Capítulo 3

Capítulo 3

de A dama de ferro!, por Tyka

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Dois anos depois...

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Após passar a noite em claro pensando em tudo o que ultimamente ocorrera em sua vida, Dominique finalmente tomou uma decisão: iria embora daquele lugar, deixando para trás o maldito passado. Queria apagar a parte de sua história marcada apenas por tristeza, traição e dor. Compraria uma casa em outra cidade, em outro país. Levaria consigo a irmãzinha Katherine, de dez anos — claro que jamais a deixaria sob a guarda daqueles cabeças-ocas que chamavam de pai e madrasta.

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Tomou um banho, vestiu-se com elegância e dirigiu-se à empresa. Começaria os preparativos da mudança ainda naquele dia.

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- Samantha, me acompanhe até minha sala.

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- Sim, senhorita.

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Dominique entrou, depositou a bolsa sobre a mesa e virou-se para a secretária.

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- Bom, quero que faça uma coisa para mim. — A secretária assentiu. — Procure casas à venda em Nova York e encontre uma que seja apropriada para receber a Katherine. Quero isso para ontem.

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- Claro.

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- E marque uma reunião com os acionistas para hoje, às onze horas. Por enquanto, é só.

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- Sim, senhorita. Com licença.

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Assim que a secretária se retirou, Dominique começou a analisar alguns relatórios das minas deixados sobre sua mesa. Estava tão concentrada que nem percebeu o tempo passar. Ouviu batidas na porta e permitiu a entrada sem desviar os olhos dos papéis.

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- Com licença, senhorita Foster. — Era Samantha. — Desculpe incomodar, mas faltam cinco minutos para as onze e os acionistas já a esperam na sala de reuniões.

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Dominique olhou para o relógio de ouro no pulso; realmente não notara as horas voarem.

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- Ah, obrigada, Samantha. Já estou indo.

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Na sala de reuniões, os acionistas ocupavam todos os lugares ao longo de uma imensa mesa retangular, restando apenas a cadeira à cabeceira. Conversavam em tom baixo, mas silenciaram instantaneamente assim que Dominique abriu a porta e entrou.

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- Bom dia. — Todos responderam. — Sei que alguns de vocês são pessoas ocupadas, então serei breve quanto ao motivo desta reunião: estou me mudando para Nova York e levarei a matriz da empresa Comigo.

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Um murmúrio de indignação tomou conta da sala, com vários acionistas protestando contra a decisão.

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- Isso é um absurdo, você não pode fazer isso! — esbravejou um homem de meia-idade.

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Dominique fitou-o com um meio sorriso gélido.

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- Não posso? Tem certeza disso?

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O homem engoliu em seco e baixou a cabeça.

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- Desculpe-me, senhorita Foster, mas nem todos aqui têm condições de viajar todo mês para os Estados Unidos para reuniões corporativas — argumentou outro acionista.

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- Eu sei. Por isso, caso algum de vocês deseje vender sua fatia de ações, estou disposta a comprá-la por um valor acima do preço de mercado. Ninguém sairá perdendo.

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Alguns assentiram, aliviados; outros continuavam descontentes.

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- O dinheiro que recebo da empresa é minha única renda. Se vender para a senhorita, como vou sustentar minha família depois que esse montante acabar? — perguntou um rapaz de pele morena.

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- Isso não me importa e tampouco é problema meu — retrucou Dominique.

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- As pessoas têm toda razão quando dizem que você não tem sentimentos! Faz o que quer, quando quer, sem se importar com mais ninguém além de si mesma — exaltou-se ele. — Aposto que isso jamais aconteceria se, em vez de você, estivesse sentada nessa cadeira a senhorita Campbell.

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Um silêncio sepulcral caiu sobre a sala. Todos sabiam que o nome de Elizabeth Campbell era terminantemente proibido para quem quisesse evitar um confronto direto com a patroa.

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A morena virou-se lentamente, fuzilando o rapaz com o olhar.

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- Ora, senhor Sanches, vejo que sente tanta falta dela... Talvez queira ir fazer-lhe companhia.

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O homem empalideceu, percebendo o peso da ameaça.

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- N-não, senhorita... Desculpe-me — gaguejou, aterrorizada.

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- Pois bem — prosseguiu a executiva com voz cortante. — Sua fatia de ações não me interessa mais. Vou lhe fazer o favor de recordar um artigo do contrato social que o senhor certamente esqueceu de ler: o acionista que faltar a duas reuniões consecutivas perde o direito ao voto, e as ações retornam à presidência pelo valor nominal de aquisição.

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- Esse artigo é um abuso! Eu não aceito isso! — protestou Sanches.

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- Deveria ter reclamado antes de assinar. Minha empresa, minhas regras.

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- Mas o que recebo por elas não dá para sustentar minha família nem pagar passagens mensais!

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- E não se esqueça da hospedagem, já que a sua porcentagem acionária não lhe dá direito a mordomias — disparou Dominique, implacável.

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Sanches encolheu-se na cadeira, derrotado.

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- O que eu faço agora...?

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Inclinando-se sobre a mesa, bem perto dele, Dominique sibilou:

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- Sugiro que procure um emprego e comece a economizar. A reunião está encerrada. Meus advogados aguardam sua decisão.

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E retirou-se da sala com passos firmes.

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- Você bem que foi avisado para calar a boca — resmungou outro acionista ao passar por Sanches.

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De volta à sua sala, Dominique respirava fundo, ainda fervendo de raiva. Não acreditava que aquele idiota tivera a audácia de pronunciar aquele nome em sua presença. Cogitou mandá-lo para o inferno, mas decidiu deixá-lo na ruína financeira; seria um castigo adequado. Precisando espairecer, resolveu almoçar com Katherine.

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- Samantha?

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- Sim, senhorita.

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- Vou almoçar em casa e talvez não retorne hoje. Ligue-me apenas em caso de emergência.

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- Entendido.

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- E não se esqueça da minha solicitação.

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- Já estou cuidando disso, senhorita.

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- Ótimo. Boa tarde.

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***

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Vozes exaltadas ecoavam do lado de fora da mansão Foster, uma cena que havia se tornado rotineira — ao menos quando a dona da casa não estava presente.

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- Posso saber que confusão é esta? Acaso errei o endereço e vim parar num cortiço? — questionou Dominique ao empurrar a porta da entrada.

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- Nick! — gritou uma menininha loira, correndo descalça para abraçá-la.

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- Oi, Kath — murmurou a morena, afagando os cabelos da irmã.

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- A mamãe quer dinheiro para fazer outra plástica, mas o papai não quer dar e ela está ameaçando ir embora — disparou a menina sem filtro.

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- Que pena... Quase tive sorte — ironizou Dominique, fitando com completo desprezo a mulher que permanecia em silêncio na sala. — Vim te buscar para almoçar comigo, topa?

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- Sim! — sorriu a garotinha.

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- Então vamos.

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Katherine acenou rapidamente com um "tchau" robótico para os pais e acompanhou a irmã. Foram ao restaurante favorito delas e pediram pudim caramelado de sobremesa.

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- Kath, eu preciso te contar uma coisa — começou Dominique, séria.

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A menina parou de comer imediatamente, os olhos já marejados.

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- Você vai me deixar aqui?

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- De jeito nenhum, minha linda. É justamente por isso que te trouxe aqui. Quero saber: você quer vir morar comigo em outro país?

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- Eu não quero ficar aqui, eles quase não ligam para mim! Quero ir com você, mas aposto que a mamãe não vai deixar...

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- Com ela eu me entendo — garantiu Dominique com um sorriso firme. — Quer outro pedaço de pudim?

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- Unhum! — assentiu a menina, recuperando o entusiasmo.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

3
K

Keilaspm

30/07/2019 às 18:32

Acho que só com a kath a Nick dessa de ser a dama de ferro 

T

Thyane

11/11/2018 às 17:56

To adorando.



Resposta do autor: Que bom rsrs Bj
N

NayGomez

20/03/2018 às 11:40

nossa que mulher hein,  só to ansiosa pra ver a mulher que vai transformar a vida da Dom que ela apareça logo hehehe.

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