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  • Primeira Temporada - MUDANÇAS I

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Sob o Encanto de Maya por Solitudine

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Palavras: 21657
Acessos: 11024   |  Postado em: 31/12/2017

Notas iniciais:

A palavra Maya é um dos termos mais importantes da Filosofia Indiana e teve seu significado alterado ao longo dos séculos. Maya não significa que o mundo é uma ilusão, como erradamente se afirma com freqüência. A ilusão consiste na atitude comum à maioria de nós em acreditar na perenidade das formas transitórias que nos cercam, as quais são todas Maya, quer se tratem de coisas, fatos, pessoas ou ideias. O sofrimento vem à tona sempre que resistimos ao fluxo natural da vida, que é de constante transformação. Querendo ou não, tudo muda e tudo passa, mas na maior parte do tempo estamos todos sob o encanto de Maya.

 

“Todas as coisas surgem e vão embora”1

Primeira Temporada - MUDANÇAS I

 

21:00h. 03 de janeiro de 2000, a caminho da Oficina ESSALAAM, Meyer, Rio de Janeiro

Juliana entra no carro, liga o rádio e sai da garagem ganhando a rua com ansiedade.

 

https://www.youtube.com/watch?v=eG0IYV6G0I0

“What's the time, seems it's already morning,

I see the sky, it's so beautiful and blue,

The TV 's on but the only thing showing is a picture of you…”

 

Ela suspira. A música parece descrever como têm sido seus últimos dias.

 

“Oh I get up and make myself some coffee,

I try to read a bit, but the story is too thin,

I thank the Lord above you're not here to see me,

In this shape I'm in…”

 

Hanna K foi mais que verdadeira quando escreveu que “a memória parece ser um refúgio óbvio para quem já viveu (...), apenas para chorar de novo, sentir o mesmo sabor, revisitar um cheiro ou, quem sabe, reinventar sensações.” Era assim que Juliana se refugiava nos últimos dias: na memória. Lembrou também daquele poeta anônimo que disse muito inspiradamente que “saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.” De fato, não consegue.

 

--Spending my time, watching the days go by, feeling so small, I stare at the wall, hoping that you, think of me too. I'm spending my time… -- ela canta com vontade

 

Juliana Okinawa Mitsui, filha de japoneses, 35 anos, nascida em Itaguaí, residente no Rio de Janeiro, enfermeira do Hospital Silva Avelar, sentia-se mais sozinha do que poderia se lembrar em toda a vida. Não estava preparada para perder a mulher. Ela tinha tanto medo que isso pudesse acontecer, teve tantos cuidados, tantos ciúmes, e talvez exatamente por isso terminou por sufocar um amor que poderia ter sido eterno, dentro da efemeridade de uma vida.

 

“I try to call but I don't know what to tell you,

I leave a kiss on your answering machine,

Oh help me please, is there someone who can make me,

Wake up from this dream?”

 

Não, não podia ser... Seyyed era dela, só dela. Não poderia desistir sem lutar.

 

“Você usa palavras beligerantes para falar sobre o amor”2. Lembrava-se de ouvir Seyyed repetindo tantas vezes.

 

Não se pode lutar por amor, mas também não se pode convencer alguém do contrário antes que esta pessoa aprenda com a própria experiência.

 

Juliana desistiu de rememorar seus dois anos de casamento, ao todo dois anos e meio de relacionamento, e convenceu-se de que deveria partir para a luta. Após dois meses do término acreditou que seria o momento para uma nova investida.

 

E a música segue interpretando seus sentimentos.

 

“I'm spending my time, Watching the days go by,

Feeling so small, I stare at the wall, Hoping that you think of me too,

I'm spending my time (…)”

Spending my time - Roxette [a]

 

Seyyed havia acabado de fechar a oficina e subiu para o segundo andar do estabelecimento, que também era sua moradia, para tomar um banho. Vestiu um short azul, justo e confortável, e uma blusa branca de alças na medida do corpo. Havia acabado de pentear os cabelos quando o celular tocou.

 

--Alô, Juliana. -- atendeu desconfiada

 

--Eu tô aqui embaixo. Abre para mim? -- a voz era sensual

 

--Garota... A gente terminou, você sabe. -- continuava desconfiada -- O que ainda sobrou para conversar? Você já até levou embora todas as suas coisas!

 

--E só por isso não posso te fazer uma visita? Vai, deixa eu entrar?

 

--Visita a essa hora da noite?

 

--Ed... deixa eu entrar, vai? -- pediu dengosamente

 

Seyyed respirou fundo: -- Tudo bem, um minuto. -- desligou o telefone, desceu as escadas e foi abrir a porta.

 

Juliana usava um vestido oriental de tecido vermelho com pequenas flores amarelas e saltos altos.

 

--Oi! -- beijou-lhe o rosto -- Cheirosa como sempre. -- sorriu sensualmente.

 

Seyyed reparou que a ex mulher estava belamente maquiada.

 

--Vamos subir? -- ofereceu -- Quer beber alguma coisa, lanchar? -- tentava ser gentil e formal ao mesmo tempo

 

--Não quero nada disso, querida. -- deslizou a mão pelos cabelos lisos -- Aliás, está calor aqui... agora que entrei posso ficar mais à vontade. -- abriu o vestido e deixou-o cair no chão revelando a roupa íntima sensualmente

 

Seyyed admirou aquele corpo bem feito. Não podia negar que Juliana era uma mulher muito atraente.

 

--Eu sabia! -- colocou as mãos na cintura e riu brevemente -- Você sabe que a gente já chegou a um ponto final e ainda assim vem aqui pra me provocar... -- tentava fingir que não estava ficando excitada

 

--Chegamos mesmo? -- aproximou-se lentamente e parou diante da morena -- Eu tenho minhas dúvidas... -- arranhava o braço de Seyyed enquanto começou a circundá-la parando atrás dela -- E hoje eu estou com tanta, mas tanta vontade... -- começou a arranhar as costas da outra com as duas mãos -- E depois do banho você fica tão... -- deslizou as mãos até a cintura da mecânica

 

Seyyed afastou-se daquele contato perturbador e virou-se de frente para a ex mulher: --Não vai adiantar tentar me seduzir...

 

--Tentar? -- Juliana riu -- Eu não preciso tentar com você, meu bem. Eu consigo! -- sorriu e começou a caminhar lenta e sensualmente pela oficina olhando tudo ao redor até que reparou em uma Caravan prateada que estava perto da ponte rolante -- Sabe? Mesmo sendo casada com uma mecânica de automóveis por dois anos, -- sentou-se no capô -- eu nunca experimentei assim: em cima de um capô de carro. -- sorriu, desatou os laços laterais de sua calcinha e abriu bem as pernas

 

--Ju... -- tentava desviar os olhos dela -- Mesmo que acontecesse alguma coisa aqui hoje não ia significar uma reconciliação...

 

--Acho que já conversamos por tempo demais... Vem aqui, vem? Do jeito como só você faz... -- tirou o sutiã e jogou para o alto

 

--Assim fica difícil... -- Seyyed não resistiu, despiu-se com pressa

 

Juliana sorriu vitoriosa. A mecânica avançou sobre ela e mergulhou entre suas pernas.

 

--Ai... -- fechou os olhos e sorriu

 

Deleitando-se com a situação, a japonesa sentia a intensidade do fogo que emanava da outra mulher. Em sua cabeça mil coisas se passavam. “Eu não acredito que a gente não tem mais chances...” -- desistiu de pensar no que fosse e se entregou ao que sentia -- Ah, ah, ah, Ed... ai, você é demais! -- esticou os braços deitando-os na estrutura metálica

 

Seyyed seguia beijando seu corpo enquanto a penetrava com os dedos

 

Após perceber o gozo da parceira, a morena beijou-lhe nos lábios e ficou admirando o corpo da mulher deitada sobre o carro que havia sido deixado na oficina para conserto do motor.

 

--Eu não acredito que nosso casamento terminou... -- segurou as duas mãos de Seyyed -- Você e eu combinamos tão bem...

 

--Conversamos sobre isso várias vezes, Ju. Não tem mais jeito. O que acontece aqui é desejo, tesão, sex*.

 

--Diz isso, não... -- sentou-se e tocou os seios da amante -- Diz não... -- empurrou-a um pouco para trás, ajoelhou-se no chão e começou buscar satisfazê-la.

 

Seyyed fechou os olhos e lutou para permanecer de pé apesar do prazer que sentia. Sua ex amante sabia provocá-la nos pontos certos.

 

A enfermeira olhou para cima e disse: -- A gente tem tudo a ver... -- deslizou as duas mãos nas coxas da mecânica até chegar na cintura -- Eu te amo. -- seus olhos eram súplices

 

A morena desvencilhou-se das mãos da outra e se afastou, parando de costas para ela.

 

-- Eu não agüento mais seus ciúmes e o que já fez por conta disso. -- virou de frente novamente e encarou-a -- Você chegou ao mais ridículo que se pode chegar com essa ciumeira toda!

 

 

--Ah, pare com isso. -- levantou-se, foi até ela e envolveu o pescoço de Seyyed com os braços -- Eu sei que sou sem jeito com minhas crises de ciúmes, mas você podia me dar uma chance... -- beijou seu queixo

 

--Você já teve chances demais comigo... -- desvencilhou-se mais uma vez -- E o último escândalo que fez, já esqueceu?? Hein??? -- pausou -- Acabou!

 

--Mas você vai ficar dando valor a uma coisinha tão boba?

 

--Coisinha tão boba?? -- riu e começou a enumerar nos dedos -- Você falta ao trabalho, arruma não sei onde uma roupa de lixeira da Comlurb, fica rondado a oficina e depois vem fazer o maior escândalo com Telma assim que ela entra aqui e acha que isso é uma coisinha tão boba?? Eu vou te dizer, Juliana, passou dos limites!

 

--Ah, Ed, eu não tenho sangue de barata, não! Aquela mulherzinha só vive aqui com os carros dela, chega vestida com as mesmas “roupinhas” -- fez aspas com os dedos -- que ela usa quando vai sambar na Mangueira, fica te dando o maior mole e eu tenho que aceitar na boa?? -- cruzou os braços -- Ela se acha o máximo só porque é mulata passista de escola de samba, pois eu digo: grandes merd*s! -- silenciou por segundos -- Sem contar de que ela foi sua namorada...

 

--Isso já faz tempo! E ela não me dá mole, já é casada e simplesmente não sabe cuidar dos cinco carros que ganhou da mulher.

 

--Não sabe como cuidar? -- riu -- Sei... Aquela piranha exibida não se contenta em ter agarrado uma alemã rica pra sustentá-la. Ela quer você para acertar os carros dela e otras cositas más... -- comentou irônica

 

--E quanto a Marlene? Qual o problema dela, hein? Juliana, você jogou cocô de vaca no táxi dela!

 

--Claro! Aquela taxista sem vergonha e mal amada vivia nessa oficina sempre com uma conversinha diferente. Joguei merd* no carro dela mesmo! Joguei e não me arrependo! -- gesticulava -- Tinha que aprender a deixar de ser oferecida! -- pôs as mãos na cintura

 

--Vivia de conversinha? Ela era minha cliente! Não tinha nada disso de ser oferecida!

 

--E sua ex namorada, diga-se de passagem! -- fez cara feia -- Aquela loura oxigenada é uma piranha de marca maior. A cooperativa dela faz ponto em São Cristóvão não é à toa. Aposto que ela faz programa quando não tem cliente no táxi. E deve dar dentro do carro mesmo!

 

 

--Você é doente! -- balançou a cabeça com desgosto -- Perdi as contas de quantos escândalos você fez! Telma, Marlene, Fernanda, Bárbara...

 

--O bando de puta que você namorou e que tinha o péssimo hábito de viver rondando você na esperança de te fisgar de novo!

 

--Você viaja, garota, VIAJA! Por sua causa todas as minhas ex namoradas deixaram de ser minhas amigas.

 

--Amigas, sei... -- passou a mão nos cabelos -- Eu chamo de piranhas mesmo!

 

--Você implicou até com algumas senhoras que eram minhas clientes há anos!

 

--Um bando de velha gaiteira que vivia com teia de aranha na passarinha e vinha aqui na esperança de tirar o atraso!

 

Seyyed teve que rir de tamanho absurdo.

 

--Chega, Juliana, eu não vou mais discutir com você. Acho que a única mulher que você não pensa que me dá mole é mamãe. E a única que você também não chama de piranha. -- retrucou -- Fico aborrecida com a forma grosseira como sempre se refere a pessoas que nunca te fizeram nada! -- estalou o pescoço -- Olha, eu trabalhei muito hoje, tô cansada e já me encheu essa conversa! Vou lá pra cima porque não tô a fim de ficar de conversa fiada contigo. E não me peça pra voltar, porque acabou. A gente pode trans*r e o diabo mas isso é só desejo e não é desejo que sustenta um casamento. -- afastou-se e foi subindo as escadas. -- Tô lá em cima!

 

Juliana contemplou o corpo da amante, que subia as escadas em passos firmes, e foi tomada por uma imensa tristeza. Ela caprichou na produção para aquela investida achando que convenceria a ex a mudar de opinião. Agora percebia que alimentou uma ilusão; Seyyed não voltaria atrás. Pensou que talvez, de fato, tivesse passado dos limites com seu ciúme.

 

Catou suas roupas espalhadas pelo chão da oficina e de repente se sentiu uma mulher vulgar por ter se entregado assim, no capô de um carro cujo dono nem conhecia. Vestiu-se depressa e partiu dali lutando para não desabar em um choro sem controle.

 

Do segundo andar Seyyed viu que Juliana partia e ficou parada diante da janela até que o carro da ex mulher sumisse de sua visão. Era triste que terminasse daquele jeito, mas não havia mais o que fazer. O ciúme, os escândalos, as confusões que a japonesa fazia acabaram por desgastar, pouco a pouco, a beleza dos sentimentos que Seyyed chegou a alimentar por ela.

 

--É uma pena menina... -- disse para si mesma -- mas acabou...

 

***

 

Seyyed quebrava a cabeça concentrada na recuperação do motor de um Ford antigo que a desafiava há uma semana, mas não conseguia tirar Juliana do pensamento. Sentia-se mal por ter se rendido ao desejo, feito sex* com ela e depois tê-la deixado sozinha. Epíteto dizia que “nenhum homem que não domine a si mesmo é livre.” O mesmo vale para uma mulher; o desejo não pode ser a força a governar as ações de uma pessoa.

 

“Tenho que me desculpar com Juliana, sem alimentar nela quaisquer esperanças por causa disso.” -- pensou

 

--Esse carro tá dando um trabalho danado, não é mesmo? Você vai ter que cobrar bem caro, Ed. -- Murilo acompanhava curioso

 

--Eu sei. -- olhou carinhosamente para o menino -- Preciso de sua ajuda. Quero que vá no Rebouças e compre uma caixa de lixa 200 pra mim. O dinheiro tá na gaveta daquela mesa. Pega uns 100 reais. Preciso também de uma lima murça, seção circular, do menor diâmetro que ele tiver. Eu vou ter que improvisar nisso aqui.

 

--Tá bem, eu já vou. -- correu até a mesa e pegou o dinheiro -- Não demoro.

 

Quando Murilo saiu, Silvio se aproximou.

 

--Esse menino é muito dedicado. E ele cuida do almoxarifado com tanto cuidado e atenção, gosta de prestar atenção no nosso trabalho... -- sorriu -- Depois dizem que as pessoas com Síndrome de Down não conseguem aprender.

 

--Se conseguem! -- sorriu -- Todos os nossos jovens especiais que trabalham nessa oficina são melhores que muitos dos chamados normais. Eles dão valor às oportunidades.

 

--Eu admiro sua coragem por ter tido a iniciativa de dar uma chance a esses jovens na sua oficina, Ed. Você é uma pessoa boa! -- cruzou os braços -- Fico chateado em te ver triste como tá. Desde que terminou com a Ju...

 

--Não dava mais pra continuar. -- respondeu olhando para o carro -- E depois do último escândalo que ela fez aqui... A garota arrancou um tufo do cabelo da Telma! -- olhou para ele rapidamente

 

--Pois é... -- silenciou -- Aquilo foi até engraçado. -- encostou-se no carro e riu brevemente -- Desculpa, mas ver a japinha entrando aqui vestida de lixeira e na seqüencia pular em cima da outra foi, no mínimo, hilário. -- balançou a cabeça sorrindo -- Sem noção...

 

--Nem me lembre! -- balançou a cabeça -- E ela entrou com vassoura e tudo; nem sei onde arrumou um kit completo de lixeira por um dia. -- silenciou brevemente -- Eu prefiro que tenha sido assim. A gente terminou, e agora é cada uma prum canto.

 

--Bem, -- pigarreou -- você passou dois anos e meio fora do mercado, então agora é hora de voltar à ação. Que acha de ir com a gente nesse sábado em uma danceteria que tá bombando lá no baixo Gávea? A galera diz que tem um monte de gatinhas disponíveis todas as noites. -- deu um tapa no braço da amiga -- É sex* garantido!

 

Seyyed olhou para ele e examinou brevemente seu amigo e funcionário. Entendia que o homem estava apenas tentando arrumar um jeito de melhorar seu astral.

 

Silvio era alto, forte, moreno e sempre com a cabeça raspada. Não era bonito mas tinha traços marcantes e um porte que chamava atenção. Sempre galinha, sempre disposto a ficar com todas. Muitos achavam que Silvio e Seyyed eram irmãos por serem morenos, atléticos e terem a mesma altura: 1,80m. Mas ela era filha única, tinha cabelos negros que lhe chegavam aos ombros e um notável par de olhos azuis.

 

Seyyed Khazni (curiosidade: a pronúncia é rásni, com ‘r’ forte), conhecida como Ed, 30 anos, mecânica de automóveis e dona do próprio negócio era uma pessoa que se esforçava ao máximo para, como recomendou Gandhi, “ser a própria mudança que deseja ver no mundo”.

 

--Eu nunca fui de bagunça, Silvio. Você fala como se antes de casar eu vivesse na noite caçando mulher. -- sorriu

 

--Tudo bem, mas podia ir com a gente e conhecer uma gata nova. -- piscou -- Se você quisesse, podia comer mulher à vontade. Esse negócio de mulher com mulher tá na moda... Vamos lá, você podia tentar a sorte!

 

--Em uma danceteria de heteros? -- riu brevemente -- Eu posso até ir, dançar, sacanear vocês quando levarem um tôco... mas vou ficar na minha porque não vem escrito na testa quem é lés e quem não é.

 

--Tudo bem, que seja. -- insistiu -- Sábado, então?

 

--Sábado não, mas um dia desses eu me junto a vocês. -- piscou para o amigo -- Agora volta ao trabalho, valeu?

 

--Tudo bem, patroa... -- saiu com as mãos para o alto

 

 

19:00h. 07 de janeiro de 2000, Estação da Sé, São Paulo

 

--Ai, pai, tô tão ansiosa com essa coisa toda de casamento! -- Camille sorriu -- Obrigado por ter vindo comigo me ajudar a comprar tudo que eu precisava!

 

--Tutto e um pouco mai! -- riu -- Tem certeza que tu e tua mama vão dar conta de fazer tanto sapone fatto a mano até o mês que vem?

 

--Claro! Os sabonetinhos vão entrar nos enfeites de mesa e você vai ver como vão ficar da hora! -- olhou para as bolsas -- E agora que compramos todas as coisas que precisávamos, mamãe e eu vamos fazer tudo em tempo recorde.

 

--É, eu non dubito. Voi due estão sempre me surpreendendo. -- Antônio beijou a testa da jovem filha loura -- Mas, sabe figlia... às vezes acho que tu te empolga mai com a festa, os enfeites, a novidade do que com o matrimonio por si mesmo. Tem certeza de que é isso mesmo que quer? -- perguntou desconfiado

 

--Tenho sim pai. Eu gosto de festa, não nego, mas também gosto de Augusto.

 

--Gosta ou ama?

 

--Amo. -- respondeu naturalmente

 

“Perché si sento no fermezza quando si dice questo? (Por que será que não sinto firmeza quando ela diz isso?)” -- Antônio pensava

 

Camille Trevisani, 21 anos, estudante de engenharia de produção da USP era uma jovem loura de cabelos curtos e olhos verdes. Inteligente, dinâmica e bela, era cobiçada por muitos, mas acabou elegendo para si o jovem e promissor Augusto Santos, com o qual iria se casar.

 

As pessoas foram se aproximando para pegar o metrô, que chegaria em poucos minutos, e no meio delas dois homens mal intencionados vinham para perto de Camille e Antônio. Eles já vinham seguindo pai e filha desde que saíram das lojas de produtos artesanais, tendo se impressionado com a quantidade de bolsas que traziam, e se preparavam para dar o bote.

 

--Escuta aqui, véio. -- pôs uma faca nas costas de Antônio -- Passa a carteira agora e a mina vem com nós. -- estava com o corpo colado no do outro homem -- Inventa moda não, que é fria!

 

Seu colega de roubo colou-se em Camille e fingiu abraçá-la: --Tu vem comigo, mina!

 

A moça gelou.

 

--Ela non va con voi da nenhuna parte, miserabile!! -- Antônio respondeu aos berros, virando o corpo rapidamente na tentativa de surpreender o ladrão e desarmá-lo

 

Sem esperar por isso, quase que sem pensar, o bandido crava-lhe a faca na barriga e Antônio solta um desesperado grito de dor.

 

--Pai, não!!!!!!!!!!! -- Camille tenta proteger o pai lançando-se contra o agressor, no que foi detida pelo outro bandido, que a empurra em direção contrária, fazendo com que perdesse o equilíbrio e caísse sobre os trilhos do metrô.

 

As pessoas se desesperam, um grande tumulto se forma e no transcorrer deste tempo, que foi mínimo, a composição chega e amputa brutalmente a perna direita de Camille.

 

***

 

Camille voltava do cemitério com a mãe e o noivo, que empurrava sua cadeira de rodas, sentindo uma dor como não saberia descrever. Seus olhos verdes miravam um ponto perdido no horizonte. Há dois dias atrás era uma mulher bonita, atraente e saudável. Sentia-se feliz, excitada e contava com a companhia do pai para ajudá-la nas compras dos enfeites para seu casamento. Estava noiva de um belo rapaz, recém empregado em uma empresa da área de telecomunicações, e sua formatura estava marcada para o final do ano. A vida parecia perfeita até que de repente tudo muda e as coisas viraram pelo avesso.

 

Agora estava sem o pai, seu melhor amigo de todas as horas, e era deficiente física; não tinha uma perna. Como seria dali para frente?

 

--É... dona Mari, a senhora me deixaria ficar com Camille a sós por alguns minutinhos? Nós temos algumas pequenas coisas pra conversar. -- Augusto pediu desconfiado

 

--Aqui no cemitério?? -- perguntou com estranheza

 

--Eu não demoro... É que viajo hoje à serviço e não terei muito tempo. Logo, logo eu a coloco no carro de vocês. Pode ser?

 

--Tudo bem... -- abaixou-se e beijou o rosto da filha -- Estou no carro do seu tio te esperando.

 

Camille simplesmente balançou a cabeça.

 

Augusto empurrou a cadeira para um ponto mais destacado e parou. Deu a volta e ficou de frente para Camille, se ajoelhando.

 

--A gente tem que conversar algumas coisas sobre nosso casamento. -- parecia desconcertado

 

--Eu sei... Eu preciso de um novo vestido e pensar em como entrarei na igreja com uma cadeira de rodas. É um desafio e tanto, não é? Certamente uma cerimônia das mais originais... -- quis fazer uma piada, mas tinha vergonha da situação

 

--É... o ponto não é esse, Camille... Eu não... Eu não estou preparado pra barra do que é ter uma esposa... -- abaixou a cabeça e pensou no que dizer -- assim! -- apontou para ela

 

Camille olhou bem nos olhos dele e sentiu uma dor imensa. Percebeu que Augusto agora tinha vergonha dela por causa da deficiência.

 

--Não acredito que não quer mais se casar comigo por causa de uma perna. -- disse entre dentes e com lágrimas nos olhos

 

--Eu não disse isso... -- tentou se justificar

 

--E eu sou idiota, Augusto? Acha que não tô entendendo você, meu? Não me quer mais porque sou deficiente, porque não sou mais esteticamente perfeita pra ser sua mulher, não é isso? -- elevou o tom de voz. Algumas pessoas ouviram e começaram a prestar atenção

 

--Calma, amor. -- levantou-se olhando para todos os lados -- Seus parentes vão ouvir isso...

 

--Que se dane! Você é um merd*, Augusto, um merd*! -- lágrimas escorreram dos seus olhos -- Quer saber? Agora quem não quer se casar sou eu! -- estava quase aos berros

 

--Querida, por favor. -- fazia sinal para que falasse baixo porque tinha vergonha dos outros

 

--Saia daqui, seu maldito!! -- limpou os olhos -- Saia daqui! Como pode ter coragem de me dar um fora no dia do enterro do meu pai? Que tipo de homem é você, seu desgraçado? -- chorava com muita dor e raiva

 

--Mas, amor, por favor. Está muito nervosa, eu... -- interrompeu a frase ao sentir um forte aperto no braço

 

--A menina mandou você ir embora, seu canalha. -- era Mariano, tio materno de Camille -- Sorte a sua ter tantas senhoras presentes nesse enterro, senão eu quebrava sua cara. -- segurou-o pela gola da camisa -- Que diabo de homem é você que termina com a noiva no dia do enterro do pai dela? E ainda por causa do acidente? Você não passa de um merdinha que pensa que é alguma coisa!

 

--Calma, seu Mariano, por favor! -- Augusto estava morrendo de medo e vergonha. Outras pessoas se aproximaram para saber do que se passava

 

--Deixe ele ir, tio. Quero que suma e nunca mais apareça na minha frente. -- disse com muita amargura

 

Mariano soltou o rapaz dando-lhe um empurrão. Ele se afastou assustado, se recompôs e apressou-se para sair. Neste momento uma senhora idosa diz: -- Ninguém sabe o dia de amanhã. Ela perdeu uma perna, e você? O que será que te aguarda, hein?

 

Augusto saiu apavorado com medo da praga que a idosa parecia lhe rogar. Ele, ao invés do medo supersticioso, deveria ter se dado conta de que “a vida é fiel credora de todas as dívidas” 3.

 

***

 

“A tragédia da vida é o que morre dentro do Homem enquanto ele vive”4. A vida é uma sucessão de altos e baixos, e como estamos todos sob o encanto de Maya, iludidos com a pretensa perenidade de coisas que passam, deixamos que os eventos mais tristes nos matem por dentro. Nós não entendemos que eles também vão passar e que “perder a alegria é a última forma de ser derrotado”5.

 

Os dias se seguiram e Camille agora se via sem o pai, sem o noivo e sem quaisquer perspectivas. Havia se transformado em uma cadeirante, sem chances de conquistar emprego e de qualquer outra coisa boa na vida, e por isso mesmo havia decidido que trancaria sua matrícula na faculdade. Para que continuar, se ao final não seria selecionada para trabalhar em lugar algum?

 

Sim, no entendimento dela a vida perdera o sentido, e Camille só lamentava não ter morrido junto com o pai. Ela se matava na própria alma e não se dava conta disso. A provação era, sem dúvida, muito difícil, mas a jovem mulher escolheu um caminho ainda mais doloroso: revolta, isolamento e auto piedade.

 

Seu relacionamento com a mãe nunca foi dos melhores, mas sentia que Mariângela se esforçava para ser gentil ao máximo. No entanto, nada importava. Não ligava para ninguém e nem para coisa alguma.

 

Mariângela pensou no que poderia fazer, pois também sofria muito e não via saídas. Achava que a casa, a rua, os vizinhos, tudo lembrava o passado e seria sempre assim. Era importante que algo acontecesse para que elas se libertassem das lembranças e pudessem recomeçar. E haviam as dívidas...

 

Decidiu então que poderia valer a pena se mudar para uma casa que ela e o irmão herdaram do pai. Uma casa simples, porém espaçosa, na rua Arquias Cordeiro, no Rio.

 

--Você tem certeza disso, Mariângela? -- Mariano perguntou preocupado -- Mudar para o Rio não vai

resolver nada...

 

--Eu sei que não, mas essa mudança acabou se impondo sobre nós e eu também pensei que de repente saindo de São Paulo, para longe das lembranças e de Augusto, Camille pudesse melhorar um pouco. -- ambos olharam para a moça taciturna na cadeira de rodas -- Ela trancou matrícula na faculdade, não quer sair, não quer ver as amigas... Já são três meses assim e eu não sabia mais o que fazer. -- respirou fundo -- E também haviam as dívidas de Antõnio... Se não tivesse vendido a casa, não teria como pagá-las... -- sorriu com tristeza -- E sem a sua ajuda não poderia pagar os juros, ainda que com o dinheiro da venda...

 

--Pelo menos o problema financeiro já se resolveu... Mas vocês poderiam ter vindo morar comigo e alugado aquela casa novamente. Lá no Rio vocês não têm ninguém...

 

--Mas eu me sinto sufocada aqui, você não entende... São muitas lembranças, memórias... E também não quero mais que cheguem outros homens atrás de mim pra cobrar dívidas de meu marido. -- secou os olhos. Estava se emocionando -- Deus faz tudo acontecer na hora certa! Depois de tantos anos morando naquela casa a família de seu Barbosa decide voltar pra Goiânia justo nesse momento em que eu procurava uma saída. Essa mudança tinha que ser meu irmão!

 

Ele respirou fundo. --Espero que a mudança de ares ajude em alguma coisa. Mas, seja como for, sabe que tem seu irmão aqui para você sempre que precisar.

 

--Eu sei. -- abraçou o irmão carinhosamente -- Eu sei. Obrigado por tudo.

 

--Imagina! Você é minha irmã preferida! -- sorriu

 

--A única que você tem, seu bobo! -- riu

 

--Mãe, tão chamando pelo nosso voo. -- Camille disse contrariada

 

--Sim. -- Mariângela afastou-se do irmão -- É nossa hora. -- lágrimas brotaram em seus olhos -- Pede a Deus e a Virgem por nós?

 

--Sempre. -- beijou-lhe a testa -- Camille? -- chamou pela sobrinha e caminhou até ela -- Até mais, meu amor. -- abaixou-se e beijou-lhe a testa

 

--Até. -- foi o que se limitou a dizer. Seu olhar era sem expressão

 

O funcionário da VASP conduziu Camille para embarcar, sendo seguido por sua mãe.

 

“Que miséria da minha vida, meu Deus!” -- pensou -- “Até para embarcar na merd* de um avião eu preciso de ajuda de gente que nunca vi!”

 

 

18:00h. 07 de abril de 2000, Edifício Rubro Negro, Flamengo, Rio de Janeiro

 

Isabela tinha acabado de voltar ao Brasil depois de passar um ano atuando na temporada 1999/2000 com o corpo de balé da Academia Giffé, em Paris. Foi recebida pelos pais e pela melhor amiga no aeroporto com muita empolgação. Ela estava feliz por ter voltado, mas triste pelas razões de seu retorno.

 

Ruiva, 19 anos, 1,70m, filha única, iniciou seus estudos de dança clássica aos 5 anos de idade, tendo ingressado na Escola Estadual de Dança do Theatro Municipal aos 10 anos, mesma idade em que iniciou com sapatilhas de pontas, e seu talento e potencial não passavam despercebidos. Já havia feito apresentações pelo país, chegando a participar do festival de Havana (Cuba) em 1998 e de vários festivais europeus enquanto esteve fora. Isabela Guedes queria muito crescer na carreira, deslanchar no cenário do balé internacional, porém agora isso lhe parecia impossível. É muito difícil progredir em carreiras artísticas tão eruditas quanto o balé clássico, e depois do que aconteceu em Paris acreditava de fato que nunca mais conseguiria realizar seus sonhos.

 

Três dias após o retorno, deitada na cama de sua melhor amiga, desabafava sobre isso.

 

--Mas eu não entendi nada até agora! Eu me lembro que você passou na audição pra dançar com a francesada e quando conheceu a mulher manda chuva do negócio lá, ela gostou de você. -- Priscila olhava para Isa -- E você passou um ano dançando em festivais pela Europa inteira, como diz que deu tudo errado? Não entendo!

 

--Priscila, presta atenção. Beatrice me convidou pra estudar em Paris depois da temporada e me disse que eu estava sendo avaliada o tempo inteiro. Se tudo desse certo, poderia ficar lá e me desenvolver na carreira. Mas eu não... -- uma lágrima teimosa fugiu de seus olhos -- Eu não vou voltar... E com o prestígio de Beatrice, duvido que terei boas oportunidades novamente. Ela tem influências na Europa e nos Estados Unidos, justamente onde estão as melhores oportunidades pra uma bailarina.

 

--Mas por que isso? -- deitou-se de lado e secou a lágrima no rosto da amiga -- Eu não acredito que você não tenha se esforçado ou que não tenha dançado bem.

 

--Porque aquela safada só queria trans*r comigo, por isso. -- deitou-se de lado também encarando a amiga -- Ela não me convidou como uma profissional. Ela me convidou porque queria sex* e eu não quis. Daí...

 

--Mas que safada!! -- disse revoltada

 

--Pois é.

 

--Contou isso pros seus pais?

 

--Eu não! Tive vergonha e expliquei que não gostaram de mim, simplesmente isso. Aí eles me deram um abraço e um urso de pelúcia.

 

Priscila riu com gosto. -- Ai meu Deus, seus pais pensam que o tempo não passa! Dezenove anos e ganhando ursinho pra se consolar... -- riu de novo

 

--É o jeito deles. Mas o fato é que tô arrasada.

 

--E como foi o assédio dela? Logo de cara ou a safada foi comendo pelas beiradas antes de dar o bote?

 

--Ela foi um amor durante cinco meses; me levou pra conhecer os lugares mais interessantes da cidade, me apresentou pessoas, me deu presentes... Eu não me sentia à vontade com aquilo tudo, então não dava muito espaço pra ela ficar mais íntima, sabe? Aos poucos fui desconfiando que ela queria mais.

 

--E quando a tarada se manifestou? Ela veio te agarrar? -- arregalou os olhos

 

--Não. Ela me convidou pra um jantar na casa dela dizendo que outros amigos iriam também. Na hora H só eu fui. Fiquei desconfiada mas já era tarde...

 

--E aí?

 

--E aí que ela começou a falar de cinema e se enveredou por filmes sobre a temática lésbica. Aí citou uma produção americana, desconhecida no Brasil, sobre a história de bailarinas lésbicas. Por fim, deu um jeito de perguntar se eu era virgem. Disse que não e daí ela perguntou: -- E curiosa, você é?

 

--E então? Quem tá curiosa agora sou eu!

 

--Eu disse que tive um namorado por dois anos e só com ele tive intimidade. Falei que terminei tudo antes de viajar. Aí ela disse que eu devia provar outras coisas também. E sem eu esperar abriu a blusa e colocou os seios pra fora.

 

--Humpf! Aqueles peitinhos magricelas? Que ela queria? Te excitar ou te deixar com pena? Se fosse eu dizia: “-- Fica triste não filha, o importante é ter saúde!”

 

Isabela riu. -- Eu me levantei da mesa e corri pra sala querendo fugir. Ela veio atrás dizendo que eu era infantil e fugia de coisa muito boa. Daí arriou a saia e mostrou-se toda nua pra mim.

 

--Seca do que jeito que ela é, você deve ter sentido até pena. Por que não assoprou com força? Ela ia desequilibrar e cair no chão.

 

--Eu fiquei foi com medo! Abri a porta e sumi. Dali pra frente ela fez de minha vida um inferno e envenenou a todos contra mim. Sutilmente dizia que eu era imatura e despreparada. -- contava -- Que aconteceu? Todos ficaram convencidos disso.

 

--Mas que gente sem personalidade!! E que mulher mais desgraçada!! Só se você fosse louca para ficar com aquela coisa. Sabe, amiga, eu acho ela muito feia: magra demais, dentes esquisitos, cabelo ralo... E tem um mau hálito... Lembro quando me apresentou a ela. Senti o bafinho e quase morri!

 

 

--E você não sabe... -- falou mais baixo -- É tão cabeluda que parece que tem uma texuga lá em baixo.

 

Priscila riu e respondeu: -- E mais essa! Tudo bem que você tem curiosidades mas encarar isso aí seria ter desgosto!

 

--Pois é... -- deitou-se de barriga para cima novamente -- Mas o que é verdade nisso tudo é que minha carreira internacional já era! E eu tô muito triste por causa disso. Ela é Primeira Bailarina, conhecidíssima mundo afora... Ter um desafeto com alguém assim é fatal...

 

--Ai amiga, pensa nisso não. Essa mulher não é eterna e nem a dona da verdade! Você tem muito chão pela frente! -- levantou-se da cama -- Aqui, escuta essa: tem uma danceteria no baixo Gávea que tá bombando! Vamos lá um dia desses??

 

--Sei não, Pri. Não estou no clima de danceterias...

 

--Deixa de ser boba! Vamos lá fazer uma loucura: dançar a noite toda até os pés doerem, fazer fuzuê... você podia tentar ficar com uma garota legal...

 

--Essa danceteria é GLS? -- perguntou intrigada

 

--Não, mas e daí? Acha que as lésbicas e curiosas só freqüentam os lugares GLS??

 

--Ai, Priscila eu não quero me meter em confusão e nem pagar mico. Além do mais eu tô sozinha há um ano! Acho que nem sei mais beijar na boca...

 

--Deixa de bobeira mulher! Tem coisas que uma vez aprendidas ficam no sangue... -- deitou-se ao lado dela de novo -- Vamos??

 

--Vou pensar... -- a ruiva passou as mãos nos cabelos

 

Nesse momento Tatiana entra no quarto de Priscila aos prantos.

 

--Ai gente, deixa eu falar, vocês não sabem o que me aconteceu... Marcelo terminou comigo! -- jogou-se na cama caindo sobre as outras duas -- Chega dói tudo!!

 

--Calma, Tati, não mata a gente por causa disso! -- Priscila reclamou

 

--Eu tô arrasada! -- chorava

 

--Calma, eu vou pegar água com açúcar pra você. -- Isa levantou-se para ir até a cozinha

 

--Açúcar não, põe adoçante! -- Tatiana interrompeu o choro para advertir

 

Isa saiu revirando os olhos.

 

--E por que ele terminou, mulher? -- Priscila perguntou curiosa

 

--Por que se encantou com uma loura louca que conheceu no show do Reginaldo Rossi... -- respondeu chorando -- Tem base?

 

--Reginaldo Rossi???? -- perguntou em choque -- Ele curte esse tipo de música desde quando?

 

--Isso não importa, Pri... o que importa é que eu sou chifruda e abandonada... -- continuava chorando -- Num dou conta não...

 

--Está aqui, -- Isa entregou-lhe o copo -- água com adoçante.

 

--Ai, amiga, obrigada. Eu tô muito nervosa... -- bebeu de um gole só

 

--Vixi, mas que gritaria é essa nessa casa? -- Patrícia entrou no quarto -- Tive até medo quando entrei nesse apartamento!

 

--Pat, vem cá! -- Tatiana chamou -- Deixa eu te falar, Marcelo terminou comigo, me consola. -- chorava

 

--Melhor pra você! Aquele cabra era tão fuleiro... E ainda assistia novela mexicana!

 

--E o que tem isso a ver, sua sem coração? Tô sofrendo demais da conta... -- mergulhou a cabeça entre os seios de Priscila

 

 

--Ah, mulher, chorar por homem? Quem precisa de porco quando se pode ter lingüiça de graça? -- saiu do quarto

 

--Não entendi! -- Isa disse

 

--Ah, ela só diz isso porque não gosta da fruta! -- Tatiana limpou as lágrimas com as mãos -- Mas quando ela tem problemas com as mulheres, -- falava bem alto para a outra ouvir -- fica toda jururu!

 

--Olha só, agora mais que nunca tá decidido: vamos na danceteria do baixo Gávea no sábado que vem! -- Priscila disse resoluta -- Tem muito baixo astral aqui nessa casa. -- levantou-se puxando Tatiana para fazer o mesmo -- Vamos lavar o rosto e pensar desde já no modelito que a gente vai vestir.

 

--Pois eu vou é nua! Estou revoltada e quero chocar! Vou ficar pelada nos Arcos da Lapa...

 

--Mas a danceteria é na Gávea. De lá pra Lapa é longe... -- Isa teve que rir

 

Isabela parou para analisar suas amigas, todas jovens mulheres de vinte anos. Priscila, morena, cabelos negros e lisos, parecia uma índia. Tão alta quanto ela, não era linda mas sabia chegar e ser vista. Estudante de odontologia da UFRJ, era natural de Piraí e morava no Rio desde 15anos, que foi quando as duas se conheceram. Com a aposentadoria dos pais e seu retorno para Piraí, passou a viver em apartamentos alugados dividindo com outras moças. Tatiana era mulata, pouco mais baixa que elas, cabelos estilo Globeleza. Estudante de comunicação da UERJ, nascida em Goiânia, mudou-se para o Rio por causa da universidade. Era bonita e dona de um belo corpo. Patrícia era branca, cabelos negros lisos e curtos, lésbica assumida, vestia-se sempre como um rapaz. Estudante de direito na UNIRIO, militante do PT e ávida lutadora pelos direitos das mulheres. Natural de Campina Grande, buscou estudar longe de casa para fugir das críticas da família.

 

--Olha, Tati, não se martirize por causa dele. Se te trocou por outra é sinal de que não te merece. -- Isa pensou um pouco -- Talvez Priscila tenha razão e a gente deva ir para a tal danceteria e dançar, espairecer, ver gente, se divertir...

 

--Eita, que agora o papo ficou interessante! -- Patrícia entrou no quarto novamente -- Gostei da parte do ver gente.

 

--Você é sem coração, viu? -- Tatiana disse magoada -- Nem liga pro tanto que eu sofro... Chega dói só de

pensar...

 

--Ah, Tati não é isso. Eu acho que vocês ficam num aperreio danado por causa de homem. Esquece aquele cabra porque ele já te traía não era de hoje. -- falou sem pensar -- Ih! -- pôs a mão na boca

 

--Como assim me traía não era de hoje??? -- deu um pulo -- Pode ir falando tudo! Ajoelhou tem que rezar! -- pôs as mãos nas cadeiras

 

Isa e Priscila olhavam para Patrícia esperando a resposta igualmente curiosas.

 

--É que...bem... lembra da minha ex namorada? Cintia?

 

--Sim, e daí.

 

--Eu o vi aos beijos com a irmã dela no playground do prédio numa das vezes em que fui ver minha gata.

 

--Mas... aquela irmã de Cintia só tinha 12 anos!!!

 

--Vai ver era por isso que eles estavam no play... -- Patrícia deduziu -- A garota estava lá brincando no parquinho e ele a seduziu dando um pirulito. -- disse para descontrair

 

--Eu sei bem o pirulito! -- disse contrafeita -- Além de não ter gosto pra música ele ainda é um tarado aproveitador!!! Chega! Agora eu quero ir nessa danceteria, e nua!

 

***

 

--Fala sério, viu? Os caras preferiram ficar vendo jogo na TV do boteco cercados por um monte de machos do que vir pra cá com a gente ver essas beldades... -- Silvio desabafa enquanto paquerava todas as moças que passavam -- Isso sim é pura boiolice!

 

--Homem gosta de homem, Silvio, eu vivo te dizendo. A maioria é tudo gay não declarado... -- Ed comenta para provocar o amigo

 

--Alto lá! -- Silvio bate no peito -- Eu sou macho pra cacete e vim aqui pra faturar todas. -- continuava paquerando

 

--Eu também sou macho, mas vim somente pra me distrair. Não quero ninguém. Ainda dói ter perdido a Carol. -- disse Renan

 

--Eu também vim pra me distrair. Não tô em clima de paquerar, ainda mais em uma danceteria onde não se sabe quem é e quem não é. -- nesse momento dois travestis passam fazendo barulho -- Bem, pelo menos não se sabe na maior parte das vezes. -- riu

 

--Então fiquem aí ch*pando dedo porque eu vou detonar! -- pediu uma bebida

 

--Vá em frente. Eu vim de moto não vou depender da sua carona. -- Ed riu

 

--Ih... me ferrei! -- lamentou Renan

 

Nesse momento, Isabela, Priscila, Patrícia e Tatiana entram na danceteria e se acomodam perto do bar.

 

--Nossa, mas tá bombandoooo!! -- Priscila diz -- Ai, mas eu quero um drinque pra começar. -- ordenou ao garçom uma bebida

 

--Eu vim só porque você me chamou. Não tô com clima pra beijar bocas aleatórias na noite. --Tatiana disse -- Não tiro Marcelo da cabeça, chega dói.

 

--Ai, Tati, esquece esse bisco aí! Um monte de gente bonita e você pensando no tal! -- riu -- Bem, pelo menos você tirou da cabeça a idéia de vir nua.

 

--Está fazendo frio hoje. -- cruzou os braços

 

--Deixa ela, Pri. Eu também não tô no pique de nada disso. -- Isabela deu força a outra amiga

 

--Olha, eu vou dar uma circulada. Qualquer coisa, me liguem. -- Patrícia se afastou e sumiu na multidão

 

--A outra já foi caçar. -- riu -- Então, vocês duas... só me assistam quando eu começar... -- Priscila sorriu maliciosa com o copo na mão

 

--Gente, olha aquelas gatas ali. -- Silvio apontou as três

 

--Gatas mesmo! -- Ed reparou -- E com a maior pinta de riquinhas.

 

--Patricinhas, você quer dizer. Mas eu adoro chegar em garotas assim. São as mais vadias... -- Silvio sorriu

 

--Ah, Silvio me poupe de seus discursos machistas, pode ser? -- Ed deu um tapa na cabeça dele

 

--Ai, Ed, isso dói. -- esfregou a cabeça

 

--Aquela de vestido verde parece a Carol. -- Renan comentou. Ed e Silvio se entreolharam com ar de riso

 

--Eu gostei mais da ruiva. Olha só: gatinha, cabelinhos ondulados sem muito volume, toda mignon... -- sorriu malicioso -- Quero pegar aquela ali!

 

--As outras duas também são gatas, a mulata e a morena. -- Ed respondeu -- E tem razão, a mulata parece Carol. -- olhou para Renan

 

--Vou esperar elas dispersarem um pouco e abordo a ruivinha. O rapaz que estava com elas já se afastou. -- pausou brevemente -- Quer dizer, eu acho que era um rapaz.

 

--Dispersarem, Silvio? Qual é, elas são amigas, vão ficar a noite juntas até que cada uma se arrume com um. Se quiser chegar vai ter que abordar as três. -- Ed riu -- Bem se vê que sabe nada de mulher... -- provocou

 

--Gente, olha só aquele trio. -- Priscila mostrou -- O moreno careca e o mulato são exóticos, fazem aquele tipo... rústico. -- bebeu um gole -- Estão olhando pra gente.

 

--Ih, o mulato parece Marcelo. -- Tatiana comentou surpresa

 

--Ai, meu Deus... -- Priscila revirou os olhos

 

--A morena é bonita, não é? -- Isabela disse baixinho para Priscila -- Um tipo diferente...

 

--Bem melhor que a tua francesa da texuga cabeluda. -- Priscila brincou e na sequência levou um tapa no braço -- Te deixou curiosa? -- piscou para Isa, que corou

 

--Elas estão cochichando sobre nós. -- disse Silvio -- Posso sentir. -- bebeu seu drinque de um gole só

 

--E você fala demais, Silvio. -- Ed provocou de novo -- Mas como sou tua amiga, vou lá quebrar o gelo por você.

 

--Sério? -- perguntou animado

 

--Agora! -- piscou e foi

 

Enquanto Ed cruzava o caminho que a separava das garotas, Isabela prestava atenção em cada detalhe. Vestindo uma calça jeans justa e desfiada e uma blusa justa azul que parecia ser trançada nas costas ela vinha com os cabelos se movimentando levemente e mostrando seus brincos.

 

--Boa noite garotas. Meu nome é Seyyed mas todo mundo me chama de Ed. -- sorriu -- Como vão? -- pôs as mãos nos bolsos

 

--Bem e você? -- Priscila respondeu -- Eu sou Priscila e estas são Tatiana e Isabela. -- as duas acenaram um oi.

 

--É um prazer. Bem, -- passou a mão nos cabelos -- estou com dois amigos ali que gostariam de saber se vocês estão a fim de conversar com eles. -- apontou os dois

 

--Hum, mas eles são dois e nós três. Por que você não fica aqui também e equilibra as coisas? -- Priscila perguntou maliciosa

 

--Com todo prazer. Eu pensei que fosse ficar no canto morrendo de inveja deles. -- olhou rapidamente para Isa

 

Pelo comentário as três garotas perceberam que Ed era lésbica.

 

--Nós não deixaríamos que isso acontecesse, não é Isa? -- Priscila piscou para a amiga

 

--Claro. -- Isa bebeu um gole de suco

 

--Chame seus amigos então. Quanto a você, Isa vai te dar um pouco de atenção.

 

Isabela morreu de vergonha e abaixou a cabeça.

 

Ed encaminhou-se para perto dela e parou do seu lado: -- Não precisa ficar envergonhada. Se não quiser que eu fique aqui eu saio sem problema algum.

 

--Não é isso. -- sorriu -- É que Priscila tem essa mania de me deixar sem graça... -- não conseguia encará-la -- Mas você não me incomodará se ficar aqui.

 

--Ah, cara, eu não acredito!! Ed já quer pegar logo a minha garota? -- Silvio reclamou

 

--Eu acho que deve ter sido a ‘sua’ garota que quis ser pega por ela. -- Renan respondeu zombeteiro -- Mas não reclama, porque Ed tá acenando pra nós o que é sinal de que as garotas querem conversar.

 

Silvio lançou um suspiro mas seguiu na tentativa de se acertar com alguma. Tatiana e Renan naturalmente se aproximaram.

 

--E então, Isa? Será que posso te chamar assim, de Isa? -- Ed perguntou

 

--Claro. Eu até prefiro. -- tentava agir naturalmente

 

Ed pediu uma bebida. Limonada Suíça. Reparou que Isa também consumia um não alcoólico.

 

--Você também não bebe ou é só hoje?

 

--Não, eu não bebo mesmo. Vida de bailarina é muito disciplinada. Pelo menos deveria ser. -- sorriu

 

--Você é bailarina? Legal! -- disse com sinceridade -- Bailaria clássica, desculpe a ignorância?

 

--Sim. Eu concluí meu curso de balé clássico no ano passado.

 

--Eu acho lindo, mas não teria jeito pra ser bailarina. Gosto de ver as meninas dançando. Acho super delicado e charmoso.

 

--E você já assistiu a alguma apresentação? -- perguntou um tanto cética

 

--Várias! Minha mãe adora e eu sou sua companhia pra assistir aos espetáculos.

 

--Quais foram os que mais gostou? -- continuava descrente

 

--O Quebra Nozes, o Lago dos Cisnes, que eu acho um balé super difícil pra quem dança, a Megera Domada, Raymonda...

 

--Nossa, você conhece mesmo! -- sorriu -- Eu participei de Don Quixote, A Bela Adormecida, Giselle, Copéllia... -- disse empolgada

 

--Caraca! Você então dança com sapatilhas de ponta! -- disse admirada

 

--Nas pontas desde os dez anos. -- fez a pose típica de bailarina

 

-- Bem que eu notei que você tinha um porte charmoso, é esbelta... As bailarinas têm uma elegância peculiar.

 

--Aposto que me diria isso mesmo se eu fosse motorista de ônibus. -- brincou

 

--Diria, porque você realmente tem muito charme e elegância. -- sorriu -- Silvio -- apontou para ele -- ficou louco quando te viu chegar.

 

--E você? -- perguntou sem pensar -- “Eu não acredito que tive coragem de perguntar isso.” -- condenou-se mentalmente

 

--Eu vim aqui só pra espairecer, porque acabo de sair de um casamento de 2 anos e nunca fui de ficar na noite procurando namoradas novas. Então eu tava na minha, quieta, esperando ouvir um som legal pra começar a dançar... -- bebeu um gole do suco -- Mas quando ele falou de você e eu olhei, -- olhou bem para ela -- não teve como não reparar. Você tem muito charme, mesmo sem provocar isso. E daí, como Silvio não parava de dizer que queria ficar contigo, eu tentei ser gentil e vim ver se vocês queriam conversar com eles... vim fazer o papel de “embaixatriz” da paquera só pra quebrar o gelo. -- sorriu

 

--E quanto a você? Só estava disposta a ser o cupido da noite e ficar sozinha?

 

--Eu não sabia se você teria interesse em me conhecer melhor. -- respondeu diretamente -- Não gosto de ser inconveniente com as garotas.

 

Isa sentiu o rosto arder. --Mas você não é, de forma alguma. -- bebeu mais um gole mantendo o olhar tímido sobre Ed

 

“Essa garota é muito gatinha...” -- a mecânica pensava

 

Nesse momento começa a tocar um medley de Michael Jackson e Ed se empolgou para dançar.

 

--Bailarina, -- bebeu o último gole do suco e fez pose de reverência -- dança comigo? -- sorriu estendendo a mão direita

 

--Só se for agora! -- deixou o copo no balcão e segurou a mão da morena

 

As duas se encaminharam para a pista de dança. Silvio e Priscila não repararam pois estavam aos beijos e Renan e Tatiana conversavam animados se queixando de seus respectivos ex.

 

Ed e Isa dançaram juntas por um bom tempo e se afinaram completamente ao estilo uma da outra. Quando o cansaço foi mais forte, buscaram um lugar para sentar no segundo andar da boate.

 

--Nossa, você dança muito viu? -- Ed comentou empolgada -- O chato foi ficar vendo aqueles caras chegarem o tempo todo pra te dar idéia. -- puxou a cadeira para a ruiva se sentar

 

--Hum.. -- sentou-se e agradeceu -- você também recebeu cantadas, que eu vi. -- sorriu

 

-- Quer que eu peça alguma coisa pra gente beliscar? O bom é que esse segundo andar é menos barulhento e dá pra conversar melhor.

 

--Não, eu tô sem fome, obrigada. -- sorriu -- Você quer alguma coisa? Eu só queria mesmo beber mais um suco.

 

--Não, eu também tô sem fome e queria beber alguma coisa. -- olhou para o mini bar -- Espere um segundo que eu já volto! -- piscou e levantou-se da mesa indo em direção ao bar

 

“Ela é interessante... Até gosta de balé!” -- riu sozinha

 

--Pronto! -- chegou trazendo limonadas -- Geladinhas! -- sorriu

 

--Obrigada! -- bebeu um gole -- Mas me diga, o que você faz da vida? Eu ainda não sei sobre você. -- cruzou os braços e se debruçou sobre a mesinha

 

--Eu sou mecânica de automóveis. Tenho uma oficina e o segundo andar dela é minha casa.

 

--Uma mecânica de automóveis que assiste espetáculos de balé clássico?? -- riu -- Por essa eu não esperava.

 

--E por que não? Os brutos também amam, baby. -- riu -- Aliás, quando tiver problemas com seu carro pode levar lá na oficina. -- ofereceu

 

--Eu não tenho carro, só meu pai. Vendi o meu antes de ir pra Paris.

 

--Muito tempo isso? -- perguntou com interesse

 

--Há um ano atrás. Estou de volta há poucos dias.

 

--Desculpe perguntar, mas o que foi fazer lá? Estudar dança?

 

--Estive na Academia Giffé. Foi um ano de muito aprendizado, dançando ao longo de uma temporada que foi riquíssima. -- bebeu mais um gole -- Queria ter ficado lá e mantido meus estudos, mas não foi possível.

 

--Não foi, ainda! -- sorriu -- As coisas estão em constante mudança. Você terá outras oportunidades.

 

--Não sei...

 

--Tenha certeza! -- respondeu enfática -- Se você duvidar, já começa perdendo antes de tentar. -- sorriu

 

--Mas, continue. Fale mais de você. Como é ser uma mulher mecânica? Por que escolheu essa profissão? Eu escolhi o balé porque desde pequenininha era, e sou, encantada com a dança. Aliás, você é brasileira? Porque seu nome é diferente... Ai... -- cobriu o rosto -- às vezes eu desando de falar e nem deixo a outra pessoa responder, que vergonha!

 

 

--Relaxa... -- segurou delicadamente a mão da outra descobrindo seu rosto -- Nada de mau nisso. Eu fico é lisonjeada de você querer saber... -- sorriu e manteve-se segurando a mão da ruiva, a qual assim permitiu que continuasse -- Eu vou te fazer um resumo: meu pai era libanês e trabalhou desde jovem como encarregado de máquinas na Marinha Mercante, por isso acabou conhecendo o Brasil em uma das viagens, e daí não quis mais sair daqui. Ele foi trabalhar em uma fábrica de bombas na Avenida Brasil e mamãe era secretária de lá. Eles se conheceram, namoraram, casaram e eu nasci. Seyyed é o nome da minha falecida avó paterna.

 

--E como veio a coisa de ser mecânica?

 

--Bem, eu ia na fábrica várias vezes na infância e me acostumei com o mundo das máquinas. Depois descobri que os carros eram minha paixão. Daí fiz curso técnico de mecânica, especializei em mecânica de autos e corri atrás pra abrir meu próprio negócio. A essa altura meu pai já tinha morrido, mas tinha deixado um dinheirinho, que demorou a sair, e quando veio foi justo na época em que eu precisava de um complemento financeiro. -- contava -- Mamãe me deu o que faltava pra eu comprar o imóvel que hoje é a oficina. -- sorriu -- E foi assim.

 

--Legal de ver uma mulher entrar em um universo que dizem que não é nosso. Eu admiro isso. -- Ed e Isa continuavam de mãos dadas e trocando carícias suaves com os dedos -- Você e sua mãe são muito amigas?

 

--Bastante.

 

--Eu me dou bem com meus pais, mas não posso dizer que somos muito amigos. Eles gostam que eu seja bailarina, acham chique, dão apoio... Mas não somos cúmplices, sabe? -- suspirou -- E eu tô dividida entre tentar ingressar na faculdade de dança ou não. Eles são indiferentes quanto a isso.

 

--E você tá na dúvida porque tinha esquematizado outros planos e agora não sabe o que fazer já que ainda não aconteceu como desejava.

 

--Isso... -- recolheu a mão. Silenciou por segundos e desabafou -- Às vezes eu vivo um impasse entre o balé clássico e a dança contemporânea. Eu passei a vida dedicada ao “Balett Blanc", que valoriza a bailarina em detrimento de qualquer outro elemento, focando no trabalho de pontas, fluidez e movimentos acrobáticos precisos. Se entrasse pra faculdade acabaria me envolvendo de vez com o contemporâneo, embora não fosse abandonar a dança no Municipal.

 

--Eu gosto do balé clássico, mas é nítido que toda aquela abordagem que busca sistematicamente pela perfeição da técnica é o reflexo de uma sociedade hierarquizada e autoritária da Europa tradicional do século XV. A dança contemporânea abre espaço pra dançarina criar, se expressar com liberdade... É um movimento de ruptura, de questionamento. -- pausou -- Eu acho legal também.

 

Isa ouvia admirada. -- Mas é exatamente isso! -- respondeu empolgada -- Na dança contemporânea existem formas muito ricas de trabalho, com uma grande abertura pro crescimento crítico e criativo do indivíduo. A proposta de trabalho do balé clássico é baseada na reprodução e repetição pra se chegar a um movimento tecnicamente perfeito! -- pausou -- São direções, abordagens aparentemente conflitantes, mas a dança é fundamental pra formação de um ser humano. Ajuda que a pessoa se entenda como sujeito de suas ações na sociedade em que está inserida.

 

--Eu acho que se você entrar pra faculdade de dança vai ampliar a sua visão. Não tem a perder. Conhecimento e experiência sempre são interessantes. Além disso, atualmente existem várias outras modalidades de balé que incorporam elementos da dança moderna; balé expressionista, neoclássico... Você sabe disso muito melhor do que eu. – sorriu

 

Isa sorriu; estava gostando de conversar com Ed. -- E você? Não pensa em fazer faculdade?

 

--Não... Eu fiz um bom curso técnico e faço cursos de aperfeiçoamento no SENAI, no CEFET... Tô sempre lendo pra me inteirar sobre as novidades... Já fiz uns cursos de empreendedorismo, essas coisas... -- pausou -- Mas um curso de nível superior não me interessa por agora.

 

--E além de balé o que mais te interessa? Em termos de cultura?

 

--Gosto de ler. Sou kardecista e leio muitos livros do gênero. Gosto de filosofia, romances, história, política, poesia. Gosto de música, de pintura... Particularmente também gosto de ler sobre feminismo, eu digo enquanto movimento social consciente.

 

--Qual foi o livro mais contundente que você já leu nesse sentido?

 

--Of Woman Born, de Adrienne Rich. Sem dúvida a crítica mais erudita, profunda, passional e consciente que eu já li.

 

--Ai, eu não acredito!!! -- respondeu empolgada -- Eu amo esse livro!!! -- começou a citar um trecho -- “O patriarcado é o poder dos pais, um sistema familiar, social, ideológico e político em que os homens, pela força e pela pressão direta, ou por intermédio de rituais, da tradição, de leis, da linguagem, dos costumes, da etiqueta, da educação e da divisão do trabalho, determinam qual a função a mulher irá ou não desempenhar.”

 

--”É um sistema em que a fêmea está em toda parte, subordinada ao macho”. -- Ed continuou

 

--Acho incrível que tenha lido... -- disse encantada

 

Ed debruçou-se sobre a mesa e mirou Isa diretamente nos olhos: -- E com isso eu passo no teste?

 

--Que teste? -- perguntou sem entender

 

--Pra ficar contigo. -- respondeu diretamente

 

Isa corou e abaixou a cabeça. -- Eu... achei você interessante... -- respondeu timidamente -- Mas eu... -- respirou fundo-- nunca estive com uma mulher. -- pausou -- Morro de vontade de tentar, mas não sei se teria coragem... -- continuou de cabeça baixa

 

--E você está disposta a viver a experiência, Isa? -- levantou seu rosto delicadamente. Ela sorriu em resposta -- Ainda bem que aqui também é bem escuro. -- disse brincando

 

Isa levantou uma das mãos para impedir que Seyyed se aproximasse mais: -- Ed, eu... --respirou fundo -- eu não... eu acho que ainda não tô preparada... e nessa danceteria que não é... -- olhou para os lados -- não é... o ambiente mais certo pra duas mulheres. -- voltou a encará-la, mas estava sem graça

 

A morena também ficou constrangida e achou que estava forçando a barra com a garota. Encostou-se novamente no recosto da cadeira. -- Tudo bem, Isa... -- passou a mão nos cabelos -- Eu não queria forçar a barra com você. Acho que me empolguei um pouco... -- sorriu encabulada

 

O celular de Isa começa a vibrar. Ela olhou o visor e viu o nome de Priscila. Olhou para Ed e pediu licença. -- Oi, Pri. -- tampou o outro ouvido e se abaixou um pouco para ouvir alguma coisa -- Tem certeza? -- perguntou surpresa -- Olha lá, hein? -- pausou -- E a Tati? -- pausou -- Mas Priscila! -- exclamou chateada -- E quanto a Patrícia? -- pausou -- Ah! Tá bem... -- pausou -- Tchau. -- desligou o celular

 

--Algum problema com suas amigas? -- perguntou curiosa

 

--É que... -- guardou o telefone na bolsinha -- Priscila acaba de sair daqui com seu colega Silvio no carro dele, Tatiana foi embora com Renan no carro da Priscila e Patrícia encontrou uma ex e foi embora com ela. -- suspirou -- E eu fiquei sem carona... -- estava sem graça. Parecia ter sido pega de surpresa

 

--Eu posso te dar uma carona. Na hora que quiser ir embora te levo. -- ofereceu. A bailarina não respondeu. Estava desorientada.

 

Seyyed segurou uma das mãos dela e disse delicadamente: -- Isa, relaxa... Eu não vou agarrar você ou fazer qualquer coisa que não queira. Não é porque não quis ficar comigo que vou ser desagradável. Não precisa ficar tão constrangida assim.

 

--Não tô constrangida com você, é que eu... fiquei sem graça por ter deixado transparecer que aconteceria alguma coisa e na hora H... -- pausou -- E agora as meninas me aprontam essa... -- acariciava a mão da mecânica

 

--Sem problemas... Sério. -- sorriu -- Quer ir embora? -- perguntou

 

--Acho que sim... -- sorriu e pensou um pouco mais -- Sim, eu queria...

 

--Vamos! -- disse sorrindo e levantou-se, ainda segurando a mão da ruiva, que olhou para ela e se levantou também

 

***

 

--Então é aqui que você mora?-- Ed perguntou ao parar a moto -- Já tá quase na hora do café da manhã. -- sorriu

 

--É aqui. -- desceu da moto. Ed permaneceu sentada -- Não te convido pra subir porque... -- devolveu o capacete para Ed.

 

--Relaxa, eu não tô me oferecendo pra isso. Tudo a seu tempo. -- sorriu novamente -- Olha, -- tirou a carteira do bolso e de dentro dela um cartão -- todos os meus contatos estão aqui. -- estendeu para a ruiva

 

--Oficina ESSALAAM. -- Isa leu -- Você mora no Meyer, então.

 

--Isso. -- segurou a mão dela -- Eu tô mais que interessada em te ver de novo.

 

--Eu também quero te ver... -- sorria timidamente -- Adorei conversar com você... E achei que você foi bem legal apesar de... eu não ter... -- não sabia como se expressar

 

--Eu acho que sei o que quer dizer... Não fui legal, apenas agi como deveria e respeitei o seu direito de dizer não. -- sorriu -- Em troca, você me dá seu número de telefone. Ainda não tenho como te ligar.

 

Isa riu. -- Vou te mandar um torpedo e dou meu e-mail também. Aí você terá as duas coisas: celular e e-mail.

 

--Espero, então. -- beijou a mão dela -- Não era o tipo de beijo que eu queria te dar agora mas.... -- levantou-se rapidamente e beijou-lhe a bochecha -- Tchau.

 

--Tchau. – respondeu

 

Isa foi entrando no prédio. Ed colocou o capacete e partiu.

 

“Ela parece que ficou bem a fim de mim...” -- pensou e sorriu no momento em que entrou no elevador

 

 

05:30h, Edifício Andre Luis, Ilha do Governador, Rio de Janeiro

 

O telefone tocava com vontade.

 

“Meu Deus o que será que houve?” -- Olga pensou -- Alô, bom dia?

 

--Alô, bom dia, eu poderia falar com Olga Sampaio Khazni? -- uma voz masculina ecoou do outro lado

 

--Sim, sou eu. -- respondeu intrigada

 

--A senhora conhece a senhorita Juliana Okinawa Mitsui?

 

--Sim, ela é como se fosse minha filha. O que houve com ela?

 

--Aqui é o tenente Ribeiro, socorrista do corpo de bombeiros, e eu estou aqui no Hospital Silva Avelar onde acabamos de deixá-la na emergência porque a moça sofreu um atropelamento lá na Lapa, perto da Fundição Progresso. A pessoa que a atropelou não prestou socorro mas as testemunhas disseram que a sua parenta estava alcoolizada.

 

--Alcoolizada?! Meu Deus, isso é tão incomum pra ela. Como ela está, meu filho? -- perguntou aflita -- Eu tô indo pra aí imediatamente!

 

--Ela quebrou o braço direito, os dedos do pé direito, um dente e está com algumas escoriações pelo corpo, mas não é nada grave. Por sorte nós a trouxemos pro hospital onde trabalha e uma das amigas dela, uma moça chamada Débora, acelerou pra que fosse encaminhada para atendimento.

 

--Graças a Deus! -- respondeu aliviada -- Tô indo pra aí. Muito obrigado por ter me avisado. Fique com Deus, meu filho, e que Ele continue te abençoando nesse trabalho bonito que vocês fazem.

 

--Obrigado. -- respondeu orgulhoso -- Tudo vai dar certo, pode vir com calma. Tchau.

 

--Tchau. -- desligou o telefone e discou o número da filha -- Seyyed, cadê você? -- o celular estava desligado. Tentou a residência -- Será que ela não chegou em casa? Ou será que tá dormindo? -- chamou várias vezes e ninguém atendeu -- Ai, vou ter que chamar o táxi de Marlene... -- discou para a taxista

 

***

 

Olga correu para o hospital e ainda encontrou com Débora, que ela também conhecia. Ficou na enfermaria ao lado de Juliana, que dormia, e fez uma oração por ela. Queria muito que a moça se curasse daquela doença obsessiva que ela acreditava que fosse amor. Na hora do banho das pacientes, por volta das 10:00h, teve de sair da enfermaria à pedido das enfermeiras. Nesse momento encontra com Seyyed que acabava de chegar.

 

-- Bom dia, mãe! -- beijou as mãos da mãe -- Desculpe-me, sinto muito! -- pediu envergonhada -- A bateria do celular descarregou e eu nem percebi. Só quando coloquei pra carregar é que li seu torpedo. Se ligou lá pra casa eu nem ouvi! -- justificou-se -- Como ela está? E a senhora, tanto tempo aqui nesse desconforto?

 

--Bom dia, querida. -- respondeu -- Imaginei que deveria estar dormindo ou que desligou o celular, mas o importante é que está aqui agora. -- sorriu -- Juliana tá bem e dorme desde que cheguei. Foi medicada, engessaram o braço direito e imobilizaram o pé direito. No mais, ela tem escoriações pelo corpo e perdeu um dente; mas pra resolver este problema, somente no dentista porque aqui eles não têm recursos. -- explicava -- Nesse momento devem tê-la acordado pro banho.

 

--Graças a Deus! -- respirou aliviada -- Mas, e a senhora, como está?

 

--Estou bem. Embora Juliana não tenha idade pra ter direito a isso, Débora mexeu os pauzinhos e me deu um cartão de acompanhante pra eu ter livre acesso. Lembra-se dela?

 

--Aquela loura baixinha? Lembro. -- passou a mão nos cabelos -- Mas, poxa, que bom! Quando eu posso vê-la?

 

--Parece que ela fará ainda alguns exames básicos, mas sairá daqui hoje. Posso dar meu cartão de acompanhante pra você e depois do banho você a visita.

 

--Tudo bem. Escuta mãe, eu vou ficar com ela daqui por diante. -- mexeu na carteira e estendeu uma nota de cinqüenta reais -- Pega um táxi e vai pra casa que a senhora precisa descansar. Já fez muito. -- beijou-lhe a testa

 

Olga pegou o dinheiro, agradeceu e disse: -- Quero que leve-a pra minha casa porque ficarei cuidando dela até que se recupere.

 

--Tem certeza? É muito trabalho pra senhora...

 

--Ela não tem ninguém, Seyyed. E eu gosto dela como se também fosse minha filha!

 

--É... -- Ed abaixou a cabeça e colocou as mãos nos bolsos de trás das calças -- Eu sinto como se tivesse responsabilidade com ela, mas não a senhora...

 

--Claro que você tem responsabilidade! “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”6. -- Ed continuava de cabeça baixa ao ouvir isso -- Mas ela não deve ficar na sua casa senão alimentará falsas esperanças. E nem deve ficar sozinha. -- pausou -- Não me será um fardo cuidar dela.

 

--Eu ajudo em tudo que a senhora precisar. Depois passo na casa dela, pego algumas coisas... -- pausou -- Eu não vou visitá-las todo dia, mas ficarei sempre em alerta.

 

--Eu sei que fará isso. -- pôs a mão no rosto da filha -- Ela precisa de nossa ajuda pra se curar. Não se permita ficar em dívida com ela.

 

Segurou a mão da mãe: -- Eu... depois eu queria conversar com a senhora... Ontem à noite eu conheci uma garota... Não aconteceu nada entre nós mas ela me interessou...

 

--E qual é o nome dela? -- perguntou com interesse

 

--Isabela. É bailarina e dança no Municipal. -- falou com empolgação

 

--Que bonito! -- beijou a mão da filha -- Depois você me conta sobre ela. Mas, seja como for, seja prudente e vá com calma.

 

--Estou indo... pode confiar. -- beijou-lhe a testa

 

-- Até logo, querida.

 

***

 

Juliana acabava de deitar-se na cama após jantar, tomar banho e escovar os dentes com dificuldade.

 

--Eu nem sei como lhe agradecer, dona Olga. -- disse timidamente -- E a senhora ainda fazendo sopinha pra mim... -- pausou -- Ed também... ela me carregou até no colo... -- sorriu

 

--Nós desejamos somente o seu bem, meu amor. -- olhou para ela com carinho -- E você é como se fosse minha filha, sabe disso. -- ajeitou-lhe as cobertas

 

--Fico emocionada... -- respondeu com sinceridade -- Eu senti tanto a falta da senhora...

 

--Eu não fui procurá-la depois de tudo porque não queria que você entendesse minha proximidade como uma ponte pra chegar de volta a Seyyed. Mas não deixei de orar por você em um dia sequer. -- sentou-se na beirada da cama

 

--Eu acredito. Graças as suas orações eu não morri dessa vez. -- suspirou -- Foi por pouco.

 

--Quer falar a respeito? -- acariciou seu rosto -- A Juliana que eu conheço não deixa o plantão e vai se embebedar em botequim. O bombeiro me disse que você estava alcoolizada.

 

A japonesa abaixou os olhos envergonhada.

 

--Não estou julgando você, meu amor. Se não quiser conversar a respeito...

 

--Eu não agüento mais, dona Olga. -- fechou os olhos -- Eu penso na Ed o tempo todo! Eu queria ela pra mim até o fim da vida e sei que não tenho mais chances... -- abriu os olhos deixando escapar uma lágrima -- Fiz tantos planos... -- olhou para o teto -- Eu não estou conseguindo viver sem ela. Minha vida se resume a trabalhar de má vontade e dormir nas horas de folga... Naquele dia eu saí pra beber porque queria uma fuga e alguns momentos de euforia... Sabe? Não me incomodaria se tivesse morrido.

 

--Mas você está se matando aos poucos, meu bem. Daqui a pouco estará completamente morta, mas morta na alma, que é a morte mais triste que há. Seyyed ou mulher alguma nesse mundo merece isso.

 

Juliana olhou-a com espanto.

 

--Sim, ela é minha filha, eu a amo muito, mas não por isso posso dizer que ela merece que você se martirize e sofra dessa forma. Juliana, eu entendo que você tenha se apegado muito a ela, e esse foi o problema. Você criou uma dependência. Não se pode amar assim, acreditando que a pessoa ficará do nosso lado até o fim da vida. Isso é ilusão... As pessoas devem ser livres pra ficar ou partir conforme a própria vontade. E mesmo quando elas querem ficar, a vida nos separa... mesmo que temporariamente. Eu sou viúva, como acha que me senti com a morte de Khazni?

 

--Eu sei dona Olga, mas... seu marido não a abandonou, ele morreu... Ed me deixou, é diferente... E eu não queria que ela partisse... -- lutava para não cair no choro -- Foi tudo culpa minha... se eu pudesse teria feito tudo diferente...

 

--Eu sei que você não queria. Mas já que aconteceu, você não pode se destruir por causa disso. E nem ficar se culpando. -- pausou por instantes -- Uma vez eu li em dos livros psicografados por Chico Xavier: “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” -- pausou -- Você pode, e deve recomeçar! -- enfatizou a frase -- Seyyed não é a sua felicidade. Você não pode basear sua felicidade em pessoas ou coisas, porque tudo invariavelmente vai passar. “Todas as coisas compostas são impermanentes”7.

 

--Eu não consigo sentir assim... preciso dela...

 

--Enquanto pensar assim sua vida será um constante sofrimento. É o que quer? A felicidade, minha filha, não é um lugar pra onde você se dirige e alcança. Ela é a própria caminhada, e a caminhada você faz por si mesma. Pode ter companhia, mas uma hora ou outra as estradas divergirão. -- segurou a mão da moça -- Você já leu Quintana?

 

Juliana admirava o modo gentil e amoroso como Olga sempre tratava as pessoas, bem como seu espírito de poetisa.

 

--Não, nunca.

 

--Ele escreveu um texto, que circula por aí, mais ou menos assim: “Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem”, ou a mulher, “da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!”

 

--Meu jardim tá destroçado...

 

--E você pode reverter isso a qualquer tempo!

 

A enfermeira fechou os olhos: -- Não tenho mais forças pra isso... Cansei de ser uma pessoa jogada fora.

 

--Por que se considera uma pessoa jogada fora? -- perguntou com tristeza

 

Juliana abriu os olhos e virou o rosto para o lado. Na parede do quarto havia um pequeno quadro com os dizeres: “A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável.” A autoria era atribuída a Gandhi. Virou-se para Olga.

 

--Eu me assumi como lésbica aos dezoito anos. Apaixonei-me por uma garota no meu curso pré vestibular e chegamos a ter um namorico. Como sempre me dei bem com minha mãe, acreditei que ela saberia aceitar. Mas não... -- suspirou -- Ela fez um escândalo, contou pra papai e ele me deu uma surra. Meus irmãos mais velhos me bateram também. Tive de sair do curso e prestei vestibular escondido graças a uma vizinha, que me ajudou por pena. -- calou-se -- Acabou que eu passei pro curso de enfermagem e essa foi minha salvação. Saí de casa e fui viver no alojamento da universidade. -- segurou as lágrimas -- A senhora sabia que meus pais fizeram meu enterro simbólico? Tem idéia do que é isso? Tem idéia do que é ser desprezada pelos que ama?

 

Olga também lutou para não chorar. -- Tenho sim... -- suspirou -- Meus pais estavam eufóricos com o pedido de casamento da parte de um homem viúvo e rico que era muito amigo da família. Ele era muito respeitado pela comunidade mas eu o abominava por seu jeito grosseiro e desrespeitoso com as mulheres de seu clã e com os empregados. Estava tudo arrumado pra que o casamento acontecesse, mas eu não quis me casar e por isso recebi o desprezo de todos. Eles não me fizeram um enterro simbólico, mas me mataram da mesma maneira. Tive de sair de casa e cuidar da vida por minha conta. Meus pais morreram sem falar comigo e sem nunca terem conhecido Seyyed. -- silenciou brevemente -- Eu sei muito bem, mesmo que por outras razões, o que você sente... Viemos de famílias onde os padrões são muito rígidos, especialmente para as mulheres. O que fizemos era imperdoável pra nossos pais, da forma como foram ensinados a pensar.

 

Juliana não sabia disso, e sentiu-se ainda mais ligada a Olga.

 

--A senhora teve a sorte de encontrar seu marido. Ele a amou e quis viver com a senhora. Eu encontrei Ed e pensei que nosso casamento seria pra sempre. -- pausou -- Até a senhora... eu a achava uma sogra perfeita...

 

--Você não precisa se destruir porque não aconteceu como desejava. E eu não quero ser sua sogra; sempre preferi ser sua mãe. É muito melhor que sogra. -- sorriu

 

A japonesa sorriu emocionada. -- Ed sempre me tratou tão bem. Ela... ela sabe fazer uma mulher se sentir

amada, desejada, querida... Eu nunca havia conhecido ninguém igual...

 

--Você também é uma pessoa igualmente valiosa, minha filha. Mas não adianta que eu lhe diga isso; você tem que saber dessa verdade com a cabeça e com o coração. Precisa se amar, precisa se dar valor. Não pode se achar um lixo simplesmente porque se separou de Seyyed. -- silenciou por segundos -- Espere um pouco.

 

Levantou-se saindo do quarto e logo retornou com um cartão na mão.

 

--Este aqui é o cartão de uma amiga minha, lá do centro. Ela é médica, psicóloga e psiquiatra especialista no estudo da homossexualidade. Eu não quero dizer que você é ou está louca, mas é fato que precisa de tratamento e ajuda profissional. -- colocou o cartão sobre a mesinha de cabeceira. -- Se quiser procurar por ela, tenho certeza de que será de muita ajuda. Juliana, você precisa se curar deste sentimento triste que só lhe deprime e destrói. De nossa parte, estaremos sempre orando por você, mas VOCÊ -- apontou para ela -- precisa se ajudar também. Do contrário, vai se condenar a tristeza e desespero. E não pense que tudo acaba com a morte do corpo. Se morrer do jeito como está, nesse estado depressivo, será ainda pior depois da passagem. -- acariciou seu rosto -- Bem, já falei demais. Durma em paz, reflita sobre o que conversamos e pense a respeito de buscar ajuda profissional quando estiver em condições. -- beijou-lhe a testa -- Faça uma oração de agradecimento por estar viva e peça forças pra continuar. Amo você e desejo tudo de bom. -- sorriu -- Sempre.

 

--Também amo a senhora. -- segurou o rosto de Olga e beijou-lhe a face

 

--Tenha fé em Deus, meu bem. Ele é a única base permanente nesta vida onde todas as coisas estão em constante mudança. Além de Deus, a idéia de que as coisas permanecem é ilusão. -- apagou as luzes e retirou-se do quarto

 

Juliana ficou pensando naquela conversa, fez uma oração e dormiu em relativa paz como não fazia há muito tempo.

 

 

08:30h, Rua Arquias Cordeiro, casa 6, Engenho, Rio de Janeiro

 

--Oi filha. -- Mariângela batia na porta do quarto de Camille -- Abra a porta, por favor. Eu não vejo seu rosto há uma semana. -- pedia com tristeza

 

--Minha cara continua a mesma de sempre, mãe. Qualquer dúvida olha o retrato que tá na sala. -- respondeu com mau humor

 

--Filha, por favor... -- pediu mais uma vez -- Estou saindo, queria ao menos te dar um beijinho.

 

--Ah, mãe, vai cuidar da sua vida e não me enche. Pode ser?

 

Mariângela respirou fundo e saiu de casa triste. Estava indo tentar conseguir emprego em uma pequena confecção na rua Dias da Cruz, Meyer.

 

Camille estava trancada no quarto há uma semana. Não gostou de ter saído de São Paulo e achou o Rio uma cidade muito quente e bagunçada. Detestou a casa para onde se mudaram; achava tudo nela velho e sem graça.

 

“Isso aqui não chega aos pés da nossa casa em Campo Belo!” -- pensava sempre

 

Depois do término com Augusto adquiriu o costume de passar dias trancada no quarto, sem ver ninguém, sem comer... Mariângela pensava que com a mudança ela perderia este hábito, mas, ao contrário, ele se intensificou.

 

A vida de Camille era ficar deitada na cama relendo os diários dos anos anteriores, da época em que, segundo entendia, realmente estava viva. Às vezes ligava o rádio para ouvir CDs ou fitas com músicas que lhe traziam boas recordações. Às vezes folheava os álbuns de fotografia. Gastava todo seu tempo em tentativas desesperadas de viver o passado novamente, e com a inevitável frustração posterior, alimentava o desejo, cada vez mais forte, de cometer suicídio. Porém, faltava-lhe coragem (coragem?) para concretizar este desejo. Às vezes era capaz de escutar vozes que lhe diziam: “Vamos lá, o que tem a perder? Dê um fim nesta vida sem sentido!”

 

Por muitas vezes pensava: “Estarei enlouquecendo?” Mas não sabia a resposta.

 

Camille tornava-se cada vez mais estúpida com a mãe. No fundo, atribuía a ela a culpa pelo que aconteceu. No dia anterior ao acidente, Mariângela desmarcou a ida para as compras por não ter concluído o vestido de uma cliente. Antônio tinha direito a uma folga no serviço e se ofereceu para acompanhar a filha no dia seguinte. E daí, tudo aconteceu.

“Se mamãe fosse uma pessoa de palavra nós teríamos ido às compras no dia anterior, não teríamos encontrado aqueles malditos e estaríamos todos bem.” -- pensava com freqüência

 

O telefone toca despertando-a de seu transe.

 

--Pode tocar à vontade que eu nem ligo. -- respondeu olhando para o aparelho posicionado na mesinha de cabeceira

 

Mas os toques não davam tréguas e a loura foi vencida pelo cansaço.

 

--Que inferno, ô louco! -- estendeu o braço e atendeu -- Alô! -- respondeu impaciente

 

--Alô. -- a mulher do outro lado respondeu sem graça -- Deixa eu te falar, é da casa da dona Mariângela, a costureira?

 

--É! -- foi a resposta seca que deu. Pensou e estranhou aquele telefonema -- E como pode saber disso se mal chegamos nessa cidade horrível, meu?

 

“Nossa, mas que mulher é essa?” -- pensou. -- É que eu sou de Goiânia e dona Lúcia, que foi inquilina de vocês, é amiga de mamãe. Ela disse que dona Mariângela se mudou pra essa casa e que é costureira. E eu prefiro encomendar roupa sob medida do que comprar os trem tudo pronto. -- pausou -- Ela se encontra?

 

--Foi cuidar da vida, não é, minha filha? Que você acha? A essa hora as pessoas não estão em casa dando bobeira. -- disse com grosseria

 

--Depende... você está aí.

 

--Olha só... vai se ferrar, tá bem? -- desligou na cara da mulher -- É mole? Que babaca!

 

--O que houve Tati? -- Priscila perguntou achando graça -- Você tá com uma cara de enigma. -- riu

 

--É que liguei pra casa de uma costureira paulistana e quem me atendeu foi uma garota com o diabo no corpo. Eu hein!

 

--Deve ser alguma mal amada. Liga de novo à noite que de repente você pega a mulher em casa. -- Priscila respondeu -- Vai na faculdade hoje não, filha? -- estava se preparando para sair

 

--Daqui a pouco. Hoje só tenho aulas à tarde.

 

--Eu já vou. Você tá com a vida ganha. -- pegou as chaves

 

--Ei, e a tal festa do final de semana? Vai rolar aqui mesmo? A tal festa LGBT que Patrícia quer dar?

 

--Vai. E eu dei força porque Isa quer convidar a morena dela pra vir. -- piscou

 

--Deixa eu te perguntar, ela ficou com a mecânica naquela noite? -- perguntou intrigada -- Morro de curiosidade até agora!

 

--Não, elas só conversaram e Isa achou legal a atitude dela que, apesar de ter levado um ‘não’, permaneceu gentil e ‘cavalheira’. Mais ou menos como você e o seu mecânico que passaram a noite inteira falando mal dos respectivos ex. -- riu

 

--Gente, eu não me conformo. Patrícia é lésbica desde que eu conheci, mas a Isa? -- Tatiana balançou a cabeça negativamente -- Vinha de mulher esse tempo todo e quando é fé vira casaca!

 

--Isa também é lésbica, sempre foi, só que ela não tinha coragem de viver isso.

 

--E continua sem coragem, porque não é assumida, né, fi?

 

--É difícil assumir Tati. Não é todo mundo que tem a coragem da Patrícia de chegar e deixar claro pra quem quiser ver. O preço a pagar é alto, e Isa depende dos pais. Patrícia tem a pensão que o pai dela tem que pagar por obrigações legais. E isso independe de ele concordar ou não com sua opção sexual. -- colocou os óculos escuros -- Fui! Beijo!

 

--Beijo!

 

***

 

Por volta das oito da noite Juliana dormia no quarto. Ed estava com a mãe na sala, deitada com a cabeça em seu colo. Enquanto isso recebia um carinho.

 

--Eu não quero estar aqui quando ela acordar. Só quero visitá-la mesmo no domingo.

 

--Tudo bem. Eu não vou dizer que esteve aqui. Ela pensa que você somente telefona.

 

--E como tá indo?

 

--Recuperando. Pelo menos o corpo. Pelo que o médico disse poderá voltar a andar no final da semana que vem, mas o gesso do braço fica por vinte dias. Menos mal, no entanto, porque ela só fissurou o osso.

 

--Que bom. -- respirou fundo -- É tão estranho mãe... E pensar que eu amava tanto essa mulher... Hoje não consigo vê-la com o menor interesse. Digo, pra um relacionamento. -- explicou -- Não a amo mais, só sinto carinho e amizade por ela. Não nego que a considero atraente, mas é só.

 

--Você sempre acha que ama, Seyyed. Não sei, mas acho que você não ama, apenas se encanta, se dedica, cria um laço carinhoso. E depois, por alguma razão isso passa.

 

--Por que acha que não é amor, mãe? Eu casei com ela. A gente pode não ter feito isso no papel mas morávamos juntas e vivíamos vida de casal.

 

--Porque amor é um sentimento que se constrói aos poucos e não passa. Desejo, encantamento, paixão, isso passa. E você foi precipitada demais quando pediu pra que ela viesse morar contigo. Eram só seis meses de namoro. Sempre achei que com Juliana você se deixou levar demais pelo desejo.

 

--Desejo... esse é meu maior mal... Sabe, mãe? Se não tivesse me criado dentro da doutrina, acho que eu teria uma vida sexual totalmente louca. Eu me disciplino bastante pra não ser assim e levar os relacionamentos da forma mais responsável possível. -- riu -- Silvio acha que sou careta. Ele diz: “Todo mundo apronta, Ed. Buscar santidade é bobagem! Se você quiser, leva uma garota pra cama a cada noite!” -- repetiu a fala do colega -- Mas não quero ser santa, só quero ter uma vida saudável em todos os sentidos. Ele não entende.

 

--Ele pensa conforme os valores do nosso tempo. E um homem é adestrado fortemente pra ter uma vida sexual desregrada. Você é livre para fazer o que bem entender de sua vida, filha, mas as responsabilidades cobram seu preço. Já dizia Aldo Novak: “Somos livres para escolher, mas prisioneiros das conseqüências.”

 

--Eu sei... e me sinto presa às conseqüências com Juliana. Eu percebi que ela foi, pouco a pouco, se tornando dependente de mim e acabei alimentando isso. Eu me sentia segura, como se ela fosse garantidamente minha. Aí quando começou com as crises de ciúmes, que foram se intensificando dia a dia, eu deixei rolar, porque o ciúme dela me lisonjeava. Depois chegou a um ponto em que não suportei e aí pulei fora. Hoje vejo que fui também culpada e agi mal.

 

--Ambas falharam. Ambas podem resolver isso. -- pausou -- Não repita isso em outro relacionamento. E não seja precitada novamente.

 

--Não pretendo.

 

--E quanto a moça bailarina? Ainda não me falou dela.

 

--Isabela... -- sorriu -- Temos conversado por telefone, no MSN... Fomos no cinema ontem à noite... -- pausou -- Ela me convidou pra uma festa LGBT que vai rolar na casa de uma amiga dela.

 

--Festa o que?? -- perguntou intrigada

 

--Mãe, em que mundo vive? -- riu -- Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais: LGBT.

 

--Ah... é que antigamente era GLS e eu não me atualizei nessa coisa das siglas. -- riu -- E como é essa festa?

 

--Ela tem uma amiga chamada Priscila que divide apartamento com outras duas, e uma dessas é lésbica, a Patrícia. Aí ela vai dar uma festa e convidar os amigos e por isso Priscila disse que é uma festa LGBT. Só isso.

 

--E Patrícia só tem amigo homossexual?

 

--Não, ela é super popular, conhece gente a perder de vista. Esse pessoal da festa é a galera do movimento gay.

 

--E daí a Isabela convidou você?

 

--É. E eu vou.

 

--Mas, conte-me sobre ela.

 

--Isa dança no Municipal, estuda balé desde os cinco anos e passou um ano dançando em Paris, mas não foi convidada a continuar. A mulher que batia o martelo das decisões finais só queria se aproveitar e como nada conseguiu, fez a caveira da garota com os outros profissionais de lá.

 

--Que pena!

 

--É, mas eu disse que ela tem muito chão pela frente. Só tem dezenove anos...

 

Olga preocupou-se com isso. -- Dezenove anos? Não acha que ela é muito nova, Seyyed?

 

Ed ficou sem graça: -- Ah mãe... quando eu a conheci não sabia disso. Ela só me disse a idade quando conversamos por telefone. -- olhou para a mãe -- Tá bem, eu não imaginei que fosse tão mais velha que isso mas não vi um problema na idade da garota.

 

--Ela já tinha namorado outra mulher além de você?

 

--Mas a gente não tá namorando... não aconteceu nada até agora! -- respondeu sem graça

 

--Até agora, não. Depois... Essa tal festa vai ser o momento que você estava esperando...

 

--Mãe a senhora fala como se eu estivesse seduzindo ela. Isa tava disposta a tentar e aconteceu que quis tentar comigo. Pelo menos, parece que quer.

 

--E como os pais dela reagirão quando souberem disso? Ela acha que eles aprovarão?

 

--Ah, mãe... -- Ed sentou-se -- Os pais nunca aprovam. Até hoje a senhora foi a única mãe que conheci que não condena a filha. Todas as namoradas que tive eram brigadas com os pais ou, quando eles me conheceram, agiram como se eu fosse uma desencaminhadora de moças inocentes. E todas elas eram mais velhas do que eu!

 

--Seyyed, não se ponha na defensiva. Eu não estou dizendo que você está desencaminhando essa moça, mas peço que tenha cuidado. Não a faça enfrentar problemas sérios e mudar tudo na vida se não tem a intenção de ficar com ela. E você não pode saber se tem esta intenção antes de conhecê-la melhor. E isso não necessariamente envolve sex*.

 

--Eu sei. Tô indo devagar com ela, é verdade.

 

Olga acariciou o rosto da filha: -- “O que prejudica é o abuso e não o uso”8.

 

***

 

--Oi, posso entrar? -- Tatiana perguntou

 

--Claro, meu bem, entre! -- Mariângela conduziu a moça para dentro -- Desculpe somente recebê-la tão tarde mas é que saio da confecção às seis.

 

--Não tem problema, eu faço faculdade e também não teria como vir mais cedo. -- estendeu a revista -- Deixa eu te perguntar, a senhora acha que poderia me fazer este vestido?

 

Mariângela pegou a revista e olhou: -- Oh, mas é um belo modelo. -- sorriu -- Claro que sim!

 

--Eu trouxe até o tecido. Mamãe me deu de presente. É um tafetá lilás. -- estendeu a bolsa para ela ver -- Tem 5 metros aí.

 

--Cinco metros? -- riu -- Dá e sobra! -- olhou o tecido -- Fazia tempo que eu não via um tecido destes, tão bonito. -- levantou-se -- Vou pegar a fita e tirar suas medidas.

 

--Hoje é sexta... a senhora acha que apronta pra quando?

 

--Segunda. -- veio trazendo a fita -- Bom assim?

 

--Bom demais da conta! Preciso dele pra sábado que vem. É que vou sair com um futuro namorado novo! -- sorriu -- Ele tem tudo a ver comigo, sabe? Até levou um fora da ex namorada, igual a mim. Meu ex namorado me aprontou uma de mestre! Depois ainda descobri que ele é fã de Biafra, tem base?

 

Mariângela riu: -- Que bom que você arrumou outro, então. -- pegou o caderninho e lápis -- Namorado novo, roupa nova. -- as duas sorriram

 

Nesse momento a porta do quarto de Camille se abre e ela sai empurrando a cadeira. Mariângela e Tatiana olham imediatamente para ela.

 

--Filha! -- disse feliz -- Finalmente! Quer jantar?

 

--Me esquece, mãe. -- seguiu rumo a cozinha. Mariângela ficou sem graça

 

--Ela sofreu um acidente... -- disse de cabeça baixa enquanto tomava as medidas de Tatiana -- Não conseguiu superar isso ainda.

 

--Ih, eu sei como é. Meu primo caiu do cavalo quando fez uma viagem pro Pantanal e na queda ficou paraplégico. Ele demorou muito para se acostumar com aquilo, ficou grosso com todo mundo, era uma coisa terrível... Ninguém dava conta!

 

--E ele superou? Como está hoje? -- perguntou interessada

 

--Não está. Ele se matou com um tiro na cabeça. -- respondeu naturalmente

 

Mariângela olhou para Tatiana em choque.

 

***

 

--Gente, será que ela não vem? Tá demorando... -- Isa olhava para o relógio, encostada na pia da cozinha

 

--Calma mulher, ela pode demorar um pouco por causa do trabalho... Deve fechar a oficina tarde... -- Priscila respondeu

 

--Às sete horas. Dependendo do movimento, às oito. Mas isso é de segunda a sexta. Sábado eles não abrem.

 

--Hum, mas ela tá bem informada... -- bateu no ombro da amiga -- Relaxa. Ela vem. -- pausou -- Pelo visto a mecânica mexeu com você... -- piscou

 

--Ela entende de dança, arte, literatura... Ama Clarice Lispector, sabe tudo de Tarsila do Amaral e ainda leu Adrienne Rich!! -- disse empolgada

 

--E beija bem? -- perguntou com malícia

 

--Ainda não sei... -- sorriu encabulada

 

 

--ISSO é importante! -- Priscila salientou -- O resto é complemento. -- sorriu também

 

--Eu não estou dizendo que quero me casar com ela, mas pra ficar comigo tem que ter um mínimo de conteúdo! -- Isabela se explicou

 

--E o que você quer com ela? Pensei que era só uma experiência. -- Priscila queria entender a ruiva

 

--Ah, ela é interessante, bonita, gentil, culta... eu queria curtir um pouco... -- mexia nos próprios cabelos -- Além do mais eu noto que ela parece ter ficado bem a fim de mim. -- sorriu -- Isso é bom!

 

--Se quiser mais espaço pra curtir -- parou em frente a Isa -- meu quarto está às ordens. -- piscou -- Ela tem jeito de ser boa de cama.

 

--E tem jeito pra se notar isso sem provar? -- perguntou rindo

 

--Eu tenho olho clínico para essas coisas. -- sorriu -- Experimente e me confirme se tô enganada.

 

Patrícia entra correndo na cozinha. -- Gente, aquela gata esportista que eu estou querendo acaba de chegar!! -- disse excitada -- Olhem pra mim, como estou? -- abriu os braços

 

Patrícia vestia uma calça jeans desbotada, cinto de couro grosso, blusa de alças branca e uma camisa xadrez, vermelho e preto, por cima. O cabelo curto estava molhado e jogado para o lado.

 

--Tá uma gata, Pat, se ela gosta do estilo vai curtir. -- Isa respondeu

 

--Tô usando até um Carolina Herrera! -- esfregou as mãos -- Ave Maria, it is now or never! -- correu para a sala

 

--Imagina essa criatura como advogada em um tribunal? -- Priscila riu

 

Ed subiu sem dizer nada ao porteiro. O homem roncava sonoramente na portaria. Do lado de fora do apartamento podia ouvir música e vozes. Antes de bater na porta ficou nervosa. Será que estava bem?

 

Vestia uma calça jeans de tecido escuro, botas de salto baixo e cano curto e uma blusa de alças justinha da cor branca com desenhos indígenas. Usava brincos de penas e um cordão combinando.

 

Decidiu bater e aguardar. Não demora muito um travesti louro abre a porta.

 

--Gente, que é isso? -- olhou para ela de cima a baixo -- Quando você caiu do Monte Olimpo doeu muito, baby? -- deu-lhe um tapa no braço e riu. Ed acabou rindo também -- Entra boba, faz a festa! -- deu passagem

 

--Valeu! -- sorriu -- Você sabe da Isa?

 

--Entra aí e procura, minha deusa! Vai que você acha? -- riu de novo e se afastou

 

Ed passou os olhos na sala e viu várias pessoas desconhecidas. Ao som de Cássia Eller, rapazes e moças conversavam animadamente.

 

--Oi! -- um moça já chegou se enroscando no pescoço dela -- Procurando alguém? -- sorriu provocante

 

“Nossa, que gata!” -- pensou. Sorriu e disse: -- Na verdade eu procuro a Isa.

 

--Ah, que pena... -- soltou a outra -- Eu não sei quem é essa, mas a Pat tá lá. -- apontou para uma moça morena de cabelos curtos, que parecia um rapaz

 

Ed agradeceu e aproximou-se de Patrícia, que conversava animadamente com uma garota morena, bem feminina e atlética.

 

--Desculpa aí, gente. -- sorriu -- Você deve ser a Patrícia. Não nos conhecemos, eu sou Ed. -- estendeu a mão

 

--Ah, a famosa! -- deu-lhe um tapão no braço -- Vixi, você é forte!

 

--Você também! -- a mecânica riu e esfregou o braço

 

 

--Vai lá na cozinha que Isa tá lá.

 

Ed agradeceu e chegou até a cozinha. Isa estava de costas conversando no celular. Deu de cara com Priscila.

 

--Tudo bem? -- perguntou sorrindo

 

--Oi, morena! -- Priscila deu beijinhos de comadre -- Ela tá falando com a mãe. -- apontou para Isa -- Daqui a pouco te dá atenção. -- piscou

 

--E você? Que vai aprontar nessa festa? Eu ainda não vi Tatiana mas já conheci Patrícia.

 

--Eu vou só conversar e infernizar. -- riu -- Tati foi no cinema. Daqui a pouco chega.

 

 

Nesse momento Isa desliga o telefone e percebe que Ed chegou. Abriu um belo sorriso. -- Oi! -- aproximou-se e beijou-lhe o rosto -- Pensei que não viesse mais. -- sorriu

 

--Eu tive de dar uma passada na casa da minha mãe pra ajudar. Saindo de lá vim direto pra cá.

 

--E de moto, pelo que posso ver. -- Priscila pegou o capacete de Ed -- Deixa eu levar isso pro meu quarto. -- saiu da cozinha

 

Isa e Ed se entreolharam e sorriram.

 

--Era algum problema com a sua mãe? -- perguntou curiosa

 

--Na verdade, não. -- encostou-se na pia -- Minha ex mulher foi atropelada e se machucou toda. Ela tá se recuperando na casa da minha mãe e eu dou uma força no que precisam. -- explicava -- Hoje a Juliana levou um tombo no banheiro e ficou com medo de se levantar achando que tinha se quebrado ainda mais. Fui lá ajudar mas foi só um susto.

 

Isa não gostou do que ouviu mas fez um esforço para disfarçar a contrariedade.

 

--Sua ex se recuperando na casa da sua mãe? -- pôs as mãos na cintura e parou em frente a morena -- Você não tinha me dito isso. -- comentou chateada -- Aliás, nós não conversamos nada sobre o fato de você ser separada... Não gosto dessa coisa de pessoas que se separam e ficam sempre com intimidades demais. -- cruzou os braços e virou o rosto fazendo cara de contrariedade

 

--Ela não tem ninguém e mamãe gosta muito dela. -- pausou -- Não é o que tá pensando, Isa. Juliana não tá legal desde que a gente terminou. Bebeu demais e foi atropelada por causa disso. Não é porque tem proximidade que significa que acontece alguma coisa entre nós. Terminamos e não tem jeito de voltar. Não há intimidades demais. Ela sabe que acabou de vez, já deixei bem claro.

 

--Você há de convir que é uma situação estranha, Ed. -- olhou para a mecânica

 

--Eu sei, mas não posso virar as costas pra ela, Isa. Nós fomos casadas por dois anos, não posso jogá-la no limbo da minha vida sem ter consideração quando precisa de ajuda. -- passou a mão nos cabelos -- Tem a minha palavra que nada acontece e nem acontecerá entre nós.

 

Isa abaixou a cabeça pensativa e se encostou na geladeira. -- É desagradável pra alguém que venha a ficar com você!

 

--E você tá pensando nisso, em ficar comigo? -- sorriu -- Eu adoraria. -- pausou -- Quer ficar comigo, Isabela Guedes?

 

Ela sorriu e não respondeu.

 

--Quais são os pré requisitos que uma candidata tem que atender?

 

--Hum... -- fingiu que estava pensando e começou a enumerar nos dedos -- Tem que ser uma pessoa séria, que não fique arranjando um monte de mulher por aí, não pode ser mau caráter, nem malandra... Que mais? -- pausou -- Tem que gostar de balé, de artes, de literatura...

 

--Eu atendo tudo isso aí! -- respondeu fingindo seriedade

 

--Tem que ter carro e moto, porque eu não gosto de andar de ônibus... -- estava brincando

 

--Eu tenho. Pode até escolher o modelo que eu arranjo! -- continuava com o jogo

 

 

--E não pode ficar de gracinha com a ex mulher! -- cruzou os braços e olhou seriamente para Ed

 

--Eu não fico! -- beijou os dedos em forma de cruz -- E concluo que atendo plenamente a todos os pré requisitos exigidos. -- sorriu -- E então? Fui aprovada?

 

A bailarina sorriu e começou a enroscar os cachos de seus cabelos nos dedos. -- Eu nem sei se você beija bem... Priscila diz que isso é um atributo muito importante. -- olhava para o chão -- “Não acredito que disse isso!” -- corou

 

--Não seja por isso! -- puxou a ruiva pela cintura, abriu as pernas encaixando a mulher mais jovem entre elas e colou bem os corpos de ambas -- Eu venho desejando sentir você assim deste que te conheci... -- aproximou os lábios para beijá-la

 

A mecânica deslizou a mão para a nuca da jovem e beijou aqueles lábios receosos. O beijo seguiu intenso, quente, cheio de desejo, carinho e ansiedade. Línguas se enroscavam e dançavam com cumplicidade. Isa deixou rolar, envolveu o pescoço da morena com os braços e se entregou àquele beijo.

 

--Ai... -- disse quando a falta de ar interrompeu o beijo -- Você tem um jeito de beijar que enlouquece... -- deslizou o dedo no queixo de Ed

 

--E a gente perdendo tempo com desconfianças bobas. -- cheirou o pescoço de Isa, que se arrepiou -- Você tá maravilhosa... como sempre... -- sussurrou no seu ouvido -- E tão cheirosa... Adoro o efeito do Omni na sua pele.

 

--Nossa, você sabe o perfume que eu uso? -- beijaram-se

 

--Eu presto atenção em tudo, gatinha.

 

Os lábios novamente se encontram, os corpos se aproximam ainda mais. As mãos de Ed percorriam o corpo de Isa, mas guardavam um certo respeito em sua trajetória, o que não passou despercebido à ruiva.

 

--Ih, gente, desculpa... Mas eu queria uma bebida. -- a paquera de Patrícia acabava de entrar na cozinha. Ed e Isa interromperam o beijo e tiveram que se afastar para que a moça abrisse a geladeira.

 

 

--Vocês querem alguma bebida? -- perguntou sem graça

 

--Não, obrigada. -- as duas responderam juntas. Isa estava vermelha como um pimentão

 

--Qual é seu nome? -- perguntou a Ed -- Pelo que vejo encontrou sua Isa... -- sorriu

 

 

--É, encontrei. -- sorriu para a ruiva -- Seyyed, é um prazer. Mas pode me chamar de Ed. E você?

 

--Sabrina. -- respondeu sorrindo -- Sabrina Magalhães, gravem bem este nome. Eu serei a primeira brasileira, e a mulher mais jovem do mundo, a chegar no cume dos sete picos! -- abriu a garrafa de cerveja -- Eu já estive no McKinley, Elbrus, Kilimanjaro e Aconcágua. Agora estou indo pra Pirâmide Carstensz, na Papua Nova Guiné. Mais um patrocinador e eu já posso fazer as malas.

 

--Boa sorte! -- Isa respondeu sorrindo -- Deve ser uma empreitada muito difícil!

 

--Difícil, mas prazerosa. -- respondeu

 

--De quanto precisa? -- Ed perguntou

 

--Trinta mil. Mas eu chego lá. -- piscou -- Desculpe, mais uma vez. -- saiu da cozinha

 

--Por que perguntou? -- Isa abraçou-se novamente com Ed -- Pensando em patrocinar a moça? -- sorriu

 

--Não... no momento eu tô mais interessada em balé clássico! -- beijou-lhe os lábios

 

***

 

Isa e Ed entraram aos beijos no quarto de Priscila. Isa fechou a porta.

 

--Priscila disse... que o quarto dela... era todo meu.. se eu quisesse. -- falou entre beijos

 

--E quem somos nós para fazer desfeita... -- puxou Isabela e ambas caíram sobre a cama -- Vem aqui. -- abriu as pernas da ruiva e se posicionou entre elas

 

Começaram um amasso gostoso e Ed deslizava a mão pela coxa de Isa, que deslizava o pé em sua perna.

 

--Tá me deixando louca... -- disse de olhos fechados enquanto Ed beijava seu pescoço

 

--VOCÊ me deixa louca... -- sussurrou

 

A coisa foi indo cada vez mais intensa até que Ed interrompeu o que fazia saindo de cima dela e se sentando na cama.

 

--E, eu adoraria ter você exatamente agora... -- respirou fundo -- mas ainda é cedo... -- olhou para ela

 

Isa se recompôs e sentou-se também envergonhada: -- Eu não sei porque deixei rolar desse jeito... Não é do meu feitio e...

 

--Ei! -- Ed tocou seu rosto -- Não tem porque se envergonhar. Eu fico mais que orgulhosa de você me querer, e eu também te quero. E muito! Mas é muito cedo. -- suspirou -- Nossa química é boa, eu tenho o maior tesão em você... Mas a gente não pode ir pra cama sem se conhecer melhor. Eu não quero falhar com você ou te magoar.

 

--Como fez com a sua ex? -- arriscou a pergunta

 

--Como aconteceu com minha ex. -- balançou a cabeça -- Não fique ofendida comigo.

 

--Não estou.

 

--Escuta, se eu te chamasse para ir comigo na minha casa agora, você iria? Queria que conhecesse. Te trago de volta quando quiser.

 

--Eu quero.

 

Ed se levantou, pegou o capacete e estendeu a mão para ela: -- Vem!

 

***

 

--Então é aqui que você mora? -- Isa olhava tudo atentamente -- É tão curioso... -- caminhou até a varanda contígua a sala -- Daqui você pode ver tudo o que se passa na oficina.

 

--Às vezes quando eu acordo atacada salto daqui, caio no chão e vou trabalhar. Eu pulo sempre em cima dos sacos de trapo. -- Ed se apoiou no corrimão da sacada

 

--Louca! -- riu -- Sabe? Eu nunca vi uma oficina assim: limpa, organizada, sem retratos de mulheres nuas nas paredes...

 

--Ah, isso é ridículo! -- cruzou os braços -- Aqui é lugar de respeito. Quero que uma mulher entre aqui e se sinta à vontade, e não agredida com esse tipo de coisa. E limpeza eu considero fundamental.

 

Isa caminhou de volta a sala. -- Nunca vi uma sala com duas varandas. Uma dá de frente pra rua e a outra pra dentro da oficina.

 

--“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda.” Segui o conselho de Jung.

 

--Também nunca soube de uma mecânica que lesse Jung. -- viu um retrato imenso emoldurado na parede da sala: -- É a sua equipe?

 

--Sim, mas esta foto é de 97. -- Ed entrou na sala, olhou a foto e apontou algumas pessoas -- Alguns já saíram, outros vieram... É que essa equipe me marcou muito.

 

--Você tem retardados trabalhando no grupo??? -- perguntou surpresa

 

--Retardados não tenho. Tenho jovens especiais. -- olhou para ela Isa

 

Encarou-a ainda surpresa: --Você contrata gente assim??

 

--Gente assim?! -- Ed riu -- Isa, não seja preconceituosa. Estes jovens aprendem as tarefas que lhes são passadas e costumam fazer tudo com muito capricho e atenção. Claro que as tarefas são proporcionais ao nível em que eles se encontram, mas conforme vão evoluindo podem surpreender. Sabia que meu contador é auxiliado por um deles? E que minha futura eletricista de motos também é especial?

 

--Por que? -- virou-se de frente para Ed e cruzou os braços

 

--Porque eu acho que todas as pessoas têm direito a uma oportunidade.

 

Isa examinou atentamente o rosto de Ed. -- Desde quando os tem aqui?

 

--Tudo começou em 94.

 

--Por que?

 

--Porque eu conheci uma senhora que tinha um filho especial que estava com dez anos e o marido foi embora porque não queria ser pai de um filho inútil. -- pôs as mãos nos bolsos de trás da calça -- Eu discordei da parte do inútil. Hoje ele trabalha aqui e cuida do meu estoque de peças.

 

Isa ficou admirada. Sorriu e abaixou a cabeça levantando-a novamente. -- Não me admira que sua ex não se conforme com o fim do relacionamento de vocês. -- pausou -- Quantas mulheres teve, Ed?

 

--Cinco.

 

--Pensei que fossem mais...

 

--Se fossem mais eu não teria tido tempo de conhecê-las melhor. -- sorriu

 

--Já esteve com homens?

 

--Não, na cama nunca.

 

Pensou um pouco: --Você consegue ser fiel?

 

--Tenho conseguido até agora.

 

--Por que se separou? -- esperou ansiosamente para sentir o momento certo de fazer esta pergunta

 

--Porque Juliana e eu desenvolvemos um relacionamento de dependência e ela ficou muito ciumenta comigo. Daí chegou a um ponto em que não agüentei mais.

 

--E você não dava motivos pros ciúmes dela? -- perguntou desconfiada

 

--Não. Nunca sequer paquerei uma mulher quando estava casada. Não me dava possibilidades pra me meter em situações que pudessem atrapalhar nosso compromisso.

 

--Você não tem defeitos? Eu não consigo achar... -- sorriu -- Você... -- silenciou por segundos -- você é tão diferente de todo mundo que eu conheço... A menos que viva fingindo ser uma pessoa que não é.

 

--Eu não consigo fingir com nada, Isa. -- sorriu -- Está me perguntando todas estas coisas pra me conhecer melhor? Quer um manual sobre Ed? -- brincou

 

--É...-- aproximou-se e começou mexer no cinto da morena -- você me deixa muito curiosa... -- brincava com a fivela -- Eu me acostumei tanto ao convívio com pessoas que pensam só em si mesmas ou, no máximo, nos filhos que... vendo alguém que se importa eu acho tão... -- pausou -- Você me deixa muito curiosa. -- olhou para ela -- Queria te conhecer... queria um manual. -- sorriu

 

--Seyyed Khazni, é um prazer. -- beijou-lhe nos lábios. Sorriram -- Fiz 31 anos pouco antes de te conhecer, minha família se resume na minha mãe, no meu irmão Renan e nos amigos que a gente fez ao longo dos anos. Sou separada, mas não abandonei a possibilidade de casar de novo. Mamãe é minha conselheira, confidente e melhor amiga. Eu sou mecânica de automóveis, mas entendo de mecânica de moto e de hidráulica e instalações elétricas prediais. Faço academia depois do trabalho, a menos que alguma coisa me impeça. Posso ser uma pessoa muito legal e também dominadora e dura, se necessário. Dificilmente volto atrás em uma decisão. Gosto de ir na praia, gosto de conversar, conhecer gente, dançar. Gosto de música, e vou desde o clássico até o mais pop, passando pelo rock, jazz, reggae e samba de raiz. Gosto de ler, gosto de cinema, gosto de arte, de fotografia... Gosto de musicais, de ópera, de balé... -- silenciou brevemente -- Gosto de mulher, mas faço um esforço danado pra não abusar disso. Adoro fazer amor... E sempre tive um fascínio todo especial por bailarinas... -- sorriu maliciosamente

 

--Nossa... -- deslizou os braços até envolver o pescoço de Ed com eles -- eu fiquei até arrepiada em ouvir tudo isso. Não saberia fazer uma apresentação tão completa sobre mim, mas vamos tentar. -- pausou -- Sou filha única, vivo com meus pais, minha família é enorme e vive se encontrando em festas. Tenho pensado em tentar a faculdade de dança no final do ano, mas ainda não me decidi. Tive um único amante que foi um namorado... Eu não gostava de fazer amor com ele. Ele era muito parado e eu queria alguém que viesse e me possuísse com vontade, com ardor... -- abaixou os olhos e corou -- Não creio que disse isso. -- riu constrangida

 

--Continua, eu quero saber. -- beijou-lhe a cabeça -- Não é só você que tem curiosidades.

 

--Amo a dança, as artes de um modo geral, adoro passar o tempo lendo um bom livro... Resumindo posso dizer que sou apenas uma bailarina que sonha em ter carreira internacional. -- olhou para Ed novamente e sorriu -- É uma apresentação interessante? -- perguntou

 

Ed abraçou-a pela cintura e beijou-a ternamente nos lábios. Isa se derreteu naquele beijo.

 

 

15:00h. Final de junho de 2000, Edifício Rubi, sala 1033, Centro da Cidade, Rio de Janeiro

 

--Ontem eu passei em frente à oficina e foi aí que eu vi: a ruiva toda patricinha, de calça jeans e blazer branco, toda se derretendo enquanto conversava com ela. Sabe aquele tipinho de mulher sequinha? Que parece que levou um ch*pão e murchou? Pois a tal era assim. -- silenciou por uns segundos -- E Ed tava usando o macacão de trabalho, o de mangas compridas, cabelos presos em um rabo de cavalo... Ela olhava pra ruiva com aquele mesmo olhar de “você é tudo para mim” que por dois anos e meio era destinado a mim. E só a mim. -- passou a mão nos cabelos curtos

 

--Fale um pouco mais sobre isso. -- Ivone disse -- Você passou por lá apenas para vê-la e não esperava encontrá-la com a namorada atual. Como se sentiu?

 

--Eu só desviei um pouco do caminho. -- cruzou as pernas

 

--Você saiu do hospital Silva Avelar, no Centro da cidade, mora na Ilha do Governador e considera que passar no Meyer é um pequeno desvio? -- perguntou desconfiada

 

--Ah, Drª Ivone, depende do ponto de vista. -- olhou para a terapeuta -- Tá bom, é um desvio e tanto, mas eu queria vê-la. Mesmo que de longe.

 

--Não precisa me chamar de doutora. Pode me tratar por Ivone. -- sorriu -- Mas me diga, e o que sentiu?

 

--Vontade de matar aquele filezinho de borboleta que roubou o coração da minha mecânica! -- cruzou os braços e franziu o cenho -- Eu não sei o que Ed viu nela! Piranha, puta, vagabunda feia e sem graça! -- disse com raiva

 

--Ela não lhe roubou coisa alguma, Juliana, sabe disso. Quando Seyyed a conheceu vocês estavam separadas há meses... Você mesma me disse.

 

--Eu saí da casa da dona Olga no começo do mês e Ed me levou de carro pra minha casa. Perguntei se estava saindo com alguém e ela disse que sim, mas que conheceu a garota meses depois do nosso término.

 

--Acredita nisso?

 

--Ed não mente. -- riu -- Só em casos extremos. -- sorriu -- Sempre achei isso muito fofo.

 

--Então por que acredita que a moça roubou Seyyed de você? Não tem sentido pensar assim, não acha?

 

Juliana calou-se por instantes e respondeu: -- É, não tem. Mas a verdade é que morro de inveja da magricela.

 

--Por que não tenta se referir a ela sem apelidos pejorativos? Não conseguirá nada agredindo a moça que você nem conhece. Querida, ela não lhe fez mal algum.

 

--Eu a odeio! É mais forte do que eu. Quando penso que Ed prefere comer aquela piranha, ou melhor, aquele esqueleto de piranha, do que a mim eu fico louca! É uma merd*, viu?

 

--Como foram seus relacionamentos antes da sua ex mulher?

 

--Apenas sex*. Hoje vejo isso com muita clareza. Mulheres que queriam trans*r e nada mais; assim como eu. As coisas mais bonitas e intensas eu vivi com Ed. Tudo era tão perfeito, sabe? Considero que com ela eu fazia amor. -- suspirou -- Tudo parecia tão perfeito até no que diz respeito a sogra. Dona Olga é a pessoa mais bonita e mais gentil que já conheci na vida. Ela é como se fosse minha mãe! -- riu -- Eu nunca nem tive coragem de xingar na frente dela. Respeito como se fosse mãe mesmo!

 

--E como você era quando se conheceram?

 

--Ah, eu era uma mulher quente, sensual, interessante, forte. -- viajou em suas lembranças e sorriu -- Eu conheci Ed lá no hospital. A mola da suspensão de um carro atingiu o braço dela e machucou um bocado. Eu que fiz o curativo. -- esfregou as mãos -- Achei ela um tesão. A gente conversou, e no final do papo ela me deu o cartão da oficina dizendo que seu eu precisasse de alguma coisa... Aí eu passei lá com minha Uno velhinha só para ter um pretexto de vê-la. Ela consertou um problema no meu carro que eu nem sabia que existia. -- riu -- Me chamou pra sair e nós logo começamos a namorar. -- silenciou -- A nossa primeira vez foi mágica! Ela me levou em um motel temático e ficamos em um quarto em estilo japonês. Ela trouxe umas músicas de Heiki, me fez massagem... -- fechou os olhos -- Fizemos amor demoradamente por horas. Foi o máximo! Eu não estava acostumada com romantismo... Em seis meses estávamos casadas.

 

--E como era o relacionamento no começo?

 

--Ah, era legal. Estávamos sempre conversando, namorando, nos divertindo... Eu me entrosava bem com todo mundo que fazia parte da vida dela.

 

--E as pessoas que faziam parte da sua vida antes de conhecê-la?

 

--Acho que acabei me afastando de todas elas...

 

--E quanto às crises de ciúmes? Você já tinha ciúmes desde o começo?

 

--Não... quer dizer, tinha o ciúme normal, mas nada tão forte.

 

--E quando começou a ficar forte?

 

--Eu tive que operar um nódulo no seio e tive muito medo. Desabei, caí do salto, sabe? Ela me deu um apoio incrível, e eu me senti protegida como há muito tempo não sentia. Acho que começou a partir daí.

 

--E Seyyed percebeu isso?

 

--Acho que sim, mas não se incomodou. Acho até que ela gostava. Quem não gostaria de ter uma japonesa de alto nível como eu ali aos pés? -- sorriu

 

--E quando ela deixou de gostar?

 

--Ah... -- abaixou a cabeça -- desde que eu discuti com uma mulher de óculos escuros que não tirava os olhos dela. Depois eu vi que a tal era cega. -- cobriu o rosto com as mãos -- Ai, que mico! A gente tava em um restaurante.

 

--E depois disso, você continuou com atitudes como essa?

 

--Sim... -- disse pensativa -- Acho que piorei de vez quando Telma voltou a frequentar a oficina.

 

--Quem é essa?

 

--Uma ex namorada de Ed que é passista da Mangueira. Uma mulata dessas do tipo escultural sabe? Eu não acho graça em passista mas esse povo quase morre quando vê uma. -- disse despeitada

 

--E o que ela fazia?

 

--Ela é casada com uma gringa rica que vive dando carro de presente. Ela tem cinco, acredita? E eu achava uma coisa incrível que aqueles carros só viviam dando problema. -- balançou a cabeça impaciente -- Imagina que ela vestia umas roupinhas minúsculas, saltos altíssimos e ia para lá? E nenhum mecânico servia, tinha que ser a Ed! Ela vinha com aquela boca carnuda de Angelina Jolie do samba falando um monte de coisas. Dava ódio!

 

--E como você via isso? Não estava trabalhando?

 

--Ah, eu... eu passei a faltar o emprego e ficava rondando a oficina. Ed brigava muito comigo por causa disso. Ela dizia que meu trabalho era muito importante pra eu tratá-lo com leviandade.

 

--E é verdade. Uma enfermeira é essencial em um hospital. Seu trabalho é muito importante, Juliana.

 

--Mas eu não sentia mais assim. Desgostei do que fazia, desgostei de tudo. Eu só queria ficar perto de Ed.

 

--Nenhum relacionamento poderia sobreviver desse jeito, Juliana. Não concorda?

 

--Concordo... mas na época eu não via isso.

 

--E por que Seyyed terminou com você?

 

--Porque eu me disfarcei de lixeira da Comlurb, fiquei de sobreaviso e quando Telma entrou na oficina eu pulei em cima dela com vassoura e tudo. Arranquei um bom tufo de cabelo com minhas mãos. -- fechou as mãos -- Depois daquilo a safada nunca mais foi lá. -- sorriu sem graça -- Mas em compensação Ed me deixou...

 

--E o que sentiu?

 

--Eu quis morrer!! Chorei e sofri terrivelmente. Ainda ensaiei uma investida pra conquistá-la mas não deu certo. Ela me comeu e jogou fora. -- suspirou -- Depois me procurou pra se desculpar pela atitude, mas não quis saber de voltar. -- fechou os olhos -- E naquela noite foi tão bom... Eu tava em cima de um carro, nua inteira pra ela, que veio recém saída do banho com aquele jeito, as mãos firmes... -- deslizava as mãos pelo próprio corpo -- Ela sabe me deixar tão louca... Adorava quando ela vinha com fome e me pegava de jeito sem pedir licença... Ela tem uma pegada boa, a gente se derrete... Ela vinha, me possuía de um jeito bem gostoso... Por várias vezes eu senti assim, orgasmos múltiplos deliciosos...-- abriu os olhos, calou-se repentinamente e se recompôs -- Eu não deveria falar de sacanagem aqui, não é? -- sorriu constrangida

 

Ivone riu gostosamente: -- Pode falar o que quiser, querida. Não é porque tenho 60 anos que não posso ouvir certas coisas. Você se empolgou um pouco mas não tem problema. -- riu

 

--Só de pensar deu um fogo na passarinha, sabe? -- ajeitou-se na cadeira -- É melhor eu não entrar em tantos detalhes.

 

--E hoje, como se sente em relação a isso? Com o fim do relacionamento?

 

--Ainda me sinto muito mal. Não vejo graça em nada. Trabalho porque preciso me sustentar. Do contrário, ficaria em casa dormindo o dia todo. -- pausou -- Eu me transformei em uma mulher sem graça, sem perspectivas... Quase não tenho mais fome e até a libido foi pro espaço. -- suspirou -- Tô deprimida; devo estar... Aliás, eu só tenho esse apartamento pra morar graças a dona Olga, que providenciou tudo pra mim. Do contrário, teria ficado na rua depois de sair da casa de Ed.

 

--Você precisa de tratamento, sim, mas não precisa permanecer sofrendo desse jeito. A depressão é uma doença que pode levar a morte, mas que pode ser curada com sucesso. Mas pra isso é necessário que você esteja disposta a tentar.

 

--Dona Olga quer que eu tente. Ela me pede isso e ora muito por mim. -- sorriu -- Ela me dá paz.

 

--Ela quer. E você? Você quer?

 

--Eu preciso! Não agüento mais essa dor! Mudei o visual e fui no dentista implantar um dente no lugar do que perdi, mas fiz estas coisas mecanicamente. Fiz porque não queria decepcionar dona Olga, mas eu não tenho interesse em mais nada.

 

--Nós vamos conseguir, Juliana. -- olhava nos olhos moça -- Olhe as fotografias dessas pessoas que estão debaixo do vidro da minha mesa. Todas elas estiveram deprimidas, por diversas razões, e hoje estão bem, vivendo suas vidas normalmente. Você também pode!

 

--Nossa, quanta gente! -- olhou para as fotografias -- Existe muita gente deprimida por aí, não é?

 

--A depressão tem uma taxa de prevalência alta. De acordo com os dados internacionais de avaliação diagnóstica, acredita-se que mais ou menos 25% da população mundial sofra deste mal, o que representa um índice muito alto em medicina! Dentre estes 25%, apenas 25% buscam algum tipo de ajuda; por isso temos tantos suicídios. A depressão é um importantíssimo problema de saúde pública por ser uma das doenças mais incapacitantes que conhecemos. Os prejuízos humanos e materiais conseqüentes dela são tão altos e ao mesmo tempo difíceis de estimar que se tornam praticamente incalculáveis.

 

--Eu queria entender isso... o que é a depressão afinal? -- perguntou com interesse

 

--Simplesmente uma das doenças mais importantes da história da humanidade! Faz parte do grupo dos Transtornos Afetivos ou Transtornos do Humor. A rigor não é uma única doença mas várias doenças, embora para o leigo possa parecer que é tudo a mesma coisa. Eu te diria que é basicamente uma doença moral.

 

--Toda depressão tem causa patológica? Será que é algum resquício do meu problema no seio?

 

--Pode ou não haver uma causa patológica, mas trata-se de um desvio psíquico de natureza emocional.

 

--Quais são os sintomas clássicos da depressão que eu apresento? Além da tristeza, claro...

 

-- As pessoas associam a depressão à tristeza, porém o sintoma mais comum é a perda de interesse e do prazer nas atividades diárias. Você relatou que passa por isso. Ainda tem crises de hipersonia, e o sono excessivo é uma fuga do mundo. Dormindo você não tem que viver... Com relação ao apetite, é mais freqüente a perda do mesmo, como no seu caso, mas quando o quadro é de depressão ansiosa a pessoa fica insaciável.

 

--Ainda bem que não é o meu caso... Já pensou ficar deprimida e gorda? Pode-se sofrer, mas perder a gostosura jamais!

 

Ivone riu. -- Você pode estar passando por isso mas até que tem senso de humor... ácido, mas tem.

 

--Acredita que posso me curar?

 

--Tenho certeza. -- sorriu e segurou as mãos da moça -- Feche os olhos. Vamos agradecer a Deus por você ter dado este primeiro e importantíssimo passo de buscar ajuda. E vamos pedir que nos oriente para que tudo dê certo.

--Eu não sabia que tratamentos psiquiátricos incluíam orações. -- comentou surpresa

 

--Não incluem. Este é o meu jeito de trabalhar. Sempre faço uma oração com as pessoas que me procuram, se elas assim desejarem. Se não quiser orar, fique à vontade, não estou forçando.

 

--Não é isso, perdoe. Eu quero sim. Antes eu não orava, mas Ed e dona Olga me ensinaram este costume. -- silenciou -- É que eu havia deixado de orar desde que ela me deixou.

 

--Então vamos recomeçar. -- sorriu

Fim do capítulo

Notas finais:

Música do capítulo:

 

[a] Spending my Time. Intérprete: Roxette. Compositores: Gessle and Persson. In: Joyride. Intérprete: Roxette. EMI, 1991. 1 disco vinil, lado A, faixa 5 (4min36).

 

NOTA:

Texto de abertura da temporada inspirado na obra de Fritjof Capra - O Tao da Física.

Editora Cultrix.


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Comentários para 1 - Primeira Temporada - MUDANÇAS I:
Bebereborn
Bebereborn

Em: 31/05/2025

Menina, essa história tá uma delícia de acompanhar! Maya tem um jeito que prende a gente, e as emoções vão fluindo tão naturalmente que nem dá pra perceber o tempo passar. Tô curtindo demais essa conexão entre as personagens. Tá de parabéns!


Solitudine

Solitudine Em: 01/06/2025 Autora da história
Olá querida!

Fazia um tempo que ninguém comentava aqui. Obrigada por vir!
Essa história é uma série e cheia de temporadas. A maior do site em número de palavras então se prepare! rs

Espero que goste e novamente obrigada.

Beijos,
Sol

PS: achei o seu nick engraçado. Agora os bebê reborn estão na moda, não? Eu mesma tenho uma, porém não penso que ela seja de verdade. rs


Responder

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NovaAqui
NovaAqui

Em: 13/06/2024

Bom dia, Sol!

 Cheguei!

Vim aqui começar a ler suas obras

Espero que você esteja bem

Abraços

 


Solitudine

Solitudine Em: 14/06/2024 Autora da história
Boa noite, querida!

Que satisfação vê-la por aqui!!

Agradeço muito pelo interesse e peço que, apesar de ser uma série longa, você dê uma chance a Maya. Ela e o Tao são meus grandes xodós. Espero que goste.

Beijos,
Sol


Responder

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jake
jake

Em: 11/03/2024

Olá Sol...Comecei a ler e já estou sob os encantos de Maya...Vi que se passa na minha cidade ,o RJ te recebe de braços abertos. Bom Ju mega ciumenta (com isso jogou seu casamento no lixo).Fiquei muito triste com os acontecimentos na vida de Camile com certeza esse noivo não merecia seu amor.Gostei do quarteto das amigas,Amei dona Olga vou aprender mto com ela ,juntamente com a dona Ivone.

Sol  sempre digo que aprendo mto com seus livros vc trata temas delicados com uma levesa incrível ... li o 1 cap e já me apaixonei...Obrigada por nos proporcionar tamanho conhecimento..Felicidades e saúde pra todos bjs.


Solitudine

Solitudine Em: 11/03/2024 Autora da história
Esse veio repetindo. Lettera por favor, não apague!!!

Jake, faz um favor para sua caipira de estimação? Manda um comentário por capítulo! rs

Pode falar: bicha abusada essa caipira!

Beijos,
Sol


Responder

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jake
jake

Em: 11/03/2024

Olá Sol...Comecei a ler e já estou sob os encantos de Maya...Vi que se passa na minha cidade ,o RJ te recebe de braços abertos. Bom Ju mega ciumenta (com isso jogou seu casamento no lixo).Fiquei muito triste com os acontecimentos na vida de Camile com certeza esse noivo não merecia seu amor.Gostei do quarteto das amigas,Amei dona Olga vou aprender mto com ela ,juntamente com a dona Ivone.

Sol  sempre digo que aprendo mto com seus livros vc trata temas delicados com uma levesa incrível ... li o 1 cap e já me apaixonei...Obrigada por nos proporcionar tamanho conhecimento..Felicidades e saúde pra todos bjs.


Solitudine

Solitudine Em: 11/03/2024 Autora da história
Olá querida!
Que felicidade vê-lá por aqui! Aceitou o desafio de ler meu seriado e história que me lançou no finado abcLes.

Que bom que gostou deste início de primeira temporada e das personagens. Tem muito Rio de Janeiro aqui neste conto. Sinta-se em casa!

Obrigada pela gentileza de sempre e pelos bons votos. Desejo a você sempre o que de melhor haja para uma filha de Alaah (Deus)!

Beijos,
Sol


Responder

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Solitudine
Solitudine Autora da história

Em: 27/01/2023

Sadikii, não apague os comentários!!!

Responder

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Solitudine
Solitudine Autora da história

Em: 14/09/2022

Queridas!

Responderei a todos os comentários porém peço um pouco de paciência, por gentileza. Estou muito, muito enrolada. 

Pretendo voltar com uma história nova. Mesmo que seja ruim! rs

 

Beijos,

Sol

Responder

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Seyyed
Seyyed

Em: 10/09/2022

Antes que eu me esqueça as gatas na capa da história tão show.  ?? 


Resposta do autor:

Obrigada! Foram desenhadas com muito gosto! rs

Beijos, 

Sol

Responder

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Seyyed
Seyyed

Em: 10/09/2022

Pra começar... uma grande amiga me pentelhava pra vir ler no Lettera mas eu não tenho ou não tinha saco pra fica horas num celular lendo lendo e lendo... só que ela me pentelhou tanto que eu disse que ia ler só uma história e uma autora e olhe-se lá! E ela me disse pra lê a solitudine e SEM...eu vim e choquei COMO ASSIM??? PQP a autora escreveu desgraçadamentchÊ!!!! Mas ela me pentelhou pentelhou até que eu cedi e comecei naquele pensamento assim... só vou ler um pouquinho pra ver qual é... e... não tô conseguindo parar de ler!

Por enquanto tô amando a história já nesse capítulo 1 da primeira temporada; amei Seyyed ela é fofa é foda é tudo e eu adotei meu nick no nome dela só pra vim te dizer isso. Vou lendo um caps por dia e comentando... e esse será o maior comentário que ce vai receber de mim! hehe

Até!  Seyyed (perdeu! hehehehe)


Resposta do autor:

Boa noite, querida,

Vejo com satisfação que você se empolgou tanto com a história a ponto de encarnar uma das personagens! rs 

Agradeço a essa amiga sua pela insistência e a você por se dispor a ler este, que é o maior (em termos de quantidade de palavras) conto do site!

Gostei desse desgraçadamentchê! Vou incorporar em falas de personagens! kkk

Você me escreveu vários comentários e prometo que responderei a todos eles. Mesmo que não consiga fazer isso hoje, garanto que serão respondidos, se Deus quiser.

Beijos,

Sol

Responder

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Samirao
Samirao

Em: 12/06/2022

Mon Dieu já vai apagar comentários de novo??? Gentem para com isso! Para de fazer desfeita, please?


Resposta do autor:

Olá querida!

Se apagou-se, voltou! Veja que coisa boa! :)

Beijos!

Sol

Responder

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Samirao
Samirao

Em: 03/05/2022

Habibem!!! O comentário 200 tinha que ser meu! Huahuahua 


Resposta do autor:

Sem dúvidas!!! kkkkkkk

Beijos,

Sol

Responder

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Atrevida
Atrevida

Em: 02/05/2022

Só pra dizer qual é minha mina pediu pra falar pra ti que o conto é muito muito foda.


Resposta do autor:

Agradeça a ela por mim, por gentileza!

Beijos,

Sol

Responder

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Atrevida
Atrevida

Em: 30/04/2022

Tu vai dar mais moral pras preta? Quero ver. Faz isso que o bonde vem!


Resposta do autor:

Amiguinha!

Eu prometi, eu vou fazer. Pode acreditar. O máximo que vai acontecer é demorar, então te peço paciência, por gentileza.

Não sei o que seria esse bonde ao certo, mas pode convocar! rs

Beijos,

Sol

Responder

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Samirao
Samirao

Em: 18/03/2022

Habibem, me manda os desenhos originais please? Bjuss


Resposta do autor:

Boa tarde, querida!

Infelizmente não os tenho mais.

Eu guardo nada, você sabe. Nem os contos nem o que se relaciona a eles. Uma vez postados, saem das mãos caipirescas.

Lamento decepcioná-la nessa.

Beijos,

Sol

Responder

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Samirao
Samirao

Em: 17/02/2022

Eu sei que vc não viu. Desligada.... sorte a sua q tem eu! Bjsss


Resposta do autor:

É, eu sou sortuda mesmo.

Beijos,

Sol

Responder

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Samirao
Samirao

Em: 06/02/2022

Agora que vi. Amei o clipe!!


Resposta do autor:

E não é? Também gostei por demais!

Responder

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Solitudine
Solitudine Autora da história

Em: 29/01/2022

Como eu não tenho mais perfil no LivrodasFuça e não tenho onde postar, segue aqui.

Imagino Tatiana, Suzana e Juliana dando total apoio (e Isa dançando ao fundo):

 

https://youtu.be/yE1PENHOpDQ

Responder

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Zaha
Zaha

Em: 31/12/2017

Não acredito, vc postou Maya por aqui!! Muito feliz, não tem idéia!!!!!!!

Vou ler Mayaaa de novo e terminar o 7, presente mais que merecido!!!!!!

Saudades de Maya, tão...de vc!

Seja bem- vinda por aqui!!! Vai fazer sucesso!!!!

Beijos


Resposta do autor:

Você pediu mais de uma vez para eu postar aqui. Outras pessoas escreveram pedindo também. Obedeci. A caipira é bem mandada. kkkk

Saudades também, amiga. Mas não posso conversar por agora e por um bom tempo não poderei.

Sucesso nunca fiz, não sou autora que saiba conquistar tantas leitoras assim, mas as que leem viram amigas, refletem, discutem, trocam ideias. Isso é o que me satisfaz.

Beijos

Responder

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Zaha
Zaha

Em: 11/01/2018

Oie minha querida,

Desculpa, mas tive que vim agradecê-la por seu comentário. Obrigada pelas palavras, me sinto linsojeada, ainda que insista com isso de psicóloga, eu quisera que fosse assim. Me encantaria mirarme con tus ojos....

Quem nao pensa em fazer sucesso sao as que mais fazem, sua simplicidade e humildade sao as qualidades que mais gosto em vc...nunca perca isso!!

Sadiki, se eu tivesse aqui enquanto vc escrevia Maya, poderia te convencer, que lá no fundo, reprimido, nos recônditos da sua alma, o que vc queria era Ed sem Isa. Sou muito persuasiva!! rs

Quanto a Jasin Solitudine, estava pensando pq vc botou esse nome, aí bolei uma hipótesis, mas dps de ler o primeiro capítulo, mudei. Achava  meio triste esse solitudine, mas aí as pessoas te apelidaram de Sol e tem mais a ver com vc, Sol é vida, é luz e acho que vc é luz na vida de muitas pessoas, tanto" na sua realidade" como nessa paralela aqui, a nossa. 

Sem neura, quanto a sua vida de heavy mental. Sua profissao requer mt estudo e traz grandes conhecimentos pra humanidade e isso significa progresso...kkk. Tem que viver sua vida tb, tem suas coisas...

Fique com Deus, que ele abençoe e te banhe com sua luz de amor e possa acalmar essa fase turbulenta.

Beijo no seu coraçao e um abraço na sua alma.


Resposta do autor:

Desculpe por eu demorar tanto a escrever, respondendo às belas e carinhosas mensagens que vocês me dedicam. Especialmente no caso de uma amiga como você. Eu estou realmente muito enrolada. Hoje em dia queria até me aposentar, mas não posso. Falta tempo de atuação e idade. Estou batalhando para que também  não falte o ânimo para trabalhar nestes tempos tão difíceis, de tantas agressões, perseguições, cortes de verba e colegas partindo. Porém, sei que tudo isso vai passar.

Espero que esteja bem. E desejo realmente que você continue evoluindo como percebo, pois muito me alegra ver o quanto você cresce com o passar do tempo. 

Beijo na testa, abraço apertado e paz de Cristo no coração.

Sol

Responder

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Zaha
Zaha

Em: 16/03/2020

Sadikii, Como estamos nessa semana?

Eu só responderei alguns comentários,prometo!Nao quero que pense que sou mal educada! Farei com um intervalo de 2 semanas ou mais, os mais importantes, devem ser uns 5 dos 18 que enviou, porém esse será o único grande. Nao precisa responder esse, é pra te dar ânimo, apesar que você já sabe isso tudo!:)
Que comentários tao carinhosos, muito obrigada! Fiquei tao feliz, a verdade que tava meio triste e insegura e seus comentários tao bonitos me fizeram emocionar, os senti tao sinceros....sempre fico achando que só tá sendo gentil comigo..
O momento no mundo tá complicado,estamos passando por uma transformacao moral,temos que pensar no outro, estarmos juntos pq só assim mudaremos. Temos que mudar a qualidade de nossos pensamentos!!
Vigia seus pensamentos,Sadikii,eles determinam nossas vidas. foca no trabalho, ocupa sua mente com coisas produtivas, no que te faz bem, busca dentro de vc onde vem o desânimo para poder trabalhar desde aí, dizem que nossos sentimentos sao como bússolas e através deles podemos saber o que devemos mudar de acordo com a situacao presente.  As situcacoes externas nao podem mudar,mas nós, espíritos em tranformacoes, sim que podemos e aí atraímos novas situacoes. Ânimo, sadikki,seja forte e nao seja orgulhosa, peca ajuda se necessitar, n tem que passar por tudo sozinha! Quero ver, sadikii bem, contando piada,falando com tanto entusiamo das questoes sociais ou das coisas novas que você agora gosta...você disse que mudou muito, pois entao melhora pq quero conhecer essa nova..kkkkkkkk
Saiba que vc é uma amiga muito especial para mim! 
Tudo vai ficar bem poque tudo passa, estamos aqui para aprender e nos educar e claro que nao seria fácil, cada um tem sua natureza evolutiva e também temos que aceitar que temos um limite, podemos melhorar até onde nosso progesso permite, sem frustracoes, mas nosso livre arbítrio ajuda em como será nosso futuro!
Aproveita esse momento, de quarentena, devido ao corona, ou ao menos, menos trabalho, para colocar suas coisas em dia. Você disse que necessitaria que o dia tivesse 72 horas,é algo horrível, mas bem, ao menos desenrola um pouco...aproveita esse tempo!
Obrar sempre com o bem...acho que estaria certo esse provérbio árabe:
"Kun ma3 al haq u lau kunt uahdak"
 Quando vc n tá enrolada, Sadikki?!  Eu tô no note e o teclado é em espanhol, nao tem til,cedilha, nao sei o código para colocar..rs e tô com preguica de buscar no google e copiar e colar, sendo sincera!! rs
PS: Fiz um poeminha pra vc nessa semana, bem peba, mas n vou mostrar esse tao cedo, é mais bem frases sem sentido, uma análise peba da sua pessoa.Tem um que fiz há mt tempo e tá aqui no lettera, quando vc favorita o escritor e escreve sobre ele..te digo que vc iria rir muito!!  P Publique seus poemas, assim vc reconquista as veias e conquista as novas leitoras!:). Poderia fazer: Poemas da Zinara!!
Te desejo o mais bonito,te mando muita luz, serenidade, um abraco bem apertado e um beijo no seu coracao! Que Deus sempre esteja presente nos seus pensamentos, pense no seu guia sempre que necessitar, ele tá aí esperando seu chamado!
Resposta do autor:

Boa noite, queridíssima!

Desta vez responderei quase em tempo real; aconteceu uma sincronicidade.

Você sempre acha que te respondo no intuito de ser gentil. Claro que busco ser gentil com as pessoas mas sempre com muita sinceridade. Tudo que já te escrevi, em todas as épocas, foi muito sincero. Fico muito feliz em ver o seu progresso, amadurecimento e evolução sob todos os aspectos. Além de gostar muito de seu carinho com meus contos.

Esta transliteração que você apresenta é do árabe egípcio? Fiquei na dúvida por causa do uahdak ao invés de wahdak. Mas as transliterações são sempre complicadinhas.

Também te desejo tudo de bom e que aproveitemos este período ruim para desacelerar e refletir.

Beijos na testa e bençãos no coração,

Sol

Responder

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Zaha
Zaha

Em: 17/03/2020

Como diz JUNG, coincidências nao existem, sincronicidade!! Porraaaaa, broquei!Sinta o ânimo da mulher!!kkkk

Me pergunto qual progresso, amadurecimento e evolucao é essa?Talvez vc n abriu bem o pacote, ainda que sempre estamos evoluindo...concordo com vc!!!Só pq sou de fazer piada. A internet impede que conhecamos  a pessoa, criamos uma imagem delas que nao sao , só conversando podemos conhecê-las um pouco mais!Prove isso!:)

Entao, como essa parte dos vídeos sao provérbios, poderia tá em árabe egípcio, mas ele ensina o libanês nas aulas no youtube...

 

Necessito um livro pra ter as conjugacoes, fica mais fácil eu criar frases...

Vem cá, vc aprendeu árabe de crianca, te falavam em árabe ou foi dps?Se é q pode falar....

Estou em repouso, Sadikii!!

Beijos no coração,

Beijos carinhoso!


Resposta do autor:

Boa tarde, querida!

Estou vendo, já começou atacando de Jung! Coisas de psicóloga!

 

Árabe é difícil de aprender. Tenha paciência. O árabe libanês seria melhor para você. Existem vários vídeos na internet com professores de verdade.

Beijos!

Sol

Responder

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Zaha
Zaha

Em: 13/04/2020

Oieeee,Sadikii!!

Tanto se nota minha melhora?! rs. Tb quero minha amiga  de volta com as caipiragens dela!! ;)

Eu nao sei quem é sua amiga Irina, mas td bem, se ela ajudou, isso que importa!! Uhu

N sei se já viu a surpresa que deixei.... n necessita sentir mais saudades! Se dourei, já é outra coisa!Eu ia te aterrorizar, mulher, com as decisoes em Maya!! rs

 

Vixi, n lembro bem como nos conhecemos, mas as 3 estávamos comentando numa publicacao. Mas se vc diz que nos apresentou,aí, entao certamente deve ser! O que sei é que eu te aterrorizava,pirracava, n lembra?!! kkkk. 

 

Opa, posso ter a estória no formato que quero, vou imprimir, fazer capa, e fingir que Jasin Solitudine me fez um lindo autógrafo no livro! Falando sério, agora, a estória te pertence sim, moralmente é assim,isso que importa, ainda que vc tenha dada ao mundo num ato de verdadeira caridade!! Porém, guardaremos até que vc necessite!! Oxente, caipira louca, como n tem mais?!!! Tem que ter pra mostrar pros seus sobrinhos-netos. Ninguém sabe o q nos espera o futuro!

Eu vou é pegar essa estória do convid tb!

Claro que TAO é minha preferida!!! Como vc me faz essa pergunta?!! TAO é minha musa do verao!!2021, nos vemos por aqui !!!!

 

Em História da História contei como foi. É meio inexplicável.(E xei, eu li rsrs). Nada é inexplicável, que nao tenhamos conhecimento é outra coisa..;)

 

Sempre terá meu apoio, carinho!!

"Não há problemas, fiquei tranquila. Nunca tive problema com você. Continue como é, nada de seriedade."(Obrigada!)

 

Com todo respeito (não é cantada) eu tb amo você, minha grande amiga!;)

PS:Samira, nada de pensar besteira aqui! Faco suas as minhas palavras! :)

Se cuide sempre, beijos na testa

Laila


Resposta do autor:

Amiguinha!

Fiquei feliz com seu retorno!

Irina é uma leitora que em um dos comentários aqui pediu capítulos menores. Aí Samira leu e não me deu mais sossego depois disso! rs

Sim, foi Cris Laninha que nos fez amigas. E agora ela some, não me retorna e nem vem aqui. É uma ingrata! kkk

Samira já teve uma conversa comigo e está convencida de que nossos sentimentos são fraternos! Sabemos todas que são.

Fiquei com Deus e obrigada!

Beijos,

Sol

Responder

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Zaha
Zaha

Em: 15/04/2020

Oie pessoinha!!

Meu retorno nao é definitivo, sinto muito, mas tenho sofrido crises de ansiedades, dessa vez n sao tds dias,nem o dia todo,inclusive, agorinha tive consulta online con o psiquiatra. Eu sempre tô aqui, vc sabe, nao é falta de consideracao, mas eu normalmente penso no outro sempre e nunca em mim,assim que necessito de espaco entre um capítulo e outro. No é egoísmo tá...

Faltam dois capítulos e vi por aí que tem gente que escreve mt bem, analises incríveis, n te fará falta as minhas..Gia a ângolana,analisa magicamente! ;)Mas eu gosto de dar uma satisfacao, sou assim! :)

Que bom que Irina comentou e Samira te ajudou a mudar ;). Repetindo, eu acho!

Vc disse que achava e agora tem certeza que foi Cris kkk.Cadê minha amiga científica?!! Eu acho que vc entrou de curios/,gaiata no comentário pq ela falava mt de mim..kkkkkkkk.(vc disse pra eu n ser séria rs)Queria saber quem eu era, aí viu que era tapada e pronto, ficou tranquila no seus ciúmes!! uahuahuahauhauh

N lembrava mt e nao gosto de afirmar o que n tenho certeza!!

Ela some, nao te retorno, sério, amiga?!! Mas vc n sumiu, n retornava tb? Por isso concluímos que vc é uma ingrata tb? Acho que nao é por aí, você teve seus motivos,ela, os dela, ela tá ocupada, cuidando dos pais.No entra no face e e-mails há tempos. Já te passei o tel dela, vc oculta seu id no tel fixo e ela n saberá de onde é. Tb tem problema em escutar sua voz? Vai dizer de onde vc é?!Nao tô brigando viu, nem te dando carao, só te fazendo refletir. Amo as duas e quero que estejam bem! Já falei com ela, quando puder aparecerá! :). Sei que adora fazer piada epraencubir seus sentimentos, comigo n rola, viu, fi?!!!

Ainda bem que Samira entendeu ue meu carinho é FRATERNO E SEMPRE SERÁ, nunca entendi e ou dei parecer o contrário!!Duas lésbicas podem ser amigas, mas entendo que desde as experiências dela, isso é aceitável, eu sei o que sinto e isso que importa!!Sei do meu caráter e valores e me sentiria mta culpada se fosse o contrário, sou fiel, leal e respeito minha esposa, assim como tb vcs duas, se fosse diferente, teria te informado e resolveríamos de forma adulta...vc tem mt que aprender sobre mim, amiga e espero que ao longo dos próximos anos o faca! :)

Deculpe, tive q falar pq me deixou um pouco mal os ciúmes dela..povo fica dando em cima de vc, mas só q eu sou carinhosa, n quer dizer nada! Meu sentimentos sao nobres, puros e bonitos e nunca teve nada além disso..deculpe gerar conflitos entre vcs! Nem sequer te chamei no chat pq n queria q ela ficasse mal, sei q ela é ciumenta, mas deve sofrer com essas insegurancas..enfim!

Espero que vcs fiquem bem e que ela tenha certeza e sem mais dúvidas. Qualquer coisa q ela venha falar comigo, tranquila, sem problemas! :)

Um beijo respeitosos! Abracos pra Samira tb!

Cuidem-se

Beijos


Resposta do autor:

Olá Lailinha!

Estes tempos de clausura e de tantas inconsistências na política mundial contribuem mesmo para gerar ansiedade. Tenho orado para você recuperar o seu bem estar e sei que vai. No seu momento certo. Além do mais, nada é definitivo, pode ficar tranquila que mudança e movimento fazem parte da minha vida e eu aceito.

Cada comentarista é ÚNICA e nenhuma substitui a outra. Cada uma tem o seu "que" e você é a única que vem dourando até no nome. ;)

Que bom que Irina comentou e Samira te ajudou a mudar ;). Repetindo, eu acho!

A história de você, Cris Laninha e eu não é bem essa que você colocou mas deixe quieto. kkk E caindo na sua pilha, já que você caiu na minha, ingratidão sobre neste mundo virtual fake e não fujo à regra! kkk

Ei, seus comentários sobre os ciúmes de Samira não são para mim porque não sou eu a desconfiada aqui. Ela é que fica sempre lendo nas entrelinhas dos trem. Mas deixa quieto também. E não tem esse povo que fica dando em cima, não. É só a interpretação samiresca; na minha não!

Beijos!!!!! Fique com Deus e volte sempre que quiser e puder!

Sol

Responder

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Zaha
Zaha

Em: 16/04/2020

 

Oie Solzinho de luz,

Nao quero botar desculpas nisso, sofro do mesmo jeito sem isso, mas a falta de esportes prejudica um pouco e outros dilemas..mas valeu por pedir por mim!

"Mudanca e Movimento! Vc colocou no fim de Maya e tb tem no seu perfil, frase q vc gosta mt! Mas isso n serve pra todos nós?!Mas acho que vc quis dizer que tem mt impacto na sua vida!!

Vc é sempre gentil, n tem jeito,somos únicos nao, seres individuais..dourar é o q menos faco nesse convid, dificuldade em me conectar,mas sabe que faco meu melhor, ao menos vou pratear kkkk

 

Vou deixar nada quieto, quero que me conte direitinho essa estória..nada de fugir , Dona Jasin Solitudine!! Tá na hora de ficar!! Eu n caí na sua pilha, sabia exatamente onde estava me metendo...

 

"Ingratidão sobre neste mundo virtual fake e não fujo à regra! kkk" Sua cara nem arde, né, Sadikii!! kkkkk. Mas adoro pessoas que mostram seus defeitos.. ganhou ponto!! Mas, EU NAO tô dentro desse grupo, viu,fi??!!Fique ligada!!N dê mandadas por aqui!! Se n puxo suas orelhas!!

Nao sei que entre linhas rola aqui...ela n tá entendendo a essência da nossa amizade?!Se adoro deixar td quieto, achei que gostava de mover... oxente, ela encasquetou comigo! Pois darei uma dica pra ela: As que menos sao carinhosas, essas sao as perigosas, ela n ficam falando sempre, mas jogam duplo sentido, tb tem as atiradas. Eu que sou chiclete mesmo ,mas é minha personalidade! :). Eu nem tava qndo houve certo " calor!  Aliás, vc fala coisas engracadas, Sadikii....toda polida no face....tem q manter a fama, né?!

 "nao minha não!!" Acho bom que n tenha sido coisa sua!!!Vai ficar c orelha de duende...

Beijos, sadikii!!!!! Fique com Deus e voltarei sempre que quiser, vc já disse, n vai poder reclamar, mas se fizer faca c gentileza pq sou sensível! Hahaha

Lailinha

PS: Era pra ter mandado antes do outro, deixei escrito e esqueci...kkkkk


Resposta do autor:

 Oi, Lailinha!

    Sim, minha vida é cheia de mudança e movimento. Acho que a de todos nós. É que às vezes as pessoas não percebem isso.

    Eu sei que você não é ingrata. Fique tranquila.

    Samira está dizendo aqui que confia em você.
    
    "Sadikii....toda polida no face....tem q manter a fama, né?!" Fama de que? Só tenho a de caipira, uai! kkk

    Jamais reclamarei pois não há de que.

    Beijos!!!!
 
       Sol

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Zaha
Zaha

Em: 18/04/2020

Sim, minha vida é cheia de mudança e movimento. Acho que a de todos nós. É que às vezes as pessoas não percebem isso. (Quem foi que disse desaforo pra vc no face?!!)

    
Samira está dizendo aqui que confia em você.(Gracas a Deus, subi de nível! kkkk. 
    
    "Sadikii....toda polida no face....tem q manter a fama, né?!" Fama de que? Só tenho a de caipira, uai! kkk( Tem nada, toda séria, sumiu a caipira  desde voltou :(....)

   

    Beijos too!!!!
 


Resposta do autor:

Ninguém me disse desaforo, Lailinha. Samira é que usando meu perfil gerou um calor com algumas pessoas. Mas comigo mesma, graças a Deus, nada aconteceu.

Sim, você subiu de nível com ela! rs

Eu tenho fama de toda séria no LivrodasFuça?? Então estão todas muito enganadas! kkkkkkkkkk

 

Beijos Lailinha!

Sol

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Jamilinha
Jamilinha

Em: 24/08/2021

Habibinhaaa tem alguém na sacanagem aqui te boicotando. Tinha 179 comentários e passou para 178. Quem é que tá fazendo isso? Você tinha que ver é resolver isso 


Resposta do autor:

Não se incomode com isso. São pequenas bobagens. 

Beijos,

Sol

Responder

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Jamilinha
Jamilinha

Em: 13/08/2021

Amore cadê tuas amigas que não comentam???


Resposta do autor:

Acalma essa ansiedade,  habibit!

Responder

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Jamilinha
Jamilinha

Em: 07/07/2021

Habibinhaaa! Acertei tudo aqui e revisei tudo também porque tinha uns errinhos bobos. Embora eu tenha meus parangolés vou fazer o mesmo no EBT huahuahuahua 

Beijos e reclama não gotosa!


Resposta do autor:

Ai, ai, ai... por que será que isso não me cheira bem?

Responder

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Jamilinha
Jamilinha

Em: 01/07/2021

Amoreeee! Tava aqui cuidando quando sumiu do nada um comentário de SEM dia desses aconteceu igual em EBT. Não tô entendendo que é isso mas tô recompondo. Volta logo pra cá 


Resposta do autor:

Já falei sobre a semeadura, não foi? Cuidado com suas palavras. 

Não precisa recompor, por favor. 

Beijos,

Sol

Responder

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Jamilinha
Jamilinha

Em: 07/06/2021

Amore tô cuidando de suas coisas e tenho entrado também na tua conta. Bjussss


Resposta do autor:

Cuidando, como assim?? 

Responder

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Jamilinha
Jamilinha

Em: 21/05/2021

Eu amo essa história! Se pudesse voltar no tempo...


Resposta do autor:

Também queria ardentemente voltar, mas "tempo e vento que passam não voltam jamais".

Beijos,

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 25/04/2020

Exatamente, dá pra fazer uma lista de músicas que todo mundo gosta e ninguém assume!! Kkkkk 


Resposta do autor:

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Em: 18/04/2020

Sim, minha vida é cheia de mudança e movimento. Acho que a de todos nós. É que às vezes as pessoas não percebem isso. (Quem foi que disse desaforo pra vc no face?!!)

    
Samira está dizendo aqui que confia em você.(Gracas a Deus, subi de nível! kkkk. 
    
    "Sadikii....toda polida no face....tem q manter a fama, né?!" Fama de que? Só tenho a de caipira, uai! kkk( Tem nada, toda séria, sumiu a caipira  desde voltou :(....)

   

    Beijos too!!!!
 


Resposta do autor:

Ninguém me disse desaforo, Lailinha. Samira é que usando meu perfil gerou um calor com algumas pessoas. Mas comigo mesma, graças a Deus, nada aconteceu.

Sim, você subiu de nível com ela! rs

Eu tenho fama de toda séria no LivrodasFuça?? Então estão todas muito enganadas! kkkkkkkkkk

 

Beijos Lailinha!

Sol

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Em: 16/04/2020

 

Oie Solzinho de luz,

Nao quero botar desculpas nisso, sofro do mesmo jeito sem isso, mas a falta de esportes prejudica um pouco e outros dilemas..mas valeu por pedir por mim!

"Mudanca e Movimento! Vc colocou no fim de Maya e tb tem no seu perfil, frase q vc gosta mt! Mas isso n serve pra todos nós?!Mas acho que vc quis dizer que tem mt impacto na sua vida!!

Vc é sempre gentil, n tem jeito,somos únicos nao, seres individuais..dourar é o q menos faco nesse convid, dificuldade em me conectar,mas sabe que faco meu melhor, ao menos vou pratear kkkk

 

Vou deixar nada quieto, quero que me conte direitinho essa estória..nada de fugir , Dona Jasin Solitudine!! Tá na hora de ficar!! Eu n caí na sua pilha, sabia exatamente onde estava me metendo...

 

"Ingratidão sobre neste mundo virtual fake e não fujo à regra! kkk" Sua cara nem arde, né, Sadikii!! kkkkk. Mas adoro pessoas que mostram seus defeitos.. ganhou ponto!! Mas, EU NAO tô dentro desse grupo, viu,fi??!!Fique ligada!!N dê mandadas por aqui!! Se n puxo suas orelhas!!

Nao sei que entre linhas rola aqui...ela n tá entendendo a essência da nossa amizade?!Se adoro deixar td quieto, achei que gostava de mover... oxente, ela encasquetou comigo! Pois darei uma dica pra ela: As que menos sao carinhosas, essas sao as perigosas, ela n ficam falando sempre, mas jogam duplo sentido, tb tem as atiradas. Eu que sou chiclete mesmo ,mas é minha personalidade! :). Eu nem tava qndo houve certo " calor!  Aliás, vc fala coisas engracadas, Sadikii....toda polida no face....tem q manter a fama, né?!

 "nao minha não!!" Acho bom que n tenha sido coisa sua!!!Vai ficar c orelha de duende...

Beijos, sadikii!!!!! Fique com Deus e voltarei sempre que quiser, vc já disse, n vai poder reclamar, mas se fizer faca c gentileza pq sou sensível! Hahaha

Lailinha

PS: Era pra ter mandado antes do outro, deixei escrito e esqueci...kkkkk


Resposta do autor:

 Oi, Lailinha!

    Sim, minha vida é cheia de mudança e movimento. Acho que a de todos nós. É que às vezes as pessoas não percebem isso.

    Eu sei que você não é ingrata. Fique tranquila.

    Samira está dizendo aqui que confia em você.
    
    "Sadikii....toda polida no face....tem q manter a fama, né?!" Fama de que? Só tenho a de caipira, uai! kkk

    Jamais reclamarei pois não há de que.

    Beijos!!!!
 
       Sol

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Em: 15/04/2020

Oie pessoinha!!

Meu retorno nao é definitivo, sinto muito, mas tenho sofrido crises de ansiedades, dessa vez n sao tds dias,nem o dia todo,inclusive, agorinha tive consulta online con o psiquiatra. Eu sempre tô aqui, vc sabe, nao é falta de consideracao, mas eu normalmente penso no outro sempre e nunca em mim,assim que necessito de espaco entre um capítulo e outro. No é egoísmo tá...

Faltam dois capítulos e vi por aí que tem gente que escreve mt bem, analises incríveis, n te fará falta as minhas..Gia a ângolana,analisa magicamente! ;)Mas eu gosto de dar uma satisfacao, sou assim! :)

Que bom que Irina comentou e Samira te ajudou a mudar ;). Repetindo, eu acho!

Vc disse que achava e agora tem certeza que foi Cris kkk.Cadê minha amiga científica?!! Eu acho que vc entrou de curios/,gaiata no comentário pq ela falava mt de mim..kkkkkkkk.(vc disse pra eu n ser séria rs)Queria saber quem eu era, aí viu que era tapada e pronto, ficou tranquila no seus ciúmes!! uahuahuahauhauh

N lembrava mt e nao gosto de afirmar o que n tenho certeza!!

Ela some, nao te retorno, sério, amiga?!! Mas vc n sumiu, n retornava tb? Por isso concluímos que vc é uma ingrata tb? Acho que nao é por aí, você teve seus motivos,ela, os dela, ela tá ocupada, cuidando dos pais.No entra no face e e-mails há tempos. Já te passei o tel dela, vc oculta seu id no tel fixo e ela n saberá de onde é. Tb tem problema em escutar sua voz? Vai dizer de onde vc é?!Nao tô brigando viu, nem te dando carao, só te fazendo refletir. Amo as duas e quero que estejam bem! Já falei com ela, quando puder aparecerá! :). Sei que adora fazer piada epraencubir seus sentimentos, comigo n rola, viu, fi?!!!

Ainda bem que Samira entendeu ue meu carinho é FRATERNO E SEMPRE SERÁ, nunca entendi e ou dei parecer o contrário!!Duas lésbicas podem ser amigas, mas entendo que desde as experiências dela, isso é aceitável, eu sei o que sinto e isso que importa!!Sei do meu caráter e valores e me sentiria mta culpada se fosse o contrário, sou fiel, leal e respeito minha esposa, assim como tb vcs duas, se fosse diferente, teria te informado e resolveríamos de forma adulta...vc tem mt que aprender sobre mim, amiga e espero que ao longo dos próximos anos o faca! :)

Deculpe, tive q falar pq me deixou um pouco mal os ciúmes dela..povo fica dando em cima de vc, mas só q eu sou carinhosa, n quer dizer nada! Meu sentimentos sao nobres, puros e bonitos e nunca teve nada além disso..deculpe gerar conflitos entre vcs! Nem sequer te chamei no chat pq n queria q ela ficasse mal, sei q ela é ciumenta, mas deve sofrer com essas insegurancas..enfim!

Espero que vcs fiquem bem e que ela tenha certeza e sem mais dúvidas. Qualquer coisa q ela venha falar comigo, tranquila, sem problemas! :)

Um beijo respeitosos! Abracos pra Samira tb!

Cuidem-se

Beijos


Resposta do autor:

Olá Lailinha!

Estes tempos de clausura e de tantas inconsistências na política mundial contribuem mesmo para gerar ansiedade. Tenho orado para você recuperar o seu bem estar e sei que vai. No seu momento certo. Além do mais, nada é definitivo, pode ficar tranquila que mudança e movimento fazem parte da minha vida e eu aceito.

Cada comentarista é ÚNICA e nenhuma substitui a outra. Cada uma tem o seu "que" e você é a única que vem dourando até no nome. ;)

Que bom que Irina comentou e Samira te ajudou a mudar ;). Repetindo, eu acho!

A história de você, Cris Laninha e eu não é bem essa que você colocou mas deixe quieto. kkk E caindo na sua pilha, já que você caiu na minha, ingratidão sobre neste mundo virtual fake e não fujo à regra! kkk

Ei, seus comentários sobre os ciúmes de Samira não são para mim porque não sou eu a desconfiada aqui. Ela é que fica sempre lendo nas entrelinhas dos trem. Mas deixa quieto também. E não tem esse povo que fica dando em cima, não. É só a interpretação samiresca; na minha não!

Beijos!!!!! Fique com Deus e volte sempre que quiser e puder!

Sol

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Em: 13/04/2020

Oieeee,Sadikii!!

Tanto se nota minha melhora?! rs. Tb quero minha amiga  de volta com as caipiragens dela!! ;)

Eu nao sei quem é sua amiga Irina, mas td bem, se ela ajudou, isso que importa!! Uhu

N sei se já viu a surpresa que deixei.... n necessita sentir mais saudades! Se dourei, já é outra coisa!Eu ia te aterrorizar, mulher, com as decisoes em Maya!! rs

 

Vixi, n lembro bem como nos conhecemos, mas as 3 estávamos comentando numa publicacao. Mas se vc diz que nos apresentou,aí, entao certamente deve ser! O que sei é que eu te aterrorizava,pirracava, n lembra?!! kkkk. 

 

Opa, posso ter a estória no formato que quero, vou imprimir, fazer capa, e fingir que Jasin Solitudine me fez um lindo autógrafo no livro! Falando sério, agora, a estória te pertence sim, moralmente é assim,isso que importa, ainda que vc tenha dada ao mundo num ato de verdadeira caridade!! Porém, guardaremos até que vc necessite!! Oxente, caipira louca, como n tem mais?!!! Tem que ter pra mostrar pros seus sobrinhos-netos. Ninguém sabe o q nos espera o futuro!

Eu vou é pegar essa estória do convid tb!

Claro que TAO é minha preferida!!! Como vc me faz essa pergunta?!! TAO é minha musa do verao!!2021, nos vemos por aqui !!!!

 

Em História da História contei como foi. É meio inexplicável.(E xei, eu li rsrs). Nada é inexplicável, que nao tenhamos conhecimento é outra coisa..;)

 

Sempre terá meu apoio, carinho!!

"Não há problemas, fiquei tranquila. Nunca tive problema com você. Continue como é, nada de seriedade."(Obrigada!)

 

Com todo respeito (não é cantada) eu tb amo você, minha grande amiga!;)

PS:Samira, nada de pensar besteira aqui! Faco suas as minhas palavras! :)

Se cuide sempre, beijos na testa

Laila


Resposta do autor:

Amiguinha!

Fiquei feliz com seu retorno!

Irina é uma leitora que em um dos comentários aqui pediu capítulos menores. Aí Samira leu e não me deu mais sossego depois disso! rs

Sim, foi Cris Laninha que nos fez amigas. E agora ela some, não me retorna e nem vem aqui. É uma ingrata! kkk

Samira já teve uma conversa comigo e está convencida de que nossos sentimentos são fraternos! Sabemos todas que são.

Fiquei com Deus e obrigada!

Beijos,

Sol

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Gabi2020
Gabi2020

Em: 12/04/2020

Olá Sol tudo bem?

 

Olha minha história querida!! Estou matando as saudades dessas personagens tão queridas!

 

A história da Juliana é trágica? É... Mas tem uns lances engraçados, impossível não rir.

Sayyed é uma fofa!!

 

Vou reler essa obra prima !

 

Beijos queridas!

 


Resposta do autor:

Amiga!!!!!!!!!!

Estou aqui dividindo os capítulos atendendo a pedidos.

Você vai reler? Então me faz um favor, por gentileza? Diga se cometi alguma caipirice nessa de dividir capítulo? Vai que comi alguma parte? Estou prestando atenção, mas... não custa, né?

Eu lembro que você gostava da Juliana e lembro da sua torcida dentro do que cabia à Seyyed.

 

Beijos e obrigada por tudo!

Sol

Responder

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Irina
Irina

Em: 05/04/2020

Kotinha....

Eu me pus a ler savoreando. E assim farei nos demais. Estou a amar as personas tão diferentes e tão reais em seus dissabores, dilemas e alegrias. Mudanças na vida de todas. Como tens inventividade dentro da realidade! Amando!


Resposta do autor:

Bom dia,

Obrigada por isso! Sim, a temporada Mudanças mostra isso, como as coisas foram mudando nas vidas de cada uma delas.

Continue lendo e comentando, por favor.

Beijos!

Sol

Responder

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Irina
Irina

Em: 03/04/2020

Comecei a ler e ainda estou a saborear este capítulo maior que muitos contos per si.  Apaixonante!

Parei apenas para comentar lá e cá. Decerto que neste conto o número de personas a acompanhar é maior... DELÍCIA!!! risos


Resposta do autor:

Olá Irina,

 

Maya é uma história enorme. Era a maior do abcLés e me disseram que é a maior deste. Na verdade é um tipo de seriado e por isso tem muitas personagens.

Espero que goste.

Beijos e obrigada!

Sol

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Em: 17/03/2020

Como diz JUNG, coincidências nao existem, sincronicidade!! Porraaaaa, broquei!Sinta o ânimo da mulher!!kkkk

Me pergunto qual progresso, amadurecimento e evolucao é essa?Talvez vc n abriu bem o pacote, ainda que sempre estamos evoluindo...concordo com vc!!!Só pq sou de fazer piada. A internet impede que conhecamos  a pessoa, criamos uma imagem delas que nao sao , só conversando podemos conhecê-las um pouco mais!Prove isso!:)

Entao, como essa parte dos vídeos sao provérbios, poderia tá em árabe egípcio, mas ele ensina o libanês nas aulas no youtube...

 

Necessito um livro pra ter as conjugacoes, fica mais fácil eu criar frases...

Vem cá, vc aprendeu árabe de crianca, te falavam em árabe ou foi dps?Se é q pode falar....

Estou em repouso, Sadikii!!

Beijos no coração,

Beijos carinhoso!


Resposta do autor:

Boa tarde, querida!

Estou vendo, já começou atacando de Jung! Coisas de psicóloga!

 

Árabe é difícil de aprender. Tenha paciência. O árabe libanês seria melhor para você. Existem vários vídeos na internet com professores de verdade.

Beijos!

Sol

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Em: 16/03/2020

Sadikii, Como estamos nessa semana?

Eu só responderei alguns comentários,prometo!Nao quero que pense que sou mal educada! Farei com um intervalo de 2 semanas ou mais, os mais importantes, devem ser uns 5 dos 18 que enviou, porém esse será o único grande. Nao precisa responder esse, é pra te dar ânimo, apesar que você já sabe isso tudo!:)
Que comentários tao carinhosos, muito obrigada! Fiquei tao feliz, a verdade que tava meio triste e insegura e seus comentários tao bonitos me fizeram emocionar, os senti tao sinceros....sempre fico achando que só tá sendo gentil comigo..
O momento no mundo tá complicado,estamos passando por uma transformacao moral,temos que pensar no outro, estarmos juntos pq só assim mudaremos. Temos que mudar a qualidade de nossos pensamentos!!
Vigia seus pensamentos,Sadikii,eles determinam nossas vidas. foca no trabalho, ocupa sua mente com coisas produtivas, no que te faz bem, busca dentro de vc onde vem o desânimo para poder trabalhar desde aí, dizem que nossos sentimentos sao como bússolas e através deles podemos saber o que devemos mudar de acordo com a situacao presente.  As situcacoes externas nao podem mudar,mas nós, espíritos em tranformacoes, sim que podemos e aí atraímos novas situacoes. Ânimo, sadikki,seja forte e nao seja orgulhosa, peca ajuda se necessitar, n tem que passar por tudo sozinha! Quero ver, sadikii bem, contando piada,falando com tanto entusiamo das questoes sociais ou das coisas novas que você agora gosta...você disse que mudou muito, pois entao melhora pq quero conhecer essa nova..kkkkkkkk
Saiba que vc é uma amiga muito especial para mim! 
Tudo vai ficar bem poque tudo passa, estamos aqui para aprender e nos educar e claro que nao seria fácil, cada um tem sua natureza evolutiva e também temos que aceitar que temos um limite, podemos melhorar até onde nosso progesso permite, sem frustracoes, mas nosso livre arbítrio ajuda em como será nosso futuro!
Aproveita esse momento, de quarentena, devido ao corona, ou ao menos, menos trabalho, para colocar suas coisas em dia. Você disse que necessitaria que o dia tivesse 72 horas,é algo horrível, mas bem, ao menos desenrola um pouco...aproveita esse tempo!
Obrar sempre com o bem...acho que estaria certo esse provérbio árabe:
"Kun ma3 al haq u lau kunt uahdak"
 Quando vc n tá enrolada, Sadikki?!  Eu tô no note e o teclado é em espanhol, nao tem til,cedilha, nao sei o código para colocar..rs e tô com preguica de buscar no google e copiar e colar, sendo sincera!! rs
PS: Fiz um poeminha pra vc nessa semana, bem peba, mas n vou mostrar esse tao cedo, é mais bem frases sem sentido, uma análise peba da sua pessoa.Tem um que fiz há mt tempo e tá aqui no lettera, quando vc favorita o escritor e escreve sobre ele..te digo que vc iria rir muito!!  P Publique seus poemas, assim vc reconquista as veias e conquista as novas leitoras!:). Poderia fazer: Poemas da Zinara!!
Te desejo o mais bonito,te mando muita luz, serenidade, um abraco bem apertado e um beijo no seu coracao! Que Deus sempre esteja presente nos seus pensamentos, pense no seu guia sempre que necessitar, ele tá aí esperando seu chamado!
Resposta do autor:

Boa noite, queridíssima!

Desta vez responderei quase em tempo real; aconteceu uma sincronicidade.

Você sempre acha que te respondo no intuito de ser gentil. Claro que busco ser gentil com as pessoas mas sempre com muita sinceridade. Tudo que já te escrevi, em todas as épocas, foi muito sincero. Fico muito feliz em ver o seu progresso, amadurecimento e evolução sob todos os aspectos. Além de gostar muito de seu carinho com meus contos.

Esta transliteração que você apresenta é do árabe egípcio? Fiquei na dúvida por causa do uahdak ao invés de wahdak. Mas as transliterações são sempre complicadinhas.

Também te desejo tudo de bom e que aproveitemos este período ruim para desacelerar e refletir.

Beijos na testa e bençãos no coração,

Sol

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Anamel
Anamel

Em: 17/02/2018

Amei tudo voce e uma otima autora parabens.


Resposta do autor:

Obrigada!!!!!!!! Beijos!

Responder

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Anamel
Anamel

Em: 17/02/2018

Ai que bom que se encontraram uff to apaixpnada como pode hahaha <3 <3


Resposta do autor:

Você se envolveu com a história?  Que ótimo!!

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Anamel
Anamel

Em: 15/02/2018

OH LOUCO VIU FI!DOU CONTA NAO CHEGA DOI! MULHERADA DOIDA E CONFUSA KKK


Resposta do autor:

Imagine a autora! kkkk

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Anamel
Anamel

Em: 12/02/2018

Fim de temporada meu Deus to amando essa estoria a suzana e a juliana to amando esse casal <3 ah Ed e tao cabecuda acho estranho ela com a isa apesar de ser bonito de ver mas e estranho rsrs to amando <3 HAHAHA 

 


Resposta do autor:

Na época em que estava escrevendo, havia uma grande divisão entre as leitoras: umas amavam Seyyed e Isabela. Outras, Seyyed e Camile. Mas todas eram por Suzana e Juliana. Que bom que você gostou delas.

Pergunta de caipira: o que quer dizer com "cabeçuda "?

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Gagia
Gagia

Em: 05/02/2018

Oh, estou eu aqui a pensar o que te escrever após a odisseia de ler teu conto ou série como preferiste chamar e nem sei por onde esta gágia deve começar. Leio histórias lésbicas há tempos outros e nunca nunca me adentrei nos sítios a comentar mas por ti não pude passar distante e criei este perfil somente para escrever a Solitudine. E que autora!

Eu já li inúmeras autoras, maravilhosas, envolventes, poderosas, cheias de garbo mas como tu ainda não vi. Como tu escreves ainda não há. Tu me lembraste até de Raul Seixas que diz ter nascido há dez mil anos atrás, porque não há nada que tu não saibas demais. Parece que viveste cada experiência de tuas personagens, dados os detalhes que nos põe a ler. Parece que tu choraste cada lágrima, riste cada sorriso e sonhasse cada sonho delas. E assim tu nos leva neste mundo de ilusão, e será mesmo um mundo de Maya?, e nós nos pomos a rir e chorar e sonhar e emocionar. Quando queres nos excita, em seguida nos fazer chorar e depois nos divertes. Incrível, não saberia dizer de outra maneira.

Queria dizer tudo que me marcou neste conto mas não sei. É mui rico e me perco só de pensar. Tua inteligência aguçada e cultura incomum não passam despercebidas no conto. Solitudine, atrevo-me a quem sabe ferir as outras divas, mas és a melhor, a maior e a mais completa. Sabes qual é teu único problema? Nasceste no momento errado. És autora para poucas porque nem todas podem te compreender. Vivemos na era das frivolidades, das vontades impulsivas, da preguiça mental e da apatia. Tua escrita é rica, densa, culta e viva demais para estes tempos. Oxalá daqui a alguns anos, mais pessoas poderão te entender e dar-te o valor que por agora não recebes. Mas algo posso te dizer: das que te encontraram, és rainha. Lerei teu outro conto e ao final tenho certeza que me forçarás, sem querer, a voltar e comentar. Escreverei mais nesta feita. Não te aborreças. E respondas quando puder.

Gágia no Ar


Resposta do autor:

Olá Gagia, 

Você é de Angola? Escreve como minhas amigas de lá, com este português riquíssimo. 

 

Não sei o que dizer quanto aos inúmeros elogios que me deste, mas posso te afirmar que as bochechas queimaram e fiquei muito orgulhosa. Agradeço por sua gentileza extrema, especialmente por não ter o hábito de vir nos sites para comentar.

Um dia desses me bateu uma saudade muito grande da "Solitudine", não sei se me faço clara. Então reli esta história toda e lembrei da época em que a escrevi e mais os fatos que vocês não sabem. Tenho muito orgulho em ter entregue Sob o Encanto de Maya para vocês. Especialmente por causa das pessoas que conheci no processo.

Suas palavras me lembraram uma amiga que sempre lamenta dizendo que Maya é um "tesouro não valorizado" e que adoraria ver a história "virando uma série na televisão", mas sinceramente é o que sempre digo: não foram muitas a ler, não sei arrebatar muitas leitoras, mas quem leu me diz coisas lindas e marcantes. Isso me basta!

Obrigada!

 

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Anamel
Anamel

Em: 03/02/2018

Essa  estoria e muito boa uma hora voce chora outra ja ta dando risada muito bom parabens


Resposta do autor:

Obrigada querida. Se você pensa assim, fico feliz. 

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Sem cadastro
Sem cadastro

Em: 11/01/2018

Oie minha querida,

Desculpa, mas tive que vim agradecê-la por seu comentário. Obrigada pelas palavras, me sinto linsojeada, ainda que insista com isso de psicóloga, eu quisera que fosse assim. Me encantaria mirarme con tus ojos....

Quem nao pensa em fazer sucesso sao as que mais fazem, sua simplicidade e humildade sao as qualidades que mais gosto em vc...nunca perca isso!!

Sadiki, se eu tivesse aqui enquanto vc escrevia Maya, poderia te convencer, que lá no fundo, reprimido, nos recônditos da sua alma, o que vc queria era Ed sem Isa. Sou muito persuasiva!! rs

Quanto a Jasin Solitudine, estava pensando pq vc botou esse nome, aí bolei uma hipótesis, mas dps de ler o primeiro capítulo, mudei. Achava  meio triste esse solitudine, mas aí as pessoas te apelidaram de Sol e tem mais a ver com vc, Sol é vida, é luz e acho que vc é luz na vida de muitas pessoas, tanto" na sua realidade" como nessa paralela aqui, a nossa. 

Sem neura, quanto a sua vida de heavy mental. Sua profissao requer mt estudo e traz grandes conhecimentos pra humanidade e isso significa progresso...kkk. Tem que viver sua vida tb, tem suas coisas...

Fique com Deus, que ele abençoe e te banhe com sua luz de amor e possa acalmar essa fase turbulenta.

Beijo no seu coraçao e um abraço na sua alma.


Resposta do autor:

Desculpe por eu demorar tanto a escrever, respondendo às belas e carinhosas mensagens que vocês me dedicam. Especialmente no caso de uma amiga como você. Eu estou realmente muito enrolada. Hoje em dia queria até me aposentar, mas não posso. Falta tempo de atuação e idade. Estou batalhando para que também  não falte o ânimo para trabalhar nestes tempos tão difíceis, de tantas agressões, perseguições, cortes de verba e colegas partindo. Porém, sei que tudo isso vai passar.

Espero que esteja bem. E desejo realmente que você continue evoluindo como percebo, pois muito me alegra ver o quanto você cresce com o passar do tempo. 

Beijo na testa, abraço apertado e paz de Cristo no coração.

Sol

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Solitudine
Solitudine Autora da história

Em: 08/01/2018

Boa tarde,

Escrevo para dizer que agora demorarei para voltar aqui. Portanto, quaisquer comentários que surjam demorarão a serem respondidos. Não por falta de consideração minha ou desfeita e sim por falta de tempo.

Tenho vergonha de ter feito mau uso da palavra em determinadas ocasiões da minha vida, mas, certamente, escrever Maya é algo do qual me orgulho. Não por megalomania mas por todos os retornos positivos e histórias de pessoas que mudaram coisas em sua vida ou maneira de pensar em função de terem lido o conto. Começou com o abcLes, seguiu pelo Lesword e agora por aqui. Já recebi alguns emails muito belos.

Todos sabem que Solitudine é um perfil fake pois não desejo me mostrar. Não comecei a escrever pensando em sucesso ou em me tornar destaque neste tipo de literatura, mas pelas razões as quais descrevi em A história da história. Seja como for, os sentimentos sempre foram, como sempre serão verdadeiros.

Fiquem com Deus e grande beijo. Luz em seus caminhos e Paz no coração de cada uma aqui.

Beijos!

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Sem cadastro
Sem cadastro

Em: 31/12/2017

Não acredito, vc postou Maya por aqui!! Muito feliz, não tem idéia!!!!!!!

Vou ler Mayaaa de novo e terminar o 7, presente mais que merecido!!!!!!

Saudades de Maya, tão...de vc!

Seja bem- vinda por aqui!!! Vai fazer sucesso!!!!

Beijos


Resposta do autor:

Você pediu mais de uma vez para eu postar aqui. Outras pessoas escreveram pedindo também. Obedeci. A caipira é bem mandada. kkkk

Saudades também, amiga. Mas não posso conversar por agora e por um bom tempo não poderei.

Sucesso nunca fiz, não sou autora que saiba conquistar tantas leitoras assim, mas as que leem viram amigas, refletem, discutem, trocam ideias. Isso é o que me satisfaz.

Beijos

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Cristina
Cristina

Em: 31/12/2017

Que surpresa mais que agradável ver meu  conto favorito sendo postado!

 Sol seja bem vinda!                                                                                                                                          Espero que todas as leitoras captem um pouquinho de seus ensinamentos!

 Obrigada,  mais uma vez!!

 Este conto e lindo!!!!

 Bjos!


Resposta do autor:

Olá amiguinha!!!!!!!

Eu sei que você gosta muito de Maya. Tenho orgulho deste conto e fico feliz com esse carinho.

Mas vou demorar a vir e responder com pouca frequência.

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patty-321
patty-321

Em: 31/12/2017

Que maravilha Sol, vc voltou a postar. Maravilha!!!


Resposta do autor:

Olá querida!!! Como vão as coisas? Faz tempo...

Passarei muito raramente aqui e demorarei a responder comentários.

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