Capítulo 13

Capítulo 13

de A dama de ferro!, por Tyka

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— Toc, toc... — ouviu-se o som na madeira.

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— Entre.

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— Dominique, licença. Preciso falar com você.

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— Algum problema, Ravena?

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— Não sei se será um problema para você, mas... o tio Tony ligou para mim. Disse que não estava conseguindo contato direto contigo e me pediu para te dar um recado.

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— Pode falar, estou ouvindo — respondeu a morena, sem sequer desviar os olhos dos relatórios que examinava.

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— Ele pediu para você ligar urgentemente para ele porque sua madrasta foi presa por tráfico de drogas. Ele está perdido e precisa da sua ajuda.

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— Uhum.

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A executiva continuou remexendo nos papéis como se nada houvesse.

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— Dominique, você ouviu o que eu acabei de dizer?

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— Sim, Ravena, eu continuo com a audição perfeita.

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— E vai ficar aí imóvel? Não vai ajudar a mãe da sua irmã?

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— Claro que vou. Assim que ela assinar os papéis do divórcio.

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— O quê? Por acaso você tem dedo nessa prisão?

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— Por que eu sou sempre a principal suspeita? — retrucou a morena, encarando a amiga com altivez. — Apenas estou aproveitando a oportunidade para unir o útil ao agradável.

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— Sei... — desconfiou Ravena.

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— Ah, já ia me esquecendo! Lembra daquele agressor que foi encontrado morto no centro logo antes de você viajar para cá?

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— Vagamente. O que tem ele?

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— Sabe quem era o sujeito? Exatamente aquele infeliz que te importunou na boate Paradise e levou um soco no nariz.

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— O quê? Tem certeza absoluta?

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— Sim, vi a foto estampada nos jornais. Deve ter se metido com gente muito perigosa para terminar daquela maneira.

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Dominique franziu o cenho, de repente pensativa. Precisava esclarecer aquilo. Agradeceu a informação de Ravena e, assim que ficou sozinha, apanhou o celular e discou um número.

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— Jonas? É a Dominique. Preciso de respostas rápidas.

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— Pois não, senhorita.

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— Aquele homem que pegamos no estacionamento do shopping e levamos para uma conversinha... O que você e os rapazes fizeram com ele depois que fui para casa?

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— Demos apenas um corretivo para que aprendesse a respeitar as mulheres e o soltamos na saída da rodovia, exato como a senhora ordenou.

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— Tem certeza disso?

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— Absoluta, senhorita.

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— Então como me explica que ele foi encontrado morto no centro da cidade?

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— Não sei dizer... Nós o libertamos por volta das sete da noite e, segundo o laudo legista, o óbito ocorreu cerca de uma hora depois.

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— Da saída da cidade até o centro é uma distância considerável. Pelo horário estimado da morte, parece que ele saiu de um veículo e foi direto para outro.

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— De qualquer forma, garanto que nem eu nem meus homens tivemos envolvimento nisso. Jamais desobedeceríamos a uma ordem sua.

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— Eu confio em você, Jonas. Investigue essa ponta solta para mim; tem algo muito errado nessa história.

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— Farei isso imediatamente.

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— Certo. Até mais.

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— Até, senhorita.

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Dominique encerrou a chamada e suspirou fundo, apoiando o rosto nas mãos cruzadas sobre a mesa. Ouviu batidas impacientes na porta e, já estressada, ordenou que entrassem sem alterar a postura.

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— Com licença, vim avisar que chegou à diretoria a notícia de que alguns acionistas venderam suas fatias acionárias para um comprador anônimo. Por acaso a senhora... — dizia Alexia, parando de súbito ao notar o abatimento da morena. — Você está bem? Ei?

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A loira elevou o tom para chamar sua atenção, o que apenas irritou ainda mais a executiva.

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— Algum problema, doutora?

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— Nada que seja da sua conta — respondeu Lex, na defensiva.

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— Certo, acho melhor eu voltar mais tarde. Licença.

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— Espera — gritou Dominique, sobressaltando-se. — Me desculpe. Estressei-me com um assunto pessoal e acabei descontando em você.

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Alexia paralisou, surpresa. Ouvir um pedido de desculpas vindo de Dominique Foster era algo inédito, o que a convenceu a permanecer na sala.

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— Bom... Se for algo corporativo em que eu possa ser útil, estou à disposição.

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— Obrigada, mas não tem relação com a Foster.

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— Você parece genuinamente preocupada.

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— Ou talvez não esteja — ironizou Alexia.

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— Por que diz isso?

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— Ravena comentou que você detesta sua madrasta, logo, não vejo motivos lógicos para preocupação. Eu certamente não me importaria.

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— É realmente difícil manter segredos perto de alguém tão bem informada.

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— Então estava tentando me manipular? — questionou a loira, e Dominique abriu um sorriso lento que deixou Alexia completamente enfeitiçada.

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— O que foi? — estranhou a morena ao ver a outra estática.

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— Você deveria fazer isso mais vezes.

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— Fazer o quê?

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— Sorrir. Você já é linda exibindo essa pose intocável, mas quando sorri... fica deslumbrante.

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— Por acaso está me cortejando, Doutora Thompson?

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— O quê? Nã... não, claro que não! Eu tenho um noivo... e a senhora também deve ter alguém, eu só... — gaguejou Lex, vermelha como um pimentão.

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— Calma, não precisa entrar em pânico.

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— Eu não estou nervosa! — disparou, sem convicção.

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— Sei. Mas cometeu um equívoco: eu não tenho namorado. Na verdade, prefiro mil vezes a companhia feminina — murmurou a morena, levantando-se e contornando a mesa até parar colada às costas da loira. — Completamente — sussurrou bem rente ao ouvido de Alexia, fazendo-a estremecer por completo.

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— Mas você não tem o perfil... — tentou afastar-se Lex, alarmada.

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— Perfil de quê? Por acaso esperava que eu usasse cabelo curto, bermudão largo e pochete? Pelo amor, doutora, estamos no século XXI; nem toda lésbica adota um estereótipo masculino. Embora eu não tenha nada contra as "bofinhos", queridinha; cheguei a me envolver com uma no passado e garanto que foi uma das melhores noites de sexo da minha vida — provocou Dominique, fitando a expressão escandalizada da loira. — Vamos lá, pergunte logo.

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— Perguntar o quê?!

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— O que está rondando essa sua cabecinha curiosa. Como duas mulheres fazem amor?

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— Como você... — ruborizou ainda mais.

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— É a dúvida clássica de quem nunca viveu isso — sorriu a executiva.

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— Pois tiro seu cavalinho da chuva, eu não ia perguntar absolutamente nada e não tenho o menor interesse! — esbravejou Lex, com as bochechas pegando fogo.

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— Certo. Então me mostre o que veio fazer aqui... Os relatórios das ações. A menos que queira me mostrar outra coisa — alfinetou Dominique.

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— Não, não quero! Aqui estão os documentos — estendeu a pasta bruscamente. — Pode ficar com o original, eu tenho cópia. Agora, se me dá licença, tenho demandas a cumprir.

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— Perfeito. Se surgir qualquer dúvida técnica, estou à disposição.

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— Muito obrigada, mas minhas dúvidas são nulas. Com licença.

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Alexia bateu a porta ao sair, enquanto Dominique ria baixinho, encantada por descobrir que provocar aquela mulher petulante era seu novo passatempo favorito.

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Horas mais tarde...

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Ao retornar de seu horário de almoço, Dominique cruzou com Alexia exatamente quando as portas do elevador se abriram para o subsolo. A loira entrou, mas virou o rosto ostensivamente para o lado opuesto, fingindo total indiferença. O cubículo começou a subir em absoluto silêncio; a morena mantinha o olhar fixo e cirúrgico na nuca da loira.

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De repente, sem aviso, Dominique deu um passo à frente. Alexia recuou o corpo por reflexo até sentir suas costas baterem contra o painel metálico do elevador. Vendo a executiva avançar como uma predadora prestes a encurralar a presa, a loira prendeu a respiração instantaneamente, o coração disparado na garganta.

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Dominique parou a centímetros de seu rosto, ergueu a mão com deliberada lentidão apenas para acionar o botão da cobertura, esboçou um sorriso irônico e retornou à sua posição original.

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De braços cruzados, a morena observava de soslaio a situação: Alexia estava vermelha como um tomate maduro, sufocando propositalmente por puro nervosismo.

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— Você vai desmaiar por asfixia se continuar sem respirar — murmurou Dominique, sem encará-la diretamente.

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Segundos depois, o sinal indicou a chegada ao andar desejado e as portas se abriram, mas ambas permaneceram imóveis até que a executiva virou o rosto.

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— Não vai descer, doutora?

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Ao se dar conta de que estava paralisada justamente em seu próprio andar, Alexia disparou para fora da cabine a passos largos, fugindo às pressas enquanto as portas se fechavam lentamente.

​

Dentro do elevador, Dominique sorriu sozinha, pensando em como aquela mulher conseguia desafiar sua compostura com uma facilidade desconhecida nos últimos anos.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

4
T

Thyane

11/11/2018 às 21:28

No Review
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Membro

11/11/2018 às 08:06

Ola autora que bom te ver por aqui de novo. Seja bem vinda de volta! 

Meus sentimentos pelo seu pai. Que o Todo Poderoso Deus conforte o seu coração. 

Fica bem!

Um grande abraço!



Resposta do autor: Muito obrigada! Bj
N

NayGomez

10/11/2018 às 11:29

Kkkkkkk tadinha acho que a loirinha vai passar uns bucado nas mãe da Dom kkkk já tô até vendo hahaha.  Pf vê se não some tá adoro seu conto. 



Resposta do autor: Obrigada,não pretendo mais sumir. Como leitora sei o quanto é ruim quando o autor para a história Bjs
L

Lili

10/11/2018 às 11:27

Tayka meus sentimentos, saiba que deus vai conforta você e sua família, sem bem a dor que esta sentido.

Mas nao se preocupe tudo ao seu tempo e hora.



Resposta do autor: É verdade,obrigada!
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