Capítulo 4
-Bom dia Dama de Preto
Minha irmã me lançou um olhar tão serio que pensei que ela pararia de falar comigo de vez, coloquei a bandeja em sua cama beijando-o sua testa.
-Então como vai a experiência ?
Me sentei na cama de frente pra mesma que pegou apenas a xícara de café e tomou um pouco antes de começar a soltar as bombas.
-Demita-a
-Como eu não escutei ?
-Demita-a
-A maninha eu sinto muito mais ela veio pra ficar, estar muito caro pra ficar contratando cuidadores e ela me parece ser uma moça adorável e inteligente. chegou muitas coisas na loja uns vasos ater sanais muito bonitos a cliente-la estar adorando, mas não e a mesma coisa sem você disse quase chorando a última frase.
Eu não queria saber da minha irmã nem dessa catadora muito menos da loja, eu só queria que todos sumissem já que me impediram tanto de morrer.
-Não vai tomar café da manhã ?
-Assim acabará ficando doente Tereza suspirou pesadamente veio em minha direção retirando a bandeja e puxando o meu lençol, tentei impedir em vão.
-Vai tomar banho vem vamos Tereza senta na cadeira, há não vai.
Minha irmã me pegou por trás me tirando da cama ainda deitada me colocando na cadeira de rodas, e me levando pro banheiro me colocando em outra cadeira.
-Se quer ser tratada como uma velha decrépita será tratada.
Ela falava em meio aos choros ligou o chuveiro na água morna e começou me dando banho a sua moda, se eu era um peso por que não me deixavam partir ou definhar naquela cama.
-Eu Te amo muito Tereza e é por esse motivo que eu não vou despedir a mocinha.
Seus choros cessaram junto com o meu banho que foi rápido e higiênico, ela secava meus cabelos e com outra toalha o meu corpo me vestiu um moletom e um blusão e chinelos.
-DONA MARIA CHEGUEI
gritei entrando em casa encontrei a senhorinha catando feijão na mesa da cozinha, me aproximei dando-lhe um beijo e me sentando de frente pra mesma.
-Como foi no trabalho ?
-Bem, mas não vou poder ficar muito tempo vim por três motivos sorri pra senhora que catava o feijão um por um.
-Qual sorriu.
-Um pra lhe ver dois pra perguntar a onde estava àquela caixa vermelha que eu precisaria dela e três estendi o dinheiro que Lucia tinha me dado em cima da mesa.
-Vou ter mais no fim do mês esses são pras despejas daqui.
-Guarde isso sim
Se levantou indo até a pia pra lavar o feijão eu sabia que ela era teimosa, mais eu morava em sua casa não podia gastar sem colocar no lugar.
-Que isso aceite por favor
Ela se negou em aceitar disse que se eu deixasse em cima da mesa ele iria ficar la, e continuou a lavar o feijão não voltando a tocar no assunto.
Peguei uma água na geladeira despejando no copo e bebendo lendo o que tinha na lista pra comprar, era muita coisa desde remédios a sacolão e ela nem come muito.
-Como é essa sua paciente ?
-Ela e legal, usa um robe preto longo até o pé seus cabelos são negros com uns fios brancos dando um charme e possui um olhar muito bonito, gosto quando ela trabalha a postura de não estar nem ai pro que eu falo.
-Menina estar achando que depressão e brincadeira ? Indagou dona Maria se sentando ao meu lado.
-Claro que não só vejo o lado bom dessa versão.
Ela balançou a cabeça não entendendo muito bem o que eu falava, continuei conversando com ela sobre outras coisas em meio às conversas fui pegar a caixa que eu tanto precisava.
-Espero que saiba a onde estar se metendo.
-Relaxa dona Maria eu dou conta dela direitinho, me despedi da mesma e fui rumo a farmácia e sacolão.
Os nomes dos remédios eram estranhos por sorte a atendente trouxe tudo certinho, depois fui pra feira comprar mamão laranja couve mostarda e o básico tomate cebola e pimentão aproveitei pra visitar meus amigos do asfalto, mas nem todos estavam em seu bom dia com pouco dinheiro e sem nenhuma expectativa.
Me despedi de todos com uma dor no peito e caminhei até seu prédio o porteiro me adorava gostava de me ver passar pra la e pra cá sorrindo, perguntou se Dona Tereza não havia ainda me mandado embora eu disse que isso estaria em seu bloquinho negro como primeira opção.
Me livrar da cantadora do Elefantinho
Ele ficou sem entender nada e eu peguei o elevador rindo claro cheia de pessoas esnobes de terninhos e mulheres com suas joias caras, eles não entendiam a minha presença ali, mas não demorou muito pra uma falar comigo.
-Fiquei sabendo que você cuida da moradora do apartamento 104
-Sim o nome dela e Tereza, mas acredito que você não sabia disso né.
Ela me pareceu ficar ofendida com meu retrucado, mas eu não ligava a maneira como ela falou foi grosseiro e frio.
-Nossa não sei como permitem a entrada de pessoas assim neste prédio, disse uma atrás de mim.
-E mesmo eles deixam uma pé rapada como eu entrar, mas tendo educação, agora como a senhora que se veste com essa pele de cobra e exalar veneno pela boca tem que pagar taxa extra que estranho não e mesmo.
O elevador abriu e sai deixando as senhoras e senhores embasbacados com o meu linguaja politicamente incorreto ou correto não sei, abri a porta dando de cara com a Dama de preto que estava literalmente sem o seu traje de gala.
-Demorei
Ela virou a cabeça olhando pra televisão que estava no canal de noticias, deixei as sacolas na cozinha e passei por ela segurando a caixa e seus remédios toquei na ponta do seu nariz a fazendo olhar pra mim essa era a nossa atual comunicação o olhar.
-Dona Lucia comprei tudinho da lista.
-Muito obrigada você e um amor
Ela estava limpando o quarto da irmã abriu as janelas pra entrar o sol trocava a roupa de cama, percebi que as coisas não estavam muito boas então me retirei deixando a caixa no chão num cantinho na sala e colocando seus remédios no armário, ela estava sentada numa cadeira de rodas achei estranho mais não quis atrapalhar o seu laser, na televisão só mortes tragédia.
-Que tal me fazer compania na cozinha ?
Virou o rosto pra ver melhor a televisão me fiz de desentendida enquanto a irmã passava por nos carregando a roupa suja.
-Sabe não sei como o IBAMA ainda não apareceu aqui neste prédio.
-Por que diz isso ?
Lucia surgiu na entrada me olhando curiosa eu tive que segurar o riso por me lembrar da cena do elevador.
-Há muitas cobras e corujas por aqui sabe.
voltei meus olhos pros dela fitando aquele olhar curioso e frio.
Posicionei-me atrás dela guiando a cadeira pra cozinha e falando - Sabe acho que precisamos nos conhecer melhor, eu sei que você não quer saber da minha vida que eu falo muitas bobagens, mas eu vou falar assim mesmo, posicionei sua cadeira de frente pra mim ao lado da geladeira que fica perto da pia assim podia conversar de boa com ela.
Comecei lavando o arroz e depois os legumes.
-Eu me chamo Sandra prazer, tenho 21 anos de vida muito bem vividos sei de tudo um pouco embora não tenha terminado o colégio, atualmente eu moro com uma senhora muito boa e gentil chamada Maria e não possuo família.
Comecei a cortar os legumes enquanto o arroz secava, eu falava e olhava pra mesma as vezes gesticulava com a faça e por incrível que pareça ela me olhava todas as vezes que fazia isso.
-Sou do signo de Áries então não queira ver a Leoa que vive em mim sorri, não bebo não fumo sou hiperativa isso já deu pra notar né e bom eu tenho medo de altura não sou alérgica a nada e minha comida favorita e escondidinho.
Comecei a fazer o arroz enquanto conversava coisas agora sem ser da minha vida, fiz um suco a servindo e a irmã quando deu meio dia o almoço estava pronto Lucia se serviu de arroz legumes e um fígado acebolado que eu fiz.
Eu podia sentir o desconforto da Dama de preto ao almoçar com a gente, mas em nenhum momento ela se retirou talvez acabasse gostando do meu papo tipo não tem outra coisa pra me distrair vai essa maluca mesmo.
-Estar uma delicia
-Obrigada eu aprendi com uma cozinheira que trabalhava num presídio.
-Cadeia, disse Tereza me fitando.
-Sim cadeia xilindró
-E esse tipo de gente que você trouxe pra cuidar de mim.
-Tereza!
-Não dona Lucia deixa, pelo menos assim ela exercita as cordas vocais já que eu falei como uma matraca hoje.
-Mais sandrinha ela estar.
-Se expressando, dizendo o que pensa olhei novamente pra Tereza com sua pose inabalável e disse.
-Eu não fiquei presa, mas pra salvar você eu fico toquei na pontinha do seu nariz e ela recuou.
Depois do almoço sua irmã teve que ir embora prometendo voltar a noite que eu possa descansar, mas eu não estava cansada estava super hiper elétrica.
Fui pro seu quarto deixando-o no ambiente que ela gosta liguei o ar condicionado e a trouxe colocando-a na cama, saindo com a cadeira e trazendo a caixa.
-Olha eu sei que você ama dar atenção pro seu cantinho especial, mas eu trouxe algo que talvez possamos fazer juntas que tal ?
Me sentei na cama colocando a bandeja em suas coxas abrindo a caixa encontrei muitas coisas interessantes, dentre eles domino cartas damas bolinha de gude e pega varetas
-Que tal damas ?
Deixei a caixa em cima da bandeja e ela vou longe parando até a porta isso tinha me assustado um pouco, então continuei a por as coisas em cima da bandeja o domino voou longe também as cartas foram juntas, as bolinhas de gude e bom jogar ao ar livre por ultimo só restou o pega varetas coloquei com cuidado em cima do balcão fechei os olhos e ele não tinha voado soltei um suspiro de leve aliviada.
-Bom tirei ele do recipiente ensinando como se jogava.
-Eu sei como se joga retrucou.
-Maravilha
Juntei todos em minhas mãos e os despejei na bandeja, infelizmente o preto estava em baixo de todos fui a primeira claro.
Verde muito fácil no inicio, esperei um pouco e ela tirou o vermelho aos poucos fomos tirando um por um no último era minha vez infelizmente eu tremi e perdi.
-Perdeu disse friamente.
-Oba maravilha comemorei feliz.
-Você perdeu, disse afirmando o que eu sabia.
-E Você venceu me inclinei tocando em seu rosto e olhando em seus olhos.
- Você venceu você consegui...
Fim do capítulo
Altos e baixos de uma relação entre a irmã e a Sandra com a sua lígua afiada e com o seu humor e cuidados nada conservadores
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Flavia Rocha
Em: 20/12/2017
Tô gostando da Malu, menina forte e esperta. Tô gostando da história.
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