— Toc, toc... — ouviu-se o som na madeira.
— Entre.
— Dominique, licença. Preciso falar com você.
— Algum problema, Ravena?
— Não sei se será um problema para você, mas... o tio Tony ligou para mim. Disse que não estava conseguindo contato direto contigo e me pediu para te dar um recado.
— Pode falar, estou ouvindo — respondeu a morena, sem sequer desviar os olhos dos relatórios que examinava.
— Ele pediu para você ligar urgentemente para ele porque sua madrasta foi presa por tráfico de drogas. Ele está perdido e precisa da sua ajuda.
— Uhum.
A executiva continuou remexendo nos papéis como se nada houvesse.
— Dominique, você ouviu o que eu acabei de dizer?
— Sim, Ravena, eu continuo com a audição perfeita.
— E vai ficar aí imóvel? Não vai ajudar a mãe da sua irmã?
— Claro que vou. Assim que ela assinar os papéis do divórcio.
— O quê? Por acaso você tem dedo nessa prisão?
— Por que eu sou sempre a principal suspeita? — retrucou a morena, encarando a amiga com altivez. — Apenas estou aproveitando a oportunidade para unir o útil ao agradável.
— Sei... — desconfiou Ravena.
— Ah, já ia me esquecendo! Lembra daquele agressor que foi encontrado morto no centro logo antes de você viajar para cá?
— Vagamente. O que tem ele?
— Sabe quem era o sujeito? Exatamente aquele infeliz que te importunou na boate Paradise e levou um soco no nariz.
— O quê? Tem certeza absoluta?
— Sim, vi a foto estampada nos jornais. Deve ter se metido com gente muito perigosa para terminar daquela maneira.
Dominique franziu o cenho, de repente pensativa. Precisava esclarecer aquilo. Agradeceu a informação de Ravena e, assim que ficou sozinha, apanhou o celular e discou um número.
— Jonas? É a Dominique. Preciso de respostas rápidas.
— Pois não, senhorita.
— Aquele homem que pegamos no estacionamento do shopping e levamos para uma conversinha... O que você e os rapazes fizeram com ele depois que fui para casa?
— Demos apenas um corretivo para que aprendesse a respeitar as mulheres e o soltamos na saída da rodovia, exato como a senhora ordenou.
— Tem certeza disso?
— Absoluta, senhorita.
— Então como me explica que ele foi encontrado morto no centro da cidade?
— Não sei dizer... Nós o libertamos por volta das sete da noite e, segundo o laudo legista, o óbito ocorreu cerca de uma hora depois.
— Da saída da cidade até o centro é uma distância considerável. Pelo horário estimado da morte, parece que ele saiu de um veículo e foi direto para outro.
— De qualquer forma, garanto que nem eu nem meus homens tivemos envolvimento nisso. Jamais desobedeceríamos a uma ordem sua.
— Eu confio em você, Jonas. Investigue essa ponta solta para mim; tem algo muito errado nessa história.
— Farei isso imediatamente.
— Certo. Até mais.
— Até, senhorita.
Dominique encerrou a chamada e suspirou fundo, apoiando o rosto nas mãos cruzadas sobre a mesa. Ouviu batidas impacientes na porta e, já estressada, ordenou que entrassem sem alterar a postura.
— Com licença, vim avisar que chegou à diretoria a notícia de que alguns acionistas venderam suas fatias acionárias para um comprador anônimo. Por acaso a senhora... — dizia Alexia, parando de súbito ao notar o abatimento da morena. — Você está bem? Ei?
A loira elevou o tom para chamar sua atenção, o que apenas irritou ainda mais a executiva.
— Algum problema, doutora?
— Nada que seja da sua conta — respondeu Lex, na defensiva.
— Certo, acho melhor eu voltar mais tarde. Licença.
— Espera — gritou Dominique, sobressaltando-se. — Me desculpe. Estressei-me com um assunto pessoal e acabei descontando em você.
Alexia paralisou, surpresa. Ouvir um pedido de desculpas vindo de Dominique Foster era algo inédito, o que a convenceu a permanecer na sala.
— Bom... Se for algo corporativo em que eu possa ser útil, estou à disposição.
— Obrigada, mas não tem relação com a Foster.
— Você parece genuinamente preocupada.
— Ou talvez não esteja — ironizou Alexia.
— Por que diz isso?
— Ravena comentou que você detesta sua madrasta, logo, não vejo motivos lógicos para preocupação. Eu certamente não me importaria.
— É realmente difícil manter segredos perto de alguém tão bem informada.
— Então estava tentando me manipular? — questionou a loira, e Dominique abriu um sorriso lento que deixou Alexia completamente enfeitiçada.
— O que foi? — estranhou a morena ao ver a outra estática.
— Você deveria fazer isso mais vezes.
— Fazer o quê?
— Sorrir. Você já é linda exibindo essa pose intocável, mas quando sorri... fica deslumbrante.
— Por acaso está me cortejando, Doutora Thompson?
— O quê? Nã... não, claro que não! Eu tenho um noivo... e a senhora também deve ter alguém, eu só... — gaguejou Lex, vermelha como um pimentão.
— Calma, não precisa entrar em pânico.
— Eu não estou nervosa! — disparou, sem convicção.
— Sei. Mas cometeu um equívoco: eu não tenho namorado. Na verdade, prefiro mil vezes a companhia feminina — murmurou a morena, levantando-se e contornando a mesa até parar colada às costas da loira. — Completamente — sussurrou bem rente ao ouvido de Alexia, fazendo-a estremecer por completo.
— Mas você não tem o perfil... — tentou afastar-se Lex, alarmada.
— Perfil de quê? Por acaso esperava que eu usasse cabelo curto, bermudão largo e pochete? Pelo amor, doutora, estamos no século XXI; nem toda lésbica adota um estereótipo masculino. Embora eu não tenha nada contra as "bofinhos", queridinha; cheguei a me envolver com uma no passado e garanto que foi uma das melhores noites de sexo da minha vida — provocou Dominique, fitando a expressão escandalizada da loira. — Vamos lá, pergunte logo.
— Perguntar o quê?!
— O que está rondando essa sua cabecinha curiosa. Como duas mulheres fazem amor?
— Como você... — ruborizou ainda mais.
— É a dúvida clássica de quem nunca viveu isso — sorriu a executiva.
— Pois tiro seu cavalinho da chuva, eu não ia perguntar absolutamente nada e não tenho o menor interesse! — esbravejou Lex, com as bochechas pegando fogo.
— Certo. Então me mostre o que veio fazer aqui... Os relatórios das ações. A menos que queira me mostrar outra coisa — alfinetou Dominique.
— Não, não quero! Aqui estão os documentos — estendeu a pasta bruscamente. — Pode ficar com o original, eu tenho cópia. Agora, se me dá licença, tenho demandas a cumprir.
— Perfeito. Se surgir qualquer dúvida técnica, estou à disposição.
— Muito obrigada, mas minhas dúvidas são nulas. Com licença.
Alexia bateu a porta ao sair, enquanto Dominique ria baixinho, encantada por descobrir que provocar aquela mulher petulante era seu novo passatempo favorito.
Horas mais tarde...
Ao retornar de seu horário de almoço, Dominique cruzou com Alexia exatamente quando as portas do elevador se abriram para o subsolo. A loira entrou, mas virou o rosto ostensivamente para o lado opuesto, fingindo total indiferença. O cubículo começou a subir em absoluto silêncio; a morena mantinha o olhar fixo e cirúrgico na nuca da loira.
De repente, sem aviso, Dominique deu um passo à frente. Alexia recuou o corpo por reflexo até sentir suas costas baterem contra o painel metálico do elevador. Vendo a executiva avançar como uma predadora prestes a encurralar a presa, a loira prendeu a respiração instantaneamente, o coração disparado na garganta.
Dominique parou a centímetros de seu rosto, ergueu a mão com deliberada lentidão apenas para acionar o botão da cobertura, esboçou um sorriso irônico e retornou à sua posição original.
De braços cruzados, a morena observava de soslaio a situação: Alexia estava vermelha como um tomate maduro, sufocando propositalmente por puro nervosismo.
— Você vai desmaiar por asfixia se continuar sem respirar — murmurou Dominique, sem encará-la diretamente.
Segundos depois, o sinal indicou a chegada ao andar desejado e as portas se abriram, mas ambas permaneceram imóveis até que a executiva virou o rosto.
— Não vai descer, doutora?
Ao se dar conta de que estava paralisada justamente em seu próprio andar, Alexia disparou para fora da cabine a passos largos, fugindo às pressas enquanto as portas se fechavam lentamente.
Dentro do elevador, Dominique sorriu sozinha, pensando em como aquela mulher conseguia desafiar sua compostura com uma facilidade desconhecida nos últimos anos.
Fim do capítulo

Thyane
11/11/2018 às 21:28
Membro
11/11/2018 às 08:06
Ola autora que bom te ver por aqui de novo. Seja bem vinda de volta!
Meus sentimentos pelo seu pai. Que o Todo Poderoso Deus conforte o seu coração.
Fica bem!
Um grande abraço!
Resposta do autor: Muito obrigada! Bj
NayGomez
10/11/2018 às 11:29
Kkkkkkk tadinha acho que a loirinha vai passar uns bucado nas mãe da Dom kkkk já tô até vendo hahaha. Pf vê se não some tá adoro seu conto.
Resposta do autor: Obrigada,não pretendo mais sumir. Como leitora sei o quanto é ruim quando o autor para a história Bjs
Lili
10/11/2018 às 11:27
Tayka meus sentimentos, saiba que deus vai conforta você e sua família, sem bem a dor que esta sentido.
Mas nao se preocupe tudo ao seu tempo e hora.
Resposta do autor: É verdade,obrigada!