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A volta do amor que nunca se foi por priskelly

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Palavras: 3067
Acessos: 440   |  Postado em: 16/06/2026

Capitulo 29

Por Marcela

 

Fizemos todos os procedimentos que foram sugeridos pela agente Suzana, mas meu corpo estava tomado pela adrenalina causada pela situação, e na minha cabeça tudo o que eu mais queria era pegar o desgraçado que tentava fazer da vida de Hanna um inferno. Se no passado ele ocasionou uma dor profunda em minha namorada, no presente eu estava determinada a vê-lo sofrer o dobro dessa dor. Por mais que eu não falasse, eu estava com gosto de vingança na boca. A sensação que eu tinha era que nunca tinha sentido tanto ódio por alguém, como estava sentindo por esse ser desprezível. Eu sei que ódio não é um sentimento que deve ser cultivado, mas nesse caso era algo impossível de não sentir. 

A advogada entrou com um pedido de proteção para Hanna, mas eu sabia que isso não seria o suficiente, e por isso convenci Hanna que precisávamos de mais um segurança pessoal. A princípio ela resistiu a ideia, mas eu sentia a necessidade de aumentar a proteção em torno da mulher que eu amava. Por fim, concluímos que Fabrício ficaria disponível apenas para garantir a segurança da Gabi, e outro segurança teria a tarefa de manter Hanna segura. 

Aquela situação que estávamos vivendo era algo completamente desgastante, não apenas pelo medo de sermos surpreendidas a qualquer momento por um louco que quer nos matar, mas também por mudar tudo em nosso dia a dia, enquanto tentamos manter nossa integridade física, nossa privacidade, nossa vida. Andar com seguranças não era algo agradável, mas nesse caso se tornava necessário e graças a Deus, mesmo se gostar, minha namorada entendeu isso. 

– Amor, quem é essa sua amiga que você pensa em trazer de Portugal? – Hanna me perguntou enquanto eu dirigia de volta para a empresa.

– Conheci ela em uma boate em Portugal. – Hanna fez uma cara de poucos amigos, e eu logo entendi o que ela pensou e sorri. – Não se preocupe, Hanna. Eu não tive nada com ela. No entanto, nos tornamos muito próximas. Ela se tornou minha melhor amiga durante o tempo que morei lá. 

– Hum! E por que você confia esse a caso a ela? 

– Por que ela é a melhor no que faz. Ela trabalha como detetive particular e é uma ótima profissional. Eu já vi ela resolver casos incríveis, principalmente de tráfico de mulheres. Em Portugal, ela atua para gente poderosa e casos confidenciais. 

– Uau! Então ela deve ser muito boa mesmo no que faz. Ela sempre trabalhou nisso?

– Na verdade, ela era uma agente da polícia portuguesa no passado, mas resolveu sair da corporação. Isso é uma longa história e também muito pessoal. Vamos deixar para outro momento?

Minha namorada concordou com um sorriso.

– Você acha que ela vai aceitar vir ao Brasil, e trabalhar nesse caso para você? 

– Não tenho dúvidas disso. Ela certamente ficará em pânico quando souber que a mulher da minha vida e nossa filha correm perigo. 

Um silêncio se fez presente no carro e só então percebi o que falei. Pela primeira vez chamei Gabriela de filha, e foi algo tão natural que analisando agora até eu mesma estava surpresa com minhas palavras. Não que fosse uma surpresa o amor que eu nutria pela criança, mas a forma como eu já a tinha como minha filha, como minha família, isso sim era algo novo. Meu coração se sentia alegre com isso, e eu jamais negaria isso para mim ou para quem quer que fosse. 

Olhei para Hanna e ela me encarava com um brilho transbordando em seus olhos enquanto mantinha um sorriso lindo nos lábios.

– Você acha ruim se eu me referir a Gabi dessa maneira? – Perguntei meio preocupada.

– Claro que não, meu amor. Isso foi algo tão gostoso de ouvir, que eu nem sei como explicar o que senti.

Segurei em sua mão e a trouxe para junto dos meus lábios, a beijando carinhosamente. 

– Vocês duas são tudo para mim, Hanna. Agora somos uma família. Ainda estamos começando a construir essa família pouco a pouco, mas eu vou dar o meu melhor para proteger isso que temos. Vou fazer de tudo para proteger vocês duas.

Vi nos olhos de Hanna, surgir uma mistura de sentimentos: emoção, gratidão e muito amor. 

– Eu te amo, Marcela. Independente do que aconteça, nunca esquece que você foi, e ainda é a única mulher que sempre amei. – Hanna falou enquanto eu estacionava o carro na empresa.

– Não fale como se estivéssemos nos despedindo. – Disse a beijei delicadamente.

Entramos na empresa e apesar do momento tenso que estávamos vivendo senti que Hanna estava menos abalada. Parecia que unir suas forças  com as minhas à deixava mais confiante que no fim tudo ocorreria bem.

Olhamos em volta e Hanna disse:

– Eu acho que Renata levou a sério demais sua ordem de aumentar a segurança da empresa.

Por onde passávamos havia dois seguranças em cada corredor, fora os cinco que estavam na entrada. 

– Isso é ótimo! Não fiz isso apenas por nós duas, Hanna. Mas se ele sabe onde você trabalha, não quero correr o risco dele entrar aqui e colocar em risco a vida de todos os nossos funcionários e clientes. 

– Eu sei disso. Você é muito correta, e jamais deixaria que algo assim acontecesse. – A vi baixar a cabeça escondendo a expressão triste que tomou de conta do seu rosto. – Me desculpe por causar tudo isso. Se não fosse para me atingir, ele não apresentaria risco a nenhuma de vocês.

Parei no meio do corredor que dava acesso à minha sala e a fiz me olhar.

– Ei, nunca mais repita isso. Você não tem porque pedir desculpas, amor. Você não tem culpa por ter um louco atrás de você, colocando sua vida em risco. Você não tem nenhuma responsabilidade sobre isso, entendeu? – Seus olhos lagrimejaram. – Amor, você não tem culpa nem pelo o que aconteceu no passado, e muito menos por agora. Não o deixe atingir o objetivo de bagunçar seu psicológico. Você não está sozinha, me ouviu bem? 

Tomei Hanna em meus braços sem me importar onde estávamos. Naquele momento tudo que eu queria, e precisava, era mostrar para ela que ela não estava passando por tudo aquilo sozinha.

– Obrigada por estar comigo. Eu não sei se suportaria isso tudo sem você ao meu lado. – Seus lábios encostaram-se aos meus em um toque sútil.

Ao chegar a minha sala sentei fitando o vazio enquanto tentava buscar manter um pouco de sanidade mental. No meio de toda aquela confusão que estava deixando minha vida de pernas para o ar, eu ainda não tinha parado para pensar em tudo com clareza. Até agora, tudo que eu estava fazendo era no automático. Durante o tempo que morei em Portugal, adquiri uma personalidade que agia com frieza quando necessário, e essa característica sempre foi meio que uma defesa, e talvez por isso diante desse assunto eu estava sendo a que menos me permitia ser dominada pelo medo. Claro que ele existia, principalmente quando meus pensamentos se direcionavam à Gabriela e Hanna, mas ainda assim, eu buscava me erguer diante do problema e não me deixar abater. 

Liguei para a Bárbara, e contei o que estava acontecendo no Brasil, deixando claro o quanto eu estava precisando dela naquele momento. Não precisou de muito para que minha amiga se prontificasse a estar no país nos próximos dois ou três dias. 

Bárbara foi praticamente a única amiga que tive durante meus anos fora do Brasil. Ela sempre esteve presente nas noites em que eu chorava por Hanna. Ela sempre foi aquela que se embriagava comigo para esquecer do sofrimento que o amor que eu sentia por Hanna, me provocava. Com ela, eu conseguia ser eu mesma, não conseguia esconder o quanto era infeliz e sofria pela ausência da mulher que deixei para trás. Ela também sempre estava ali para me lembrar que se doía tanto me manter longe de Hanna, eu deveria deixar o orgulho de lado e dar uma nova oportunidade para nós duas.

A portuguesa é dona de uma personalidade forte, uma mulher decidida e que sempre teve como motivação a lembrança dos seus pais, que morreram em um acidente de carro quando ela tinha menos de dez anos de idade. Bárbara foi criada por sua avó materna, e aquele país foi para ela como uma segunda chance para buscar calmaria para sua vida, mas seu sangue quente parecia que sempre queria mais adrenalina, era quase como uma necessidade. Com toda sua inteligência e habilidade, não foi difícil entrar para uma corporação portuguesa tornando-se uma das melhores profissionais da sua área. Contudo, o destino foi cruel novamente com ela… Bárbara tinha uma noiva que ela amava mais que qualquer outra coisa na vida, talvez mais do que a si própria, porém ela sofreu a maior das decepções quando pegou sua noiva na cama com aquele que se dizer ser seu melhor amigo, além de parceiro de corporação. Desde então, ela decidiu largar o trabalho e viver em uma solidão sem fim. Ela costumava dizer que trabalhando sozinha não precisaria confiar em ninguém. Atualmente ela segue trabalhando em casos particulares, mas seu sucesso é bem visto por todos os poderosos, e isso a torna uma mulher bem requisitada em diversos tipos de trabalho, por isso eu tinha certeza que o melhor que eu podia oferecer para Hanna e Gabriela, era trazê-la para nos ajudar.

 

Dias depois

 

– Que inferno! – Olhei assustada para Hanna quando ela berrou na sala do meu apartamento onde todas nós estávamos reunidas. – Eu não consigo acreditar que estou vivendo tudo isso.

– Ei, calma minha irmã. Você não pode se entregar desse jeito ao desespero. 

– É exatamente isso que ele quer, Hanna. Quer que você se desestabilize. – Renata se aproximou da minha namorada e a puxou para um abraço. 

– Eu só não aguento esse silêncio. Ele manda essas coisas e depois de dias some. É como uma brincadeira para ele, enquanto isso eu não sei nem mesmo se está me seguindo. – Ela sentou na cadeira e lágrimas escorreram por sua face. – Eu não estou mais aguentando não saber quando será o próximo passo, nem o que vai acontecer. 

Fui em direção à minha namorada e abaixei diante dela atraindo sua atenção para mim.

– Eu te prometo que tudo isso vai passar e vamos nos livrar desse canalha. Talvez eu esteja te pedindo muito, mas eu preciso que seja forte para podermos passar por isso e vencer essa batalha. Você precisa ser forte não só por você, mas pela Gabi e por mim.

Acho que apelei em envolver Gabriela, mas eu precisava trazer Hanna de volta à sanidade naquele momento.

Senti seus braços envolvendo meu pescoço e suas lágrimas molharem a minha blusa. Meu coração partia em vê-la desse jeito, mas eu entendia que naquele momento era preciso que ela chorasse e deixasse extravasar toda a dor, era preciso isso para só então ela reencontrar suas forças em meio ao caos. 

Ainda abraçada com Hanna, busquei meu olhar das minhas amigas que nos olhavam penalizadas e sem saber o que fazer. Elas certamente sentiam a dor que Hanna estava sentindo, e de certa forma isso era bom, saber que não estávamos sozinhas era um incentivo para enfrentar o que tivéssemos que enfrentar. 

Depois de um tempo, Hanna foi se acalmando e já não chorava mais, apesar de estar bastante abatida. A trouxe para meu colo e fiquei ali fazendo carinho em seus cabeços enquanto sua cabeça repousava em meu peito. 

– Dani, você conseguiu organizar tudo que te pedi?

– Sim! O apartamento já está pronto para ser utilizado por sua amiga. 

– Isso é ótimo. Ela teve problemas com uma documentação e por isso só vai chegar ao Brasil, na madrugada do domingo. Será que você poderia ir esperá-la no aeroporto e levá-la direito para o apartamento?

– Porr*, Marcela. De madrugada? Essa sua amiga já chega dando trabalho. – Mostrei um olhar mortal para Daniela que logo continuou. – Mas pode contar comigo. Por vocês eu faço tudo. Não sabe que amo vocês?

– Daniela Gaspar, você faça o favor de ser educada com a Bárbara. – A baixinha fez uma cara de ofendida, mas eu sabia que era puro deboche. – E vou te dar um conselho, não vai com suas cantadas baratas para ela, não. Caso contrário, você pode se arrepender. – Alertei e vi uma sobrancelha de Daniela ser erguida, me fazendo ficar arrependida de confiar a ela aquela missão.

– Em primeiro lugar, que eu não tenho cantadas baratas, eu tenho charme. Em segundo, eu me garanto meu bem. É difícil alguém resistir a essa deusa aqui. E em terceiro, você fala dessa mulher como se ela fosse uma Cleópatra. Aliás, você esqueceu que eu não costumo me deixar levar por tão pouco?

Gargalhei alto quando ouvi o pouco caso presente na voz de Dani. Sem dúvidas aquilo seria algo que eu faria questão de lembrar depois que ela conhecesse Bárbara. 

– Dani, Dani... Pobre Dani. Quando você vir o pedaço de mau caminho que a Bárbara é, eu tenho... – Senti meu braço arder com os vários tapas que Hanna distribuía naquela região. – Ai amor, isso dói.

– Você é uma idiota, Marcela Bettencourt. – Os olhos de Hanna que estavam vermelhos pelo choro de outra hora, agora pareciam queimar minha pele. – Escute bem o que eu vou te falar, porque só vou avisar uma vez… Eu não quero ver você de gracinha para cima dessa mulher, porque senão eu mando ela de volta para Portugal com passagem só de ida. Entendeu bem? 

Sentia como se meus olhos fossem pular para fora a qualquer momento, do tanto que estavam arregalados.

– Cla... Claro meu amor. – As outras riam de mim, e Hanna estava com um bico enorme na cara. – Você sabe que não precisa se preocupar, eu sou apenas sua. – Puxei Hanna de volta para meu colo, dando beijos nos seus ombros e em sua nuca. 

– Mas é muito trouxa mesmo. Está para nascer mulher que me domine desse jeito. – Daniela falou debochada. 

 – Credo, vão começar com essa saliência? Vocês podem fingir pelo menos que respeitam minha presença? – Micaela reclamou cruzando os braços. 

– Já passamos dessa época, cunhadinha. 

– Você tá muito ousada mesmo. Perdeu até o medo da rabugenta da Micaela. – Daniela debochou, e Micaela apenas revirou os olhos. 

– No dia que eu te vir apaixonada, eu juro que você vai se arrepender de cada gracinha que você faz. – Os olhos de Micaela eram puro desafio. 

Ficamos as cinco ali conversando e sorrindo das palhaçadas da Daniela. Pela primeira vez desde que tudo começou, conseguimos ter um momento em paz, conversando e sorrindo entre amigas. Depois que nossas amigas e minha cunhada foram embora fiquei sozinha com Hanna em meu apartamento. Gabriela tinha ido passear com Robson, e iria dormir na casa da tia naquela noite. Nosso segurança tinha sido dispensado, já que meu condomínio era bastante seguro, então aproveitei aquele momento para curtir um pouco minha namorada e tentar fazer com que ela relaxasse.

– Finalmente sozinhas. – Abracei a cintura de Hanna ficando por trás do seu corpo.

– Parece que sim. – Foi o que ela disse com aquela voz que me deixava louca. 

– Você está muito tensa. Eu quero cuidar de você essa noite. – Falei beijando seus ombros e guiando Hanna até meu quarto.

– O que pretende fazer comigo? – Sua voz rouca já denunciava o desejo que ela sentia.

– Deita aqui que eu já volto. 

Coloquei Hanna na cama e fui para o banheiro onde preparei a banheira com a água do jeito que a agradava. Depois de deixar tudo pronto, voltei para o quarto e a trouxe para junto do meu corpo. Claro que aproveitei aquela situação para roubar um beijo enquanto tirava sua roupa deixando aquele corpo lindo à mostra só para mim. Olhei seu corpo e acariciei cada pedacinho dele sentindo esquentar quando sua pele encontrou a minha. 

Levei Hanna para o banheiro entre beijos e carinhos que a fazia suspirar, o que me deixava feliz por causar aquelas sensações mesmo em meio a tensão. Quando chegamos ao banheiro, tirei minhas roupas sob o olhar atento e faminto da minha namorada, que me encarava com desejo. Entrei na banheira e fiz um sinal chamando por ela, que não demorou em aceitar o convite. Coloquei Hanna entre minhas pernas e iniciei uma massagem em seus ombros e costas fazendo-a relaxar. 

– Nossa amor, isso está muito bom. – Beijei sua nuca ao ouvir isso e vi quando seus pelos arrepiaram. 

– Quero te deixar relaxada, meu amor. 

Hanna nada disse, apenas deitou e encaixou mais seu corpo junto ao meu, deixando sua bunda grudar em minha intimidade que pulsou com aquele contato. Distribuí beijos por seu pescoço enquanto continuava aquela massagem que descia por sua coluna e voltava em direção aos ombros.

– Sabia que sou louca pelo seu corpo? – Sussurrei em seu ouvido. – Adoro sentir sua pele macia em minhas mãos. – Deixei minhas mãos escorregarem para sua barriga. – O seu cheiro é como uma droga que me deixa alucinada. – Minhas mãos subiram para seus seios que já estavam com o mamilo rígido. Espalmei em cada um deles apertando levemente.

– Você me deixa louca de desejo assim. 

– A intenção é te relaxar, mas se você ficar louca de desejo estou aqui para te satisfazer como você quiser.

– Então pode começar me beijando.

Hanna ordenou e se virou de frente para mim ficando com as pernas enlaçadas na minha cintura. Aquela posição era perfeita, porque assim nossos sex*s se tocavam embaixo d’água enquanto nos beijávamos sem pressa. Era um beijo calmo e apaixonado onde podíamos explorar nossas bocas de uma forma deliciosa sem lembrar por um momento o caos que nos aguardava lá fora.

Naquela noite eu teria Hanna muitas vezes, assim como seria dela também. Nossos corpos precisavam dessa aproximação, nosso desejo precisava ser saciado e de fato foi por muitas vezes seguidas sem nos importarmos com o amanhã. Naquele momento nada nem ninguém existia, éramos apenas eu e Hanna nos amando intensamente.

Fim do capítulo


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