Capítulo 15

Capítulo 15

de Meu Amor Por Voce!, por Chris Vallen

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Depois que, como dizem: "Lavar a alma!" decidi contar à Márcia toda minha história com Marina. Desde o início! Inclusive a sensação que tive ao vê-la chegando na praia naquela manhã e, a certeza de que algo diferente acontecia comigo a partir daquele beijo "apostado".

Minha intenção não foi fazer Márcia sofrer, mas a "amiga de todas as horas" merecia minha confiança e a "amante de tantos desejos", minha lealdade.

Durante uma hora inteira, Márcia me escutou sem me interromper. Sua feição permaneceu inalterada o tempo todo e, estranhamente, isso, em alguns momentos, me incomodou.

A maluca que me acompanhou em tantas idiotices eu já conhecia. A morena sexy que arrasava tanto corações masculinos quanto femininos também não me era estranha. A garota do interior que conquistou tudo sozinha e que praticamente não tinha ninguém, a não ser uma tia-avó que visitava sempre que podia, essa eu também conhecia. Mas, desde o momento em que essa menina declarou seu amor por mim, na cozinha da mansão de meu pai, passei a vê-la com outros olhos. Passei a enxergá-la como ela realmente é, ou seja, uma mulher de verdade. Forte e decidida. E só para completar, se ainda precisasse mais alguma coisa, Márcia era dona de uma beleza de parar o trânsito.

Não era à toa que meu irmão Roberto estava de quatro por ela. E ela, meu Deus! Ela estava de quatro por mim!

"Por que meu coração não se apaixona por esta criatura perfeita à minha frente?!" - pensei enquanto me sentia desconfortável com o olhar sem emoção que ela me lançava.

Depois de relatar o que tinha acontecido na manhã anterior e da besteira que fiz ao comparar as duas na cama, a expressão de Márcia mudou.

- O que foi, Má? - perguntei quando ela se levantou visivelmente incomodada.

Márcia me olhou ainda indecifrável.

- Você não devia ter dito isso! - ela falou.

- Mas eu...

- Não se brinca com esse tipo de coisa, Val! - ela me interrompeu  - É baixo, entende?

É claro que eu entendia. Sei que fiz mal, que fui infantil, mas foi um gesto de autodefesa. Será que Márcia não entendia isso?

- Agora eu já disse! -  falei rebelde, balançando os ombros.

Ela balançou a cabeça, discordando de minha atitude.

- Olha, Val, eu sei que você detesta que te digam isso, mas, às vezes, você se comporta como uma garotinha mimada e que quer que tudo seja do seu jeito!

Aquilo me ofendeu, porém Márcia não se abalou com minha expressão de desagrado e continuou:

- Você, agora, é uma mulher formada, já está mais do que na hora de crescer, Valentina. As pessoas mudam e nem todos estão na vida para te satisfazer, como seu pai o faz...

- Ei! Também não precisa ofender, né? - exclamei pulando da cama.

- Não estou te ofendendo, Val! Você sabe o que sinto por você, mas isso não me deixa cega para os teus defeitos.

- Não estou te entendendo, Márcia! - falei exasperada. - O que você quer dizer com essa conversa toda?

- Valzinha, querida! - ela me segurou. - Você não tem o direito de brincar com os sentimentos dos outros.

Puxei meu braço, brava, e a encarei:

- Olha aqui! Não pedi para me amar... - quase berrei  - E não tenho culpa se o idiota do meu coração ama uma mulher fria e insensível...

- Me escuta, Valentina Siqueira Campos! - Márcia ordenou, segurando-me pelo braço novamente. - Não estou dizendo que você está brincando com meus sentimentos. Eu te amo e, sim, e sei muito bem que você só quer sexo comigo. O que estou querendo que você entenda é que Marina não é obrigada a te amar e, muito menos a abaixar a cabeça enquanto você fica comparando seu desempenho na cama com a de outras pessoas! Isso é indecente! É baixo, garota!

Mesmo sem querer aceitar, sabia que Márcia tinha razão. Senti vergonha em encarar aqueles olhos lindos que me faziam enxergar o quanto eu tinha sido infantil com Marina e mais, o quanto era infantil com a vida.

Como permaneci muda - até pelo assombro de vê-la tendo uma reação tão alterada -, Márcia me soltou e, mais controlada, disse:

- Desculpa! Na verdade não tenho nada com sua vida e muito menos com a forma que quer encará-la.

Olhei para ela que permanecia à minha frente:

- Quem deve pedir desculpas sou eu, Má. - tentei abrir um sorriso  - Tenho também que te agradecer por ontem, pelo colo, pelo cuidado...

Márcia colocou seu dedo em frente à minha boca silenciando-me:

- Está tudo bem, Valentina. - ela também tentou sorrir. - Fiz porque gosto muito de você, já disse.

Pela primeira vez, desde que nos conhecemos, senti Márcia fria.

Confesso que reconhecer isso me deixou triste. Acho que Márcia começava a se cansar de correr atrás de mim.

Ela me olhou por mais alguns segundos e então, pedindo licença, foi para o banho... Sem me convidar para ir junto.

Também o que eu queria? Que ela continuasse aceitando as migalhas que sobravam depois de cada mulher que eu levava para a cama?

É, de fato ela estava cheia de razão. Eu tinha que crescer e parar de achar que as coisas tinham que girar ao redor do meu mundo.

Márcia tomou seu banho rapidamente e, assim que saiu, entrei. Já estávamos atrasadas para o escritório e quando saí do banheiro, nua, como sempre fazia, ela me deu as costas, saiu do quarto, e, em segundos, a escutei ao telefone avisando Eva sobre um imprevisto, mas não demoraria muito mais. Profissional como sempre!

Quando chegamos ao meu prédio, Manuel me disse que a moça da manhã anterior tinha estado lá. Márcia me olhou, mas não disse nada. Subimos e, em menos de quinze minutos, fomos para o escritório.

O resto do dia voou. Quando Eva entrou em minha sala perguntando se ainda precisaria dela, assustei-me com a escuridão lá fora.

- Nossa! Como o dia passou... - tirei meus óculos, endireitei meu corpo na cadeira e soltei um longo e cansado suspiro.

- Hoje foi um dia corrido para todos aqui. - disse Eva com expressão cansada, enquanto colocava alguns recados à minha frente. - Você tem uma cliente marcada para as dez da manhã e, às catorze horas há reunião com os administradores do doutor Geraldo Garcia.

- Você pegou as pastas com Roberto? - perguntei-lhe, ajeitando meus papéis e desligando meu computador.

- Sim, estão no armário, atrás de você, e aproveitei para tirar uma cópia da última ata da reunião passada.

- Ótimo, Eva, obrigada. Vou levá-las para dar uma olhada esta noite. - levantei-me. - Márcia já foi?

- A doutora Márcia saiu com o doutor Augusto logo após o almoço e não retornou mais. - Eva me informou.

Estranhamente Márcia não me procurou naquele dia. Ela ainda devia estar chateada, mas... Ligaria para ela depois de um banho morno e relaxante.

- Vou pegar um táxi. Quer carona? - perguntei a Eva enquanto ela me ajudava com as pastas.

 

- Oh, sim! Vou aceitar. - ela sorriu.

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

4
N

Nidorina

16/03/2017 às 11:07

Chris,

Volta logo poxa!

Termina, não aguento mais ver essa página e ficar me perguntando o que será daqui pra frente!! Volta!! Muito ansiosa pela continuação! :*

M

Mille

31/12/2016 às 22:08

Oi Chirs Vallen tudo bem? Saudades ;)

 

"Desejo a você…
365 dias de felicidade.
52 semanas de saúde e prosperidade.
12 meses de amor e carinho.
8760 horas de paz e harmonia.
Que neste novo ano você tenha muitos motivos para sorrir!"

E muitas inspirações para nos presentear com lindas histórias. Abraços

M

Mille

13/10/2016 às 22:29

Ola autora tudo bem?


Hoje me bateu aquela saudade, e resolvi vim deixar meu recado.
Espero que retorne logo ao LETTERA.


Bjus

M

Mille

26/07/2016 às 18:59

A Marcia falou umas verdades para a Val, e se ela for colocar em pratica irá entender a Marina e escutar o que ela tem para falar.

Bjus e até o próximo

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