Sempre é bom ter certeza!
“Vai!”. Era o que o olhar de Theodora lhe disse... E foi o que ela fez.
- Rebeca! – Gritou Isadora ao adentrar a enorme casa.
Porém, Beca não parou. Continuou a andar em direção ao seu quarto. As palavras de Penélope ecoavam em sua mente: “Uma mulher mimada, sustentada pelos pais! Que brinca com os sentimentos de todos, achando que está escrevendo um roteiro! Você é má! Destrói tudo e todos por onde passa!”.
- Desculpa Lauren... Que bela irmã mais velha você foi arrumar. – Sussurrou tão baixo, quanto o vazio que sentia dentro de si. – Eu jamais deveria ter permitido que você participasse disso! Jamais...
Na hora em que a porta de seu quarto abriu, revelando a presença de sua nova amiga, Rebeca deixou-se cair em um choro compulsivo.
Isa fechou a porta no automático e correu em direção da ruiva. Segurando-a em seus braços.
- Vai ficar tudo bem... – Sussurrou no ouvido de Beca, sem ter certeza de que ela havia ouvido.
Aos poucos Rebeca foi se acalmando nos braços daquele ser, que estava se revelando encantador para a ruiva. Assim que sentiu o corpo de Beca relaxar, Isa as conduziu até a cama.
- Você quer que chame alguém, Rebeca? – Perguntou preocupada, nunca imaginou que a ruiva pudesse chorar, muito menos, que sentisse.
- Não, por favor, não chame ninguém... Não quero que me vejam assim, Isa. – Respondeu sem encarar a morena.
- Bom, sendo assim...
Rebeca acompanhou todo o movimento de Isadora, que tirou os tênis e se acomodou na cama, encostando suas costas na cabeceira. Logo em seguida, a ruiva, sentiu seu corpo sendo puxado de encontro ao outro que estava quente.
- O que está fazendo? – Perguntou incrédula.
- Ora, é isso que amigos fazem! Agora fica quietinha que vou te abraçar e acariciar seu cabelo. Na amizade definimos isso como, “eu estou aqui”, “eu me importo com você” e “irei esperar o seu tempo”. Caso você nunca tenha presenciado uma cena, entre amigas! – Isa brincava com as palavras e isso trazia conforto para Beca.
- Você é a “bobice” em pessoa! Não sei se você notou, mas eu interajo com outros seres da mesma espécie que a minha... – Encarou-a.
- Sempre é bom ter certeza! – Sorriu para ela.
- Chata! – Falou sorrindo ao encarar Isa nos olhos.
- Enjoada! – Respondeu.
§
Olavo achou melhor levar Pablo para casa. Sabia que seria o correto no momento. Os dois rapazes de despediram das mulheres e seguiram em silêncio em direção ao carro.
Cecília que ainda estava sendo segurada pelos braços de Theo, revezava o olhar entre sua mãe e Penélope. Notou como Roselly estava encarrando sua tia de uma forma compenetrada.
- Mas o que foi isso, Penélope? – Indagou séria.
- Essa menina tem que ter limites! – Falou sem tirar os olhos de Rose.
- Creio que não seja somente ela.
- O que quer dizer? – Perguntou uma Penélope confusa.
- Que é melhor você se retirar. A Rebeca é minha filha e sei muito bem quem ela é! Conheço todas elas, todas as três... – Era a primeira vez, desde que Rose se recuperou, que Cecília ouvia a menção indireta de Lauren.
- Conhece mesmo? – A raiva era perceptível no olhar de Penélope. – Por causa dela a Lauren está morta! – Esbravejou como se estivesse guardando aquilo há milênios. – Ela é uma maldita...
Apenas um som pode ouvir-se depois daquela última frase. Cecília encarou a cena incrédula. A mão de Rose continuava no ar, enquanto o roto de Penélope havia feito uma curta rotação lateral. Ambas as irmãs olhavam para o chão, nenhuma ousou levantar o olhar.
O silêncio parecia um véu, em tons frios, uma leve brisa que as inebriava. Sendo quebrado apenas pelo calor dos dois corpos abraçados que presenciavam aquele enredo.
- Vou dizer isso só dessa vez... - O tom de voz de Roselly era amedrontadoramente calmo. – Nunca mais fale da minha filha! Ouviu Penélope?
Mais nada fora dito. Nem os olhares se encontraram. Penélope apenas saiu, sem nada dizer, sentindo o calor em sua face.
Rose seguiu em direção a casa. Theo pegou na mão de Ceci, e sem dizer nada, seguiu atrás de sua sogra.
***
2 anos atrás.
- Lauren eu já falei que você não vai! – Rebeca falava estarrecida.
Fazia um tempo que Rebeca planejava isso. Iria viajar com seu pai, com a desculpa da briga que teve com sua mãe e aproveitaria para vigia-lo.
- Qual é Beca! Me deixa ajudar, se o papai tá traindo a nossa mãe, eu quero saber! – Falou decidida ao encarar os olhos verdes de sua irmã mais velha.
- De nós três, você é a mais decidida, né! Como pode... Cecília é o amor em pessoa... Você parece que tem a vontade do fogo por dentro...
- E você a nossa guardiã! – Completou Lauren com um imenso sorriso, pois Rebeca sempre seria sua super-heroína.
- Não pense que irei te deixar ir! – Sorriu sarcástica da cara que sua irmã vez.
- Vai sim Beca! – Falou determinada.
- Como pode ter tanta certeza? – Indagou curiosa.
- Porque eu sou seu “grilo falante”. – Abraçou a irmã. - Sou sua consciência e você sabe disso! – Piscou divertida.
- Você não vai desistir, mesmo?
- Claro que não, sou a determinação, esqueceu?
Ambas gargalharam juntas.
- Tudo bem. Você venceu pela insistência! – Falou Beca.
- Não iremos contar para a Ceci? – Questionou Lauren.
- Quero ter certeza... Depois da briga que tive com a mamãe, acho que é o melhor.
- Bom, então me deixa ir arrumar a mala!
- Espera ai... Quando vai contar para a mamãe do seu amor? – Perguntou Beca.
- Ah Beca... Temos todo o tempo do mundo! – Piscou feliz para a irmã.
E foi com um lindo sorriso que se despediram...
Rebeca já estava deixando o Hospital Central de Coronado, quando foi abordada por um enfermeiro que estava sem folego, devido à corrida. O rapaz informou que uma mulher havia chegado ao hospital em trabalho de parto. Rebeca seguiu rapidamente o enfermeiro, enquanto mandava uma mensagem para Lauren.
“Me espera em casa! Deixa que o papai vá sozinho. Te Amo, minha chata.”
Assim que teve certeza, que tanto a nova mamãe quanto o bebe estava bem, Rebeca seguiu em direção ao seu consultório. Não teve tempo de sentar, pois a porta foi aberta por uma Isa assustada. Beca pensou como podia existir um ser tão lindo, mas o encanto do momento se quebrou com o que estava por vir...
- Beca a Lauren...
Os olhos de Isadora já diziam tudo. Rebeca praticamente voou na mulher.
- Onde ela está?! – Falou num folego só.
- Ela...
- Isadora!
- Ela e seu pai sofreram um acidente, na saída da cidade... – Isa parou de falar quando notou que Rebeca estava em choque. – Beca...
- Onde ela está Isadora! – Exclamou enfurecida.
- Vindo pra cá...
Isadora não deixou que ela saísse.
- Beca o carro pegou fogo... Ela estava dentro... Quando os bombeiros chegaram.
Rebeca sentiu seu corpo gelar, um frio indescritível apoderou-se aos poucos de cada molécula do seu ser.
- Qual a porcentagem de corpo queimado? – Perguntou ainda de costas, mantendo a cabeça baixa.
- Eu não tenho certeza... – Tentou desconversar, mas Rebeca lhe olhou, de uma forma tão longe da humanidade... – Pelo que nos foi reportado, o lado esquerdo do corpo está, - buscava palavra, que não vinham – irreconhecível.
Rebeca só sentiu que voltou a respirar, quando pode estar ao lado de Lauren. Antes disso, tudo pareceu um borrão em sua mente.
- Oi pequena... – Sussurrou no ouvido direito de Lauren.
- Be...ca... – Tentou se comunicar.
- Não fala meu amor... Você vai ficar bem! – As lágrimas corriam sem sessar e aqueciam aquela sala fria.
- Fui...ela a... – O esforço era notável.
- Calma, não se esforce. – Tentava confortar sua irmã.
- Ela tava lá... Ela...
Quando Rebeca começou a entender, que Lauren queria lhe dizer algo, os médicos chegaram e a tiraram de lá.
***
A porta foi aberta sem muita cordialidade, dando a visão de Beca aconchegada nos braços de Isa. Ambas se assustaram e acabaram por se soltar. Enquanto Isa colocava os tênis, Theo sorria divertida para a amiga.
- Filha... Me perdoa por não ter lhe dado o cuidado de uma mãe! – Rose abraçou a filha.
Rebeca encarava Cecília por cima do ombro de sua mãe. E ficou parada aceitando aquele gesto de reconciliação.
- Sua tia passou de todos os limites. – Falou ao encarar aqueles olhos que possuíam a mesma cor que os seus.
- Ela não falou nenhuma mentira. – Rebeca levantou se desvencilhando do contato com sua mãe. – Acho que tem gente demais nesse quarto! Não querendo ser estraga prazer, é claro.
- Tudo bem minha filha... Já tivemos emoções demais por hoje. – Olhou para Theo e Ceci. – Vocês ficarão para o jantar?
Theodora respondeu antes de Cecília.
- Infelizmente nós já temos um compromisso inadiável. – Respondeu com um belo sorriso. Cecília ficou curiosa, mas não disse nada. – Quer que eu chame um táxi, Isa?
- Não precisa Theo. Estou com o carro ali fora.
Antes de deixar o quarto, Theodora fixou seus olhos no de Rebeca e falou:
- Ótimo, assim a Beca vai com você! – Rebeca olhou para aqueles olhos azuis sem entender. – Desculpa não estender o convite para você Elly, mas é que vamos dar inicio a sessão dos quatro. – Sorriu divertida.
- E o que seria isso? – Perguntou Roselly curiosa.
- Vamos eleger quatro filmes para virar a madrugada! – Respondeu com um lindo sorriso.
- Opa, tudo bem então... Aproveitem a noite crianças! – Beijou cada uma delas e se retirou.
Assim que Theo entregou o capacete para Ceci, a ruiva questionou:
- Mas o que foi isso Theo? – Perguntou curiosa.
- Também estou querendo saber...
Cecília apenas estreitou os olhos, sua namorada estava desconfiada de algo, era nítido, esperaria Theo lhe falar, confiava sua vida a ela.
Fim do capítulo
Oi pessoas!
Sem promessas...
Bom Find.
<3
Comentar este capítulo:
Mille
Em: 04/11/2018
Oi senhorita saudades viu Ka
Será que a Penélope era a amante????
Bjus e até o próximo capítulo
Resposta do autor:
Oiiii Mille
Fiquei com medo do "senhorita", hahahahahaha
tmbm estava com saudades, tanta q voltei <3
Bora descobrir qual o caso no passado da Titia ai...
ashuahsuahs
Bjao Mille, se cuida!! Até...
0/
Livs
Em: 04/11/2018
Eu amei o prólogo! Mas, acho que as coisas acontecem muito rápido. Sem muitos detalhes dos personagens,da estória. Os capítulos são muito curtos. Você escreve muito bem, português impecável.
Adorei as pensonagens, a estória, agora só enriquecer mais os capítulos!
É apenas uma crítica construtiva. Gostei muito mesmo do que li e queria mais e mais rs.
Beijos
Resposta do autor:
Oi Livs
Primeiro quero lhe agradecer pela crítica!! Se todos tivessem a intenção de usar a crítica como algo construtivo, as pessoas seriam melhores. Então muito obrigada.
Bom, eu n sei se melhorou, mas eu tomei mais cuidado na hora de escrever... É que na minha mente tudo acontece muio rápido, ai foco no dialogo e esqueço, que vcs, não veem como eu vejo as cenas... ahahahahahah
Espero que essa vontade de ler mais e mais continue... 0/
Bjao e mais uma vez Obrigada!!
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