Capítulo 2 - Curiosidade
- Aqui está o seu cartão, senhora. – Disse a atendente da loja.
Agradeceu e correu em direção à sala de cinema. Empolgou-se escolhendo uma camisa e quase perdeu o início da sessão. Perdera o trailler. Adorava assistir o trailler e fazer planos para voltar ao cinema na semana seguinte. Mas, nunca conseguia.
Acomodou-se. Mais a frente viu uma cabeleira loira que lhe pareceu familiar, mas não associou a quem. Logo, focou sua atenção no filme.
***
- Eu fui a primeira a chegar? – Perguntou se sentindo sem graça. Será que a ansiedade a fizera se antecipar?
- Foi sim. Mas, fique a vontade. Logo mais os demais aparecem. – Cristina foi para a cozinha. Enquanto, uma curiosa Paula observava a casa da colega de trabalho.
Estava nervosa. Quando Cristina abriu a porta naquele vestido indiano que ressaltou o tranço daquela bela morena de olhos castanhos quase perdeu o fôlego e ficou a admirar por frações de segundo. Percebeu que pagava mico quando a outra encostou-se à porta e gracejou.
- Olá, doutora. A pontualidade é uma virtude. – Seu sorriso era uma perdição na visão de Paula.
Quando Cristina retornou à sala Paula já se sentia um pouco mais a vontade e percorria com o olhar a estante de livros e cd´s da morena.
- Oi. Trouxe um suco. Aceita?
A outra a olhou pega no flagra. Estava graciosamente sem jeito e isso despertou um brilho no olhar de Cristina que não passou despercebido em Paula. Aceitou o suco. E resolveram antecipar a discussão sobre as palestras que apresentariam, fizeram a divisão de tarefas durante o workshop. Os demais chegaram um pouco atrasado. O que serviu para que as duas tivessem uma pequena aproximação.
- Você está no mundo da lua.
- Menino, quando ela abriu aquela porta e eu a vi naquele vestido indiano... Quase babei. Ela é linda. Ah, eu quero essa mulher...
- Vixe. Algo me diz que essa Bárbara irá rodar.
- Imagine! Ela é mulher demais para a minha pobre mortalidade.
- Essa não. Crise de autoestima agora? Se olhe no espelho. Temos aqui uma obra de arte dos deuses egípcios. Pelo amor de Deus.
Paula ria dos exageros do amigo. Sabia que ele não estava muito bem por estar em crise com o marido. Ao contrário dele, João não era muito expansivo. Fazia mais o perfil intelectual do que fanfarrão, como era o caso de Raul.
***
Natália fazia o trajeto do estacionamento. Poucos metros a frente de si avistou novamente a cabeleira loira e sentiu uma leve palpitação ao identificar de quem se tratava. Aquela mulher não dava uma trégua nem no seu dia de folga. Observou que ela conversava com uma jovem. Tinha muito afeto entre elas. Não conseguia desviar o olhar, parecia impossível imaginar aquela mulher ter aquele tipo de afeto por alguém. Parecia uma humana sentimental e não o carrasco que sempre via no hospital. Não conseguiu deixar de tecer um julgamento sobre a policial. Viu a hora em que a loira abraçou um versão juvenil dela mesma e a garota partiu.
A policial secava uma lágrima que escorria pela face quando avistou a médica. Ficou sem jeito, mas logo o semblante emotivo foi substituído pela velha carranca de sempre. Mantivera o contato o visual. Natália sentiu um arrepio inexplicável como se aquela mulher lhe intimidasse. Fora pega no flagra observando a intimidade da outra mulher. Se ela encrespasse por isso não teria nem defesa. Já se preparava mentalmente para uma possível justificativa. Mas, viu a outra virar-lhe as costas e partir.
Fez o trajeto para casa com o pensamento em Raquel. Ao chegar, tomou seu banho e foi se deitar. Mas, sua mente persistia e pensava naquela mulher mal-humorada.
“Ela se despediu da jovem e chorava. Nunca a imaginei tendo uma crise de humanidade”. Logo em seguida se repreendeu por julgar a policial. Lembrou-se da forma quase colérica como a loira se referiu ao crime do garoto de quem Paula cuidava. “Mas, por que ainda estou pensando nesta mulher?”.
Do outro lado da cidade Raquel terminava de virar o copo de whisky. Precisava aquecer a alma. Estava triste por ter mais uma vez se despedido daquela menina que tanto adorava. Enquanto se encontrava fragilizada ver que aquela mulher insolente lhe observava fez com que perdesse o chão. “Ela me olhava como se me estranhasse por estar chorando. O que ela pensa que eu sou? Um monstro? Dane-se o que ela pensar.”.
Fora se deitar.
***
- Ele está me traindo. – Ele chorava desesperadamente jogado nos braços da amiga.
- Como assim? Ele te adora.
- Paula, ele deu uma festa no apartamento enquanto eu fazia um plantão de 24 horas em dois hospitais. Ele me disse que passaria a noite estudando. Ele tem se portado de maneira estranha. – O amigo desabafava entre soluços.
- Você já conversou com ele? – Ela tentava acalmar o amigo.
Bárbara veio do quarto toda alegre já havia dado a hora de saírem e quando chegou na sala ainda deu tempo de ouvir o final da conversa.
- Amor, eu sei que quando cheguei aqui você estava de saída. Tínhamos combinado uma noitada hoje. Mas, não estou no clima. Eu posso ficar aqui esta noite?
- Claro, meu amor. Mas, não irei deixá-lo sozinho.
- Nem pensar. Paula já está tudo marcado. – Soltou uma impaciente Bárbara. – Eu não vou ficar em casa em plena sexta-feira. Nem morta.
Os dois a olharam. Paula parecia incrédula. Para Raul aquela reação não era inesperada.
- Vão vocês, Bárbara. O pessoal estará todo no Pub.
- O que? Você está me deixando sair sozinha por causa do chilique de uma bicha chifruda. – Paula levantou-se furiosa e foi até Bárbara que recuou na mesma intensidade da aproximação da namorada.
- Raul é meu amigo e não está bem. Ficarei com ele, sim. Exijo respeito. – Caminhou até a porta e pediu que Bárbara se retirasse.
Assim que a namorada saiu Paula se sentou novamente ao lado do amigo.
- Me desculpe. Ela é boa gente, mas tem horas que vira uma troglodita arrogante e rabugenta.
- Ela não vai com a minha cara. – Disse ele enxugando as lágrimas.
- Mas isso não justifica a falta de respeito.
Raul foi dormir no meio da madrugada. E quando se preparou para dormir, Paula ouviu batidas na porta.
- João?
- Eu preciso falar com ele, eu sei que está aqui. Ele entendeu tudo errado.
- Ele dormiu agora. Estava exausto. João o que aconteceu? – Novamente Paula se via sentar naquele sofá com o outro amigo.
- Paula acredita em mim. Eu ia estudar quando o Olavo chegou querendo comemorar o aniversário. Ele é meu irmão o que eu poderia dizer?
Depois da situação explicada, Paula se deixou tombar na cama. Merecia um descanso, afinal conter Raul foi uma tarefa árdua.
Acordou por volta do meio-dia. Um cheiro de comida adorável que não acreditava ser de sua casa. Há tempos não cozinhava. Sempre comia na rua. Fez sua higiene e foi seguindo o cheiro da comida.
- Amor, estou tão feliz. – Raul lhe sorria.
- Ufa, pelo visto fizeram as pazes.
- Sim. E foi uma manhã incrível. Amiga, eu pago a lavanderia das roupas de cama do quarto de hóspedes.
- Sei. Pode deixar vou incinerar tudo. Não quero nenhum registro de atividade sexual no meu quarto de hóspedes. – Ambos riram.
- Oi. – Bárbara entrou sem graça.
- Oi. – Natália ainda estava chateada com a fala da namorada na noite anterior.
- Eu vim me desculpar com vocês. Raul me desculpa pela falta de sensibilidade.
Ambos estavam surpresos. Não era uma coisa muito comum ver Bárbara pedir desculpas quando tinha alguma atitude arrogante. Contudo, Bárbara sabia que se não tratasse e muito bem os amigos de Paula não conseguiria se reaproximar.
O pedido de desculpas surtiu o efeito esperado por Bárbara. A reaproximou da namorada. E, Paula além de resolver investir no namoro, se enfiou numa semana muito corrida no hospital, o que não possibilitou pensar muito em Cristina.
***
Sugava-lhe o seio com vontade. Via a médica se contorcer e gem*r de prazer enquanto lhe segurava pelo cabelo.
Seu tesão era tanto que não conseguia raciocinar direito. Seu cheiro era divino. Se beijaram e a médica sussurrou em seu ouvido...
- Raquel, eu quero você. Vem...
O olhar da médica fez com perdesse a respiração e mergulhou naquela mulher com muito prazer.
Raquel acordou suada. Era a terceira vez que tinha sonhos eróticos com aquela insolente. Passou a mão na testa e percebeu que estava transpirando.
“Estou ficando louca. Ela de novo. Mas, que coisa sem nexo.”
Olhou o relógio. Ainda faltavam duas horas para levantar-se e seguir para o departamento de polícia. Tentou dormir novamente, mas seu corpo estava desperto demais. Precisaria de um banho.
Fim do capítulo
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Anny Grazielly
Em: 26/12/2020
Kkkkkkk... ja doida para ver Raquel e Nat nos pega realmente... eeee essa namorada de Paula eh osso...
Silvia Moura
Em: 29/05/2016
...oi... estimulante esses dois primeiros capitulos, esse romance tem no ar um cheiro de confusão pra lá de boa, e ansiosa pelo que virá... bjs...
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