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Filha da Noite por Maysink

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Palavras: 1511
Acessos: 59   |  Postado em: 20/06/2026

Capitulo XIII

– Estamos sem tempo, o feitiço está quase chegando ao fim. - Diana avisou, se posicionando à nossa frente, conjurando chamas em suas mãos. Sem que eu pudesse impedir, ela lançou as chamas em direção a Elizabeth, porém uma barreira surgiu repelindo-as imediatamente. Tivemos que nos afastar bem rápido para que não fossemos atingidos pelo efeito repote do contra feitiço. 

– Não vai adiantar tentarmos impedir, nossa melhor chance é esperar acabar e a barreira se desfazer. - alertei, colocando a mão sobre o braço de Diana que se preparava para mais um ataque. 

– Ela estará muito mais forte! - contrapós, hesitante. 

– Mas também estará vulnerável, muito poder requer muito controle. Teremos um instante até que ela pereça por completo. - lembrei-a. Nos ensinamentos de Diana aprendi o preço de se ter muito poder à disposição. O corpo cobrava mais autocontrole, mais foco, e o processo de se alcançar isso, nos deixava vulneráveis. Por isso, todo aquele tempo meus amigos não me deixavam sozinha, por medo de alguma iniciativa de Fairfall. Talvez ela pensasse que eu não seria corajosa o suficiente para tentar enfrentá-la logo de cara, ou que não tivesse domínio o suficiente dos meus poderes para arriscar um confronto. No entanto, não me restavam escolhas. 

– Se preparem! - Diana, alertou-nos, quando a barreira se partiu em milhões de pedaços, como um vidro estilhaçado. O ar a nossa volta ficou ainda mais denso, uma neblina suave nos cercando. O estalo da barreira ecoou pela clareira como um rugido imponente.

Por um segundo, nenhum de nós se moveu.

Elizabeth permaneceu em transe no centro do círculo, a cabeça caída para trás, absorvendo os últimos resquícios da magia roubada. As matriarcas tombaram ao redor dela como marionetes cujas as cordas foram cortadas. 

Então os olhos de Farfaill se abriram.

Completamente negros.

— Finalmente... — sua voz saiu distorcida, como se dezenas de vozes falassem ao mesmo tempo através dela. — Agora sei o que é poder de verdade!

Elizabeth levantou uma das mãos, ainda ajoelhada, as veias negras se agitaram, então ela a fechou, fazendo uma onda gigantesca de poder nos acertar sem que pudéssemos fazer nada. O impacto nos lançou vários metros para trás. Meus pés rasgaram a terra enquanto tentava me levantar com dificuldade. As árvores ao redor se curvaram violentamente, como se enfrentassem um tornado poderoso. Galhos se partiram, voando para todos os lados. O ar parecia pesado demais para se respirar.

— Emily! — ouvi Diana gritar, mas minha atenção estava presa em Elizabeth sorrindo vitoriosa.

Por um instante olhei ao redor, conferindo se todos estavam bem, Diana, Philip, Amélie, as abençoadas e as bruxas que haviam chegado sem que eu percebesse. Todos tentavam se erguer daquele ataque poderoso e repentino.

Um som assombroso atraiu minha atenção de volta a Elizabeth. O céu reagiu a um chamado que não era meu. Nuvens negras surgiram acima da clareira em questão de segundos. Meu coração afundou com a familiaridade. Elizabeth estava usando a magia da minha mãe contra mim.

— Veja só. — ela disse, abrindo a mão, fazendo raios dançaram entre seus dedos. — Até os dons de Alice agora me pertencem.

A menção a minha mãe fez algo dentro de mim se romper. O vento começou a se agitar violentamente ao nosso redor.

— Não diga o nome dela! - vociferei, sentindo minha garganta vibrar pelo ódio escorrendo pelas minhas palavras. 

— Por quê? — provocou. — Tem medo de ouvir a verdade? Pois bem. Alice era fraca. Sempre foi. Todas as Maycler foram.

O primeiro raio caiu. Eu não o invoquei, ele simplesmente respondeu à minha fúria. A descarga atingiu Elizabeth em cheio. Por um instante pensei ter conseguido pelo menos machucá-la, no entanto, quando a fumaça se dissipou, ela permanecia ilesa.

— É só isso? - zombou sorrindo, se levantando com uma elegância soberba, batendo a mão direito no ombro com desdém fingido. Elizabeth voltou a erguer as mãos, e em resposta a terra sob nossos pés tremeu. Pedras emergiram do solo como lanças. Saltei para o lado enquanto dezenas delas atravessavam o espaço onde eu estivera segundos antes.

Sem perder tempo, retribuí o ataque. Ergui os braços, e o vento correspondeu. Uma tempestade inteira desceu sobre a clareira. Rajadas violentas colidiram contra Elizabeth. A clareira gem*u ao nosso redor.

Porém, a mulher à minha frente sequer recuou. 

Eu senti minha magia divina lutar para sair, então cedi, soltando-a em pequenas doses, libertando-a em direção de Elizabeth, que por sua vez também jogou sua magia negra em mim. Os dois poderes se chocaram no centro do campo. O impacto delas se chocando iluminou a noite. 

Preto e vermelho, duelando ferozmente.

Explosões sucessivas fizeram o chão tremer. Diana, Philip, Amélie e as abençoadas já haviam erguido barreiras para proteger as outras bruxas que ainda estavam caídas, mas mesmo assim todos eram obrigados a recuar.

A clareira se transformou num verdadeiro campo de guerra. 

— É só isso que a Filha da Noite pode fazer? - Elizabeth gargalhou.

Ela lançou mais um feitiço, uma sombra surgiu atrás dela como um imenso tsunami, até assumir uma forma monstruosa. Uma criatura disforme feita de magia corrompida avançou em minha direção.

Enquanto me preparava para lançar um contra feitiço, Cérbero pulou na minha frente, bloqueando o ataque brutal. Ele agora estava no que acredito ser sua verdadeira forma de cão infernal. O corpo negro equivalia a um prédio de 10 andares. Os pelos pareciam fios de sombras vivas, seus dentes longos brilharam sob a luz da lua.

Enquanto as criaturas lutavam entre si, Elizabeth apareceu diante de mim. Rápida demais. Sua mão fechou-se em meu pescoço. A força do impacto me assustou, me deixando à mercê de sua ação repentina. A dor atravessou minha garganta.

— Você nunca deveria ter voltado para esta cidade. — ela sibilou.

Tentei reagir, porém seu aperto se intensificava mais a cada segundo. A força da magia que ela usava seria suficiente para destruir uma bruxa comum. Meu corpo inteiro gritava. Meu poder oscilava. 

E então ouvi uma voz.

Não de Hécate.

Não de Diana.

Mas de Alice. 

Ou talvez fosse apenas uma vaga lembrança. "Não desista, Emily." Fechei os olhos por um instante. Respirei.

Senti minha magia divina se apoderar de mim.

Toda ela.

Não senti medo, mas pertencimento.

Quando abri os olhos novamente, o mundo pareceu desacelerar. Elizabeth lançou outro sorriso de escárnio, colocando agora ambas as mãos em meu pescoço, infligindo mais força. O ardor não mais me incomodava.

Eu afastei seu corpo com um simples movimento da mão, lançando-a a vários metros de distância. A surpresa atravessou seu rosto bem como o desconforto pelo meu ato abrupto. Pela primeira vez, naquela noite, vi o lampejo de medo brilhando em seus olhos negros.

— Impossível... — ela sussurrou, descrente.

— Não. - minha voz ecoou poderosa pela clareira inteira. — Impossível foi você acreditar que seria capaz de enfrentar a filha da noite.

O céu rugiu. A energia dentro de mim despertou completamente. Não havia raiva. Não havia ódio. Apenas certeza. Elizabeth tentou revidar, porém, já era tarde demais. Correntes escarlates surgiram ao redor dela.

Uma.

Duas.

Dezenas delas.

Todas alimentadas pela minha magia.

— O que está fazendo? — ela gritou, debatendo-se.

— Te dando o que você merece.

As correntes se apertaram, aprisionando-a. Elizabeth tentou lançar feitiços. Invocou sombras. Relâmpagos. Nada funcionou. A magia dela começava a falhar. Como areia escapando entre os dedos. Seu corpo começava a sentir os efeitos colaterais de ter usado tanto poder. Seus olhos negros voltaram lentamente ao tom natural. O pânico tomou conta de suas feições. E eu vi minha chance.

— Não! Não! Você não pode! - sorri com seu despero.

A marca da Filha da Noite queimou em minha testa. Não pudia ver mas sabia que as três fases da lua cintilavam em vermelho vivo. O poder divino corria por minhas veias em sua pura forma. E eu compreendi. Não precisava matá-la. 

Existia algo pior! 

E eu era capaz de dar isso a ela.

Levantei a mão direita em sua direção, e ondas rubras se manifestaram imediatamente.

— Elizabeth Fairfall…

O vento cessou. A clareira silenciou. Até mesmo o arquejar das bruxas pareceu parar.

— Pelo sangue que derramou…

As ondas do meu poder flutuaram até Elizabeth, tocando seu peito. Ela se debateu furiosamente, e depois simplesmente ficou imóvel, me olhando em completo espanto.

— Pelas vidas que roubou…

Fios luminosos saíam de seu corpo. Se desfazendo no ar. Então, ela caiu de joelhos. Gritando.

— Eu a condeno a uma vida comum!

As correntes brilharam. A energia abandonou Elizabeth numa torrente devastadora. A terra tremeu. Sua pele pareceu esfarelar.

E então...

Silêncio.

Absoluto.

Elizabeth desabou sobre a lama, ofegante, frágil.

E totalmente, humana!

Seus olhos me encararam, vazios. Sem qualquer traço de magia. Ela parecia uma casca oca. Sem poder. Sem grandeza. Pela primeira vez em décadas, Elizabeth Fairfall era apenas uma mulher. E a percepção disso pareceu aterrorizá-la mais do que a própria morte.

Eu sorri, orgulhosa!

Enfim, sentindo o que significa verdadeiramente ser a filha da noite!

Fim do capítulo


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Comentários para 14 - Capitulo XIII:
HelOliveira
HelOliveira

Em: 20/06/2026

Obrigada por estar de volta,  capítulo maravilhoso..

 


Maysink

Maysink Em: 21/06/2026 Autora da história
Ei Hel,
Eu quem agradeço por não desistir de acompanhar. Kkkkk
Desculpa a demora!!!!


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