Sobre o passado
Lara passou o resto do dia curiosa imaginando de onde Erik conhecia uma investigadora profissional. A noite depois de terminar o jantar e colocar Bernardo para dormir, finalmente pode matar sua curiosidade.
- Aqui seu chá farfar – disse entregando uma xícara fumegante para o senhor sentado no sofá com Romeu, um dos gatos da loira, no colo.
- Obrigada Kära. Então... sou todo ouvido, se bem te conheço está morrendo de curiosidade sobre algo, pode perguntar.
- Primeiramente... Porque o senhor não me contou que Bernardo bateu em um coleguinha semana passada?
- Oh... – riu – Achei que não ia descobrir – viu a neta franzir a testa não muito satisfeita – Não me entenda mal Lara... não contei pois foi apenas uma pequena bobeira, na verdade ele apenas se defendeu.
- Erik, quero saber de tudo. Não é justo o senhor saber de tudo apenas porque é dono da escola e vive lá, enquanto eu que sou mãe, não. Tenho medo... não quero que ele cresça se metendo em encrencas, sendo protegido pelo bisavô.
- Tem medo que ele seja você? – gargalhou – Não se preocupe, ele pode ser um menino cheio de energia, mas apesar de um pai do outro lado do oceano, ele cresce cheio de amor e atenção dos pais, e não vai ser tornar um encrenqueiro. Além do mais ele tem a mim e a sua mãe – Lara bufou e o senhor bebeu um pouco do chá – Que foi? Não pode negar que Helena tem sido uma excelente avó mesmo não tento sido umas das melhores mães.
- Sim... sinto um pouco de inveja farfar. Queria que ela tivesse tido todo esse cuidado comigo – disse triste.
- Deveria dar uma chance a ela, Helena vem tentado se aproximar de ti.
- Apenas o faz pelo Bê, pois continuar a me julgar... Enfim... Queria te perguntar outra coisa... Afinal de onde conhece Fernanda e por que ela disse que deve muito ao senhor?
- Essa menina – o senhor deu uma pequena risada – ela é uma pessoa muito leal e acaba sempre falando isso, mas a verdade é que só ajudei, pois ela e sua família mereciam. Eu conheço a Nanda desde pequenina, a peguei no colo quando tinha meses de vida para ter ideia, a mãe dela trabalhou lá na escola por 40 anos, até se aposentar.
- Tá mais onde entra a parte da ajuda?
- A parte da ajuda que eu e sua avó demos a família dela tem a ver com você.
- Como assim? – disse com uma expressão confusa.
- Se lembra de que todo ano sua avó fazia uma festa de fim de ano para todos os funcionários da escola?
- Vagamente, o senhor disse que me afoguei uma vez, que me escondi dentro de um armário outra e deixei todo mundo louco atrás de mim, mas só lembro mesmo que em uma das ultimas festas eu quebrei o braço – riu – acho que tinha uns 11.
- Você não era mole todo ano aprontava alguma coisa – sorriu nostálgico – Enfim, no ano em que se afogou você tinha 5 anos e quem te salvou tinha apenas 10... bem, essa criança era Fernanda.
- Oh – Clara abriu um pouco mais os olhos em sinal de surpresa.
- Sabe desde que Nanda era bebezinho, sua mãe Marta, a levava para as festas de fim de ano, eu praticamente acompanhei seu crescimento. Ela sempre foi muito quieta, porém esperta e bem madura pra idade dela, sempre preferia ficar com os adutos do que com as crianças... lembro-me que naquele ano alugamos um sitio que tinha 3 piscinas, a mais afastada era cercada por grades e decidimos fechar ela exatamente por ser afastada e as crianças não ficarem nela sozinhas, porém uma pestinha chamada Lara Müller descobriu uma brecha entre as grades e decidiu entrar na piscina sem ninguem por perto... Você sumiu de perto da sua mãe e eu fui te procurar achando que novamente estava se escondendo de nós... Quando eu estava te procurando no segundo andar da casa que ficava no sítio, vi Fernanda pulando a grade e se jogando na piscina, dai desci correndo que nem um maluco com medo que ela se afogasse, mas para minha surpresa quando cheguei lá ela segurava você desmaiada dentro da piscina e gritava por ajuda. Sinceramente se Fernanda não tivesse ali... Aquilo teria sido uma tragédia.
- Nossa farfar... Sempre soube que tinha me afogado, mas não da historia completa, agora sabendo quem é a pessoa é diferente, tô até arrepiada.
- Não preciso nem dizer o quanto fiquei agradecido pelo que aquela menina tinha feito... no ano seguinte nós oferecemos um bolsa 100% para ela estudar lá na escola, onde ela permaneceu até se formar. Mesmo depois que ela saiu acompanhei seu crescimento através da sua mãe e quando ela decidiu entrar para esse ramo de segurança pessoal abri algumas portas pra ela, que soube aproveitar e se tornar a melhor.
Erik achou melhor não contar para neta outros fatos que ocorreram anos mais tarde que envolviam Lara e Fernanda, sabia que tais coisas mexiam com o sentimental da outra menina que apesar de não ser da família queria seu bem tanto quanto fosse.
- Ela tinha se “aposentado”, só aceitou o trabalho, pois foi um pedido seu.
- Sei disso e sou extremamente grato por. Corajosa ela, depois de quase ter morrido no ultimo caso.
- Ela me disse que tomou uns tiros e ganhou uma grana de um multimilionário por isso.
- Grana? – riu – Milhões, Lara, milhões – a loira fez cara de surpresa – Ela trabalhava para o cara mais rico do país, salvou o filho dele e quase morreu... por fim acabou tudo bem, e ela pode finalmente sair dessa vida e fazer o que ama de verdade.
- O que? – disse curiosa.
- Você vai descobrir – gargalhou com o bico da neta – Não seja curiosa. Nanda é uma menina séria e calada, sempre foi, mas sobre isso ela fala para todo mundo com maior orgulho, já já vai descobrir.
- Fazer o que né?!
- Bom, já está ficando tarde... vou para casa Kära – os dois se levantaram e Lara acompanho o senhor até a rua de seu condomínio – Lara... posso lhe fazer um pedido?
- Diga.
- Eu sei que você é uma mulher... é... como é que vocês jovens falam mesmo? Hum... descolada – a loira riu – mas tenta não ser descolada demais com a Nanda.
- Como assim farfar?
- Ela é uma pessoa extremamente profissional. Vê se não perturba o trabalho dela com suas doideiras e caprichos.
- Essa é boa. Você fala como se eu ainda agisse como uma menina mimada e inconsequente – Erik cruzou os braços como quem realmente pensa e tem certeza disso – Ok, meu caro senhor Johansson, prometo tentar manter uma relação tranquila com sua amada investigadora – beijou os dedos em promessa e sorriu.
- Depois de tantos anos e problemas, eu ainda acredito em você – riu entrando no carro – Boa noite Kära e juízo.
- Boa Noite farfar – viu o carro se distanciar – Ótimo... Erik tem uma protegida, tô vendo que ela vai me encher a porr* da paciência. Eu mereço? – olhou para o céu como se perguntasse para o cara lá de cima, não demorou muito para aquela imensidão azul escuro, que passou a tarde inteira cheia de nuvens carregadas, soltar as primeiras gotas de chuva. Lara entrou correndo em casa – Tá, tá... já entendi. Eu mereço!
Fim do capítulo
Comentar este capítulo:
Maria Flor
Em: 12/09/2015
Hehe. Cada vez mais interessada na história e nos mistérios da Fernanda.
Até o próximo capítulo!
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