Capítulo 7

Capítulo 7

de Confidente, por ThaisBispo

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Eu não conseguia sentir as minhas pernas de tão pesadas que elas se encontravam, e pode parecer exagero da minha parte, mas abrir os olhos foi mais difícil do que eu poderia imaginar, e para a minha surpresa, eu não estava no meu quarto.
一 Maya…
Ouvi a voz da minha mãe ao meu lado e, novamente, estranhei. Ela estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo alto e usava uma blusa social branca de manga comprida. O rosto abatido, os olhos vermelhos e as pálpebras meio inchadas só poderiam indicar que ela havia chorado nos últimos minutos.
Franzi o cenho devido a irritação da luz do quarto, e no momento que tentei me sentar, percebi que tinha um escalpe em meu braço direito.
一 Onde estou?
一 No hospital.
一 Quê…? 一 Meu estômago revirou um pouco e meu cérebro fez o mesmo, só que em 360º. Eu não me lembrava de nada. 一 O que aconteceu?
一 A senhorita perdeu a consciência.
Desviei minha atenção para a porta e soltei um pesado suspiro quando o Doutor me direcionou um sorriso de canto. Ele era baixinho e tinha um bigode meio esbranquiçado que parecia até de mentira, visto que ele aparentava ser novo, na casa dos seus quarenta anos, por aí.
一 Sou o Doutor Martin. 一 Ele afagou minha cabeça e se sentou na ponta da cama. Seu semblante parecia calmo com uma pitada de preocupação. Os olhos castanhos escuros, os cabelos da mesma cor mais raspados e as bochechas um tanto volumosas lhe dava um ótimo aspecto. 一 Como se sente?
一 Péssima.
一 Não é pra menos, você apagou a noite toda.
Meus olhos se arregalaram.
一 Impossível, eu estava…
Ai, Deus, não pode ser que eu esteja com sintoma de Alzheimer nessa idade, me recuso a aceitar um negócio desses.
一 Me diz que não tô com perda de memória, Doutor.
Ele começou a rir, e eu não sabia se ficava mais preocupada ou ofendida por isso.
一 Não, Maya, não é perda de memória.
一 Ô, benção! 一 Bufei aliviada. 一 Então, já posso ir?
一 Não exatamente. 一 Seus lábios se comprimiram e por uma fração de segundos ele trocou olhares com a minha mãe. 一 Precisamos conversar um pouquinho.
一 Estarei lá fora, ok?
Não tive tempo de respondê-la, minha mãe estava com um comportamento estranho.
一 Ela só ficou preocupada, pelo jeito alguém aqui não costuma parar no hospital com frequência 一 disse em um tom que fez meus nervos se acalmarem um pouco. 一 Mas preciso que seja sincera comigo.
一 Não tô grávida.
一 Maya…
一 Desculpe, é força do hábito.
O Doutor Martin tinha uma postura muito acolhedora, e pode ser ridículo o exemplo que eu irei usar, mas é como se eu estivesse na frente do Barney. Ele só não tinha tamanho, estrutura e nem era roxo, mas fora isso eu achei eles bem semelhantes.
一 Como tem sido suas últimas semanas?
一 Normal, eu acho…
一 Nada de diferente do habitual?
一 Eu… 一 Desviei o olhar para meu braço e soltei um pesado suspiro. 一 Me sinto um pouco cansada.
一 Tem se alimentado direitinho?
一 Não como eu gostaria, às vezes fico enjoada com algumas coisas 一 disse com certo pesar porque na maioria das vezes eram comidas que eu gostava muito de comer. 一 E acho que só.
一 Perda de apetite?
一 Pouco.
一 Certo… 一 Ele se colocou de pé e anotou algumas coisas que obviamente eu não consegui ver. 一 Vou pedir um hemograma só por precaução, tudo bem?
Torci o lábio, eu detestava agulhas.
一 Não vai doer, fique tranquila.
一 Doutor, sempre dói. 一 Ele soltou uma risadinha, acho que percebeu que eu não era tão manipulável assim. 一 Mas tudo bem, eu faço né, fazer o quê…
一 Bom, você já está liberada, e sugiro que coma algo leve por agora, ok?
一 Certo… 一 murmurei à medida que ia me sentando na cama.
一 Vou tirar isso aqui, assim você pode ficar mais à vontade 一 disse vindo em minha direção para retirar o acesso. Ai, que agonia. Credo. 一 Prontinho dona Maya.
一 Obrigada, Doutor.
Ele me lançou mais um de seus sorrisos e se dirigiu até a saída, momento que minha mãe o abordou com certo desespero, mãe é mãe, né? Todavia, ao que tudo indicava, não havia motivos suficientes para um alarde, e após eu vê-la soltar um suspiro de alívio, balancei a cabeça.
Não creio que vim parar no hospital por algo tão bobo, que decadência.
Olhei para o meio do meu braço e engoli seco por ver um pequeno roxo, e só de saber que ele ficaria ali por mais alguns dias me deixou bem chateada.
一 Ai, que ótimo 一 Larguei meu corpo sobre o travesseiro e passei a fitar o teto. 一 Um belo começo de sábado.
一 Filha?
Maire O’Neill acabara de entrar no meu quarto, agora com uma feição muito melhor do que antes.
一 Eu sei, preciso fazer o exame 一 Ela me estendeu a mão para me ajudar a se sentar. 一 O que aconteceu?
一 Você passou mal 一 disse ao que ajeitava os meus cabelos para trás. 一 Quase tive um princípio de infarto quando o Michael me ligou e disse que você estava na ambulância.
一 Ambulância?!
一 Não conseguiram te acordar, filha…
“Ok, isso é muito bizarro. Era só jogar um copo de água gelada na minha cara que ia ser um sucesso!”
E é estranho, porque nunca fui o tipo de pessoa que desmaia ou passa mal por qualquer coisa, longe disso, mesmo que fosse difícil acreditar uma vez que eu sou uma vergonha no quesito estilo de vida saudável. Jennifer tem razão, eu só tenho a genética boa, porque de resto? Só ladeira abaixo.
一 Onde eles estão? 一 perguntei, agora de pé. 一 E que horas são?
一 Quase oito da manhã. 一 Ela se colocou ao meu lado para poder me ajudar a caminhar em direção ao banheiro, e ao ver que tinha uma mala ali, franzi o cenho. 一 Pensei que fosse fazer alguns exames, não que viraria hóspede do Hospital.
一 Trouxe apenas por precaução 一 admitiu em um tom risonho. 一 Ethan deixou chocolates pra você. Michael e as meninas pediram pra avisar quando você acordasse.
一 Eles vão me matar.
一 Não podem te matar depois que você quase os matou de susto.
一 É exatamente por conta disso que eles vão me matar… — Minha mãe balançou a cabeça como quem pensa "Bando de doidos". E não é como se ela não tivesse razão, porque ninguém ali batia bem da cabeça, vocês vão perceber isso com o tempo. — Preciso tomar um banho.
— Ok, se precisar de mim estou aqui fora.
— Mãe, eu estou bem, relaxa! — Ela me entregou o celular e de cara notei as mensagens e ligações perdidas. — Só vou avisá-los de que estou viva primeiro.
E foi exatamente o que eu disse no nosso grupo. Em seguida, deixei o aparelho em cima da cadeira e tirei uma muda de roupas pra mim, e pelo fato de ter ar condicionado no prédio inteiro, fui obrigada a escolher uma calça de moletom, mesmo que esta fosse de um tecido mais leve.
Liguei o chuveiro, regulei a temperatura, me despi e fechei a porta de vidro. Minha cabeça não conseguia chegar ao momento em que comecei a me sentir mal, é como se meu subconsciente tivesse apagado essa informação. Eu me recordo de que estava conversando com a Amy sobre algo, e é isto.
— Saco… — Meu corpo foi se projetando para frente por vontade própria até o ponto que minha testa encostou na parede, tendo a água morna por cair em minha nuca. — Eu só quero minha cama…
Passar pleno sábado no hospital não estava nem de perto em meus planos, e cheguei a cogitar seriamente em tentar manipular minha mãe de que deixássemos isso pra lá, mas é óbvio que não iria funcionar. Bom, até poderia, se eu não tivesse chegado numa ambulância.
Ambulância, cara! Eu nunca precisei de uma na vida, e não acredito que não tava acordada na hora pra poder viver aquela emoção de sair a mil por hora em um trânsito bem louco como o dessa cidade.
Eu não quis demorar muito tempo no banho, mesmo que a água estivesse muito gostosa. Então depois de uns cinco minutos eu saí, me troquei, fiz minha higiene básica e voltei para o quarto.
— Melhor? — perguntou minha mãe que estava sentada na cadeira ao lado.
— Muito melhor — Assenti. — Mãe…
— Nem ouse pensar nisso.
Arqueei uma sobrancelha.
— Mas…
— Não!
Bati o pé no chão de uma forma discreta. É sério isso?
— Você sabe o que eu ia falar?!
— Ia dizer para irmos embora.
Rolei os olhos, que mulher mais… Argh!
— Eu estou bem… — Caminhei até o colchão para poder me sentar, ficando assim de frente pra ela. — Só não acho necessário fazer algum tipo de exame, foi só um mal-estar.
— Não foi o que eles me disseram.
— Eles quem?
— Seus amigos.
“Fofoqueiros…”
— O que eles disseram?
— Que já faz alguns dias que você não andava bem. — Ela tinha aquele olhar meio intimidador. — Por que não nos disse?
Puxei o ar com força e o soltei quando direcionei minha atenção para a janela, eu não sabia exatamente o que dizer.
— Filha… — Senti sua mão pairar sobre a minha coxa, onde voltei a fitá-la. — É só um simples exame de sangue, depois disso podemos ir, ok?
— Tudo bem.
— Vou pegar alguma coisa pra você comer e avisar o seu pai.
Peguei meu celular e voltei a deitar na cama, vendo as mensagens que o pessoal estava mandando no grupo, até mesmo o Ethan que provavelmente estava em horário de trabalho. No final das contas, eu contei a eles sobre o exame e que depois iria pra casa, o que talvez tenha sido uma péssima ideia uma vez que eles se ofereceram para passar lá depois.
E eu como uma boa amiga respondi que sim, desde que levassem comida. Errada eu não estou.

Uma hora depois…

Minha mãe, por mais que trabalhasse aos sábados — assim como meu pai —, hoje fez questão de tirar o dia de folga. Eu me encontrava deitada no sofá com a cabeça apoiada na cabeceira e com o ventilador praticamente na minha cara.
— Aquele Doutor me enganou — Murmurei com a cara emburrada. — Ele disse que não ia doer.
— Ai, Maya…
— Mãe, olha o estado desse braço! — Eu ergui para que ela pudesse ver lá da cozinha. Ela estava fazendo o almoço. — Estouraram minha veia!
— Não foi ele, filha.
— Pior ainda! Ele traiu minha confiança.
— Meu Deus, quanto drama…
Quando eu pensei em retrucar, a porta da sala foi aberta, revelando o Michael e as meninas atrás.
— E aí! — Ele se aproximou até se sentar à minha frente. — Como se sente?
— Tô puta.
— O que aconteceu? — Sam trocou olhares entre nós.
— A enfermeira estourou minha veia! — Ela bufou, incrédula. — Amiga, olha isso aqui! Vai ficar roxo, cara!
— Você sobrevive. — disse Jen com tamanha suavidade antes de ir até minha mãe que a recebeu de braços abertos e um sorrisão.
— Ai, que falsa… — sussurrei indignada.
Sam e Michael começaram a gargalhar até suas bochechas ficarem rosadas. Não que as minhas não estivessem, mas era de raiva mesmo.
— E quando sai o resultado? — perguntou ele.
— Em até cinco dias.
— Você quase nos matou do coração, sabia? — Sam sentou ao meu lado e puxou minhas pernas pra cima até elas ficarem sobre seu colo.
— E até agora eu não me lembro o que aconteceu.
— Você desmaiou de novo. — Michael tinha o maxilar um pouco tensionado. — E poderia ter sido pior.
— Pior?!
— Se não fosse pela Jen você provavelmente estaria com pontos na cabeça. Você ia cair e bater com ela bem na quina do suporte do fogão.
Eu fiquei um pouco atordoada em ouvir aquilo porque não imaginava a gravidade da situação.
— O Ethan, o chefe dele…
— Está tudo bem. — Sam me interrompeu por saber a minha preocupação. — Ele sabe e tem consciência de que não é algo que se pode controlar. Ele inclusive te desejou melhoras.
Suspirei aliviada, meu medo era ele se encrencar com o patrão por minha causa, afinal de contas, estávamos lá a lazer.
— Hey, bobões! — Jen gritou da cozinha. — Que tal virem dar uma mão aqui?
Depois de insistir um pouco em querer ajudar, eles finalmente cederam. Jen me ajudou a fazer uma assadeira inteira de brownie com chocolate meio amargo enquanto Michael e Sam preparavam o almoço com minha mãe.
Meu pai chegou um tempinho depois quando o almoço já estava pronto e isso tornou o ambiente muito mais leve. Ele tinha esse talento, coisa que herdei dele e eu tinha orgulho disso. Na parte da tarde nós tiramos um tempo para fazer um rodízio de jogos e depois nós quatro subimos para o meu quarto para que assim pudéssemos ver um filme.
— Você tá com uma carinha melhor — disse Sam que estava deitada ao meu lado. — Se sente bem?
— Uhum! — Assenti ao que enchia minha mão de pipoca. — Queria sair, isso sim!
— Sair? Para onde? — Michael tirou a atenção da TV e virou o corpo em nossa direção, ele estava deitado em nossos pés.
— Sei lá, qualquer lugar! — Dei de ombros. — Um bar não seria má ideia.
— Pois eu acho! — Jen entrou no quarto com dois potes enormes de pipoca. — Toma!
— Eu também, no entanto… — Sam atraiu nossa atenção. — Confesso que estou no clima pra sair.
— Será que só eu tenho juízo nesse grupo?! — Jen colocou as mãos na cintura.
— Qual é, Jen! Eu passei a noite num hospital, cheguei lá de ambulância e ainda tive que fazer exame, tu acha que eu não mereço tomar pelo menos uma cerveja?!
— Não. — respondeu, curta e grossa. — E você nem gosta de cerveja, garota!
É verdade. Enganar essa menina é tão difícil meu Deus.
— Sam… Uma ajudinha?
— Ó, céus… — Ela me olhou com aquela cara do tipo “É sério que você vai me enfiar nesse rolo, Maya?”. Sim, inclusive já meti. — Veja bem, não acho que tomar um ar fresco irá fazer mal.
— Então você tá do lado dela?
— Bom… é.
— E você, Michael?
— Eu?! — Ele colocou a mão sobre o próprio peito, e no instante que ele me encarou, meus olhos já diziam por conta própria o que aconteceria com ele caso não respondesse o que eu queria. — Sim, óbvio. Quer dizer, não acho que é uma ideia suicida, entende?
Jennifer conseguia ser muito sombria às vezes, e é por esse mesmo motivo que apenas esperamos o “decreto” dela em silêncio. Sim, não importa se no nosso grupo fossem quatro votos a favor, se ela votasse contra, acabou.
Não existe democracia aqui.
Ela pensou, olhou bem para as nossas caras, suspirou pesadamente, cruzou os braços, descruzou e então ergueu o dedo indicador.
— Se você passar mal eu te mato — disse apontando para mim. — E vocês dois também! Eu fui clara?
— Sim, senhora. — respondemos em uníssono.
— Agora vamos ver o filme. Chega pra lá, menino peixe!
— Folgada… — Michael resmungou entre dentes.
— Repete!
— Ai, calem a boca vocês dois! — Eu dei uma travesseirada em cada um. — Parecem um casal de velhos brigando.
Sam começou a rir ao meu lado e eu tive que ir no embalo, caso contrário a ocasião poderia ficar ainda mais constrangedora. Eu me acomodei no colo dela e logo após senti ela se acomodar um pouco melhor na cama. Toda vez que íamos assistir um filme era assim, a gente fazia questão de dividir o mesmo espaço, é como se nos sentíssemos mais conectados desta forma, e como sou o tipo de pessoa que aprecia as pequenas coisas, esse ritual era uma delas.
Michael encheu o nosso saco para assistirmos um filme de uma surfista famosa que foi atacada quando mais nova por um tubarão branco, acho que o nome era viver por coragem, ou coragem de viver, alguma coisa assim, e tenho de confessar que eu adorei, tanto que derramei umas lágrimas, não vou negar.
— O filme é lindo — Sam comentou. — Ela ainda surfa?
— Ah, por hobbie só, a fase das competições já passou.
— Entendo.
— Fico imaginando o que deve ter passado na cabeça dela naquela hora — Eu me sentei e passei a observar as cenas pós créditos, e a cada linha que subia, mais meus sentimentos e pensamentos se embaralhavam. — A dor na hora da mordida, a sensação de que está morrendo, a cena do hospital, o fato dela ter aprendido novamente as coisas mais básicas que nos é ensinado desde pequenos. Honestamente, não sei como ela conseguiu.
— Nós nunca saberemos dizer qual é o tamanho da nossa força até sermos colocados no campo de batalha — disse Jen. — Às vezes parece fácil contar só depois que a tempestade passou, mas só quem estava lá sobrevivendo é que sabe como é.
— Você tem razão — Michael parecia meio tristonho, acredito eu que ele é fã dela. — Mas talvez ela não teria brilhado tanto se não fosse por isso.
一 Que profundo vocês dois!
Sam tinha um sorriso brincalhão nos lábios, e de longe em tom de deboche.
一 Bom, são quase seis horas 一 Falei após checar no meu celular. 一 Para onde vamos?
Eles se entreolharam por uns segundos até que Michael bateu palmas.
一 Eu sei de um lugar!

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
T

Thalita31

27/09/2026 às 12:40

Estou gostando bastante desse enredo.

E o momento mais difícil da vida da Maya se aproxima. Ainda bem que ela conta com amigos que, acredito, serão uma rede de apoio muito importante nessa fase.

Até aqui, percebi que o livro não foca apenas no romance, mas também valoriza as relações de amizade. 

Parabéns, autora!
T

ThaisBispo 27/09/2026 às 18:43

Sim!

O romance irá aparecer, é claro! Mas o mais importante, além disso, é exatamente essa questão da rede de apoio.

Fora que não é simples a gente se imaginar na situação de alguém até passar pela mesma coisa.

Obrigada por estar lendo, tem muita coisa boa vindo por aí ainda!
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