Amém! Também amo o Senhor.
Os corpos estavam unidos, cobertos apenas pela jaqueta da loira. Entrelaçados, formando um só ser. Mas o frio da madrugada acabou por despertar a bela mulher de olhos azuis, que não sabia se continuava sonhando, ou, sonhava acordada! Suspirou ao perceber como Cecília estava abraçada a si... Parecia que tinha medo que Theo a deixasse.
- Jamais te deixaria meu amor... Não precisa ficar nessa posição! – Falou baixinho para não desperta-la.
Sentiu o frio do orvalho em seus pés ao levantar e pegar Cecília em seus braços. Sorriu ao constatar como sua amada tinha o sono pesado. Foi caminhando com cuidado, a sensação de tê-la ali e protege-la, não tinha definição. Entrou pelo ateliê e seguiu em direção as escadas.
Assim que colocou sua mulher na enorme cama, teve seus olhos capturados por aquele par castanho. Sorriu e sem falar nada foi em direção ao banheiro tomando uma ducha rápida. Ainda bem que sua casa era bem protegia, o que os vizinhos iriam pensar quando vissem uma mulher nua carregando outra no colo! Riu com a constatação. Ao voltar para a cama não se conteve.
- Estava fingindo esse tempo todo? – Sorriu Theodora ao constatar que Cecília esteve acordada durante todo o trajeto.
- Lembra quando a Isa fez aquele porre e você a carregou nos braços? – Sorriu carinhosa.
- Lembro!
- Eu fiquei imaginando como seria ser carregada por você...
Theodora sorriu carinhosa para sua mulher e lhe trouxe para perto de si.
- E como é ser carregada por mim? – Cecília suspirou e se aconchegou mais ao corpo de Theo.
- Ainda não consigo definir...
Ambas sorriram e aos poucos voltaram a dormir.
§
Isadora entrou no estabelecimento e qual não foi sua surpresa ao encontrar Rebeca sentada tomando um cappuccino. Andou calmamente em sua direção.
Novamente percebeu que a ruiva estava distraída. O que será que estava acontecendo para deixa-la assim? Afinal, Rebeca nunca foi uma pessoa solitária. Isadora lembrava-se muito bem da forma divertida como a ruiva levava a vida, sem se importar muito com as pessoas.
Sentou-se na frente da ruiva, esperando ela lhe olhar.
- Senhor amado, Isadora! – Disse impaciente!
- Amém! Também amo o Senhor. – Deu uma leve debochada.
- O que pensa que vai conseguir vindo aqui? – Rebeca ainda não havia lhe olhado.
- Como você sabia que era eu? Nem me olhou ainda! – Perguntou curiosa.
- Já ouviu falar em visão periférica? Que tipo de médica é você? – Rebeca jamais admitiria que o perfume de Isadora era inconfundível!
- Eu cuido de corações, não de olhos! – Brincou e sorriu ao ver que havia atraído a atenção daqueles olhos para si.
- Tudo bem Isadora, você venceu... – Falou recostando-se no estofado do banco.
- Venci? – Perguntou curiosa.
- Sim. O que queres saber? – Olhou intensamente para ela.
- Primeiro você quer dividir essa torta de amora comigo? – Falou assim que seu pedido chegou na mesa. – Mas vou querer um gole desse café! – Piscou para ela.
Rebeca sorriu. Fazia alguns anos que não se sentia tão à vontade com alguém. Os olhos de Isa estavam fixos naqueles lábios vermelhos.
Isadora levou sua torta até metade da mesa e levantou a sobrancelha para a ruiva, que prontamente atendeu, colocando seu café ao lado.
- E agora? – Indagou Rebeca.
- Agora é só confiar...
§
A mesa para o almoço estava posta, em meio ao enorme jardim, onde as árvores faziam sombra. A bela ruiva estava com uma elegante trança, que pendia para o lado esquerde do seu corpo repousando em seu ombro. O sorriso daquela jovem senhora iluminava o ambiente.
Penélope aproximou-se curiosa.
“Por que havia tantos lugares na mesa?”. Pensou ao olhar para os pratos, organizadamente dispostos.
- Nossa minha irmã, ao que deve esse banquete? – Perguntou para a ruiva.
- Bom dia, Penélope! Bom... Teremos convidados hoje. – Respondeu com um sorriso imenso.
- Hum, se eu soubesse teria vindo lhe ajudar.
- Está tudo bem, não se preocupe. Agora só falta chegarem... – Falou mais para si.
Penélope estranhou a forma como sua irmã estava, parecia que iria aprontar algo e aquilho lhe deixou mais curiosa do que já estava!
- Mas afinal, quem virá? – Questionou-a.
- Você verá... Pra que tanta pressa, Nélo? – Sorriu.
- Curiosidade apenas...
Rose foi em direção a sua casa, deixando a irmã sozinha no jardim, que olhou novamente para a mesa e contou... Oito pratos!
§
- Bom agora que você já concluiu seu plano diabólico de dominar o mundo, vai aceitar minha amizade? – Encarou-a divertida.
- Você é a pessoa mais estranha que já conheci nessa vida, Isadora! – Falou Rebeca séria, mas não conseguiu esconder um vestígio de sorriso que teimou em escapar de seus lábios.
- Isso porque você não se vê! Até parece que tem algum distúrbio de personalidade...
Isadora parou de falar quando escutou a gargalhada gostosa que saiu da boca de Beca.
- Tudo bem, acho que você tem razão, eu ando muito bipolar ultimamente...
- Sendo assim, o que me diz? – Isa estendeu a mão.
- Ok. – Apertou firme a mão de Isadora, que não escondeu seu contentamento. – Você sempre vence?
- Só quando você não fica contra mim! – Falou fingindo magoa.
- Tudo bem então... Vou te mostrar meu segredo. – Entrou na brincadeira.
- Então você tem segredos?
- E quem não tem...
Isa notou como Beca mudou. A alegria momentânea já não estava mais naquele olhar. Achou melhor mudar de assunto, pois se queria compreender Rebeca, sabia, só conseguiria se a ruiva permitisse.
§
Os dois homens adentraram aquele espaço com um sorriso divertido. Pablo notou como Olavo estava ansioso, riu, pois, um homem daquele tamanho estava suando. A todo tempo Olavo perguntava se o cabelo estava bom, se a roupa era adequada... Perecia um adolescente indo para o primeiro encontro.
Ao chegarem no jardim avistaram o motivo da agitação de Olavo. E ela estava linda!
- Uau... – Foi tudo que saiu de sua boca. Pablo cochichou baixinho, mesmo as mulheres estando longe não queria correr o risco de elas lhes ouvirem.
- Ai sim Olavão! Vamos ver esse seu sexy appeal agora! – Gargalhou com a cara que Olavo fez, mas não pode responder o menino.
- Bom dia Doutor! – Cumprimentou Rose.
- Achei que o dia não poderia ficar mais lindo... Mas parece que me enganei! – Beijou carinhosamente o rosto da ruiva, que prontamente corou.
“Já sei com quem a Theo aprendeu!”. Pensou Pablo, tendo que conter seu pensamento.
- Pablo meu menino, como você está? – Rose mudou o foco, pois sabia que estava vermelha.
- Só estarei bem depois de ter o privilégio de um abraço seu! – Falou feliz. E seu pedido logo foi realizado. Olavo estreitou os olhos para o menino, que apenas lhe piscou desafiador.
“Tá convivendo demais com a Theodora... Garoto esperto!”. Olavo pensou consigo.
Assim que Roselly terminou de fazer as apresentações, os quatros sentarem-se nas cadeiras do charmoso quiosque, próximo a piscina.
- Vai aprendendo, Olavão! – Cochichou novamente.
- Quer mesmo entrar nessa, gnomo? – Olhou sério.
- Já estou dentro! – Retrucou Pablo, pois não gostava daquele apelido.
- Que vença o melhor... – Olavo olhou-o sorridente.
- O que vocês dois tanto cochicham ai? – Roselly perguntou curiosa.
Mas foram interrompidos por um belo casal que se aproximava. As duas mulheres andavam uma ao lado da outra, não havia muito carinho entre elas, mas Rose notou como pareciam cumplices. Sorriu e esperou que elas se juntassem a eles.
Penélope observou a tudo muito atenta, nada passava despercebido por seu olhar inquisidor... Absolutamente nada! Olhou fixamente para Rebeca... E dessa vez foi Isadora quem percebeu aquele olhar.
Todos se cumprimentaram. Encontro de família tem dessas...
Pablo estava encantado com a beleza de Rebeca, nunca se cansava de ficar olhando para ela... Achava Beca uma pessoa engraçada, às vezes maldosa, nas outras parecia divertida... O menino não sabia definir a personalidade daquela mulher, e isso era seu passatempo quando estavam juntos. Olhou para Isa e teve a impressão de estar na frente de outra mulher, ela parecia plena e feliz. Notou como a médica revezava seu olhar de Rebeca para Penélope. Não entendia qual era o papel da tia de Ceci na história, mas sabia que iria descobrir.
- Parece mais humana, Rebeca... – Penélope falou sem desviar seu olhar, levando a bebida aos lábios.
- Infelizmente não posso dizer o mesmo de você... Afinal quem destila veneno não é bem uma pessoa! – Estreitou os olhos ameaçadoramente.
Isadora sentiu como a energia de Rebeca mudou bruscamente e Olavo, em um ato de reflexo, tampou os ouvidos de Pablo, que ria das palavras proferidas pela ruiva.
Beca acompanhou o movimento de Olavo e piscou disfarçada para o menino.
- Vejo que o amor está firme nessa casa, que bom! – Rose descontraiu a situação. – Fico feliz que tenha aceitado meu convite para vir Isa. – Falou feliz.
- Jamais negaria um pedido seu Rose! – Respondeu carinhosa.
A atenção dos seis foi atraída para duas mulheres que caminhavam de mãos dadas e com sorrisos repletos de felicidade.
- Parece que alguém transou... – Cochichou Isa, para somente Beca ouvir.
- Você acha? – Respondeu na mesma entonação, mas divertida. E Isa? Amou ver o pequeno sorriso que acompanhou aquelas duas palavras. – Ora, ora. Se não é o casal mais esperado da festa! – O sarcasmo já havia voltado.
- Oi para você também, Beca! – Respondeu Theo sorrindo, parando em frente a eles e abraçando Cecília por trás.
Cecília observou como Isa e Beca estavam próximas, mas sua tia lhe atraiu a atenção, pela forma como olhava para Theo. Penélope notou o olhar de sua sobrinha e se aproximou delas.
- Então você é a famosa Theodora de quem todos falam? – Perguntou olhando fixamente para aquele mar azul que são os olhos da Arteterapeuta.
- Espero que sim! – Brincou, mas notou que havia algo naquele olhar.
Rebeca observou tudo calada... E Roselly parecia acompanhar sua filha mais velha.
Não demorou muito e o almoço estava servido. Indiretas era o que não faltava por parte de Rebeca, que eram rapidamente contra-atacadas por Ceci. Para Pablo, parecia que as duas irmãs estavam adorando aquela brincadeira. E assim a tarde foi passando.
Pablo treinava alguns movimentos com uma bola que encontrou, tendo Olavo como companheiro nos passes. Rose conversava com sua ex-nora e Cecília, queria ter certeza que estava tudo bem entre elas.
Perto da piscina Theo conversava com Penélope e Rebeca se aproximou delas.
- Então é você que deixa as ruivas dessa casa encantadas? – Perguntou Penélope com um sorriso. No entanto no foi Theo quem respondeu.
- Ainda bem que você não é ruiva, né Titia! – Falou sugestiva – Felizmente essa característica de nossa família não lhe pertence... – Completou Beca, ficando ao lado de Theo.
- Cuidado Theodora... Não sabemos em quem se pode confiar, hoje em dia! – Falou Penélope olhando para Beca.
- Disso você entende bem! – Respondeu sem hesitar para sua tia.
Theodora notou que havia um passado mal resolvido entre elas...
Em meio à discussão Isa e Ceci se juntaram a elas.
- E o que você sabe? – Penélope não perdeu o ar de superioridade. – Uma mulher mimada, sustentada pelos pais! Que brinca com os sentimentos de todos, achando que está escrevendo um roteiro! Você é má! Destrói tudo e todos por onde passa!
Theo notou como as palavras de Penélope deixaram Rebeca com um olhar perdido... Notou que Cecília iria defender a irmã, mas a segurou abraçando sua cintura, tinha que ver até onde aquilo iria. Rebeca percebeu a atitude de Ceci e sentiu um calorzinho no coração. Já Cecília entendeu o gesto de sua mulher e decidiu esperar.
- Não é atoa que vive sozinha, porque ninguém é capaz de amar um ser como você...
- Você não tem esse direito! – Falou uma Isadora enfurecida, atraindo a atenção de todos! – Não é ninguém para falar da Rebeca!
- Isa, por favor... – Rebeca tentou acalmar sua nova amiga.
- Mas Rebeca, você ouviu as barbaridades que ela falou? – Perguntou irritada, agora com Beca, pois, notou como a ruiva estava calma com a situação. – Vai ouvir tudo calada?
Rebeca ia responder, mas seus olhos se encontraram com os de sua mãe... Novamente sentiu-se culpada, não deveria estar viva... Era ela quem deveria estar naquele carro com seu pai e não sua irmãzinha. Beca era quem tinha seu destino traçado pela morte e não Lauren!
- Acho que já chega! – Roselly falou imponente, calando a todos. – Tem uma criança entre nós!
Pablo sentiu-se incomodando com todos aqueles olhares em sua direção...
Theo acompanhou com o olhar a Rebeca indo em direção a casa, sem nada dizer. Olhou para Isa e viu que a amiga estava sem ação... Isadora sentiu o olhar de Theo sobre si.
“Vai!”. Era o que o olhar de Theodora lhe disse... E foi o que ela fez.
Fim do capítulo
E então, qual máscara é a melhor???
Bom final de feriado, pessoinhas...
Até mais.
- Agora um bom banho -
hehehe
0/
Comentar este capítulo:
Mille
Em: 25/07/2018
Oi Ka saudades.
Hoje é dia do escritor
"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida" Clarice Lispector
Parabéns e muitas inspirações para novas e velhas escritas.
Resposta do autor:
Também sinto falta de nossas "conversas" <3
Obrigada pela frase da Clarice, eu não conhecia essa...
Se cuida, Mille!!
Mille
Em: 01/06/2018
Oi Ka
Então a titia também tem suas máscaras.
Isa e Theo vai descobrir o que houve no passado entre a Rabeca e Penélope.
Bjus e até o próximo capítulo
Resposta do autor:
Oi Mille
Acho que todo nós temos nossas máscaras...
Obrigada pelo carinho de Sempre!!
Beijão Mille, se cuida...
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