Capítulo 14
-Você tem certeza que isso vai da certo, Maurício?
-Tem que dar, relaxa você se mostrou um cunhado muito eficiente.
Maurício sorri, enquanto apertava meu ombro, dizendo que agi como um verdadeiro homem de verdade.
-Espero que você tenha um Plano, pois mexer com pessoas assim da cadeia.
Ele caminhou até a porta se certificando que a Bebel tinha ido embora, depois voltou a atenção pra mim.
-Esse homem matou o meu pai, e nem se quer parou pra socorrer. Minha mãe achava mesmo que a justiça iria ser feita, pobre dela. Mas venho esperando por esse dia a anos, o babaca nem deve se lembrar desse dia.
- Você me prometeu uma parte do dinheiro, quero ir logo embora desse lugar com a Bebel.
-Você ama mesmo a minha irmã né?
-Muito.
Caminhei pela rua pensativa e olhando pras pessoas se divertindo, aquilo era tão errado, mas é a minha salvação. Poder recomeçar longe daqui, ser novamente quem eu sempre fui.
Passei aquela noite conversando com a Rayssa sobre a minha volta pra casa, a mesma se animou e disse que viria me buscar. Olhei pro grupo de pessoas que me acolheram com tanto carinho, não séria justo sair assim, me levantei e caminhei até a cozinha, encontrando Marcele sentada escrevendo.
-Muito... ocupada ?
- Não querida, apenas listas de compras pra amanhã, e provavelmente coisas pro Natal.
-Será que...posso ir ....com você?
-Claro, será um prazer.
Estava concentrando no jogo quando Junior Carlos e vitao se aproximaram.
-I qual é meu mano, casaquinho rosa.
-A Carlos deixa o Maurício em paz.
Respondeu Junior ajeitando os óculos e olhando minha jogada.
-Cara rosa e coisa de viado!
Aquilo estava me incomodando, mas a última frase do vitao me deixou mau morado, larguei o taco na mesa e me afastei.
-Sei não o Maurício está andando muito com esse Oliver, daqui a pouco vai está desconhecendo que nem ele.
-Está enganado Carlos, Oliver não me parece uma donzela.
-Mas que é estranho isso é.
-Será que dá pra parar com isso, vamos jogar.
-Iala Carlos tu viu isso o nerd quer jogar com a gente, pensei que teu lance fosse os quadrinhos.
-E verdade, mas pensei que teu lance fosse as bolas, já que fala tanto em gay.
Vitao se pois na minha frente antes que Carlos avançasse.
-Escuta aqui seu merdinha, está insinuando que sou frutinha!?
- Eu joguei apenas a rede se ela fisgou o peixe disso eu já não sei, pois ele pode escapar saca.
-Para Carlos e tu também Junior, somos amigos pó, vamos apenas ficar em paz e jogar.
-E tu tem razão Vitao, vamos jogar.
Carlos me olhava desconfiado, mas não estava nem aí.
Estava sentado do lado de fora, enquanto pensava na minha vida, quando escutei barulhos vindos lá de dentro da garagem.
Ao entrar notei o cheiro de cola quente e uma tralharada de coisas jogadas.
-Pra uma pessoa organizada isso aqui está uma zorra!
Sorri me aproximando de Oliver que estava concentrado naqueles cacos de vidros.
- Eu não tive tempo pra arrumar.
Olhei atentamente e tudo me parecia uma bagunça.
-O que é tudo isso?
-Ah isso é uma fênix, ainda não está pronta.
A escultura era toda de vidro, sendo de duas cores uma amarelada e a outra cor de abóbora.
-Ainda falta compra as luzes de led.
-Pronto isso tudo vai parecer um carnaval agora!
Oliver rir e acabo o ajudando naquela bagunça.
- Que bom que está melhor da ressaca.
-E eu estou.
Paralisei ao ver que Maurício tirava o casaco, deixando a mostra a pele bronzeada e os gominhos do abdômen a mostra.
-Está tudo bem Olive ?
-Oi? Sim sim claro, só que você tirou o casaco.
A voz falha deixou a última frase quase inaldivel.
- Eu só não quero que suje.
Maurício voltou a arrumar a garagem pra mim, enquanto eu tentava me concentrar no trabalho depois do que vi.
- Como pode achar beleza nesse monte de lixo!
-Tudo pode ser restaurado, mas depende da qualidade dos objetos, o que pode ser feio pra uns e bonito para os outro.... aiii
-O que houve ?
Maurício veio correndo e pegou no meu dedo, havia me queimado com a cola quente, ele me levou até o tanque e lavou meu dedo com água corrente.
-Você não sabe nada de primeiros socorros né?
Sorri enquanto seu corpo estava perto demais, as gotículas de suor desciam pelo seu pescoço, devido a falta de ventilador no ambiente.
- Eu sei que tenho que pegar...
Ficamos nos olhando por uma fração de tempo, aquele olho no olho e o barulhinho das nossas respirações, temia que ele ouvisse as batidas do meu coração.
-Tem que pegar?
-Mulher!!
Ouvi a voz grossa e preconceituosa do Carlos na entrada, Maurício se afastou de mim, e caminhou até o trio.
- Que que tá rolando aí ?
- Não te interessa Carlos, Oliver eu vou pegar o gelo e a pomada.
Maurício passou no meio dos amigos, enquanto Carlos parecia está bem alcoolizado.
- Tá olhando o que viadinho ? Quer a minha pika dura dentro de você.
E desceu a mão pro seu órgão sexual.
Foi questão de segundos pra Maurício desferir um soco em seu rosto, que o fez cair em cima do lixo.
-Faça isso de novo que eu juro que acabo com você!
Junior e vitao seguravam Maurício, enquanto Carlos se levantava todo sujo e o fuzilando com os olhos.
-Você me bateu por causa desse viadinho! Está tendo um caso com esse ser imundo.
Junior e vitao não conseguiram deter Maurício novamente, e mais uma vez Carlos levou outro soco, mas desta vez revidou. Foi quando me aproximei afastando Maurício do trio.
-Você ficou maluco? Não pode sair resolvendo as coisas no soco.
-Se fosse comigo você faria o mesmo.
Ele me olhou e sorriu, apesar do rosto machucado.
-Tem razão eu faria, agora nós dois precisamos de gelo.
Sorrimos e entramos em casa novamente, por sorte todos estavam deitados.
Acordei e não encontrei Bebel na cama ao lado, talvez seja melhor assim, me arrumei e desci encontrando com todos na mesa de café da manhã.
Marcele Silvana Junior Vitao Oliver Maurício e Lívia e Anita.
-Bom dia... família.
Todos se espantaram ao ouvir eu os chamando de família, mas Junior tratou de jogar uma piada e todos riram.
Apesar de boba a piada havia um teor de racismo que foi logo protestada pela Marcele.
-Cadê Bebel Junior?
-E tia sei da minha prima não.
Maurício foi o primeiro a se levantar alegando que tinha que ir treinar pro torneio da semana que vem.
Silvana se levantou também, sem antes me lançar seu olhos de depois nos falamos.
Ficando apenas eu Marcele Junior Oliver Lívia e Anita.
-A conversa está muito boa, mas eu e Lívia vamos da um rolê, dia das meninas hoje, quer vim Nina?
- Eu e a Marcele.... vamos sair... Mas mesmo.... assim obrigada.
-Tudo bem então.
- Eu vou trabalhar em um novo quadrinho. E tu Oliver vai ficar aí com as meninas.
- Adoraria, mas não posso.
Oliver e tão autêntico não deixa a peteca cair em meio às noias dos garotos. Foi o último a se levantar e levar sua xícara pra cozinha.
-Melhor irmos Nina, não quero chegar na hora da Xepa.
Marcele levou seu carrinho de feira e saímos, enquanto caminhávamos perguntava o que era xepa.
-Xepa e o final da feira, os comerciantes vendem tudo baratinho, e as vezes fica um vucuvuco frenético, e não quero que acabe se machucando.
-Você... E muito gentil... em se... preocupar.... comigo.
-Me preocupo com todos, e um prazer poder cuidar de todos vocês. Mas me diga o que queria falar comigo ?
Na verdade não sabia por onde começar não queria magoar a Marcele.
-Minha mãe... precisa de mim.
-Sabe criança, as pessoas hoje em dia elas cobram muito uma das outras, em qualquer área da vida. As vezes elas pensam tanto em uma só coisa, que acabam não dando valor pras outras. Quando você chegou na minha casa, em nenhum momento me passou pela cabeça te por na parede pra saber suas origens, eu tenho o dom de ler as pessoas.
As palavras da Marcele me confortava, e me senti mais leve para contar como estava me sentindo.
- Essa minha... deficiência me limitou... bastante, me priva... de muitas coisas.... e sei que no fundo eu pensava.... que era um... peso pra minha família,.... o meu pai sempre.... pensa nos negócios e me colocava ....em eventos... apenas pra se sentir... caridoso, a minha mãe.... vivia mais fora do que ....dentro de casa,... e as pessoas ...sempre riam.... de mim, ou tem pena..., mas estar com... vocês me fez.... ter outra.... visão e a Rayssa... me ajudou... também.
-Nem tudo se aprende em sala de aula né.
Sorrimos e chegamos na feira, nunca havia estado numa feira antes me sentia uma ET.
-Mas... não vou...abandonar vocês... prometi a Silvana... ajudá-la.
-Querida não fico triste com a sua escolha, se sua mãe precisa de você e o mínimo que pode fazer como filha, e se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai até Maomé.
Passamos por entre as pessoas e algumas olhavam feio pra Marcele, no fundo mesmo não falando os olhares de desprezo e preconceito das pessoas estavam nítidos.
-Você não tem....medo?
-Medo eu tenho, mas não posso me esconder criança, o que eu sou não pode ser apagado, a sociedade não precisa me aceitar, eu precisei me aceitar.
-Você estuda psicologia né?
-Sim... pretendo voltar!
-As vezes você precisa está do outro lado pra entender o ser humano literalmente, muitas pessoas jogam com as cartas que tem, como no jogo de xadrez.
Fim do capítulo
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