Capítulo 2

Capítulo 2

de A dama de ferro!, por Tyka

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- Senhorita Foster, nós o encontramos.

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O homem forte falou, fazendo a morena olhar em sua direção.

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- Onde ele está? - perguntou, sentindo a raiva crescer dentro de si.

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- Meus homens o pegaram no antigo galpão comercial. Quer que eu mande trazê-lo agora?

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- Não, vamos até lá.

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- Como quiser, senhorita.

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Dominique pegou a bolsa e saiu do escritório, seguida pelo homem. Após dois meses de busca, finalmente encontrara o assassino de Liza. Rodaram alguns quilômetros de carro até chegarem a um enorme galpão bem afastado da cidade. O mato crescia à sua volta, conferindo-lhe uma aparência sombria que certamente afastava qualquer um que ousasse se aventurar por ali — o que era ideal, pois queriam total discrição.

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Guardaram o carro na parte de trás e seguiram para a entrada, onde outro homem já os aguardava. Após cumprimentar a morena, ele abriu a porta e lhe deu passagem. Dominique entrou e logo avistou um rapaz sentado e preso a uma cadeira. Teria vinte e poucos anos, traços bonitos, mas o rosto estava severamente machucado por marcas recentes de violência. Ele se debatia na tentativa de se soltar, porém parou ao ver a mulher se aproximar. Sabia exatamente quem ela era, mas tentou fingir inocência.

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- Quem é você? O que querem comigo? - indagou.

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- Você sabe muito bem quem eu sou - retrucou ela.

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- Não... desculpa, mas não sei - disse o jovem, em um tom cínico.

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- Teremos que refrescar sua memória, então.

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Dominique olhou para o capanga parado perto do rapaz, que desferiu novos socos contra ele, fazendo-o cuspir sangue.

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- E agora? Lembra?

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O rapaz continuou em silêncio por um instante.

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- Parece que ainda não se lembrou, Jonas? - ironizou a morena.

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O segurança deu mais um passo à frente, mas o prisioneiro cedeu:

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- Dominique Foster!

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Ela sorriu friamente.

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- Agora que sabe quem sou, sabe também por que está aqui - disse. O jovem balançou a cabeça negativamente e recebeu mais um golpe. - Ora, Luís Couto, você pode falar e acabamos logo com isso, ou podemos estender essa brincadeira pelo tempo que eu quiser.

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- Tá bom, eu falo! Mas você tem que prometer que não vai me matar - suplicou ele, fitando-a.

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- Ok. Eu prometo.

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Luís assentiu, sabendo que ela costumava cumprir a palavra.

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- O que quer saber?

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- Você matou Elizabeth - afirmou ela, a voz carregada de ódio. - Quero saber o que ela te fez para você cometer tamanha covardia.

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- Sim, eu a matei. Mas quem disse que aquela bala era para ela? - o rapaz respondeu, deixando-a estupefata.

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- Como assim? Se não era para ela, então...

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- Era para você. O combinado era você morrer, não ela.

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- Para mim? Por que iria querer me matar? E quem mais está envolvido nisso?

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Antes que ele respondesse, recebeu outro soco seco.

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- Nós nos conhecemos na faculdade - começou Luís, ofegante. - Estávamos sempre juntos procurando um jeito de nos dar bem na vida. Dávamos alguns golpes pequenos, nada que nos tirasse da lama. Aí você apareceu: uma garota rica, ingênua, que confiava em qualquer um. Bolamos um plano de aproximação e você caiu como uma pata na lagoa.

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Ele tossiu, cuspindo sangue no chão de cimento batido.

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- Pouco depois, você estava completamente apaixonada por aquela loira, grudadas o tempo todo. Tudo o que ela pedia, você dava. Só estávamos esperando a oportunidade perfeita para nos livrarmos de você, e ela surgiu naquela festa no sítio. Combinamos tudo no dia anterior: eu ficaria escondido esperando o sinal e, quando Elizabeth a levou para o chalé, soube que era o momento perfeito.

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- O que a Liza tem a ver com isso? - a voz de Dominique falhou por uma fração de segundo.

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- Você ainda não entendeu? - ele sorriu cinicamente. - Elizabeth era minha parceira, planejamos tudo juntos. Se você não tivesse se abaixado naquele instante, ela estaria aqui no seu lugar... ou melhor, nós estaríamos ricos.

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- Mentira! - gritou Dominique. - Eu a conhecia! Ela jamais faria algo assim!

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- Não, você nunca a conheceu. Pegue meu celular no bolso e verá que tudo o que digo é verdade.

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O segurança retirou o aparelho e o entregou à morena. O coração de Dominique implorava para que aquilo fosse mentira, mas a tela revelou mensagens de texto e de áudio inequívocas. Provas irrefutáveis de que tudo havia sido arquitetado desde o primeiro dia, e que Liza jamais a amara de verdade.

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- Por quê? - perguntou num sussurro trêmulo. - Para que me matar?

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- Você fez um seguro de vida alto e a colocou como beneficiária. Era muita grana. Daria para sumirmos juntos e passarmos o resto da vida na mordomia.

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A fúria que tomou conta de Dominique foi avassaladora. Ela desejava que Elizabeth estivesse viva apenas para matá-la com as próprias mãos.

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- Desgraçada... Tomara que queime no inferno. Armou tanto contra mim e, no fim, o feitiço virou contra o feiticeiro.

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- Será que pode me soltar agora? - pediu o rapaz, esperançoso.

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- Te soltar? - Dominique soltou uma risada sombria, um som gélido que fez o sangue de todos gelar. A raiva absoluta reescreveu algo dentro dela. - Vocês não queriam ficar juntos para sempre? Pois bem, vou fazer esse favor.

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Luís arregalou os olhos, tomado pelo pânico.

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- Não! Você prometeu!

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A morena aproximou-se lentamente, fitando-o fundo nos olhos.

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- Eu menti.

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Virou as costas, mas o desespero do rapaz o fez vomitar veneno:

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- Sua maldita! Você deveria ter morrido naquele dia! Você não presta, Dominique Foster! Elizabeth me confessava que, quando estava na cama com você, era em mim que ela pensava, porque você sequer era capaz de satisfazê-la!

​

O tempo parou. Num impulso animalesco, Dominique girou nos calcanhares, avançou sobre o prisioneiro e cravou as mãos em seu pescoço. Apertou com toda a força da sua alma ferida, ignorando os estertores do rapaz, até ver a vida esvair-se daquele olhar. Quando o soltou, o corpo despencou, imóvel.

​

Respirou fundo. Ajeitou o cabelo, alisou a roupa, recolheu a bolsa e caminhou calmamente para a saída.

​

- Ninguém aqui viu ou ouviu absolutamente nada. Estamos entendidos? - perguntou, deslizando um maço gordo de dinheiro para as mãos de Jonas.

​

- Nunca estivemos aqui, senhorita - respondeu o capanga, secundado pelos demais. - O que quer que façamos com isso?

​

- Desamarrem-no e incendeiem o galpão para parecer um acidente. Quero o corpo completamente incinerado. Não deixem vestígios.

​

- Assim será.

​

Dominique entrou no carro e deu a partida. A mulher ao volante já não guardava qualquer semelhança com a jovem ingênua e apaixonada de semanas atrás. Aquela garota havia morrido no instante em que compreendeu a lição mais cruel da vida: o amor não passa de uma âncora destinada a afundar os desatentos. No banco do motorista ia agora uma criatura de sangue frio, implacável e temível.

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As pessoas jamais compreenderiam o porquê, mas foi naquele galpão esquecido pelo tempo que sepultaram um coração puro — e nasceu, implacável, a verdadeira dama de ferro.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

5
N

NandaSulivan

06/05/2019 às 08:01

Nossa essa reviravolta suepreendeu,  que cachorra foi está Elizabeth...

Agora já estou com pena da mocinha que se apaixonar pela Dama de Ferro...



Resposta do autor: Olá! Seja bem vinda à A dama de ferro! Espero que continue se surpreendendo (de forma positiva rsrs). Bjs!
B

Blume

15/03/2018 às 17:51

Hummmm... meu Deus kants mudança...

Parabéns esta lindo o conto.

Bjbj



Resposta do autor: Muitíssimo obrigada!? Bjs
S

Srta Petrova

14/03/2018 às 20:38

Poxa...coitada....que armação hein....mas o tiro saiu pela %culatra espero que   esse  coração ñ fique gelado ppr muito tempo

 

 

Bjs gosto de sua escrita.  



Resposta do autor: Verdade,agora é esperar pra sabermos o que vai acontecer. Decepção e raiva são sentimentos transformadores. Muito obrigada por acompanhar e pelo seu comentário Bjs
S

Srta Petrova

14/03/2018 às 20:38

Poxa...coitada....que armação hein....mas o tiro saiu pela %culatra espero que   esse  coração ñ fique gelado ppr muito tempo

 

 

Bjs gosto de sua escrita.  

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