Capítulo 17
Vládia olhou na direção da entrada da casa e pode ver Paula com uma mochila nas costas olhando para ela, ela estava ainda mais linda, se é que isso era possível, mais magra, o cabelo mais curto, mas o sorriso que ela dava para sua Dj, iluminou seu rosto e a vida da Dj, que com dificuldades levantou e foi até ela. Ficaram se olhando, Vládia desenhou o contorno do seu rosto com as pontas dos dedos como se quisesse ter certeza de que realmente era ela, Paula fechou os olhos e sentiu o carinho suave dos toques dos dedos de Vládia.
-- Eu senti sua falta. – Paula sussurrou enquanto Vládia fazia o carinho em seu rosto.
-- Eu também, muita... – Vládia disse antes de abraçá-la.
Paulinha a recebeu em seus braços, aspirou forte o cheiro dela, era exatamente o cheiro que povoava sua mente durante todo o tempo em que estiveram separadas. Vládia não acreditava que ela estava ali, na sua frente, em seus braços, era ela, o mesmo cheiro, o mesmo sorriso, Vládia se afastou para olhar para ela, segurou o seu rosto e tomou os seus lábios com paixão, desejo, saudade e carinho, tudo que estava reprimido há três meses, agora ela externava, na frente das amigas, não se importou se as pessoas estavam olhando, ela precisava matar as saudades, a sua sede, a sede que ela tinha de Paula. Luiz foi o único que teve coragem de interromper aquele momento mágico.
-- Tá bom, tá bom, ninguém aqui pagou ingresso para assistir sex* explicito, aqui é casa de família, tá certo que a família é formada por viado e sapatão, mas respeitem mesmo assim, podem para e separar ok, ou eu jogo água fria.
Paulinha riu nos lábios da Dj e se afastou para responder, mas sem desviar os olhos dos de Vládia.
-- Eu também senti saudades de você Luiz.
-- Nem vem, se você vier me beijar desse jeito, eu dou na sua carinha.
Todas riram das palavras do amigo, Paula pegou a mão da Vládia e foi cumprimentar as amigas, Pietra deu logo uns tapas nela antes de cair no choro e abraçar a amiga dizendo que havia morrido de saudades, Pâm e Renata também disseram que ela fez muita falta, até Luiz se rendeu ao sorriso fácil da morena e assumiu que sentiu falta dela também, Silvinha e Francis estavam afastadas, mas Paula foi até elas.
-- Ei, só por que você está com minha ex não vai falar mais comigo? – Paula falou para Silvinha, com os braços abertos esperando para um abraço.
Silvinha se jogou nos braços da amiga dizendo em seu ouvido alto o suficiente para que ela escutasse.
-- Me desculpe, eu nunca quis Paula, eu juro.
-- Ei pequena, para de falar besteira, eu sei disso, tá tudo bem.
Depois de soltar a Silvinha, ela se virou para Francis e disse.
-- Será que você poderia perdoar essa amiga por tudo o que ela te fez?
-- O que você fez? Fez feliz a mulher que eu amava e não fui capaz de fazer? Paula, nada do que você faça vai me afastar de você, sabe por quê? Por que se tem no mundo, uma pessoa sem a qual eu não posso viver, esse alguém é você Pandinha. – Fran disse entre lágrimas.
As duas amigas se abraçaram e choraram juntas, se perdoaram, renovaram as energias, mataram a saudade, Paula sempre disse que tinha em Francis uma irmã que ela escolhera para fazer parte de sua vida.
-- Tá feliz agora amiga? – Pietra perguntou abraçando Vládia.
-- Muito Pietra, hoje eu posso te dizer que estou completa.
As amiga partiram para um abraço coletivo em meio ás lágrimas, mas dessa vez eram lágrimas de felicidades. Pâm, Renata e Luiz, assistiam emocionados a cena do reencontra daquela família. Começava ali uma nova etapa na vida daquelas meninas, que mesmo complicadas, se amavam incondicionalmente.
As amigas se separaram, Fran foi pegar cerveja para todo mundo.
-- Vamos brindar, comemorar a volta dessa desmiolada. – Francis disse bagunçando o cabelo da amiga.
Brindaram, beberam, Fran pegou o violão e começou a cantar, a festa começou de novo, Luiz sentou ao lado da Francis e brincando disse.
-- É, sobramos só eu e você, as velas.
-- Vem cá meu amor, me dá beijinhos. – Francis disse abraçando e beijando o rosto dele.
-- Sai encosto, mona, que tipo de remédio você tá tomando hein? Endoidou foi?
-- Vem cá Luiz, deixa te mostrar como é uma mulher de verdade na cama vai.
-- Ai minha nossa senhora das loucas desesperada, acorda amor, a Vládia já me mostrou isso, e, diga-se de passagem, a mulher é um furacão, incansável e insaciável. – Ele comentou.
-- É, nisso eu concordo com você meu amigo. – Francis disse olhando Paula e Vládia trocando carinho no sofá.
-- Você ainda a ama né?
-- E como, e acho que ainda vou amar por um bom tempo. – Ela enxugou uma lágrima solitária que escorreu de seus olhos.
-- Então por que você simplesmente desistiu de lutar por ela?
-- Justamente por isso, por amá-la demais.
-- Não entendi.
--Veja as duas, você consegue ver e sentir o amor que existe entre elas, a cumplicidade, o carinho, elas estão na mesma vibe. Eu fazia mal a ela, com a gente era tudo muito intenso e tenso, a idéia de alguém a tocando me era inconcebível e ela é livre demais para que eu quisesse prendê-la, seria o mesmo que pegar esses pássaros que cantam aqui toda manhã e colocar numa gaiola, eles continuariam cantando, mas não com a mesma beleza. Quando eu a pedi em casamento, eu realmente queria passar minha vida toda com ela, mas pensar que quando o Adrian nascesse, ela o amaria mais do que a mim, me corroia, me assustava.
-- Meio doente isso. – Luiz disse mais para ele do que para ela.
-- Totalmente doentio, meu amor por ela se tornou tão grande, que virou uma doença, mas hoje eu consigo conviver com ele dentro de mim, e saber que é a Paula que está com ela, me acalma o coração sabe, não sei explicar.
Luiz a abraçou e beijou sua cabeça fazendo carinho tendo ela recostada em seu peito.
-- Você é uma grande mulher Francis, conseguiu reconhecer que seu amor fazia mal a vocês duas, a deixou livre para encontrar nos braços de outra aquilo que não se viu preparada para dar. Você subiu no meu conceito menina, e muito.
Alheias a conversa que Fran tinha com Luiz, Vládia e Paulinha também conversavam, mas o assunto era outro.
-- Branquinha, você tá tão linda, essa barriga tá enorme. – Disse fazendo carinho na barriga dela.
-- Você também está, eu senti tanto a sua falta Paula. Por que você fez isso com a gente?
-- Eu quase pirei quando a Fran me procurou aquele dia, eu vi nos olhos dela o quanto ela ainda te amava, me lembrei do quanto você também a havia amado, fiquei com medo de que quando vocês se encontrassem, aquela chama se acendesse de novo e você se desse conta de que era com ela que você queria ficar e não comigo, e tinha também o lance da amizade, você sabe que eu e a Fran sempre fomos muito ligada, minha consciência pesou,meu coração gritava por você, mas minha razão me chamava a fazer o que era certo, então tomei essa decisão, preferi me afastar, por que se você escolhesse ela, eu não estaria por perto para sofrer, ser trocadas duas vezes em menos de dois meses eu não agüentaria. Desculpe-me se fui covarde e inconseqüente, mas eu precisava desse tempo.
-- E hoje? O que você descobriu nesses três meses de retiro espiritual?
-- Eu descobri que embora eu tenha lutado contra, eu te amo, eu te quero ao meu lado sempre, quero dormir e acordar com você, quero seus beijos, seu cheiro, seu toque, seu corpo, não posso viver sem você. – Ela disse fazendo um carinho no rosto da Dj.
-- Eu sofri tanto quando acordei e não te encontrei na cama, depois te procurei pela casa e nada, daí encontrei sua carta, chorei tanto, por dias, até que minhas lágrimas secaram e eu resolvi voltar para cá, aqui eu sabia que teria sempre um pedacinho da nossa história, era como se aqui, estivéssemos juntas de novo. E quando ouvi tua voz ontem, meu coração acelerou, meu corpo respondeu, mas você desligou sem se despedir, por que fez aquilo?
-- Eu fui arrumar minha mochila, eu já havia decidido que iria te procurar, mas eu tinha medo, não sabia como você iria me receber, ou se iria me receber, pedi para o meu pai me levar até o aeroporto, mas só tinha passagem para as quatro da manhã. Então esperei, de SP para cá eu vim de táxi, eu precisava te encontrar e te dizer que te amo muito, que você é tudo para mim, que minha vida sem você não tem a menor graça, eu não quis esperar mais.
-- Eu também te amo Paula, demais.. – Paula a silenciou com os lábios, tinha sede daquela boca com a qual ela sonhara quase todas as noites nos últimos três meses.
Paula separou seus lábios dos da Dj e procurou na bolsa seu I-Pod, conectou os fones e os deu a Vládia pedindo que escutasse.
Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar...
Ser feliz é tudo o que se quer
Ah! Esse maldito fechecler
De repente a gente rasga a roupa
e uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar...
Depois do terceiro ou quarto copo
tudo o que vier eu topo
Tudo o que vier vem bem.
Quando bebo perco o juízo
não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém.
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Essas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou.
(PAIXÃO – SIMONE)
Quando a música acabou, Vládia retirou os fones e Paula a olhou nos olhos e disse.
-- Entende agora o que eu sinto por você? Exatamente tudo o que diz essa música.
-- Você é simplesmente perfeita minha vida, perfeita.
As meninas se juntaram a elas, a conversa foi até quase duas da madrugada, Pâm e Renata foram as primeiras a dizer que estava tarde, estavam cansadas e iriam embora.
-- Cansadas? Sei, conheço bem o tipo de cansaço de vocês, mas tudo bem, se eu tivesse alguém também iria estar cansado. – Luiz brincou deixando Pâm vermelha.
Elas se despediram e foram embora dizendo que voltariam no dia seguinte, Pietra e Silvinha levaram as coisas para dentro, enquanto Luiz e Francis limpavam a churrasqueira e recolhiam as latas de cerveja, Paula estava lavando a louça e Vládia guardando.
-- Dona redonda, eu vou dormir aqui, nem morto eu volto para casa hoje.
-- Pode ficar amor, você me faz companhia. – Francis disse sentando em seu colo e dando um selinho nele.
-- Meu pai eterno, alguém sabe o nome do remédio que essa mona tá tomando? Ela está ficando hetero, socorro, sai desse corpo que ele não te pertence. – Luiz disse levantando e derrubando Francis no chão.
-- Luiz, você é de casa, sabe que pode ficar, quanto a Fran, acho que você deveria investir nela. – Vládia piscou para o amigo.
-- Pronto, além de tudo é contagioso.
As meninas riram da cara que ele fez, e Francis, começou a correr atrás dele pela casa, até conseguir derrubá-lo no sofá e beijar sua boca com vontade.
-- Sabe que para uma mulher você beija bem? Mas não adianta amor, eu sou 100% gay.
Depois do momento sem infância que tiveram, as meninas começaram a arrumar as camas para dormir, Vládia estava na cama, de camisola quando Paula saiu do banheiro e a viu, estava linda, sexy, tinha um olhar safado, cheio de desejo que devorava Paula.
-- Não me olha assim que eu não resisto branquinha. – Paula disse engatinhando na cama.
-- Não é para resistir Paula, é para me levar ao céu com sua boca, língua, mãos, corpo e tudo mais que eu tenho direito por esses três meses que eu fiquei sem nada.
Paula começou a tirar a própria camiseta quando um Luiz esbaforido entrou no quarto.
-- Podem parar já com isso, eu vou dormir aqui. – Disse com lençol, colchonete e travesseiro nas mãos.
-- Ah, mas não vai mesmo. – Vládia disse.
-- Vou sim, o médico disse essa semana, nada de esforço físico nem esporte, e para mim isso inclui uma noite de sex* selvagem.
Na porta do quarto, Silvinha se apoiava em Francis para não cair de tanto que as duas riam da cena que o Luiz fazia.
-- Você vai dormir nesse colchonete aí no chão? – Disse uma Vládia resignada.
-- Eu não, a Paula vai, eu sou gay, mas não sou burro, sei o que vocês podem fazer se estiverem ao alcance das mãos, então, eu durmo com você e a Paulinha fujona, dorme no chão.
Um baque surdo chamou a atenção deles, Silvinha e Francis caíram e rolavam de tanto rir.
-- Luiz, por favor, não vamos fazer nada, você dorme aqui no quarto, sem problemas, mas deixa ela dormir comigo aqui na cama? Faz três meses que... – Luiz interrompeu.
-- Por isso mesmo, você quer que eu acredite que com três meses de tesão guardado vocês não vão fazer nada? Esperaram tanto, esperam mais um pouquinho, segunda você volta no médico e pergunta, se ele liberar eu libero a garagem para Paula guardar o fusquinha, mas até lá, chão. – Ele disse apontando o colchonete.
-- Ele não disse nada sobre sex* Luiz.
-- Vlá, eu tava lá com você, ele disse para mim que nada de esforços físicos, provavelmente achou que eu era seu marido e não adianta discutir, vai encarar meus 1,93?.
Ela desistiu, não adiantaria em nada brigar com o Luiz, ele não cederia, teria que esperar para ter Paula em seus braços e estar nos dela.
Muito contrariada, ela arrumou o colchonete ao lado da sua cama para que Paula pudesse dormir, Pietra já havia levado Silvinha e Francis embora do quarto, se deitaram e acabaram dormindo. O dia amanheceu com chuva, Pâm e Renata chegaram perto da hora do almoço, Vládia estava na cozinha fazendo um café com cara de poucos amigos, desde que levantara Luiz tentava falar com ela, mas ela não respondia.
-- Nem parece que passou a noite nos braços da Paula, por acaso ela perdeu o jeito? – Renata brincou com a prima enquanto beijava seu rosto.
-- Só em sonho minha linda, esse empata foda aí – apontou para Luiz – Colocou ela para dormir no chão e se abancou na minha cama.
-- Ai Vlá, até quando você vai me crucificar? Foram ordens médicas, ele disse nada de esforço, depois que o Adrian nascer, você pode até se pendurar no lustre da sala que eu não ligo, mas até lá, abaixe esse fogo mona.
-- Ain Luiz, você poderia ao menos ter deixado elas dormirem abraçadinhas né? – Pâm saiu em defesa da amiga.
-- Amor, você não ficou quieta nem quando teve aquela crise de tendinite, acha que ela iria ficar sem estar sentindo dores? – Renata entregou deixando Pâm vermelha.
O café ficou pronto e Vládia pegou uma xícara indo em direção ao quarto, aproveitou quando Pâm fez sinal para ela sair de lá enquanto ela entretia Luiz com uma conversa, entrou no quarto e passou a chave na porta para que Luiz não entrasse. Agradeceu quando viu Paula deitada em sua cama abraçada ao travesseiro, seria difícil ela abaixar para acordar a amada com aquele barrigão. Acariciou o rosto de Paula tirando o cabelo que escondia seu rosto, ela se remexeu e abriu um olho.
-- Se eu estiver sonhando não me acorde, por favor.
-- Por que minha linda?
-- Você me acordando, eu não preciso de mais nada, já ganhei meu dia.
Vládia deu um beijo nela e lhe estendeu a xícara de café que ela aceitou sentando-se na cama para tomar. Vládia a olhava enquanto ela tomava seu café.
-- O que foi branquinha?
-- Nada, só te olhando. Senti tanta falta desses olhos apertadinhos de manhã cedo.
-- Só dos olhos?
-- Da boca, da pele, do cheiro, dos defeitos, das manias, enfim, de você.
-- Eu também branquinha. – Paula fez um carinho em Vládia.
Vládia sentou na cama, ao lado dela, envolveu seu pecoço e a puxou para um beijo, que começou calmo, cheio de saudades, mas que aos poucos foi se intensificando, e o tesão, reprimido há meses, começou a pedir passagem aos corpos. Paula interrompeu o beijo e com muita dificuldade conseguiu afastar Vládia.
-- O que foi, você não quer? – Vládia estava confusa, seu corpo ardia pelo dela e pensava que ela sentisse o mesmo.
-- Quero muito, é o que eu mais quero desde que olhei para você ontem.
-- Então é o que? Eu to feia? Você não sente desejo por mim?
-- Ei meu anjo, você está ainda mais linda, como se isso fosse possível, e meu corpo te deseja ainda mais, você está muito sexy com esse barrigão, mas amor, o Luiz tem razão, é melhor esperar e ver o que o médico diz, só mais um pouquinho, e se ele liberar, eu te prometo que vou amar você como você merece. – Paula foi tão carinhosa com ela que ela não pode fazer nada a não ser aceitar.
Paula a puxou para cima da cama e a encostou nela, acariciava a barriga dela enquanto distribuía beijos pelo seu pescoço e nuca arrepiando todo seu corpo.
-- Assim fica difícil né? – Vládia disse mostrando os pelinhos do braço arrepiado.
-- Desculpa, não resisti.
Batidas fortes na porta fizeram Vládia bufar e levantar, enquanto lá fora um Luiz exaltado gritava.
-- Eu vou bater até você abrir essa porta branquela azeda, já disse que nada de festinha por enquanto.
Vládia abriu a porta e encarou Luiz dizendo.
-- Não precisa de escândalos, ela é mais difícil de dobrar do que você.
-- Ótimo, isso mostra que ela tem juízo.
Vládia saiu pisando firme, passou pela cozinha, tomou um café, roubou um cigarro do maço que a Fran havia deixado em cima da mesa da sala e saiu, a chuva tinha parado, estava um tempo fresquinho, ela decidiu caminhar. Andou por algumas quadras fumando aquele cigarro, estava mais sensível nos últimos dias, ela queria apenas fazer amor com sua namorada, mas nem isso ela podia. Sentou em um banco na praça e ficou olhando umas crianças que brincavam pela praça. Algum tempo depois, Francis sentou ao seu lado e assim como ela ficou em silêncio.
-- Como você sabia onde me encontrar?
-- Simples, você adora natureza, e quando está meio down, sempre recorre a ela. Quando passamos aqui no dia da pizza, você comentou o quanto gostava dessa praça, então, quando procuramos por você em casa e não encontramos, eu deduzi que talvez você estivesse aqui.
-- Você me conhece mesmo. – Vládia disse entrelaçando seus dedos nos dela.
-- Mais do que você imagina, mais do que eu gostaria, mas faz parte né?
--Eu achei lindo aqui, mas as meninas estão preocupadas com você, o Luiz também, e pelo vento, eu acho que vai chover.
-- Vamos voltar então dona encrenca. – Rindo empurrou ela com seu ombro.
-- Vamos dona redonda. – Fran devolveu a brincadeira.
Se levantaram e começaram a caminhar de volta, na esquina, Vládia dobrou seu corpo para frente e soltou um gemido enquanto pingos de chuva começavam a cair.
-- Fran, eu acho que ele vai nascer.
-- Docinho, não pode, ainda faltam algumas semanas. Você tem certeza disso? – Ela estava apavorada.
-- Tenho, por que se não for isso, eu acabei de urinar nas calças. – Vládia disse apontando para o líquido que escorria pelas suas pernas.
A chuva engrossou, em segundos elas estavam ensopadas, Fran parou um carro que estava passando pedindo que as levassem até o hospital, no caminho pegou o celular e ligou para Silvinha.
-- Fran, cadê você? Achou ela?
-- Sim, ela tá comigo.
-- Diga onde vocês estão, está chovendo, vamos... – Francis interrompeu ela.
-- Silvinha, estamos a caminho do hospital, o Adrian está nascendo. – Desligou o celular, Vládia estava tendo outra contração e apertava sua mão, nos seus olhos Fran viu medo.
-- Calma docinho, vai dar tudo certo.
Chegaram ao hospital algum tempo depois, Francis agradeceu a carona ao senhor e entrou correndo no hospital, voltando em seguida com um enfermeiro e uma cadeira de rodas levando Vládia para dentro. Preencheu a ficha enquanto o médico avaliava a Dj.
-- A senhora que está acompanhando a senhorita Vládia Christine Zammorah? – Um senhor de meia idade perguntou a Francis enquanto ela passava o cartão na recepção.
-- Sim, sou eu mesma.
-- Ela está aguardando pela senhora, poderia me acompanhar?
Seguiram por um corredor até o médico a guiar por uma porta onde ela leu “centro cirúrgico”.
Vládia estava com um camisolão de hospital, deitada em uma maca, assim que a viu, estendeu o braço para que ela segurasse sua mão.
-- Pronto, preenchi a sua ficha e passei meu cartão, a mulher não quis fazer sua internação enquanto não houvesse o pagamento do calção.
-- Obrigada, mas Luiz deve trazer minha bolsa, lá está à carteirinha do plano de saúde.
-- Sem prolemas Vlá, como você está?
-- As contrações estão ficando mais próximas, acho que ele chega na próxima hora.. – Vládia foi interrompida por outra contração.
Uma moça simpática entrou no quarto e disse.
-- Você vai acompanhar o parto? – Disse para Fran.
-- Não, o pai está a caminho.
-- Creio que ele não vá chegar a tempo, estamos levando ela agora, está com quase nove dedos de dilatação, não podemos esperar ou ele nascerá aqui no quarto.
-- Fran, vem comigo, por favor, eu to com medo. – Vládia pediu a ela.
-- Mas tem certeza que não dá para esperar uns minutinhos? Eles já estão a caminho.
-- Não, ou a senhora entra junto, ou ela terá sozinha.
Francis se rendeu, a Dj realmente estava com medo, não poderia deixá-la sozinha agora.
-- Eu vou com ela.
Um sorriso nasceu nos lábios da Dj.
-- Obrigada Fran. – Ela agradeceu.
Seguiram para a sala que seria feito o parto, a enfermeira levou a Francis para os procedimentos de higiene e vestimentas das roupas apropriadas, enquanto a Dj era levada pela equipe para a sala de cirurgia.
-- Em cinco minutos eu estarei ao seu lado docinho. – Francis disse beijando de leve os lábios da Dj.
Quando Francis chegou completamente paramentada, com touca, avental e sapatilha, Vládia estava no meio de mais uma contração.
****
Assim que Silvinha desligou o celular, os amigos, ansiosos olhavam esperando por alguma noticia.
-- Luiz, pega a bolsa da Vlá e as coisas do bebê, elas estão indo para o hospital, o Adrian vai nascer.
-- Como assim? Ainda não é hora de a minha pipoquinha nascer?
-- A Francis me disse que elas estavam indo para o hospital por que ele estava nascendo.
Luiz correu para pegar a bolsa do bebê e da Dj, enquanto as amigas pegavam suas próprias bolsas e se dirigiam ao carro, indo direto ao hospital.
Chegando lá, Pietra foi direto falar com a recepcionista, depois de algum tempo de conversa, ela pediu ao Luiz as roupas do bebê e da Dj e entregou a um enfermeiro, voltou falar com os amigos.
-- Ela já está na sala de parto, Fran está com ela, Luiz, sinto muito, mas a moça disse que agora ninguém pode entrar.
-- De jeito nenhum, eu e a Paula temos o direito de estar lá com ela.
Silvinha amparou Paula e a colocou sentada em uma cadeira próxima.
-- Você eu até posso tentar, mas a Paula não, ela só iria atrapalhar, ela não pode ver sangue.
****
Na sala de parto, as contrações estavam bem mais próximas, e a cada uma delas, a Dj se contorcia toda. O médico responsável chegou perto da Fran e perguntou.
-- Vocês vão filmar ou fotografar?
-- Claro que sim, Fran você faz isso prá mim? – Vládia perguntou.
-- Ah claro que eu faço, eu tenho um compartimento secreto no bolso da minha calça onde eu guardo minha filmadora, máquina fotográfica e mais algumas coisas. Vamos filmar como docinho? Eu não trouxe nada, eu saí para te procurar, não para virmos ao hospital. – Ela estava nervosa.
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Pietra voltou e disse ao Luiz que ela já estava em trabalho de parto e que ele não poderia entrar, mas que se tivesse uma filmadora ou máquina fotográfica, ela pediria que um enfermeiro levasse.
-- Tá certo, fazer o que? Vou pegar a filmadora, você entrega lá? Eu preciso urgente de um café e um cigarro.
-- Levo sim.
Luiz foi até seu carro e voltou de lá com a filmadora nas mãos, entregou a Pietra e estava saindo quando Paula se levantou e disse que iria com ele.
Pietra entregou na recepção e voltou para junto das meninas, Renata estava nervosa, tinha pânico de hospital, Pâm tentava sem sucesso acalmar a namorada.
-- Como vai ser quando você tiver o nosso?
-- Ah, essa é boa, casar você não quer, mas quer que eu enfrente um hospital para ter um filho, esquece.
Pietra sorriu e pegando Silvinha pela mão, chamou as meninas para irem até a padaria do outro lado da rua e tomarem um café.
****
Vládia estava em mais uma contração, e Francis ao seu lado dizia a ela para fazer força.
-- Se você me mandar fazer força mais uma vez, eu vou fazer, mas vai ser com seu pescoço em minhas mãos.
-- Nossa, violenta. – Francis disse beijando de leve a ponta do seu nariz.
A enfermeira entrou trazendo a filmadora que Luiz deixou na recepção, Francis pegou e começou a mexer para aprender a manusear.
-- Menina, vou dizer uma coisa para facilitar para você, sempre que a contração vier, procure fazer força, assim vai ser mais rápido. – O médico disse a ela.
-- Tá certo doutor, mas é fácil falar quando não é o senhor que tá colocando uma criança para fora.
-- Fran, eu quero ouvir música, por favor.
Francis olhou para o médico e como ele apenas acenou a cabeça consentindo, Francis tirou o celular do bolso, procurou pela pasta de músicas e em alguns segundos, o som invadia o ambiente, ela depositou o celular na mesinha ao lado da Dj. Tocava Coldplay.
As contrações retornaram e a Dj fazia como o médico mandou, muita força.
-- Adrian....ajuda a mamãe..... – Vládia dizia.
Francis estava embevecida com a cena, parecia que ele havia realmente entendido o que a Dj havia pedido, e logo em seguida a cabeça saiu.
E foi ao som de The Scientist que ele chegou ao mundo. Francis entregou a filmadora para o anestesista e foi falar com a Dj.
-- Docinho, ele é lindo, parabéns minha linda, você conseguiu. – Ela disse beijando o rosto visivelmente cansado dela.
-- Ele é perfeito Fran?
-- É sim meu amor, como você.
A enfermeira trouxe ele para que Vládia visse. Era um bebê realmente lindo, branquinho, cabelos pretos como a noite e a boca vermelhinha que Francis dizia parecer um morango.
-- Ele é lindo né Fran? Meu filhote. – Tinha lágrimas nos olhos.
A enfermeira o pegou para terminar de limpar e dar banho, Vládia pegou a mão da Francis e entrelaçou seus dedos nos dela.
-- Obrigada Fran, por estar comigo aqui.
-- Obrigada você por me deixar presenciar esse milagre da vida.
Dois enfermeiros chegaram dizendo que levariam ela para o quarto para descansar, ela estava visivelmente exausta. A enfermeira disse que Adrian nasceu com 3,850kg e 55cm, um verdadeiro garotão.
Francis foi a primeira a sair do centro cirúrgico, do lado de fora, os amigos estavam aflitos por notícias.
-- Francis, como foi? Como eles estão? – Luiz já foi metralhando ela com suas perguntas.
-- Calma Papai, eles estão bem, seu filho é lindo, parabéns. – Ela disse abraçando o amigo.
-- A branquiha está bem? – Pietra perguntou.
-- Tá ótima, uma manteiga derretida, mas está terrivelmente cansada. Ele é imenso.
Francis saiu com os amigos em direção ao berçário para verem o Adrian. Quando a enfermeira viu Francis, pegou Adrian e cheia de sorrisos o trouxe próximo ao vidro para que eles vissem. Todos se apaixonaram pelo bebê, Paula e Luiz se abraçaram e Luiz, como um pai babão que se preze, se desfazia em lágrimas.
O médico chegou dizendo que Vládia estava no quarto já, mas estava dormindo, pediu que a deixassem dormir por que ela realmente estava cansada. Os amigos resolveram sair e ir até a padaria, Francis precisava urgentemente de um café e um cigarro. Paula enroscou-se no braço da Francis e foram abraçadas.
-- Obrigada Francis, por estar com ela nesse momento.
-- Tem nada que agradecer, mas acho que ela iria preferir que fosse você lá, mas como conhecemos seu histórico com sangue.
-- É, eu daria trabalho lá dentro.
Na padaria, pediram café, Francis contou aos amigos que ela havia pedido música e disse à música que tocava quando Adrian nasceu ou como dizia Luiz, estreiou nesse mundo. Ligou a câmera e mostrou a eles a filmagem, Paula ficou branca só de ver a cena.
Luiz levantou seu copo de café e disse.
-- Um brinde ao meu filhote lindo e a mãe mais linda desse mundo!
Todos brindaram junto com ele a chegada de mais um membro à essa família.
-- É impressão minha ou aquela enfermeira do berçário estava toda saidinha pro seu lado Fran? – Renata falou e todos riram fazendo gracinhas com ela.
-- Eu não sei de nada, vocês que estão falando, mas deve ser meu sex appeal.
Voltaram para o hospital, no quarto Vládia ainda dormia, mas tinha o semblante calmo, feliz, Paula a achou ainda mias linda, beijou de leve os lábios dela que abriu os olhos e esboçou um sorriso cansado para ela.
-- Desculpa meu amor, por não estar ao seu lado nesse momento tão importante para você. – Paulinha sussurrou no seu ouvido.
-- Eu sei que você não pode ver sangue meu anjo. Você já o conheceu?
-- Já sim, ele é lindo, tão lindo quanto você.
-- É mesmo. – A Dj concordou, a voz meio embolada pelo cansaço.
Vládia voltou a dormir, as meninas resolveram voltar para casa, Vládia dormiria por algum tempo ainda, Luiz acompanhou a elas, apenas Paula disse que ficaria ao lado dela.
Francis voltou no carro com o Luiz e as meninas foram no carro da Renata.
-- Obrigado Francis, por ser você a estar com ela nesse momento.
-- Que isso, não precisa agradecer.
-- Sei que não deve ser fácil para você essa situação.
-- Não vou mentir para você, fácil não é mesmo, o certo seria eu me afastar dela, desse sentimento que eu tenho aqui dentro, mas ainda não to pronta para tirá-la de vez da minha vida, e se a única forma de tê-la por perto for como amiga, então eu serei amiga.
Luiz acariciou a perna dela que encostou a cabeça na janela olhando para o nada, ele podia imaginar o tamanho da dor que ela tinha em seu coração, afinal ele mesmo, por várias vezes já havia amado sem ser amado, mas ela havia sido, e perdido, isso deveria ser pior ainda.
Na casa dela, as amigas fizeram algo rápido para almoçar, depois sentaram na sala e começaram uma conversa animada sobre como seria a vida da Dj daqui para frente.
-- Alguém viu os olhos do Adrian? – Silvinha perguntou.
-- Ele não abriu direito, tava meio inchadinho ainda, mas devem ser azuis, assim como os dos pais. – Francis falou
Passaram a tarde conversando, Francis, deitada no chão com a cabeça no colo do Luiz que fazia um cafuné, acabou dormindo. Já era noite quando Paula ligou dizendo que a Dj estava brava por que nenhum deles estava lá, tomaram banho, se arrumaram e saíram em comitiva para o hospital, apenas Francis, alegando uma enxaqueca, ficou em casa, mas viu que ao Luiz ela não consigou enganar.
-- A gente volta logo, daí vamos dar uma volta, eu e você. – Luiz disse a ela enquanto a abraçava.
-- Valeu cara, mas hoje eu não sou companhia, vou tentar dormir um pouco.
Ele não insistiu, beijou a testa dela, pegou as chaves do carro e saiu junto com as meninas.
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No hospital, Vládia acordou um pouco antes das cinco, havia dormido por quase quatro horas, acordou meio perdida, sem saber direito onde estava, o cheiro de hospital a fez lembrar. Olhou para os lados e viu Paula encostada na janela olhando a chuva fina que caía, ela estava linda.
-- Paulinha? – Ela chamou baixinho, quase sussurrando.
-- Oi meu amor, você está bem? – Paulinha disse se aproximando dela e beijando seus lábios.
-- Tô bem, cansada, parece que eu corri uma maratona.
-- Eu imagino.
-- Cadê o Adrian?
-- A enfermeira pediu que eu avisasse quando você acordasse. Quer que eu vá agora?
-- Quero, mas antes eu quero um beijo.
Paula se aproximou dela e tomou seus lábios com uma doçura que amoleceu as pernas da Dj, ela teve certeza que se estivesse de pé teria caído. O beijo foi doce, calmo, cheio de amor e quando se afastaram, ainda de olhos fechados, Vládia sorria.
-- Eu senti tanta falta dos seus beijos.
-- Eu também, mas você os terá sempre que desejar.
-- Prá sempre então.
Depois dessa declaração, Paula foi até o berçário e voltou de lá com Adrian nos braços, quando Vládia viu os dois entrando no quarto, um amor incondicional invadiu seu coração, finalmente sentia aquele amor que a mãe dizia sentir por ela e seu irmão, conheceu naquele instante o real significado da palavra amor puro, soube por que sua mãe dizia que mataria e morreria por um filho, teve certeza que sua vida mudaria completamente a partir daquele dia.
Apesar de ser um bebê grande, ele parecia tão indefeso no colo da Paula, Vládia esticou seus braços para que a namorada o colocasse ali. Ela desenhou o contorno do seu rostinho, tão suave e macio, aspirou o cheiro dele e sussurrou.
-- Faz tão pouco tempo que você chegou, mas eu sinto que te amo minha vida inteira. - Foi a declaração mais verdadeira que ela já havia feito.
Paula, saiu do quarto dizendo que iria ligar para avisar as meninas que ela já havia acordado. Vládia apenas acenou com a cabeça, não sabia bem o que ela havia dito, estava tão apaixonada por aquele ser pequenininho em seu colo, que mais nada a importava. Algum tempo depois, Adrian se mexeu em seu colo, despertando, ao abrir os olhinhos e olhar para sua mãe, ela pode ver as duas safiras que ele tinha, enfim a genética o fez com os olhos dos pais. Uma enfermeira entrou no quarto com material para esterilização dos seios dela para que ela pudesse amamentar, higienizou e a ensinou como fazer para que não sentisse nenhum desconforto, salientando sempre a importância da amamentação para ambos, quando viu que ela havia conseguido e que iria se virar bem sozinha, ela saiu do quarto deixando mãe e filho sozinhos nesse momento que para Vládia estava sendo único. Uma lágrima perdida escorria de seus olhos no exato momento em que as meninas e Luiz abriam a porta. Vládia sorriu ao ver os amigos ali, e Luiz como um bom pai gay, se debulhou em lágrimas antes mesmo de olhar direito para o seu filho.
Paula se aproximou dela, beijou de leve seus lábios e sussurrou para o bebê.
-- Ei rapazinho, acabou de chegar e já se apossou do meu playground?
-- Menina, me desculpe, mas por um bom tempo, o seu playground será o restaurante do meu filho, portanto mantenha-se longe deles ok. – Luiz implicou com ela para logo depois sorrir e abraçá-la.
As amigas paparicaram a Dj e seu filhote, Luiz se gabava pelo tamanho do rapazinho. Ele e Paula estavam totalmente entregues aquele pequenino que chegou trazendo mais amor e união ainda para aquela família.
-- Paula, agora só falta você ter o seu para completar a família. – Pâm brincou com ela.
-- Se precisar de um pai, saiba que estou a disposição, to amando esse negócio de ser papi. – Luiz brincou abraçando a amiga.
-- Ei, vamos devagar, o Adrian acabou de nascer, eu acabei de passar na faculdade, vamos dar tempo ao tempo ok?
-- Ei, como assim você passou na faculdade? – Vládia perguntou chamando a atenção de todos para aquela revelação.
-- Er... Eu ia contar, mas ontem foi tanta emoção, depois o Luiz resolveu me jogar no chão e hoje tudo isso, eu acabei me esquecendo de falar. – Ela se justificou.
-- Pois agora trate de falar. – Luiz disse.
-- Então, eu prestei vestibular e acabei passando, em quatro anos eu serei Psicóloga.
-- Paula, parabéns, fico muito feliz por você. – Pietra disse abraçando ela.
A alegria foi geral, todos parabenizaram a amiga pela conquista. Ficaram por lá mais algum tempo até que a enfermeira veio comunicar que eles tinham que sair, pois o horário de visitas havia terminado. Se despediram da Dj, da Paula e do Adrian e foram embora. Quando Luiz se despedia da Dj, ela perguntou.
-- Por quê a Fran não veio?
-- Você sabe como isso tudo é difícil para ela né? Então não cobre mais do que ela pode lhe dar nesse momento Vlá, dê um tempo a ela, acredite em mim, ela ainda sofre muito.
-- Eu sei Luiz, acaso acha que eu sou tão cega assim? De qualquer forma, você tem razão, só manda um beijo meu para ela, e agradeça por tudo o que ela me fez.
O amigo prometeu que faria tudo o que ela havia pedido, se despediu e seguiram para casa.
As luzes estavam todas apagadas, Pâm e Renata foram embora da porta mesmo, alegando que estavam cansadas e precisavam descansar por que Pâm iria embora no outro dia logo cedo.
-- Por que vocês insistem nessa história de cansaço? Na minha terra isso quer dizer “Desculpa amor, mas estamos loucas para dar uma bela de uma trepada”. Luiz brincou.
-- Luiz, você realmente não existe, tenho dó da educação que o Adrian vai receber do pai. – Renata falou enquanto desferia um tapa no braço do amigo indo embora em seguida.
Estavam entrando em casa quando Pietra disse.
-- Algo me diz que não vamos encontrar a Francis lá dentro.
-- Eu tenho quase certeza que não vamos, estava sendo difícil demais para ela. – Luiz concordou.
E assim foi, a casa estava vazia, sobre a mesa, apenas um bilhete dizendo que ela havia pegado um ônibus e ido à casa da mãe que morava na cidade de SP. Luiz sentiu o coração apertado, tinha aprendido a gostar e admirar aquela maluca nesses últimos dias, mas nunca pediria a ela que ficasse sabendo o quanto isso era difícil para ela.
Os dias foram passando, Vládia e Adrian saíram do hospital dois dias depois que ele nasceu, Pietra e Silvinha voltaram para Recife, Paula havia ficado para esperar o médico liberar a Dj e o Adrian para viajar. A vida delas ela uma festa, Adrian era calminho, dormia a noite inteira, quase não chorava, apenas quando estava com fome, cólicas ou com as fraldas cheias. Apesar do desejo que existia entre elas, Paula resolveu esperar uns dias para que Vládia estivesse totalmente recuperada e que parasse de usar, segundo ela mesma dizia, aquelas fraldas que toda mulher usa após um parto.
Luiz era presença constante naquela casa, passava toda noite por lá, e quando tinha tempo livre, aparecia durante o dia. Vládia emagreceu nove quilos em apenas quinze dias, o que a deixava mais feliz. As meninas ligavam três a quatro vezes por semana para saber noticia do Adrian, a única pessoa que não ligava era Francis, embora Vládia tivesse certeza que as ligações, que várias vezes Luiz recebia e sempre as atendia de forma monossilábica, eram dela.
Quando se deram conta, Adrian já estava completando um mês, estava lindo, esperto, havia engordado e fazia a felicidade da casa. Naquele dia Luiz apareceu com um bolinho para comemorar o aniversário de um mês dele.
-- E aí Paulinha, na seca ainda? – Luiz perguntou.
-- Seca? Meu amigo, às vezes me sinto no sertão, esse médico não libera logo.
-- Você deve estar subindo pelas paredes já pandinha? – Ele brincou com ela enquanto Vládia fazia Adrian dormir apenas rindo de forma silenciosa da conversa dos dois.
-- Subindo eu estava há quinze dias Luiz, hoje eu lhe digo com certeza que escalaria o Everest sem parafernália alguma, tá osso aguentar.
-- Ai amiga, vou te falar uma coisa, você já ouviu a expressão “se virar sozinha”? Dá seus pulos gata.
-- Putz, só entre nós aqui, que ela não me escute, mas até isso eu já fiz, e olha que eu não sou muito chegada, prefiro a troca de fluídos entre dois corpos. – Disse baixinho no ouvido do amigo que explodiu numa gargalhada.
-- Posso saber o motivo dessa risada? – Vládia perguntou.
-- Ai amiga, come logo tua mulher que a menina tá a perigo flor. – Luiz disse sob o olhar de “eu vou te matar” que Paula lançava sobre ele.
-- Ah é, e posso saber o porquê? – A Dj quis saber.
-- Nada não amor, o Luiz não regula bem, depois diz que eu que tenho água na cabeça.
Uma Paula vermelha levantou e foi tomar banho, aproveitando que ela havia se retirado, Luiz resolveu interceder pela amiga.
-- Branquela azeda, você ainda não tá podendo fazer aquilo? – Ele gesticulou o movimento de vai e vem com as mãos.
-- Eu acho que já posso sim, por quê? – Vládia perguntou curiosa.
-- Então é melhor você fazer, porque daqui a pouco ela vai estar tentando morder o cotovelo, tadinha da minha amiga. – Ele riu.
-- Não é só ela Luiz, meu corpo arde de desejo por ela, minha boca quer percorrer aquele corpo moreno... – Luiz interrompeu.
-- Me polpe dos detalhes sórdidos branquela, mas acho que seria melhor levar meu filho comigo hoje, sabe, só para ele não presenciar essa cena pornográfica que está se formando em minha mente.
Os dois riram, Luiz se despediu da Dj desejando uma noite ardente de muito sex* selvagem, o que deu a ela algumas idéias de como passar aquela noite. Adrian já havia mamado e dormia profundamente, resolveu que naquela noite iria matar o desejo que seu corpo sentia pelo da namorada. Colocou Adrian no berço, pegou a babá eletrônica e voltou para sala, deixou o ambiente a meia luz, procurou no guarda-roupa um óleo comestível sabor morango e voltou para sala.
Paula saiu do banho frio e foi para o quarto, começou a pensar no que Luiz havia dito sobre ela se resolver sozinha e achou no minimo inusitado em sua vida, isso era uma coisa que ela sempre tivera alguém para fazer, e agora estava com alguém, mas ao mesmo tempo sozinha. Colocou seu baby-doll e foi para sala, estranhou tudo escuro, Vládia sempre deixava todas as luzes acesas, quando chegou a sala, se surpreendeu com a Dj apenas de lingerie, aos seus olhos ela estava absurdamente deliciosa, a lingerie preta contrastava com sua pele branca, por alguns segundos Paula se perdeu naquelas curvas, seu corpo logo respondeu ao que os seus olhos vislumbravam, desejava aquele corpo, sentiu o tesão lhe invadir até a alma. Caminhou até a Dj e tomou seus lábios de uma forma totalmente desejosa e urgente, ch*pava sua língua, mordia seus lábios, desejava aquela mulher por inteira, suas mãos começaram a explorar o corpo da Dj, arrancou a lingerie com uma pressa desumana, ansiava por sentir cada parte daquele corpo enquanto a Dj gemia em seus lábios, entregue ao desejo há tempos guardado.
Sem pensar, Paula a pegou no colo, Vládia enlaçou sua cintura com as pernas e gem*u em seus lábios levando Paula a loucura, desejava aquela mulher como nunca.
-- Branquinha, você tem certeza do que está fazendo. – Paula disse beijando seu pescoço.
-- Claro meu amor, cada poro do meu corpo deseja o seu, me faz sua pandinha, me toma, usa meu corpo como nunca, estou ardendo de desejo.
Era tudo o que Paula precisava para seguir adiante, seu corpo todo ardia de desejo por aquela mulher. Vládia pegou o óleo e pingou algumas gotas no pescoço de Paula, e o esquenta e esfria que o óleo provocava levou a Paulinha ao céu em questão de segundos.
Ela deitou a Dj no chão e pingou algumas gotas em seu corpo saboreando a seguir, beijou seus seios, massageava seu clit*ris, levando a Dj a gem*r cada vez mais alto em seu ouvido.
Paula a virou de costas e começou beijar toda extensão do seu corpo, passando pelas costas, bumbum e pernas, levava a Dj a loucura.
Mordia sua nuca enquanto suas mãos passeavam pelo corpo da namorada, enquanto Vládia gemia e sussurrava palavras desconexas, Paula a penetrou, a fazendo gem*r alto.
-- Tá gostoso assim meu amor? – Ela perguntou em seu ouvido enquanto dedos hábeis a exploravam.
-- Delicioso amor... Sentí saudades de fazer amor com você... – Vládia dizia com a respiração ofegante.
-- Voce confia em mim? Paula perguntou.
-- Confio...- Ela respondeu meio que sem pensar.
Paula pegou o óleo e passou em suas mãos voltando a penetrar à namorada, forçou a entrada em um lugar diferente e como não sentiu resistência, intensificou os movimentos em uma penetração dupla levando a Vládia a loucura, nunca havia experimentado essa sensação, mas estava achando deliciosa de ter a namorada a preenchendo em todos os sentidos. Paula intensificou os movimentos e em pouco tempo a Dj atingia o orgasmo, de forma intensa e deliciosa. Vládia trazia nos lábios um sorriso maroto, de satisfação enquanto Paula ainda sentia pelo corpo os efeitos do prazer sentido.
-- Amor, eu preciso te dizer uma coisa. – Vládia confessou à namorada.
-- Diz... – Foi à única coisa que ela conseguiu dizer.
-- Eu nunca senti o que você me proporcionou hoje, nunca permiti que ninguém me tocasse dessa forma.
Paula apenas sorriu e tomou seus lábios em um beijo urgente enquanto suas mãos prendiam seu corpo ao dela.
-- Eu te amo. – Paula sussurrou em seu ouvido quando seus lábios se separaram.
-- Eu também, muito.
Passaram aquela noite se amando, entre promessas ditas e silenciosas, uma única coisa tinham certeza, se amavam e se desejavam mais do que qualquer coisa.
*****
Os dias se passaram e se tornaram semana, Vládia e Paula retornaram a Recife, Paula precisava fazer a matricula do curso da faculdade, Luiz ficou de levar o carro da Dj assim que fosse possível.
Adrian já estava com quatro meses, as festas do final de ano se aproximavam, e apesar da Dj não gostar dessa época do ano, se rendeu por causa do filho. O Natal passaram as amigas, o pai de Paula que se tornara um avô presente na vida do Adrian e o Luiz na casa da fazenda, o réveillon seria na casa de praia de Porto de Galinhas.
Paula estava eufórica pelas aulas quê se iniciariam em meados de janeiro, pela primeira vez na vida ela tinha certeza do que queria para sua vida.
Dia trinta e um de dezembro chegou, Pâm e Renata, Silvinha e Pietra, Vládia, Paula e Adrian e Luiz, estavam arrumando as coisas na casa da praia, haviam comprado a comida, ninguém queria cozinhar naquela noite. Adrian parecia um homenzinho, cachinhos negros contrastavam com o branco da sua pele, e as duas sáfiras azuis e a boca vermelhinha, o deixava uma criaça daquelas que todos têem vontade de morder. Simpático, ele passava de colo em colo sem estranhar ninguém. Depois que terminaram de arrumar as mesas na varanda, Vládia pegou Adrian dos braços de Luiz dizendo que iria dar banho, Luiz aproveitou e a seguiu.
-- Vai Luiz, desembucha que eu sei que você não veio até aqui só para olhar o Adrian tomando banho.
-- Sabe o que é, eu queria saber se você tem alguma noticia da Fran? – Ele disse enqunto tirava a roupa do Adrian e Vládia enchia a banheira.
-- Não Luiz, a última vez que eu a vi, foi quando o Adrian nasceu, mas eu achei que você estava falando com ela.
-- É, mas já faz algum tempo que ela não me liga e nem atende minhas ligações.
-- Dê um tempo a ela, assim como eu, ela também não gosta muito dessas festas de final de ano, natural ela sumir, mas em Janeiro ela aparece.
Luiz não acreditou no que estava ouvindo, a frieza com que a Dj havia falado, não resistiu e a seguiu até o banheiro.
-- Você não acha que ela merecia um pouco mais de respeito? Ela sumiu e nós sabemos muito bem o porquê.
-- Luiz, eu sei, sei que é difícil para ela, sei que ela me ama e que ainda vai me amar por um bom tempo, ela é assim, intensa, profunda, mas você acha que eu me sinto bem com essa situação toda? Não Luiz, eu não me sinto, eu queria que ela encontrasse alguém que a amasse e que ela amasse e que fossem felizes, mas sabemos que as coisas não são bem assim.
Vládia enxugou uma lágrima que escapou de seus olhos, respirou fundo e continuou.
-- Eu quero a felicidade dela Luiz, por que ela é uma pessoa maravilhosa, se você não estiver bem ela é a melhor pessoa para estar ao seu lado, mas quando ela não está bem, não adianta que você não vai encontrá-la, por que nessas horas ela é uma concha fechada, de um tempo que logo ela aparece de novo. – Fez um carinho no rosto do amigo que suspirou resignado.
-- Acho que a paternidade me deixou muito mole. – Disse ele quando Adrian deu um tapa na água jogando água prá cima.
Os dois riram da brincadeira do filho e Luiz ajudou Vládia a dar banho nele, eles estavam muito mais unidos desde o nascimento do pequeno, Luiz dizia que o Adrian tinha vindo para lhe ensinar o verdadeiro sentido da palavra amor, na sua mais pura essência.
Estava quase tudo pronto, as comidas chegaram perto das oito da noite, e como mandava a tradição, todos vestiam branco. Pâm e Renata ostentavam agora uma aliança de ouro branco toda trabalhada, mas ainda na mão direita, Pietra e Silvinha, ainda moravam em casa separadas, mesmo depois que o pai da Paula passou a casa para o nome da Pietra, elas diziam que assim não cairia na rotina, então se revesavam entre as duas casas. Vládia e Paula estavam no apartamento da Dj, mas Paula já estava reformando uma das casas que a mãe havia deixado para ela, queria que o Adrian tivesse espaço, contato com a natureza. Luiz vivia na ponte aérea SP / Recife, não poderia ir de vez, tinha negócios em SP que ainda o prendiam lá, além do que, amava aquela cidade.
Perto das onze e vinte, os amigos se dirigiram a praia em frente da casa, Adrian era o mais animado de todos, olhava as luzes coloridas no céu, efeito dos fogos que alguns já soltavam e gritava. Paula, abraçada a Dj, não acreditava no que seus olhos viam, era ela mesmo, conheceria aquela pessoa em qualquer lugar no mundo, era Francis.
-- Acho bom você ter uma boa desculpa para eu não te encher de porr*da. – Paulinha disse soltando a Dj e indo ao encontro da amiga e a abraçando.
-- Eu senti tantas saudades de você pandinha. – Ela disse ainda abraçada a amiga.
-- Nem parece, você simplesmente sumiu.
-- Fazer o que, eu sou assim. – Ela levantou os braços.
A alegria foi geral, todas abraçaram a amiga, apenas Vládia se encontrava mais afastada com Adrian nos braços, esperando toda a euforia passar para ela poder abraçar a amiga. Depois de abraçar e beijar a todos, Francis se virou e encarando a Dj, disse.
-- Oi, será que eu não mereço pelo menos um abraço? – Disse a Dj que abrindo um sorriso, passou Adrian para o pai e a abraçou.
-- Você está muito bem docinho.
-- Você também Fran, nós sentimos a sua falta.
-- Eu também docinho, de todas vocês.
-- Eu quero que você conheça alguém, de novo. – A Dj riu puxando-a pela mão.
Luiz entregou Adrian a Vládia que o levou até Francis.
-- Oi garotão, como você está lindo e grandão. – Francis disse pegando-o no colo.
-- Você é a cara da sua mamãe, ainda bem que não puxou seu pai.
-- Mas é atrevida essa sapa. – Luiz disse brincando com ela.
-- Você foi uma das primeiras pessoas que meu filho conheceu quando nasceu, só por isso não vou te dizer umas verdades.
Sentaram na areia, cada uma com seu par, Luiz e Francis, abraçados, ela tendo Adrian em seus braços, estava maravilhada com a semelhança absurda que aquele ser tinha com sua mãe, seu amor.
Agora sim a família torta estava completa, o aumento de fogos que coloriam o céu, anunciava que o ano novo estava começando, as amigas se abraçaram desejando felicitações umas as outras, a única coisa que a Dj esperava, era que elas estivessem juntas sempre, amava aquela família.
Após assistirem a queima de fogos, elas entraram, estava uma noite deliciosa, o clima estava ameno, fazia calor, mas a brisa que vinha do mar refrescava. Pietra ligou o som enquanto Paula entrava com Luiz para pegar o isopor com as cervejas e trazer para fora. Pâm e Renata estavam tendo a primeira DR do ano, Francis, ainda com Adrian nos braços, estava sentada no degrau que dava acesso da praia para casa. Vládia pegou um cigarro e seguiu até eles sentando-se ao lado da Fran.
-- Por onde você andou dona encrenca? – Vládia perguntou abraçando ela.
-- Por aí, SP, RS, PR, tava procurando minha sanidade, me procurando na verdade. – Ela disse olhando o mar.
-- E encontrou?
-- Sim, eu estava exatamente no único lugar onde não procurei. Eu estava ao seu lado, meu pensamento nunca saiu daqui. Como é difícil. – Ela suspirou.
-- Fran, me desculpe.
-- Desculpar por quê? Porque eu te amo demais? Meu amor é tão grande que parece não caber dentro de mim mesma. Voce não tem que se desculpar Vlá, eu que estraguei tudo entre a gente, eu que não acreditei, que não confiei, eu que tive medo desse sentimento enquanto ele crescia dentro de mim. Se alguém aqui tem que pedir desculpas, esse alguém sou eu. Desculpa por não estar ao seu lado quando a única coisa que você queria era carinho, desculpa por eu ser essa besta egoísta, por não ter confiado em você, por ter jogado tudo o que a gente tinha no lixo. – Uma lágrima solitária escorreu de seus olhos.
-- Eu também te amei Fran, você teve o meu melhor e o meu pior também, você esteve presente em todos os melhores momentos da minha vida, quando eu descobri que estava grávida, você voltou para minha vida e me fez acreditar que esse seria o melhor momento da minha vida, depois quando o Adrian nasceu, eu estava apavorada, mas você estava lá, segurou a minha mão e conseguiu me acalmar, você consegue ver a importância que você tem em minha vida, nas nossas vidas? – A Dj falou com lágrimas nos olhos.
Adrian, alheio ao teor da conversa, brincava no colo da Fran, ela tinha os olhos grudados nele, não entendia como poderia sentir tanto amor por um ser tão pequenino, ele era tão inocente, não tinha noção do quanto era dolorido para ela estar ali, mas a sensação de tê-lo em seus braços, amenizava a dor que impregnava seu coração, ele era seu, de uma certa forma era seu, ela perdeu as contas de quantas vezes imaginou sua vida depois que ele chegasse, e se odiou por ter sido tão covarde a ponto de deixá-los escapar de sua vida, mas ela sabia, ela havia expulsado eles, agora não tinha mais o direito de querer nada.
-- Eu posso visitá-lo de vez em quando? – Ela perguntou olhando nos olhos da Dj.
-- Claro Fran, sempre que você quiser, agora que você voltou, pode ir em casa sempre.... – Um pensamento interrompeu suas palavras.
-- Você não vai sumir de novo né Fran?
-- Docinho, você não sabe como é difícil para mim estar aqui, dói demais, eu não estou pronta para encarar sua felicidade e saber que não sou eu a proporcioná-la, mas também não estou preparada para tirar de vocês da minha vida, é confuso mas eu estou aprendendo a lidar com isso ainda.
Francis a envolveu em seus braços e ela descansou a cabeça em seu peito sentindo o cheiro da sua pele, trouxe Adrian para mais perto e assim ficaram por um longo tempo, até que Luiz chegou, sentando-se do outro dela, a puxou para seu colo, e ela, ainda agarrada a Adrian que agora estava quase dormindo, se deixou levar. Vládia a soltou e levantou, beijou sua cabeça e sussurrou em seu ouvido.
-- Eu estarei sempre aqui, só que de uma maneira diferente agora, mas estarei. – E beijando sua cabeça, se afastou, deixando os três sozinhos ali.
Lá na varanda, as meninas conversavam animadamente, Renata ameaçava Pâm de largar dela e se casar com seu novo chefe da redação do jornal se ela continuasse enrolando ela com a história de se estabilizar primeiro, Vládia abriu uma lata de cerveja, pegou um cigarro de Paula, beijou de leve os lábios dela e chamando Pietra com o olhar, foi até a frente da casa fumar. Pietra chegou pouco tempo depois, tomou um gole da cerveja da Dj, acendeu um cigarro e encostou do seu lado dizendo.
-- Fala branquinha, o que aconteceu para te deixar assim?
Vládia contou a ela a conversa difícil que teve com a Francis há alguns minutos atrás, Pietra ouvia e às vezes balançava a cabeça.
-- Isso já era o esperado Vlá, o que vocês viveram foi muito forte, intenso, é impossível sair de uma situação assim sem deixar marcas. Dê um tempo a ela, ela vai se recuperar, te esquecer, ou pelo menos aprender a viver sem você na vida dela.
-- Pietra, eu sei que é errado, e até egoísta, mas eu a quero em minha vida quero que ela participe da vida do Adrian, esse era o combinado.
-- Realmente, muito egoísta, o combinado era esse sim branquinha, mas você esqueceu que o combinado era vocês juntas, não como amigas, e se é tão difícil para ela, não cobre, não seria justo com ela.
-- Eu sei... Só queria saber por que dói tanto? Eu amo a Paula, não vejo minha vida sem ela, mas também não vejo minha vida sem a Fran.
-- Natural, elas sempre estiveram na sua vida, nos melhores e nos piores momentos, isso se chama amor Vlá, não quer dizer que você queira as duas como mulher.
-- Mas aí é que tá, eu não sei.
-- Você está confusa branquinha, só isso, ao não ser que você queira fazer uma versão nova da história, dona Vládia e suas duas mulheres, mas acho melhor não. – Ela conseguiu tirar um sorriso dos lábios da Dj.
-- Vládia, eu acho que vocês precisam se despedir sabe, colocar um ponto final nessa relação para poderem seguir em frente, vocês apenas se separaram.
-- A gente já se beijou depois disso Pietra, já tivemos nossa despedida.
-- Se você acha que já se despediram, então tá, mas pense bem no que eu te falei. Nenhuma das duas merece sua indecisão, elas te amam por completo, não merecem que você as ame pela metade.
Renata chegou com uma cerveja para elas, percebendo o clima da conversa, abraçou a prima e disse.
-- Se eu fosse você, levaria as duas para cama e encerrava essa história com chave de ouro.
-- Renata, é por isso que a Pâm não casa com você, doidinha. – Vlá brincou com a prima.
-- Se você acha que não é uma boa idéia, fazer o que, eu não perderia a chance. – Piscou para a prima e entrou na casa rindo.
Pietra abraçou a amiga e foi para dentro também, deixando ela perdida em seus pensamentos. Em seu silêncio, ela ouvia as risadas vindas de dentro da casa, queria participar daquela alegria, mas seu espírito estava cansado, triste, ela não queria contagiar a todas com sua melancolia, foi até a cozinha, pegou outra cerveja, o maço de cigarros em cima da mesa e saiu pela porta da frente, pegou a rua lateral e foi até a praia, que àquela hora, já estava praticamente deserta, andou até se afastar da casa e de algumas pessoas que brincavam de pular as ondas no mar. Colocou a cerveja na areia junto com o maço de cigarros, tirou a saia e a regata e foi para o mar, na esperança de que ele com toda sua imensidão, tivesse o poder de acalmar seu coração. Nadou por agum tempo, a água estava morna, gostosa, quando se sentiu melhor, saiu da água, vestiu sua roupa e ficou sentada na areia bebendo a cerveja e fumando seu cigarro. Sentiu quando alguém sentou atrás de si e a envolveu em seus braços, ela se premitiu abraçar, encostou-se e ficou ali em silêncio. A respiração em seu ouvido lhe arrepiava, seu corpo respondia, queimava por dentro, tremia de desejo, o que não passou despercebido pela pessoa que a envolvia em seus braços. Mãos criaram vida e começaram a alisar sua barriga provocando nela uma sensação deliciosa, um arrepio latente, não sabia se pelo efeito do álcool ou pela lua linda que resplandecia no céu, estava excitada. Pegou a mão que lhe percorria a barriga e a levou até seus lábios, ch*pando de forma sedutora um dedo para logo em seguida a pousar em seus seios mostrando claramente o que desejava. A mão acariaçava seus seios, enquanto a boca lhe beijava e lambia sua nuca. Inevitávelmente os gemidos começaram a sair, aquelas mãos percorriam seu corpo que latej*v* de desejo arrancando da Dj palavras desconexas e gemidos que levavam a loucura. Habilmente, a mão levantou sua saia e tocou seu sex* molhado e pulsante a fazendo delirar com a sensação. Com a intensidade dos movimentos, em pouco tempo a Dj atingiu o orgasmo. Enquanto elas se recuperavam, Vládia entrelaçou seus dedos nos dela e disse.
-- Paula, é por isso que eu te amo tanto.
-- Eu também meu amor, muito. – Paula respondeu beijando seu pescoço.
-- Posso saber por que a senhorita veio para cá e entrou na água há essa hora? – Vládia prendeu a respiração, não poderia dizer a ela, não depois de fazer amor com ela.
-- Eu vim aqui para fazer amor com você. – Paula sorriu com a declaração dela, mas sabia que isso não era verdade.
Vládia, ficando de frente para ela, acariciou seu rosto, conhecia perfeitamente os contornos dos seus olhos, lábios, amava aquela menina no corpo de mulher, tomou seus lábios num beijo intenso, suas línguas dançavam dentro da boca, quando terminou o beijo, a profundidade com que aqueles olhos a olhavam, a fez ter certeza de que estava onde realmente deveria estar, nos braços da mulher da sua vida.
Voltaram para casa, abraçadas, Paula a beijava, passava a mão em seu corpo fazendo gracinhas, Vládia ria das provocações. Na casa, as meninas ainda bebiam e conversavam, Renata sentada no colo da Pâm vez ou outra lhe roubava um beijinho. Luiz as recebeu com a indiscrição que lhe era peculiar.
-- Até que enfim chegaram, estavam fazendo amor na praia que eu vi.
-- Vai te catar Luiz. – Vládia respondeu.
Na cadeira ao canto, Francis tinha um Adrian adormecido em seus braços, na mesa, a mamadeira repousava vazia.
-- Você bebeu, então achei melhor fazer uma mamadeira e dar a ele, por que senão, corria o risco do meu filho ter um coma alcoólico. – Luiz brincou apontando a mamadeira.
-- Obrigada Luiz. – Vládia agradeceu.
-- Francis, deixa eu colocar ele no berço para você ficar mais a vontade, sei que ele é pesado. – Vládia falou.
-- Tá certo, ele realmente pesa, parece um chumbinho, mas eu levo ele, vamos?
Foram para dentro, Vladia acendeu o abajur para não clarear muito o quarto e apontou o berço para que Francis o colocasse lá. Ela caminhou até o berço, colocou ele lá dentro, beijou aquela bochecha rosada, sussurrou um boa noite e se afastou para que Vládia arrumasse.
A Dj tirou o tênis e a calça dele, cobriu com um lençol e puxou o mosquiteiro por cima dele.
-- Ele é lindo né Fran? – Ela falou olhando para ele dormindo no berço.
-- Muito lindo, vai dar trabalho esse garotão, vai chover mulher para ele.
-- Não, ainda é muito cedo para pensar nisso, ele é só um bebezinho ainda, ainda tenho uns 16 anos de paz e sossego.
-- Se você quer se enganar, por mim tudo bem, eu diria que você tem no máximo uns 13 anos de sossego, por que ele vai ser bem grande.
As duas riram e Vládia teve que concordar, ele seria imenso.
-- Fran, eu sei que é difícil para você, mas sempre que puder apareça ou mande pelo menos um e-mail, um telefonema, sei-lá. – Apesar de tudo, a sinceridade era visível na voz da Dj.
-- Pode deixar, eu vou tentar, e se não conseguir eu te mando nem que seja um sinal de fumaça docinho, mas vamos para a festa agora.
Voltaram para festa, Pietra a olhou e ela sussurrou um estou bem e não tocaram mais no assunto.
Francis foi embora antes de todas acordarem, apenas Luiz já estava na varanda quando ela estava saindo.
-- Vai ser sempre assim? – Ele perguntou enquanto sorvia um gole do seu café.
-- Quer me matar do coração? Assim como? – Ela disse depois do susto que levou.
-- Você indo embora de forma sorrateira sem se despedir de ninguém.
-- Desculpa Luiz, mas não dá prá ser diferente sabe, não consigo ficar longe, mas ficar perto me faz mal, me machuca.
-- Eu sei, ela é sua heroína né?
-- Pois é meu amigo, estou pagando meus pecados.
-- Tá certo, mas vê se não some de novo tá? – Ele disse enquanto envolvia a amiga em um abraço apertado.
-- Não vou sumir. Se cuida, deixe um beijo bem grandão no pipoquinha por mim.
E assim, mais uma vez ela foi embora, e Luiz não sabia por quanto tempo, sabia apenas que sentiria falta daquela menina que ele já havia aprendido a amar.
*****
Os dias foram passando e se tornaram semanas, meses, a festa de um ano do Adrian estava chegando, Paula e Vládia haviam mudado para casa nova há alguns dias, ela era grande, tinha três quartos, um Paula fez um Studio de música para que a Dj pudesse ficar mais tempo em casa, ela já havia reomado seu trabalho, dona Ana e seu Luis Paulo, pai da Paula, brigavam para ver quem cuidaria do Adrian enquanto ela trabalhava, na maioria das vezes Paula ficava e colocava os dois porta a fora.
Francis havia aparecido algumas vezes, para ver o Adrian, e sempre quando ela sabia que ele estava passeando com o Luiz na praia, Vládia, apesar de ele jurar que era coincidência, sabia que ele avisava ela que eles estariam sozinhos na praia, ela ficava triste, sentia falta da Fran, mas não imporia a ela sua presença, respeitaria o tempo dela. Os preparativos para a festa do Adrian estavam a mil, dona Ana, seu Paulo e Luiz, haviam tomado a frente do assunto, nos primeiros dias Vládia havia se irritado, mas depois deixou eles fazerem, só não queria que o Luiz transformasse o aniversário em um acontecimento gigante, seria só para família.
A noite que antecedia o aniversário, estavam todos reunidos na cozinha enrolando brigadeiros, beijinho e surpresa de uva, Pietra e Silvinha estavam arrumando as forminhas para colocar os doces, Pâm e Renata mais comiam do que enrolavam, o que lhes rendia muito beliscões de Luiz que sempre que entrava em casa para pegar algo para decorar a área da churrasqueira as via mastigando, Vládia mexia os doces no fogão com Paula e dona Ana cuidava do seu príncipe, como ela se referia a Adrian. Foi mexendo nas panelas que Vládia queimou os dedos e deu um grito.
-- Ai merd*, queimei meu dedo. – Ela disse correndo para por o dedo embaixo da torneira.
-- Amor, eu disse para você deixar que eu fazia né. – Paula disse beijando de leve os lábios da namorada.
-- Mas desse jeito vai ficar pronto semana que vem, não sei por que não comprei tudo pronto ao invés de serem só os salgados.
-- Docinho pronto é muito ruim, eles fazem aqueles doces enlatados, esses são muito melhores. – Paulinha respondeu.
Vládia sentou no chão e foi avaliar o tamanho do estrago, tinha três dedos vermelhos e onde se concentrou a maior parte do brigadeiro que pulou, uma bolha já começava a se formar. Adrian engatinhou até ela e esticou os bracinhos para que ela o carregasse, ela o pegou em seu colo e o beijando disse.
-- Tá vendo, mamãe fez dodói no dedo fazendo docinhos para sua festa meu amorzinho. – Disse dando beijinhos nele que olhava atentamente a mancha vermelha nos dedos da mão da Dj.
Ela ficou sentada com ele no colo, Paula achou melhor mantê-la longe do fogão, Adrian fazia carinho em seu rosto puxando seu rosto para olhar para ele, e quando ela olhava, ele abria um sorriso que lhe fazia esquecer de tudo, até do quanto seus dedos estavam doendo, e foi em uma dessas puxadas dele que ela ganhou seu maior presente, ele a puxou e esboçou suas primeiras palavras que foram entendidas, não eram apenas os dádádádá de sempre, ele disse.
-- Mamã. – Vládia pulou quando ouviu assustando ele que logo depois caiu na gargalhada e disparou sua metralhadora para que ela se assustasse e ele logo em seguida caía na gargalhada de novo.
-- Amor, ele tá falando mamã. – Paulinha disse se abaixando e beijando a mulher e o filho.
Luiz quando entrou e ouviu não se conformava por ele não conseguir dizer papai, ele dizia que era muito mais fácil do que mamãe.
Ficaram até as quatro da manhã organizando as coisas, Adrian dormia gostoso quando Paula e Vládia entraram no quarto depois de um merecido banho, sentaram na cama que tinha ao lado do berço e ficaram admirando aquele garotão dormir, ele estava ainda mais lindo, os cachinhos negro chegavam ao ombro, Vládia não tinha coragem de cortar, ela dizia que ele pareciam um anjinho com os cachinhos, os olhos eram de um azul bem clarinho, mas quando ele se irritava, eles ficavam num tom cinzento, a boca ainda era um moranguinho bem vermelhinha e carnuda, a pele branca como leite, ele era uma réplica perfeita da mãe, do pai ele herdara só os cachinhos e o tom dos olhos, os de Vládia eram de um azul intenso.
-- É lindo nosso filhote né amor? – Vládia disse fazendo carinho na mão da Paula.
-- É sim meu amor, e não poderia ser diferente, ele puxou você branquinha.
Naquela noite, apesar do cansaço, fizeram amor até quase o dia amanhecer, tudo estava perfeito na vida delas, a faculdade da Paula estava no segundo semestre já e ela se mostrava cada dia mais apaixonada pela profissão que escolhera, a Dj estava tocando de quinta a domingo, havia parado apenas com as aulas, seus dias eram para estar na companhia do filho, ela aproveitava cada momento que eles tinham juntos, Adrian já mostrava seu gosto pela música, quando estava manhoso, ela ligava o som e colocava Enya, em minutos ele se acalmava e dormia. Ela havia colocado ele na escolinha, apenas pela manhã, depois de tanto as amigas falarem que ele precisava conviver com crianças e quase morreu no primeiro dia de aula dele, principalmente por que ele ficou todo risonho para a professora que o levou sem nem se quer olhar para trás para a mãe que estava com o coração em pedaços por deixar ele tão pequenino na escola.
O sábado amanheceu ensolarado, Vládia, depois de dar banho no Adrian e tomar o seu, foi arrumar as últimas coisas lá fora e quase caiu de costas quando viu Luiz mostrando o lugar exato que queria a piscina de bolinhas, o escorregador inflável já estava quase cheio e a cama elástica já estava montada, Adrian ficou maravilhado com as cores.
-- Luiz, o que é isso?
-- Ai nem vem, criança adora essas coisas e meu filho merece, vem com o papai meu amor. – Ele chamou Adrian que esticou os bracinhos para ir com ele.
Vendo a alegria de Adrian nos braços do pai, ela teve que concordar, criança realmente gosta desas coisas, resolveu relaxar e voltou para dentro. Encontrou uma Paula apreensiva esperando por ela na cozinha, teve certeza que ela já sabia.
-- Tudo bem branquinha? – Ela perguntou cheia de receios.
-- Tudo, você já sabia né?
-- Sabia, mas meu pai e o Luiz me convenceram de que seria legal e de que você só deveria saber na hora. O que você achou?
-- Eu me assustei, mas o Adrian está tão feliz, hoje o dia é dele, deixe ele aproveitar, mas com a senhorita eu me entendo depois e você vai me pagar caro. – Ela disse abraçando a Paula e a beijando sedutoramente colocando a mão dentro do shorts do pijama que ela ainda vestia a fazendo gem*r.
-- Eu pago com juros meu amor, sempre.
Vládia retirou a mão e se afastou dela pondo o dedo na boca se deliciando com o gosto dela, se virou e foi saindo.
-- Ei, aonde a senhorita pensa que vai? Vai me deixar assim? – Paula disse.
-- Claro meu amor, hoje o dia é do Adrian, só ele ganha presente. – Disse mostrando a língua para ela.
-- Ah, mas isso não vai ficar assim viu mocinha, vai ter volta. – Ela gritou da cozinha.
Depois que a Dj a deixou parada na cozinha naquele estado, ela resolveu tomar um banho gelado para esfriar o corpo.
Perto das três da tarde as meninas chegaram, trazendo presentes, Renata era a mais eufórica de todas, ela trouxe para o Adrian a sua própria piscina de bolinhas, Pâm trouxe uma carreta cheia de carrinhos, ele adorava carrinhos, Luiz já havia dado a ele quase uma coleção. Sil e Pietra trouxeram dois conjuntinhos, um tênis e um boné de cachorrinho lindo.
Paula chegou logo depois beijando e abraçando as amigas, mas ignorando totalmente a Dj que ralhou com ela.
-- Vai ficar com esse bico até que horas Paula?
-- Você que o colocou aqui, agora agüenta.
-- O que aconteceu com vocês? – Pietra perguntou.
-- Pergunta para sua amiguinha aí, eu vou terminar de arrumar os balões lá fora. – Paulinha respondeu saindo em seguida.
-- O que foi Vládia? – Silvinha perguntou.
-- Nada, eu já vou resolver isso, eu já volto.
E dizendo assim saiu atrás da Paula no quintal.
Ela estava sozinha na área da churrasqueira amarrando os balões, Vládia se aproximou dela e sentou na mesa, ela apenas olhou e voltou a fazer o que estava fazendo antes dela chegar.
-- Vai continuar com essa cara Paula?
-- Você que a colocou aqui meu bem, agora agüenta.
Vládia a abraçou pelas costas e com as mãos passeando pelo seu corpo começou a beijar seu pescoço, Paula tentava em vão parecer alheia ao que ela fazia, mas não conseguia, seu corpo respondia ao toque da mulher, ela conhecia todas as partes sensíveis daquele corpo como ninguém e mesmo tentando manter a concentração no que estava fazendo, foi impossível não soltar um gemido quando os dedos dela tocaram o seu sex*.
-- Eu sabia que você não era indeferente ao meu toque amor, relaxa... vem. – Vládia sussurrou em seu ouvido.
-- Vládia, a casa tem gente, dá para ver... – Paula falou com a voz entrecortada.
Vládia ficou de frente prá ela e a encostou na mesa, a sensação do perigo a deixou com tesão, teve uma idéia e disse a namorada.
-- Você me abraça, fica quietinha, tenta não gritar que eu vou ficar de olho, se vier alguém eu paro, mas agora eu quero você amor, por favor.
Como resistir a um pedido desses? Paulinha não sabia e nem queria, se permitiu participar dessa vontade insana que invadia o corpo das duas. Abraçou a Dj como ela pediu, enquanto ela a penetrava e gemia ao seu ouvido a chamando de gostosa e dizendo palavras que a levavam a loucura, em pouco tempo ela gozou.
-- Vládia, você me faz fazer cada coisa meu amor. – Ela disse beijando os lábios dela.
-- O que posso fazer se eu te amo e minha necessidade de te sentir é maior que a minha sanidade?
Vozes anunciaram a chegada da Silvinha e da Pietra.
-- Tudo bem por aqui meninas? – Pietra perguntou.
Paula gelou, Vládia ainda tinha os dedos dentro dela e ser pega nesse ato a deixava totalmente sem graça. Com discrição, Vládia retirou a mão que se encontrava dentro da bermuda dela e a envolveu pela cintura.
-- Tudo sim, estávamos apenas resolvendo umas pendências. – Vládia disse.
Paula, com a desculpa de terminar de arrumar o que estava fazendo, voltou para os balões. Silvinha foi ajudá-la e Pietra coma boca aberta olhava para a Dj que meio sem graça perguntou.
-- O que foi?
-- Não acredito que vocês estavam fazendo isso quando a gente chegou? – Ela disse incrédula.
-- Não estávamos fazendo nada Pietra, de onde tirou essa idéia? Eu hein.
-- Vládia, eu fui casada com a Paula por oito anos, eu a conheço bem e sei que foi isso, por que ela estava com cara de quem estava aprontando.
-- Ai como eu detesto essa sua mania de analisar tudo Pietra.
As duas riram e sob o olhar de interrogação de Paula e Sil, elas entraram na casa. Quatro horas, o horário marcado para a festa, começou a chegar os convidados, os amiguinhos do Adrian da escolinha foram todos, Vládia agradeceu por ter colocado ele na escolinha, senão ele seria a única criança presente, a festa estava linda, Adrian, mesmo não entendendo nada, se divertia muito e parecia saber que a festa era dele, estava radiante, os olhinhos brilhavam vendo a bagunça instaurada na casa.
Vládia e Luiz, foram confundidos como casal por vários pais, no começo Luiz ficou indignado, mas depois relaxou e sempre que alguém perguntava por sua esposa, ele apontava a Dj.
Um pouco antes dos parabéns, Luiz recebeu uma ligação, ao finalizar, pediu a Vládia que esperasse um pouco para cantar, alegando que alguém estava chegando e pelo olhar da Dj ele apenas disse.
-- É ela sim branquinha.
Francis chegou vinte minutos depois, de óculos escuros, calça jeans, all star preto e camiseta branca, os cabelos mais curtos, despontados, estava linda, ao lado dela a namorada que ela apareceu com ela um pouco antes da Vládia ficar grávida, Ana Flávia, era esse o nome, Vládia lembrava, mas o que ela estava fazendo com aquelazinha no aniversário do seu filho.
Ela parecia feliz, e a menina ao seu lado parecia ser a responsável por essa felicidade, ela sentiu ciúmes, mas ela não tinha esse direito, queria a felicidade dela e se essa menina a estivesse fazendo feliz, ela engoliria.
Luiz foi o primeiro a cumprimentá-la e a namorada, ela sorria abraçada ao amigo, Vládia estava próxima a mesa de salgados e a uma distancia segura dela, Paula, com o Adrian no colo se aproximou dela, quando a Dj viu o filho esticando os bracinhos para ela que o pegou e distribuiu beijos pelo rosto todo dele arrancando gargallhadas dele. Pietra ao lado da amiga disse em seu ouvido.
-- A mãe do aniversariante não vai receber as convidadas?
-- É você tem razão, já estão olhando o afetado do meu marido se abrindo pra ela. – As duas riram e Vládia caminhou até eles.
Foi Adrian que anunciou a chegada dela abrindo os bracinhos e falando.
-- Mamã.
Francis se surpreendeu com ele falando e olhou na direção dos bracinhos dele. Vládia abriu os braços e recebeu o filho abraçando apertado.
-- Oi branquinha, tudo bem? Desde quando essa pipoquinha fala? – Ela disse enquanto beijava o rosto da Dj.
-- Tudo bem sim e você? Ele fala desde ontem né filhote. – Ela disse apertando a bochecha dele.
-- Você lembra da Aninha? – Francis disse puxando a namorada pela mão.
-- Lembro sim, tudo bem Ana?
-- Tudo, desculpe invadir assim sua casa numa data tão especial, mas a Fran insistiu.
-- Sinta-se bem vinda a minha casa, e ela fez bem em te trazer, vamos entrar.
Vládia as conduziu até onde as pessoas estavam e reunindo todos, cantaram parabéns, Adrian ficava pulando no colo da mãe enquanto Luiz ao seu lado quase gritava a música brincando com o filho, Paula se encarregou das fotos e Renata da filmagem. Como em todo aniversário, após cortar o bolo, os convidados, um a um foram embora, e sob o olhar divertido das amigas, Vládia e o marido se despediram de todos.
-- Vládia, seu marido é super educado, seu marido é um amor, o que vocês deram para esse povo beber? Quem diz que o Luiz é o marido, não ouviu ele falando. – Francis ria da cara do amigo.
-- Fique sabendo que eu sei falar grosso quando eu quero, como agora por exemplo. – Ele disse segurando ela pelo braço.
-- Calma aí grandão, eu tava brincando.
Pâm chegou e pediu que Vládia a acompanhasse até a cozinha, precisava falar com ela urgente.
-- Fala Pâm, parece que viu fantasma, tá branca igual sulfite.
-- Aquela menina que está com a Francis, você a conhece?
-- Conheço, é a namorada dela, por quê?
-- Lembra quando voce me ligou uma vez e uma pessoa atendeu se dizendo minha namorada?
-- Sei, mas o que a Ana tem haver com a Flávia?
-- Vládia, como é o nome da Ana? Ana Flávia, elas são a mesma pessoa Vládia.
-- Puta que o pariu, voce tem certeza?
-- Acho que eu ainda sei quem passou pela minha cama Dj.
-- Que mundo pequeno, to pasma, acredite. – E se deixou cair na cadeira.
-- Tem mais Vládia, a coincidência não para por aí.
-- Mais ainda? Tô ficando com medo já.
-- Deixe eu pegar um cigarro lá fora que eu te conto, ela quando me viu, ficou branca.
Pâm saiu de lá deixando a Dj perdida em seus pensamentos, o que mais a Pâm tinha para te contar. Ela foi despertada por sons alterados de vozes que vinham de fora, se levantou quando escutou Adrian chorando e saiu correndo para fora. Pâm falava aos berros com a Ana, a chamava de falsa e dissimulada, Francis levantava e caminhava em direção a elas com caras de poucos amigos, Adrian assustado chorava no colo do pai que já indo para dentro. Ela pegou o filho que esticava os bracinhos para ela com os olhinhos cheio de lágrimas, e disse.
-- Podem para já com isso, estão assustando meu filho, vou levá-lo para dentro e já volto para saber o que está acontecendo, não se atrevam a sair daqui.
E entrou com o filho nos braços e o Luiz ao lado dela.
-- Luiz, o que aconteceu lá fora?
-- Não sei, a Pâm foi pegar um cigarro e a Ana chegou ao lado dela, de repente a gritaria começou.
-- Algo existiu entre elas, a Pâm me falou, e me disse que tinha algo para me contar. Você fica com o Adrian para eu ir lá?
-- Claro, mas depois quero saber de tudo.
Vládia beijou o filho e o Luiz e foi para fora. As meninas estavam sentadas, Francis tinha Ana envolvida em seus braços. Pâm, visivelmente abalada e envergonhada pela cena, estava do outro lado junto da Renata e da Silvinha, Paula e Pietra estavam pegando algo na geladeira perto da churrasqueira.
-- Vamos explicar agora, o que significou isso tudo aqui fora?
-- Eu ia te contar algo que eu descobri há um tempo atrás, na época não dei muita bola, afinal ela tinha sumido, mas como ela está aqui hoje, achei que voce deveria saber. – Pâm falou.
-- Pâm, você não precisa fazer isso eu já te disse meus motivos. – Ana falou visivelmente nervosa.
-- Eu vou falar Flávia. Vlá, você lembra das mensagens que recebeu em seu celular algumas vezes?
-- Sim, mas o que tem haver?
-- Tudo, eu namorei a Flávia por algum tempo, daí te conheci e me separei dela, depois ela conheceu a Francis, se apaixonou por ela e de novo foi trocada por você. Ela pegou o número do seu celular no meu quando eu tive uma recaída com ela, ela que te mandava as mensagens.
Vládia precisou sentar para assimilar tudo o que ela acabara de ouvir, por muito tempo havia acusado a Pâm, mesmo que intimamente, de ser à pessoa que lhe enviava aquelas mensagens, e agora ficava sabendo que era Flávia que mandava, ela a havia recebido em sua casa.
-- Pâm, me desculpe pelas vezes que eu a acusei de ser a responsável pelas mensagens, eu não tinha esse direito. – A Dj disse abraçando ela que chorava.
-- Dê uma certa forma eu fui responsável, foi do meu celular que ela pegou seu número, eu que a trouxe para sua vida Vládia.
-- Não diga besteiras Pâm, como você poderia saber que ela faria isso?
-- Eu sabia sim, ela sempre foi possessiva comigo, ela é uma psicopata.
Vládia olhou para Ana Flávia que a olhava com desdém, não acreditava que a cínica ainda tinha coragem de olhar para ela assim. Francis se levantou, quase a jogando no chão.
-- Isso tudo é verdade Ana? Por isso o seu interesse na Vládia, dizendo que gostava do trabalho dela?
-- Foi Fran, eu me apaixonei por você, e de novo ela me tirou o amor, sempre ela. O que ela tem melhor do que eu?
-- Tudo, ela é melhor que você em tudo, ela tem caráter, coisa que você não tem e ela teve o meu amor e meu respeito, e o da Pâm também, coisa que você também não teve. Eu tenho nojo de você. – Ela disse pondo as mãos na cabeça.
-- Não Fran, não fala assim, isso é passado meu amor, eu te amo. – Ela chorava sentada na cadeira.
-- Lave sua boca para falar de amor, você não sabe o que é amor Ana e nunca vai saber. – Ela cuspiu as palavras enquanto acendia um cigarro.
Ana Flávia sentiu o chão abrir embaixo dos seus pés, procurou Vládia com os olhos e quando a encontrou, correu em sua direção pegando-a de surpresa, segurou em seus braços.
-- Você, sempre você roubando o que é meu, quem você acha que é? – Disse antes de desferir um tapa na cara da Dj.
Paula ficou cega com a cena, correu em direção à menina, a segurou pelos cabelos e praticamente a jogou na calçada dizendo.
-- Se você passar a menos de 5km da minha mulher eu te esfolo viva, você me entendeu? Some daqui antes que eu esqueça minha educação e arrebente a sua cara.
Ana Flávia levantou e ainda cambaleante, arrumou a roupa e fez sinal para que um táxi parasse, entrou e saiu sem olhar para trás. Paula respirou fundo para se acalmar, fechou o portão e entrou para ver como Vládia estava. Ela estava sentada na cadeira, tinha um corte no canto da boca, Paulinha se abaixou e a abraçou.
-- Desculpe por permitir que ela te machucasse amor, eu deveria ter colocado para fora quando ela começou a discutir com a Pâm.
-- Ei amor, não fale bobagem, quem poderia imaginar que essa louca iria me atacar?
-- Docinho, me desculpe pela cena, eu nunca imaginei que ela fosse assim, parecia tão doce quando estava comigo.
-- Ninguém que a conheça pouco, imagina que ela é assim Fran, ela também me enganou por um bom tempo. – Pâm disse abraçando a amiga.
-- Que saco, não acredito que me deixei enganar assim, como fui burra. – Ela se lamentou.
Luiz saiu de casa com o Adrian nos braços, assim que ele viu a mãe, esticou os bracinhos chamando-a, ela recebeu Adrian no colo e o abraçou.
-- Gente vamos esquecer esse fato, hoje é aniversário do meu amorzinho, e é tudo o que interesa para nós.
Apesar de todos concordarem com a Dj, era visível o abatimento da Francis, ela estava realmente chateada com a situação toda. Aproveitando que todos estavam entrando, Vládia entregou o filho para Paula e pediu que ela o levasse para dentro, e foi em direção a amiga sentada no gramado fumando um cigarro. Sentou ao lado dela.
-- Como você está?
-- Perdida, totalmente.
-- Fica assim não, ela não te merecia Fran.
-- O problema é esse, quando eu encontro alguém que eu acho que finalmente vai te tirar de dentro de mim acontece isso, eu to cansada Vlá, eu quero ser feliz também poxa. – Desabafou caindo no choro.
Sem saber muito em o que fazer, a Dj a abraçou e deixou que ali ela chorasse, na esperança falsa de que depois daquilo ela estivesse melhor, mas não foi o que aconteceu, ela se levantou dizendo que precisava respirar ar puro e beijando rapidamente os lábios da Dj ela saiu. Vládia sentiu que não a veria por muito tempo.
****
Três anos depois!
Paula estava correndo com os preparativos de sua formatura que seria no final de semana, ela não acreditava que o fim havia chego, em alguns dias ela seria a Drª Paula Meira. Estava feliz, sua carreira ainda estava começando, mas ela já estagiava em uma clínica perto de sua casa e assim que pegasse o diploma, seria efetiva, seu casamento estava perfeito, Adrian já contava com 4 anos e recorria a ela sempre que a mãe iria lhe dar uma bronca, ela o pegava no colo e convencia Vládia de que ele era apenas uma criança, lembrou-se da primeira vez em que ele ficou doente e ela amanheceu ao lado dele na cama, amava aquela criança mais do que qualquer coisa nessa vida, ele a desmontava com apenas um sorriso.
*****
Vládia estava trabalhando bem menos, agora ela tinha sua própria escola de formação profissional de Dj, e se preparava para ter outro filho, ela queria muito que esse fosse de Paula, mas entendia quando ela dizia que estava começando a carreira agora, que esse não era o momento para ela engravidar, mas algo dizia que o que Paula tinha mesmo era medo.
*****
Pietra e Silvinha, enfim resolveram morar juntas, alugaram a casa da Silvinha e moravam na casa de Pietra. Silvinha continuava trabalhando com a Dj e estava fazendo um tratamento para engravidar ainda esse ano. Na festa de aniversário da Pietra, Paula mandou fazer uma faixa “Aqui mora uma QUARENTONA” em letras garrafais e colocou na frente da casa dela, o que rendeu boas risadas nossas e alguns tapas em Paula.
*****
Pâm finalmente se rendeu aos pedidos da Renata e agora moravam embaixo do mesmo teto, Renata escrevia para uma revista de turismo gay, listava os pontos de diversão para nossa classe, enquanto Pâm se desdobrava para tomar conta boate do RJ e a de Recife. Há três meses atrás Renata havia feito uma inseminação artificial, estava grávida de gêmeos.
*****
Luiz, que no aniversário de três anos do Adrian, durante os parabéns, o menino fechou bem os olhinhos para fazer o pedido ante de apagar a velinha e estava demorando, ao ser interrogado pelo pai o porquê da demora, ele disse que tinha que se concentrar para fazer o pedido, quando Luiz perguntou o que era tão importante ele respondeu: “Quero pedir ao papai do céu que o meu pai venha morar perto de mim, eu sinto sua falta” foi o que bastou para que aquele homem de 1,93 se desmanchasse em lágrimas, e em um mês, ele desbancou de mala e cuia em Recife, com a venda da academia de SP, ele abriu uma em Recife e se deu bem, em um bairro nobre na cidade. Hoje namorava o Pedro, professor de natação do Adrian.
*****
Francis, depois do ocorrido na casa da Dj, ela viajou, toda semana chegava um postal de lugares diferentes da Europa, essa peregrinação durou seis meses. Quando voltou, era a Francis de antes, pegadora e que fugia de compromisso, cada final de semana uma ou mais mulheres diferentes, mas sempre branquinhas, mas os olhos, os olhos eram sempre azuis, o que levava a crer que ela ainda amava sua Dj, e a confirmação vinha uma vez outra durante uma bebedeira, ela sempre dizia a Vládia que ainda a amava.
*****
O dia da formatura chegou, na colação de grau, Paula entrou de braços dados com seu pai e de mãos dadas com o Adrian que estava se achando vestindo um terninho com gravata e tudo, a emoção dela ao pegar o diplomas e olhando para Vládia com Adrian nos braços disse: É por vocês.
O pai visivelmente emocionado não conteve as lágrimas ao depositar nos dedos da filha o anel de formatura.
-- Você sempre foi meu orgulho filha, e se eu fiz tudo o que eu fiz, foi por que eu sabia que você era capaz, eu te amo.
-- Eu sei pai, obrigada, eu também te amo.
Dona Ana e seu Luis Paulo levaram um Adrian contrariado embora, ele queria ir ao baile também, mas foi convencido, ou melhor, comprado, quando o vovô disse que eles tomariam sorvete antes de irem para casa.
O local do baile era uma casa de festa a beira mar, estava lindamente decorada, depois que os alunos se reuniram para a foto da turma na entrada do baile, o Dj abriu a pista. Vládia procurava Paula, mas não encontrava, as meninas a chamaram para dançar e ela acabou indo, Paula a encontraria.
As amigas estavam reunidas na pista de dança quando Francis chegou com a Paulinha.
-- Lhes apresento a Doutora Paula Meira, renomada psicóloga.
-- Fran, você vai ser minha primeira paciente, eu juro que vai, doidinha de pedra. – Paula ralhou com ela.
-- O que está acontecendo com vocês duas? – Vládia perguntou.
-- Essa louca aqui, já está bêbada e aprontando, e olha que o Buffet só abriu agora. – Paulinha respondeu enquanto bagunçava os cabelos da Fran que ria da cara dela.
-- Docinho, ela tá bravinha por que eu conhecia a menina do bar e ela liberou bebida para mim, vocês estavam demorando demais. E porque eu me arrumei com uma gata daquelas na festa dela e ela não pode por que tem família para cuidar.
-- Meu amor, deixa a Fran, ela é livre e bêbada. – A risada foi geral.
-- Ah é, então a ruim sou eu? Conta para elas Francis quem é a sua escolhida. – Paula desafiou.
-- Ok, tão vendo a Dj lá na cabine? Então, é mó gostosa, linda mesmo, pára o transito, se chama Stephany, tem vinte aninhos, portanto, não é mais chave de cadeia, é Dj e o principal, é de SP. – Francis ficou olhando a cara das amigas que estavam todas olhando na direção da cabine e viram quando a Dj atirou um beijo para a Francis.
-- Não acredito, Dj e ainda por cima de SP? – Silvinha riu.
-- Fazer o quê amiga, eu amo os profissionais dessa área, e se for Paulista, melhor ainda. Velhos hábitos não mudam nunca meus amores. – Ela piscou para Vládia e foi em direção à cabine.
-- Papagaios, eu achei que ela tinha sarado desse amor platônico por você? – Pietra disse a Vládia.
-- Ela sarou, só transferiu de uma Dj para outra. – Vládia disse.
As amigas caíram na gargalhada, e ao som de club can’t handle me, se jogaram na pista, enquanto na cabine, Francis devorava a boca da Dj. A vida ainda traria muitas tristezas, alegrias, amores e decepções na vida de cada uma delas, mas ali, naquele momento, o lema era se divertir, aproveitar e amar, e assim elas fizeram, afinal, tudo na vida segue na batida do coração.
FIM.
Fim do capítulo
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