Reflexos do que somos de verdade
Depois daquela revelação, Ester não voltou a tocar no assunto da Erika, mas a dor me consumia dia após dia.
Alguns dias se passaram e passávamos de escola em escola com a palestra, isso me consumia a cada vez que tocava no assunto da obesidade. Ver aqueles jovens seus olhos eram como espelhos pra minha alma.
Meus pais e eu decidimos não tocar mais nesse assunto e o caso foi abafado, naquela época eles tinham medo que eu fosse sentir represálias, mas nada disso aconteceu havia sim um boato que provavelmente seria por minha causa, mas nada nunca fora provada.
As palavras doem mais do que a agressão física.
Pensava enquanto estávamos mais uma vez na estrada.
-Melhor pararmos.
-É porque ?
Ester me respondeu ainda com sua atenção na estrada, era evidente a sua tristeza e raiva perante a tudo.
-Não comeu nada na última parada pensei que...
-Há você pensa ? Bom saber Amanda.
Suspirei - Ester estou tentando me aproximar, vamos conversar agora com mais calma.
A olhei estava realmente querendo uma conversa mais amena entre nós.
-Agora você se preocupa com a minha alimentação é meu bem está, me desculpe Amanda chegou tarde demais.
Virei o rosto olhando pra estrada, tentava a dias ligar pra Cecilia, mas seu celular só se encontrava na caixa postal.
-Tudo bem faça como quiser.
Respondi desanimada olhando os carros na estrada.
Depois de algumas horas de viagem chegamos numa cidadezinha pacata, essas de interior.
Ao descer do carro Ester não se fez de rogada e pegou sua mala que estava pesada, devido as compras que fez passando de cidade em cidade.
-Deixa que te ajudo!
Segurei a alça da mala, porem senti um leve tapa em minha mão e logo a segurou com violência olhando em meus olhos.
-Não preciso da sua ajuda!
Entramos no hotel desta vez foram dois quartos, passei a manhã isolada em meu quarto tentando puxar pela memória um pedacinho da Erika, pior que em todas elas a maltratava chamando de nomes horrível fazendo-a passar vergonha perante todos.
Ao olhar pela janela avistei Ester na piscina decidi descer pra conversar um pouco, ao chegar na área da piscina o silencio e o isolamento pareciam ser nossos aliados, me aproximei com cuidado dela enquanto estava sentada na borda.
-Posso te fazer companhia ?
Ela tirou os óculos de sol e deu de ombros.
Me sentei ao seu lado mexendo um pouco na água.
Depois de ter dito tudo que estava entalado em minha garganta por longos anos, decidi evitar a Amanda me odiava por ter sido vulnerável a esse ponto, aguentei demais, mas tudo estava agora em seus eixos.
-você não é uma pessoa má Ester!
Ela me olhou de depois voltou a fitar a água morna e clara, nossos reflexos nos revelava quem somos verdadeiramente.
-você não é cem porcento forte! Retrucou.
Sorri - É verdade, as vezes penso que estou no controle de tudo, ou que posso proteger a pessoa que amo, mas sou a pessoa mais frágil que você conhece, nessa hora meus olhos começaram a lacrimejar.
-Eu não sou uma boa mãe, esse tempo todo me mantive focada em te encontrar, é deixei a minha filha de lado.
Nos olhávamos uma nos olhos da outra, tudo estava se desmoronando bem ali diante da gente.
-Você é incrível, uma das pessoas mais responsáveis e focadas que conheço, não quero que pense que estou dizendo isso pra amenizar ou reparar meu erro, sei que nada vai trazer a Erika de volta, mas nós aprendemos com os erros. Eu por não saber dar valor a um amor que era só meu, você por se sentir uma péssima amiga, é aos meus pais por tentarem abafar uma coisa daquelas.
As primeiras lagrimas rolaram do meu rosto contra minha pele quente, chegava a queimar.
Ester me abraçou forte, enquanto as lagrimas insistiam em cair mais e mais.
-Há uma coisa que você pode fazer.
Sussurrou em meu ouvido e depois se afastou.
-O quê ?
Ela se levantou e eu a acompanhei.
-Uma volta ao passado, topa voltar ao início comigo.
Sorri - Se for pra conhecer um pouco da Erika, eu aceito.
Fim do capítulo
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