ? 

 

 

-Sim sou, você me conhece ? 

 

 

-De nome sim, mas minha mão quer te conhecer ainda mais. 

 

 

Fechei o punho e acertei um soco naquele rosto que a fez cair da cadeira, todas as suas colegas partiram pra cima de mim, e o resto foi uma chuva de tapas puxão de cabelo e xingamentos.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fim do capítulo


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