Capítulo 15
O restante do dia passaram sentadas em uma poltrona, enquanto Paulinha tentava ler um livro, Vládia deitada em seu colo, atrapalhava a tentativa de leitura. Depois de ser interrompida pela décima vez, Paulinha fechou o livro e começou conversar com ela.
-- Paulinha, o que você pensa sobre tudo que está acontecendo com a gente?
-- Eu penso que está sendo tudo perfeito, mágico e maravilhoso, e acho que não seria diferente Vlá, eu te conheço como ninguém, e agora profundamente também, sei de todos os seus gostos, suas qualidades, seus defeitos e eu te digo sem medo de errar, eu amo todos. E você?
-- Eu estou adorando, você é perfeita, carinhosa, atenciosa, me faz rir, me dá segurança, eu sei que com você nunca será uma rotina.
-- Vlá, pode ser cedo para isso, mas eu gostaria muito que tudo o que estamos vivendo aqui, não ficasse só aqui, eu quero muito que dê certo entre a gente.
-- Eu também Paulinha, quero muito, mas dessa vez eu quero ir devagar, não precisamos ter pressa.
-- Branquinha, nós já começamos rápido, mas se você quer ir devagar, por mim tudo bem, não tocarei mais em você.
-- Você que se atreva a não tocar em mim, eu juro que te mato, te derreto em banho maria chocolate.
-- Eu sabia que você iria se apaixonar, eu deveria ter apostado com você.
-- Eu sempre fui apaixonada por você pandinha, você sempre foi especial em minha vida.
-- Sabia que eu sempre pensei no por que de nós nunca termos nos envolvido?
-- Eu também não sei Paulinha, teria sido tudo tão mais fácil.
-- Teria mesmo.
Abraçadas, assistiram ao por do sol, aquela era a hora preferida do dia para a Dj, quando o sol se despedia para que a lua resplandecesse no céu.
-- Vlá, você pretende ficar aqui até quando?
-- Não sei, você quer ir embora quando?
-- Por mim eu não iria mais, encontrei uma paz tão grande aqui, tenho você, o Adrian, a Rê e o Luiz, e voltar para Recife significa abrir velhas feridas.
-- Você ainda não está pronta para reencontrar com elas né?
-- Na realidade eu não estou pronta para encarar a Francis ainda, se ao supor que algo havia acontecido ela agiu daquela forma, imagina agora quando ela terá a certeza de que realmente está acontecendo. Encontrar a Pietra com a Silvinha será inevitável, mais cedo ou mais tarde isso irá acontecer, e embora eu ainda esteja totalmente preparada para isso, se você estiver ao meu lado será mais fácil.
-- Quando me lembro dela agredindo você, meu coração sofre, eu sei que vocês sempre foram amigas, desde antes de eu entrar na vida de vocês, me sinto responsável pelo que aconteceu.
-- Não se sinta, ela sempre foi assim, meio impulsiva, não enxerga um palmo adiante do nariz quando acha que está com a razão. Tenho certeza que já deve ter se arrependido do que fez, só é muito orgulhosa para reconhecer e pedir desculpas.
-- Sempre foi cabeça dura, será que um dia ela irá crescer?
-- Eu espero sinceramente que sim, por que se continuar desse jeito, vai acabar sozinha.
-- É verdade. – Vládia tinha os olhos perdidos, o que deixou Paulinha inquieta.
-- Aconteceu algo? Notei uma certa tristeza em seus olhos.
-- Nada demais, é só que às vezes pensamos que conhecemos as pessoas, mas quando algo assim acontece, vemos que na realidade não sabíamos nada sobre ela.
-- Essa é a maravilha de sermos seres humanos, vivemos em constante mutação meu anjo, uns melhoram, outros não.
-- Pois é, esse é o problema, as pessoas complicam demais.
Um beijo estalado na bochecha da Dj a fez sorrir.
-- Sabia que eu amo seus beijos estalados?
-- Sim, por isso eu sempre os dei em você.
Paulinha saiu distribuindo pelo rosto todo da Dj fazendo-a rir com essa atitude. Ficaram mais um pouco conversando banalidades até que começou escurecer e esfriar. Paulinha levantou e chamou Vládia para entrar, logo os amigos chegariam para mais uma noite de quebra cabeça.
Deram uma arrumada geral na casa e foram até a cozinha preparar algo para que eles pudessem comer durante a noite. Paula fez sanduíche natural, ela dizia que Vládia precisava de comida de verdade. Arrumaram uma tábua de frios, fizeram suco para a Dj, por que os amigos iriam de vinho e cerveja. A noite estava agradável, um friozinho convidativo para ficar dentro de casa, às nove horas, os amigos chegaram, como prometido, Luiz trouxe vinho enqanto Renata trouxe cerveja e duas pizzas.
-- Como está meu filhote? – Luiz perguntou alisando a barriga da Dj.
-- Está bem, anda meio quietinho, acho que é o frio.
-- Vocês não andaram fazendo nada que prejudique meu rebento não é mesmo?
-- Não Luiz, não me pendurei no lustre. – Vládia ria da cara do amigo.
-- Paulinha, você se contenha, senão eu te mostro os quatro cantos da casa.
-- Ai que medo, não conhecia esse seu lado violento.
-- Você não viu nada meu amor, eu sou tipo que lambe a cria.
-- Eu achei que quem fizesse isso fosse a mãe? – Paulinha provocou.
-- Paula, a cria é minha e eu protejo como quiser. – Luiz disse mostrando a língua fazendo com que todos rissem.
-- Será que conseguimos terminar hoje esse quebra cabeça? – Renata perguntou.
-- Só se a gente prender a Vládia no banheiro, por que as frescuras dela não deixam a gente montar. – Luiz falou.
-- É que vocês bagunçam tudo, misturam as peças, fazem um verdadeiro auê.
-- Chega de conversa e vamos dar início aos trabalhos. – Renata falou.
Apesar do que os amigos disseram sobre as atitudes da Dj, ela continuou pegando no pé deles, saía recolhendo as peças que eles por vezes espalhavam. A noite estava divertida, por vezes Vládia se pegou pensando que viveria assim para sempre, com essa harmonia que deixava o ambiente leve, o amor que existia entre eles, às vezes sentia os olhos de Paula sobre ela, e ao olhar, a outra jogava beijinho. Adrian mexeu, ela entendeu que ele também gostava dessa paz repentina. O celular tocou, no visor, o nome da Francis apareceu, ela não queria atender, mas como as pessoas da sala a encaravam, ela pediu licença e saiu na varanda para atender.
-- Alô.
-- Docinho, tudo bem?
-- É Vládia para você, e sim, eu estou bem. O que você quer Francis?
-- Conversar com você, pode ser?
-- E não é isso que você está fazendo?
-- Sem pedras nas mãos Vlá, por favor.
-- Diz logo Francis, eu estou ocupada.
-- Eu queria te pedir desculpas docinho, sei que fui uma completa idiota em achar que você e a Pandinha tinham tido alguma coisa naquele dia.
-- Foi mesmo, e no dia anterior também, achando que estava com a Pâm, e sem falar no dia em que você achou que eu havia trepado com a minha prima. – Vládia quasse gritava ao celular.
-- Vlá, eu estou falando da Pandinha, essas outras eu ainda acho que algo aconteceu. – Vládia explodiu ao ouvir.
-- Faça-me um favor Francis, vai se tratar, você é louca, só pode. Invade minha casa, fala um monte de besteiras, agride minha melhor amiga e sua também, e depois ainda tem a cara de pau de me ligar e falar essas besteiras, a vai para o inferno você e seu ciúmes besta, eu cansei, me esquece Francis, some da minha vida, prá mim chega.
-- Vládia, eu te pego toda enroscada na cama com a Renata, você tinha a cara enfiada no meio dos peitos dela, queria que eu pensasse o que? Depois, eu resolvo ir atrás de você para conversar e te encontro abraçada aquelazinha, de novo você quer que eu pense o que?
-- Não pense nada Francis, você não precisa pensar em nada, você já não faz parte da minha vida. Até por que, se você me conhecesse, não precisaria pensar nada, pois saberia que eu jamais faria isso com você, muito menos comigo.
-- Vlá, me perdoa meu anjo, eu não vivo sem você, to com saudades, volta prá casa docinho.
-- É um pouco tarde para isso você não acha? Acabou Fran. – Vládia desligou antes que ela pudesse lhe dizer qualquer coisa.
Ficou parada la fora, sentindo o frio da madrugada que se anunciava, chicotear seu corpo queria sai de lá, entrar, se enterrar nos braços da Paulinha, queria sentir a segurança que ela lhe dava, mas não podia, precisava se acalmar primeiro, não queria ter que explicar nada para ninguém. O celular tocou de novo, era Francis.
-- Você não desiste nunca? – Ela perguntou olhando para o aparelho antes de derrubar a ligação.
Alguns minutos depois, ele voltou a tocar, e mais uma vez ela derrubou a ligação, na terceira tentativa da Francis, ela arremessou o aparelho que ao bater na parede, se despedaçou no chão.
Os amigos, ao ouvirem o barulho, saíram correndo em direção a Dj, Paulinha foi a primeir a chegar até ela, olhando-a nos olhos, apenas abriu os braços rebendo ela em um abraço forte, seguro e que em nada a cobrava, apenas a recebia. Renata e Luiz recolheram as peças do aparelho na esperança dele ainda funcionar. Voltaram para dentro e Renata pegou Luiz pela mão e foi para cozinha fazer um chá.
-- Vai me dizer o que foi que aconteceu para que você arremessasse seu celular deste jeito. – Paulinha perguntou depois que se sentaram no sofá.
-- Aquela mulher me tira do sério.
-- Era a Fran no celular né?
-- Tá tão óbvio assim?
-- Na verdade não, mas é que você não estava exatamente conversando com ela no celular, daqui de dentro nós escutamos parte da conversa.
Vládia contou a a conversa que havia tido mais cedo, pelo menos a parte que ela não havia ouvido. Quando a Dj terminou, Paulinha a puxou para seu colo, beijou de leve seus lábios e a abraçou.
-- Você não vai dizer nada?
-- Vlá, não tem nada para dizer, a Fran sempre foi cabeça dura, não vai mudar, e quando souber do que rolou entre a gente, vai querer me matar, acredite em mim.
-- Rolou? Por que no passado?
-- Só forma de falar branquinha.
-- Paula, você está disposta a enfrentar isso tudo para ficar comigo?
-- Para ficar com vocês meu anjo, eu enfrento a Fran, o exército, a marinha, meu pai e quem mais aparecer.
-- Mas ela é sua amiga Paula.
-- Se ela realmente for minha amiga, um dia ela enxerga a burrada que fez e me procura, sem mágoa nem ressentimento, como eu já fiz várias vezes com ela.
Vládia segurou o rosto dela em suas mãos, e a beijou, de forma lenta e carinhosa, queria que ela soubesse que também estaria ao seu lado e que enfrentaria tudo e todos por ela. Decidiu naquele instante que a queria ao seu lado mais do que qualquer pessoa nesse mundo, queria na sua casa, na sua vida, na sua cama, a queria em tudo e em todos os momentos.
Luiz voltou da cozinha com a Renata e um bule de chá, entregou a Dj uma xícara que apesar de não ser muito fã de chá a pegou e começou a beber.
-- Branquela, eu não tenho nada com isso, mas eu posso te falar uma coisa? – Luiz perguntou.
-- Claro Lú.
-- Eu to achando tudo muito lindo o que você e a Paula estão vivendo, ela trouxe o brilho dos seus olhos de volta, uma paz para sua vida, tudo o que você e meu filhote precisam no momento, mas como vai ser quando vocês voltarem para a realidade? Por que esse conto de fadas uma hora vai acabar, ou nenhuma de vocês precisa trabalhar mais? E a Francis não me parece o tipo de pessoa que irá aceitar numa boa o envolvimento das mocinhas aí.
-- Eu sinceramente não sei Luiz, esse lado dela eu só conhecia quando se referia a amigos, ela sempre teve ciúmes, mas nunca foi nada exagerado assim. Confesso que tenho medo, mas você tem razão, mais cedo ou mais tarde teremos que nos reencontrar, mas eu não quero que seja agora. – Vládia respondeu ao amigo.
-- Vládia, se essa menina der uma de louca prá cima de você, eu tiro o homem que vive escondido dentro mim de dentro do armário e coloco ela no lugar dela.
-- A Francis não vai fazer nada contra ela Luiz, e se fizer, eu mesma a coloco no lugar dela. – Paula respondeu segurando a mão da Dj entre as suas.
-- Vlá, eu não acho que ela vá fazer nada contra você, ela só está meio perdida, acho que o lance do casamento ela fez meio que sem pensar, mas ela não me parece tão violenta, acho que ela está mais para confusa. – Renata falou.
-- A Francis, quando você a conhece, você percebe que apesar de ser meio desligada, ela é a pessoa mais doce, mais amiga desse mundo, pelos amigos ela vai até o fim do mundo, o ciúmes que a deixou cega. – Paulinha disse com uma voz embargada, no fundo amava a amiga, estavam há tanto tempo uma na vida da outra.
-- Ok, se vocês dizem eu acredito, mas eu não gostaria que vocês voltassem tão cedo para lá, deixem as coisas se acertarem antes. – Luiz pediu.
-- Não vamos voltar Luiz, pelo menos não agora. – Paulinha respondeu.
-- Tá certo, então vamos terminar logo esse quebra cabeça que eu to louco pra ver ele pronto. – Luiz disse se levantando e puxando Renata e Vládia pela mão.
Por hora a ligação recebida foi esquecida pelos quatro, e conforme a vontade do amigo, de ver pronto o quebra cabeça, terminaram ele naquela madrugada, fizeram com que Vládia encaixasse a última peça.
-- E agora Vlá, o que fazemos com ele? – Luiz perguntou.
-- Desmontamos e guardamos. – Ela respondeu.
-- O quê? Depois desse trabalhão que deu para montar, você quer desmontar e guardar? – Ele falou indignado.
-- Claro Luiz, o que você achou que iríamos fazer?
-- No mínimo que você fosse colocar ele na moldura, deu um trabalho danado e agora você quer desmontar e guardar, eu não acredito.
-- Essa é a graça meu amigo, montar, ver pronto e depois desmontar e guardar, para daqui um tempo montar de novo.
-- Vládia, se desmontar e guardar, quando for montar de novo, por favor, amiga, não me chame, esse trabalho todo à toa.
Os amigos caíram na gargalhada diante da indignação do amigo, e Vládia decidiu por ora, não desmontar a obra prima do Luiz, deixaria para fazer isso quando ele já tivesse ido embora.
Um mês havia se passado desde que a Dj e Paulinha chegaram de Recife, o relacionamento entre elas havia decolado, estavam mais unidas do que sempre foram. Luiz e Renata eram presença garantida na casa que agora elas chamavam de lar, os quatros estavam inseparáveis, até Pâm, que apareceu por lá um final de semana para visitar Renata, não resistiu aos encantos do lugar. Vládia e Paula cuidavam da casa, a Dj ensinou a nova namorada a cuidar do jardim, pintaram a fachada da casa num tom verde claro, e começaram a arrumar um dos quartos da casa para quando Adrian chegasse. Estavam terminando de colocar os adesivos decorativos na parede do quarto dele quando Luiz chegou com uma cesta nas mãos cheia de coisas para comerem. Paula, Vládia e Renata que estava ajudando na reforma do quarto, foram se lavar para tomar o café que o amigo trouxe.
-- Paula, você virou uma roceira de mão cheia menina, o jardim está lindo, todo florido. – Luiz brincou a amiga.
-- Eu também acho, mas não fui eu quem fiz, eu até tentei, mas quando Vládia viu a bagunça que estava fazendo com a terra ela me expulsou de lá, me mandou terminar de pintar a lateral da casa.
-- Típico dela minha cara.
-- Ei vocês dois, eu estou aqui. – Vládia lembrou os dois que caíram na gargalhada.
Sentados à mesa, Luiz começou a tirar da cesta os itens que ele havia comprado, tinha pão integral, queijo branco, bolo integral com passas e ameixa, bolo de limão, geléia de framboesa, ricota e uma garrafa de suco. Paulinha ficou brava com tanta coisa light, mas comeu de tudo um pouco com os amigos. Depois de arrumarem a bagunça do café, Vládia levou Luiz para ver como estava ficando o quarto do Adrian, assim como a fachada da casa, o quarto dele também era verde claro, com detalhes em branco, Vládia mostrou o local que colocaria o berço, a cômoda e a poltrona para amamentar. Luiz achou lindo e aprovou o bom gosto da amiga.
-- Você já decidiu qual o modelo do berço que você vai comprar? – Luiz perguntou.
-- Não vou comprar, minha mãe ainda tinha o meu guardado na garagem, eu mandei restaurar, ele vai dormir na mesma cama que a mãe dele dormiu a quase trinta anos atrás.
-- Ai que lindo Vlá. Então eu vou comprar um Moisés para ele.
-- Adorei! Compra um sim, mas no estilo antigo, aqueles modernos não tem a mesma beleza.
-- Já vi que esse menino já vai nascer velho, pelo menos no meio das velharias dos pais. – Renata falou abraçando os dois.
-- Vocês decidiram fincar os pés na terra mesmo né? Não voltam mais embora? – Luiz perguntou para Vládia.
-- Credo, até parece que você está expulsando a gente daqui.
-- De forma alguma branquela azeda.
--Mas agora é sério, eu e a Paula conversamos e decidimos que aqui é o melhor lugar para criar o Adrian, ele terá essa natureza linda, liberdade para brincar e correr, pisar na terra, não terá que ficar preso dentro de um apartamento rodeado pela falta de segurança que uma cidade grande oferece.
-- Certo, eu concordo com vocês, mas vão viver de brisa?
-- Não, o pai do Adrian tem três academias, então a pensão dele vai ser bem gorda.
-- Cretina, você deu foi o golpe do baú. – Luiz se fez de indignado.
-- Brincadeira Lú, eu tenho algum dinheiro guardado, Paula tem investimentos e meu trabalho eu posso fazer em qualquer lugar.
-- Ah tá, vai virar Dj de festa de rodeio né meu bem, por que aqui é só essas festas que tem. – Luiz brincou com a Dj.
-- Luiz, nesse quesito ela está craque já, outro dia cheguei aqui e ela estava ouvindo sertanejo universitário – Renata disse.
-- Só para vocês ficarem sabendo, eu já tenho cinco festas fechadas para tocar e dois casamentos, então, trabalho tem. Sem contar uma boate que tem na cidade ao lado que me ligaram para tocar toda sexta a noite.
Paulinha entrou no quarto e encontrou os três rindo, beijou de leve os lábios da Dj e disse.
-- Já contou para eles?
-- Eu estava tentando, mas o Luiz resolveu ficar tirando uma com a minha cara.
-- Contou o que? O que tem para contar? – Luiz curioso queria saber.
-- Nós estamos indo para Recife sexta-feira de manhã, temos algumas coisas para resolver por lá. Paula vai dar a casa que ela vivia com a Pietra para ela e um dos carros também.
-- Mas por que tudo isso agora? – Luiz perguntou.
-- Lú, eu disse que nós resolvemos que o melhor lugar para nós três é aqui agora, mas para isso precisamos resolver umas coisas que ficaram por lá. Vou alugar meu apartamento, tem meu equipamento de som que está na escola, preciso encerrar alguns contratos que tenho lá e a Paulinha precisa acertar tudo, por que não vai estar lá como antes, precisa deixar uma procuração para o pai dela poder resolver tudo.
-- E seu carro? Você não vai vender aquela máquina né? – Renata perguntou.
-- Não Rê, a Paula tem dois carros e uma moto, um ela vai deixar com a Pietra, o outro ela vende e a moto ela vai trazer. Meu carro eu não vou vender, até por que eu perderia dinheiro com a venda, ainda estou pagando. Vamos voltar com eles para cá, meu carro e a moto dela.
-- Você vem de carro e essa doida vem de moto? – Luiz perguntou sentando-se no chão.
-- Não, o pai dela tem aquela carrocinha que engata na traseira do carro, a moto vem lá, meu equipamento de som eu despacho pela transportadora.
-- Vládia, as meninas já sabem que vocês duas estão juntas? – Renata perguntou.
-- Não Rê, vão ficar sabendo quando a gente chegar e contar.
-- Mas, como vocês acham que elas vão reagir? Afinal tem a Pietra né.
-- Pelo que eu soube, ela e a Silvinha estão se dando muito bem. – Paulinha respondeu.
-- E a Francis?
-- Bom, essa aí já é uma incógnita, ela sumiu do mapa, Silvinha foi a última a falar com ela na semana passada, ela disse que estava indo viajar, então acho pouco provável que encontre com ela.
-- Menos mal então. – Luiz suspirou.
-- Não se preocupe Luiz, não vai acontecer nada com a gente, ela é ciumenta sim, mas não é louca. – Vládia tranqüilizou o amigo.
Mudaram o assunto e foram sentar na varanda, passaram o resto da tarde conversando sobre as coisas que ainda faltavam arrumar na casa, Vládia e Paula estavam decididas a construir juntas aquela família que estava se formando, a vizinhança sabia que naquela casa morava um casal diferente, mas como elas eram discretas e não davam motivos para que ninguém comentasse nada sobre a vida delas, eles as tratavam como duas pessoas comuns, a única demonstração de que eram relamente um casal, eram os beijinhos leves que vez ou outra elas trocavam no quintal e como a casa era rodeada por cerca viva, vez ou outra alguém via, mas não era nada que chocasse, o amor e o carinho existente entre elas era visível e o respeito existia.
Os amigos foram embora no final da tarde, Renata iria pegar uns livros na casa de um amigo e Luiz iria dar aulas, já que um dos seus professores estava doente. As meninas foram para sala assistir televisão, nesse último mês, Paulinha havia virado uma noveleira de mão cheia, Vládia achava graça quando ela brigava com os personagens da televisão. O celular da Dj tocou, no visor, o nome da Sílvia apareceu, para não atrapalhar a novela da Paula, ela levantou e foi até a cozinha atender e preparar um café.
-- Fala coisa pequena e irritante.
-- Oi para você também Vlá. Já que você não dá notícias eu ligo né.
-- Para de drama Sil, falei com você no domingo.
-- Eu sei, eu to com saudades de vocês, quando vocês voltam sua chata?
-- Era para ser surpresa Sil, mas para fazer uma criança feliz eu vou te contar, voltamos na sexta.
-- Jura? Ai meu pai do céu.
-- Nossa, achei que você fosse ficar feliz.
-- Eu to, não é isso, é que eu preciso contar uma coisa para você e não sei como.
-- O que? Que você e a Pietra finalmente se acertaram?
-- Quem foi que contou?
-- Ninguem Sil, mas o esperado era esse.
-- É, nós estamos juntas sim, mas isso só aconteceu há uns dias, não tem nem uma semana eu juro.
-- Sil, pare com isso, não precisa dizer data, hora nem local, estávamos torcendo por vocês.
-- Estavam? Então quer dizer que para a Paulinha está tudo bem o fato de que eu estou com a mulher dela?
-- Ex Silvinha, ex, e está sim, ela já superou a separação.
-- Ai Vlá, com que cara eu vou olhar para cara dela?
-- Com a cara lavada de sempre sua boba. Sil, ela é sua amiga, não é nenhum bicho.
-- Eu sei, mas é que sei lá, ela poderia estar chateada, ela teria motivos para isso.
-- Ela não está, pode ficar tranqüila amiga.
-- É fácil falar, não é você. Mas me diga uma coisa, como está o Adrian?
-- Está bem Sil, esses dias ele andou agitado, mas agora acalmou outro dia parecia que tinha uma escola de samba na minha barriga, ele literalmente estava sambando aqui dentro.
-- Que bom, vocês fazem falta aqui, vou avisar dona Ana que você está voltando e pedir que ela faça compra.
-- Não precisa comprar nada Sil, só pede para ela dar uma geral no apê para mim.
-- Como assim não precisa comprar? Você não come mais não? A casa tá fechada há mais de um mês, a despensa está vazia.
-- Tá certo, mas diga para ela não comprar muita coisa, eu quero ir ao mercado quando chegar. – Não teve coragem de dizer a amiga que estava indo apenas para oficializar a mudança para SP e colocar o apartamento para alugar.
Conversou mais um poço com a amiga, a tranqüilizou sobre a reação da Paula sem dizer que assim como a Pietra, ela também já tinha alguém na vida dela. Pegou o café e foi até a sala, Paula, deitada no chão, dormia abraçada a almofada, ela achou linda a cena e resolveu não acordá-la, foi sentar na varanda com as duas xícaras de café nas mãos.
Algum tempo depois, uma Paula sonolenta saiu ao encontro dela e sentou na cadeira ao lado segurando sua mão. Vládia contou a ela sobre a Pietra e a Sílvia e notou um certo desconforto da parte dela ao ouvir.
-- Paula, tá tudo bem?
-- Tá sim meu anjo, por quê?
-- Você me pareceu ficar triste com a notícia.
-- Foi estranho, mas não estou triste.
Um silêncio se instalou entre elas, Vládia sabia que a reação da Paula era natural e resolveu permitir que ela digerisse a história antes de falar qualquer coisa.
A semana passou rápido e quando se deu conta, já era sexta e Luiz buzinava na frente da casa esperando as amigas sair com as malas para levá-las ao aeroporto.
-- Não precisava Luiz, nós iríamos... – Ele interrompeu.
-- Iriam de que? De ônibus? Acha que eu deixaria meu filho ir chacoalhando daqui até SP? Vamos logo que eu levo vocês.
A viagem foi tranqüila, em três horas elas chegavam no aeroporto, duas horas antes dohorário do vôo. Luiz se despediu delas, recitou um livro de cuidados antes delas embarcarem e disse que avisassem quando estivessem voltando. Embarcaram e três horas depois desciam em Recife, Vládia notou que Paula exitou em sair do setor de desmbarque, segurou a mão da namorada tentando passar uma força que nem ela tinha, mas havia chegado o momento de resolverem as coisas, exorcizar velhos fantasmas para conseguirem seguir adiante, sabia que não seria fácil essa estada lá, mas era extremamente necessária. Paula sentiu o apert forte das mãos pequenas da Dj nas suas e retribuiu, olhou para ela e deu um sorriso com um aceno de cabeça e deram o primeiro passo para a área externa, elas se entendiam sem a necessidade das palavras, enfrentariam juntas o que viesse pela frente. Essa viagem prometia muitas emoções, e estavam juntas para passar por elas, fossem boas ou ruins.
O dia estava quente, o sol estava resplandecente no céu azul, Vládia sentiu o calor tocar sua pele, sentia saudades do clima dessa cidade. Pegaram um táxi e foram em direção ao apartamento da Dj, o trajeto não era longo, mas Paula o fez em total em silêncio, esfregava as mãos dando uma amostra do quanto estava nervosa de estar de volta a realidade, aquela cidade lhe trazia muitas lembranças, mas as que insistiam em povoar sua mente e seu coração naquele momento eram tristes. Quando o táxi parou em frente ao prédio da Vládia, a Dj tocou seu ombro tirando-a de seus pensamentos avisando que já haviam chego. Cumprimentaram seu Antonio na portaria e subiram. Vládia abriu todas as janelas, para que a luz do sol entrasse e a brisa leve trocasse o ar, apesar de dona Ana estar cuidando dele, tinha um cheiro de casa vazia que Vládia detestava. Paula voltava da cozinha quando Vládia abria a porta de vidro da sacada.
-- Vlá, sua geladeira só tem água, gelo e açúcar.
-- Eu não avisei a mama que estava voltando, acho que vamos ter que ir até o mercado. – Disse envolvendo Paula pela cintura e beijando de leve seus lábios.
-- Você quer ir agora? – Paulinha perguntou.
-- Por que a pressa? Eu tinha outra coisa em mente antes de sairmos daqui. – Disse de forma sedutora passando a mão pelas costas da namorada que delicadamente fugiu da carícia da namorada.
-- Vlá, eu quero ir ainda hoje falar com meu pai, não quero protelar mais. Preciso pedir a ele que faça a papelada passando a casa para o nome da Pietra, e acredite em mim, essa conversa não vai ser nada fácil.
-- Tá bom, vamos ao mercado então. – A Dj queria acreditar que era só isso que estava mexendo com sua namorada, mas sabia que não era apenas isso.
Foram à um mercado próximo a casa da Dj, e em meia hora Paulinha deixava a Dj em casa e seguia para a casa do pai. Apesar de estar totalmente apaixonada pela sua melhor amiga, ela sabia, que essa atitude dela significava que Pietra estava fora da sua vida definitivamente e com ela todos os seus sonhos, os planos que haviam feitos juntas. No táxi, Paulinha deixou as lágrimas saírem, sentia-se culpada, culpada pelo sentimento de perda que invadia seu coração nesse momento, ela tinha uma pessoa maravilhosa ao seu lado, uma mulher que se encaixava perfeitamente nela, tinham uma sintonia extraordinária, eram muito boas juntas, se entendiam em tudo, principalmente na cama, Paula não conseguia entender o porquê desse sentimento que a estava machucando. Com a Vládia, ela se sentia plena, completa, realizada, então por que estava triste de oficializar que estaria livre para se entregar a essa relação? Paula não sabia. O táxi parou em frente a casa do seu pai, assim como ele, a casa era imponente, Paulinha respirou fundo e entrou.
No apartamento, Vládia arrumava as compras, o som estava ligado e a cafeteira já terminava seu café. Ela se serviu de uma caneca generosa e foi sentar na sala. Sua cabeça estava a mil, a príncipio achou que a idéia de voltarem para casa e resolverem tudo era o melhor a ser feito, mas depois de ver como Paula havia ficado, não tinha mais tanta certeza se essa era a hora de tomarem essa decisão.
“Vládia, como você consegue se meter tanto em problemas hein?” Ela se perguntava. Ela queria saber o motivo de Paulinha ter ficado daquele jeito, tinha medo que a amiga tivesse descoberto que ainda amava a ex e que queria voltar com ela, sentiu medo de não sentir mais a paz que sentia ao lado dela, da vida simples que elas haviam levado no último mês que passaram em SP, mas ela não iria cobrar absolutamente nada, amava demais aquela morena para vê-la sofrendo, e se ela decidisse lutar pela ex, ela não tentaria impedir. Esse simples pensamento fez seu coração doer, a quem ela queria enganar? Ela queria sua pandinha ao seu lado, queria acordar todas as manhãs e ver Paulinha ao seu lado na cama, agarrada a ela, dormindo como um anjo, não saberia mais viver sem o sorriso dela, sem o som da sua voz rouca em seu ouvido quando faziam amor. Sentiu uma saudade imensa de sua mãe, de quando ela estava assim e a mãe a abraçava e dizia que tudo ficaria bem, queria tanto poder sentir a segurança que aquele abraço trazia para ela. Levantou-se e resolveu tomar um banho demorado, quem sabe a água fria a fizesse relaxar. E assim fez, tomou um belo banho e ainda enrolada na toalha, deitou na cama e acabou adormecendo. Acordou quando ouviu o barulho da porta do quarto se abrindo. Paulinha entrou e sorriu para ela que retribuiu o sorriso abrindo os braços para que ela se deitasse com ela.
-- Me deixa tomar um banho antes? Tô derretendo.
-- Deixo, vai lá, mas não demora.
-- Rapidinho, você não vai nem sentir minha falta.
-- Impossível, eu já estou sentindo.
Paulinha beijou ela e foi para o banho, e como prometido, em alguns minutos saía do banheiro enrolada na toalha e deitava ao lado de Vládia.
-- Como foi a conversa com seu pai?
-- Estressante, não sei por que ele não pode simplismente fazer o que eu peço a ele.
-- Procure entender ele, ele está preocupado com você meu amor, só isso.
-- Eu sei, mas branquinha, minha mãe me deixou três casas e dois prédios com salas comerciais, fora os investimentos que eu não entendo nada, posso dar essa para ela, afinal quando fomos morar lá, ela não tinha todos aqueles cômodos, nós construímos juntas, então, metade daquela casa também é dela, mas ele não entende isso. Mas enfim, ele vai fazer o papel, passando para o nome dela, quando estiver pronto ele me avisa e eu vou até lá para assinar.
-- Você vai vê-la?
-- Eu não gostaria, pelo menos não por enquanto, não estou pronta para encontrar com as duas, não ainda.
-- Eu te entendo, mas você sabe que isso vai acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde né?
-- Sei sim, mas por enquanto eu posso evitar.
-- Tá bom.
-- Você comeu alguma coisa?
-- Não, e você?
-- Nada também, vamos comer um açaí no quiosque da praia?
-- Vamos pandinha, nossa, faz muito tempo que eu não como.
Colocaram uma roupa e saíram, o quiosque ficava apenas alguns metros da casa da Dj, compraram e foram sentar na areia da praia, comeram o açaí conversando e sentindo o frescor que vinha do mar. Vládia sentiu o Adrian se mexer e pegou a mão da namorada levando até sua barriga, outro chute e mais outro.
-- Esse é meu garoto, vai ser jogador de futebol.
-- Você fala assim por que é sua barriga que esta sendo chutada né?
Paula abaixou e beijou a barriga de Vládia e verificou se a praia tinha muita gente, como não tinha, tomou os lábios da namorada num beijo doce e terno deixando a Dj vermelhinha quando seus lábios se separaram.
-- Por que está vermelhinha?
-- Eu apenas não esperava por esse beijo num lugar tão público assim.
-- Mas só tem nós e aquele grupo lá na frente.
-- Eu sei, não to reclamando, apenas respondi o que você me perguntou.
Paulinha, achando graça da cara dela a deitou na areia e começou a brincar com ela, beijando seu rosto todo.
Há alguns metros delas, um casal que estava sentado nos degraus que dava acesso a areia da praia comentava sobre o casal que estava namorando na areia.
-- Sil, olha aquelas duas lá, você acha que estão juntas há muito tempo? – Pietra disse apontando o casal na areia.
-- Definitivamente não, isso só acontece no início do namoro.
-- Por que você diz isso? – Pietra perguntou envolvendo sua mão na dela.
-- Por que essa atitude, agarrar assim em público, a gente só faz quando se está apaixonada, somos inconseqüentes meu bem. – Silvinha piscou para namorada.
-- Eu nunca fui inconseqüente.
As duas riram da constatação dela e voltaram a olhar o casal, quando a morena se levantou e puxou a outra, puderam ver quem era o casal que estava namorando na praia, Silvinha sorriu e olhou para Pietra, mas o que viu a entristeceu, Pietra tinha lágrimas nos olhos que não demoraram a escorrer pelo seu rosto, soltou a mão da namorada, se levantou e saiu andando com uma dor que dilacerava sua alma e seu coração. Silvinha, levantou e foi até seu carro entrando e dando a partida, se dirigiu para sua casa. Estava atordoada, não conseguia entender a reação da namorada, ela mesma havia dito várias vezes que o amor já havia acabado, então por que ela estava chorando? Estava perto de casa quando começou a chover.
Paula e Vládia, alheias aos acontecimentos dos últimos dez minutos, se apressaram para chegar na casa da Dj antes que a chuva as pegassem no meio do caminho.
A chuva lá fora castigava, enquanto dentro daquela sala, o coração da Silvinha era castigado pela imagem da Pietra chorando ao constatar que o casal apaixonado na areia da praia eram Paulinha e Vládia.
Perdida em seus pensamentos, nem percebeu quando Pietra entrou em casa, toda molhada de chuva. Sentiu mãos envolverem sua cintura e um beijo leve ser depositado em sua nuca, seu corpo todo reagiu aquele toque, conhecia aqueles lábios macios, só uma pessoa conseguia deixá-la toda arrepiada, ela sabia, era Pietra.
Virou de frente para ela e pode vislumbrar a chama que a outra tinha no olhar, correu os olhos pelo corpo dela quase a desnudando. Pietra tomou seus lábios com uma fúria capaz de entorpecer e anestesiar os pensamentos da Sil.
Com agilidade, tirou a camiseta, o soutien e a calcinha que Silvinha vestia, a sentou sobre a mesa, jogando no chão o que havia em cima dela. Com a mesma intensidade, sua boca percorreu o corpo dela, a fazendo gem*r e implorar por mais, os seios pequenos e de bicos rosados, receberam um tratamento especial, abocanhou com sofreguidão, ch*pando e lambendo, levando Silvinha a jogar a cabeça para trás gem*ndo alto. Desceu pela barriga, chegou até a virilha e ficou provocando com o hálito quente aquela região que era seu verdadeiro alvo naquele momento. Não agüentando mais conter seu próprio tesão em ver aquela mulher entregue em suas mãos, Pietra tomou o sex* molhado e pulsante em sua boca fazendo com que Silvinha gritasse e tombasse de vez sobre a mesa, abrindo as pernas para facilitar o caminho daquela língua que a levava a loucura. Com dificuldade Silvinha pediu.
-- Pietra, não me tortura mais.... Me toma, me come, me faz sua...
-- Calma, eu apenas comecei...
Pietra passou a língua por toda extensão sentindo o gosto adocicado de Silvinha que rebol*va em sua boca, ch*pou, lambeu, explorou aquele manjar dos deuses com sua língua e quando sentiu que espasmos tomavam conta do corpo de ambas, parou e afastou a boca do sex* molhado e pulsante que a chamava para logo em seguida começar tudo outra vez.
-- Pietra....por favor.....
Não resistindo aos pedidos dela e do seu próprio corpo, Pietra a penetrou, língua e dedo trabalhavam agora numa sincronia enlouquecedora e em pouco tempo, o corpo de ambas explodiam em um orgasmo intenso e demorado.
Silvinha tinha um sorriso nos lábios e uma dúvida no coração, queria muito perguntar o por que daquela reação, mas não queria quebrar a magia do momento. Levantou e puxando Pietra pelas mãos, a levou até o sofá da sala, ligou o cd player e ao som de in my place do coldplay, começou a tirar a roupa dela, peça por peça, até ver o corpo que por muito tempo tirou seu sono, habitou seus pensamentos e seus desejos mais profundos e íntimo.
Ajoelhou-se em frente a ela e tomou seus lábios de forma urgente, suas mãos percorriam cada centimentro daquele corpo como se ela quisesse marcar território. Mordeu, beijou, ch*pou, por onde sua boca passava, deixava um rastro quente de desejo e paixão. Tomou o sex* dela em sua boca com uma habilidade invejável, alternando entre movimentos calmos e intensos, Pietra rebol*va e gemia, se contorcia em sua boca e dizia palavras desconexas, quando sentiu que ela estava prestes a goz*r, a penetrou arrancando dela um grito alto quando atingiu o ápice.
Quando enfim conseguiu recuperar sua respiração, Pietra a abraçou e disse.
-- Me desculpe por hoje lá na praia, só me pegou de surpresa.
-- Tudo bem, mas você poderia ter me dito alguma coisa ao invés de me deixar pensando mil e uma coisas.
-- Eu sei Sil, sei também que você merecia muito mais consideração do que eu lhe dei, mas eu realmente fiquei surpresa com a cena.
-- Eu também fiquei, mas não chorei né? Afinal ali também tinha uma ex minha.
-- Boba. Você sabia que elas haviam voltado?
-- Não, a Vládia me disse que voltariam, mas não me disse quando.
-- Elas poderiam ter avisado. Assim evitaríamos alguns transtornos né?
-- Pietra, depois desse orgasmo que eu tive, e que foi causado, parte pela surpresa que tivemos na praia, eu gostaria de ter transtornos diários como esse em minha vida.
Se beijaram e naquela noite, se amaram da forma mais completa, pela primeira vez, ambas estavam totalmente entregues na relação.
Fim do capítulo
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