Dois anos depois...
Após passar a noite em claro pensando em tudo o que ultimamente ocorrera em sua vida, Dominique finalmente tomou uma decisão: iria embora daquele lugar, deixando para trás o maldito passado. Queria apagar a parte de sua história marcada apenas por tristeza, traição e dor. Compraria uma casa em outra cidade, em outro país. Levaria consigo a irmãzinha Katherine, de dez anos — claro que jamais a deixaria sob a guarda daqueles cabeças-ocas que chamavam de pai e madrasta.
Tomou um banho, vestiu-se com elegância e dirigiu-se à empresa. Começaria os preparativos da mudança ainda naquele dia.
- Samantha, me acompanhe até minha sala.
- Sim, senhorita.
Dominique entrou, depositou a bolsa sobre a mesa e virou-se para a secretária.
- Bom, quero que faça uma coisa para mim. — A secretária assentiu. — Procure casas à venda em Nova York e encontre uma que seja apropriada para receber a Katherine. Quero isso para ontem.
- Claro.
- E marque uma reunião com os acionistas para hoje, às onze horas. Por enquanto, é só.
- Sim, senhorita. Com licença.
Assim que a secretária se retirou, Dominique começou a analisar alguns relatórios das minas deixados sobre sua mesa. Estava tão concentrada que nem percebeu o tempo passar. Ouviu batidas na porta e permitiu a entrada sem desviar os olhos dos papéis.
- Com licença, senhorita Foster. — Era Samantha. — Desculpe incomodar, mas faltam cinco minutos para as onze e os acionistas já a esperam na sala de reuniões.
Dominique olhou para o relógio de ouro no pulso; realmente não notara as horas voarem.
- Ah, obrigada, Samantha. Já estou indo.
Na sala de reuniões, os acionistas ocupavam todos os lugares ao longo de uma imensa mesa retangular, restando apenas a cadeira à cabeceira. Conversavam em tom baixo, mas silenciaram instantaneamente assim que Dominique abriu a porta e entrou.
- Bom dia. — Todos responderam. — Sei que alguns de vocês são pessoas ocupadas, então serei breve quanto ao motivo desta reunião: estou me mudando para Nova York e levarei a matriz da empresa Comigo.
Um murmúrio de indignação tomou conta da sala, com vários acionistas protestando contra a decisão.
- Isso é um absurdo, você não pode fazer isso! — esbravejou um homem de meia-idade.
Dominique fitou-o com um meio sorriso gélido.
- Não posso? Tem certeza disso?
O homem engoliu em seco e baixou a cabeça.
- Desculpe-me, senhorita Foster, mas nem todos aqui têm condições de viajar todo mês para os Estados Unidos para reuniões corporativas — argumentou outro acionista.
- Eu sei. Por isso, caso algum de vocês deseje vender sua fatia de ações, estou disposta a comprá-la por um valor acima do preço de mercado. Ninguém sairá perdendo.
Alguns assentiram, aliviados; outros continuavam descontentes.
- O dinheiro que recebo da empresa é minha única renda. Se vender para a senhorita, como vou sustentar minha família depois que esse montante acabar? — perguntou um rapaz de pele morena.
- Isso não me importa e tampouco é problema meu — retrucou Dominique.
- As pessoas têm toda razão quando dizem que você não tem sentimentos! Faz o que quer, quando quer, sem se importar com mais ninguém além de si mesma — exaltou-se ele. — Aposto que isso jamais aconteceria se, em vez de você, estivesse sentada nessa cadeira a senhorita Campbell.
Um silêncio sepulcral caiu sobre a sala. Todos sabiam que o nome de Elizabeth Campbell era terminantemente proibido para quem quisesse evitar um confronto direto com a patroa.
A morena virou-se lentamente, fuzilando o rapaz com o olhar.
- Ora, senhor Sanches, vejo que sente tanta falta dela... Talvez queira ir fazer-lhe companhia.
O homem empalideceu, percebendo o peso da ameaça.
- N-não, senhorita... Desculpe-me — gaguejou, aterrorizada.
- Pois bem — prosseguiu a executiva com voz cortante. — Sua fatia de ações não me interessa mais. Vou lhe fazer o favor de recordar um artigo do contrato social que o senhor certamente esqueceu de ler: o acionista que faltar a duas reuniões consecutivas perde o direito ao voto, e as ações retornam à presidência pelo valor nominal de aquisição.
- Esse artigo é um abuso! Eu não aceito isso! — protestou Sanches.
- Deveria ter reclamado antes de assinar. Minha empresa, minhas regras.
- Mas o que recebo por elas não dá para sustentar minha família nem pagar passagens mensais!
- E não se esqueça da hospedagem, já que a sua porcentagem acionária não lhe dá direito a mordomias — disparou Dominique, implacável.
Sanches encolheu-se na cadeira, derrotado.
- O que eu faço agora...?
Inclinando-se sobre a mesa, bem perto dele, Dominique sibilou:
- Sugiro que procure um emprego e comece a economizar. A reunião está encerrada. Meus advogados aguardam sua decisão.
E retirou-se da sala com passos firmes.
- Você bem que foi avisado para calar a boca — resmungou outro acionista ao passar por Sanches.
De volta à sua sala, Dominique respirava fundo, ainda fervendo de raiva. Não acreditava que aquele idiota tivera a audácia de pronunciar aquele nome em sua presença. Cogitou mandá-lo para o inferno, mas decidiu deixá-lo na ruína financeira; seria um castigo adequado. Precisando espairecer, resolveu almoçar com Katherine.
- Samantha?
- Sim, senhorita.
- Vou almoçar em casa e talvez não retorne hoje. Ligue-me apenas em caso de emergência.
- Entendido.
- E não se esqueça da minha solicitação.
- Já estou cuidando disso, senhorita.
- Ótimo. Boa tarde.
***
Vozes exaltadas ecoavam do lado de fora da mansão Foster, uma cena que havia se tornado rotineira — ao menos quando a dona da casa não estava presente.
- Posso saber que confusão é esta? Acaso errei o endereço e vim parar num cortiço? — questionou Dominique ao empurrar a porta da entrada.
- Nick! — gritou uma menininha loira, correndo descalça para abraçá-la.
- Oi, Kath — murmurou a morena, afagando os cabelos da irmã.
- A mamãe quer dinheiro para fazer outra plástica, mas o papai não quer dar e ela está ameaçando ir embora — disparou a menina sem filtro.
- Que pena... Quase tive sorte — ironizou Dominique, fitando com completo desprezo a mulher que permanecia em silêncio na sala. — Vim te buscar para almoçar comigo, topa?
- Sim! — sorriu a garotinha.
- Então vamos.
Katherine acenou rapidamente com um "tchau" robótico para os pais e acompanhou a irmã. Foram ao restaurante favorito delas e pediram pudim caramelado de sobremesa.
- Kath, eu preciso te contar uma coisa — começou Dominique, séria.
A menina parou de comer imediatamente, os olhos já marejados.
- Você vai me deixar aqui?
- De jeito nenhum, minha linda. É justamente por isso que te trouxe aqui. Quero saber: você quer vir morar comigo em outro país?
- Eu não quero ficar aqui, eles quase não ligam para mim! Quero ir com você, mas aposto que a mamãe não vai deixar...
- Com ela eu me entendo — garantiu Dominique com um sorriso firme. — Quer outro pedaço de pudim?
- Unhum! — assentiu a menina, recuperando o entusiasmo.
Fim do capítulo

Keilaspm
30/07/2019 às 18:32
Acho que só com a kath a Nick dessa de ser a dama de ferro
Thyane
11/11/2018 às 17:56
To adorando.
Resposta do autor: Que bom rsrs Bj
NayGomez
20/03/2018 às 11:40
nossa que mulher hein, só to ansiosa pra ver a mulher que vai transformar a vida da Dom que ela apareça logo hehehe.