Capítulo 17 - Diferente do esperado
Capítulo 17 — Diferente do esperado
Novembro passou e terminou com uma melancolia que amargava a rotina desanimada de ambas as garotas. Dezembro não foi muito diferente, as festas de final de ano não foram motivo suficiente para comemorações.
— Pense bem antes de sair por aquela porta, Juliana. — Dizia sua mãe na porta de seu quarto, a garota arrumava suas coisas em caixas de papelão, era início de janeiro. — Pense bem no que você está fazendo com a gente.
— Vá, jogue sua vida fora, vá morar sozinha para encher o apartamento de mulher macho, ter uma vida de prostituta! — Seu pai bradava do sofá da sala.
— Eu só quero ter meu espaço, vou continuar trabalhando com Cláudia, nada vai mudar.
— Everton vai levar um monte de drogados pra sua casa, vai usar como motel, não quero nem imaginar as orgias que vão acontecer lá. — Disse Wanda.
— Vocês podem falar todo o repertório de ofensas que já conheço, não vou mudar de ideia.
— Pra que isso, minha filha? Fica em casa, aqui você tem tudo.
— Poxa, é difícil de entender? Eu quero tomar as rédeas da minha vida! É só isso, eu não odeio vocês, não me odeio, não vou me prostituir nem me afundar nas drogas, só quero ser dona da minha vida.
— Vai levar mulheres para dormir com você? — Joaquim perguntou.
Juliana largou os livros que estava empacotando e virou-se para porta, onde estavam seus pais.
— Quando arranjar uma namorada vou levar sim.
— Essa aí tá perdida, nem tem mais o que discutir. — Seu pai disse e saiu furioso.
Passou por cima de todas as chantagens emocionais de seus pais e finalmente se mudou para um pequeno apartamento quarto e sala em Campinas, na mesma cidade de São José. A independência estava lhe fazendo bem, a vida a sós era novidade, a solidão causava estranheza.
No quinto dia daquele mês completou-se dois meses desde a ligação que culminou no término, apesar de estar aproveitando as liberdades da nova vida, a situação delicada com seus pais incomodava Juliana, o diálogo era quase nulo. E sentia uma falta imensa de Flávia.
Na noite daquele sábado recebeu a visita de Aline, Everton e Carol, trouxeram pizza e cerveja, passariam a noite jogando conversa fora. Naturalmente distanciou-se de Maurício, falava pouco com ele, se policiava para não perguntar sobre Flávia.
— Eu vou parar de beber por hoje, senão amanhã não preencho nada com nada naquele concurso. — Juliana disse, sentada no chão sobre um tapete com listras largas negras.
— Eu já sei que vou mal, vou continuar bebendo. — Retrucou Everton.
— Eu queria passar em algum concurso que me mandasse pra bem longe daqui... — Juliana resmungou.
— Credo, guria. — Carol jogou amendoim nela. — Tomara que passe para essa vaga em Floripa e fique por aqui.
***
Dez dias depois Juliana seguia sua nova rotina que a deixava cada dia mais desanimada.
Saia com seu pequeno carro branco da garagem do seu prédio para ir trabalhar, freou bruscamente quando ouviu seu nome.
— Juliana?
— Flávia?? — Não conseguia acreditar no que seus olhos mostravam.
— Oi. — Respondeu timidamente, com as mãos no bolso do seu jeans.
— Você fugiu da prisão? — Perguntou com o motor do carro ainda ligado.
— Não, eu consegui a progressão para o aberto. — Ela mantinha por respeito uma distância de mais de dois metros do carro.
— Quando?
— Semana passada.
— E deixaram você voltar para Santa Catarina?
— Estou morando aqui, fui transferida para uma casa do albergado, no complexo penitenciário da Agronômica.
— E deixam você sair?
— Para trabalhar. Estou trabalhando numa pousada na Lagoa, mas hoje é meu dia de folga.
Flávia percebeu o silêncio estarrecido dela, tentou encerrar aquilo.
— Eu vim visitar meus tios e Maurício, eles moram aqui na Praia Comprida.
— Eu sei.
— Não quero te atrasar, só passei aqui para te desejar feliz aniversário. — Disse girando nos calcanhares.
— Você lembrou. — Pela primeira vez o semblante dela deixou de ser tenso.
Flávia apenas balançou a cabeça. Juliana tamborilou os dedos sobre o volante.
— Escute, você está livre meio-dia? — Juliana perguntou.
— Sim.
— Quer vir aqui almoçar comigo? Eu saio meio-dia e faço um almoço rapidinho.
Flávia iluminou-se, aproximou um pouquinho do carro.
— Não tem problema?
— Não.
— Aceito, sim.
— Beleza, se eu já estiver em casa quando você chegar, pode apertar o 505.
— 505, tudo bem.
— Ãhn... Então, até depois.
— Até.
Acompanhou o carro saindo pela rua pouco movimentada com um sorriso de orelha a orelha.
Após visitar seus parentes, Flávia voltou ao prédio um pouco depois do meio-dia, subiu eufórica pelo elevador após Juliana ter atendido o interfone.
A garota abriu a porta com uma espátula na mão e voltou logo para a cozinha, que era dividida com a sala.
— Tô passando uns bifes, entra, fica à vontade. Não repara as caixas que ainda nem abri.
Flávia deu seus passos inseguros pelo ambiente, viu Juliana se digladiando com uma frigideira e bifes cheios de vida própria.
— É um apartamento charmosinho, parece arejado. — Disse se aproximando da grande janela.
— Bate sol de manhã na sala, é pequeno, mas dá pro gasto. Senta aí, liga a TV se quiser.
— Posso ajudar com algo?
— Ãhn, pode, coloca os pratos e talheres na mesa, estão ali naquele armário. Você come carne vermelha, não come?
— Sim, de qualquer cor. Fizemos uns espetinhos de rato na prisão, inclusive.
— Sério? — Juliana colocava a comida sobre a mesa e parou abruptamente.
— Não, estou te zoando. — Riu. — Nem baratas.
Almoçaram com uma conversa que não variava muito do trivial, não tocaram no assunto do passado em comum, não falaram sobre o término.
— Então você não tem dia certo para folgar?
— Não, na pousada eu trabalho cinco ou seis dias e folgo um.
— O que você faz lá?
— De tudo um pouco. Arrumo os quartos, fico na recepção, cuido do jardim... Foi um colega de Doutor Afrânio que conseguiu esse emprego pra mim.
— Você está gostando?
— Sim, é maravilhoso estar livre, mesmo que seja parcialmente livre. E o dono é gente boa, Nick, um surfista americano aposentado.
— Fora do horário de trabalho você tem que ficar nessa casa do albergado?
— Tenho, eu só posso ficar fora das seis da manhã às oito da noite.
— E depois de seis meses, você estará totalmente livre?
— Se não aprontar nada, sim, poderei morar numa casa de verdade, por minha conta.
— Que bom que você conseguiu, nem demorou tanto.
Flávia deu um sorrisinho discordante, para quem passou os últimos sete meses numa prisão a percepção de tempo era bem diferente.
— Até que dei sorte, não deram andamento à denúncia daquele agente prisional.
— Escute, eu ganhei a tarde de folga na empresa, você quer ficar aqui? Eu levo você na casa do albergado no final da tarde.
— Isso não vai trazer nenhum problema para você? Se souberem que estou aqui?
— Não, aqui eu que mando. — Riu e levantou-se, já pegando as louças para levar até a pia.
— Então aceito.
— Ótimo, a gente pode ir na padaria comprar um pudim de leite e colocar o papo em dia.
— Deixa que eu lavo. — Flávia falou ao seu lado na cozinha.
— Não, vai enxugando.
Depois de guardarem as louças já secas, Juliana largou o pano de prato e se virou para ela.
— E aí, quer fazer alguma coisa?
Flávia não aguentava mais estar tão próxima e não poder fazer nada. Deu um passo a frente, colocou suas mãos na cintura da garota e investiu num beijo. Juliana desviou virando o rosto.
— Eu não posso. — Juliana sussurrou.
Flávia a soltou, envergonhada.
— Me perdoe, eu não deveria ter...
— Eu tô ficando com a Carol.
Visivelmente Flávia não estava preparada para ouvir esta notícia. Havia engolido a mágoa e trabalhado o máximo possível para sair o quanto antes da cadeia e reconquistar seu grande amor, aguentou calada todos os tipos de agressões físicas e verbais para evitar tomar punições, via seu esforço desmoronando à sua frente. Fora tudo em vão.
— A Carol? Aquela Carol? Vocês estão...
— A gente tá de rolo.
A decepção dela se transfigurava em seu semblante desapontado e um tanto chocado.
— É... Eu... Eu não fazia ideia.
— Está me odiando?
— A vida é sua, Juliana, eu não tenho o direito de achar nada.
— Aconteceu. — Encolheu os ombros. — Desculpa.
Flávia balançou a cabeça cabisbaixa numa tentativa de não chorar, sentia-se golpeada violentamente no peito.
— Eu preciso ir. Obrigada pelo almoço e por ter me convidado.
Disse com dificuldade, o nó na garganta estava cada vez maior.
— Espera, eu disse que te levaria lá.
— Não precisa. — Abriu a porta, disse gaguejando. — Obrigada, a gente se vê por aí.
Flávia falou e saiu em disparada, desceu pelas escadas afoitamente, tinha dois ônibus pela frente, sentou numa mureta para esperar o primeiro e desabou-se a chorar.
Fim do capítulo
Não apedrejem Juju... :D
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Allex
Em: 26/04/2018
Isso que Juliana sente por Flávia é amor?!!! Juliana enfrentou os pais, foi morar sozinha, tava com toda liberdade pra procurar a Flávia. E o que ela fez? Arrumou outra em pouquíssimo tempo e ainda quiz justificar alegando um possível aumento da pena de Flávia! Me poupe Juliana!!! Ninguém merece um "AMOR" igual ao seu. Bj autora.
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lusilenesetubal
Em: 24/04/2018
Espero que a Flávia arrume logo alguém
Juliana devia ter esperado a flavia ja que agora mora sozinha mas nao foi logo ter caso com a ex da flavia que raiva dessa garota
Resposta do autor:
Se essa Carol aprontar mais uma com Flávia já pode pedir música no Fantástico... rs
E parabéns pelo comentário de número 100 aqui na história! Obrigada!
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Mille
Em: 24/04/2018
Olá
Ju o que você está aprontando só espero que seja mentira esse rolo aí com a Carol.
Flávia levou uma facada com essa descoberta para ela é como cortar as esperanças de dias melhores. Só não pode ficar para baixo por causa da Juliana.
Bjus e até o próximo capítulo
Resposta do autor:
Vixi, era mentira não... só um grande erro mesmo.
Bora ter fé no perdão!
Bjos!
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IolandaStrambek
Em: 24/04/2018
Apoio a causa de ver Flávia com outra pessoa. A Ju nao merece ela...
Resposta do autor:
Vixi, fiquei com receio de decepcionar vocês...
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IolandaStrambek
Em: 24/04/2018
Vou chorar depois desse capítulo. Que triste, vou joga umas dez pedras na Ju!!!
"/
Resposta do autor:
Eita, que as pedras voaram aqui em todos os comentários! XD
Vamos cantar uma bela canção de amor e abrir nossos corações ao perdão.
Bjos, moça!
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mtereza
Em: 24/04/2018
E ainda tinha que ser com a ex da Flávia que traiu ela tá certo q a Flávia tinha superado e até era amiga dela mais poxa tomara que ela traia a Juliana tb kkkk brincadeira tentando dar um desconto aqui pq apesar da paixão avassaladora ou amor que chegou sem avisar e pegou as duas elas estavam em momentos diferentes no que se refere a aceitação da sexualidade a Flávia era totalmente bem resolvida enquanto a Juliana tudo era novo , então vou considerar que essa fase dela faz parte do processo e dar um desconto só por isso rsrs , mais não tira a raiva que estou sentindo dela por magoar a Flávia bjs Cris.
Resposta do autor:
Juliana não sabia q a moça era ex de Flávia, mas foi um golpe duplo né? Justamente a ex que a chifrou...
Você foi a única que tentou entender Juliana, obrigada ahahahaha
Vamos ficar um pouquinho com raiva, tudo bem, logo passa.
Bjão!
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Donaria
Em: 24/04/2018
Eu podia tá dormindo...sonhando com a Gal Gadot...mas não.... vi a atualização e vim ler esse MALDITO CAPITULO, já havia sido avisado que a juliana ia fazer merda, e eu continuei a ler ..... agora tó aqui com insonia querendo matar a Juliana (vaca) porque antes ela era Ju, agora só penso em nomes impronunciaveis....Sorte a sua cris que aqui não tem emoji, senão ia ser cada emoji!!! To possessa com Juliana, ninguem é obrigado a ficar com ninguém, nem obrigado a amar ninguém, mas você sempre é responsavel pelo que cativas, e essa Juliana Vaquinha cativou a Flavia foi seu Oasis no deserto pra depois......Bummmm toma que lá vem pé na bunda. chateada com essa juliana, e querendo consolar a Flavia bandidinha, o controversia de vida.
Resposta do autor:
Poxa, divide esse sonho com a Gal Gadot comigo... rs
Vou repensar minha ideia de implementar emojis depois dessa XD
Que ironia né? Todo mundo do lado da assaltante... hahahaha
Brigada por me ler e pela paciência com minhas tretas.
Bjão!
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SaraSouza
Em: 24/04/2018
Me poupe Juliana, Que raio de amor que dizia ter pela Flávia???
Que decepção!!!! Triste com vc .. Raiva !!! Tomara que vc sofrar muito .
To sem entender...
e Nem vem autora ela vai ter que rebolar muito pra ganhar pontos .. caiu no meu conceito
:(((
Resposta do autor:
Vixe, o desafio é grande hein? rs
Espero que você goste do desfecho :)
Grande beijo!
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patty-321
Em: 24/04/2018
Oh gente. Que maldade. A Flávia ta pagando muito pelo erro dela. Entao a ju nao amava a Flávia. Foi so coisa de momento? Fazer o que? Ninguém e obrigado.
Resposta do autor:
Olha, eu suspeito que não tenha sido fogo de palha não, mas vamos aguardar o desenrolar.
Bjão!
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Alyadv
Em: 23/04/2018
Eu devia continua meus estudos para o TJSC, mas aproveitei e atualizei e vim ler essa história que se passa nesse meu lindo Estado. Sobre a a Juliana está com alguém, sabe quando vc sente a dor? o tranco na garganta? sentir sendo eu no lugar da Flávia ao receber a notícia de que ela está de rolo com alguém.
Não é fácil! Mas pra Flávia que ja está enfrentando tantas coisas, vai conseguir segurar mais essa.
E sinceramente, Juliana caiu no meu conceito.
Ps: Encantada!!
bjs autora.
Resposta do autor:
Opa, achei uma conterrânea!
Prometo atrapalhar seus estudos com capítulos mais agradáveis daqui pra frente... rs
Digamos que Flávia seja uma pessoa meio azarada, mas a menina tem potencial para dar a volta por cima.
Obrigada por me ler, querida!
Bjão!
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Kim_vilhena
Em: 23/04/2018
Estou oficialmente com muita raiva da Juliana. Como pôde????
Eu sei... Vocês têm todo o direito, Kim... :(
Resposta do autor:
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Socorro
Em: 23/04/2018
Essa Juliana é uma abestada... Que decepção:(((.
Flavia que vc encontre alguém legal ...não quero vc mais com a Juliana não.. pedir o encanto
Se isso é pegar leve autora???
Resposta do autor:
Oxi, tô pegando levindo, colocando uma treta pra dar uma movimentada só... rs
Bjão, moça!
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