Capítulo 10

Capítulo 10

de DUETO, por May Poetisa

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No sábado, Vitória acordou às onze da manhã, tomou banho e se arrumou para o congresso, no caminho passou em um restaurante para almoçar; em seguida foi para o encontro e permaneceu até o encerramento, que ocorreu às dez horas da noite. O evento foi produtivo e agradável, durante o jantar ela dialogou com outros pediatras, compartilharam experiências e ela sempre gostou de participar de congressos, pois são fundamentais para o aprimoramento profissional.

Já Lay, que acordou no começo da tarde, sentiu muita falta da ruiva, diferente dos finais de semana anteriores, neste sábado não estava na companhia da amiga e ela só queria que o dia terminasse logo. Para o almoço comprou uma marmitex e passou a tarde inteira deitada, ouvindo música, pensando em Vitória e meditando sobre a vida. No começo da noite recebeu uma ligação de Luiz.

 

- Alô!

 

- Lay, ocupada?

 

- Não, estou largada aqui na minha cama.

 

- Você esta sozinha?

 

- Sim (respondeu desanimada).

 

- Vamos pedalar um pouco pela cidade?

 

- Hoje não, estou com preguiça.

 

- E o que você vai fazer mais tarde?

 

- Nada.

 

- Tudo bem contigo?

 

- Sim e com você?

 

- Eu estou bem.

 

- Lay, sua voz esta diferente, algum problema?

 

- Não. Só estou com um pouco de desânimo.

 

- Então vamos sair, podemos pegar alguma balada mais tarde.

 

- Lu, não estou a fim.

 

- Ei, cadê a Vitória?

 

- Ela esta em um congresso e nem vamos nos ver hoje.

 

- Já que ela tem compromisso, podemos sair juntos, ânimo garota!

 

- Lu, estou falando sério e não vou sair (falou incisiva).

 

- Ok! Chata! Nem vou insistir.

 

- Estou com saudades.

 

- Eu também, agora você só quer saber da ruiva, me jogou para escanteio.

 

- Sempre preferi as meninas.

 

- Palhaça!

 

- Ai Lu, quer saber estou estranha ultimamente.

 

- Isso eu já notei.

 

- Que droga e nem sei o que eu faço.

 

- Muito difícil?

 

- Sim. Vem aqui em casa, preciso conversar e tem momentos que você me entende mais do que eu mesma.

 

- Desde quando você tem crises e TPM?

 

- Não é isso. Só estou um pouco confusa e também quero jogar vídeo game contigo.

 

- Nossa deve ser algo grave, pleno sábado a noite, ao invés de sair, você quer jogar. Minha irmã foi abduzida.

 

- Deixa de ser bobo. Vai vir ou não?

 

- Sinceramente, prefiro dar umas voltas de bike, só para exercitar um pouco, depois tomar um banho e pegar uma boa noitada. Aproveitar o sabadão.

 

- Irmão, eu preciso de você! (abriu o jogo).

 

- Em meia hora eu chego ai (garantiu compreensivo).

 

- Valeu!

 

Preocupado com a irmã, Luiz se trocou rapidamente, pegou sua carteira, chave e documento do carro, em seguida saiu e não demorou muito para chegar à residência dela.

 

 

- Lu, obrigada por ter vindo e desculpa por estragar seu sábado à noite.

 

- Relaxa! Que cara péssima.

 

- Assim você não me ajuda (reclamou).

 

- Desculpa, só fui sincero. Que tal você tomar um banho e eu tento fazer algo para comermos?

 

- Pode ser (assentiu).

 

 

 

Do outro lado da cidade, Gabriel tomava uma dose de uísque e fantasiava uma forma para se aproximar de Vitória.

 

 

 

- Agora você esta bem melhor.

 

- E o que você esta aprontando?

 

- Nada demais, só um macarrão alho e óleo. Descongelei e temperei o filé que estava no congelador.

 

- Quer ajuda?

 

- Não, é rapidinho aqui.

 

- Preciso de doce!

 

- Eu sei, estou fazendo aquele brigadeiro que você gosta, já esta no micro-ondas.

 

- Você é o meu irmão preferido!

 

- Eu sou o único.

 

- Verdade. Eu te amo!

 

- Pentelha, me conta qual o problema?

 

- Promete não tirar sarro?

 

- Não posso prometer isso, a gente sempre zoa um o outro.

 

- Mano, eu estou perdida.

 

- Você já falou para ela?

 

- O que?

 

- Você já falou para a ruiva que esta apaixonada?

 

- Não.

 

- Ainda estão apenas na amizade?

 

- Sim.

 

- Você acha que tem chances?

 

- Nem faço ideia.

 

- Complicado!

 

- Mas quem te falou que estou apaixonada?

 

- Esta escrito na sua testa.

 

- Exagerado!

 

- Você nem consegue mais disfarçar.

 

- O problema é que não sei lidar com isso.

 

- Fala com ela!

 

- Para você é fácil falar.

 

- Irmã, não dificulta mais as coisas, o melhor é já jogar a real logo.

 

- Não sei.

 

- Vocês formam um belo casal.

 

- Sério? Você acha?

 

- Sim e será que ela não esta esperando uma iniciativa sua?

 

- Pior que nem sei te responder.

 

- Então descubra!

 

- Como?

 

- Chega nela, fala que precisa conversar e conta tudo.

 

- Você é doido. Até parece vou chegar e dizer: Vitória, eu estou apaixonada por você. Ela vai pensar o que?

 

- Não fique tentando adivinhar os pensamentos dela. Tenha coragem e se declara.

 

- Mas e se ela não me quiser?

 

- Faz parte, é um risco.

 

- E você fala isso assim naturalmente, poxa irmão.

 

- Lay, tenta! O não, você já tem, tente conseguir um sim e não demore muito, pois a ruiva é bonitona.

 

- Olha o respeito!

 

- Ciumenta! Vamos jantar.

 

Os irmãos jantaram, comeram brigadeiro e jogaram vídeo game.

 

Após as onze da noite, quando eles assistiam a um filme,

Layza reclamou:

 

- Será que a Vitória chegou? Ela nem veio aqui e nem nos vimos hoje.

 

- Ela não tinha congresso?

 

- Sim!

 

- Deve estar cansada.

 

Cerca de quinze minutos depois ouviram o barulho abafado de uma campainha.

 

- É aqui? (Luiz perguntou).

 

- Não (respondeu emburrada).

 

- Visita para a sua vizinha?

 

- Deve ser e pelo visto nem esta tão cansada (voltou a reclamar).

 

- Acho que ela nem gostou muito da visita.

 

- Como assim?

 

- Coloca a TV no mudo um pouco e escuta.

 

Os dois ouviram alguns ruídos vindos do apartamento ao lado.

 

- Lu, parece que ela esta brava (constatou).

 

- Morar em apartamento é assim, mesmo sem querer acabamos ouvindo o que ocorre com os vizinhos.

 

- Fica quieto, deixa-me ouvir (falou se aproximando da parede);

 

- Curiosa!

 

Os irmãos ficaram em silêncio por alguns minutos e ouviram certa balbúrdia.

 

- Lay, é uma briga?

 

- Não consigo entender direito.

 

Segundos depois ouviram barulho de algo caindo ao chão.

 

- Parece voz de homem e se for o ex-namorado dela? Eu vou lá!

 

- Não vai coisa nenhuma, você nem foi chamada, sossega!

 

- Mas e se ele machucar ela? Eu vou até lá!

 

- Deixa disso, é só uma conversa.

 

- Mas e se for mesmo uma briga?

 

- Lay, não vou deixar você ir até lá. Imagina se eles se acertam e você ainda acaba vendo algo que nem queira.

 

- Não diga isso! (falou voltando a sentar).

 

Passaram mais alguns minutos e a discussão ao lado não cessava.

 

- Lu, estou preocupada.

 

- Se acalma!

 

Ouviram um grito aflito e era a voz de Vitória, na sequência parecia um fragor de tapa.

 

- Como que você quer que eu fique calma ouvindo isso? (questionou passando a mão no rosto, demonstrando nervosismo).

 

- Que droga! O que será que esta acontecendo? (perguntou começando a se preocupar).

 

Instantes depois escutam: “Para! Por favor, pare! Gabriel, não! Socorro”!

 

- Lu nós temos que fazer algo! (Lay disse levantando novamente do sofá).

 

 

- Vamos! Ela pediu socorro (falou Luiz correndo para o apartamento ao lado, sendo seguido pela irmã).

 

 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

3
R

rhina

16/12/2016 às 20:23

 

Gabriel de novo....imagina quando surgir a oportunidade de um romance entre as moças 

a amizade entre os irmãos é linda.

rhina

M

mariluz

21/11/2016 às 22:03

Quando vai ser o próximo capitulo aguardando ansiosa tadinha da vitoria 



Resposta do autor:

Olá! Agradeço o seu comentário =D

Ainda nesta semana publico o 11.

Uma feliz e linda semana para nós!

Beijos e abraços, May.

M

Mille

21/11/2016 às 20:48

Oi May

Que capítulo tenso, estou com as maos suadas aqui e o coração batendo mais que escola de samba.

Apreensiva que o Gabriel não agride muito a vitória tora que  o Luiz de uma surra nesse covarde. 

Bjus e ansiosa pelo próximo



Resposta do autor:

Oi Mille, concordo contigo muito tenso e apreensivo tudo isso. Sofrível escrever estes dois capítulos, abordar esta temática é importante e a violência contra mulher é revoltante. É muito complicado conviver com a insegurança, o machismo e a homofobia. Sou otimista e esperançosa, é difícil, mas acredito na possibilidade de um mundo melhor, apesar de todas as adversidades. Seria excelente se as pessoas amassem mais ;)

Até breve! Que tenhamos uma feliz e linda semana! Beijos.

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