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Impulsos de Sinais por Sorriso

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Palavras: 1677
Acessos: 1890   |  Postado em: 05/10/2018

Capítulo 13

 

Ao entrar no quarto me deparei com Nina com o tablet nas mãos, e sua voz carregada de magoa e desconfiança me atingiu em cheio.  

 

-Nina eu... 

 

-Me diga...a verdade...uma vez na...sua vida. 

 

 

Fechei a porta atrás de mim e caminhei em sua direção, mas a mesma se afastou e com razão. 

 

 

-Eu não roubei seu tablet, mas conheço os homens que roubou suas coisas. 

 

 

Seus olhos confusos me fitavam enquanto estava confusa em meu interior, mas uma hora a verdade precisava ser dita. 

 

 

-Você é....  a chefe deles? 

 

 

-Não... mas conheço bem o chefe deles, acha que vim parar aqui como Nina?  

 

 

 

Muito desconfortável com essa nossa situação, deixou o notebook em cima da cama e caminhou até a janela.  

 

 

 

-Eu te.... contei tudo! Mesmo você...sabendo de...tudo. 

 

 

 

Me lembrei daquela noite no apartamento da sua mãe, e como conversamos sobre várias coisas inclusive sua vida.  

 

 

 

-Eu estudei você Nina, desde o primeiro dia você me chamou a atenção, então como estava sem nada pra fazer acabei me aproximando de você. 

 

 

 

Nesse instante seus olhos me desafiavam, Nina poderia ser frágil em vários aspectos, mas seu olhar intenso e frio destruía qualquer um. 

 

 

 

-Eu sabia que uma hora ou outra você iria descobrir, mas não pensei que fosse ser agora ou assim, tinha muitos planos. 

 

 

 

-Planos!? 

 

 

 

-E planos, sabe de outras coisas a mais, qual é Nina você sabe ao que me refiro. 

 

 

 

Cheguei mais perto da mesma, enquanto tentava controlar tudo que estava sentindo dentro de mim.  

 

 

 

-Eu sei do meu poder, e sei o quanto o meu corpo mexe com você. 

 

 

 

Seu silêncio me deixou apreensiva e seus olhos apenas me encaravam, e a boca entreaberta me colocava a beira do abismo que estava prestes a me jogar e leva-la comigo.  

 

 

 

-Você não é... a Bebel que...conheço! 

 

 

 

-Ah não? Nina você só enxergou o que queria, agora que a minha mascara caiu está me vendo como realmente sou.  

 

 

 

-Mas e o....John? 

 

 

 

-O John e eu estávamos distantes por causa dos negócios, mas hoje voltamos. 

 

 

 

Nina maneava a cabeça não acreditando em minhas palavras, seus olhos encontraram os meus e estavam tristes.  

 

 

 

-Você me... defendeu. 

 

 

 

-Sim defendi, mas e por causa da sua deficiência, ficaria feio pra mim né, e tirando a sua dúvida. 

 

 

Afastei os cabelos e mostrei o ch*pão que John havia deixando em minha pele, e isso resultou em uma fúria interna vinda da menos, seus olhos logo se desviaram e a porta foi aberta em seguida. 

 

 

 

-Nina, a Marcele está chamando você, está tudo bem aqui? 

 

 

 

-Estou indo...Sim está. 

 

 

 

Fitei a mulher parada na porta e a reconheci ela estava com a Emanuelle na bomba de gasolina, quando a porta foi fechada Nina voltou a dá atenção pra mim. 

 

 

 

-Pelo menos nisso... A Emanuelle....ganha de você! 

 

 

 

Pude ver seus olhos se encherem de lagrimas, e acompanhei seu afastamento até a saída do quarto.  

 

 

 

Desci as escadas não sei como, ao chegar na mesa quase todos estavam reunidos, ao me sentar Rayssa me perguntou se estava tudo bem, apenas assenti com a cabeça. 

 

 

 

-Cadê o Oliver e o Mauricio? 

 

 

 

Perguntou Junior se servindo de mais macarrão. 

 

 

-Estão no quarto, acredito que a ressaca do Mauricio não seria bem-vinda, ainda mais com a visita da amiga da Nina.  

 

 

 

Estava descansando quando Oliver entrou no quarto com uma bandeja de sopa de legumes.  

 

 

 

-Levanta aí Macho Alfa. 

 

 

-Desde quando você se tornou engraçadinho? 

 

 

 

Coloquei a bandeja em sua cama enquanto o mesmo debochava do meu bom humor, me sentei na cadeira ao lado acompanhando sua alimentação.  

 

 

 

-Se reinventar e o que sei fazer de melhor. 

 

 

 

Mauricio estava bem melhor da ressaca e isso me deixava mais tranquilo, quando se bebe muito pessoas acabam fazendo e falando coisas pressas em seu interior, mas não gostaria de ser apenas um minutos  em sua vida. 

 

 

 

-Parece minha mãe me vigiando comendo. 

 

 

 

Sorri com sua observação, mas aquele casaquinho rosa o deixava mais fofo. 

 

 

 

-Me comparar a um gênero feminino não me ofende sabia, o homem está fardado a seguir um grupo de regras de como ser Macho, mas alguns possui uma beleza feminina detalhista e elas aos poucos se perdem, por exemplo você entende de poesias e isso não lhe torna mesmo homem.  

 

 

 

Mauricio terminou de comer e ainda me encarava sentado em sua cama, me deixou falar à vontade, mas estava disposto pra vê-lo retrucar.  

 

 

 

-Você não se incomoda de te xingarem? 

 

 

 

 

-Quando se está bem consigo mesmo pra que brigar, a tantas maneiras de aproveitar essa energia do que socando um ser humano diferente de você. 

 

 

 

Mauricio ficou pensativo e se levantou e caminhou até a janela. 

 

 

 

-Ontem na balada no início parecia o certo que estava fazendo, mas beijar várias mulheres em uma noite só não me tornou o fodão, até porque, quem está cuidando de mim e você.  

 

 

 

Fiquei sem palavras por um momento enquanto seus olhos me encaravam não por muito tempo, será que aquilo era uma maneira de se declara ao seu lado Machão.  

 

 

 

-Só não vá chorar Ursinho. 

 

 

 

-Não...Claro que não. 

 

 

 

Depois do almoço fui conversar com a Silvana pra mostrar o Layout pronto, como esperado a mesma amou.  

 

 

-Você é incrível! Vamos vender bastante na competição. 

 

 

 

-E sobre isso... que vim.... conversar.... vou voltar pra...casa. 

 

 

 

-Vai nos deixar Nina? 

 

 

 

Silvana se aproximou e tentava me confortar, afirmei que estaria no dia das vendas e que sempre estaria vindo aqui, mas minha mãe precisava de mim. 

 

 

 

Recebi seu abraço apertado querendo ou não agora havia deixado minha marca naquela casa, conheci o que era amizade companheirismo e uma família de verdade. 

 

 

 

No final da tarde ficamos na área da piscina ouvindo músicas e rindo das piadas do Júnior, estavam quase todos reunidos menos Bebel.  

 

 

 

-Anita! 

 

 

 

-O que é Júnior se vier com suas piadas pra cima de mim eu juro... 

 

 

 

Ele estendeu uma caixa e sorriu. 

 

 

 

-Vamos aceite. 

 

 

 

Peguei a caixa e a levei até a mesa, estava bem embrulhada ao abrir levei um susto, e fiquei sem reação. 

 

 

-Um... notebook! 

 

 

 

-Não só um notebook, e um Dell cinema com streaming e áudios incríveis.  

 

 

 

-Eu não sei o que dizer Júnior. 

 

 

 

-Não precisa dizer nada, agi como um tapado com você é isso foi devido a sua coragem de não abandonar seus estudos apesar dos pesares.  

 

 

 

-Você é um tapado! Mas um tapado muito querido por mim. 

 

 

 

O abracei e todos aplaudiram, Vitão foi o primeiro a gritar que seria o padrinho do casamento.  

 

 

 

Isso me deixou sem graça enquanto Júnior falava que nada a ver, que somos apenas amigos e tal.  

 

 

 

Marcele ainda estava terminando sua colcha de crochê, uma mulher sabia e muito experiente que me acolheu sem perguntar nada.  

 

 

 

-Quer perguntar alguma coisa querida? 

 

 

 

-Está animada... com o niver ? 

 

 

 

-A querida uma vez borboleta sempre borboleta! 

 

 

 

Acabamos rindo nisso Bebel desceu com uma expressão nada animada, passou por nós e saiu. 

 

 

 

-Essa menina está cada vez mais estranha. 

 

 

 

Disse Marcele seu celular tocou e ao pegar se levantou se afastando, ficando apenas eu e Raissa. 

 

 

 

-Essas pessoas são muito legais Nina, e uma pena você querer ir pra casa. 

 

 

 

-Quero que... minha mãe.... as conheça! 

 

 

 

-Aló ? 

 

 

 

-Filho sou eu sua mãe. 

 

 

 

Era estranho ouvir minha mãe me chamando de filho, mas a mesma ter me ligado foi um grande avanço. 

 

 

-Que saudades mãe, está tudo bem com você ? 

 

 

 

-Sim graças a Deus, só liguei pra saber como você está! 

 

 

 

Depois que meu pai descobriu minha sexualidade e me expulsou de casa, proibiu minha mãe e meus irmãos de terem qualquer tipo de contato comigo. 

 

 

 

-Estou bem mãe, e com saudades de todos. 

 

 

 

Nessa hora a ligação caiu, não me atrevi a ligar novamente pra não prejudicar a mesma, apenas fiquei na cozinha com o celular ainda nas mãos, e um sorriso de orelha a orelha. 

 

 

 

 

Marquei com John no mecânico do qual costuma ficar, mas ao chegar notei que não havia ninguém, mas mais ao fundo escutei vozes. Ao entrar na sala estava escuro porem as luzes se acenderam revelando John Caio chefe da boca e Mauricio meu irmão.  

 

 

 

Meu corpo gelou na hora como assim o John havia preparado uma emboscada pra mim. 

 

 

 

-Armou pra mim John!? 

 

 

 

-Não Bebel não é nada disso, apenas os chamei pra gente terminar logo com tudo isso, e seguirmos nossas vidas. 

 

 

 

Estava devendo uma grana preta pro Caio, enquanto o Mauricio estava disposto a vingança. 

 

 

 

-Caio vai ficar com o dinheiro da corrida, em troca vai te deixar em paz, e o seu irmão você sabe quem ele quer. 

 

 

 

-Você me entrega ela ou vou ter que pega-la a força. 

 

 

 

Olhei pro trio a minha frente estava cansada de fugir e dever. 

 

 

 

-Eu a entrego!  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fim do capítulo


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