Capítulo 61
Capítulo 61
Érika observava Luiza que tomava café e olhava através da janela. A loirinha estava se preparando para ir trabalhar. Bia e Victoria haviam saído cedo.
-- Luiza você precisa tentar dormir... - comentou.
-- Eu não consigo, Érika - sussurrou.
A loira aproximou-se da prima tocando levemente em seu ombro. Luiza a encarou.
-- Eu não sei exatamente o que você e a Rebecca estão passando, mas consigo imaginar o quando tá sendo difícil.
-- É horrível, Érika... Me sinto fraca.
A loira a abraçou apertado.
-- Normal você se sentir assim, mas nada de se deixar abater.
-- Acho que se eu não estivesse com a Rebecca as duas estariam a salvas.
-- Não é bem assim, Luiza - Érika falou se afastando - Você não pode se culpar.
-- Mas você sabe que é a verdade... A Daniela me odeia... Sempre me odiou.
-- A Daniela é uma lunática! Você não tem culpa de nada, entenda isso Luiza! Aquela mulher não tem escrúpulos se não fosse vocês, seria com toda a certeza outras pessoas.
-- Você tem razão - disse um pouco mais calma - A Carol apareceu?
-- Nada, a Victoria tá quase tendo uma síncope - olhou as horas - Preciso ir... A Bia teve que resolver algumas coisas na escola. Hoje não ficarei de plantão, portanto, umas sete estou por aqui. Luiza... Mantenha a calma e não faça nada, por favor - Érika falou carinhosa.
Luiza estranhou.
-- O que eu poderia fazer, Érika? Estou de mãos atadas.
-- Nada, Lu... É apenas modo de falar... Preciso ir - disse disfarçando.
Érika saiu rapidamente deixando uma Luiza pensativa. A médica foi ver como Rebecca estava. Passou algumas horas encarando a ruiva e acabou adormecendo.
*****
Jonas se assustou quando entrou na pequena sala onde ele e Carol trabalhavam.
-- Nossa, que susto!
-- Oi Jonas.
-- O que você faz aqui a essa hora? - disse sentando ao lado da baixinha.
-- Estou vendo algumas coisas - falou observando alguns papéis.
-- Ainda sobre a Daniela? - disse encarando os papéis.
-- Preciso! Ela sequestrou a Emily! Não me conformo! Como ela pode ter sumido sem deixar rastros? Sei lá, Jonas... Alguma coisa não se encaixa nessa história e eu preciso descobrir o que é!
O falso jornalista ficou nervoso.
-- Como você pode saber disso?
-- Sexto sentido de mulher - Carol encarou o jovem - Jonas... Tu tá péssimo, cara.
-- Olha quem fala né.
-- Sério... Tu não tem dormido não?
Jonas não conseguia dormir direito há dias, se sentia mal contudo que estava acontecendo.
-- São alguns problemas familiares.
-- Quer falar sobre?
-- Não, imagina... Você já tem seus problemas, não tem porque eu te encher com os meus.
-- Jonas, eu te escuto numa boa, cara... Você é camarada.
O jovem se sentiu mal com as palavras da baixinha e Levantou-se.
-- Você é uma garota muito legal, Carol.
-- Você também é legal, cara pálida!
-- Carol... Eu... Eu... - hesitou - Vou tomar um café, aceita? - mudou de assunto, quase fala tudo para a baixinha.
-- Não obrigada, vou continuar minha pesquisa.
-- Tá bom.
Jonas saiu, deixando Carol novamente sozinha. Quase contou toda a verdade para ela. Nem uma daquelas mulheres mereciam passar por tamanho sofrimento. Ele gostava da baixinha de verdade. Percebeu o quando a menina era verdadeira e alegre, era impossível não gostar dela. Sentia-se mal por enganá-la, mas tinha medo de Daniela, não poderia dar para trás ou a morena acabaria com ele e com sua mãe. Jonas era fraco.
*****
Luiza despertou com o toque do celular. Atendeu rapidamente com receio que Rebecca acordasse.
-- Alô...
-- Cara ou coroa?
Luiza levantou-se rapidamente.
-- Daniela?
A morena gargalhou.
-- Acertou miserável!
-- Como você conseguiu meu número? O que você quer?
-- Segredo, minha cara... Como está a minha ruiva favorita?
Luiza saiu do quarto, para não acordar Rebecca.
-- Como você pode ser tão cínica?
-- É fácil, minha querida - disse irônica.
-- O que você disse pra Rebecca, sua vagabunda?!
-- Olha só... Alguém sabe xingar - debochou.
-- Cadê a Emily? O que você quer Daniela? - a médica ignorou o deboche da morena, estava morrendo de preocupação com Emily.
-- Por enquanto ela está bem... Mas não sei até quando - disse séria.
-- Não faça nada com ela... Você sabe que vai se ferrar, pra que tudo isso?
-- Me ferrar? Nesse país onde a lei me protege? Ah tá - irônica - Estou fazendo isso por vingança. Acha mesmo que eu iria deixar você ser feliz com a Rebecca? Era para ser EU em seu lugar!
-- Você é doente, Daniela!
-- Sabe mosca morta... Eu realmente amo a Rebecca, mas tudo que ela fez comigo... Poderíamos ser tão felizes juntas. Eu seria a melhor mulher para ela.
-- Não me faça rir, sua cretina! Isso que você sente pela Rebecca nunca será amor!
-- Acontece que cada um ama de um jeito, Ana Luiza.
-- Você me ligou por algum motivo, então vamos ser práticas né.
-- Tem razão - disse bebendo uísque - Você ama Emily?
-- Claro que amo!
-- Imaginei... Não entendo como você pode gostar de uma menina que nem é sua filha, mas enfim...
-- Diz logo, Daniela.
-- Ontem eu disse pra Rebecca que eu aceito devolver a Emily, mas... Em troca eu quero você!
Luiza sentiu um arrepio por todo o corpo.
-- Por que?
-- Porque eu te odeio, Ana Luiza! Você não imagina o quanto! ... Eu poderia ter sequestrado você, mas eu gosto de fazer maldade e claro, não poderia perder essa oportunidade... Ver a Rebecca desesperada em ter que cogitar escolher entre você e a própria filha - riu - É impagável!
-- Como você ainda pode ter a coragem de dizer que ainda a ama?
-- Ela me fez sofrer todo esse tempo... Só está provando do seu próprio veneno.
-- Eu aceito ficar no lugar da Emily - disse direta.
Daniela sorriu.
-- Não tinha dúvidas disso, santinha.
-- Não confio em você, Daniela... Quero ter certeza que se eu me entregar você irá devolver a Emily.
-- Imaginei que você fosse dizer isso. Hoje ao meio dia você terá a certeza que eu irei devolver essa fedelha. Vá para frente do shopping e lá você terá um sinal meu! Lembre-se, não tente nenhuma gracinha ou eu não hesitarei em acabar com a vida dessa pestinha! - desligou.
Luiza olhou as horas. Eram 09:31. Suspirou e caminhou em direção ao quarto da ruiva.
Rebecca ainda dormia. A médica aproximou-se de sua amada e a beijou levemente nos lábios.
-- Agora eu consigo entender o motivo do seu desespero, meu amor... - disse fazendo carinho em seu cabelo vermelho - Eu te amo... Nunca esqueça disso.
Luiza a beijou mais uma vez e levantou determinada. Pegou sua bolsa e saiu.
-- Anne se a Rebecca acordar diz que eu precisei resolver algo urgente no hospital - disse quando passou pela loirinha.
-- Claro, Luiza.
********
-- Falando sério, Bia... Tu achas que a Emily vai ficar bem na mão daquela maluca?
-- Sinceramente, Lia... Eu acho que não... Daniela é um monstro.
-- As coisas andam difíceis por lá né?
-- Muito... Tá tudo complicado.
-- Nunca imaginei que a Daniela fosse capaz de chegar tão longe... Quando ela era mais nova... Parecia até normal... - disse pensativa.
-- A Daniela enganou muita pessoas, Lia... Inclusive a Érika.
-- Verdade... Elas eram tão amigas.
-- Sim.. Sei que a Érika amava a Luiza e sei que a Daniela sabia disso.
-- Mas a Érika nunca falou para ela.
-- Sim, mas a Daniela é esperta... Tanto que ela usou disso para ameaçar a Érika.
-- Nossa!
-- Estou preocupada com tudo isso... Sei que ontem ela falou algo muito ruim para a Rebecca, tanto que ela teve uma crise. A Érika teve que dopa-lá.
-- Então a coisa foi feia mesmo! - disse assustada.
-- Sinto que a Daniela tá aprontando alguma coisa.
-- Nunca entendi o motivo dela odiar tanto a Luiza - Julia falou pensativa.
-- E nem eu... Daqui a pouco preciso voltar pra casa da ruiva.
-- Depois eu passo por lá.
-- Tá... Vou te esperar viu.
-- Ok.
********
Luiza tocou a campainha do seu antigo apartamento. Ninguém veio atendê-la. Abriu a porta com a chave que ainda tinha e entrou. Estava vazio. Carol e Vick não estavam. A médica caminhou em direção ao seu antigo quarto. Precisava ficar um tempo sozinha e agradeceu que as duas não estivessem por ali. Deitou-se em sua antiga cama e fechou os olhos.
Óbvio que a médica sabia o que Daniela queria com ela.
"Preciso fazer isso... Há algum tempo eu fui capaz de abrir mão da Rebecca pela Carol. Sei que agora será diferente, mas não posso deixar a Daniela matá-la... Eu nunca me perdoaria. A Emily é tão doce... Eu a amo tanto... Como se fosse minha própria filha... Não me importo com o que a Daniela irá fazer comigo, mas não posso deixar ela ficar com a Emily! Isso nunca!"
Luiza pegou um porta-retrato que estava ao lado da cama. Sorriu tristemente ao observar a foto. Deslizou seu dedo de forma delicada sobre o objeto. Era uma foto em família, estava com seus pais e Carol.
"Cuida deles pra mim, pequena"
Luiza levantou e limpou as lágrimas. Revirou algumas coisa em seu guarda-roupa. Encontrou a chave de seu antigo carro, esperava que ele ainda funcionasse. Sem querer deixou uma caixa com vários documentos cair, os papéis espalharam-se pelo chão. A médica colocou todos novamente na caixa. Um papel chamou a atenção de Luiza. Seus olhos verdes se fixaram neles. Pegou o papel e ficou observando curiosa, era um envelope e estava amarelado pelo tempo. Seu nome estava escrito nele e ela reconheceu a caligrafia ruim. Era uma carta. Sorriu. Lembrou-se quando perguntou a Carol se podia lê-la.
"Você saberá o momento certo para isso "
Luiza observou a carta e decidiu guardá-la em sua calça na parte de trás.
-- Ainda não é o momento - sussurrou.
A jovem ficou em frente ao shopping por algum tempo, até um carro preto parar perto dela e o vidro dele se abaixar.
-- Entra, Luiza.
A médica ficou surpresa.
-- Jonas?
-- É uma longa história - falou envergonhado - Entra.
Luiza não disse mais nada e entrou no carro com ele. Ficaram um tempo em silêncio.
-- Como você pôde?
-- Eu era um nada, Luiza.
-- Você enganou a todos nós! Você enganou a minha irmã!
-- Foi preciso... A Daniela me tirou da lama.
-- Será que tirou mesmo? Porque não é isso que eu tô vendo! - disse rude.
-- Eu não concordo com isso, mas não posso fazer nada.
-- Você não passa de um covarde! A Emily é só uma criança!
-- Desculpa, Luiza... Mas a Daniela é capaz de fazer muitas coisas quando não a obedecemos.
-- Qual certeza eu tenho que se eu me entregar, vocês irão devolver a Emily?
Jonas observava o trânsito.
-- Você tem a minha palavra.
Luiza riu jocosa.
-- A sua palavra não vale nada!
-- Você precisará confiar em mim... Assim que você se entregar, a Daniela me dará a Emily e eu prometo que irei entregá-la a Rebecca. Juro pela minha vida.
-- Não sei se acredito nisso.
-- Você precisará arriscar... A Daniela não pensará duas vezes em matar a Emily. Tu conheces bem ela...
Luiza ficou pensativa.
-- Não tenho nem uma garantia.
-- Você precisa arriscar! É agora ou nunca.
A médica apertou os lábios.
-- Eu não tenho alternativa, Jonas... É eu ou a Emily... Então que seja eu!
Jonas fez sinal positivo e dirigiu em silêncio. Luiza percebeu que eles estavam entrando num local isolado e meio abandonado. As casas não tinham uma aparência boa. Jonas suspirou.
-- Sinto muito, Luiza.
-- Não... Você não sente!
Jonas se calou e o resto do percurso foi feito em total silêncio. Não demorou para estarem de frente a uma antiga casa, mal acaba, feia. Luiza não conseguia acreditar que Daniela pudesse ter se escondido em tal lugar.
-- Chegamos! - falou o jovem retirando o cinto.
Luiza o seguiu em silêncio. Entraram na casa, que por dentro era completamente diferente do que era por fora. A médica ficou surpresa com todo aquele luxo. André foi o primeiro a vê-los.
-- Olha só... Finalmente deu uma dentro hein, Jonas! - disse observando Luiza.
Daniela entrou na sala no mesmo momento e abriu um enorme sorriso ao ver a médica.
-- Olha só quem nos deu a honra - falou irônica - Doutora Ana Luiza.
-- Cadê a Emily? - Luiza não tinha medo da morena.
-- Está trancada - disse simplesmente.
-- Deixa eu vê-la.
Daniela fez cara de pensativa.
-- Não sei se você merece.
-- Eu estou aqui! Então trate de cumprir sua parte! Solte a Emily!
-- André... Leve ela para ver a fedelha e deixe as duas matarem a saudade - irônica.
-- Você não vai soltá-la? - Luiza perguntou preocupada.
-- Tudo no seu tempo, minha querida... Vou esperar anoitecer... Você aproveita esse tempo para ficar com ela. Logo depois iremos viajar.
Luiza ficou surpresa.
-- Para onde?
-- Não te interessa!
Luiza seguiu André que abriu a porta do quarto que a ruivinha estava. A menina parecia abatida. Estava encolhida e virada de costas para a porta.
Quando Emily percebeu que a porta se abriu, se encolheu toda, imaginando que fosse a morena novamente. Luiza observou a menina e se emocionou, aproximou-se dela, tocando levemente em seus cabelos, que agora estavam curtos, pois Daniela havia cortados eles. André trancou a porta. Emily se encolheu com o toque.
-- Emily... - falou carinhosa.
A menina reconheu a voz e virou-se para encarar Luiza. Seus olhos se encheram de lágrimas.
-- Tia Luiza - disse chorando e a abraçando.
-- Calma, meu amor... Agora tudo ficará bem, eu prometo.
-- Você veio me tirar daqui? - perguntou chorosa.
-- Sim, meu amor... Você logo estará com sua mãe.
Emily sorriu esperançosa. Luiza examinou a menina. A ruivinha estava mais magra, pois Daniela apenas a alimentava com água e pão, seu cabelo curto, havia algumas roxuras pelo corpo das surras que recebia de Dani, seu rosto marcado, pela maldade daquele ser, que desferia vários tapas em seu rosto.
Luiza apertou forte a menina. Daniela era uma pessoa sem escrúpulos, capaz de fazer tamanha maldade a uma criança inocente. A médica se sentia aliviada em saber que Emily não iria mais passar por aquilo. Ficou o restante do dia abraçada com a menina.
Daniela aproximou-se de Jonas.
-- Você irá entregar a Emily... Não faça merd*!
-- Entendi.
-- Eu poderia muito bem matar as duas... Mas eu estou sendo bondosa.
-- O que você vai fazer com a Luiza, Daniela?
-- Não é da sua conta! Volte aqui por volta das sete, pode ir! - disse ríspida.
Jonas se foi deixando a morena sozinha. Daniela comemorou enchendo um copo de uísque e o ergueu.
-- A glória!
*******
Rebecca acordou as onze da manhã. Sua cabeça doía, seus pensamentos foram imediatamente nas coisas que Daniela falou. A ruiva derramou algumas lágrimas, mas logo as enxugou. Precisa pensar em alguma coisa, urgentemente. Jamais iria aceitar a proposta absurda de Daniela.
Procurou por Luiza, mas não a encontrou. Estranhou. Desceu as escadas e encontrou Anne na sala, a jovem olhava para o nada.
-- Anne você viu a Luiza? - a ruiva perguntou aproximando-se da babá.
A loira observou a patroa e sorriu sem vontade.
-- A Luiza disse que precisava resolver algumas coisas no hospital.
-- Estranho - disse pensativa.
-- A senhorita deseja alguma coisa? - falou solicita.
-- Sim, Anne... Você poderia, por favor, pegar um analgésico para dor de cabeça.
-- Claro Rebecca.
A loira se afastou, deixando Rebecca pensativa. Não demorou para voltar e entregar o remédio a empresária. A ruiva agradeceu e as duas ficaram conversando qualquer coisa para distraí-las de seus problemas.
Eram quase oito horas da noite e Luiza não havia aparecido. Rebecca tentou falar com Érika, mas a jovem estava ocupada e não pode atendê-la. Bia estava com elas.
-- Onde está a Carol e a Vick? - Rebecca perguntou nervosa.
-- A Carol tá na redação e a Vick está com ela - Bia.
-- Não é possível que a Luiza esteja demorando tanto! - disse nervosa.
-- Talvez ela tenha sido chamada pra uma emergência... A Érika disse que as coisas no hospital estão bem corrida.
-- É... Pode ser... - Rebecca sentia uma angústia por dentro.
Mais alguns minutos... Eram 19:32 quando ligaram para a ruiva. Era da polícia, haviam encontrado sua filha. Rebecca quase desmaiou de emoção. Bia teve que falar com o policial e escutar todos os detalhes. Agradeceu e desligou.
-- Encontraram a Emily! - Bia falou animada.
Anne chorou, assim como Rebecca. A mãe da ruiva a abraçou forte.
-- Agora tudo ficará bem, meu amor...
Os pais de Marcelo também comemoraram. Todos seguiram para a delegacia. Rebecca não aguentou e assim que viu sua filha chorou de emoção.
Emily correu para os braços da mãe, que a apertou muito. A menina também chorava. Todos estavam emocionados com o encontro de mãe e filha.
Ficaram abraçadas por um longo tempo. Rebecca se afastou e analisou a filha. Percebeu os machucados e o quanto a menina estava magrinha. Bufou.
-- Agora tudo ficará bem, meu amor.
Emily recebeu o abraço de todos. A menina estava feliz em revê-los. Tiveram que esperar um pouco mais na delegacia. Rebecca havia ido pegar água para a filha e estava voltando. Emily estava ao lado de Anne.
-- Mamãe...
-- Oi minha vida - disse sorrindo.
-- Eu vi a tia Luiza - comentou a menina.
Rebecca deixou o copo com água cair e molhar todo o chão.
-- O que? - perguntou com um nó na garganta.
-- Ela disse que eu iria ficar bem... Que era pra eu cuidar de você... Que um dia a gente seria muito felizes... Ela disse que ama muito nós duas e é pra gente nunca esquecer disso, porque ela nunca irá esquecer de nós. Ela disse pra você ser feliz e nunca se sentir culpada, é pra você seguir em frente.
Rebecca teve uma crise de choro e foi amparada por Bia que pediu, para levarem Emily dali. A ruiva falava coisas sem sentido e chorava muito. Algumas pessoas observavam a cena. Beatriz esperou pacientemente a jovem ficar mais calma. Depois de um tempo a levou para o carro, Rebecca tentava ficar mais calma, mas não conseguia parar de chorar.
-- Ela vai matá-la... - repetia.
-- Calma, Rebeca.
-- Você não entende, Bia! A Luiza se entregou no lugar da Emily! Sabe o que isso significa? Sabe o que a Daniela quer dela? Você viu o que ela fez com a Emily! Imagina então o que não fará com a Luiza! - falou desesperada.
Bia acabou ficando nervosa também.
-- Precisamos fazer alguma coisa!
-- O que?!
-- Eu não sei, Rebecca. Espero que a Carol tenha conseguido algo!
-- Precisamos ser rápidas, Bia!
-- Eu sei... - disse dando partida no carro - Mas você precisa tentar se acalmar.
-- Falando assim parece fácil né.
-- Eu sei que é difícil, Rebecca.
-- Você não imagina o quanto... Se Daniela queria acabar comigo... Parabéns! Ela conseguiu.
As duas conversaram mais algumas coisas. Bia tentou ligar para Érika, Carol e Vick, mas nem uma atendia.
*********
Luiza olhava atenta pela janela do avião, estava escuro, então não dava para ver muita coisa. Suas mãos estavam algemadas. Sabia o que estava por vim, mas não tinha medo. Faria quantas vezes fosse necessário para a salvar a vida de Emily.
Depois de algumas horas o avião pousou e eles seguiram para um carro que estava a sua espera. Luiza observava tudo e logo conheceu o lugar onde estavam.
-- Gostou da surpresa, Ana Luiza? - a morena falou debochada.
A médica se emocionou em ver sua antiga cidade. Onde havia crescido, tinha tantas história daquele lugar, boas e ruins. Passaram bem em frente à praça onde Luiza teve o primeiro contato com Rebecca. Relembrou o passado e lágrimas de saudade desceram, molhando sua face.
-- Aqui é onde tudo começou! Aqui é onde tudo vai terminar! - Daniela disse sarcástica.
Luiza ignorou a morena. Percebeu que estavam seguindo para uma rua de terra. Depois de algumas horas chegaram ao local onde seria o cativeiro da médica. Era uma cabana isolada de tudo, ninguém a encontraria ali. Sentiu suas esperanças se esvaziando.
-- Bem vinda a seu novo lar - Daniela estava animada - Espero que goste! - irônica - Vamos nos divertir muito aqui!
Luiza suspirou, seria esse seu fim? Será que merecia morrer dessa maneira? Onde estava a justiça nisso tudo? Não sabia, mas precisava lutar até o fim. Tinha que arrumar um jeito de sair dali. Não desistiria fácil, mesmo que fosse dois contra um e que eles estivessem armados, já estava condenada mesmo.
Esperaria a melhor hora para tentar fugir. No fundo ainda tinha esperança.
Ficou preocupada com todos. Esperava que eles ficassem bem, caso o pior viesse a acontecer.
No fundo o tempo cura todas as dores.
"Você ficará bem, amor... Ao lado da Emily"
Fim do capítulo
Olá meninas.. Sei que estou demorando, mas ando travada, então vocês terão que ter paciência com essa autora.
Bom, o próximo será o penúltimo capítulo dessa história. Ja sinto saudade, apesar de toda a dificuldade.
Então é isso, em breve essa autora entra de férias... Rsrs
Beijos à todas
Até o próximo.
Comentar este capítulo:
usuariojafoi
Em: 27/06/2017
Querida, autora
Por favor, volte a atualizar.
Entro todos os dias só pra ver se tem algum novo capítulo.
Não nos torture PFVR!
Resposta do autor:
Capítulo postado, querida leitora... Rsrs
Beijos!
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