Buscando a Verdade
No dia seguinte fui realizar a primeira tarefa do dia, a palestra na escola Dom Pedro segundo, descemos e fomos tomar café. Notei que Ester estava mais focada no trabalho quanto a mim tentando me aproximar mais.
-Depois da palestra temos outras duas.
-Por mim tudo bem.
Seu celular tocou em cima da mesa era a suposta namorada, não estava cem por cento levando a serio essa relação dela.
Mas ouvir palavras de carinho e varias declarações da sua parte para a namorada me fez sentir falta da minha baixinha.
Aproveitei que ainda tinha alguns minutos e me afastei pra ligar pra minha linda, no primeiro toque já atendeu.
-Oie.. amor
Sua voz estava ofegante perguntei o que estava acontecendo, em resposta ela me disse que estava correndo um pouquinho.
Sorri ao saber disto era melhor que comer besteiras o dia todo.
-Estou com saudade.
-Eu mais ainda, ainda tenho três palestras pra realizar hoje.
-Mais tarde podemos nos ver ?
-Claro minha flor, tenho que ir agora te amo.
-Te amo dona Amanda.
Ela desligou primeiro e fiquei surpresa com o Dona Amanda, mas gostei muito, neguei com a cabeça tudo aquilo.
Às vezes Cecília me confundia sendo menina e mulher ao mesmo tempo, Ester se aproximou e fomos pro carro.
Desliguei o celular e o joguei em cima da cama estava disposta a emagrecer, olhei pro relógio e ainda era cedo, tomei um banho rápido escolhendo um camisão rosa e uma calça.
Ao descer minha mãe gritava o meu nome, os gritos vinham da lavanderia ao entrar ela me lançou um olhar serio.
-Posso saber quem te deu isso ?
Suspirei tinha esquecido o cartão que o Miguel tinha me dado, com toda aquela agitação e discussão com a Amanda acabei deixando dentro do bolso mesmo.
-Foi um funcionário da Freedom que me deu.
Minha mãe riu alto debochando da minha cara, o sangue começou a subir rápido demais.
-Freedom riu mais ainda, conheço é uma empresa muito influente no mercado pra pessoas como você.
-Pessoas como eu respondi.
Ela colocou as roupas dentro da maquina e a confrontei me aproximando e a impedindo de realizar a ação.
-Pessoas como eu mãe!
Toco em seu braço, a faço tentar me enxergar pela primeira vez.
-Sim Cecília pessoas como você, gordas.
Meu corpo todo dava sinais de fraqueza, mas não seria mais a filha obediente e passional que venho sendo esse tempo todo.
-Melhor ser gorda do que mal amada.
Senti sua mão pesada em meu rosto pela primeira vez, minha pele ardia.
-Escuta aqui garota estar achando que está falando com quem ?
Ela apertava meu braço me fazendo a encarar, nenhuma lagrima rolou de meu rosto não daria esse gostinho a ela.
-Com uma pessoa que não e é nunca foi a minha mãe! Gritei.
Ela olhou no fundo dos meus olhos e me soltou me fazendo bater com as costas na porta.
-Não me atrapalhe com suas besteiras.
Jogou sabão em pó na maquina a sua maneira a fechando, passou por mim ainda com o cartão na mão.
-Acho melhor à senhora me devolver esse cartão.
-Acha melhor, riu novamente.
Saímos da lavanderia e entramos na cozinha, abriu a geladeira tirando um suco e pondo em cima da mesa.
-Não sei se esqueceu mais ainda é de menor.
-Meu aniversario é semana que vem.
Pousou as mãos no balcão me fitando, assentindo o que tinha respondido.
-Acha mesmo que com esse comportamento chegará a algum lugar ? Não tente correr ou embarcar em uma dieta não mudará continuará a mesma garota esquisita e gorda que pus no mundo.
-Você estar enganada mãe, mudei bastante o tanto pra te enfrentar.
Ela riu, despejando o suco no copo sem se preocupar com o que estava falando.
-Está toda boba por causa do carro que o seu pai te deu, é assim acha que pode me enfrentar.
Caminhei até o balcão a olhando fixamente não sei de onde tirei tanta força pra peitá-la, mas isso será bom pra mim.
-Quem é você Patrícia ?
-Hã ? Olhou-me sem entender.
-Quem é você, divorciada trabalha com imóveis e tem uma vida medíocre, mas vive puxando o saco das suas amigas da alta apenas pra não se sentir diminuída, é quando algo não sai ao seu favor trata a própria filha como saco de pancadas.
Vi sua expressão mudar radicalmente deu a volta no balcão ficando diante de mim.
Aquela altura não éramos mais mãe e filha, e sim eu e Patrícia, é duro acreditar que a minha vida toda fui humilhada por uma pessoa que deveria cuidar de mim me proteger.
-Repeti o que você disse.
-Você ouviu me esconde dos outros, me deixa jantar no quarto pra suas amigas não me verem, se há um evento tenho que ficar o mais longe de você é não te humilhar perante a essa gente.
É uma pessoa sem sentimentos fria seca , não serviu nem pra ser filha mãe é esposa!
Seu braço se ergueu novamente pra me desferir um tapa porem o segurei, juntando todas as minhas forças, ela me olhou assustada devido ao ato.
-Não, desta vez não!
Soltei sua mão, mas fora tarde demais me desferiu um tapa forte que fez meu rosto virar, ao encará-la outro tabefe.
Nessas horas as lagrimas começaram a rolar sem nenhum esforço sequer, ela me pegou pelos braços me fazendo a encara-lá.
-Já que é alto suficiente que vá pro diabo que o parta.
Levou-me até a entrada e me jogou contra o chão.
-Não ficará nenhum minuto mais em minha casa, fechou a porta a essa altura os vizinhos saíram de suas casas pra olhar.
A porta fora aberta novamente e junto veio minha mala que foi jogada na calçada muito mal fechada.
-Não quer que seja sua mãe ótimo, pois nunca quis ter uma filha mesmo.
E fechou a porta com força, estava assustada me levantei ainda com os olhares das pessoas sobre mim, senti alguém tocando em meu ombro era Clara que estava chegando pra mais um dia de trabalho.
Eu ia falar algo, mas ela não deixou pegou minha mala e me levou pra casa da Amanda, ao entramos começou a conversar comigo calmamente.
-Fique tranqüila aqui estará salva.
-Por favor Clara não conte pra Amanda ela ficaria louca e voltaria imediatamente pra cá.
-Fique calma não vou contar, agora vem comigo vamos cuidar desse joelho ralado.
A palestra no Dom Pedro primeiro foi um sucesso os alunos gostaram muito sobre o debate, na saída liguei pra Cecília, mas o celular chamava e ninguém atendia.
-Estranho.
-O que é estranho ?
-A Cecília não estar atendendo.
Ester pareceu não se importar com minha resposta, mas dela a essa altura poderia esperar tudo depois da nossa noite conturbada no hotel.
Pegamos a estrada novamente olhava as paisagens enquanto Ester dirigia concentrada na estrada, tocou varias musicas antigas na radio em que ouvíamos entre uma e outra começou a tocar Linger da banda the Cranberries.
Sorri olhei pra Ester e ela pareceu entender e sorriu também, ouvimos muito essa banda quando ermos jovens, comecei a cantar alguns trechos.
Se você
Se você puder voltar
Não deixe isso queimar
Não deixe isso desaparecer
Tenho certeza de que não estou sendo rude
Mas é apenas sua atitude
Está acabando comigo
Está estragando tudo
Eu jurei
Eu jurei que seria sincera
E querido, você também jurou
Nessa hora parei de cantar deixando a música seguir.
Então porque você estava segurando a mão dela?
É assim que estamos agora?
Você estava mentindo o tempo todo?
Foi só um jogo para você?
Mas estou tão envolvida
Ouvi sua voz Ester cantava lindamente.
Você sabe que sou uma grande boba por você
Você me tem na sua mão
Você tem que deixar isso se prolongar?
Você tem que, você tem que, você tem que deixar isso continuar?
Oh, eu imaginava tudo de você
Eu achei que nada poderia dar errado
Mas eu estava errada
Eu estava errada
Comecei a sentir um incômodo enquanto Ester continuava a cantar, estávamos chegando ao hotel quando parou o carro.
Sua cabeça estava apoiada em seus braços na frente do volante, isso começou a me preocupar.
-Estar tudo bem, toco em seu ombro então me olhou com os olhos lacrimejando.
-Não estar nada bem Amanda.
Abriu a porta do carro tirei o cinto rapidamente abri a porta a seguindo, Ester parecia desorientada.
-Ester espera!
Estávamos numa avenida todo cuidado era necessário, depois de atravessar consegui pará-la.
Toquei em seu ombro -Ficou louca poderia ter sido atropelada.
-Como você se importa-se, só se importa com aquela sua namorada.
-Isso não é verdade.
-Me poupe Amanda de suas palavras , se afastou sem me deixar terminar.
-Ester tem que voltar pro carro, vamos conversar no hotel.
Ela caminhava sem paradeiro especifico havia apenas arvores e estrada.
-Ester estou falando com você!
A fiz virar-me e me fitar.
-Por que Amanda por que mudou tanto assim ?
-A vida faz a gente mudar pra melhor ou pra pior, mas isso não vem ao acaso.
Ela riu - Claro é o que vem ao caso ? Suas palestras a academia há deixa eu ver sua namoradinha.
Estava perdendo a cabeça com ela - Por favor Ester sem joguinhos tempo uma planilha pra seguir.
-Joguinhos Amanda tipo aquele do ensino médio, aquele mesmo que ferrou com a vida da Erika.
Dei um passo pra trás aquele não era o momento nem o local pra isso.
-Olha vamos conversar no hotel por favor.
Tentei tocar em seu braço, mas ela se afastou indignada.
-Acha mesmo que pode manter isso em segredo pra sempre ?
-Ele estava bem guardado até, comecei a me irritar andava de um lado pro outro.
-Até a sua Cecília chegar não é mesmo ?
Olhei pra estar com fúria me aproximei dela apontando um dedo em seu rosto.
-Se você contar isso pra ela eu juro que acabo com você.
Ela riu e olhou-me por alguns segundos.
Tocou em meu rosto fazendo um leve carinho, a minha raiva era tanta que nem me dei conta do que Ester estava fazendo.
-Como a vida é engraçada, pensei que a vida tinha melhorado que você tinha mudado, mas tudo mudou quando ela apareceu não é mesmo.
Segurei em sua mão desfazendo aquele contato Cecília é tudo pra mim, Ester não acabaria com isso assim.
-Ester não me provoca até agora você viu uma Amanda centrada atenciosa, mas não mexa com a minha menina.
Riu - aí Amanda você hein me surpreende a cada minuto, olha pra tudo isso.
Abriu os braços.
-Olha até onde estamos passando de colégio em colégio palestrando sobre a obesidade, você falando sobre alimentação nutrição esporte vitalidade. Quando na verdade há anos atrás você foi acusada de provocar bullying contra a minha melhor amiga, é tudo isso só porque ela te amava.
Ester gritava jogando tudo o que estava guardado a sete chaves do qual eu e meus pais juramos nunca mais tocar no assunto.
-Não foi assim que planejei essa conversa.
-Há você planejou, planejou a morte dela também ?
- O quê, não todo mundo sabe que foi um acidente.
-Claro que foi ela dormiu na minha casa um dia antes do suicídio.
-Por favor Ester.
-NÃO! Agora você vai me ouvir calada! Será mesmo que você sabe como ela se sentia perante a você, ela te idolatrava enquanto isso você a maltratava dia após dia com palavras insultos é pior humilhações perante o colégio inteiro. Mas você não estava nem aí pros sentimentos de alguém que te amou verdadeiramente, pisava esmilhagava o coração da Erika sem dó nem piedade. Sabia que ela teve síndrome do pânico por sua causa ?
-Não.
Foi o que consegui falar.
-Pois ela teve passou o verão inteiro em casa com medo de sair é ver que a pessoa que amava iria maltratá-la na frente de qualquer pessoa, porque você Amanda não perdia tempo pra cuspir palavras de ódio contra ela.
Ester respirou fundo agora com os olhos vermelhos de tanto chorar.
-Até o dia que seus pais a encontraram enforcada no quarto, depois da sua última brincadeira lembra ?
-Sim, ela ...
Mal conseguia falar algumas lagrimas começar a cair, Ester se aproximou tocando em meu queixo.
-Fala é não chora, pois você não tem esse direito.
-Ela ia fazer aniversario e deu o convite pra todos na sala, eu fui a primeira a receber.
Ester assentiu.
-Continue
- Depois os outros receberam, é de outras turmas também, lembro de jogar o convite fora e...e chamar todos pra casa de praia do meu pai com direito a tudo liberado, meu Deus.
Sentei-me no chão sem me importar se a calça ficasse suja de terra, Ester continuou de pé apenas me observando.
-No dia seguinte todos foram a minha festa entrou até penetra, ao voltar pra escola soube que ninguém foi a sua festa.
-É o que você sentiu Amanda ?
-Felicidade.
Respondi olhando pra ela.
-Um dia depois minha amiga morreu.
Abaixei a cabeça com vergonha de mim e da Ester, não havia outra maneira de tocar neste assunto.
-Eu sinto muito.
-Sente muito Amanda, sente muito. Depois de duas semanas os pais dela falaram que pagariam alguém pra fazer uma limpeza em seu quarto, mas me ofereci afinal quem mais próximo que eu aquela altura pra mexer em suas coisas, eles estavam tão maus que não conseguiriam nem entrar no próprio quarto da filha.
Passei a tarde toda encaixotando as coisas e separando as roupas pra doação, com a morte da filha eles decidiram se mudar, afinal a morte dela virou o centro das atenções no bairro. Foi quando encontrei o diário dela, lembro como se fosse hoje me sentei na cama e folhei folha por folha. Você tinha que estar lá pra ler o quanto ela te amava apensar de tudo, eram muitas declarações com datas corações e poemas até mesmo nos piores dias ela escrevia coisas lindas ao seu respeito, uma frase que jamais esquecerei.
Tudo isso que passo agora é porque a Amanda não entende e não conhece o verdadeiro sentimento que tenho por ela, tudo o que queria era que ela me notasse me olha-se com ternura, mas só recebo xingamentos de sua parte eu sei que deveria seguir em frente, mas não mando em meu coração um dia sei que as coisas iram mudar.
-Para Ester por favor para!
Levantei-me encarando a mulher a minha frente revelando os podres de meu passado ali, com intuito de me sentir a pior pessoa da face da terra.
-Você não ganha nada com isso.
-Cala a boca, porque ainda não acabei!
-Eu li aquele diário dia após dia tentando entender quem era essa Amanda tão enigmática incrível que a Erika escrevia tanto, tinha dias que relia varias vezes pior fui acreditando com o passar dos meses em tudo aquilo.
Depois da sua morte alguns meses depois você mudou radicalmente, nos formamos e cada uma seguiu a sua vida, mas nunca deixei você pra trás você mudou se transformou em tudo aquilo que a Erika idealizava, é eu...eu acabei me apaixonando por você. Lembra quando você me disse que não mandamos no coração? Pois bem eu tinha traído a minha própria amiga.
Ouvia Ester calada agora os ânimos estavam mais calmos e o tempo mudando ao nosso redor, começou a chover e nenhuma de nós conseguia sair do lugar.
-Eu me formei construi família tive a Lara tudo isso continuando a seguir seus passos, foi quando nos conhecemos.
-você surgiu na minha frente e eu te atropelei. Respondi.
Riu - Não Amanda, eu quis ser atropelada por você.
-O quê ? Está me dizendo que você se jogou na frente do meu carro ?
-Sim, uma abordagem na academia não teria o efeito desejado.
-Poderia ter sofrido algo pior. Retruquei.
-Nessa vida Amanda não existem coincidências, pode me chamar de louca, pelo menos tentei tentei me aproximar, falhei em vários aspectos até que ela apareceu né. Linda perdida emocionalmente frágil tudo o que a Erika foi.
-Não, a Cecília não é a Erika tire isso da cabeça.
Ester caminhou lentamente a onde estava a essa hora nossas roupas estavam encharcadas.
-Fique com ela, vamos ver até a onde vai esse amor todo.
Ela ia se afastando quando segurei em seu braço a fazendo me encarar.
-Se você contar, terá outro motivo pra me ter em sua memória.
-Relaxa, como eu disse pelo menos eu tentei é aquela pessoa que tenta tenta tenta é nunca consegue, já pensou no quanto é duro ouvir um Não da pessoa que ama. Será que pode soltar o meu braço e seguirmos viagem ou prefere ficar aqui é depois doente ?
Soltei seu braço a vendo se afastar, como foi difícil relembrar quem um dia eu fui me odiava por isso, mas saber dos sentimentos da Erika mexeu muito comigo...
Fim do capítulo
Capítulo complicado né
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