Capitulo 15 - Desejos na Noite
O ar na sala de estar do Rancho Brown parecia ter perdido todo o oxigênio, substituído por uma densidade quente e eletrizante. O impacto das costas de Stephanie contra as tábuas rústicas de madeira da parede ressoou como um baque seco, mas a dor física foi instantaneamente varrida pelo choque térmico do corpo de Jane colado ao seu.
O beijo não era uma concessão; era uma invasão. Jane mantinha a gola da blusa de seda preta firme entre os dedos, os nós de suas mãos pressionando o ombro de Stephanie com uma força possessiva bruta. As línguas se buscavam e se enfrentavam com o gosto amargo do álcool, a cerveja artesanal encorpada que Jane tomara com Sarah entrelaçada ao uísque denso e caro que queimava a boca da executiva desde o início da noite. Era um contraste em estado puro, inebriante: a poeira e a terra do vale encontrando o luxo de Chicago.
Stephanie soltou um gemido grave, vindo do fundo do peito, quando os dentes de Jane morderam seu lábio inferior com força suficiente para fazer uma marca bem vermelha. Em vez de recuar, a executiva arqueou a coluna, cravando as unhas na nuca de Jane, puxando-a para cima, forçando o rosto da rancheira a afundar ainda mais naquele contato visceral. Suas pernas, bambas pela bebida e pelo choque da entrega, vacilaram por um instante, mas o corpo firme de Jane a prendeu contra a parede, sustentando todo o seu peso.
- Jane... - o nome escapou entre os lábios de Stephanie em um sopro quente e trêmulo quando Jane desceu a boca pelo seu queixo, encontrando a linha sensível do pescoço.
A rancheira não respondeu com palavras. Sua mente, antes atormentada pelo fantasma do endividamento e pela presença sufocante da White & Sovereign, fora reduzida a um único ponto focal: a pele macia, quente e cheirosa da mulher que tentara destruí-la. Jane ch*pou a curva do pescoço de Stephanie com uma fome bruta, sentindo o pulso acelerado da executiva bater desordenado contra seus lábios.
As mãos de Jane abandonaram a seda rasgada da blusa e desceram com firmeza pelas costelas de Stephanie. O contraste entre os tecidos era gritante, as palmas calejadas pelas ferramentas na lida diária do rancho e pelas rédeas de couro das domas a cavalo, deslizavam sobre a seda, acumulando o pano para cima, revelando a pele pálida do abdômen de Stephanie. Quando os dedos frios e ásperos de Jane tocaram a cintura nua da executiva, Stephanie deu um salto involuntário, soltando um arquejo agudo que ecoou no silêncio da casa.
- Você achou... que podia vir aqui... e me insultar? - Jane sussurrou contra a pele quente da garganta de Stephanie, a voz embargada, falhada pela respiração descontrolada. Cada palavra era pontuada por um beijo úmido e pesado sobre o osso da clavícula. - Achou que podia ditar o que eu sinto?
- Você me queria... - Stephanie arfou, fechando os olhos e jogando a cabeça para trás contra a madeira da parede, o pescoço exposto ao domínio absoluto da outra. As mãos da executiva abandonaram o cabelo de Jane e desceram até os ombros cobertos com a flanela da camisa de Jane, apertando os músculos tensos com uma força desesperada. - Diga que não... diga que não estava morrendo por isso desde aquela noite na calçada...
Jane interrompeu a fala de Stephanie cravando a mão direita na cintura da executiva e puxando-a com força para a frente, tirando-a da parede e colando seus corpos no meio da sala. O movimento foi tão abrupto que o salto baixo do sapato de Stephanie enganchou na borda da manta do sofá, fazendo as duas tropeçarem e caírem juntas sobre o estofado antigo de veludo.
O impacto afundou as molas gastas do móvel. Jane ficou por cima, o peso de seu corpo proporcional e atlético distribuído entre as coxas de Stephanie, prendendo a executiva contra as almofadas. A luz amarelada e fraca da sala incidia lateralmente sobre elas, cortando a penumbra e desenhando sombras profundas nas feições de ambas.
Stephanie olhou para cima. Seus olhos azuis, antes carregados de desdém e ciúme, estavam agora nublados por uma névoa densa de luxúria e entrega. A blusa de seda estava praticamente aberta, os botões pequenos de madrepérola haviam cedido durante o atrito, expondo o sutiã de renda preta e o contorno pálido de seus seios que subiam e desciam em um ritmo desordenado.
- Olhe para você - Jane murmurou, a voz descendo para um tom grave e rouco que fez um arrepio percorrer a espinha de Stephanie. Jane segurou com facilidade os dois pulsos da executiva com uma única mão, prendendo-os acima da cabeça dela contra o encosto do sofá de veludo. Com a mão livre, Jane começou a desabotoar a própria camisa de flanela com uma pressa raivosa. - A grande presidente da White & Sovereign... na minha sala... no meu sofá.
- Cale a boca e me toque, Jane - Stephanie implorou, o orgulho completamente obliterado pela urgência do corpo. Ela contorceu o quadril sob o peso de Jane, buscando o contato, a frustração de semanas de distância convertida em uma necessidade física que beirava a dor. - Me toque logo...
Jane atirou a camisa de flanela no chão. Por baixo, vestia apenas uma regata branca simples que deixava à mostra os ombros esculpidos pelo trabalho bruto do rancho e as cicatrizes miúdas que o sol e a lida diária haviam gravado em seus braços. Quando Jane se inclinou novamente, o contato da regata de algodão contra o peito seminu de Stephanie fez a executiva soltar um gemido longo.
A rancheira soltou os pulsos de Stephanie. Suas mãos desceram direto para o cós do jeans escuro da executiva. O som do zíper sendo puxado na sala silenciosa soou como um estalo elétrico. Jane não teve delicadeza; empurrou o tecido de brim pelas coxas de Stephanie, encontrando a resistência do salto dos sapatos. Com uma impaciência quase selvagem, Jane puxou os sapatos de Stephanie e livrou-a da calça, atirando as peças de qualquer jeito sobre o tapete da sala.
Stephanie estava agora apenas de blusa aberta e lingerie de renda preta, a pele alva contrastando com o veludo escuro do sofá. Jane parou por um segundo, o olhar varrendo o corpo da mulher à sua frente. Havia algo de quase sacrílego em ver aquela figura impecável de Chicago desnudada naquele ambiente rural, despida de todas as suas armas corporativas, entregue ao controle de uma produtora falida de Nebraska.
- Você é linda... e desgraçada - Jane rosnou, aproximando o rosto da barriga de Stephanie.
A língua de Jane traçou um caminho quente a partir do umbigo de Stephanie, subindo lentamente pelo abdômen macio até alcançar a borda da renda do sutiã. Stephanie arqueou as costas, os dedos cravando-se nos ombros nus de Jane, as unhas deixando marcas vermelhas na pele bronzeada pelo sol. Quando Jane abriu o fecho do sutiã e abocanhou um dos mamilos eretos de Stephanie, a executiva soltou um grito abafado, mordeu a própria mão para conter o som e fechou os olhos, perdendo completamente o controle de seus sentidos.
A sucção de Jane era ritmada, forte, intercalada por mordidas leves que faziam Stephanie contorcer as pernas e empurrar o quadril contra a coxa de Jane, que permanecia posicionada entre suas pernas. O atrito do jeans grosso de Jane contra a calcinha fina de seda de Stephanie criava uma fricção insuportável, um calor acumulado que fazia a executiva arfar sem parar, chamando o nome de Jane em sussurros desconexos.
- Jane... por favor... em um quarto... agora - Stephanie conseguiu articular, a voz falhando, os olhos implorando enquanto suas mãos tentavam puxar Jane para cima.
Sem quebrar o contato visual, Jane levantou-se do sofá. Stephanie soltou um suspiro de protesto pela perda repentina do calor, mas antes que pudesse se mover, Jane inclinou-se, e segurando as duas mãos de Stephanie pelos pulsos, a ergueu do sofá em um único movimento fluido, virando-a para frente e colando-se as suas costas.
Stephanie soltou uma exclamação curta e instintivamente virou o rosto, buscando mais um beijo ardente, enquanto Jane a guiava em direção ao quarto.
O corredor estava completamente escuro. Jane caminhou com familiaridade, enquanto as mãos massageavam os seios macios de Stephanie, a boca trilhando caminhos úmidos pelo pescoço da executiva. Ela empurrou a porta de seu próprio quarto com o pé e entrou, fechando a madeira pesada atrás de si e girando o trinco interno com um clique suave.
O quarto de Jane era um santuário de simplicidade. Cheirava a sabão de glicerina, madeira antiga e ao vento seco que entrava pela janela meio aberta. No centro, uma cama de casal com cabeceira de ferro forjado e uma colcha grossa de retalhos. A iluminação vinha apenas da lua cheia que atravessava a cortina fina, banhando o ambiente em um tom prateado e frio.
Jane empurrou Stephanie sobre o colchão macio. O impacto das costas da executiva sobre as cobertas levantou um aroma leve de alfazema. Antes que Stephanie pudesse se acomodar, Jane já estava sobre ela novamente.
A calcinha de seda de Stephanie foi descartada em um movimento rápido. Jane ajoelhou-se entre as pernas abertas da executiva, suas mãos firmes segurando as coxas alvas de Stephanie, afastando-as para dar espaço à sua boca. Jane foi traçando uma trilha úmida até o clit*ris, que sugou, ora delicadamente, ora com mais força. A vulnerabilidade de Stephanie era absoluta; sua pele pálida brilhava na penumbra, a respiração vindo em pequenos solavancos curtos enquanto os olhos azuis acompanhavam cada movimento da rancheira entre suas pernas.
- Diga de novo... - Jane exigiu, erguendo a cabeça, os lábios molhados, a voz descendo para um sussurro perigoso enquanto suas mãos subiam pela parte interna das coxas de Stephanie, os polegares pressionando a pele sensível. - Diga que eu fui apenas um negócio para você. Diga que isso aqui é sobre a Holding.
Stephanie negou com a cabeça, os cabelos loiros espalhando-se bagunçados sobre o travesseiro de Jane. Uma lágrima solitária, fruto da mistura de álcool, exaustão e uma intensidade emocional que ela jamais experimentara, escorreu pelo canto de seu olho esquerdo, brilhando sob a iluminação prateada.
- Não é... nunca foi sobre a Holding - Stephanie confessou, a voz falhada, desprovida de qualquer orgulho. - É você, Jane. É essa droga de controle que você tem sobre mim sem nem mesmo tentar... Eu odeio você por isso. Eu me odeio ainda mais por estar aqui...
Jane não respondeu com palavras. Inclinou-se para cima e limpou a lágrima do rosto de Stephanie com os lábios, deslizando a língua pela bochecha quente da executiva antes de descer novamente até sua boca. O beijo agora trazia uma doçura calma, uma aceitação mútua de que ambas haviam ultrapassado um ponto de não retorno, o cheiro de Stephanie nos lábios de Jane.
Enquanto mantinha os lábios de Stephanie presos aos seus, a mão direita de Jane desceu pelo abdômen trêmulo da executiva, alcançando novamente o centro de seu calor. Quando os dedos de Jane tocaram a umidade quente e abundante que esperava por ela, Stephanie deu um suspiro alto contra a boca da rancheira, o corpo inteiro se retorcendo sobre a colcha de retalhos.
- Jane! - o nome saiu como um grito sufocado, preso na garganta da executiva.
Jane começou o movimento. Lento no início, dolorosamente calculado, seus dedos trabalhando a sensibilidade extrema de Stephanie com precisão calculada, como fizera antes com a boca. As palmas de Jane eram ásperas, o contraste da textura de sua pele contra a suavidade de Stephanie fazia a executiva perder o ar, as mãos cravando-se na colcha que recobria a cama com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
A rancheira observava o rosto de Stephanie na penumbra prateada. Viu a executiva de Chicago, a mulher que controlava reuniões de diretoria majoritariamente masculinas e assinava contratos de milhões de dólares, desmanchar-se sob o toque de suas mãos calejadas pelo trabalho na terra. A boca de Stephanie permanecia entreaberta, soltando gemidos curtos e baixos a cada pressão dos dedos de Jane, a testa coberta por uma fina camada de suor.
Jane acelerou o ritmo. O som úmido e ritmado da fricção preencheu o quarto, junto com a respiração pesada de ambas. Com a mão esquerda, Jane segurou o queixo de Stephanie, forçando-a a manter os olhos abertos, a encarar a intensidade do olhar castanho pesado de paixão e fúria que a rancheira sustentava.
- Olhe para mim - Jane ordenou em um som rouco. - Não feche os olhos. Olhe para a mulher que você está tentando destruir.
Stephanie obedeceu. Seus olhos azuis, dilatados e brilhantes, fixaram-se nos de Jane no exato momento em que o ritmo dos dedos da rancheira se tornou frenético, implacável. O corpo da executiva tensionou-se por inteiro; as pernas tremeram violentamente, os músculos do abdômen se contraíram e Stephanie arqueou a coluna, soltando um gemido longo, que foi sufocado no último segundo quando Jane pressionou a própria boca contra a dela.
O orgasmo atingiu Stephanie com a força de uma tempestade de gelo na pradaria. A executiva contorceu-se sob o peso e o domínio de Jane, ondas sucessivas de prazer quente, elétrico percorrendo seu corpo, seu ventre. Ela agarrou os braços de Jane com um desespero cego, cravando as unhas na pele da rancheira enquanto seu corpo tremia em espasmos involuntários que pareciam não ter fim.
Jane manteve o toque até que o último tremor da executiva cedesse, transformando-se em um relaxamento profundo e exausto. Stephanie afundou no colchão, a respiração em pequenos sopros desordenados, o peito subindo e descendo acelerado, os olhos fechados enquanto a realidade voltava lentamente.
Mas Jane não havia terminado.
A visão de Stephanie entregue, suada e vulnerável sobre sua cama desestabilizou o resto de contenção que pudesse restar da rancheira. Com um movimento rápido, Jane livrou-se do próprio jeans e da calcinha de algodão, atirando as roupas no chão do quarto. Quando voltou para cima de Stephanie, a pele nua de suas coxas e quadril encontrou a da executiva em um contato direto e incandescente.
Stephanie abriu os olhos, surpresa pela nova investida, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Jane tomou seus lábios novamente. Desta vez, foi Jane quem buscou o alívio. A rancheira posicionou seu quadril contra o de Stephanie, encaixando-se na umidade que ela mesma causara a executiva.
O movimento de Jane era denso, pesado, impulsionado por um desejo retido há semanas. Ela esfregava seu corpo contra o de Stephanie com uma necessidade quase dolorosa, buscando no atrito com a pele macia da outra mulher a cura para a tensão que corroera suas noites desde o primeiro encontro das duas naquelas terras.
Stephanie, percebendo a urgência e a vulnerabilidade da mulher durona que a dominara até então, reagiu instintivamente. Enlaçou as pernas ao redor do quadril de Jane, puxando-a para mais perto, usando as mãos para massagear as costas da rancheira, descendo até as nádegas, guiando seus movimentos com uma entrega absoluta.
- Isso, Jane... - Stephanie sussurrou no ouvido de Jane, a voz rouca e carinhosa, os papéis se invertendo por um instante. - Assim...
O som dos corpos se chocando no colchão macio e o estalar das molas da cama de ferro preencheram o quarto. Jane enterrou o rosto na curva do pescoço de Stephanie, soltando gemidos baixos e roucos. A firmeza da rancheira cedeu lugar a um ritmo desesperado, suas mãos segurando a cintura de Stephanie com força enquanto buscava o próprio ápice naquele movimento incandescente de vai e vem, para cima e para baixo.
A onda de prazer atingiu Jane poucos minutos depois. Um tremor violento percorreu suas costas, seus músculos travaram e ela soltou um ruído abafado contra a pele de Stephanie, afundando o rosto no peito da executiva enquanto o prazer varria semanas de raiva, orgulho e cansaço. Stephanie segurou-a com firmeza, acariciando os cabelos castanhos e desordenados de Jane, sentindo o coração da rancheira bater como um tambor descontrolado contra o seu próprio peito.
O silêncio que se seguiu foi absoluto e denso.
A iluminação da lua mudara de posição, projetando sombras longas ao longo do quarto de madeira. As duas mulheres permaneciam deitadas lado a lado, cobertas apenas pela colcha de retalhos que Jane puxara sobre seus corpos suados. A respiração de ambas havia finalmente voltado ao ritmo normal, embora o ar do quarto permanecesse impregnado pelo cheiro forte de sex*, suor e pela fragrância cara do perfume de Stephanie.
Stephanie estava deitada com a cabeça apoiada no peito de Jane, ouvindo o bater constante do coração da rancheira. Uma de suas mãos repousava sobre o abdômen firme de Jane, os dedos desenhando círculos invisíveis na pele quente. Jane mantinha um dos braços dobrado sob a cabeça, o olhar fixo no teto de madeira, uma mistura complexa de alívio e culpa iminente pesando em suas feições.
Nenhuma das duas ousava quebrar o silêncio com palavras. Qualquer frase proferida naquele momento traria de volta a realidade esmagadora do dia seguinte: a falência do rancho, a disputa pela água, a presença da White & Sovereign e o abismo social que as separava. Ali, no entanto, sob o peso daquela colcha e envolvidas pela penumbra do quarto, existia uma trégua não declarada, um espaço suspenso no tempo onde eram apenas duas mulheres exaustas encontrando abrigo na tempestade que elas mesmas haviam criado.
Stephanie adormeceu primeiro, vencida pelo excesso de uísque e pelo esgotamento físico do orgasmo. Sua respiração tornou-se pesada e regular, a testa repousando suavemente contra o ombro de Jane.
Jane permaneceu acordada por algum tempo. Olhava para o rosto sereno da executiva ao seu lado, surpresa com a delicadeza que as feições de Stephanie ganhavam enquanto dormia. A mulher implacável de negócios desaparecera, dando lugar a uma figura frágil que se encolhia contra o seu corpo em busca de calor na noite fria da pradaria. Jane soltou um suspiro imperceptível, puxou a colcha mais para cima, cobrindo os ombros nus de Stephanie, e eventualmente deixou que o cansaço esmagador levasse sua mente para um sono sem sonhos.
***
A luz da manhã começou a invadir o quarto não com o brilho dourado do sol, mas com a palidez acinzentada de uma alvorada nublada no Vale do Loup. O ar no ambiente esfriara consideravelmente durante as últimas horas da madrugada, prenúncio de uma tempestade.
Jane acordou lentamente, o corpo pesado e os músculos doloridos pelo esforço da noite anterior. Por um milissegundo, a sensação de calor ao seu lado pareceu um sonho, mas o peso do braço pálido de Stephanie cruzado sobre sua cintura e o aroma suave de perfume de grife no travesseiro trouxeram a realidade de volta com a força de um soco no estômago.
Ela piscou, o teto de madeira clareando gradativamente. Stephanie ainda dormia profundamente ao seu lado, o rosto parcialmente coberto por mechas desordenadas do cabelo loiro.
Jane sentou-se na cama com cuidado para não acordar a executiva. Passou as mãos pelo rosto, sentindo a pele e a garganta um pouco seca e o cansaço mental retornar em ondas. Olhou para o chão do quarto. Suas roupas e as de Stephanie estavam espalhadas pelo tapete em uma confusão de seda rasgada, jeans e lingerie delicada. A visão daquele cenário trouxe novamente uma onda de pânico e culpa para o peito da rancheira.
O que foi que eu fiz? - a pergunta ecoou em sua mente como um alarme.
Ela virou o corpo para a borda da cama, pisando no chão frio de madeira e curvando-se para pegar seu jeans e a regata. Vestiu-se rapidamente, os movimentos silenciosos e ágeis, ouvindo apenas o ressonar tranquilo de Stephanie na cama.
Foi exatamente quando Jane terminava de abotoar o jeans que o som da realidade bateu à sua porta.
Não foi um som discreto. Foi uma batida seca, forte e retumbante que ecoou pela casa, de nós de dedos contra a madeira pesada da porta da frente da casa, vinda da varanda.
BAM. BAM. BAM.
Jane congelou no meio do quarto, o coração dando um salto violento para a garganta.
Na cama, Stephanie se mexeu desconfortavelmente sob a colcha, soltando um murmúrio confuso enquanto tentava abrir os olhos, despertada pelo barulho alto.
- Jane? - a voz de Hank, o velho capataz do rancho, ressoou do lado de fora, alta e carregada de uma estranheza evidente. O som atravessou as paredes de madeira com clareza absoluta. - Jane, você tá aí dentro, patroa?
Jane fechou os olhos por um segundo, a mão apertando o botão da calça enquanto o suor frio escorria por suas costas. Ela sabia que havia perdido a hora de levantar.
- Jane! - Hank bateu novamente na porta da frente, a voz demonstrando uma mistura de preocupação e desconfiança. - Aconteceu alguma coisa? ... Tem um Cadillac verde parado atravessado no meio do pátio, bloqueando o caminho do trator! A senhora está bem? Aconteceu alguma coisa? Por que diabo esse carro daquela dona de Chicago está estacionado no pátio a essa hora da manhã?
No quarto, Stephanie sentou-se na cama, a colcha caindo até a cintura e expondo sua nudez. Os olhos azuis da executiva, ainda nublados pelo sono, pelo prazer sentido na noite anterior e pela ressaca do uísque, arregalaram-se em puro choque ao ouvir a voz do capataz do lado de fora. Ela olhou para Jane, depois para as próprias roupas espalhadas pelo chão.
Jane olhou de volta para Stephanie, o rosto da rancheira estava pálido sob a luz acinzentada da manhã, enquanto os passos pesados de Hank continuavam a ecoar na madeira da varanda do Rancho Brown.
Fim do capítulo
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