Olá pessoal
Desculpem pelo sumiço, estamos quase na reta final da história.
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CAPITULO 18 – VOCÊ É MINHA ESOLHA
Após se recompor do intenso momento no carro, Julianne se ergueu de cima de Camilla, ajeitou a roupa com cuidado, ainda arfando e soltando leves gemidos quando sentiu os resquícios do prazer da médica escorrerem por suas pernas. Camilla, observando cada gesto, gem*u baixo com a ausência, e disse com firmeza e um toque de cuidado:
— Tem lenço umedecido no porta-luvas, pega.
Julianne obedeceu, pegando o lenço e limpando-se rapidamente, enquanto Camilla pegava alguns também, passando delicadamente pela glande e gem*ndo, sentindo a sensibilidade que ainda ardia.
Depois do cuidado com a higiene, a médica deu partida no carro e colocou o veículo em movimento, mantendo a mão discretamente sobre a coxa de Julianne, que se encolhia de prazer e expectativa. O clima dentro do carro era carregado de tensão, olhares intensos e respirações entrecortadas.
Durante o trajeto, Camilla quebrava o silêncio com provocações baixas e sussurros quentes:
— Não garanto me controlar quando chegar no apartamento, Juh.
Julianne corou, mordendo o lábio e desviando o olhar, mas não podia esconder o desejo que ainda queimava em seu corpo.
Ao chegarem ao apartamento, Camilla destravou a porta, segurou Julianne pela cintura e a puxou suavemente para dentro. O aroma de Camilla e o calor do momento ainda pairavam no ar, e o corpo da enfermeira se moldava ao da médica, ansioso pelo que ainda estava por vir.
O ambiente do apartamento estava arrumado e sofisticado, mas naquele instante, só importava o contato íntimo entre as duas. Camilla guiou Julianne para a sala, mantendo o toque firme e provocativo, aproximando os corpos enquanto a submissa ofegava, entregue à dominância da loira.
No corredor iluminado apenas pelas luzes indiretas do apartamento, Camilla segurava firme a cintura de Julianne, guiando-a com passos tropeçados e beijos cheios de urgência. Os corpos se chocavam contra as paredes, mãos deslizando por curvas já conhecidas pela imaginação e agora finalmente reais.
— Prometo te apresentar cada parte do apartamento amanhã... — Camilla murmurou entre beijos quentes, sua voz rouca e dominadora. — Mas hoje, eu só quero você.
Julianne deixou escapar um gemido suave, as mãos firmes no rosto da loira, tentando controlar a própria respiração acelerada. Entre um beijo e outro, falou com dificuldade:
— Temos plantão logo cedo... não podemos exagerar.
Camilla sorriu contra os lábios da enfermeira, a expressão travessa de quem já tinha tudo planejado. Com um olhar intenso, respondeu:
— Não... tomei a liberdade de te dar um dia de folga... que será comigo.
Julianne arregalou os olhos, interrompendo o beijo, o coração disparado não só pelo desejo, mas também pela surpresa. Afasta-se alguns passos, ainda ofegante, com uma mistura de choque e ternura no olhar.
— Amooor, meu Deus... não! — disse, levando a mão à boca, como se não acreditasse no que acabara de ouvir.
Camilla ergueu uma sobrancelha, divertida, e deu dois passos lentos na direção dela, como uma caçadora que se diverte com a presa.
— Não o quê? — perguntou, a voz grave, provocadora. — Vai mesmo desperdiçar a oportunidade de ser minha... sem pressa, sem relógio, só nós duas?
Julianne, ainda atônita, balançava a cabeça, tentando manter a razão, mas seu corpo denunciava o oposto — o peito subindo e descendo rápido, as pernas trêmulas e os olhos queimando de desejo.
No corredor silencioso do apartamento, Julianne tentava recuar, mas cada passo era bloqueado por Camilla. A médica segurava a cintura da enfermeira com firmeza, aproximando seus corpos de forma que o calor de cada uma se tornava insuportável.
— Juh... — murmurou Camilla, a voz rouca e cheia de desejo. — Eu só quero você. Hoje, agora, só eu e você... sem relógio, sem plantão, sem ninguém nos interrompendo.
Julianne ofegava, as mãos pousadas nos braços da loira, tentando se manter firme. — Camilla... não podemos... o que vão pensar de mim, de você...temos responsabilidades...
Camilla sorriu, lenta e sedutora, aproximando o rosto do pescoço da enfermeira, espalhando beijos e ch*pões suaves que deixavam Julianne trêmula. Suas mãos deslizavam pelas costas, pressionando e guiando cada curva do corpo da mulher. — Eu sei, meu amor… mas hoje, você merece relaxar… merece sentir prazer sem pressa, sentir que é minha… só minha, então...não me importo com a opinião de ninguém.
Julianne arfava, tentando resistir, mas cada toque, cada sussurro de Camilla, fazia suas defesas derreterem. — Camilla… eu… — gaguejou, a voz falhando entre gemidos baixos, sentindo a mão da médica passear por sua cintura, coxas e quadris, segurando-a firme.
— Shhh… — disse Camilla, envolvendo o rosto da enfermeira com as mãos e inclinando-se para beijá-la com urgência e cuidado ao mesmo tempo. — Só me deixa te cuidar, Juh… eu prometo que será doce, intenso, como você gosta.
As pernas de Julianne tremeram, e ela finalmente cedeu, encostando o corpo inteiro em Camilla, entregando-se à sensação de ser desejada e protegida ao mesmo tempo. Gemidos baixos escapavam dela, misturados ao sussurro de palavras de prazer e carinho da médica.
— Você é minha… só minha, entende? — Camilla sussurrou, percorrendo a nuca e os ombros de Julianne com as mãos, espalhando arrepios por todo o corpo dela. — Não precisa resistir, meu amor. Hoje é só você, só eu… só nós.
Julianne, agora entregue, deixou escapar um suspiro longo e quente, aproximando o rosto de Camilla e murmurando: — Eu… eu sou sua…
— Você percebe o que faz comigo? — sussurrou Camilla.
Julianne tentou manter a postura, mas o calor da voz dela perto do seu ouvido fez sua pele arrepiar.
— Eu devia ir embora… — murmurou, sem muita convicção.
Camilla parou de andar.
Virou Julianne de frente para ela.
Segurou delicadamente o queixo da enfermeira entre os dedos.
— Não devia — respondeu em voz baixa.
Os olhos das duas se prenderam.
O apartamento estava silencioso, iluminado apenas pelas luzes suaves da sala.
Camilla passou o polegar lentamente pelo lábio inferior de Julianne, observando a forma como ela prendia a respiração.
— Você sempre tenta resistir… — disse com um leve sorriso. — Mas eu sei exatamente quando você já decidiu ficar.
Julianne soltou uma pequena risada nervosa.
— Você é impossível.
— E você continua aqui.
Camilla então voltou a caminhar, guiando-a pelo corredor.
Agora seus dedos deslizavam pela parte inferior das costas de Julianne, mantendo-a próxima, quase colada ao corpo dela. Em alguns momentos, a médica inclinava o rosto para perto do pescoço da enfermeira, respirando o perfume dela.
Julianne sentia o coração acelerar.
Cada passo parecia aumentar a tensão entre as duas.
Quando chegaram à porta do quarto, Camilla parou novamente.
Virou Julianne lentamente para encará-la.
Seus dedos subiram pelo braço da enfermeira até alcançar a nuca, segurando-a com firmeza, mas com cuidado.
— Aqui — disse em voz baixa.
Julianne olhou para a porta, depois voltou o olhar para Camilla.
— Você planejou tudo isso, não foi?
Camilla abriu um sorriso pequeno.
— Cada detalhe.
Então aproximou o rosto do dela.
Os lábios se tocaram primeiro de forma suave… mas rapidamente o beijo se tornou mais profundo, carregado de desejo acumulado.
As mãos de Camilla desceram novamente pela cintura de Julianne, trazendo-a para mais perto enquanto a conduzia para dentro do quarto.
A porta se fechou atrás delas.
E o ar parecia ainda mais quente.
Camilla apoiou a testa na de Julianne por um instante, respirando fundo.
— Agora… — murmurou — ninguém vai nos interromper.
Julianne sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro.
E dessa vez… ela não tentou resistir.
A luz suave do abajur deixava o ambiente quente e acolhedor, criando um contraste perfeito com a tensão que crescia entre as duas.
Julianne ainda estava de pé diante da cama, respirando um pouco mais rápido. O vestido brilhava sob a iluminação suave do quarto, refletindo pequenos pontos de luz que dançavam pelo tecido.
Camilla se aproximou lentamente.
Não havia pressa em seus movimentos.
A médica ergueu uma das mãos e deslizou os dedos pelo ombro de Julianne, sentindo a pele quente sob o toque. Seus olhos percorriam cada detalhe da enfermeira como se quisesse gravar aquela imagem na memória.
— Você está linda… — murmurou, com a voz baixa.
Julianne sorriu de leve, um pouco sem jeito com a forma intensa como Camilla a observava.
— Você também sabe elogiar quando quer…
Camilla aproximou ainda mais o corpo.
— Eu sempre sei exatamente o que quero.
Seus dedos foram até as alças finas do vestido de Julianne. Com delicadeza, ela as deslizou pelos ombros da enfermeira. O tecido dourado começou a ceder lentamente, escorregando pela pele dela.
Julianne manteve os olhos fixos nos de Camilla enquanto o vestido descia.
Camilla acompanhava cada centímetro do movimento com calma, como se estivesse saboreando o momento.
O vestido caiu suavemente no chão.
Por alguns segundos, Camilla apenas observou.
Seus olhos desceram pelo corpo de Julianne, passando pelo colo, pela cintura e pelas curvas da enfermeira. Havia admiração ali, mas também desejo contido.
Ela então aproximou as mãos da cintura de Julianne e a guiou lentamente até a cama.
— Deita… — disse em tom suave, mas firme.
Julianne obedeceu.
Sentou-se primeiro na borda do colchão e depois se acomodou de costas, observando Camilla que agora começava a tirar suas próprias roupas.
A médica abriu lentamente os botões da blusa de cetim preto. O tecido deslizou pelos braços fortes antes de cair no chão ao lado do vestido de Julianne.
A luz do quarto realçava os contornos definidos do corpo dela.
Camilla retirou a calça em seguida, permanecendo apenas com a cueca.
Por um instante, ela permaneceu parada ao lado da cama, observando Julianne deitada ali.
Então subiu no colchão.
A médica se inclinou sobre ela com cuidado, apoiando uma das mãos ao lado da cabeça da enfermeira enquanto o outro braço envolvia suavemente a cintura dela.
Seus corpos se alinharam.
Julianne sentiu o calor do corpo de Camilla sobre o seu, o peso firme e ao mesmo tempo protetor.
Os rostos estavam próximos.
As respirações se misturavam.
Camilla levou a mão até o rosto de Julianne, afastando uma mecha de cabelo que caía sobre seus olhos.
— Você ainda quer fugir? — perguntou em tom baixo, quase provocador.
Julianne sorriu, respirando fundo.
— Não…
Camilla inclinou o rosto e encostou os lábios nos dela, iniciando um beijo lento, profundo, cheio de intenção.
A mão da médica deslizou pela lateral do corpo de Julianne, desenhando o contorno da cintura até chegar às costas da enfermeira, puxando-a um pouco mais para perto.
Os corpos agora estavam completamente conectados, encaixados um contra o outro.
Julianne passou os braços pelo pescoço de Camilla, segurando-a ali enquanto o beijo se aprofundava.
Havia desejo, mas também algo mais suave naquele momento — uma mistura de entrega, confiança e intimidade.
Camilla afastou os lábios por um instante, apoiando a testa na de Julianne.
— Hoje… — sussurrou — você é só minha.
Julianne fechou os olhos por um segundo, sentindo um arrepio percorrer o corpo.
E quando voltou a encará-la, havia um brilho de entrega no olhar.
— Então não me solta… — respondeu, em voz baixa.
Camilla sorriu.
E a puxou novamente para um beijo demorado, enquanto seus corpos permaneciam unidos sobre a cama, mergulhados naquele misto intenso de desejo, calor e conexão.
A noite entre as mulheres foi intensa.
Por volta das treze horas, Julianne acordou ainda sonolenta, enrolada nos lençóis da cama. Espreguiçou-se devagar e, ao virar o rosto, encontrou Camilla dormindo profundamente ao seu lado.
Ficou alguns minutos apenas observando.
A médica dormia de lado, com a respiração tranquila, os cabelos loiros um pouco bagunçados sobre o travesseiro. A expressão, normalmente firme e segura, agora parecia serena, quase inocente.
Julianne apoiou a cabeça na mão, encantada.
Um verdadeiro filme passou por sua mente: tudo o que havia vivido com Camilla desde que se aproximaram. As provocações no hospital, os olhares trocados nos corredores, as conversas cheias de tensão e desejo… e, principalmente, a forma como a médica conseguia ser ao mesmo tempo intensa, misteriosa e incrivelmente cuidadosa.
Camilla era um misto de mistério e algo mais que nem ela própria conseguia descrever.
Havia algo na médica que a deixava curiosa, envolvida… e perigosamente apaixonada.
Julianne suspirou baixinho.
Sem perceber, estendeu a mão e começou a acariciar suavemente o braço de Camilla, deslizando os dedos pela pele quente.
O toque fez a médica se mexer levemente.
— Humm… — murmurou Camilla, ainda de olhos fechados.
Julianne sorriu.
— Desculpa… te acordei?
Camilla abriu os olhos devagar, ainda com a expressão sonolenta. Levou alguns segundos para focar o olhar em Julianne.
E quando percebeu quem estava ali, um sorriso preguiçoso apareceu em seu rosto.
— Bom… se for para acordar e ver você desse jeito… não é exatamente um problema.
Julianne riu baixinho.
— Desse jeito como?
Camilla ergueu um pouco a cabeça, analisando-a.
— Despenteada… com cara de quem acabou de acordar… e ainda enrolada nos meus lençóis.
A enfermeira fingiu indignação.
— Seus lençóis?
Camilla deu de ombros, divertida.
— Tecnicamente, o apartamento é meu.
— Ah, então quer dizer que eu sou só uma hóspede?
Camilla se aproximou lentamente, apoiando o braço ao lado de Julianne na cama.
— Não exatamente.
Seus olhos desceram brevemente pelo rosto da enfermeira antes de voltar a encará-la.
— Você está mais para… uma visitante muito especial.
Julianne tentou manter a expressão séria, mas acabou sorrindo.
— Você tem respostas prontas para tudo, não tem?
— Não para tudo — respondeu Camilla, aproximando-se um pouco mais. — Só para aquilo que realmente importa.
O clima entre as duas ficou silencioso por um momento, mas não era um silêncio desconfortável. Era aquele tipo de pausa cheia de significado.
Julianne passou a mão pelos cabelos, ainda meio bagunçados.
— Que horas são?
Camilla esticou o braço para pegar o celular na mesa de cabeceira.
— Uma da tarde.
Julianne arregalou os olhos.
— O quê?!
Camilla começou a rir.
— Relaxa… eu já tinha avisado que hoje era dia de folga.
— Eu achei que você estava brincando!
— Eu nunca brinco com coisas importantes.
Julianne balançou a cabeça, ainda incrédula.
— Camilla… você simplesmente decidiu que eu não ia trabalhar hoje?
— Basicamente, sim.
— Você é impossível.
— Talvez.
Camilla então puxou Julianne pela cintura, aproximando-a novamente.
— Mas você ainda está aqui.
Julianne sentiu o rosto esquentar um pouco.
— Talvez porque você seja difícil de ignorar.
Camilla sorriu com satisfação.
— Eu sabia.
Julianne rolou os olhos, mas logo começou a rir também.
— Convencida.
— Apenas realista.
Por alguns instantes, as duas permaneceram ali, deitadas, conversando com calma, trocando pequenos toques e sorrisos.
Do lado de fora do quarto, a luz da tarde atravessava as cortinas do apartamento, iluminando suavemente o ambiente.
Era um daqueles momentos raros em que o tempo parecia passar devagar.
E, pela primeira vez em muito tempo, Julianne percebeu que não queria estar em nenhum outro lugar.
Um certo tempo depois, a barriga de Julianne começou a roncar discretamente. O som quebrou o silêncio tranquilo do quarto.
Camilla abriu um sorriso largo e soltou uma gargalhada baixa.
— Parece que o seu dragãozinho está com fome — provocou ela, com a voz ainda rouca de sono.
Julianne arregalou os olhos, completamente sem jeito.
— Camilla! — reclamou, levando a mão ao estômago, como se quisesse esconder o barulho.
A médica continuava sorrindo, claramente divertida com a situação.
— Relaxa, isso só significa que alguém precisa ser alimentada.
Envergonhada, Julianne se levantou rapidamente da cama. Olhou em volta procurando alguma coisa para cobrir o corpo e encontrou uma camisa social de Camilla jogada sobre uma cadeira.
Pegou a peça e a vestiu.
A camisa ficou larga em seu corpo, as mangas compridas demais e o tecido caindo até metade das coxas. O cheiro do perfume de Camilla ainda estava impregnado no tecido, o que fez Julianne sorrir de forma involuntária.
Sem dizer nada, ela saiu do quarto e seguiu em direção à cozinha do apartamento.
Camilla observou a cena com um olhar divertido e um certo carinho.
— Olha só… — murmurou para si mesma. — Já está roubando minhas roupas.
Ela também se levantou da cama. Abriu a gaveta da cômoda e pegou uma cueca e um top, vestindo-se rapidamente. Seus cabelos ainda estavam levemente bagunçados, e havia um ar relaxado em sua expressão.
Depois de se vestir, seguiu pelo corredor em direção à cozinha.
Quando chegou lá, encontrou Julianne parada diante da bancada, olhando curiosa para o ambiente.
A cozinha era ampla e moderna, com armários em tons claros, uma grande ilha central e janelas que deixavam entrar a luz suave da tarde.
Julianne abriu a geladeira e ficou alguns segundos analisando o que havia dentro.
— Estou oficialmente invadindo sua casa e mexendo na sua geladeira — comentou ela, sem olhar para trás.
Camilla encostou-se no batente da porta, cruzando os braços e observando a enfermeira com um sorriso tranquilo.
— Tecnicamente, você tem autorização.
Julianne virou o rosto para ela.
— Ah, tenho?
— Tem.
Camilla caminhou lentamente até a ilha da cozinha.
— Principalmente depois de ter passado a noite inteira aqui.
Julianne sentiu o rosto esquentar e desviou o olhar para dentro da geladeira novamente.
— Você adora me deixar sem graça, né?
Camilla apoiou as mãos na bancada, aproximando-se um pouco mais.
— Eu adoro ver suas reações.
Julianne pegou uma garrafa de suco e colocou sobre a bancada.
— Acho que estou com fome de verdade.
— Ótimo — respondeu Camilla. — Porque eu também estou.
A médica abriu um dos armários e pegou duas taças.
— O que você prefere? Café da manhã atrasado… ou almoço antecipado?
Julianne pensou por um momento.
— Algo simples já está ótimo.
Camilla abriu um sorriso.
— Então hoje você vai conhecer um dos meus poucos talentos domésticos.
Julianne arqueou a sobrancelha.
— Poucos talentos?
— Ei… eu sou médica, não chef.
A enfermeira começou a rir.
— Estou curiosa agora.
Camilla pegou alguns ingredientes da geladeira enquanto falava.
— O máximo que posso prometer é que você não vai passar fome.
Julianne sentou-se em um dos bancos altos da ilha da cozinha, observando Camilla se movimentar pelo ambiente.
Por um momento, ficou apenas ali, assistindo.
Havia algo extremamente reconfortante naquela cena simples: Camilla andando pela cozinha, preparando algo para comer, a luz da tarde iluminando o apartamento.
Julianne apoiou o queixo na mão e falou, quase sem perceber:
— Sabe… eu nunca imaginei que você fosse assim.
Camilla parou por um instante e olhou para ela.
— Assim como?
Julianne deu de ombros, sorrindo.
— Mais… leve.
Camilla ficou alguns segundos em silêncio, depois voltou a preparar a comida.
— Talvez seja porque você ainda não me viu em um plantão de doze horas.
Julianne riu.
— Não, não é isso.
Ela fez uma pequena pausa.
— É só que… com você, tudo parece intenso. Mas agora… está tranquilo.
Camilla colocou dois pratos sobre a bancada e empurrou um deles em direção à enfermeira.
— Às vezes intensidade e tranquilidade podem existir juntas.
Julianne pegou o garfo.
— Eu estou começando a perceber isso.
As duas trocaram um olhar silencioso.
E naquele instante simples entre comida, risadas e conversas leves algo entre elas parecia se tornar ainda mais real.
O relógio marcava quase três da manhã, mas dentro do hospital o tempo parecia não existir.
Luzes brancas, passos apressados, vozes sobrepostas e o som contínuo de monitores cardíacos criavam uma sinfonia caótica que já não surpreendia Camilla, mas, naquela noite, tudo parecia mais intenso.
Mais pesado. Mais urgente.
— Dra. Camilla! Por favor comparecer a sala dois com urgência. — a voz de uma enfermeira ecoou pelo corredor.
Ela nem respondeu. Apenas girou nos calcanhares, já retirando as luvas que usava enquanto caminhava rapidamente. O jaleco, antes impecável, agora carregava marcas do plantão — pequenas manchas, dobras, sinais claros de horas sem pausa.
Ao entrar na sala, o cenário era crítico.
Um paciente em estado grave, respiração irregular, equipe tensa ao redor.
— Saturação caindo! — alguém anunciou.
Camilla se aproximou imediatamente, os olhos focados, a expressão completamente diferente da mulher leve e irônica fora dali. Ali, ela era firme. Precisa. Intocável.
— Ventilação assistida. Agora. — Ordenou, já assumindo o controle da situação.
Seus movimentos eram rápidos, calculados. Cada decisão vinha sem hesitação, como se seu corpo já soubesse o que fazer antes mesmo do pensamento se formar.
O caos ao redor diminuía quando ela assumia.
Sempre diminuía.
Minutos pareciam horas.
O suor escorria pela lateral do rosto, mas ela não se permitia parar.
— Pressão estabilizando… — disse alguém, com um leve alívio na voz.
Camilla só relaxou quando teve certeza.
Quando o perigo imediato passou.
Quando o paciente finalmente respondeu.
Ela deu um passo para trás, respirando fundo, passando a mão pelo rosto.
Mas não havia tempo. Nunca havia.
— Camilla, emergência chegando! Acidente de trânsito, múltiplas vítimas!
Ela fechou os olhos por um breve segundo.
Só um. Então voltou.
— Preparar sala três.
E o ciclo recomeçou.
As horas seguintes foram um borrão de adrenalina e exaustão.
Sangue. Gritos.
Decisões rápidas demais para serem processadas.
Um erro ali poderia custar uma vida.
E isso era algo que Camilla nunca permitia esquecer.
Em um dos momentos mais tensos, um dos pacientes entrou em parada.
— Parada cardiorrespiratória!
O som do monitor se tornando contínuo cortou o ambiente.
Camilla se posicionou imediatamente.
— Iniciando compressões!
Seu corpo se movia com precisão, ritmo firme, sem margem para falha.
Um. Dois. Três.
— Carregar desfibrilador!
O ambiente ficou em silêncio por um segundo.
— Afastem!
O choque foi aplicado.
Nada.
— De novo!
O segundo choque fez o corpo do paciente reagir levemente.
Mas ainda não era suficiente.
Camilla não desistiu.
Nunca desistia.
— Vamos! — sua voz saiu mais firme, quase exigindo que a vida voltasse.
Mais compressões. Mais segundos que pareciam eternos.
Até que...
— Ritmo retornando!
O som do monitor voltou.
Irregular. Mas vivo.
O ar pareceu voltar ao ambiente.
Alguém soltou um suspiro aliviado.
Camilla apenas fechou os olhos por um instante, sentindo o peso daquele momento atravessar seu corpo.
Mais uma vida.
Mas a que custo?
Ela recuou devagar, tirando as luvas, jogando-as no lixo com um movimento automático.
As mãos tremiam levemente.
Cansaço. Adrenalina. Ou talvez os dois.
Quando finalmente saiu do hospital, o céu já começava a clarear.
Um tom suave de azul surgia no horizonte, contrastando com a noite longa que ela havia enfrentado.
Camilla parou por um instante do lado de fora, inspirando profundamente o ar fresco da madrugada.
Silêncio. Finalmente silêncio.
Mas dentro dela… ainda era barulho.
Passou a mão pelos cabelos, soltando um suspiro longo.
O corpo doía. A mente ainda corria.
Mas havia algo que a puxava de volta. Julianne.
O pensamento nela foi suficiente para suavizar sua expressão.
Mesmo no meio do caos, ela havia surgido em sua mente algumas vezes durante o plantão.
Um pensamento rápido. Um refúgio. Um motivo.
Camilla caminhou até o carro, entrando e encostando a cabeça no banco por alguns segundos antes de ligar.
— Dois dias… — murmurou para si mesma.
Um leve sorriso surgiu, apesar do cansaço.
Mas junto com ele…
Veio o peso. Responsabilidade. Mudança.
Ela respirou fundo. E deu partida.
A cidade ainda despertava quando Camilla chegou à rua de Julianne.
As casas silenciosas, poucas luzes acesas, o clima calmo contrastando completamente com o caos que ela havia acabado de deixar para trás.
Ela estacionou em frente à casa, desligando o carro.
Ficou ali por alguns segundos.
Observando. Pensando. Sentindo.
Era estranho como dois mundos tão diferentes faziam parte da mesma vida.
O hospital… e Julianne.
Caos… e paz.
Camilla pegou o aparelho telefônico e discou os números de Julianne.
Tocou apenas duas vezes e logo a voz da mulher que ela ansiava ouvir surgiu.
— Cheguei amor. — Camilla falou para Julianne
— Oi meu bem. Estou indo.
A ligação foi finalizada em seguida.
Minutos depois, Julianne surgiu saindo pela porta de sua casa e caminhando até o carro de Camilla.
A mulher entrou no automóvel sorridente, beijou os lábios da médica com todo amor e carinho.
— Oi amor. Que saudade — Sorrio para Camilla — Você parece tão cansada.
— Foi um plantão exaustivo. Preciso muito descansar e ficar com você.
— Imagino. Te farei uma massagem deliciosa quando chegarmos no seu apartamento.
— Nosso! — Camilla foi direta.
— Enquanto a gente não estiver casadas. Ele continua sendo somente seu. — Soltou uma gargalhada baixa.
Camilla sorriu balançando a cabeça em negação e deu partida no carro. Seguindo para o apartamento.
Minutos depois, o som da porta se fechando ecoou pelo apartamento silencioso como um suspiro cansado.
Camilla apoiou a testa por alguns segundos na madeira, os olhos fechados, respirando fundo, como se estivesse tentando deixar do lado de fora o peso do plantão. O cheiro leve de lavanda do ambiente contrastava com o cansaço que ainda impregnava seu corpo.
Julianne entrou logo atrás, retirando os sapatos com movimentos lentos. Havia algo inquieto dentro dela… algo que ela não conseguia nomear, mas que agora parecia crescer.
— Plantão puxado… — murmurou Julianne, passando a mão pela nuca, caminhando até o sofá.
— Como sempre — respondeu Camilla, soltando os cabelos presos, deixando-os cair pelos ombros. — Mas hoje… foi além.
O silêncio que se seguiu não era confortável.
Era carregado. Camilla percebeu. Ela sempre percebia.
Virou-se devagar, os olhos atentos encontrando Julianne, que agora estava sentada, olhando para o nada.
— O que foi? — perguntou, com a voz mais baixa, mais cuidadosa.
Julianne demorou alguns segundos para responder. Seus dedos se entrelaçavam inquietos.
— Nada… — disse, mas sem convicção.
Camilla soltou um suspiro leve, caminhando até ela. Parou à sua frente, analisando cada detalhe do rosto da mulher que amava.
— Você nunca fica assim por nada. — Deu ênfase na palavra nada.
Julianne levantou os olhos, encontrando os dela. Havia algo ali. Insegurança. Medo.
E isso fez o peito de Camilla apertar.
— Eu… — Julianne hesitou, mordendo levemente o lábio inferior. — Posso te perguntar uma coisa?
Camilla não se afastou. Pelo contrário, deu um passo a mais, diminuindo qualquer espaço entre elas.
— Você pode me perguntar qualquer coisa.
A sinceridade na voz dela era firme. Sem dúvidas. Sem hesitação.
Mas Julianne ainda parecia travar.
Ela respirou fundo.
— Você… — começou, a voz quase falhando. — Você realmente quer casar comigo?
O silêncio caiu como um impacto.
Camilla não esperava aquilo.
Não daquela forma.
Seus olhos suavizaram imediatamente.
— Julianne…
— Não… — ela interrompeu, levantando-se de uma vez, começando a andar de um lado para o outro. — Me responde com sinceridade, sem tentar me proteger, sem… sem dizer o que eu quero ouvir.
Camilla acompanhava cada passo dela, atenta.
— Eu preciso saber se você tem certeza. De verdade.
Julianne parou, virando-se de frente para ela novamente.
Os olhos estavam brilhando.
Não de raiva.
De medo.
— Porque isso é… é grande demais, Camilla. Não é só sobre a gente agora. É pra sempre. É sobre assumir tudo… tudo mesmo.
Camilla cruzou os braços, não como defesa, mas como tentativa de se conter.
— Você acha que eu não sei disso?
— Eu sei que você sabe — respondeu Camilla rapidamente. — Mas eu também sei da sua vida, do seu passado, dos seus clientes…
A palavra saiu mais pesada do que ela queria.
Camilla não desviou o olhar.
— Fala.
— Você já pensou… — Julianne engoliu seco — em como vai ser quando a gente estiver juntas em algum lugar… como um casal… e alguém do meu passado aparecer?
O ar pareceu ficar mais denso.
— Alguém que já teve… intimidade comigo. — Continuou, a voz mais baixa agora. — Alguém que não respeite limites… que queira se aproximar, falar coisas… tocar em mim como se ainda tivesse esse direito.
O silêncio se instalou novamente. Mas dessa vez, não era vazio. Era decisivo.
Camilla deu um passo à frente. Depois outro.
Até estar novamente perto dela.
Muito perto.
— Você acha que eu não pensei nisso?
Julianne não respondeu.
Mas seu olhar dizia tudo.
Camilla respirou fundo, passando a mão pelos cabelos.
— Eu pensei. E não foi uma vez só.
Ela deu um leve sorriso sem humor.
— Eu pensei em todos os cenários possíveis. Em todos.
Julianne permaneceu em silêncio, absorvendo cada palavra.
Camilla então ergueu o olhar, firme.
— E não, Julianne. Eu não tenho dúvida nenhuma.
A resposta veio direta.
Sólida.
Sem espaço para interpretações.
— Eu quero me casar com você.
Julianne sentiu o coração acelerar. Mas ainda não era o suficiente.
Ela precisava ouvir mais. Camilla percebeu.
— Não é impulso. Não é carência. Não é conveniência. — Continuou, a voz carregada de verdade. — É escolha. Todos os dias. Mesmo quando é difícil. Mesmo quando dói. Mesmo quando o passado tenta aparecer.
Ela se aproximou ainda mais, agora a centímetros.
— E sobre alguém aparecer…
Camilla inclinou levemente a cabeça, os olhos firmes nos dela.
— Se alguém tiver coragem de fazer isso… de ultrapassar qualquer limite…
A voz dela mudou. Ficou mais firme. Mais fria.
— Eu coloco essa pessoa no lugar dela na mesma hora.
Julianne prendeu a respiração.
— Sem hesitar.
Camilla levou a mão até o rosto dela, tocando com cuidado, em contraste com a firmeza das palavras.
— Eu sei que você não é mais aquela mulher, Julianne.
Os olhos dela suavizaram.
— E mesmo que fosse… você ainda seria minha escolha.
Julianne fechou os olhos por um instante ao sentir o toque.
— Eu não vou permitir desrespeito. Nem com você… nem com a gente.
A voz agora era mais baixa.
Mais íntima.
— Você é minha noiva.
Uma pausa.
— Vai ser minha esposa.
Outra pausa.
— E merece respeito. Acima de qualquer coisa.
Julianne abriu os olhos lentamente.
Havia lágrimas ali.
Mas também havia alívio.
— Eu tenho medo… — confessou, finalmente, a voz frágil.
Camilla não soltou o rosto dela.
— Eu sei.
— Não de você… — Julianne continuou. — Mais do que pode vir com tudo isso.
Camilla assentiu de leve.
— E você acha que eu não tenho?
Isso fez Julianne piscar, surpresa.
— Eu tenho medo de falhar com você. De não ser suficiente. De… — ela respirou fundo — de algo do meu passado te machucar.
Julianne a encarava, absorvendo aquilo.
— Mas isso não me faz querer fugir.
Camilla aproximou ainda mais o rosto.
— Me faz querer proteger.
O silêncio que se seguiu dessa vez era diferente.
Era quente.
Carregado de sentimento.
Julianne levou a mão até a de Camilla, segurando.
— Eu precisava ouvir isso.
— Então precisava perguntar.
Um pequeno sorriso surgiu entre elas.
Mas ainda havia intensidade no ar.
Julianne deu um passo à frente, colando o corpo ao dela.
— Promete?
Camilla arqueou levemente a sobrancelha.
— O quê?
— Que nunca vai me deixar me sentir… menor do que qualquer parte do meu passado.
Camilla não respondeu de imediato.
Ela apenas a puxou pela cintura, com firmeza.
— Eu prometo te fazer sentir única.
A resposta veio baixa.
Direta.
E carregada de verdade.
Julianne fechou os olhos, apoiando a testa na dela.
— Dois dias… — sussurrou.
Camilla sorriu de leve.
— Dois dias.
— E eu quase surtei hoje pensando nisso.
— Ainda dá tempo de fugir — provocou Camilla, com um leve tom de ironia.
Julianne soltou um riso fraco.
— Tarde demais.
Camilla inclinou o rosto, roçando o nariz no dela.
— Pra mim também.
O clima, que antes era pesado, agora se transformava em algo mais leve… mas ainda intenso.
Mais íntimo.
Mais verdadeiro.
Julianne respirou fundo, como se finalmente conseguisse relaxar.
— Eu te amo.
Camilla não hesitou.
— Eu sei.
Julianne abriu os olhos, fingindo indignação.
— Convencida.
— Mas eu também te amo — completou Camilla, com um sorriso discreto.
Julianne sorriu de volta.
E, pela primeira vez desde que chegaram, o peso parecia ter saído dos ombros dela.
Não porque o mundo lá fora tinha mudado.
Mas porque ali… Entre elas… tudo estava firme. Seguro.
E pronto para o próximo passo.
Fim do capítulo
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