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Na Batida do Coração por Srta Prynn

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Palavras: 12171
Acessos: 3012   |  Postado em: 22/04/2017

Capítulo 17

No apartamento de Vládia, Paulinha tinha um sono tranqüilo depois de horas fazendo amor com a Dj, mas Vládia não conseguia dormir, admirava o sono da namorada, sua beleza, o contorno dos seus lábios macios.

 

Sabia que não seria fácil, mas estava decidida a começar rever as pessoas no dia seguinte, torcia para que Paulinha concordasse, queria ter certeza de que Pietra realmente não importava mais a ela.

 

Na manhã seguinte, quando Paula acordou, encontrou a cama vazia, olhou pelo quarto procurando pela Dj e nada, levantou e foi até o banheiro se lavar, seu corpo ainda estava dolorido devido a noite intensa que havia tido com a namorada, olhou no espelho e sorriu ao ver que haviam vários arranhões e marcas de mordidas em seus ombros, Vládia havia dito que a machucara, mas na intensidade dos sentimentos, ela não havia sentido nada além do prazer. Tomou um banho e foi procurar a namorada pelo apartamento. Encontrou um bilhete em cima da mesa da sala dizendo que a Dj tinha ido caminhar na praia e que não iria demorar, que tinha suco na geladeira e café na cafeteira. Paulinha serviu uma xícara de café e pegando um cigarro foi em direção a varanda onde bebeu o café e fumou seu cigarro. Estava começando a cochilar quando a campainha tocou, achou estranho, mas foi atender. Quando abriu a porta, seu coração disparou, parada diante dela estava Fran.

 

-- Não vai me convidar para entrar pandinha? – Ela perguntou com as mãos nos bolsos e totalmente sem jeito.

 

-- Claro, desculpe Francis, entre, por favor. – Paula disse dando passagem a amiga.

 

Ela entrou e esperou que a amiga fechasse a porta e a acompanhasse, sentaram na varanda e sem jeito ficaram um tempo em silêncio.

 

-- Quem disse a você que nós tínhamos voltado? – Paulinha disse querendo quebrar aquele silêncio que gritava em seus ouvidos.

 

-- Ninguém, eu arrisquei, tava passando por aqui e parei para perguntar ao seu Antonio, e ele me disse que vocês chegaram ontem.

 

-- Ah tá.

 

-- Paula, eu sei que eu errei com você, te agredi, te acusei de ter sido leviana comigo, deixei meu ciúmes passar por cima de anos de amizade, quando na verdade, você foi a única pessoa que até hoje não me decepcionou. Eu queria pedir para você me perdoar. – Fran estava sendo sincera e foi isso que fez com Paula se odiasse por ter se envolvido com a Dj.

 

Elas eram amigas há tantos anos que sempre que Paula procurava por algum acontecimento em sua vida, a Francis estava lá, quando ela deu seu primeiro beijo, quando se apaixonou pela primeira vez, quando sofreu a primeira desilusão amorosa, sempre quem estava ao seu lado, te estendendo a mão era a Francis, e agora ela estava ali na sua frente pedindo perdão por ter julgado que ela e sua noiva haviam passado a noite juntas, aquela noite especifica, elas não passaram juntas, mas as outras sim. Ela se sentiu a pior pessoa existente na face da terra, queria que um buraco se abrisse diante dela para que ela pudesse se jogar nele. Francis a olhava de forma terna e apreensiva, esperava por uma resposta.

 

-- Fran, você não tem que me pedir perdão por nada, afnal não fui eu quem saiu mais magoada dessa situação.

 

-- Eu sei, mas eu tenho medo de procurar por ela pandinha, eu a magoei muito, sei disso, eu a amo demais, você não sabe como foi difícil para mim esse tempo todo longe dela. Como ela está Paula? Você cuidou dela prá mim? – Francis perguntou, deixando Paula ainda mais desconcertada com a situação.

 

-- Ela está bem Fran, se juntando aos poucos, você a conhece tanto quanto eu, sabe que por mais que ela sofra, ela não deixa transparecer, ou pelo menos tenta.

 

-- Eu sei, ela sempre foi mais centrada do que todas nós juntas né?

 

-- É, foi.

 

-- Paulinha, o que aconteceu com a gente? Éramos uma família, agora tá tudo bagunçado, a Sil com a Pietra, não pode Paula, como elas puderam fazer isso com você? A Sil se fazia de amiga quando na verdade estava tirando sua mulher de você. – As palavras da Francis atingiam Paula como lanças passando por seu corpo, se ela soubesse que ela estava com a Dj, com certeza pensaria a mesma coisa dela.

 

-- Francis, isso é passado, tudo na vida muda, o mundo gira e a vida segue por caminhos diferentes e em algum momento, meu caminho se separou do da Pietra, fico feliz que ela esteja com alguém como a Sil, pelo menos eu sei que ela vai cuidar dela, vai estar presente na vida dela em todos os momentos.

 

-- Paula, de todas nós, você foi sempre a mais doidinha, mas também a mais sensata, coração mole, entende todo mundo, mas eu não sou assim, não consigo ver dessa forma, mas se você diz que para você tudo bem elas estarem juntas, eu aceito, não entendo, mas aceito.

 

Paula sentiu uma vontade enorme de abraçar a amiga, afinal de contas, sempre foram unha e carne, e ver a Fran ali, na sua frente toda fragilizada pela situação que estava passando e ainda assim se preocupando com os sentimentos dela, a fez ter vontade de se esmurrar. Fran estava visivelmente mais magra, tinha olheiras que a maquiagem mal conseguia disfarçar, denunciavam que provavelmente ela não dormia há dias, sem conseguir se segurar mais levantou e caminhou até a amiga, abriu os braços para dar o abraço que ambas ansiavam desde que Fran tocou a campainha. Francis se jogou nos braços da amiga e as lágrimas que há muito estavam guardadas, saíram. Paulinha apenas acolheu a amiga em seus braços e deixou que ela chorasse, quando ela se sentiu melhor e as lágrimas haviam cessado, ela beijou o rosto da amiga e disse em seu ouvido.

 

-- Obrigada, eu senti tanto a sua falta Paula. – Paula retribuiu o beijo na amiga e respondeu.

 

-- Não tem nada para agradecer Fran, eu também senti e muito, a sua falta.

 

-- Paula, eu preciso te pedir um favor.

 

-- Pode pedir, eu sabia que vinha bomba. – Paula brincou com a amiga que sorriu para ela, era o sorriso de sempre, Paula percebeu que não deveria ter dito nada, por que com certeza seria realmente uma bomba.

 

-- Eu a quero de volta, eu preciso dela para viver, ela é meu sol, minha vida, meu tudo, eu não consigo sem ela Paula, me ajuda? – Pronto, agora era seu mundo que começava a desabar, teria que escolher entre a amiga e a mulher que estava começando a ocupar um pedaço significativo em seu coração.

 

-- Fran, eu não quero me meter, isso é entre vocês, além do mais, o que eu poderia fazer?

 

-- Ela te ouve Paula, fala com ela, você é a única chance que eu tenho de ter de volta a minha vida, por favor? – Ela tinha razão, ela era a única pessoa que falaria com a Dj a seu favor, mas como explicar para ela que ela não poderia fazer isso, que ela não queria ter que fazer isso?

 

-- Vamos fazer o seguinte, eu não te prometo nada, mas vou falar com ela.

 

-- Obrigada Paula, eu sabia que você não me negaria o direito de tentar reaver minha felicidade. O que eu faria sem você? – Beijou a amiga e a abraçou, fazendo com que ela sentisse nojo dela mesma.

 

Conversaram por mais algum tempo, Francis contou que ficou trancada em casa por dias seguidos depois do ocorrido, que não sentia mais vontade de nada, chegou ao ponto da própria mãe se deslocar de SP só para trazê-la de volta a realidade. Passou uns dias na casa da irmã e que foi ela quem a encorajou a procurar pela amiga e pedir sua ajuda. Paula pouco falou, apenas ouvia a amiga e conseguia sentir a angústia pela qual ela havia passado até aquele dia. Francis se despediu da amiga e foi embora, deixando Paula perdida em seus pensamentos, que decisão tomaria? O que era mais importante, o amor ou a amizade? Não querendo mais pensar em nada, trocou de roupa e saiu, iria até sua antiga casa e pegaria sua moto, precisava sentir o vento bater em seu rosto, desceu, deixou as chaves com o seu Antonio e pegou um táxi alguns quarteirões depois. Em alguns minutos estava parada em frente sua antiga casa esperando ter coragem o suficiente para entrar, quando uma voz familiar falou junto dela.

 

-- Esqueceu suas chaves? – Paula olhou e viu Pietra parada ao seu lado, tinha um sorriso sem graça nos lábios.

 

-- Não, na realidade estava esperando ter coragem o suficiente para entrar. – Colocou as mãos nos bolsos e abaixou a cabeça.

 

Pietra colocou uma mão sobre o ombro dela e com a outra, levantou seu rosto para que olhasse dentro dos seus olhos, as duas sorriram sem graça e Paula a puxou para um abraço enterrando seu rosto no pescoço dela aspirando fundo seu cheiro, amava aquele cheiro, não sabia dizer quantas vezes perdeu a cabeça sentindo aquele cheiro. Quando se afastaram, Paula voltou a abaixar a cabeça e Pietra falou.

 

-- Nem parece que passamos tantos anos juntas, dividindo o mesmo teto, a mesma cama, parecemos totalmente estranhas.

 

-- Desculpe, é que muitas coisas me aconteceram em tão pouco tempo desde que cheguei aqui de novo.

 

-- Vamos entrar, eu faço um café e a gente conversa.

 

Paula concordou e entraram, enquanto Pietra foi para cozinha, Paula notou que as fotos dos porta-retratos haviam sido substituídas, apenas uma delas ainda estava no lugar, era uma foto delas juntas quando foram para Nova York passar um fim de ano, pois Paula queria ver a neve no central park, as outras agora eram apenas dos amigos e familiares da Pietra. Os móveis ainda estavam no mesmo lugar, ao canto sua poltrona preferida, ela não resistiu, caminhou até ela e se deixou cair sentada, era uma sensação gostosa, sensação de estar de volta ao lar, mas esse lar não pertencia mais a ela, suspirou e ao abrir os olhos, viu Pietra parada na sua frente com duas xícaras de café nas mãos, estendeu uma a ela que pegou e sentou no chão de frente para ela, como sempre faziam quando moravam juntas.

 

-- Me diz o que está deixando você tão aflita assim Paula?

 

-- Tá tão na cara assim? – Ela disse antes de beber um gole do café.

 

-- Não, mas eu te conheço o suficiente para saber que algo está te deixando inquieta.

 

Paula sorriu, ela sempre soube como ela se sentia, nunca conseguiu esconder nada dela.

 

-- Problemas Pí, problemas demais para uma pessoa só.

 

-- Não quer me contar que problemas são esses morena? Ainda sou eu sentada bem aqui na sua frente.

 

Paula deitou na poltrona, colocando as pernas para fora, fechou os olhos e começou a chorar, chorou como uma criança assustada, Píetra sentou mais próxima dela e acariciou os cabelos dela enquanto ela chorava.

 

-- Por que as coisas são assim Pí? Por quê?

 

-- Não sei a que exatamente você se refere Paula, mas tudo tem jeito, tudo se resolve, não precisa ficar desse jeito.

 

-- Você fala assim por que não sabe em que eu fui me meter.

 

-- Você diz do seu envolvimento com a Vlá? – Paula levou o maior susto com a afirmação da ex que caiu do sofá arrancando uma gargalhada da Píetra.

 

-- Do que você está falando Pietra?

 

-- Eu vi vocês na praia ontem, fiquei chocada na hora, mas depois eu vi que não poderia ter sido diferente, vocês duas carentes, num lugar tranqüilo, era uma questão de tempo que algo acontecesse.

 

-- É verdade, mas não é isso que está me deixando assim, pelo menos não só isso.

 

-- O que mais? – Pietra perguntou.

 

Paula coçou a cabeça, pegou a xícara e se levantou.

 

-- Quanto café você fez? – Diante da cara de espanto que a Pietra fez, ela disse.

 

-- A conversa será longa.

 

-- Uma garrafa, você acha que precisa mais?

 

-- Não, uma garrafa deve dar.

 

Foi até a cozinha e voltou de lá com a garrafa na mão e encontrou Pietra com dois cigarros, entregou um a ela e colocou mais café para ambas.

 

-- Pronto, agora desembucha.

 

Paula contou a ela sobre a visita da Fran, o estado em que ela estava e o que ela havia pedido, Pietra ouviu tudo calada, conhecia Paula o suficiente para saber que ela já havia tomado sua decisão e que nada do que ela dissesse a ela a faria mudar de idéia, era uma pessoa de caráter muito forte e fiel aos seus princípios, mas mesmo assim arriscou a perguntar.

 

-- E o que você está pensando em fazer?

 

-- Pela primeira vez na minha vida, não sei o que fazer, eu sei o que seria correto a ser feito, mas não sei se eu faço, consegue me entender?

 

-- Perfeitamente, mas eu te digo algo, faça o que seu coração manda você fazer.

 

-- Aí é que está o problema, eu não sei o que fazer, meu coração quer que eu faça o que é certo, por outro lado, a parte egoísta do meu coração quer que eu faça o que ele deseja.

 

-- Paula, nem sempre podemos fazer só o certo, às vezes precisamos fazer o que sentimos vontade de fazer.

 

-- Ela jamais me perdoaria Pietra.

 

-- Se ela realmente gostar de você e se importar com você ela vai perdoar, pode demorar um pouco mais ela perdoa, além do mais, foi ela mesma que jogou vocês uma nos braços da outra, ela não tem nada para cobrar de vocês, Paula.

 

-- Isso não é certo Pietra, ela confia em mim, ela precisa de mim, não posso agir diferente.

 

-- Paula, você tem noção do que está falando? Está me dizendo que vai abrir mão da sua felicidade em nome da Fran?

 

-- Seria esse o certo a se fazer Pietra. E seria mais fácil agora que ainda não ficou sério.

 

-- Não ficou sério? Você sabe o que está falando? Eu vi vocês juntas lá na praia ontem, então, por favor, não venha me dizer que ainda não existe um sentimento forte entre vocês.

 

-- Pietra, assim você não tá me ajudando. – Paula disse levantando e andando pela sala.

 

-- Não Paula, não pense que eu vou dizer que você tem que bancar a mártir e tirar seu time de campo só para que a Francis tenha a chance que ela já jogou fora mais de uma vez, não mesmo.

 

-- E por que eu não poderia abrir mão? Eu abri mão da gente, que diferença faz abrir mão mais uma vez? – As palavras de Paula foram duras e atingiram em cheio Pietra.

 

-- Desculpe, eu não quis falar isso. – Ela sentou na frente da Pietra e segurou suas mãos entre as suas.

 

-- Não Paula, você quis, tanto quis que falou, mas tudo bem, eu sabia que mais cedo ou mais tarde nós falaríamos sobre esse assunto.

 

-- Não Pietra, é sério, esquece o que disse, fui estúpida, você não merecia, afinal, eu deixei que as coisas entre nós chegassem ao ponto que chegaram.

 

-- Não Paula, não ache que você foi a única culpada, eu também tive minha parcela de culpa, eu sempre deixei que você fizesse o que quis, mesmo que eu não concordasse.

 

-- Onde foi que nós erramos Pietra?

 

-- Não sei Paula.

 

-- Você se arrepende de ter passado tanto tempo comigo? Você me amou?

 

-- Eu não me arrependo de nada Paula, foram os melhores anos da minha vida, você me mostrou um lado da vida que eu não conhecia, você trouxe alegria e colorido para ela, e sim, eu te amei mais do que eu achei que seria capaz de amar um dia, e eu achei que fossemos envelhecer juntas, mas as coisas tomaram um rumo diferente, em algum momento, nossos caminhos se separaram e nós não nos demos conta. – Fez um carinho no rosto da Paula que fechou os olhos e aceitou, Pietra sempre a tocava com a alma.

 

Paula se aproximou dela e exitando, parou a centímetros de sua boca, olhou nos olhos e como não sentiu recusa, a beijou, foi um beijo doce, calmo, de despedida, Pietra a beijou da mesma forma, sentiam a necessidade de algo definitivo, e esse beijo serviu para mostrar a ambas que realmente havia acabado o amor, pelo menos o amor entre duas mulheres que se desejam, dando espaço ao amor de duas mulheres que se admiram, se entendem e que são amigas. Da mesma forma que começou, acabou, selaram agora o final do relacionamento e o começo de uma grande amizade. Paula, ainda abraçada a Pietra, tomou a decisão mais difícil da sua vida, precisava de tempo, para pensar, para por em ordem seus sentimentos e tomar decisões que mudariam totalmente o rumo de sua vida.

Ao se separarem, Paulinha, ainda sem graça pelo beijo, tentou falar alguma coisa.

-- Pietra, er...me desculpa....

-- Não tem nada para desculpar, nós duas precisávamos desse beijo para ter certeza que realmente acabou e que conseguiremos ser amigas daqui para frente.

-- Eu sei, mas tem a Silvinha, eu não quero que ela pense que eu ando agarrando minha ex, que agora é atual dela, por aí.

-- Paula, se você se sente melhor assim, eu prometo não contar, fica só entre a gente. – Pietra disse piscando para ela.

-- Ai, já começou com mentira, eu não gosto disso, mas é necessária.

-- Você sempre será minha doidinha com água na cabeça preferida. – Pietra disse rindo da cara dela.

-- Você também será sempre especial para mim Pietra, eu nunca vou esquecer tudo que a gente viveu.

-- Isso tá parecendo uma despedida Paula, pode parar.

-- Mas de certa forma é.

-- Por quê?

-- Eu vou viajar. – Paulinha disse colocando as mãos no bolso e baixando a cabeça.

-- Paula, eu não acredito que você vai deixar o caminho livre para aquela desmiolada da Francis.

-- Na realidade, eu preciso pensar, por as coisas em ordem na minha cabeça e no meu coração, eu to com medo de estar enganada em relação aos meus sentimentos.

-- E a Vlá? Como ela fica nessa história?

-- Não é só por mim que eu vou fazer isso, ela também precisa desse tempo, nos envolvemos num momento em que ambas estávamos fragilizadas demais, quem pode garantir que o que sentimos uma pela outra é amor? E eu preciso ter certeza de que ela está comigo por que realmente quer estar comigo e não por que ela está magoada com a Francis.

-- Mas não será a distância que fará isso por vocês Paula, deixe de ser cabeça dura.

-- Pietra, eu já decidi, por isso eu vim até aqui hoje, vim buscar minha moto.

-- Nada do que eu fale vai te fazer mudar de idéia né?

Paula se aproximou dela e a envolveu num abraço apertado e disse.

-- Não, você sabe que não, está sendo difícil para mim, por favor, não tente me impedir.

-- Tudo bem, eu não vou, mas você ao menos vai se despedir dela?

-- Claro, não sou nenhum monstro, vou para casa dela, pretendo viajar somente amanhã pela manhã.

-- Tá certo, espero que saiba o que está fazendo, não vá jogar fora a oportunidade de ser feliz.

-- Só mais uma última coisa, não conta para a Vládia o conteúdo da minha conversa com a Francis.

-- Tá bom, mas se eu perceber que você tá fazendo uma cagada das grandes, eu conto sim.

-- Obrigada Pietra, você não sabe quanto significa para mim.

As duas se despediram e Pulinha pegou sua moto seguindo para o apartamento da Dj, ia com o coração apertado, mas precisava ter a certeza de que a Dj estava com ela por que realmente gostava dela e não por que agira num momento de carência. Queria muito ficar ao lado dela, mas a imagem da Francis, derrotada, pedindo sua ajuda, não saía da sua cabeça. Demorou mais do que o esperado para chegar a casa da Dj, deixou a moto na garagem do prédio, seu Antonio disse que um apartamento estava vago, portanto, tinha uma vaga na garagem, ela guardou, agradeceu e subiu.

Vládia estava adormecida no sofá da sala, a TV estava ligada, Paula sentou no chão ao seu lado, e ficou olhando aquela mulher com ares de menina dormir, se deu conta de que sentiria muita falta, do seu sorriso, do jeito que ela ficava brincando com seu cabelo, do som da voz dela, uma lágrima solitária escorreu de seus olhos. Ela foi até a cozinha, pegou um café e um cigarro e foi para varanda fumar.

Algum tempo depois, uma Dj sonolenta, sentou-se em seu colo e envolveu seu pescoço com seus braços e falou.

-- Onde você estava? Seu Antonio me disse que a Francis esteve aqui, o que ela queria?

-- Eu fui pegar minha moto, queria muito sentir o vento no meu rosto, e a Francis só queria se desculpar. – Ela não mentiu, apenas omitiu alguns fatos, na realidade, omitiu o principal.

-- Ela endoidou? Quem disse a ela que havíamos chego de SP?

-- Ninguém, ela arriscou e deu sorte.

-- Estranho, mas vindo dela, nada é estranho.

-- Não se preocupe, e acredite em mim, ela está realmente arrependida do que fez.

-- Até ela saber que estamos juntas, daí ela explode de novo.

-- Vlá, era sobre isso que queria falar com você, eu vou ter que resolver umas coisas, vou viajar por um tempo, então, pelo menos por enquanto, não diga nada a ela, pode ser? – Paulinha era péssima em mentiras, mas se esforçou e agradeceu por apenas a luz da lua iluminar aquele cantinho que estavam.

-- Como assim viajar? E o que havíamos combinado?

-- Branquinha, eu andei pensando, e quero ter certeza de que estamos juntas por que queremos estar e não por que nos envolvemos num momento de fragilidade.

-- Você viu a Pietra e balançou, foi isso? Me fala. – Ela tinha lágrimas nos olhos, o que deixou Paula com o coração partido por ser ela a provocá-las.

-- Eu vi sim a Pietra, falei com ela e tudo, mas não é nada disso, apenas quero e preciso dessa certeza, meu coração precisa dela, por favor, não torne tudo mais difícil do que já está sendo.

Vládia não acreditava no que estava ouvindo, mais uma vez via seu mundo desmorando e não havia nada que pudesse fazer para mudar isso. Sentiu seu peito ser rasgado por dentro, via nos olhos da Paula o mesmo sofrimento, sabia que ela também sofria, mas não conseguia entender essa decisão, então reuniu o pouco de forças que ainda tinha, secou sua lágrimas e se levantando disse.

-- Tá certo Paula, pelo que eu vi, essa decisão, você já tomou por nós duas, estou apenas sendo comunicada, faça o que você acha que precisa ser feito, só não demore muito a descobrir o que realmente sente por mim por que posso não estar mais aqui quando você voltar. – Ia se levantar quando Paula a impediu.

-- Não pense que é fácil para mim Vlá, por que não é.

-- Sinceramente não sei o que você quer que eu pense Paula.

-- Nós precisamos disso branquinha. – Vládia se levantou e dessa vez ela não tentou impedir.

Ela ficou sozinha na varanda, havia magoado ela e sabia disso, logo ela que havia prometido cuidar dela, mas sabia que esse tempo era necessário para ambas, sentia seu peito se abrindo, o coração apertado ao lembrar das lágrimas da sua Dj, lembrou de tudo que elas haviam vivido em SP e lamentou por ter concordado em voltar para casa, deveria ter ficado naquele mundo encantado de faz de contas, onde só existiam as duas, o Luiz e a Renata. Pela primeira vez se odiou por ser correta, por ter caráter, queria não se importar com as pessoas, queria poder ficar com a Vládia e esquecer que sua melhor amiga a amava, mas ela não era assim, ela se importava com as pessoas, com os sentimentos dos outros e tinha medo que quando a Dj encontrasse com a Francis, descobrisse que apesar da mágoa que trazia em seu coração, ainda a amava.

Ficou perdida em seus pensamentos por um tempo que não soube bem precisar quanto foi, mas soube que foi muito quando a Vládia, já de banho tomado, saiu na varanda com duas xícaras de café na mão e deu uma a ela.

-- Você sabe quando vai viajar?

-- Amanhã à tarde, só o tempo de passar na casa do meu pai para assinar uns papéis e pegar algum dinheiro.

-- Você vai de moto? – Vládia tinha uma expressão no rosto que Paula não soube decifrar.

-- Ainda não sei, mas acho que sim.

-- Tenha cuidado, eu quero que se você for voltar para mim, que seja inteira.

-- Vou ter cuidado, pode deixar.

-- Pelo menos não vou ter que explicar para Pietra que eu estou ou estava namorando a ex dela.

-- Elas já sabem, nos viram na praia ontem.

-- Agora isso não importa mais. – Se levantou e entrou deixando Paula para trás.

Paula levantou e foi até o quarto, pegou uma roupa e foi tomar banho, mas nem a água quente conseguiu relaxar seu corpo cansado. Saiu do banheiro e encontrou Vládia deitada com a televisão ligada, não queria incomodar, sabia que ela estava chateada e magoada com ela, começou a pegar o travesseiro e um lençol que estava em cima da poltrona no quarto quando Vládia perguntou.

-- O que você está fazendo?

-- Er... É que eu pensei que talvez você quisesse dormir sozinha. – Vládia soltou um suspiro alto, e puxando o lençol a chamou.

-- Vem dormir aqui na cama, afinal de contas, nós não brigamos. – Vendo que Paula exitava em deitar ela emendou.

-- Tô chamando você para dormir aqui, não vou te engolir Paula. – Paula deitou e envolveu a Dj em seus braços.

Ficaram em silêncio, cada uma com seu pensamento, Paula sabia que sentiria falta da companhia da Dj, das brincadeiras, do sorriso, da forma que ela a beijava, de fazer amor, do cheiro e do gosto, mas sentiria falta da amiga que ela sempre foi, com lágrimas silenciosas adormeceram uma nos braços da outra.

Paula foi a primeira a acordar e sabendo o quanto seria difícil partir, decidiu sair antes que a Dj acordasse. Na sala procurou por papel e caneta, escreveu uma carta e deixou em cima da mesa, saiu quando o sol disparava seus primeiros raios, foi em direção a casa do seu pai.

Já passava das dez horas quando Vládia acordou, tateou ao lado da cama e ao sentir o vazio que havia ali, abraçou suas pernas e ficou em posição fetal, queria chorar, mas já não havia mais lágrimas, ficou sentindo sua dor e tentando entender o que havia acontecido, por que ela decidiu ir embora e deixá-la quando o combinado era irem embora juntas, não tinha essa resposta, decidiu sair da cama e tomar um banho para tentar se refazer.

De banho tomado, pegou o celular em cima da mesinha de cabeceira e foi para cozinha, precisava urgentemente de um café. Na mesa da sala encontrou um papel dobrado e reconheceu nele a letra da Paula, pegou e sem coragem de abrir para ler, foi para cozinha preparar seu café. O café estava pronto e ela ainda tinha o papel fechado em suas mãos, serviu uma xícara e sentou-se à mesa, abriu o papel e começou a ler.

“Branquinha,

Não quero que pense que fui leviana ou insensível com você, eu realmente quero e muito que as coisas entre nós dêem certo, mas para isso, acho que precisamos realmente ter certeza do que queremos.

Amei cada momento que passamos juntas, levo comigo todas as sensações que você me proporcionou nesse último mês.

Sentirei muito a sua falta, do som da sua risada, do seu sorriso, dos seus beijos, da forma como fazíamos amor e principalmente da amiga que você sempre foi para mim.

Amo-te como amiga, e quero ter a certeza de amá-la como mulher...

Saí sem me despedir por que sei que não conseguiria me despedir de você...

Se possível, mantenha os planos, assim que tiver as respostas que procuro eu volto...

Amo você!!!

Sua, Pandinha.”

 

Vládia leu e releu aquela carta tentando entender, mas acabou desistindo, não conseguia entender a atitude da Paula.

*****  

Quando chegou à casa do seu pai, faltava pouco para as sete da manhã, Dorinha, a senhora que trabalhava em sua família há muitos anos, já preparava o café.

Entrou, cumprimentou a senhora robusta e pegando uma xícara de café e uma fatia de bolo de limão, sentou-se na varanda. Seu pai, ao ouvir vozes na cozinha, chegou perguntando quem estava lá, Dorinha disse a ela, e estendendo a ele um prato com bolo e uma xícara de café, o levou até a varanda para que tomasse café ao lado da filha.

Quando Paula era criança, ela e o pai eram inseparáveis, as coisas mudaram, quando Paula, então com quinze anos, assumiu ao pai sua homossexualidade, e para sua surpresa, foi à mãe, a única a lhe dar apoio e aceitar.

-- Posso saber o que faz aqui tão cedo filha?

-- Vou viajar, precisava pegar umas coisas aqui e queria me despedir da Dorinha antes de partir.

-- Vai para onde?

-- Ainda não sei.

-- E sua namorada? Vai com você?

-- Não pai, eu vou sozinha.

-- Paula, não me diga que já trocou de namorada de novo?

-- Não papai, não troquei, não se preocupe, não vou sujar seu nome com minhas promiscuidades.

-- Filha, não é isso, é só que me pareceu que você estava tão feliz, como há muito tempo eu não via, e agora você me aparece dizendo que vai viajar sozinha e com essa cara de enterro. O que tá acontecendo minha filha, eu sou seu pai, pode se abrir comigo.

-- Agora você se lembrou que é meu pai? Não precisa fazer de conta que se importa comigo, eu não sou mais criança. – Paula encerrou a conversa se levantando e indo em direção a cozinha.

Deixou a xícara na pia, pegou um cigarro e o celular na bolsa e saiu de novo. Discou um número e esperou atender.

-- Alô, Francis?

-- Oi Paula, tudo bem?

-- Tudo sim. Eu fiz o que você me pediu, agora só depende de você. Preciso ir, tchau.

Desligou o telefone e encostada na parede com o cigarro na boca, chorou em silêncio. O pai, que ouvia a conversa da filha, vendo seu choro, se aproximou dela e a envolveu num abraço. Paula abraçou o pai e como fazia quando era criança e a mãe ralhava com ela, ela se deixou abraçar e chorou.

-- Está mais calma meu amor?

-- Tô pai, obrigada.

-- Eu entendi bem? Você abriu mão dela não foi?

- Foi. O senhor agora consegue entender por que eu jamais seguiria sua profissão?

-- Sei minha filha, advogados na maioria das vezes, não podem ter princípios.

-- Pai, eu queria ir para fazenda, mas eu preciso ficar sozinha, o senhor me promete que não vai contar a ninguém que eu estarei lá?

-- Mesmo não concordando com isso eu te prometo minha filha.

Paula agradeceu o pai e se permitiu ficar mais algum tempo naquele abraço. Dorinha trouxe mais café para ambos, Paula aproveitou e foi até um quarto que tinha algumas coisas suas que ela havia trazido da casa onde ela morava com Pietra e fez uma mala, pegou tudo o que achou ser necessário, passou na cozinha e se despediu de Dorinha, o pai, ela encontrou parado ao lado de sua moto esperando por ela. Se despediram e Paula prometeu ligar sempre que possível antes de subir na moto e partir, rumo ao seu encontro consigo mesma.

*****  

 

Vládia saiu para dar uma volta, precisava de ar. Passou na conveniência de um posto de gasolina e sem pensar, comprou um maço de cigarro, precisava desesperadamente de um.

Sentou na areia da praia, acendeu um cigarro e ficou ouvindo o barulho do mar como um mantra que tinha o poder de acalmá-la. Estava longe com seus pensamentos quando o movimento de duas pessoas sentando-se ao seu lado a trouxe de volta. De um lado Pietra e do outro Sílvia, entrelaçaram suas mãos com as da amiga e em silêncio ficaram ali, lado a lado, tentando passar a Dj a certeza de que não estava sozinha, que elas estavam ali com ela e por ela. Com um aceno de cabeça ela agradeceu as amigas e ao lado delas, mais uma vez, chorou, mas com a certeza de que não estaria sozinha.

 

Ficaram em silêncio por um tempo longo, até que Pietra se pronunciou.

 

-- Branquinha, eu amo o barulho das ondas, elas tem o poder de acalmar nossos corações, mas essa areia amiga, ninguém merece, se importa de irmos nos sentar no calçadão?

 

-- Píetra, você está ficando velha e ranzinza minha amiga, tenho dó da Sil. – Vládia disse rindo.

 

Caminharam até o calçadão, sentaram no quiosque e pediram água de coco, pela primeira vez, Vládia estava sem graça para conversar, não sabia como tocar no assunto com a Pietra.

 

-- Vai lá, desembucha Zammorah, conta o que está acontecendo para ver se justifica você estar fumando. – Silvinha falou.

 

-- Silvinha, você pode escolher, sou uma completa idiota, azarada no amor, me entrego rápido demais aos meus sentimentos sem pensar nas conseqüências que eles trarão para minha vida, sou imbecil por acreditar demais nas pessoas, pode escolher. – As palavras eram proferidas cheias de magoas.

 

-- Ei, você é apenas humana Vlá, de uma forma intensa eu concordo, mas humana. – Silvinha disse afagando a mão da amiga.

 

-- O que tá acontecendo? – Pietra perguntou.

 

-- Pietra, você sabe bem o que tá acontecendo, não me faça ter que falar, por favor, já não tenho lágrimas mais para chorar, e essa vontade não passa.

 

-- Ela foi mesmo né? – Pietra abraçou a amiga.

 

-- Foi, e o pior, nem se despediu de mim, só deixou isso aqui. – Vládia disse entregando a ela a carta que Paula havia deixado.

 

Pietra pegou a carta que a amiga lhe deu e leu, sentiu naquelas palavras a dor que a outra sentira, sabia que ela era uma pessoa digna e de caráter, mas aquilo já estava sendo demais, pensou em contar a Dj o motivo pelo qual Paula havia ido embora, mas se lembrou da promessa que tinha feito e se calou, resolveu esperar, quem sabe aquela cabeça dura acordasse e visse o tamanho da besteira que estava fazendo com ela e com a Dj.

 

-- Sabe Vlá, eu acho que esse tempo vai ser bom para vocês, poderão ter certeza do que realmente sentem uma pela outra, o amor entre as amigas existe e isso é um fato, mas agora terão a certeza se as mulheres se amam, parece bobagem, mas eu meio que entendo a Paula, ela gosta das coisas feitas da maneira correta, é típico dela.

 

-- Mas Pietra, estava tudo tão bem, a gente se entendia em tudo, a sintonia era imensa entre nós, não era só amizade ou carência, tinha sentimento, a gente meio que se completava, pelo menos para mim era assim.

 

-- Vlá, um dia você me falou que o tempo é o melhor remédio para todas as dores, ele cura todas as feridas e ajuda a gente a encontrar nosso caminho verdadeiro, parece clichê, eu sei, mas é a pura verdade. – Silvinha falou.

 

-- Eu sei Sil, é só que tá doendo sabe, ficou um vazio imenso aqui dentro. – Vládia disse com as mãos no peito, como se algo se rasgasse lá dentro.

 

-- Vem, vamos para sua casa, eu faço um belo café e a gente conversa. – Pietra disse já puxando a amiga pela mão.

 

Caminharam lado a lado, vez ou outra Vládia suspirava, cansada de tudo, tinha vontade de gritar, queria a Paula, precisava dela ao seu lado, queria estar com ela. Já na casa, Silvinha a levou e colocou na banheira enquanto Pietra fazia um café.

 

-- Amor, você acha que dessa vez ela supera? Ela tá tão tristinha, se eu pegar a Paula, juro que darei uma surra daquelas nela. – Silvinha perguntou a Pietra.

 

-- Claro, mas eu também estou preocupada meu anjo, ela tá tão deprimidinha.

 

Ouviram barulho da televisão da sala, Pietra pegou as xícaras de café e foram para sala, conversaram sobre algumas coisas, menos sobre a Paula, até que Silvinha perguntou.

 

-- Como foi que aconteceram as coisas entre vocês?

 

Vládia ficou vermelha, não queria falar sobre aquilo na frente da Pietra, mas as meninas a incentivaram e ela acabou contando, o que rendeu boas risadas.

 

-- Vládia, definitivamente você não pode tomar vinho. – Silvinha disse a amiga.

 

As amigas ficaram com ela naquele dia e na semana que se seguiu, revezavam-se nos cuidados com a amiga, durante o dia, dona Ana ficava com ela, ia embora somente quando uma das meninas chegasse, embora dissesse as meninas que não precisavam se preocupar com ela, estava adorando os mimos recebidos, todo dia era uma festa, viram tantos filmes quanto foi possível, comeram besteiras, mas faziam com que ela comesse comida por causa da gravidez, e aos poucos, a Dj voltou a sorrir, passava o dia mexendo em suas músicas, Luiz, depois de saber do ocorrido, disse que ele mesmo iria atrás da Paula, mas desistiu depois que Pietra conversou com ele e contou parte da história, mas deu um prazo para ela voltar, senão ele iria contar a Dj a verdade.

 

*****

 

Paula ainda estava reclusa na fazenda, falava apenas com o pai por telefone, e esse por sua vez, tentava convencer a filha de voltar e lutar pelo que ela queria. Varias vezes pegou o celular e discou o número do telefone da casa da Dj, mas desligava antes que ela atendesse, Pietra, nos primeiros dias, ligava até seis vezes para ela, mas depois dela rejeitar todas as suas ligações, ela também havia desistido.

 

*****

 

Dez dias haviam se passado desde que Paula havia partido, dona Ana saiu para fazer compras deixando a Dj sozinha em casa. Seu Antonio interfonou dizendo que tinha uma pessoa querendo falar com ela, mas havia pedido a ele para não dizer quem era. Vládia, curiosa como era, disse a ele que poderia deixar subir, mas não sem antes perguntar se era alguém que ela já conhecia, diante da afirmativa dele, autorizou à subida. A campainha tocou e ela foi abrir a porta, parada em pé lá estava Francis com um buque de rosas nas mãos e um sorriso acanhado no rosto.

 

-- Entre dona encrenca. – Vládia brincou ela quebrando o gelo e fazendo com que ela relaxasse.

 

Pegou as rosas das mãos dela e foram até a cozinha para ela colocar no vaso.

 

-- Obrigada Fran, são lindas.

 

-- Eu não sabia se você me receberia, então me lembrei que você é apaixonada por rosas e resolvi arriscar.

 

-- Então as flores foram só para garantir sua entrada em minha casa é?

 

-- Não, eu queria ver esse sorriso lindo de volta nos seus lábios para mim também.

 

-- Francis, Francis, você não muda mesmo né garota?

 

-- Algumas coisas não mudam nunca branquinha, nem o meu amor por você. – Pronto, ela havia dito, agora esperava pela resposta da Dj.

 

-- Francis, eu amei as rosas, sua visita, eu senti sua falta, mas depois de tudo que aconteceu, eu mudei, as coisas mudaram, você me entende.

 

-- Eu meio que esperava por isso, mas pelo menos eu tentei né?

 

Vládia terminou de arrumar as flores, e ficando de frente com a Francis, a abraçou forte e pode constatar que aqueles braços, que antes eram seu porto seguro, a razão das borboletas flutuarem no seu estomago, hoje não passava de um abraço de uma amiga muito importante para ela, mas era só isso, eram amigas.

 

-- Eu te amei loucamente, ouso dizer que foi meio insano o que nós vivemos Fran, mas algo se quebrou sabe, e mesmo que a gente cole, nunca mais será a mesma coisa.

 

-- Eu sei, eu pisei feio na bola né? Joguei fora nossa história.

 

-- Você pisou na jaca, mas eu também errei, nós nos precipitamos, colocamos o carro na frente dos bois como dizia a minha avó, mas a nossa história existiu e foi muito linda Fran.

 

-- Tá certo, eu perdi, reconheço. – Ela baixou os olhos.

 

-- Ei, vem cá, vamos tomar um café, conversar, eu fui sincera quando disse que senti sua falta.

 

-- Tá certo Dj, o que você me pede que eu não faço?

 

Pegaram o café e foram sentar na varanda, Francis acendeu um cigarro e começaram a conversar.

 

-- Branquinha, posso te perguntar uma coisa?

 

-- Pode Fran. – Teve medo, mas não negou.

 

-- Tem alguém em sua vida agora?

 

-- Por que a pergunta?

 

-- Eu te conheço Vlá, esse brilho nos seus olhos me diz que você tem alguém.

 

-- Fran, eu não acho que essa é a melhor hora para a gente ter essa conversa.

 

-- Então eu acertei, você tem alguém. – A tristeza na voz transpareceu nos olhos da Francis.

 

-- Mais ou menos Fran, até uns dias atrás eu tinha, hoje nem eu sei mais se tenho.

 

-- Eu conheço? Me diz, por favor.

 

-- Conhece Fran.

 

-- Eu posso saber quem é?

 

-- Prá que você quer saber? Não muda em nada e como eu te disse, nem sei mais se estamos juntas.

 

-- Poxa Vlá, acho que eu mereço saber quem foi à pessoa que fez o que eu não fui capaz de fazer, ou seja, você feliz.

 

-- Não fale assim, você me fez feliz, eu fui muito feliz ao seu lado.

 

-- Vlá, por favor?

 

-- Tá bom Francis, é a Paula. – Ela não soube decifrar o que se passava na cabeça da Francis, ela abaixou a cabeça e lágrimas desceram dos seus olhos.

 

Francis chorou feito uma criança, Vládia estava desesperada já, tinha medo da reação que ela estava tendo, nunca viu ela chorar daquele jeito.

 

-- Fui eu mesma que joguei uma nos braços da outra não foi? Eu, burra, burra, burra. Confiei nela e ela não me disse nada naquele dia que estive aqui e abri meu coração para ela.

 

-- Calma Francis, se acalme, por favor. – Vládia disse abraçando ela.

 

-- Ela deveria ao menos ter tido a decência de me falar que vocês estavam juntas quando eu abri meu coração e disse a ela que eu ainda te amava e precisava dela para ter você de volta, mas não, ela não disse absolutamente nada, aquela falsa.

 

-- Francis, do que você tá falando? – Vládia não entendia nada do que ela dizia.

 

-- Vládia, esquece, esse assunto é meu e dela, de ninguém mais.

 

A conversa foi interrompida quando Pietra entrou, aproveitndo que a porta estava aberta, Francis saiu, enfurecida, sem nem se despedir da Dj ou cumprimentar Pietra. Vládia desmoronou no sofá e Pietra fechou a porta e correu para perto da amiga.

 

-- Vládia o que estava acontecendo aqui? Ela te bateu? Brigou com você?

 

-- Não Pietra, ela ficou assim por que eu disse a ela que eu e a Paula estávamos juntas, daí ela começou dizer umas coisas da Paula e a chamou de falsa.

 

Pietra imaginou que ela deveria ter falado sobre a conversa que ela havia tido com a Paula, as coisas que Paula havia omitido dela.

 

-- Vlá, por que você foi falar para ela de vocês?

 

-- Ela perguntou, disse que precisava saber, eu acabei contando, eu deveria saber que ela não receberia bem essa noticia.

 

-- Vlá, ela ainda te ama, já seria difícil ela aceitar que te perdeu para uma estranha, imagina para uma amiga, e ainda mais para a Paula?

 

-- Eu sei, não sei por que eu fui falar. Eu ainda não entendi as coisas que ela falou Pietra, a Paula só me disse que ela havia pedido desculpas pelo que fez.... – Vládia interrompeu a frase ao notar a expressão no rosto da Pietra.

 

-- Peraí, Pietra, o que você sabe que eu não sei?

 

-- Ai Vládia, a merd* já tá feita mesmo, deixa só eu pegar um café e eu te conto tudo.

 

E foi o que fez, contou a Dj tudo o que Paula havia conversado com ela, seus medos, seu caráter e a promessa que fez ela fazer

 

-- Foi assim que tudo aconteceu Vlá, por isso que a Francis estava irada com a Paula.

 

Vládia estava confusa com tantas informações, entendia agora o porquê da Paula ir viajar, ela havia deixado o caminho livre para a amiga, mas e ela? Como ela ficava nessa história toda? Será que em algum momento Paula pensou no que ela queria? Mais uma vez a vida lhe pregava uma peça.

 

-- Vlá, por favor, fala alguma coisa.

 

-- Falar o que Pietra? Mais uma vez me fizeram de idiota, a Paula não pensou em nenhum momento no que eu queria? Ela poderia ter me falado, me perguntado, mas não, ao invés disso, ela simplesmente arrumou as malas e foi embora, foi covarde Pietra, ela não lutou por nós, não acreditou em nós. – Vládia estava alterada, falava alto e andava de um lado para o outro pela sala.

 

-- Vlá, calma, foi difícil para ela tomar essa decisão, acredite em mim, você sabe que elas são amigas desde a infância, ela se viu sem saída, de um lado você e o que ela sentia por você, do outro a melhor amiga, poxa, procure entender um pouco ela. Não ache que foi fácil para ela.

 

-- Pietra, nem vem, eu entendo isso tudo, só não entendo por que ela simplesmente foi embora, ela poderia ter conversado comigo poxa. – Vládia procurou nas gavetas da estante até encontrar o maço de cigarro e tirar um, e quando Pietra se preparava para falar algo ela foi mais rápida.

 

-- Nem vem Pietra, eu to precisando.

 

-- Tá bom vai, mas só esse. Vem, senta aqui do meu lado.

 

Vládia acendeu o cigarro e sentou ao lado da amiga que a abraçou forte e disse.

 

-- Tudo vai se resolver Vlá, você vai ver.

 

-- Eu sei que vai Pietra, eu sei. Chega dos outros me fazerem de idiota, a idiota aqui morreu.

 

-- O que você pretende fazer agora que já sabe de toda a história?

 

-- Eu vou continuar com o que eu tinha planejado, vou voltar para SP, e to pensando sinceramente em virar totalmente hetero.

 

-- Como assim?

 

-- Homem é bem mais fácil, você coloca uma cerveja na mão, compra o canal de esportes da TV paga e pronto, ele é a pessoa mais feliz do mundo, sem a complicação que uma mulher tem.

 

As duas riram da afirmação que a Dj fez.

 

-- Mas é sério, como assim voltar para SP, e a Paula?

 

-- Pietra eu vou voltar para SP, eu preciso urgentemente de paz e sossego, eu to grávida, não dá pra ficar tendo essas emoções fortes, tá na hora de pensar no meu filho, quanto a Paula, ela fez a escolha dela Pietra, eu não vou atrás, se ela resolver que a gente vale a pena ela me procura, só espero que não seja tarde demais.

 

A conversa terminou ali, Vládia foi tomar um banho e começou a por em prática as coisas que precisava resolver para poder voltar para SP. Luiz foi comunicado que ela voltaria dali a dois dias, que iria de carro e sozinha, ele disse a ela que esperasse que ele estava indo para buscá-la, não deixaria ela voltar sozinha, sendo assim, três dias depois eles estavam partindo de volta para SP.

 

-- Pietra, avisa aquela burra da Paula que a espera por ela tem data de validade. – Luiz disse a Pietra quando se despediu dela.

 

A viagem durou dez dias, pois Luiz não permitia que eles ficassem tempo demais dirigindo por causa da gravidez, mas amaram a viagem, desceram pelo litoral a maior parte do caminho, passeando, e várias vezes se hospedaram como marido e mulher nos hotéis. Chegando em SP, Luiz deixou Vládia na casa dela, ela disse que precisava descansar e queria ficar em casa.

 

Arrumou as coisas da viagem e sentou-se no jardim, aquele era especial para ela, lembrava das horas que a mãe passava ali, o pai sentado na varanda tomando café e ela e o irmão brincando pelo quintal, sentia falta disso, era mais fácil quando era criança, as flores estavam lindas, começou a pensar na sua vida nesse último ano, se apaixonou pela Pâm, se decepcionou com ela, sofreu um acidente, voltou com a Fran, se separou dela, voltou com a Pâm, se separou dela, ficou grávida, voltou com a Fran, se separou dela e se envolveu com a Paula. “Que monte de merd* você fez hein Dj? Quantas mulheres e agora está sem nenhuma.” Triste a irônia do destino, pensou.

 

*****    

 

Quando se deu conta, 3 meses já haviam se passado desde que chegará ali, nesse tempo, não teve notícias da Paula, apenas que de tempo em tempo ela ia até a casa do pai pegar o dinheiro, a Fran sumiu do mapa, só Pietra e Silvinha a visitavam sempre que podiam, figurinha marcada em sua casa mesmo, só o Luiz, a Renata e a Pâm, que havia engatado um romance sério com a prima da Dj. Vládia já estava com oito meses de gestação, a barriga imensa a impedia de fazer várias coisas, como mexer com as flores, por exemplo, quando completou os oito meses decidiu que era hora de parar de tocar, os pés inchados a impediam de ficar muito tempo em pé. Apesar do sorriso constante em seus lábios, se sentia totalmente vazia por dentro e os amigos que a conheciam viam isso, aproveitava seu tempo livre lendo, devorou muitos livros nesses meses, mas sempre que se tocava no nome da Paula, ela mudava de assunto e quando Luiz a chamava para sair e paquerar ou caçar como ele mesmo dizia, ela dizia sempre a mesma coisa, que era uma mulher grávida e que ninguém se interessaria por ela. Embora ela não achasse, estava ainda mais linda grávida.

 

Era quinta-feira, véspera de feriado, Luiz ligou cedo dizendo que no dia seguinte teria uma festa na casa da Renata e ela estava intimada a comparecer, ela disse que iria só para o amigo não ficar falando para ir, mas tinha planos de ficar em casa vendo filme, Adrian estava inquieto esses dias, o que lhe causava certo desconforto, ele conseguia encaixar os pezinhos nas costelas e se esticar deixando-a quase sem ar.

 

Sexta-feira amanheceu com um sol lindo, os pássaros cantavam em sua janela anunciando que era hora de levantar. Sentia falta das suas caminhadas na areia da praia, da companhia das amigas, mas sabia que não poderia cobrar delas, e como ela não pretendia voltar tão cedo para Recife, se acostumou com a ausência da praia e delas.

 

Estava fazendo o café da manhã quando um carro parou buzinando em frente a sua casa, sabia que era Luiz e sabia que não seria fácil convencê-lo de que ficaria em casa. Escutou ele gritando lá na calçada, o apelido que havia colocado nela.

 

-- Dona redonda, nós chegamos, eu sei que você não iria para a festa, então eu trouxe a festa até você.

 

Vládia queria gritar para ele ir embora, mas respirou fundo e foi encontrar com o amigo, quando abriu a porta não acreditou no que seus olhos viram, estavam todos ali, Luiz, Pietra, Silvinha, Renata, Pâm e mais uma pessoa escondida dentro do carro que ela não conseguia ver quem era. Com lágrimas nos olhos, abraçou as amigas, beijou a todas, não tinha noção do tamanho da saudade que sentia delas até vê-las ali em sua frente.

 

-- Vlá, você tá imensa, tá tão linda branquinha. – Pietra disse abraçando e beijando o rosto todo da amiga.

 

-- Eu não disse que ela estava redonda? – Luiz perguntou mostrando a língua para a Dj.

 

-- Temos uma surpresa para você redonda. – Luiz disse abraçando e beijando a amiga enquanto Pietra abria a porta do carro e ela descia, deixando Vládia surpresa com a imagem que se formava em câmera lenta em sua frente enquanto ela saía de dentro do carro.

 

Francis estava mais magra, os cabelos mais compridos, abaixo do ombro, que ela tratou de prender num rabo de cavalo assim que saiu do carro, seus olhos estavam escondido pelos óculos escuros e assim que ficou de frente com a Dj, abriu o sorriso mais lindo que ela tinha, o sorriso pelo qual Vládia havia se apaixonado anos atrás, ela estava toda sem jeito, colocou as mãos nos bolsos traseiros da calça jeans desbotada que vestia. O silêncio imperava, mas os olhos de Vládia diziam muitas coisas para Fran, ela havia aprendido a ler os olhos da sua Dj, eles pediam perdão por todo o sofrimento, agradecia todos os momentos de felicidades que ela tinha tido ao lado dela, por ela ter cuidado dela na época do acidente.

 

-- Então, vocês vão ficar paradas aí, sem falar nada? Pelo amor de Deus gente, façam alguma coisa que eu já to em cólicas aqui. – Luiz falava de modo afetado olhando para elas.

 

Vládia caminhou até ela e sorrindo a abraçou apertado sussurrando em seu ouvido.

 

-- Eu senti saudades de você dona encrenca.

 

-- Eu também docinho. – Fran respondeu abraçando a Dj de volta e aspirando fundo o cheiro do seu pescoço.

 

Quando se separaram, ambas tinham lágrimas nos olhos, Fran colocou os óculos na cabeça e esticando suas mãos em direção a barriga da Dj, perguntou.

 

-- Posso?

 

-- Claro.

 

Ela acariciou a barriga dela maravilhada com a sensação, com olhos fechados ela sorria, abaixou, deu beijo demorado e falou para a barriga da Dj.

 

-- Ei garotão, eu senti sua falta.

 

A barriga da Dj mexeu, como se Adrian tivesse reconhecido sua voz.

 

-- Ele lembra de você, estava quietinho desde ontem a noite, pela primeira vez em semanas ele me deixou dormir uma noite inteira.

 

Ela se levantou e disse.

 

-- Você está imensa branquinha, tá linda.

 

-- Por que você ainda não me viu inchada.

 

Todos riram e os olhos de Vládia procuravam por uma pessoa que ainda faltava naquele contexto, Francis foi à única que percebeu.

 

-- Ela não veio docinho, aliás, faz meses que ninguém tem notícias dela.

 

-- Ela deve ter os motivos dela né? Vem, vamos entrar que eu estou terminando de preparar o café.

 

Entraram todos, Pietra e Silvinha foram ajudar Vládia na cozinha enquanto as outras levaram as malas para dentro.

 

-- Vlá, você notou que a gente veio para ficar na sua casa né amiga? – Silvinha perguntou abraçando a amiga que estava lavando umas xícaras na pia.

 

-- Ví sim e adorei, eu tava morrendo de saudades de vocês. Mas vem cá, eu preciso saber uma coisa. – Vládia disse puxando a amiga para sentar com ela no balcão de café.

 

-- A Fran, como ela está?

 

-- Ela está bem, ficou mau por uns tempos, mas depois que começou a fazer terapia, melhorou muito.

 

-- Terapia? Como assim?

 

-- Isso mesmo docinho, estou há 123 dias limpa de você. – Francis disse rindo da cara das duas.

 

-- Er... Desculpa Fran, mas não entendi, como assim limpa de mim?

 

-- Minha terapeuta disse que você era como uma droga para mim, e que eu teria que ir um dia de cada vez, ou seja, você era minha heroína Dj, e não era aquela das história em quadrinhos. – Francis disse dando um beijinho estalado na bochecha dela.

 

-- Nossa Fran, me desculpe, eu não sabia que eu te fazia tanto mal assim.

 

-- Você não fez Vlá, eu mesma que fiz, eu deixei meu ciúme chegar a um nível muito alto.

 

-- Mas você está bem? Agora, hoje eu quero dizer.

 

-- Tô sim e não se preocupe, quando eu te vi eu tive medo por que não sabia qual seria minha reação, a sua, enfim, mas quando te abracei, eu não senti absolutamente nada, a não ser o carinho e amor de amiga, você consegue me entender?

 

-- Claro, claro que sim. – Vládia respondeu acariciando a mão dela.

 

-- E aquela abestalhada da Paula, ela te ligou, mandou carta, e-mail, torpedo, sinal de fumaça, alguma coisa? – Francis perguntou mudando o rumo da conversa.

 

-- Absolutamente nada, embora eu ache que as ligações que eventualmente eu recebo e que desligam na minha cara após eu dizer alô são dela, desde o dia em que eu acordei e ela havia partido, não soube mais nada.

 

-- Idiota, olha, eu digo a você, quando eu encontrar com ela, vou dar uns tabefes nela para ela deixar de ser burra. Onde já se viu, abrir mão do amor só por causa de uma amiga atormentada mentalmente que ela tem? Que besteira. – As três riram.

 

O dia correu tranquilamente, a Dj se pegou várias vezes olhando Sil e Pietra juntas, existia uma cumplicidade imensa entre elas, o amor era palpável entre elas, Pâm e Renata eram um estopim prestes a acender a qualquer segundo, mas logo em seguida Renata fazia uma graça e a Pâm não resistia e se rendia aos beijos da namorada. Francis manteve uma certa distancia dela que embora muitas vezes teve vontade de abraçar a amiga, mas se conteve, não sabia até onde seria seguro para a amiga o contato entre elas, Luiz parecia uma galinha destroncada fazendo palhaçada o tempo inteiro, dizia que como a Fran estava solteira, ele iria se casar com ela, e ela entrou na brincadeira, dizia que ele daria uma excelente esposa, daí o macho alfa dele baixava e ele dizia que ele seria o homem da casa e que ela seria a dona de casa que levava as crianças para escola e dava pro marido a noite toda sem reclamar, as gargalhadas predominavam no ambiente.

 

À noite eles decidiram sair para comer uma pizza todos juntos, o restaurante era pequeno, mas tinha uma pizza deliciosa. Pediram as pizzas e como a Dj não podia beber, resolveram pedir suco para todo mundo.

 

-- Gente, não é justo, vocês podem beber, eu é que não posso.

 

-- Se você não bebe, ninguém bebe também. – Pâm disse.

 

Elas conversavam e riam, a felicidade estava estampada nos olhos da Dj, tinha sua família de volta, pelo menos parte dela, ainda faltava uma pessoa, muito importante para ela. Pietra abraçou a amiga e disse em seu ouvido.

 

-- Tá feliz branquinha?

 

-- Muito Pietra, obrigada por esse momento, Luiz me disse que foi idéia sua.

 

-- Não tem nada que agradecer estavamos todas morrendo de saudades de você.

 

-- Acho que nem todas sentem minha falta né Pí?

 

-- Vlá, eu aposto que ela também sente sua falta e muita.

 

-- Será? Se sentisse ela estaria aqui Pietra, ao meu lado, ocupando o espaço que é dela.

 

Pietra ia falar, mas seu celular começou a tocar e interrompeu a conversa das duas, Pietra pediu licença e saiu da mesa para atender, olhando no visor, não acreditou no nome que aparecia.

 

-- Alô.

 

-- Oi Pietra, eu atrapalho?

 

-- Agora você me conhece Paula? Por que nos últimos meses, quando eu te ligo, você ignora as minhas ligações.

 

-- Eu sei, me desculpe, eu não deveria ter ligado, desculpe te incomodar. – Paula disse, Pietra falou antes que ela desligasse.

 

-- Paula, espera, não desliga.

 

-- Certo.

 

-- Como você está maluquinha?

 

-- Eu to bem... Eu acho. – Paula respondeu.

 

-- Onde você está?

 

-- Onde você está? Me diz e se não for incomodar, eu vou até aí pra gente conversar.

 

-- Eu to na casa da Vlá, em SP, vem que estamos todas com saudades de você.

 

-- Pensei que estivessem em Recife. Como ela está?

 

-- Imensa, entrou no oitavo mês, linda e morrendo de saudades de você sua doida.

 

-- Eu também estou, mas não acho que minha presença ajudaria muito.

 

-- Você está aonde Paula?

 

-- Na casa do meu pai.

 

-- Vem para cá Paula, deixa de ser cabeça dura, vocês se amam, prá que ficarem separadas?

 

-- Eu queria muito ter essa certeza que você tem, eu vi nos olhos dela a decepção quando eu disse a ela que iria embora, e depois de tudo, vou chegar aí como?

 

-- Com a sua carinha linda, com um sorriso lindo estampado em seu rosto e dizendo a ela que fez a maior merd* da sua vida quando foi embora e a deixou, simples.

 

Pietra gelou quando alguém tocou em seu ombro, e se virando, ficou de frente com Vládia, que com lágrimas nos olhos pedia o celular que ela entregou e entrou deixando a amiga sozinha.

 

-- Paula? – Vládia perguntou deixando a outra muda com o coração aos pulos.

 

-- Pandinha eu sei que é você, fala comigo, não faz isso.

 

-- Oi minha linda, tudo bem com você? – Paula respondeu com a voz embargada.

 

-- Eu to bem... Morrendo de saudades de você. – Ela disse num fio de voz a última frase.

 

-- Eu também branquinha, senti saudades todos os dias.

 

-- Onde você está?

 

-- Na casa do meu pai.

 

-- Ah tá.

 

-- Eu preciso desligar, meu pai quer sair para comer algo, depois a gente se fala.

 

-- Tá certo. Paula?

 

-- Oi.

 

-- Eu sinto sua falta.

 

-- Eu também branquinha, em todos os momentos.

 

-- Então não some de novo.

 

-- Não vou sumir minha linda, nunca mais. Beijos.

 

E desligou, deixando Vládia parada lá fora com o celular na mão, nem deixou ela se despedir. Francis parou ao lado dela e acendu um cigarro, Vlá esticou a mão e pegou o maço das mãos dela roubando um cigarro e acendendo em seguida, encostou ao lado da Fran enroscando seu braço no dela e ficaram ali, lado a lado, fumando, Fran esperou ela falar algo, e como ela não disse nada, ela falou.

 

-- Conversa difícil?

 

-- Sim, muito.

 

-- Quer falar sobre?

 

-- Não.

 

-- Tá, quer fazer algo?

 

-- Quero.

 

-- O que?

 

-- Ficar aqui fora, assim, se não for incomodo para você.

 

-- Claro que não é, posso ficar perto de você, te tocar, só não posso te beijar, igual o AA, evitar sempre o primeiro gole, no meu caso, o primeiro beijo, mas ficaremos aqui então, e se contar ao Luiz que eu deixei você fumar um cigarro eu bato nessa sua carinha linda. – Francis brincou com ela.

 

-- Prometo.

 

As duas ficaram lá fora, em silêncio, às vezes Fran fazia uma gracinha e tirava um sorriso da Dj. Jantaram e voltaram para casa andando, à noite estava agradável, Pâm e Renata tinham ido de carro e foram de lá direto para a casa da Rê. Vládia voltou de braços dados com o Luiz e a Fran, enquanto Pietra vinha logo atrás, lado a lado com Silvinha.

 

-- Essas duas não se encostam quando andam na rua, é falta de amor ou de costume de andar a pé que elas têem medo de cair? – Luiz perguntou.

 

-- Ninguém entende Luiz, acho que uma tem alergia à outra. – Francis respondeu e os três riram.

 

-- Ei, eu estou ouvindo viu? – Pietra resmungou logo atrás.

 

-- E a Pâm com a Re, aquela historinha de irem para casa dormir por que estavam cansadas eu não engoli. – Luiz destilou mais um pouco do seu veneno.

 

-- Ah, dormi elas vão sim, mas só lá pelas cinco da manhã, com o fogo que a Pâm tem, a Rê...... – Vládia interrompeu quando se deu conta de que falara demais.

 

-- Ah não, pode terminar a frase. – Luiz disse e as meninas riam da cara vermelhinha dela.

 

-- Ai, gente curiosa é fogo viu, ela só tem digamos que um gás que dura a noite toda, só isso.

 

-- Como era quando vocês estavam juntas? – Luiz perguntou.

 

-- A nem vem Luiz, não falo das minhas intimidades com ninguém.

 

Foi o que bastou para ele ir até a casa da Dj azucrinando o juízo dela. Luiz pegou o carro e foi embora para casa dele, mas não antes de olhar para a Francis e a Vládia e perguntar.

 

-- Posso ir tranqüilo né? Não tem nada para eu me preocupar né? – Disse apontando para a Dj e a Francis.

 

-- Luiz, tchau, já tá na sua hora. – Vládia disse rindo enquanto o amigo saía rindo.

 

As meninas conversaram mais um pouco e logo foram se deitar, o dia havia sido longo e cheio de fortes emoções para todas. Vládia demorou a dormir, ficou pensando na conversa que teve com a Paula, apesar de ter sido rápido, serviu para aguçar ainda mais a saudade que sentia da sua pandinha, adormeceu um pouco antes das três da manhã.

 

Vládia acordou com alguém fazendo cócegas em seu nariz, e ao abrir os olhos se deparou com um Luiz rindo da cara dela.

 

-- Você não dorme não encosto? Vou pegar de volta a cópia da chave que eu te dei.

 

-- Amor, me desculpa, mas já passam das onze da manhã e você tem visitas, anda, levanta toma um belo banho e se arruma. – Ele disse já puxando o lençol que a cobria.

 

-- Luiz, vocês não são visitas, são de casa e estão aqui desde ontem.

 

-- Levanta logo, e se prepara que a Pâm não gostou nadinha da senhorita expor a intimidade dela ontem à noite.

 

-- Mas eu não expus nada Luiz... Ah seu linguarudo, eu juro que eu te mato um dia Luiz. – Ela gritou indo até o banheiro tirando a roupa para tomar banho.

 

-- Me poupe dessa cena branquela, mulher de roupa já é feio, sem roupa é pior ainda. – Ele disse tampando os olhos.

 

-- Mas quando você me deixou assim você não reclamou não é? – Vládia disse apontando para a barriga imensa.

 

-- Eu tava bêbado amiga, só pode.

 

Vládia arremessou uma almofada no amigo acertando em cheio a cara dele.

 

-- Se você não estivesse grávida do meu rebento, ia ter troco.

 

Vládia tomou banho e colocou um vestido de algodão que ia até os pés, uma rasteirinha, ajeitou o cabelo e foi para a cozinha encontrar com as amigas.

 

A mesa de café estava posta, tinha pães, frutas, suco, leite, café, tudo que tinha na geladeira foi parar naquela mesa, todas estavam sentadas e comendo, ela sentou ao lado do Luiz, que a serviu de café preto como ela gostava, com pouco açúcar.

 

-- Bom dia meninas, Luiz, cadê a visita que você disse que tinha para mim? – Ela perguntou ao amigo.

 

-- Somos nós Vlá.

 

-- Eu sabia, você realmente é um chato.

 

-- Qual é a boa do dia? – Silvinha perguntou.

 

-- Churrasco, cerveja gelada e muita bagunça no quintal da chata da Dj, mas tem que ser lá atrás por causa do jardim da dona redonda. – Luiz disse enquanto Vládia mostrava a língua para ele.

 

-- Bobo, tem carne e asinha de frango no freezer, tira para descongelar. – Vládia disse.

 

Depois de tomarem café da manhã, Pâm e Renata foram até o mercado para comprar as coisas que ainda faltavam, Vládia lavou a louça do café, Francis e Luiz estavam limpando a churrasqueira enquanto Pietra e Silvinha arrumavam a mesa e as cadeiras lá fora.

 

-- Vládia, alguma vez na vida essa churrasqueira foi usada? – Francis perguntou quando ela se sentou para ver o trabalho deles.

 

-- Meus pais usavam todos os finais de semana, mas eu mesma, nunca usei.

 

-- Deu para perceber tem uma teia de aranha aqui, que deve ter pelo menos uns dez anos, quase que preciso de uma tesoura para cortar.

 

-- Luiz, deixa de ser exagerado.

 

As meninas chegaram do mercado e Vládia foi ajudar Pâm a preparar os petiscos enquanto o churrasco não ficava pronto.

 

-- Está ansiosa Vlá? – Pam perguntou alisando a barriga dela.

 

-- Tô Pâm, não vejo à hora de enxergar meus pés de novo, sem contar outras partes que faz tempo que não vejo. – Ela riu.

 

-- Mas eu imagino a carinha dele todos os dias, até já sonhei com ele.

 

-- Ele vai ser lindo Vlá, tem pais muito bonitos, e se puxar a mãe, será um arraso. – Pâm piscou para ela.

 

-- E você com a Rê?

 

-- Ai Vlá, eu acho que é mal de família, sabe, ela também quer casar. – Vládia riu da cara dela.

 

-- Mas e aí, eu achei que vocês se amavam, pelo menos é o que parece.

 

-- Eu amo ela sim, loucamente, a Rê é uma porr* louca que me tira a razão, faz com que eu seja mais irresponsável, mas você sabe que esse assunto é meio delicado para mim, comprei finalmente aquela boate de Recife, vou ter optar pela do RJ ou a de lá, não posso estar nas duas ao mesmo tempo e a Andréa não quer tocar sozinha a do RJ, ela já tem duas, fica inviável para elas.

 

-- Poxa Pâm que chato, eu sinto muito.

 

-- É a vida minha linda, é a vida, escolhas, escolhas e mais escolhas.

 

Guardaram as coisas que usaram para providenciar os petiscos e seguiram para fora, Francis dedilhava o violão e Luiz estava embasbacado vendo-a tocar. A tarde foi animada, as meninas trouxeram algumas cervejas sem álcool para que a Dj pudesse sentir pelo menos o sabor, tocaram e cantaram a tarde toda, Francis e Vládia se revezavam no violão, mas a cantoria desfinada era geral. Estavam todas cansadas de tanto comer e beber, Pietra e Silvinha estavam sentadas na rede, Pâm e Renata estavam em uma espreguiçadeira, Luiz estava sentado no sofá com os pés da Dj em seu colo e Francis estava sentada no chão encostada no sofá, enquanto ela tocava o violão, Vládia mexia em seus cabelos, Pietra foi a primeira a gritar.

 

-- Papagaios, veja quem chegou.

 

 

-- Minha nossa senhora da surpresa, quem foi que acendeu as velas que ressucitou essa defunta? – Luiz disse.

Fim do capítulo


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Comentários para 16 - Capítulo 17:
mtereza
mtereza

Em: 22/04/2017

Vamos ver se as coisas finalmente irão se resolver agora.

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