Capítulo 2

Tenho medo

de Meu algodão doce, por Scrafeno

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A luz do sol parecia pouco convidativo para alguém como Marina depois de um dia tão conturbado como o dia anterior. Não havia dormido, não havia sono, não havia alegria, não havia esperança. Somente a realidade que pairava sob ela. O lugar era estranho, o lençol tinha outro cheiro, o travesseiro era alto demais e até a camiseta que vestia parecia pertencer a outra pessoa. Nada ali era seu. E sentiu que nunca teve algo de verdade. Ela saiu da casa da mãe para morar com Rodrigo, na casa dele, com as coisas dele. Agora estava grávida na casa da amiga, lugar que também não era seu.  Havia medo. Muito medo. Mas, pela primeira vez desde o teste, também havia algo diferente. Sempre que levava a mão até a barriga, lembrava que não estava completamente sozinha. Não foi programado, filho nem passava por sua cabeça, não. Mas era uma sensação nova, um sentimento sincero, bonito. E ele era seu, só seu.  
Os olhos ainda estavam concentrado na marca do teto, que parecia um pouco com um coelho, ou seria um gato? Foi surpreendida pelo cheiro do café que fez sua barriga roncar.  
Lilian que havia passado a noite somente há alguns metros do quarto que Marina estava, havia um banheiro entre os quartos, separando as duas. Sorriu, havia dormido, pouco, mas havia. o alarme soassava até divertido para ela. Enquanto o café fervia na cafeteira ela passava manteiga em alguns pães afim de leva-los para o forno. Era o café preferido de Marina e ela sabia disso.  
Marina apareceu na cozinha bocejando, levando os braços. O cabelo estava amarrado em coque frouxo, alguns fios ainda estava, soltos. Lilian sorriu com a cena tão natural.  
—Café e torradas? Parece que até que você sabe que é meu café preferido.  —Agora você tem um dragãozinho crescendo dentro de você.  
As duas riram de uma forma genuína, Lilian era isso para Marina, aquela amiga que a fazia rir, sem muito esforço.  
—Você vai trabalhar hoje?  
Lilian negou a pergunta de Marina enquanto colocava o café na garrafa, era meio desastrada, então tentava manter a concentração.  
—Eu pedi folga, eu só daria aula à tarde, e mesmo assim, eles preferem ver um filme a aprender qualquer coisa que envolva cálculo.  
O maior problema da mentira, é que para sustentar ela é necessário continuar mentindo. Aquela era a primeira mentira que Lilian contava a Marina, a verdade é que ela estava de atestado devido a inseminação na manhã do dia anterior. Mas ela não queria contar para amiga, se desse certo, ela teria que contar, seria algo impossível de esconder, mas isso era problema para Lilian do futuro.  
As duas estava comendo enquanto conversavam sobre uma amiga em comum que Lilian havia convidado para jantar com elas, Marina iria contar que estava grávida para ela. Mas foram interrompidas quando a campainha tocou, Lilian que foi abrir, e deu de cara com Rodrigo. 
—Cadê ela?  
Era uma pergunta retorica.  
—Não é o momento, Rodrigo. Marina ainda está muito abalada.  
—Eu não perguntei a você como ela está, eu quero saber o porquê ela saiu de casa sem ao menos me contar.  
Marina apareceu com os braços cruzados a abaixo do peito.  
—Deixa ele entrar.  
Lilian não tinha uma alternativa. Por mais que não concordasse com aquilo, mas quem era ela na fila do pão, comparado com o ex, pai do filho que Marina carregava. —Eu vou deixar vocês.  
Lilian saiu deixando os dois na sala.  
—O que está fazendo aqui?  
— Mari... eu vim conversar. 
— Não temos mais nada para conversar. 
— Você foi embora sem me ouvir. Sem nem conversar comigo, só me deixou uma carta.  
— Eu ouvi o suficiente ontem. E que engraçado, pelo menos te deixei uma carta e você que me deixou sozinha após descobrir que estava grávida. Aquilo foi horrível, foi a gota d’água! —Ela respirou fundo tentando não falar alto, ou se alterar. 
— Você vai criar meu filho aqui? Na casa dessa... — Eu não vou deixar meu filho crescer aqui com essa... —Rodrigo fala apontando para Lilian, que ao ouvir eles se exaltarem, não quis deixar os dois a sós. 
— Termina a frase. — Silêncio, Rodrigo olha para Lilian. Ela não levanta a voz. Só encara. 
— Eu disse... 
— Termina... Sai da minha casa.   
Rodrigo encarou as duas e, então virou as costas e saiu batendo a porta. Lilian interfonou e pediu que o porteiro não deixasse mais Rodrigo subir. Enquanto fazia isso, Marina estava sentada no sofá tentando entender o motivo de Rodrigo está indo ali.  
Marina mantinha os olhos fixos na porta. 
Como alguém podia entrar pedindo para conversar e sair deixando tudo ainda pior? 
Lilian desligou o interfone e caminhou até a sala. 
— Obrigada... E me desculpa. Você não merecia aquelas insinuações. 
— Você não tem que me pedir desculpas por algo que não fez, Marina. 
Ela sentou ao lado da amiga, deixando uma distância respeitosa entre as duas. 
— Mas ele veio aqui por minha causa. 
— Não. — Lilian respondeu com calma. — Ele veio aqui por causa das escolhas dele. 
Marina soltou um suspiro cansado. 
— Eu tenho medo. 
— Eu sei. 
— Não... Você não sabe. — Lilian sorriu de lado. 
— Então me explica. — Marina abaixou os olhos para a própria barriga. 
— Eu tenho medo de não dar conta. 
— De quê? 
— De tudo. 
A resposta saiu tão baixa que quase desapareceu. 
— Tenho medo de ser uma mãe ruim, tenho medo de meu filho sentir falta do pai, tenho medo de ele crescer me culpando, tenho medo de olhar pra ele e enxergar o Rodrigo. 
As últimas palavras vieram acompanhadas de lágrimas. Lilian permaneceu em silêncio por alguns segundos, depois estendeu a mão, não para abraçá-la. Apenas segurou sua mão. 
— Então escuta uma coisa. 
Marina levantou os olhos. 
— Você não precisa descobrir tudo hoje. 
— Mas... 
— Você acabou de descobrir que está grávida, acabou de terminar um relacionamento. Dormiu três horas, se muito, você não precisa decidir o resto da sua vida antes do almoço.  
Marina riu entre as lágrimas. 
— Quando você fala parece tão simples... 
— Não é simples. Só não precisa acontecer tudo de uma vez. 
O silêncio voltou. Dessa vez não era desconfortável. 
— Posso ficar aqui por alguns dias? — Foi Marina quem voltou a falar 
Lilian arqueou uma sobrancelha. 
— Você realmente achou que eu ia te mandar embora? 
— Eu só... 
— Marina. 
As horas passaram com as duas ali na sala, cada uma em sua mente tentando entender tudo que estava passando. Então o celular de Lilian que estava em cima da mesa de centro tocou, era a mãe de Marina.  
—”Hellou”. — As duas se conheciam o suficiente e adquiriram aquela brincadeira ao atender o celular quando entravam em contato uma com a outra. 

 

 
 
 
 

Fim do capítulo

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Conversa

Comentários

1
R

RENATA32

09/08/2026 às 02:40

Olá. Faz um capítulo maiorzinho. Tipo umas 5.000 palavras kkkkkkkk

 

 

 

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