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A madrasta por Nicole Grenier

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Palavras: 6062
Acessos: 5889   |  Postado em: 13/08/2018

Capítulo 15

Dona Claudia e Júlia sentaram-se à mesa do jantar naquela segunda-feira para o almoço. Enquanto Angélica e Antenor não chegavam, elas se puseram a comentar sobre a partida de Emanuelle.

 

-- Ela me disse que irá hoje à noite ou amanhã pela manhã. Inclusive dispensou nossos motoristas. -- Dona Claudia deu um breve sorriso -- Disse que prefere ir de taxi. Deve ser birra de menina mimada. Inclusive pediu a Julieta para levar o almoço no quarto. Com certeza o aborrecimento deve ter se estendido a mim também.

 

-- Ela me parece uma pessoa muito estranha. Ontem a noite, por exemplo, se aproximou de mim, enquanto eu passeava com Guilherme pelo jardim, segurou no meu braço e me disse destilando fel " Você está atrapalhando a minha felicidade. Aguarde-me que você vai chorar lágrimas de sangue". Largou meu braço com tanta brusquidão que se não fosse Guilherme eu teria caído

 

Dona Cláudia arqueou as sobrancelhas.

 

-- Ela está enciumada da sua amizade com Sylvia, minha filha! Emanuelle é uma menina que cresceu vendo seus desejos realizados com apenas um estalar de dedos. Nada, nem ninguém, nunca se interpuseram em seu caminho. Agora, surgiu você...

 

Julia, preferindo não comentar mais nada a respeito,  olhou para o relógio da parede. -- Vou atrás de Angélica. Com licença, dona Claudia.

 

************

 

Julia abriu a porta do quarto do filho e entrou. Não viu ninguém. Seguiu para o seu pela porta interna e o encontrou vazio. Foi para o de Angélica, também vazio.

 

"Devem estar na piscina. Será que essa garota está deixando o menino no sol até uma hora dessas?" Perguntou a si mesma.

 

Desceu as escadas calmamente e se dirigiu ao jardim. Acercou-se da piscina e nem sinal dos dois.

 

-- Angélica! -- Chamou em voz alta -- Antenor! Venham almoçar! - Circulou pelo jardim e não viu nada que indicasse a presença dos dois ali. Voltou para dentro de casa e foi ao encontro de dona Claudia.

 

-- Ainda não apareceram aqui? -- Perguntou à senhora já com receio.

 

-- Não. Não estão no quarto?

 

-- Nem no quarto, nem no jardim, nem na piscina.

 

Dona Claudia, sentou-se novamente.

 

-- Devem estar brincando no salão de festas. Antenor adora aquele espaço. Daqui a pouco eles aparecem. Vamos comer que meu estômago não está me dando trégua.

 

Julia sentou-se, mas não conseguiu comer quase nada, pois uma sensação incômoda crescia em seu peito. Depois de mais alguns minutos tornou a olhar no relógio e este marcava 12:45h. Sabia que Antenor, sempre que se entretinha em alguma brincadeira, enrolava para fazer as refeições. Tentou afugentar a desagradável sensação apurando os ouvidos à conversa de dona Claudia.

 

-- Gostei muito do seu amigo músico, Julia! Ele é encantador! Mas que tristeza e filhinha doente! Ainda bem que Sylvia vai ajudar.

 

-- É. Ele foi para a cidade de carona com ela. Vai entrar em contato com um especialista nos Estados Unidos. É o melhor na área.

 

-- Deus há de abençoar esse médico e a pequena será curada.

 

Julia tomou um gole d´água, pois um bolo crescia em sua garganta.

 

-- Dona Claudia! Estou ficando preocupada!

 

Vendo o rosto pálido da moça, a senhora tocou a sineta e Auguste apareceu quase que instantaneamente.

 

--Auguste, meu caro! Você viu Angélica e o pequeno Antenor?

 

-- Vi mais cedo no jardim, senhora. Por volta das 10 horas.

 

-- Vá ver onde estão, Auguste. Devem estar entretidos em alguma brincadeira e se esqueceram da hora do almoço.

 

O mordomo girou nos calcanhares.

 

Dona Claudia voltou sua atenção para Julia.

 

-- Fique tranquila, querida. Daqui a pouco ele aparece todo sujinho de terra, você vai ver.

 

Julia tomou mais um gole d´água e se levantou.

 

*************

 

Julieta arrumou a bandeja para levar o almoço de Emanuelle. A francesa lhe havia pedido para levar a comida a partir das 13 horas, uma vez que tomara café tarde naquele dia. A empregada verificou pela última vez a bandeja e dando-se por satisfeita, ensaiou os primeiros passos em direção ao quarto da hóspede.

 

Ao passar pela sala de jantar encontrou Julia e dona Claudia ainda por ali.

 

-- Esse almoço é para Emanuelle, Julieta?

 

-- Sim,senhora. Parece-me que ela se encontra indisposta, inclusive me pediu o café no quarto. Estava tão abatida...!

 

Dona Claudia fez um bico de desagrado.

 

-- Deve estar inventando motivos para não ir embora! -- Meneou a cabeça -- Essa moça ainda vai trazer muitos aborrecimentos para Sylvia.

 

-- Eu vou lá, dona Claudia.

 

-- Vá, minha filha! Vá.

 

Dona Claudia levantou-se e se dirigiu a uma das janelas, pois viu Auguste que se aproximava pela varanda dos fundos da casa.

 

O mordomo apareceu com o semblante mais pálido do que o normal. Entrando na sala de jantar, fixou os olhos em Júlia e não conseguiu articular nenhuma palavra.

 

Dona Claudia aproximou-se e, vendo o estado de alarme dele, intimou-o.

 

-- O que foi Auguste? Que cara é essa?

 

-- Minha senhora. Eu revirei o jardim inteiro e nada dos dois, mas continuei procurando até que o porteiro me disse que por volta das 11:30 horas....

 

-- Fale logo, por favor -- Júlia o agarrou pelos ombros. -- Onde está meu filho?

 

***********

 

Julieta subia vagarosamente as escadas, pois a bandeja estava pesada e suas pernas já não eram as mesmas de alguns anos atrás. Suas varizes estavam a cada dia, mais alteradas. Quando atingiu o último degrau, parou, suspirou e tornou a inspirar fortemente. Depois de alguns segundos normalizando a respiração, deu os primeiros passos no longo corredor. O quarto da jovem senhora era o sexto do lado esquerdo. Quando alcançou a porta, ajeitou a bandeja num braço e deu suaves batidas com a mão esquerda e girou lentamente a maçaneta.

 

-- Dona Emanuelle, trouxe seu almoço. -- Anunciou dirigindo-se à mesa na antessala.

 

*********

 

Aquela segunda-feira estava me saindo uma das mais agitadas dos últimos meses. Só pela manhã tive duas reuniões arrastadas e no período da tarde mais duas com os donos de dois frigoríficos que estavam me dando muito trabalho em relação ao acondicionamento das carnes.

 

Ana Clara parecendo perceber meu aborrecimento, pediu um café e foi nesse mesmo instante que a porta abriu e uma secretária colocou a cabeça e fez um sinal para Lisa. Esta pediu licença e foi atender a moça. Poucos minutos mais tarde a menina do café entrou e, quando provei a saborosa bebida senti um alívio na cabeça e uma injeção de ânimo. As desculpas descabidas daqueles senhores já tinham me tirado do sério, inúmeras vezes. No entanto dei mais uma chance a eles, antes de rescindir os contratos.

 

Lisa veio em minha direção e sussurrou em meu ouvido algo que me fez gelar. Abruptamente me levantei e com o corpo trêmulo pedi licença e me retirei da sala. Deixei Ana Clara incumbida de continuar com a reunião.

 

Chegando a minha sala corri para o telefone e peguei o fone levando-o ao meu ouvido com o coração aos pulos.

 

Uma voz fria como aço me atingiu. Senti um frio me percorrer de alto a baixo e deixei meu corpo cair sobre minha cadeira.

 

Pousei o fone no gancho e Lisa se aproximou segurando-me as mãos.

 

-- O que houve Sylvia? Você está pálida!

 

Lágrimas escorreram pelo meu rosto. Tive a nítida impressão de que o mundo desabava sobre minhas costas. Tudo naquela sala parecia irreal, um sonho. A voz de Lisa parecia vir de longe, de muito distante. De repente vi um copo d´água em suas mãos e a voz dela me convencendo a beber. Nem sei como conseguir segurar o copo e levá-lo aos lábios. Quando senti a água gelada refrescar minha garganta, foi que consegui responder às suas perguntas.

 

-- Se... Sequestraram o... o meu irmãozinho....e... e a babá!

 

*********

 

-- Por favor Lisa, chame Antônio e Helena!

 

Lisa saiu apressada e eu me quedei na cadeira soltando todo o meu corpo numa vã tentativa de aliviar a tensão. O medo do que Antenor pudesse estar sofrendo me apavorava, me paralisava.

 

Alguns minutos depois Antônio e Helena entraram na sala. Eles ficaram assustados ao olharem para mim.

 

-- O que houve Sylvia? Lisa me disse que você queria nos falar com urgência.

 

Num sussurro eu pronunciei as malfadadas palavras

 

-- Antenor foi sequestrado... Juntamente com a babá!

 

Helena começou a chorar e se agarrou em Antônio.

 

-- Mas como... Como isso aconteceu, Sylvia?

 

Eu, depois do choque inicial comecei a me sentir anestesiada. Meu corpo todo estava dormente.

 

-- Não sei como aconteceu. Sei apenas que recebi um telefonema de um homem, me dizendo que tanto a criança quanto a babá estão em seu poder. -- Suspirei e uma dor de cabeça começou a se fazer presente -- Pediu 1 milhão de dólares como resgate.

 

Antônio sentou-se numa cadeira e ficou pensativo. Depois de mais alguns minutos voltou a falar.

 

-- A voz não lhe pareceu familiar, de algum conhecido?

 

-- Não. Nunca ouvi na minha vida.

 

Helena se aproximou de mim, tomou minhas mãos nas suas.

 

-- Já avisou Júlia?

 

-- Não. Peço-lhe que vá para a chácara e dê a notícia a ela. Eu só espero que esse malfeitor não tenha ligado para lá.

 

-- Certamente que não, Sylvia. Ele, com certeza, sabe que você é quem gerencia todo o dinheiro da família.

 

Helena aproximou-se novamente do marido.

 

-- Acho melhor eu ir logo.

 

Depois de beijar o marido, a mim e a Lisa, saiu.

 

Antônio voltou a falar.

 

-- Vai avisar a polícia, Sylvia?

 

-- Ele disse que se eu avisasse, acabaria com a vida do menino. Estou apavorada Antônio. Ajude-me, por favor.

 

As lágrimas voltaram a cair dos meus olhos.

 

-- Ficou de ligar no final da tarde. Só nos resta esperar.

 

-- Acho que devemos avisar a polícia, Sylvia. Não sabemos com quem estamos lidando.

 

Lisa aconselhou ao me oferecer mais um copo de água.

 

Bebi a água e me levantei. Uma agonia começou a tomar conta de mim. Só de imaginar ficar na espera do próximo telefonema me sentia morrer.

 

-- Lisa, ligue para tia Claudia e veja se eles já deram por falta de Antenor, se já estão sabendo de alguma coisa. Sonde primeiro, depois passe o telefone que quero falar com ela.

 

Mas antes que Lisa pegasse no aparelho este tocou. Eu atendi. Era tia Claudia.

 

-- Tia!

 

-- Sylvia! Sylvinha, minha filha! Aconteceu uma coisa horrível.

 

Fiquei gelada novamente.

 

-- O que houve tia! -- Tentei ao máximo parecer tranquila.

 

-- Antenor e Angélica desapareceram.

 

-- Como desapareceram, tia!

 

-- Já procuramos ao redor da casa toda, pelo quintal, pelo jardim...

 

-- Mas...

 

-- Sebastião, o porteiro, disse que viu apenas o táxi que Emanuelle pediu entrar e sair.

 

-- Emanuelle! Ela foi embora de táxi?

 

-- Ela havia me dito que preferia ir de táxi. Mas tem algo muito estranho nessa história minha filha!

 

Meu estômago dava voltas. Não conseguia acreditar que Emanuelle estivesse metida nessa história. Se ela tivesse feito alguma coisa com Antenor, não restava mais dúvidas de que estava seriamente doente, louca.

 

-- O que há de estranho, tia! A senhora está me deixando preocupada!

 

-- Minha filha, Sebastião disse que o táxi saiu daqui transportando uma mulher e pelas roupas que usava era Emanuelle. Inclusive um chapéu de sol que ela costuma usar.

 

-- Meu Deus, tia! O que a Emanuelle tem a ver com o desaparecimento do Antenor? Aonde a senhora quer chegar?

 

-- Sylvia!  Emanuelle não tem nada a ver com o desaparecimento do menino, porque ela nem chegou a sair de casa.

 

-- Não?! -- Eu não estava entendendo mais nada, mas senti certo alívio por saber que ela não estava envolvida-- Então quem era a mulher no táxi?

 

-- Isso é o que eu queria saber. Estou esperando a Emanuelle acordar para ver se ela pode nos esclarecer alguma coisa.

 

-- Ela ainda está dormindo? Está doente?

 

-- Não sei. Julieta disse que quando ela levou o café da manhã ela estava bem, só um pouco abatida. Levou o almoço e quando entrou no quarto ela estava dormindo num sono profundo e até agora não acordou.

 

Fiquei ainda mais tensa com o que minha tia havia me dito. Tudo estava muito estranho.

 

-- Tia, vou pedir a Helena para ir ficar com vocês. Mais tarde eu vou, pois agora não posso sair daqui, está bem? Tente ficar calma, que tudo vai se resolver.

 

-- Está bem, querida.

 

**********

 

Cerca de uma hora e meia depois que saiu do escritório, Helena atravessava os portões da chácara no seu carro. Estava apreensiva, sem saber como dar a notícia a Julia.

 

Vagarosamente parou o carro no pequeno estacionamento ao lado da casa e seguiu a pé em direção à entrada da mansão. Tocou a campainha e logo em seguida Auguste abriu a porta.

 

-- Que bom que veio dona Helena! Dona Julia está no escritório com dona Claudia.

 

Ela o cumprimentou e seguiu a passos rápidos ao encontro da prima.

 

A porta do escritório estava aberta. Assim que a viu, Julia correu para os seus braços. Helena a amparou e esperou que ela se acalmasse.

 

Depois de alguns minutos, parada em pé com a prima nos braços, Helena a puxou lentamente para um sofá.

 

-- Venha querida. Vamos nos sentar! Explique-me o que aconteceu.

 

Júlia tentou falar, mas não conseguiu. Dona Claudia se encarregou de colocá-la a par do que havia acontecido na chácara, até então.

 

-- O que sabemos até agora é que Antenor e Angélica sumiram e que Sebastião viu apenas uma mulher vestida de forma semelhante à Emanuelle saindo num táxi.

 

Antes mesmo que Helena pronunciasse alguma coisa, Emanuelle surge na porta amparada por Margareth. A francesa estava visivelmente desorientada e completamente sonolenta.

 

-- Dona... Dona Cláudia... O que está acontecendo? Eu... Eu dormi demais... E... estou com a cabeça muito... muito zonza.

 

Dona Claudia fez sinal para Margareth e esta conduziu Emanuelle para o sofá onde ela estava.

 

Helena percebeu que Emanuelle estava mesmo alheia a tudo, parecia que estava dopada. Virou-se para Margareth e pediu um pouco de café para a francesa.

 

-- Minha cabeça está horrível! Meu Deus o que houve comigo? -- Emanuelle se interrogava enquanto sua cabeça derreava para o ombro de dona Claudia.

 

Julieta entrou com uma bandeja trazendo suco, café e biscoitos.

 

Depois de todos servidos, Helena voltou a falar.

 

-- Dona Claudia eu sugiro, se a senhora me permite ouvir cada um dos moradores desta chácara, para que possamos começar a entender o mistério desse taxi.

 

-- Faça como quiser, minha filha. Eu estou sem cabeça para tomar alguma decisão.

 

-- Antes de qualquer coisa, tenho algo a revelar.

 

Todos ficaram em suspense, com exceção de Emanuelle que ainda estava muito sonolenta.

 

-- Sylvia recebeu um telefonema no início da tarde. -- Disse e olhou para os rostos ali presentes. -- Foi o telefonema de um homem que ela não conseguiu identificar a voz... Ela não veio para cá comigo porque ficou aguardando outro telefonema

 

Júlia, tremendo e suando frio, agarrou-lhe pelos ombros e perguntou com os olhos arregalados e a voz entrecortada.

 

-- Helena, o que esse telefonema tem a ver com o desaparecimento do meu filho?

 

-- O Antenor e Angélica... Eles... Eles foram sequestrados e o homem exigiu...

 

Helena interrompeu sua fala, pois teve que segurar Julia, que estava sentada ao seu lado e tombou sobre seu corpo, desmaiada.

 

*********

 

Helena, com a ajuda de dona Claudia, deitou Julia no sofá e começou a lhe friccionar as mãos.

 

-- Acho melhor chamar o doutor José! -- Fez sinal para Auguste que imediatamente se dirigiu ao aparelho telefônico.

 

Margareth, como que por encanto, surgiu com um frasco de perfume e aproximou-o do nariz de Julia. Depois de mais alguns minutos que pareceram horas, a moça abriu os olhos. A palidez natural deu lugar a um branco cadavérico. Tentou se sentar, mas Helena a impediu.

 

-- É melhor ficar deitada. Deixe-me ajudá-la a se recostar na almofada.

 

Julia olhou a prima e em seus olhos Helena viu o pavor instalado.

 

-- Helena! Eu... eu ouvi bem o... o que você disse?

 

Helena secou uma lágrima que teimava em lhe escapar dos olhos.

 

-- Infelizmente ouviu, Julia! Infelizmente ouviu. -- Respirou fundo e continuou -- Sylvia recebeu um telefonema e uma voz masculina lhe disse que estava com Antenor e Angélica.

 

-- Meu Deus! O meu... O meu filhinho...! -- O soluço rompeu sacudindo-lhe o corpo.

 

Dona Claudia sentou-se ao seu lado e a estreitou nos braços. Julia se agarrou à tia de seu filho e deixou o choro tomar-lhe por completo.

 

-- Chore minha filha! Chore! Mas pode ter certeza que tudo vai se resolver. Sylvia vai recuperar nosso menino. -- A mulher, enquanto tentava acalmar a mãe desesperada, rezava para que a sobrinha tivesse sucesso nas negociações.

 

Emanuelle, em meio à sonolência em que se encontrava, ouviu claramente as palavras de Helena e ficou chocada com a notícia. O medo de que o menino pudesse estar sofrendo fez seu coração se apertar. Não gostava de Julia, mas sabia separar as coisas. Era encantada com Antenor.

 

**********

 

À tarde para mim foi a mais longa de toda a minha vida. Cancelei todos os meus compromissos daquele dia e me pus de plantão ao lado do telefone. Antônio ia até a sua sala resolver alguma coisa e logo em seguida voltava atrás de notícias.

 

Depois de me garantir que o seu amigo delegado iria fazer as investigações em sigilo, permiti que ele contatasse a polícia. Quando o policial apareceu na minha sala para conversar comigo, foi que eu senti realmente o peso da dura realidade. Até então eu estava anestesiada, como que envolvida numa cortina de fumaça. Olhava para o aparelho telefônico e tinha a impressão de que o telefonema do bandido fora apenas imaginação minha. Só quando vi aquele homem de estatura mediana e com uma barriguinha proeminente me estendendo a mão foi que a minha ficha caiu de verdade.

 

Depois de contar a ele sobre o telefonema, ele declarou.

 

-- Dona Sylvia, preciso ir até a sua casa e interrogar as pessoas de lá. Mas não se preocupe, tomarei todas as precauções para que o sequestrador não fique sabendo da minha ida até lá.

-- Tenho medo de que ele faça algum mal ao meu irmão, doutor.

 

-- Fique tranquila. -- Fez um gesto com a mão indicando o próprio corpo, depois me perguntou -- Se a senhora me visse na rua, diria que sou um policial?

 

Eu meneei a cabeça em negativa e esbocei um tímido sorriso.

 

-- Pois é. Irei para a sua casa sozinho e vou deixar, em alguns pontos estratégicos próximos a esse prédio da sua empresa, alguns homens. Eles ficarão de olho em quem entrará e sairá daqui.

 

-- Eles também estarão à paisana, não é mesmo?

 

-- Claro. Até porque nós da polícia civil, nos vestimos quase sempre à paisana, com exceção do colete.

 

Eu olhei profundamente para ele e depois para Antônio que até o momento manteve-se em silêncio.

 

-- Vai dar tudo certo, Sylvia. O meu amigo doutor Teixeira é muito bom no que faz.

 

Para nossa sorte, antes que o delegado saísse, uma vez que já estava em pé proferindo as últimas palavras de despedida, a campainha do telefone me fez pular da cadeira. Olhei para ele e, acenando afirmativamente, fez um sinal me indicando que iria pegar a extensão. Em minha sala, na mesa de Lisa, havia outro aparelho.

 

Eu levantei o fone do gancho e ele, com todo o cuidado, fez o mesmo no outro aparelho.

 

-- Pois não? -- Fiz o possível para que minha voz não revelasse meu estado de espírito.

-- E então Rainha do gado, preparada para me ouvir e desembolsar os seus preciosos dólares?

 

-- Como está o meu irmão? Quero ouvir a voz dele?

 

A risada do outro lado da linha fez meu corpo tremer mais ainda.

 

-- Nada disso, majestade! Você não falará com ele. Não há necessidade disso. Mas não se preocupe, ele está sendo muito bem tratado. Tratado como um príncipe.

 

-- E a menina? Como ela está?

 

-- Ah! Preocupa-se com a empregadinha? Angélica está muito bem.

 

-- Quando... Quando vai nos entregar Antenor?

 

-- Hoje por volta da meia-noite, ligo para a sua casa e lhe direi hora, lugar e condições para efetuarmos a troca.

 

-- Certo e...

 

-- Majestade... Nada de gracinhas, ouviu bem? Se levar a polícia, nunca mais verá seu irmãozinho.

 

Antes que pudesse retrucar ele desligou. Recostei-me no espaldar da minha cadeira e fechei os olhos. O delegado aproximou de novo da minha mesa e ficou à espera de que eu me pronunciasse.

 

-- E então doutor, o que o senhor achou?

 

-- Tenho quase certeza de que ele não é um profissional. Conversou demais e em sua voz pude perceber insegurança, apesar de ter tentado aparentar indiferença.

 

Fechei os olhos e deixei as lágrimas escorrerem pelas minhas faces.

 

-- Logo mais seguirei para sua casa, dona Sylvia. Então, até mais tarde -- Estendeu-me a mão e saiu acompanhado de Antônio. Logo em seguida Antônio retornou a minha sala.

 

-- Sylvia, acho melhor você ir logo para casa. Eu só não vou com você agora porque preciso finalizar alguns relatórios, mas assim que terminar, irei.

 

Ele saiu e deixei-me ficar ali jogada na cadeira completamente atordoada. Lisa entrou seguida de Ana Clara.

 

Levantei os olhos para elas. Ana Clara ficou me olhando visivelmente penalizada. Tive a impressão de que ela quis me abraçar para me proporcionar algum conforto, mas o respeito pela minha posição dentro da empresa não lhe permitia isso.

 

-- Senhorita Sylvia, eu sinto muitíssimo! Tudo vai dar certo, com a graça de Deus.

 

Eu acenei com a cabeça e agradeci.

 

-- Espero que sim, Ana Clara! -- Virei-me para Lisa - Vamos, Lisa? Ele ficou de ligar lá para casa por volta da meia noite.

 

***********

 

Eram mais ou menos 18 horas e Teixeira estacionou seu Jipe Willys azul no pequeno estacionamento, seguiu para a escadaria que dava acesso a casa e, deparando-se diante da enorme porta de madeira nobre, tocou a campainha.

 

Auguste o conduziu até ao escritório. Helena o recebeu e o convidou a se sentar.

 

Presentes no ambiente estavam dona Claudia, Helena e Emanuelle.

 

-- Seja bem vindo, doutor Teixeira -- Helena o cumprimentou e o apresentou aos demais.

 

-- Doutor Teixeira veio conversar conosco, dona Claudia. Ele nos fará algumas perguntas para tentar descobrir como se deu esse sequestro.

 

-- Ah doutor! Espero mesmo que o senhor descubra quem é esse bandido que levou meu sobrinho.

 

-- Farei o possível minha senhora. -- Ele abriu um bloquinho de notas e tirou uma caneta do bolso. -- Depois de conversar com as senhoras, passaremos aos empregados.

 

Emanuelle já havia sido examinada pelo doutor José e foi constatado que havia ingerido uma grande dose de sonífero. Só que ela não fazia a menor ideia de como isso havia acontecido.

 

Doutor Teixeira manifestou a importância de ouvir uma pessoa de cada vez, a sós. Assim dona Claudia e Helena se retiraram do escritório e deixou Emanuelle com ele.

 

-- Pois bem, minha senhora, eu não sei uma palavra em francês, mas como a senhora domina bem o português, vejo que não teremos problemas.

 

-- De jeito nenhum!

 

Ele olhou para ela por alguns segundos e não pode deixar de admirar a beleza dos reluzentes olhos verdes e do rosto de traços perfeitos.

 

-- Conte-me tudo o que consegue se lembrar, senhora.

 

Emanuelle respirou fundo, se ajeitou melhor na cadeira em frente à mesa de Sylvia que o delegado havia ocupado e se pôs a falar.

 

-- Na verdade, eu não sei se conseguirei narrar os fatos em ordem cronológica, mas...

 

-- Não tem problema, o importante é que a senhora procure se lembrar dos mínimos detalhes.

 

-- Eu... Eu estava me preparando para viajar, para voltar para a França, mas queria sair sem ser vista, sem me despedir de ninguém, porque... porque tive um... um pequeno desentendimento... com Sylvia e... -- Tornou a encher o peito de ar -- Disse para dona Claudia que viajaria hoje à noite ou amanhã cedo, mas... mas na verdade, pretendia ir hoje cedo, então... eu pedi a Angélica, a babá, que me fornecesse um número de táxi.

 

Doutor Teixeira ia, à medida que ela falava, fazendo pequenas anotações.

 

-- Depois de alguns minutos ela me trouxe um número anotado num pequeno pedaço de papel. Eu fiz a ligação e marquei para ele vir me buscar às 11 horas. Pretendia pegar o voo das 15 horas.

 

-- Dona Emanuelle, esse telefonema foi feito hoje?

 

-- Não. Liguei para o taxista ontem à tardinha. Sou prevenida, não sou de fazer as coisas em cima da hora.

 

-- E hoje pela manhã quando a senhora acordou, percebeu alguma coisa estranha, alguma movimentação diferente na casa?

 

-- Não. Eu havia ligado para a cozinha no dia anterior e pedido a Julieta para trazer o meu café às 9:30 h. Teria tempo suficiente para fazer o desjejum, me preparar e esperar o táxi.

 

-- Ela sempre levou o seu café no quarto?

 

-- Não. Na verdade, eu pedi que ela levasse o café no meu quarto porque tive um pequeno desentendimento com Sylvia e queria viajar sem me encontrar com ela. Estava muito chateada...

 

-- Entendo... Então ela levou o seu café...

 

-- Ela levou o meu café, deixou como sempre na mesinha da varanda da antessala e seguiu para o quarto para me acordar.

 

-- Obedecendo o horário que a senhora determinou?

 

-- Exato.

 

-- Quando ela se aproximou para lhe chamar, a senhora ainda estava em sono profundo?

 

-- Não, eu já estava meio acordada, curtindo aquela preguiça, o senhor sabe como é. A gente percebe o que acontece ao redor, mas não muito claramente...

 

-- Sei.  Consegue se lembrar de tudo que percebeu nesse momento?

 

-- Acho que sim. Ela me chamou com seu jeito carinhoso de sempre, puxou as cortinas das janelas. Levantei-me fui para o banheiro, lavei o rosto e quando voltei para o quarto ela já havia saído. Segui para a varanda e tomei meu café.

 

-- Consegue se lembrar do menu do seu café?

 

-- Tinha café, leite, frutas, pãezinhos, bolos, suco de laranja que eu gosto muito... Acho que só isso... não me lembro de todos os itens.

 

-- Sentiu algum sabor diferente em alguma coisa?

 

Emanuelle franziu a testa como quem se esforça para se lembrar de algo.

 

-- Não. Não percebi nenhum gosto diferente.

 

-- Lembra-se do que aconteceu após o café?

 

-- Senti que o meu sono aumentou enquanto fazia o desjejum. Lembro-me que me levantei e voltei para o quarto bocejando. Olhei para as minhas malas próximas a uma parede e segui para a cama pensando em tirar mais um cochilo para levantar logo em seguida, mas mal me lembro de como me deitei na cama.

 

-- Lembra-se de quando acordou?

 

-- Depois que segui para a cama, só voltei a ter consciência de mim quando Dona Claudia me chamou já à tardinha. Pelo jeito dormir pesado toda a manhã e a tarde. O... O médico da família me examinou e... disse que fui drogada... -- O delegado pode ver nos olhos de Emanuelle que ela estava verdadeiramente assustada.

 

-- Muito bem dona Emanuelle, isso é tudo. Por favor, peça a dona Claudia para entrar.

 

A francesa levantou-se e saiu do escritório silenciosamente. Minutos depois dona Claudia entrou.

 

***********

 

Lentamente subi os degraus da minha casa seguida por Lisa. Antes mesmo que enfiasse a chave na fechadura Auguste abriu a porta. Suavemente me puxou para um abraço. Ao me sentir envolvida por aqueles braços fortes e, ao mesmo tempo, delicados deixei as lágrimas voltarem a cair. Senti o seu carinho paternal. Ele sempre foi carinhoso comigo e, das vezes quando vinha ao Brasil quando criança ele lia histórias para eu dormir, perdia horas comigo montando quebra-cabeças, olhando meus desenhos e me ajudando a pintar álbuns de figuras.

 

-- Tudo vai se resolver, Sylvia!

 

Ele pegou minha bolsa e a de Lisa e nos acompanhou casa adentro.

 

Fiquei sabendo por Helena que o doutor Teixeira estava ouvindo Julieta. Já tinha ouvido Emanuelle e tia Claudia.

 

Helena me acompanhou até meu quarto.

 

-- Como está Julia? -- Estava angustiada imaginando o sofrimento dela.

 

-- Está no quarto. Passou mal, mas o doutor José esteve aqui e a medicou.

 

-- Depois irei vê-la. Vou tomar um banho agora, Helena. Depois nos veremos.

 

Helena saiu e eu me deixei ficar por longos minutos na banheira. Precisava relaxar, pois necessitava estar firme e forte para dar apoio à Julia.

 

Mais de uma hora depois sai do meu quarto e bati suavemente na porta do quarto da mulher que havia arrebatado para sempre o meu coração.

 

Como não obtive resposta girei a maçaneta. Empurrei levemente a porta e entrei no enorme cômodo, àquela altura, já escuro. Segui para o quarto e a vi deitada sobre a cama. Aproximei-me devagar e a chamei num sussurro.

 

-- Julia? Meu amor? Está me ouvindo?

 

Ela se agitou, virando-se rapidamente o rosto em minha direção. Sentou-se num pulo e me olhou com os olhos assustados.

 

Liguei um abajur e me sentei ao seu lado. Ela se jogou em meus braços e se agarrou em mim como se eu fosse a solução de todos os seus problemas.

 

-- Já encontrou meu filho? -- Sua voz saia entrecortada e, ao mesmo tempo, grogue.

 

Eu a estreitei nos meus braços aconchegando-a de forma que ela ficasse confortável e se sentisse segura.

 

-- Ainda não. Mas vamos encontrar, meu amor. Eu lhe garanto. O homem vai me ligar novamente por volta da meia noite...

 

-- Ele falou como o Antenor esta? Ele... Ele está machucado?

 

-- Ele me garantiu que Antenor está bem. Ele não é tolo de machucar o menino.

 

Afundando o rosto no meu pescoço e se agarrando mais em mim, ela me implorou:

 

-- Pelo amor de Deus, Sylvia! Traga o meu filho de volta para mim! Não deixe que nada aconteça a ele.

 

O chorou dominou-a.

 

-- Vou trazer, meu amor! Pode ter certeza disso!

 

Ela ergueu o rosto e deixou aquele azul que me fascinava mergulhar nos meus olhos. Suavemente deslizou uma mão pelo meu rosto e, vagarosamente, aproximou os lábios adorados e deliciosos dos meus. Antes, porém, do beijo acontecer ela sussurrou com a voz tão suave que fez todo o meu corpo estremecer e, apesar das circunstâncias,  meu ventre contrair num dor deliciosa.

 

-- Eu te amo! Te amo mais do que a minha própria vida!

 

Seus lábios engoliram os meus e nos perdemos num verdadeiro beijo que naquele momento traduzia, medo, desespero, esperança e amor. Naquele momento, com aquela mulher nos meus braços, com sua boca grudada na minha me ofertando sua saliva, sua língua macia e quente, com seu corpo desprendendo um calor embriagador, eu constatei mais uma vez que morreria por ela, que seria capaz de dar a minha vida em lugar da dela.

 

Depois que nos afastamos um pouco em busca de ar, eu disse:

 

-- Eu também te amo mais do que a minha própria vida.

 

Voltamos a nos beijar, sendo, no entanto, minutos depois, interrompidas pelo pigarro de Helena parada na porta do quarto.

 

Depois que nos afastamos ela gaguejou:

 

-- Desculpe-me... Mas, eu bati na porta e... como... como...

 

-- Tudo bem Helena! -- Interrompi de uma vez a sua justificativa, pois me irritei com a interrupção dela. Deveria ter dado as costas quando nos viu ao invés de nos interromper.

 

Coloquei-me de pé e Julia tentou fazer o mesmo, mas suas pernas vacilaram. Segurei-a e a sentei na cama.

 

-- Fique deitada, meu bem.

 

Helena, deu alguns passos e se aproximou  de nós. Dirigindo-se a mim, falou numa voz tímida e constrangida por ter nos atrapalhado, pois o meu desagrado era visível.

 

-- O doutor Teixeira quer lhe falar, Sylvia. Ele pediu que, se for possível, você ir falar com ele agora.

 

Julia olhou para Helena com os olhos curiosos:

 

-- Quem é doutor Teixeira?

 

Ela, na verdade, ainda não sabia da intervenção do delegado na história.

 

-- Um delegado amigo de Antônio que está nos ajudando, querida. -- Esclareci sentando-me novamente ao seu lado e a tomando de novo em meus braços. Ela se aninhou a mim como se quisesse entrar em meu corpo.

 

-- Vou descer para falar com ele e depois volto para ficar com você.

 

Senti-me no céu quando a ouvi sussurrar baixinho com os lábios roçando eu minha orelha.

 

-- Dorme comigo esta noite?

 

Tomei seu rosto entre minhas mãos e disse baixo também:

 

-- Esta e todas que você quiser.

 

Ela voltou a se aconchegar em meus braços.

 

-- Vou descer e pedirei a Margareth que lhe traga o jantar.

 

Percebi que ela ia protestar, mas a cortei logo.

 

-- E nem venha me dizer que está sem fome. Não pode ficar sem comer. Precisa se alimentar meu anjo.

 

Sai do quarto e deixei-a aos cuidados de Helena.

 

**********

 

As palavras do doutor Teixeira me deixaram sem chão.

 

-- Só me falta conversar com dona Júlia, mas por tudo que consegui apurar até agora, acredito que não será preciso.

 

-- Já chegou a alguma conclusão doutor?

 

Antônio, que havia chegado da cidade pouco tempo depois de mim, mantinha-se calado ouvindo, igualmente ansioso, as conclusões do delegado.

 

-- Fazendo uma leitura das anotações de tudo o que ouvi até o presente momento, cheguei à conclusão de que o sequestrador tem um cúmplice dona Sylvia.

 

-- Um cúmplice? Mas... Mas quem?

 

-- Eu não sei, mas tenho uma suspeita de quem seja.

 

-- Tem? Então... Então de quem o senhor suspeita, doutor Teixeira? -- Meu coração batia acelerado no meu peito e minhas pernas estavam fracas.

 

-- Dona Sylvia, eu ainda não posso garantir, mas tenho quase certeza que alguém desta casa facilitou a ação do sequestrador.

 

-- O... O senhor pode... pode me dizer o nome desse... desse alguém?

 

Quando ele começou a abrir a boca para pronunciar o fatídico nome, o medo de ouvir me dominou. Imaginar que dentre as pessoas daquela casa, pessoas da minha inteira confiança, alguma pudesse tomar parte de um horror daquele, me fez suar frio e sentir as garras da impotência e da raiva se apossarem de mim. Se eu me encontrasse cara a cara com aquela pessoa acho que seria capaz de matá-la.

 

Ele falou o nome em claro e bom tom. Eu senti uma vertigem e fechei os olhos. Era impossível que fosse verdade. Como uma pessoa podia ser tão dissimulada? Se as suspeitas do delegado se confirmassem eu teria ainda muito que aprender a respeito do ser humano.

Fim do capítulo


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Comentários para 16 - Capítulo 15:
LuBraga
LuBraga

Em: 14/08/2018

Eu não me canso de te elogiar Nicole, por tudo que esse conto agrega e o quanto ele me faz refletir sobre temas variados em se tratando de um período onde certas condições eram surreais de serem vivenciadas e praticadas como nos dias de hoje. É maravilhoso sentir tudo isso através da sua sensibilidade e observação desse tempo, mediando aquilo que vivemos hoje e que me deixa boquiaberta por perceber que a mais de quarenta anos, ainda vivemos em um meio mega preconceituoso e com umas nomenclaturas novas para caracterizar tal absurdos abusivos tão que da até preguiça de falar e acho que ja me prolonguei demais nessas poucas linhas aqui...rsrs

Como é bom termos alguém que some a ponto de passarmos por situações tristes com mais força e vigor como nesse enfrentamento de Sylvia e Julia com essa sequestro. Nossa foi um puxão para a realidade dos capítulos anteriores, afinal nem tudo são rosas...rsrs

 

Bjão

 


Resposta do autor:

Boa tarde Lu,

Agradeço muito suas palavras, Lu.

Os comentários servem de estímulo e nos faz ter certeza de que o que escrevemos está agradando às leitoras.

Bj.

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Aparecida3791
Aparecida3791

Em: 13/08/2018

Angélica fdp!

Tinha esquecido essa parte tensa do seu conto.

Aí Jesus...


Resposta do autor:

Oi Aparecida.

Foi tenso, mas tudo terminou bem e Antenor saiu ileso. Obrigada por continuar apreciando. Bj.

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Sayomendes
Sayomendes

Em: 13/08/2018

Tb acho que é a Baba mas desconfio de Helena...


Resposta do autor:

Boa tarde Sayomendes,

Fico feliz que continua gostando do romance de Júlia e Sylvia. Bj

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patty-321
patty-321

Em: 13/08/2018

caraca. que tenso.


Resposta do autor:

Oi Patty,

 

Obrigada por continuar apreciando a história. Bj

Responder

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Lethicia Lobato
Lethicia Lobato

Em: 13/08/2018

Acho que a pessoa suspeita é a Angélica, a babá do Antenor! 

Por tudo que o capítulo mostrou, tenho quase certeza 

Vamos esperar o próximo capítulo para descobrir!


Resposta do autor:

Oi Lethicia,

Pois é. Ficou meio óbvio, ne? rsrs. Mas, Angélica não fará mal a ele.

Bjs

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