Valentina
Passei a manhã tentando decidir se o beijo tinha mudado alguma coisa e a resposta era óbvia, ele tinha mudado tudo.
O problema era que, aparentemente, Theo e eu tínhamos decidido fingir que não, ela me mandou mensagem às oito e dez.
Theo: Café hoje?
Nenhum bom dia ou qualquer menção ao fato de que menos de doze horas antes ela tinha me beijado contra o piano da sala dela.
Fiquei olhando para a tela.
Eu: Isso é tudo?
A resposta demorou.
Theo: Bom dia.
Revirei os olhos.
Eu: Covarde.
Os três pontinhos apareceram, sumiram e voltaram.
Theo: Sete?
Sorri, ela estava fugindo, mas não de mim e sim da conversa, eu podia pressionar, perguntar o que aquilo significava, se tinha sido só uma vontade, se ela estava arrependida.
Mas não perguntei, talvez porque eu também não soubesse responder.
Eu: Sete.
Ela respondeu com um simples:
Theo: Ótimo.
Bloqueei o celular e tentei voltar ao original na minha frente e acabei lendo a mesma frase quatro vezes, não estava funcionando.
A boca da Theo continuava sendo muito mais interessante do que qualquer manuscrito naquela manhã.
— Você está péssima hoje.
Levantei os olhos e Becca estava apoiada na divisória entre nossas mesas.
— Obrigada.
— Profissionalmente.
— Melhorou muito.
— Você está olhando para a mesma página há uns quinze minutos.
— Estou revisando.
— Você está sorrindo.
Parei.
— Não estou.
— Está.
Fechei o arquivo.
— O autor fez uma coisa engraçada.
— Esse autor escreve sobre a Segunda Guerra.
— Humor pode existir em qualquer contexto.
Becca estreitou os olhos.
— Você beijou alguém.
Meu coração deu um pulo absurdo.
— O quê?
— Ah!
Ela apontou para mim.
— Eu sabia.
— Você não sabia de nada.
— Agora sei.
— Becca...
Ela puxou a cadeira e sentou ao meu lado.
— Quem?
— Ninguém.
— Seu rosto acabou de ficar vermelho.
— Está quente.
— Tem ar-condicionado.
— Você está me irritando.
— É a empresária?
Fiquei em silêncio por dois segundos, talvez menos, mas foi o suficiente.
Becca abriu a boca.
— Meu Deus.
— Fala baixo.
— Você beijou a mulher do acervo?
— Eu não vou conversar sobre isso.
— Foi ela que te beijou?
Peguei meu notebook.
— Vou trabalhar em outro lugar.
Ela segurou meu braço.
— Foi bom?
Olhei para ela e tentei não sorrir mas falhei.
Becca levou as duas mãos ao rosto.
— Foi muito bom.
— Eu odeio você.
— Eu sabia.
— Não sabia.
— Mas agora estou feliz como se soubesse.
Levantei.
— Vou pegar café.
— Você toma chá!
— Hoje vou tomar café.
— Meu Deus, ela mudou você.
Mostrei o dedo do meio, Becca começou a rir e eu também. Era estranho, eu estava feliz, simples assim.
Havia outras coisas na minha cabeça como minha mãe, Helena e aquela conversa interrompida. Mas, por algumas horas, consegui colocar tudo numa gaveta, talvez porque fosse bom demais ter alguma coisa nova começando, algo que fosse meu.
Não da minha família ou de um plano feito para mim, somente meu.
Theo chegou oito minutos atrasada, eu já estava sentada numa mesa perto da janela quando ela entrou.
Parou na porta, procurou pelo salão e me encontrou, o sorriso apareceu imediatamente e depois ela pareceu se lembrar de que deveria ser discreta e tentou diminuir, mas não conseguiu.
— Oito minutos — falei assim que ela sentou.
— Trânsito.
— Desculpa ruim.
— Eu sou a cliente.
— Não é mais.
Theo parou e aquilo ficou entre nós.
Ela me olhou.
— Verdade.
Nenhuma das duas disse o que eu era agora, talvez porque nenhuma soubesse.
Ela apoiou os cotovelos na mesa.
— Então você vai começar a cobrar pontualidade?
— Alguém precisa.
— Eu gostava mais quando você trabalhava para mim.
— Mentira.
— Um pouco.
O garçom veio e Theo pediu café como sempre e eu pedi chá.
Ela me olhou.
— Nenhuma mudança?
— Não sou tão influenciável.
— Ainda bem.
— Por quê?
Ela segurou meu olhar.
— Gosto de você assim.
Meu peito apertou, era tão simples, ela falou sem preparar sem perceber o peso.
— Assim como?
Theo pareceu entender tarde demais.
— Irritante.
Sorri.
— Covarde.
— Você está usando muito essa palavra.
— Porque você merece.
Ela olhou para minha boca, foi rápido, mas eu percebi.
— Vai ficar olhando?
— Talvez.
— E fazendo?
Theo sorriu.
— Você está muito corajosa hoje.
— Ontem você não reclamou.
Ela abaixou os olhos por um segundo e foi a primeira vez que vi Theo ficar sem resposta por causa de alguma coisa que eu disse e não vou negar que gostei mais do que deveria.
O pedido chegou e nós começamos a conversar sobre qualquer coisa, mas havia uma diferença, nossas mãos se encontravam sobre a mesa com mais frequência.
Um toque no pulso, os dedos roçando quando ela me mostrava alguma coisa no celular, o joelho dela encostando no meu por baixo da mesa e nenhum movimento para afastar.
Era pequenas coisas, só que agora nós duas sabíamos que era muito mais, a conversa seguiu fácil. Theo contou que Heitor havia descoberto que estávamos nos encontrando.
— Descobriu como?
— Ele acha que sabe tudo.
— E sabe?
— Infelizmente, às vezes.
— Você contou sobre o beijo?
Theo quase engasgou com o café e eu comecei a rir.
— Claro que não.
— Por quê?
— Porque ele seria insuportável.
— Mais que você?
— Impossível.
— Então ninguém sabe.
— Ninguém.
Minha cabeça foi direto para Becca.
— Certo.
Theo estreitou os olhos.
— Você contou.
— Eu não disse isso.
— Valentina.
— Ela descobriu.
— Como alguém descobre um beijo?
— Olhando para mim.
— Você estava diferente?
— Segundo ela, eu estava sorrindo demais.
Theo ficou me olhando.
— Você estava?
A pergunta veio mais baixa.
— Talvez.
Ela não sorriu, só ficou me olhando e aquilo fez mais comigo do que qualquer provocação.
— Eu também — disse.
Meu coração acelerou.
— Também o quê?
— Sorri.
Silêncio.
Theo mexeu na xícara.
— Bastante.
Foi tão inesperadamente sincero que não soube o que responder, então apenas estendi a mão sobre a mesa e meus dedos tocaram os dela.
Theo olhou e entrelaçou seus dedos nos meus, nenhuma brincadeira, nenhuma frase, só ficamos assim por alguns minutos e aquilo pareceu mais íntimo que o beijo.
Quando saímos, Theo não soltou minha mão imediatamente, andamos alguns metros daquela forma até ela perceber ou fingir perceber.
— Quer ir a algum lugar? — perguntou.
— Estamos em algum lugar.
— Outro.
Sorri.
— Que lugar?
— Não sei.
— Você me chamou sem plano?
— Estou tentando ser espontânea.
— Está passando mal?
Ela me puxou pelo braço, aproximando meu corpo do dela.
— Não força.
A mão dela foi para minha cintura, dessa vez sem acidente, sem livro ou desculpa.
Olhei para ela.
— Você está ficando confortável.
— Você está reclamando?
— Não é uma reclamação.
— Ótimo.
Ficamos alguns segundos assim, no meio da calçada, com pessoas passando, com o barulho da avenida e dos carros e mesmo assim, minha atenção estava inteira nela.
— Minha casa? — Theo perguntou.
Era uma pergunta simples e nós duas sabíamos que não era apenas para tomar café. Meu corpo respondeu antes da cabeça, só que uma coisa dentro de mim pediu calma, não era medo, só vontade de não transformar aquilo em algo rápido demais.
— Hoje não.
A mão dela permaneceu na minha cintura.
— Tudo bem.
Não houve frustração ou pressão, nem aquela cara que algumas pessoas faziam quando ouviam um não que não queriam receber. Só um tudo bem e aquilo me afetou mais do que eu poderia imaginar.
— Mas você pode me beijar.
Um sorriso lento surgiu.
— Generosa.
— Estou tentando.
Theo me beijou ali no meio da rua, sem pressa alguma com a mão na minha cintura me puxando cada vez para mais perto, meus braços foram para o pescoço dela. O beijo da noite anterior tinha tido descoberta e aquele tinha certeza.
Eu já sabia o gosto, sabia a forma como ela inclinava a cabeça, sabia que Theo sorria no meio do beijo quando eu puxava de leve seu cabelo e descobri isso rápido demais.
Quando nos afastamos, ela manteve o rosto perto.
— Ainda não quer ir para minha casa?
Ri.
— Persistente.
— Só confirmando.
— Não.
— Certo.
Me beijou outra vez, um beijo curto.
— Amanhã?
— Amanhã o quê?
— Jantar.
— Você está marcando o próximo encontro antes desse acabar?
Theo soltou minha cintura.
— Posso cancelar.
— Nem tenta.
Ela sorriu.
— Sete.
— Oito.
— Sete e meia.
— Fechado.
Nos despedimos com mais alguns beijos, no carro, fiquei alguns segundos segurando o volante sem ligar, eu estava me envolvendo e não havia mais como fingir, não era só atração ou curiosidade.
Eu queria vê-la amanhã e todos os dias depois, queria continuar descobrindo aquela mulher que parecia tão segura diante do mundo e tão perdida quando ficava em silêncio. Era cedo demais para chamar aquilo de qualquer coisa, mas já era tarde demais para dizer que não significava nada.
TheodoraEu estava em perigo, foi essa a conclusão extremamente racional a que cheguei dois dias depois. Não um perigo real, esse seria mais fácil, era pior.
Eu estava gostando de verdade, Valentina começou a aparecer na minha rotina de uma forma que eu não conseguia controlar.
Na segunda, jantamos, na terça eu tinha uma reunião até tarde e ela me mandou uma foto de um pão de queijo com a legenda:
Valentina: Comeu?
Respondi:
Eu: Sim.
Ela:
Valentina: Mentira.
Cinco minutos depois, eu estava pedindo comida.
Na quarta, saí com Heitor e Patrícia e perto da meia-noite, Valentina mandou uma frase de um livro.
“Algumas pessoas são lugares onde a gente descansa.”
Fiquei olhando para aquilo muito mais do que deveria.
Eu: Está tentando me tornar uma pessoa que lê romance?
Ela respondeu:
Valentina: Estou tentando ensinar sentimentos básicos.
Eu: Trabalho difícil.
Valentina: Percebi.
Sorri no meio do bar e Heitor viu, claro.
— É ela.
— Vai cuidar da sua vida.
— Nem negou.
Ignorei.
Na quinta, fomos jantar novamente, na sexta Valentina apareceu na minha empresa porque estava perto.
“Estava perto” significava vinte minutos fora da rota normal dela, não comentei, só gostei. Levei ela para almoçar e presentei a ela Heitor, se arrependimento matasse.
— Então você é a Editora.
Valentina olhou para mim.
— Você contou o apelido?
— Ele ouviu uma ligação.
— Traição.
Heitor estendeu a mão.
— Heitor.
— Valentina.
— Agradeço pelos serviços prestados à humanidade.
— O que eu fiz?
— Fez essa mulher sair da sala algumas vezes.
— Eu saio da sala.
Nós dois falamos ao mesmo tempo:
— Não sai.
Valentina começou a rir e eu odiei o quanto gostei da cena, de ter ela ali na minha empresa, com meu amigo como se aquele pedaço da minha vida pudesse recebê-la sem esforço.
Isso assustou um pouco, mas eu empurrei para depois, era isso que eu fazia, empurrava para surtar depois porque agora estava ocupada de mais me perdendo em cada gesto dela.
No sábado, acordei com uma mensagem.
Valentina: Bom dia.
Olhei a hora e era nove e quinze, eu tinha dormido quase seis horas, outro absurdo.
Eu: Bom dia.
Ela respondeu:
Valentina: Dormiu?
Olhei para a tela.
Eu: Sim.
Valentina: De verdade?
Sorri.
Eu: Seis horas.
Demorou.
Valentina: Estou orgulhosa.
Meu peito apertou, não gostei, mentira gostei muito.
Eu: Não exagera.
Valentina: Café?
Dessa vez nem pensei.
Eu: Minha casa.
Ela veio uma hora depois, sem maquiagem com o cabelo preso de qualquer jeito e uma sacola de padaria na mão.
Abri a porta.
— Você trouxe comida.
— Não confio na sua capacidade de ter café da manhã em casa.
— Marta existe.
— Marta tem folga.
Ela entrou, tirou os sapatos na entrada sem perguntar e caminhou para a cozinha como se já soubesse onde tudo ficava, fiquei olhando e aquilo deveria incomodar, mas não incomodou e o problema estava começando aí.
Valentina abriu a sacola.
— Pão de queijo.
— Finalmente uma escolha adequada.
— Croissant.
— Aceitável.
— E uma coisa que talvez te choque.
Retirou um livro.
— Não.
— Sim.
— Eu não vou ler.
— Você prometeu.
— Quando?
— Não prometeu. Mas deveria.
Peguei o livro, um romance, claro que era.
— Nem pensar.
— Trinta páginas.
— Dez.
— Vinte.
— Quinze.
Ela estendeu a mão.
— Fechado.
Apertei e Valentina não soltou e nem eu, ela estava do outro lado da bancada, olhei para nossas mãos e depois para ela.
— Você está fazendo de propósito.
— O quê?
— Isso.
— Pode ser mais específica?
Puxei sua mão, obrigando ela a contornar a bancada com um sorriso.
— Melhor?
— Muito.
A beijei, sem hesitação, era isso que estava acontecendo agora, eu queria beijar Valentina e simplesmente beijava.
Ela colocou as mãos no meu rosto e beijo ficou mais longo, mais íntimo, minha mão não demorou para encontrar a cintura dela e passar para suas costas.
Valentina se aproximou completamente, quando minha boca deixou a dela e encontrou seu pescoço, ouvi sua respiração mudar e aquilo quase acabou com a pouca racionalidade que eu ainda tinha.
Ela segurou meus ombros.
— Theo.
Parei, sem me afastar, só encostei minha testa na dela.
— Hum?
Ela parecia tão ofegante quanto eu.
— Você faz isso muito bem.
Comecei a rir.
— Isso foi uma reclamação?
— Definitivamente não.
Beijei seu pescoço outra vez e Valentina soltou uma risada baixa.
— O café vai esfriar.
— Problema do café.
— E o pão de queijo.
— Sacrifícios precisam ser feitos.
Ela puxou meu rosto de volta para o dela e dessa vez o beijo veio dela, mais intenso, minha mão deslizou por suas costas, sob a blusa apenas o suficiente para encontrar a pele, senti Valentina arrepiar e parei imediatamente.
Ela me olhou.
— Por que parou?
— Você...
— Arrepiei.
— Sim.
— Isso normalmente é um bom sinal, Theo.
Ri.
— Só conferindo.
Ela passou os braços pelo meu pescoço.
— Eu aviso se quiser que pare.
Essa frase ficou, porque eu sabia que poderia continuar e queria muito, mas alguma parte de mim ainda queria guardar aquilo.
Não transformar em mais uma noite, mais uma mulher, Valentina não parecia caber nesse lugar, então beijei sua testa, foi automático e no segundo em que fiz, percebi e Valentina também.
O beijo na testa foi pior, muito pior, porque não tinha desejo suficiente para servir de desculpa, só carinho, cuidado, ela me olhou.
Os olhos mudaram.
— O que foi? — perguntei.
— Nada.
Mentira.
— Valentina.
Ela sorriu.
— Gostei.
Meu estômago virou.
— Do quê?
— Disso.
Não perguntou se eu sentia alguma coisa, não tentou colocar nome, só encostou o rosto no meu peito por um instante e ficamos ali, sentindo a respiração uma da outra, minha mão nas suas costas fazendo círculos com meu queixo sobre seu cabelo. Não havia sexo, nem beijo, só aquela mulher encostada em mim dentro da minha cozinha e foi naquele momento que o medo apareceu pela primeira vez.
Pequeno, uma fisgada, uma pequena lembrança de que coisas boas podiam acabar mas afastei o pensamento, agora não era hora.
— Seu café da manhã está ficando frio — falei.
Valentina levantou o rosto.
— Covarde.
Sorri.
— Come.
Passamos o sábado juntas, não planejamos, depois do café, ela me obrigou a ler as quinze páginas e li vinte e três só para provar que podia parar quando quisesse, ela percebeu e não comentou.
Assistimos a um filme e discutimos o final, pedimos almoço, em algum momento Valentina deitou no sofá com a cabeça no meu colo.
Tudo aconteceu naturalmente, eu mexia distraidamente no cabelo dela enquanto fingia prestar atenção no filme e de vez em quando, ela olhava para cima e eu beijava sua testa.
Parecia simples, na verdade era simples, talvez eu tivesse passado tempo demais acreditando que qualquer coisa importante precisava ser difícil.
Quando anoiteceu, Valentina continuava ali.
— Preciso ir — disse.
— Precisa?
— Tenho roupa para lavar.
— Excelente razão.
— Minha vida não é só você.
A frase era uma brincadeira, mas mesmo assim, alguma coisa dentro de mim reagiu.
Minha vida não é só você, óbvio que não era e nem deveria.
— Ainda bem — respondi.
Valentina sentou.
— Foi uma piada.
— Eu sei.
Ela me estudou por alguns segundos.
— Você faz isso.
— O quê?
— Fecha a porta do nada.
— Não fechei nada.
— Theo.
Eu odiava quando ela dizia meu nome daquele jeito, porque era sempre quando me enxergava.
— Eu estou bem.
— Não perguntei.
— Então pronto.
Valentina ficou em silêncio, não insistiu e isso me fez sentir pior.
Ela se levantou.
— Vou embora.
— Valentina...
— Está tudo bem.
A máscara, a dela, dessa vez, eu já conhecia.
Levantei.
— Ei.
Segurei seu braço fazendo ela virar para mim.
— Desculpa.
A palavra ainda era difícil mas saiu e Valentina relaxou um pouco.
— Não precisa se desculpar por ficar assustada.
Meu coração parou.
— Eu não estou assustada.
Ela sorriu, triste.
— Claro.
— Você acha que sabe tudo sobre mim.
— Não. Só sei quando você muda.
Fiquei olhando, eu queria negar, mas não consegui.
— Isso é novo para mim — admiti.
Ela ficou séria.
— Isso o quê?
Olhei para ela e não havia como responder sem abrir uma coisa que eu ainda não estava pronta para abrir, então escolhi metade da verdade.
— Você.
Valentina respirou fundo e deu um passo na minha direção.
— Você também é nova para mim.
Nossas testas se tocaram.
— Então estamos ferradas — murmurei.
Ela riu.
— Provavelmente.
Beijei Valentina devagar e quando ela foi embora, mandei mensagem antes mesmo de ela chegar ao carro.
Eu: Chegou bem?
A resposta veio:
Valentina: Estou literalmente no portão.
Eu: Responde.
Valentina: Sim, Theo. Cheguei muito bem aos três metros entre sua porta e meu carro.
Sorri.
Eu: Ótimo.
Valentina demorou alguns segundos.
Valentina: Eu gostei de hoje.
Olhei para a sala, para o livro sobre a mesa, a xícara dela e o espaço no sofá onde esteve deitada.
Eu: Eu também.
Enviei, foi simples, mas senti medo outra vez. Dessa vez, um pouco maior, porque não era mais apenas desejo.
Eu começava a esperar por ela e a expectativa era só outra palavra para algo que podia ser perdido, mas não deixei o pensamento crescer, ainda não, mas ele ficou comigo por um tempo, quieto, só esperando a hora certa de me lembrar que eu sabia muito bem o que acontecia quando se amava alguém demais.
Fim do capítulo

Socorro
05/09/2026 às 00:50
To adorando
Ps.. com essa mudança no site ainda tá confuso.. nao sei se esse comentário vai aparecer .. (confesso que gostava do anterior sei la kkk )
TabitaLima07 05/09/2026 às 00:55
Ps: Vou te dizer que eu amei a mudança KKK achei que ficou mais interativo e muito mais fácil para achar as histórias.