Mesmo tendo feito as pazes no meio da noite, Tina acordou reclamando, deixando claro que a contrariação em dormir sem o menor conforto tinha acabado confirmando que não tinha o menor talento para o tipo de vida rústica, estava com o corpo todo dolorido, e de péssimo humor.
- Levantando... já amanheceu. Agora podemos dormir como pessoas civilizadas, pelo menos por umas duas horas, depois precisarei marcar massagista, porque essa sua fantástica idéia me deixou só no pó.
- Amor...deixa de ser rabujenta... volta aqui,eu te faço massagem... Não podemos ir para dentro de casa e deixar as crianças acordarem sozinhas.
- E por que não, não há como alguém invadir o nosso quintal e roubá-las. Além do mais Maria já chegou e pode ficar de olho até que comecem a correr pelo quintal, aí você desce e fica supervisionando-as enquanto mando servir-lhes o desjejum. Além do mais, elas vão se achar muito independentes e ter a sensação de que realmente tiveram uma aventura.
- Mas Tina...
- Vamos, não foi um convite. – Apanhou o travesseiro e saiu desajeitada pela abertura da barraca, sabendo que Flávia a seguiria logo em seguida.
Na verdade, Flávia não queria admitir, mas ao entrar na suíte do casal e ver a enorme cama, visivelmente macia, não pensou duas vezes, jogou-se abraçando o travesseiro, disposta a, com sorte, dormir algumas horas antes das crianças despertarem e ter de assisti-las. Mas a calmaria durou pouco, sentiu Tina cutucá-la no ombro.
- A senhora não vai dormir, não. Vai me fazer aquela massagem que acabou de propor, para aprender a não ter mais ideias como a que teve ontem.
Flávia até pensou em fingir que tinha caído morta assim que desabara sobre a cama, mas sabia que mesmo que isso tivesse acontecido, Tina a faria ressuscitar, se fosse o caso, então se resignou, e levantando anunciou que ia buscar o creme enquanto a mulher tirava o pijama. Ao retornar com o creme na mão, já tendo feito toalete, para despertar, encontrou Tina completamente nua sobre a cama, e se ainda tinha restado alguma ponta de sono, ele imediatamente evaporou. Afinal, poderia terminar valendo a pena o castigo de ter que se manter acordada. E valeu.
Passado muito tempo, desceram as escadas de mãos dadas para se juntarem às crianças para o café da manhã. Julia, Fernando e Claire já as esperavam com as crianças à mesa, com ar de quem tinha imaginado o que o casal tinha estado fazendo.
Julia admirava a amiga, e ficava profundamente satisfeita em ver o quanto era feliz, e que o casal de amigas, apesar dos vários anos juntas, mantinham a aura de mútuo encantamento e sedução.
Durante o desjejum, o assunto, obviamente, girou em torno do acampamento das crianças, que estavam visivelmente felizes por terem passado “uma noite fora de casa”, e terem despertado sem um adulto supervisionando-as, contavam aos pais, empolgadíssimas, a grande aventura da noite anterior, arrancando risadas, ora discretas ora incontroláveis, dos dois casais.
Quando estavam quase deixando a mesa, Luana e Camille chegaram, e precisaram ouvir os relatos das crianças.
- Por mais que tente não consigo imaginar Tina numa barraca no quintal... – Luana caiu na risada, sendo acompanhada por Camille e pelo casal de amigos hospedado na casa de Flávia e Tina.
- Ai, ai, ai... não coloquem mais fogo nessa fogueira, por favor... já ouvi o suficiente por ter inventado esse acampamento. Vocês querem que essa mulher me mate. – Brincou, Flávia, se encolhendo na cabeceira da mesa. Provocando ainda mais risadas.
Tina simplesmente arqueou uma das sobrancelhas e tamborilou os dedos na mesa, coisa que todos sabiam que indicava uma mistura de impaciência com ironia. Mas, para não provocar, rapidamente mudaram de assunto, antes que Flávia pagasse o pato.
- Então... vamos fazer o quê o resto do dia? Pensamos em levar as crianças ao shopping, e aproveitar para ir ao cinema, está passando um filme de animação que vão adorar, mas isso se vocês não têm outros planos. – Explicou Luana.
- Ótima ideia, inclusive podemos aproveitar enquanto você e Flávia e Fernando os levam para lanchar e ao cinema para fazermos algumas comprinhas, decidiu por todos a loira que ainda não estava com jeito de ter esquecido a noite mal dormida.
- Gente, agradeço o convite, mas já tinha agendado um compromisso para hoje a tarde, respondeu Fernando, desejando que a esposa não o desmentisse, e entendesse que não se sentia a vontade em ficar de babá junto com suas amigas. – Vou visitar um ex-colega. Marcamos ontem.
- Sem problemas, Fe, damos conta sozinhas, enquanto as meninas fazem compras. – Foi Flávia a responder, e tirar o amigo da saia justa. Mas se puder nos acompanhar, almoçamos no shopping lá pelas 13 horas, depois você vai ao encontro do seu colega.
E assim ficou acertado, os três casais e Claire almoçariam no shopping em aproximadamente duas horas, depois Luana e Flávia levaram as crianças para o centro de lazer, mais tarde ao cinema, e as outras quatro mulheres poderiam percorrer o shopping em busca de algo que, por certo, não precisavam.
Dois dias depois as amigas despediram-se no aeroporto, quando Julia, Fernando, Dudu e Claire voltaram a São Paulo, e a vida de todos voltava à rotina. Flávia precisava dar atenção a um novo projeto, Tina estudar a viabilidade de instalação de uma nova unidade industrial de um de seus maiores clientes, Luana estava em meio a um novo livro e Camile havia assinado um contrato para fotografar para uma agência de publicidade, e as crianças precisavam voltar à escola.
As férias em breve chegariam e todos estariam reunidos novamente para compartilhar momentos agradáveis. A amizade que unira a troupe no passado estava ainda mais fortalecida, apesar da distância. E a maturidade dera um novo sentido às suas vidas e às suas relações.
- Camille.
- Oi, Tina...
- Vocês tem algo programado para hoje a noite? – Perguntou com ar inigmático, Tina.
- Não, não fizemos planos para hoje. Por quê?
- Hum... então Nanda vai dormir na casa de vocês, pode ser?
- Claro. Amanhã é dia da Luana levá-las para escola mesmo, até mais prático, Nanda já pega o uniforme e a mochila, e amanhã saem direto.
- Perfeito. Tenho um assunto com Flávia para colocar em dia. – Riu, deixando claro que não era bem à conversa que estava se referindo.
Luana e Flávia que caminhavam logo atrás das esposas, tinham ouvido a conversa, trocaram olhares.
- Se deu bem, amiga. – Disse Luana, em voz baixa, brincando com a arquiteta. – Deve ter sido o acampamento que fez com que Tina ficasse ainda mais selvagem. – Caindo na risada.
- Aiii, você está querendo que ela me faça ir dormir com o Bobby... se ela lembrar dessa história adeus qualquer ideia de romance. – Rindo, Flávia observou a loira que caminhava a sua frente, conversando distraída com a amiga. Tentou imaginá-la ainda mais selvagem, e chegou a sentir calafrios. Por mais que fosse estranho, tinha uma sensação de pertencimento daquela mulher fabulosa que esbanjava sensualidade e temperamento forte.
Como se tivesse intuído o que Flávia pensava, Tina virou-se e invadiu o olhar de Flávia, com um sorriso lindo, estendeu a mão para que a esposa andasse a seu lado, e com voz rouca simplesmente disse: - Amor, fica comigo?
Flávia rapidamente enlaçou seus dedos ao da mulher e, sem desviar o olhar, respondeu-lhe: - Pra sempre.
O beijo foi inevitável, e rápido, mas quem as viu, mesmo sem conhecê-las, teve certeza de que amavam-se profundamente.
Fim do capítulo

Mille
31/12/2016 às 22:07
Oi G Leonard tudo bem?
"Desejo a você…
365 dias de felicidade.
52 semanas de saúde e prosperidade.
12 meses de amor e carinho.
8760 horas de paz e harmonia.
Que neste novo ano você tenha muitos motivos para sorrir!"
E muitas inspirações para nos presentear com lindas histórias. Abraços
Leticia01
10/11/2015 às 09:52
já pode fazer a história da Nanda e da Linda rsrs
lucy
09/11/2015 às 23:48
autora G Leonard
adorei esse conto......ficarei de olho para seu retorno com um outro conto
ou quem sabe uma continuação...... 2. temporada !!!!! Yeaaah !!! rs
bjs foi um.prazer
fuiiiii. nota mil. !!!
jodaje
08/11/2015 às 13:28
Olá, que bom rever-te, só lamento que já tenha chegado o final.
Pense com carinho uma nova temporada.
bjs e sucessos!
jodaje