Capítulo 12

Capítulo 12

de A dama de ferro!, por Tyka

Tamanho do texto
1.694 palavras5.631 leituras3 comentários

No dia seguinte à tempestade, Dominique encontrava-se na recepção da empresa quando Alexia cruzou o saguão em direção aos elevadores. A morena apressou o passo e entrou na cabine logo atrás dela.

​

- Bom dia — cumprimentou Dominique.

​

- Bom dia — respondeu Lex, seca, sem erguer o olhar. Nesse instante, a executiva notou o nariz e as maçãs do rosto da loira visivelmente avermelhados.

​

- Está com alguma alergia, doutora?

​

- O quê? Não. Licença.

​

Assim que o elevador atingiu o andar, Alexia saiu às pressas e trancou-se em sua sala. Dominique soltou um muxoxo nasalado e seguiu para cumprir sua agenda.

​

Dois dias depois...

​

- Samantha, por favor, vá até a Doutora Alexia e peça que traga os relatórios financeiros que solicitei.

​

- Claro, senhorita. Com licença.

​

Enquanto aguardava, Dominique debruçou-se sobre novas planilhas até ouvir duas batidas discretas na madeira.

​

- Entre.

​

- Com licença... Aqui estão os documentos. Me desculpe a demora — disse Lex, com a voz consideravelmente rouca e abafada.

​

A morena ergueu os olhos e avaliou a mulher à sua frente. Alexia parecia exausta: o rosto pálido contrastava com o nariz rubro, e ela lutava para conter o catarro e a respiração pesada.

​

- Você está claramente doente.

​

- Eu estou bem — insistiu, antes de ser vencida por uma violenta crise de tosse. Dominique balançou a cabeça em reprovação.

​

- Eu avisei para não enfrentar aquela chuva. Se tivesse me ouvido, não estaria nesse estado deplorável.

​

Lex tentou retrucar, mas nova tosse a interrompeu. Sem hesitar, a executiva levantou-se da poltrona, aproximou-se da loira e testou a temperatura encostando a palma da mão em sua testa.

​

- Você está fervendo em febre. Precisa de atendimento médico urgente.

​

- Eu já tomei um antitérmico... Logo passa.

​

- Então volte para casa e repouse imediatamente.

​

- Irei assim que terminar de despachar estas pendências.

​

- O trabalho não vai evaporar. Além do mais, permanecer aqui circulando entre os funcionários é um risco desnecessário de contágio — sentenciou Dominique, sem margem para debate. — Vá para casa e só retorne quando estiver recuperada.

​

Sem forças para argumentar, Alexia recolheu seus pertences, foi para casa, tomou um banho morno e desabou na cama. O corpo pesava, a garganta parecia em chamas e a febre castigava seus pensamentos.

​

Na noite seguinte, por volta das vinte e uma horas...

​

Dominique tentava focar nos relatórios de seu notebook, mas a imagem da loira doente insistia em invadir sua mente. Irritada com a própria falta de concentração, fechou o aparelho e decidiu ir até a residência vizinha averiguar a situação.

​

Ao tocar a campainha, foi atendida por uma mulher de meia-idade.

​

- Boa noite. A Doutora Alexia está?

​

- Quem deseja?

​

- Sou Dominique, vizinha dela e colega de trabalho. Como ela não apareceu hoje, vim ver se melhorou do resfriado.

​

- Ah, claro, entre por favor — convidou a funcionária doméstica. — Lex está deitada desde a tarde, nem levantou para jantar. Talvez a senhorita consiga fazê-la reagir. É a terceira porta à direita no corredor superior.

​

- Obrigada.

​

A morena subiu as escadas em silêncio. Bateu levemente e, diante da ausência de resposta, girou a maçaneta. O quarto estava mergulhado em penumbra, iluminado apenas pela luz tênue do celular que acionou para se orientar. Ao aproximar-se da cama, encontrou Alexia suando frio e trêmula. Quando tocou sua testa novamente para medir a febre, a loira sobressaltou-se, abrindo os olhos assustada.

​

- O que você está fazendo aqui no meu quarto?

​

- Vim ver como estava e descubro que piorou. Você precisa ir a um hospital.

​

- Não...

​

- Como assim, não? Olhe para o seu estado.

​

- Não vou ficar presa a uma cama de hospital de novo. Eu detesto aquilo — choramingou Alexia, revelando uma vulnerabilidade inédita que remeteu imediatamente ao relato de Ravena sobre o trauma passado.

​

- Certo. Responda: o que está sentindo além da febre alta?

​

- Dor insuportável na cabeça e na garganta.

​

- Abra a boca — ordenou a morena. Lex obedeceu com dificuldade. — Sua garganta está severamente inflamada. Tem alergia a algum fármaco?

​

- Não. Por quê?

​

- Já volto.

​

Dominique desceu, pediu a Ianny que a levasse à farmácia de plantão mais próxima, adquiriu os insumos necessários e retornou rapidamente ao dormitório. Quando Alexia viu a seringa em suas mãos, arregalou os olhos.

​

- O que pretende fazer com isso?

​

- Administração intramuscular é a via mais rápida para baixar essa febre e debelar a infecção, a menos que consiga engolir comprimidos com essa garganta fechada.

​

- Espera, como posso confiar em você? O que é isso?

​

Dominique revirou os olhos diante da desconfiança da doente.

​

- Não é veneno para eliminá-la. É Benzetacil para conter o quadro inflamatório. Depois você descansa e toma os antibióticos via oral que comprei.

​

- E como sabe exatamente o que devo tomar?

​

- Isso não vem ao caso agora.

​

- É claro que vem! Não vou injetar substâncias sem saber...

​

- Apenas confie em mim, doutora. Você não é a única aqui detentora de formação acadêmica de peso.

​

- Espere... Você também é médica? — questionou Alexia, perplexa, mas a morena manteve o silêncio enigmático.

​

- Fique de bruços, por favor.

​

- Ah, sério? Não pode ser no braço?

​

- Não. Vire-se logo — insistiu a executiva. Sem alternativa, a loira obedeceu, ajeitando o short no processo. — Belo traseiro, doutora — alfinetou Dominique, contendo um sorriso.

​

- Dá para aplicar logo essa porcaria? — reclamou Lex, sentindo segundos depois a leve picada da agulha. A mão da morena surpreendentemente firme e precisa causou o mínimo de dor.

​

- Pronto. Deixei os comprimidos na mesagem de cabeceira; tome um de cada a cada oito horas. Vou pedir para sua governanta trazer uma jarra de água fresca.

​

Dominique virou-se para a saída.

​

- Dominique... Obrigada.

​

- Descanse, doutora. Amanhã estará recuperada — disse, fechando a porta. Ela própria surpreendeu-se ao constatar o quanto havia gostado de ouvir seu nome pronunciado daquela maneira pela loira.

​

***

​

O final de semana chegou ensolarado. Katherine e Samantha dirigiram-se a uma área verde arborizada dentro do condomínio, ideal para piqueniques. Dominique ficara na mansão concluindo pendências corporativas, mas, ao encerrar suas tarefas, decidiu juntar-se a elas. Ao aproximar-se do local, deparou-se com uma cena inusitada: a ruiva estava com o rosto ruborizado de raiva e a caçula pranteava copiosamente.

​

- O que aconteceu aqui? Quem morreu? — inquiriu a executiva, com o cenho franzido.

​

- Aquele garoto idiota roubou minha boneca e não quer devolver! — soluçasva Katherine.

​

- Desculpe, senhorita Foster, tentei recuperar à força, mas aquele pirralho é o cão chupando manga — justificou-se Samantha.

​

Dominique fitou um menino de aproximadamente doze anos que zombava a poucos metros de distância e marchou em sua direção.

​

- Ei, garoto! Devolva imediatamente o brinquedo à sua dona legítima e vá procurar o que fazer, ou peça licença antes de mexer no que não lhe pertence.

​

- Ah, sai pra lá, tia! Essa boneca é da minha irmã, então vaza — respondeu o menino com empáfia.

​

A Foster inclinou o tronco até ficar na altura dos olhos do garoto, adotando um tom gélido e cortante:

​

- Escute bem: ou você devolve a boneca agora mesmo, ou garanto que seus pais receberão em casa uma caixinha contendo todos os seus dedinhos cortados. E nem pense em fugir, pois eu sei exatamente onde você mora, Max Cony.

​

O menino empalideceu instantaneamente ao ouvir seu nome completo e a ameaça sutil. Sem proferir uma única palavra, disparou na direção de Katherine, estendeu o brinquedo trêmulo e sumiu correndo por entre as árvores. Dominique endireitou-se e esboçou um sorriso vitorioso.

​

- Essa foi uma abordagem bem drástica, senhorita Foster — comentou Alexia, surgindo de repente por trás de uma árvore próxima, com um sorriso divertido. — Mas confesso que aquele pestinha merecia um susto.

​

- Vejo que está recuperada, já que continua praticando o nobre hábito de escutar conversas alheias.

​

- Estou ótima, sim. E não estava bisbilhotando; eu já estava sentada aqui lendo antes de vocês chegarem. Gosto de observar o movimento. Veio trazer a meninada para passear?

​

- Viemos espairecer um pouco.

​

- Já que está aqui, junte-se a nós. A Kath certamente vai adorar — convidou a loira.

​

- Agradeço, mas passo.

​

- Se está recusando por causa daquela nossa conversa sobre guardar distância profissional, saiba que agora é tarde... Afinal, você já viu até a minha bunda — retrucou Alexia, fazendo a morena corar levemente. — Vamos, sente-se.

​

Assim que se aproximaram do grupo, Katherine avistou a vizinha e correu para abraçá-la efusivamente.

​

- Lex! Que bom te ver inteira!

​

- O prazer é todo meu, pequena — sorriu a loira, retribuindo o abraço, o que levou Dominique a achar a cena genuinamente terna. — Olá, Samantha.

​

- Olá, doutora Alexia. Como se sente?

​

- Bem melhor, obrigada. E por favor, me chame apenas de Lex; vamos deixar os formalidades corporativas lá no escritório.

​

- Certo... Lex — concordou a ruiva, sorrindo.

​

- Samantha, não acha isso um absurdo? Eu exijo que pare de me tratar por "senhorita Foster" fora do expediente e você nunca atende, mas com a recém-chegada aceita de imediato? — provocou Dominique.

​

- Desculpe, senhorita, é força do hábito — desculpou-se a ruiva, enquanto as demais riam.

​

- Ora, admita que está com ciúmes, Dominique! — cantarolou Katherine, divertindo-se com a situação.

​

- Ah, é? Vou te mostrar quem está com ciúmes, mocinha! — ameaçou a morena, avançando para fazer cócegas na irmã, arrancando gargalhadas cristalinas que ecoaram por todo o bosque sob o olhar cúmplice e sorridente de Alexia.

Fim do capítulo

Publicidade
Conversa

Comentários

4
N

NandaSulivan

07/05/2019 às 07:54

Que fofo, a toda poderosa cuidando da Lex!!!

Está uma delicia está história... Parabéns



Resposta do autor: Que bom rsrs Obrigada! Abraço!
T

Thyane

11/11/2018 às 21:16

No Review
N

NayGomez

23/05/2018 às 17:33

Ain gente que momento fofo com as Quatro *_* bom Dom até que combina com a Lex mais tipo e a Sam?! Arruma alguem pra ela entao, talvez uma mulher parecida com a Dom, forte determinada, linda e milhonaria claro, mais só nao deixa a Sam sozinha supando dedo e pelo que percebi ela e Dom vao se torna grandes amigas. Lex por mais que nao quero dar o braço a torce ela realmente combina com a Dom.. Obg pelo cap

M

Moura

23/05/2018 às 10:20

Lindo!

Parabéns. 



Resposta do autor: Obrigada!! Bjs
Informar violação das regras