Capitulo 12
Yelena
Ela estava tão entregue que quase me assustava. Quase.
O corpo de Victoria sob o meu era uma tentação difícil de descrever. Não era apenas carne e pele; era o peso da confiança dela, o calor da rendição que eu sentia latejar em cada músculo. Eu a dominava e sabia disso. Sentia o quanto seu corpo se curvava ao meu toque, o quanto se arqueava em resposta ao mínimo movimento. A docilidade vinha misturada com desespero, e esse contraste era tão intoxicante quanto o vinho mais forte que já provei.
Minhas mãos a percorriam como se fossem donos de cada centímetro. Não havia espaço para hesitação: eu sabia o que estava fazendo, sabia o efeito que causava. A pele dela queimava sob meus dedos, e eu me demorava de propósito, marcando com unhas e beijos, forçando seu corpo a memorizar meu toque. Queria que, mesmo sozinha, ela ainda sentisse as marcas do que fizemos.
Ela me agarrava com força, unhas cravadas nas minhas costas, puxando meus cabelos. Essa violência doce me arrancava risos baixos contra sua boca. Não era só prazer físico, era uma dança de poder, e eu sabia que estava vencendo. A cada gemido sufocado, a cada olhar perdido que ela me dava, eu sentia a vitória pulsar em mim.
E então, veio o que me fez perder parte do controle que tanto prezava: a umidade crescente contra minha pele. Senti através do atrito do meu joelho, que ainda se movia contra ela, roçando, pressionando. O calor ali era tão intenso que quase queimava. Não era apenas resposta física; era desejo cru, escancarado. Era ela dizendo com o corpo o que não tinha coragem de falar em palavras.
Meu coração acelerou. Havia algo de brutalmente erótico em ver uma mulher como Victoria, sempre tão rígida, tão contida, se dissolver inteira por minha causa. Era como assistir uma estátua de mármore se quebrar em carne quente e trêmula.
E eu não resisti.
Afastei os lábios de sua boca, mas não a deixei escapar. Segurei seu rosto entre as mãos, obrigando-a a olhar para mim. Seus olhos estavam turvos, perdidos em prazer. Gostei de vê-la assim, despida de qualquer defesa. Beijei sua testa, depois sua boca novamente, com uma suavidade que contrastava com a brutalidade dos meus movimentos.
(Yelena) — Você é minha, — murmurei contra sua pele, mais para mim do que para ela.
Então comecei a descer.
Lentamente, com a calma cruel de quem sabe que pode enlouquecer a outra pessoa só pelo atraso. Minha boca deixou rastros pela curva de sua mandíbula, pelo pescoço marcado que eu já tinha mordido antes. Ch*pei de novo aquele ponto, só para ouvi-la gem*r alto, e sorri contra sua pele. Segui descendo: clavícula, ombros, o vale entre os seios, cada parte beijada como se fosse um ritual.
Minha língua encontrava gosto de sal, o suor que se acumulava pela intensidade. E isso só me excitava ainda mais, porque era prova do quanto eu a levava ao limite. Minhas mãos a seguravam firme pelos quadris, mantendo-a imóvel mesmo quando ela arqueava, tentando me puxar de volta para cima. Eu não permiti. Não agora.
(Yelena) — Quietinha… deixa eu te sentir…
A voz saiu grave, quase um rosnado, e eu senti o arrepio percorrer o corpo dela. Seus quadris se moveram em resposta, um reflexo involuntário. Era como se cada palavra minha fosse um comando que atravessava sua mente direto até a carne.
Continuei descendo, lentamente, passando a boca pelo abdômen, sentindo os músculos tensos sob a língua. Mordisquei a lateral de sua cintura, arranquei dela um gemido arrastado, como se o prazer fosse insuportável.
E então, finalmente, alcancei o lugar que eu tanto desejava.
O cheiro, o calor, a umidade, tudo me atingiu de uma vez, como um soco no estômago. O corpo dela estava aberto, pulsando, implorando. A visão sozinha já era suficiente para me deixar ainda mais faminta. Senti o gosto antecipado antes mesmo de tocá-la com a boca.
Desci devagar, minha respiração quente contra a pele mais sensível dela, e ouvi o gemido desesperado que explodiu de sua garganta. Era música para mim. Era poder puro.
Quando finalmente deixei a língua deslizar, lenta, firme, do início até o fim, ouvi-a gritar meu nome. E nesse instante, percebi: não havia volta.
Ela já era minha.
O gosto dela invadiu minha boca como fogo líquido. Era quente, úmido, denso, e me fazia perder qualquer controle que ainda fingia ter. A primeira lambida foi lenta, exploratória, apenas para sentir o quanto ela estava pronta para mim. Mas a resposta… ah, a resposta foi tão imediata que me arrancou um arrepio.
Victoria arqueou inteira, quase se desfazendo contra a cama. As mãos, que antes seguravam meu cabelo apenas com força, agora se fechavam num desespero quase animal, puxando-me para mais perto, tentando me obrigar a mergulhar mais fundo.
E eu obedeci. Mas à minha maneira.
Minha língua deslizou firme, explorando cada dobra, cada curva. Eu queria mapear esse território como se fosse um campo de batalha e eu a conquistadora. Queria decorá-la, fazer dela minha geografia íntima. Os gemidos dela eram guias, compassos, indicando onde eu devia pressionar mais, onde devia ser suave, onde devia alternar o ritmo até deixá-la sem ar.
Ela tremia. O corpo inteiro. Como se cada nervo estivesse em chamas.
A sensação da sua umidade contra minha boca, escorrendo pela minha pele, me deixava embriagada. Eu queria mais. Queria beber até o último suspiro. E não havia pressa: prolongar sua agonia era parte do meu prazer.
A cada vez que eu diminuía o ritmo de propósito, ela gemia em frustração, tentando se mover, tentando buscar mais. Mas minhas mãos a seguravam firme, abertas sobre suas coxas, mantendo-a no lugar. E eu sorria contra sua pele, satisfeita em ter esse controle absoluto.
(Yelena) — Tão bonita assim, implorando… — murmurei contra ela, e a vibração da minha voz a fez soltar um grito entrecortado.
Minha língua mergulhou mais fundo, mais rápido, agora sem piedade. Lambi, suguei, explorei como se quisesse arrancar dela não apenas prazer, mas também a alma. E cada gemido, cada respiração entrecortada, cada grito do meu nome era combustível para mim.
Ela não era mais a Victoria firme, a agente de olhar seguro e palavras afiadas. Naquele momento, ela era só desejo puro. Carne quente e vulnerável sob minha boca.
E eu amava isso. Amava a transformação. Amava saber que era eu quem a fazia se perder assim.
Minhas unhas arranharam a pele da parte interna de suas coxas enquanto minha língua se movia com mais velocidade, mais precisão. Senti os músculos dela se contraírem, as pernas tremerem, a respiração se tornar caótica. Ela estava perto. Muito perto.
Mas eu não a deixaria chegar tão fácil.
Afastando a boca apenas o suficiente para sentir o ar frio contra a pele molhada dela, ergui o olhar. Ela estava linda. Cabelos desgrenhados colados ao rosto, boca aberta, olhos turvos implorando. Nunca tinha visto Victoria assim, e nunca mais esqueceria.
(Yelena) — Quer? — perguntei, quase cruel. — Quer que eu te faça goz*r?
Ela assentiu, desesperada, mas eu não aceitei só um gesto.
(Yelena) — Fala, Victoria. Eu quero ouvir.
Demorou alguns segundos. Orgulho ainda lutando contra o prazer. Mas no fim, sua voz saiu rouca, quebrada:
(Vick) — Quero… Yelena… por favor…
Esse "por favor" me atravessou como uma lâmina doce. Nunca pensei que ouvir Victoria implorar fosse me dar tanto prazer. Sorri, satisfeita, e mergulhei de volta, dessa vez sem freios.
Minha língua dançava em círculos, depois retos, alternando ritmos, encontrando o ponto exato onde ela perdia qualquer controle. Ch*pei com força, mordisquei de leve, suguei com avidez. A resposta foi instantânea: o corpo dela arqueou, suas pernas me apertaram como se quisessem me prender ali para sempre, e o som que escapou de sua garganta foi selvagem, cru.
Eu sentia tudo: o calor, a umidade, a vibração do corpo dela inteiro prestes a explodir. E continuei, incansável, porque sabia que estava a segundos de levá-la ao limite.
Então aconteceu.
Ela se desfez.
Primeiro, um espasmo forte percorreu sua barriga, seus quadris se ergueram em um impulso involuntário. Depois vieram os tremores, ondas intensas que a sacudiam como se o próprio corpo não fosse capaz de suportar a força do prazer. Gritou meu nome, alto, repetidas vezes, enquanto eu não parava, prolongando, estendendo cada segundo daquela explosão.
Senti o sabor dela inundar minha boca, quente, abundante, e engoli como se fosse minha própria sobrevivência. Segurei suas pernas com mais força, mantendo-a aberta, mesmo quando ela já tremia de exaustão. Queria mais. Queria cada gota, cada resquício do que ela podia me dar.
E só quando percebi que ela estava desmoronando, sem forças, é que diminui o ritmo, suavizando os movimentos até transformar a tormenta em carícias lentas, quase ternas.
Deitei a cabeça em sua coxa, ofegante, ainda sentindo o gosto dela nos lábios, e sorri. Um sorriso de posse.
Levantei os olhos para encarar seu rosto. Ela estava linda. Rosto corado, olhos semicerrados, boca entreaberta tentando recuperar o ar. Uma deusa derrotada, caída na cama, e eu, ajoelhada entre suas pernas, era quem a tinha colocado nesse estado.
(Yelena) — Agora sim, — murmurei, passando a língua pelos lábios. — Agora você é minha.
Ela não respondeu. Talvez porque não conseguisse. Mas o olhar que me lançou… era suficiente. Era rendição. Era amor e luxúria misturados em algo que eu nunca tinha visto nela antes.
E naquele instante, tive certeza: nada, absolutamente nada, seria capaz de me afastar dela.
O corpo dela ainda tremia, mesmo depois da explosão. Eu podia sentir cada pequeno espasmo percorrer seus músculos enquanto permanecia deitada sobre a cama, entregue, vulnerável. E não havia visão mais linda para mim do que essa: Victoria Hartley, a mulher altiva, controlada, tão habituada a manter o mundo inteiro à distância, agora completamente despida e desarmada em meus braços.
Levantei lentamente, com a boca ainda úmida, e me deixei deslizar por cima dela, cobrindo seu corpo com o meu. O calor que emanava de sua pele era intenso, quase febril. Apoiei um cotovelo ao lado do rosto dela, enquanto com a outra mão afastei uma mecha de cabelo grudada pela transpiração.
(Yelena) — Respira… — murmurei em seu ouvido, beijando a pele úmida logo abaixo.
Ela obedeceu, ainda arfando, como se tentasse lembrar a si mesma de como puxar o ar. Seu peito subia e descia em movimentos descompassados, e o coração batia tão forte que eu podia senti-lo contra o meu.
Beijei seus ombros, depois a curva de seu pescoço. Pequenos beijos, lentos, quase reverentes. Já não havia pressa. Eu queria prolongar a sensação de tê-la ali, mole, quente e minha.
Victoria virou o rosto e buscou minha boca. O beijo que me deu foi preguiçoso, doce, nada parecido com a fome de antes. Era um beijo de rendição, de gratidão, de algo que beirava o carinho. Nossos lábios se encontraram devagar, e eu saboreei esse gesto como se fosse ainda mais raro que o clímax que a tinha arrebatado minutos atrás.
Acariciei sua cintura, o quadril, a pele macia da barriga que ainda estremecia sob meus dedos. Ela suspirou, fechando os olhos, e me abraçou pelo pescoço, puxando-me contra si. Ficamos assim um tempo, entrelaçadas, trocando beijos suaves e respirações lentas.
Eu sabia que precisava cuidar dela. Então, quando percebi que seus tremores diminuíam, levantei um pouco o corpo.
(Yelena) — Descansa, malyshka, — pedi, beijando-lhe a testa.
Ela apenas murmurou algo inaudível, já quase sonolenta. Peguei o lençol que estava caído ao lado da cama e a cobri, ajeitando com delicadeza ao redor de seu corpo.
Ela me observava em silêncio, olhos semicerrados, um sorriso pequeno desenhado nos lábios. Aquela expressão, tão vulnerável, tão desprotegida, me fez sentir algo que eu raramente sentia: ternura.
Quando terminei de acomodá-la, deitei de novo ao lado dela, puxando-a para o meu peito. Suas costas se encaixaram contra o meu corpo, e minhas mãos encontraram o caminho até sua cintura. Ficamos assim, abraçadas, enquanto o quarto ainda cheirava a sex* e suor, enquanto a cidade lá fora parecia distante e irrelevante.
(Vick) — Você não faz ideia… — ela murmurou, já meio sonolenta. — Do que fez comigo.
Sorri contra seu cabelo.
(Yelena— Eu sei. — Apertei-a mais forte. — E quero fazer tudo outra vez… mas não agora.
Ela não respondeu. O silêncio que veio depois não foi incômodo; pelo contrário, era pleno. Aos poucos, senti sua respiração se acalmar, até o ritmo lento e profundo do sono.
Eu não dormi de imediato. Fiquei olhando o teto, com ela nos meus braços, e pela primeira vez em muito tempo, me senti em paz.
A manhã correu rapidamente.
O sol entrou cedo pelas cortinas abertas. Não foi a luz forte que me acordou, mas o movimento dela. Victoria se mexeu primeiro, ainda preguiçosa, se esticando como um gato ao meu lado. Ajeitou o lençol, suspirou, e então abriu os olhos.
Eu estava acordada, observando-a.
(Yelena) — Bom tarde, agente, — murmurei, com um sorriso preguiçoso.
Ela corou, como se de repente lembrasse de tudo o que havia acontecido. E então sorriu também, tímida, mas sincera.
(Vick) — Boa tarde.
Victoria se levantou primeiro, resmungando algo sobre precisar colocar as coisas em ordem. Vi quando ela foi até a pequena mesa ao lado, abriu a maleta discreta onde guardava o equipamento. Seus dedos hesitavam sobre o microfone e o ponto de ouvido.
(Vick) — Eles vão me matar, — disse, sem olhar para mim.
(Yelena) — Porque? — ergui uma sobrancelha, ainda deitada.
Ela respirou fundo e respondeu:
(Vick) — Eu devia ter feito contato com eles logo cedo…
Sentei-me na cama, cruzando os braços.
(Yelena) — Então deixa eles esperarem um pouco mais.
Mas ela já colocava o ponto no ouvido, ajeitando o microfone próximo à lapela da robe. Vi sua postura mudar. Em segundos, a Victoria vulnerável e entregue deu lugar à agente séria, a mulher de ferro que lidava com operações.
Mal terminou de ajeitar o dispositivo e a voz explodiu no ouvido dela. Eu ouvi, mesmo de longe.
(Ethan) — Victoria! Finalmente! Onde diabos você estava?! — a voz masculina soou alta, irritada. Ethan.
Ela fez uma careta, puxando o microfone para ajustar.
(Vick) — Estou bem. Estava dormindo.
Do outro lado, silêncio por um segundo, seguido por um tom ainda mais duro:
(Ethan) — Dormindo? Você some por quase doze horas, não responde, não dá sinal de vida, e vem me dizer que estava dormindo?!
O rosto dela ficou sério, mas eu percebi o canto de seus lábios se curvar quase num sorriso disfarçado.
(Vick) — Sim, Ethan. Dormindo. É o que pessoas normais fazem depois de um dia cansativo. Ou quando não tem absolutamente nada pra fazer durante um dia inteiro.
A explosão veio imediata:
(Ethan) — Você tem noção do que a gente passou aqui? Pensamos que tinham te descoberto! Eu não desliguei esse maldito monitor a noite inteira!
Eu ri baixo, de propósito, só para provocar. Ela me lançou um olhar que pedia silêncio, mas eu apenas estendi a mão, deslizando pela sua coxa, como se nada estivesse acontecendo.
(Vick) — Estou inteira, — ela disse com firmeza, ignorando meu toque. — Vocês não precisam se preocupar tanto.
(Ethan) — Não é uma questão de preocupação, é de protocolo! — Ethan estava quase gritando. — Você é parte de uma operação, Victoria! Se algo acontece, nós precisamos reagir!
Ela suspirou, passando a mão pelo rosto.
(Vick) — Ethan, eu estou bem.
O silêncio que veio depois estava carregado de tensão. Até que ele respondeu, ainda em tom seco:
(Ethan) — Da próxima vez, não some.
E o ponto ficou em silêncio.
Até que Rick fez contato, mais silencioso, não consegui ouvir o que dizia.
(Vick) — Ela foi dispensada dos trabalhos da família hoje… —pausa para ouvir. — … sim, não tem nada que possa ser útil hoje… — outra pausa. — … eu mantenho contato
.
Victoria fechou os olhos por um instante, exausta, e então tirou o microfone, largando-o sobre o criado mud.
(Vick) — O Ethan está me odiando nessa missão…
(Yelena) — Talvez porque ele esteja afim de você, — comentei, divertida, me esticando na cama. — Mas pelo jeito você gosta mais de mim...
Ela virou o rosto para mim, arqueando a sobrancelha.
(Vick) — Você não ajuda.
(Yelena) — Eu nunca prometi ajudar, — respondi, puxando-a pela cintura até cair de novo nos meus braços.
Ela resistiu por um segundo, mas logo cedeu, escondendo o rosto no meu pescoço. Senti seu suspiro quente contra minha pele, e por um momento, pensei em não deixá-la sair nunca mais.
Mas o mundo lá fora chamava, e sabíamos disso.
Pouco depois, levantamo-nos de verdade, tomamos banho, e decidimos sair para almoçar. Enquanto ela se arrumava, percebi algo: a rigidez ainda estava em seus ombros. A irritação de Ethan, o peso da operação, tudo isso pairava sobre ela.
Aproximei-me, ajeitando a gola de sua blusa.
(Yelena) — Não deixa eles tirarem isso de você. — ainda arrumando sua gola. — O que a gente tem não vai durar… então aproveite enquanto pode. Se dependesse deles, isso acabaria ainda hoje.
Ela me olhou nos olhos, séria, e então assentiu.
(Vick) — Eu sei…
Almoçamos em um restaurante qualquer, desses com mesas de madeira escura e vinho caro. Conversamos banalidades, fingindo ser um casal normal. E por alguns instantes, foi quase verdade. Caminhamos depois pelas ruas como se não tivéssemos sangue e segredos correndo na pele, como se o perigo não fosse nos engolir a qualquer momento.
Eu me sentia… viva. Talvez fosse esse o perigo real.
De volta ao apartamento, foi ela quem me puxou primeiro dessa vez, e eu não resisti. Não havia nada de inocente na forma como se pendurava no meu pescoço, nem na maneira como arqueava o corpo contra o meu. Era fome, pura e crua, e eu a devorei outra vez até que ela se desfizesse em minhas mãos, até que não sobrasse espaço pra dúvidas.
Já era início de noite quando ela decidiu, enfim, contatar a equipe. Eu estava fumando recostada na janela, nua, a fumaça se misturando ao cheiro de sex* ainda preso ao ar. Observei de canto de olho quando ela prendeu o ponto no ouvido e ajustou o microfone, a postura mudando de amante para agente em segundos. Fascinante, esse jogo de máscaras dela.
A voz de Ethan surgiu quase de imediato, carregada de tensão:
(Ethan) — Onde diabos você esteve, Victoria? Sabe há quantas horas estamos tentando contato?
Ela respirou fundo, irritada, mas manteve a calma:
(Vick) — Eu estava bem. Disse que não faríamos nada de importante hoje e que entraria em contato.
Nada importante, é? Sorri de lado, tragando fundo. Era delicioso ouvir ela mentir por mim.
Ethan não engoliu fácil. Sua voz subiu um tom:
(Ethan) — Mesmo assim. Não atende, não dá sinal. Não é só sua segurança em jogo, é de toda a operação!
Fechei os olhos, saboreando a raiva dele como quem saboreia um vinho forte. Nada me agradava mais do que saber que um homem como Ethan, rígido, controlador, estava sendo corroído por uma coisa que jamais poderia controlar: eu.
Rick interveio do outro lado, sempre o diplomata:
(Rick) — Vamos discutir isso pessoalmente. Victoria, nos encontre no apartamento seguro da Danielle. Precisamos alinhar informações.
Ela assentiu, e eu soltei a fumaça devagar, desenhando círculos invisíveis no ar.
O carro nos levou até lá em silêncio. Victoria olhava pela janela, os olhos perdidos em pensamentos que eu não fazia questão de interromper. Eu sabia o que se passava na mente dela: equilíbrio. Ela tentava se equilibrar entre o mundo dela e o meu, entre a missão e o desejo, entre sua equipe e eu. E eu adorava ver como ela cambaleava.
Quando subimos e entramos no apartamento falso, encontrei a cena perfeita: Rick sentado, Lena organizando papéis, Marcus calado como sempre, e Ethan… ah, Ethan. O olhar dele queimou em mim assim que cruzei a porta atrás dela.
Coloquei um sorriso preguiçoso no rosto e dei dois passos largos, as botas batendo no piso. Não pedi licença, nunca peço. Apenas me joguei no braço do sofá, esticando as pernas e cruzando-as devagar, acendendo outro cigarro. O incômodo estampado no rosto dele já valia a viagem.
(Yelena) — Vejo que a família inteira está reunida, — murmurei, soltando a fumaça. — Que clima aconchegante.
Victoria se manteve firme, cumprimentou todos e foi direto ao ponto. Rick colocou sobre a mesa uma pasta, os papéis organizados, algumas fotos.
(Rick) — Os nomes que você nos passou naquele jantar, Yelena… — disse, encarando-me com cautela. — Dois deles foram presos. E, surpreendentemente, estão colaborando.
Ergui uma sobrancelha, rindo baixo.
(Yelena) — Surpreendente?
Ele continuou, ignorando meu deboche:
(Rick) — Eles entregaram documentos, registros, movimentações financeiras. Temos material suficiente para colocar Viktor e Dimitri contra a parede.
Meu riso morreu rápido, só um canto de boca se levantando. Saber que meu pai e meu irmão estavam no centro de tudo aquilo era um sabor agridoce. Parte de mim queria vê-los ruir. Outra parte… bem, outra parte ainda era sangue.
(Lena) — Mas não é suficiente, — Lena interveio, firme. — Precisamos de provas irrefutáveis. Algo que destrua qualquer chance de defesa.
Victoria assentiu, cruzando os braços.
(Vick) — A infiltração continua. Quanto mais perto estivermos, mais fácil de coletar.
Enquanto ela falava, eu me levantei e comecei a andar pelo apartamento. Toquei nos móveis, examinei livros falsos, abri a cortina. Meus passos eram lentos, calculados, mas meu desinteresse era proposital. Fingir que não me importava era meu jogo favorito.
E foi aí que Ethan perdeu a paciência.
(Ethan) — Rick, peça pra ela se retirar. Precisamos conversar com Victoria sem… distrações.
Ri alto, virando-me na direção dele.
(Yelena) — Distrações? Oh, querido, não seja tímido. Se quiser que eu saia, pode pedir direto. Não precisa usar o pobre Rick como escudo.
Ele ficou vermelho, os músculos do pescoço saltando. Rick ergueu as mãos, tentando apaziguar.
(Rick) — Yelena, só precisamos de alguns minutos.
Olhei para Victoria. Os olhos dela diziam “não crie problema agora”. Suspirei, dramatizando, e dei alguns passos até ela. Me inclinei devagar, próxima o suficiente para que apenas ela sentisse meu hálito quente, e deixei um beijo rápido em seus lábios.
(Yelena) — Não demore, querida, — murmurei, com veneno doce na voz. — Eu fico nervosa sem você.
Afastei-me sorrindo e caminhei em direção à porta, me demorando mais do que o necessário, só para ouvir Ethan ranger os dentes atrás de mim.
Fechei a porta com um estalo seco, e o silêncio pesado que deixei atrás foi minha última vingança daquele instante.
O som da porta batendo atrás dela ainda ecoava quando acendi outro cigarro. Não tinha paciência para a cara fechada daquele tal de Ethan, nem para a forma como todos me olhavam como se eu fosse a cobra dentro do ninho deles. Talvez eu fosse. Talvez gostasse disso. O fato é que eu já esperava que eles quisessem falar com Victoria longe de mim. Faz parte do joguinho. Mas não significa que eu iria sair sem deixar a minha marca, e deixei. O beijo rápido na boca dela, seco, cheio de veneno, só para ver o rubor subir em seu rosto na frente dos outros. Só para cravar que, gostassem ou não, eu estava ali.
Agora estava no corredor, encostada na parede fria, deixando a fumaça escapar pelos lábios. O cigarro queimava devagar, mas minha cabeça fervia. Sabia que eles não confiavam em mim. E eu também não confiava em ninguém, além dela. Estranho admitir isso até para mim mesma. Mas Victoria tinha essa coisa… aquela disciplina de agente, mas com uma fenda aberta, por onde eu já estava entrando.
A porta abriu de novo. O salto dela ecoou, hesitante. Quando ergui os olhos, lá estava, irritada. A boca contraída, como se tivesse engolido algo amargo, e aquele jeito de segurar a bolsa contra o corpo, como se fosse escudo.
(Yelena) — Já terminou a confissão? — soltei, soprando a fumaça para o lado, provocativa.
Ela me encarou. Podia sentir a luta dentro dela, não me dar razão, não me alimentar com mais munição. Mas não resistiu.
(Vick) — Você precisa parar com isso, Yelena.
(Yelena) — Com o quê? — sorri de canto, inclinando a cabeça. — Com a forma como todos eles ficam vermelhos só de imaginar onde minha boca esteve?
Os olhos dela faiscaram. Eu adorava provocar esse fogo. Mas, ao mesmo tempo, me doía, porque eu sabia que estava jogando um jogo perigoso. E, ainda assim, não conseguia parar.
Ela soltou um suspiro, como se estivesse cansada de mim. Mas não deu as costas. Se tivesse dado, eu teria puxado pelo braço.
(Vick) — Vamos — ela disse, enfim. — Antes que eu me arrependa de ter vindo até aqui.
Deixei escapar uma risada baixa, apagando o cigarro na parede. Andei ao lado dela pelo corredor estreito, ouvindo apenas os passos dos nossos sapatos. Não falamos nada até o elevador, e a tensão ficou pairando, grossa como a fumaça que eu deixara para trás.
No carro, o silêncio continuou. Ela permanecia, séria, o maxilar contraído. Eu dirigia, com a cabeça apoiada na mão, observava as luzes da cidade correndo pelo parabrisa. A cada semáforo, eu virava o rosto para estudá-la.
Victoria sempre tinha essa armadura impecável: cabelos presos, postura ereta, voz firme. Mas os olhos dela… ah, os olhos dela não sabiam mentir. Ainda estavam turvos, inquietos, com ecos da manhã que tivemos. Eu podia quase sentir a pele dela ainda quente na minha.
(Yelena) — Está com raiva de mim ou deles? — perguntei, finalmente, quebrando o silêncio.
(Vick) — De todos. — A resposta veio seca, sem hesitar.
Ri.
(Yelena) — Isso inclui você mesma, não é?
Ela me lançou um olhar rápido, irritado, e voltou a atenção para a rua. Não respondeu. Não precisava. Eu já sabia. Victoria era especialista em carregar culpas que não lhe pertenciam.
Não demorou para estacionarmos. Eu a levei a um bar conhecido. Não qualquer bar, um dos meus antigos refúgios. Onde eu vinha quando queria me perder, quando precisava esquecer o peso do sobrenome que carrego.
(Vick) — Interessante escolha.
(Yelena) — Achei que gostaria..
Entramos. O cheiro de madeira, cerveja derramada e fumaça antiga me atingiu como lembrança. O bar estava cheio o bastante para criar um zumbido constante de vozes, mas não tanto para abafar tudo. Escolhemos uma mesa mais afastada, perto da parede.
Eu pedia whisky. Ela, vinho. Tão previsível. Tão ela.
Mas não tive tempo de saborear o copo. Porque, quando olhei para o balcão, senti o gelo escorrer pela espinha.
Dimitri.
Meu irmão estava ali. Ombros largos, postura ereta, a maldita confiança estampada no rosto. Ele não fazia esforço para se esconder. Pelo contrário: parecia ter me esperado. O copo na mão, os olhos fixos em nós.
A mandíbula de Victoria se contraiu. Eu vi. Ela já estava acostumada a estar no meio das nossas guerras familiares, muito mais do que eu gostaria. E ele também conhecia. Eu podia ver no olhar dele, aquela mistura de cobiça, desafio e desprezo.
Por um segundo, pensei em levantar e sair. Orgulho nenhum me faria ficar diante dele. Mas eu não era o tipo de recuar. Não diante dele. Não diante de ninguém.
(Yelena) — Ele está aqui — murmurei, como se ela não tivesse notado.
(Vick) — Eu sei. — A voz dela era baixa, firme. Mas eu percebi a rigidez em seus ombros.
Nosso garçom chegou. Eu mantive o olhar preso em Dimitri enquanto agradecia mecanicamente. Ele não desviava o olhar de nós. Aquilo me corroía. Era como estar presa em um tabuleiro de xadrez, e ele já tivesse mexido as peças.
Victoria, como sempre, entrou no papel. Fingiu naturalidade, pegou a taça e a girou entre os dedos, como se fosse apenas uma noite qualquer. Mas eu conhecia ela. Conhecia o peso do silêncio.
(Yelena) — Vai continuar fingindo que não importa? — perguntei, sem olhar para ela, os olhos ainda cravados em Dimitri.
(Vick) — E você vai continuar provocando? — retrucou, sem virar o rosto.
Sorri. Era esse fogo que eu amava nela.
Dimitri não se aproximou. Não precisava. Estava tudo ali: nos olhares. Ele erguia o copo em nossa direção de tempos em tempos, como se brindasse sozinho. Aquele sorriso frio, calculado. Eu queria socá-lo de novo. Queria apagar aquele sorriso da cara dele.
Victoria pousou a mão no meu joelho sob a mesa. Discreta, mas firme. Um gesto que dizia mais que palavras: “não agora”.
E eu cedi. Por ela.
O garçom trouxe nossos pratos. Mal provei. O gosto metálico da raiva anulava qualquer coisa.
(Yelena) — Ele vai tentar usar você contra mim — murmurei, inclinando-me para mais perto de Victoria. — Sempre foi o jogo dele.
(Vick) — Então deixe que ele tente — ela respondeu, firme, erguendo os olhos e cravando-os nos meus. — Eu sei escolher de que lado estou.
Aquilo me desmontou por dentro. Ela não fazia ideia do quanto.
O resto da noite foi um duelo silencioso. Dimitri no balcão, nós na mesa. Os olhares cruzados, os copos tilintando. Victoria firme, sem ceder. Eu inquieta, dividida entre o ódio e o desejo de levá-la dali.
Mas não fugi. E ele também não veio.
Quando enfim saímos, o ar noturno me acertou como uma bofetada quando empurrei a porta pesada do bar. A fumaça dos cigarros, o cheiro de álcool e a lembrança dos olhos de Dimitri ainda grudados em mim ficaram para trás, mas não saíram da minha pele. Ele não havia se aproximado, não tinha dito nada, mas bastava aquele olhar… aquele olhar dele que sempre me dizia mais do que qualquer palavra.
Victoria vinha logo atrás, passos firmes, calculados, como sempre. Eu sabia que ela estava no personagem, a “namorada” disfarçada, a mulher que não se deixava intimidar, a parceira que parecia se mover com naturalidade mesmo em um ambiente em que cada detalhe gritava perigo. Mas também a conhecia bem o suficiente para perceber a rigidez dos ombros, o controle quase obsessivo da respiração. Ela tinha sentido o peso da presença de Dimitri tanto quanto eu.
O silêncio entre nós, quando chegamos à rua, era pesado demais para ser apenas silêncio.
Acendi um cigarro, traguei fundo e soltei a fumaça devagar, observando o véu branco dançar na frente dela.
(Yelena) — Ele sempre aparece nos piores momentos. — Minha voz saiu baixa, quase um rosnado.
Victoria não respondeu de imediato. Seus olhos me varreram de cima a baixo, buscando algum sinal do que eu estava sentindo. O que ela não entendia é que eu sempre estava sentindo tudo de uma vez: raiva, desejo, medo, excitação. E ela só piorava isso.
(Vick) — Eu percebi — ela disse enfim, seca, mas havia algo nos cantos da boca dela que me dizia mais. Talvez um incômodo, talvez ciúme.
Sorri de lado, aquele sorriso torto que eu sabia que a irritava.
(Yelena) — Você ficou bonita encarando ele, sabia? Quase parecia que queria pular na garganta dele.
Ela ergueu uma sobrancelha.
(Vick) — Talvez eu quisesse. — A resposta foi afiada, mas eu reconheci ali uma fagulha diferente.
Aproximei-me um pouco, perto demais para sermos sócios em qualquer missão. Inclinei o corpo, quase encostando nela, soprando um resto de fumaça perto do rosto perfeito dela.
(Yelena) — Se for pra brigar por mim, agente, que seja na cama.
Os olhos dela faiscaram e por um segundo eu pensei que ela fosse me empurrar contra a parede ali mesmo. Mas não. Victoria Hartley não perdia o controle em público.
(Vick) — Vamos embora — ela disse apenas, atravessando a rua em direção ao carro.
E eu, claro, segui.
Entramos. O silêncio continuava, mas agora era mais sufocante do que nunca. O motor ligado, o ronco baixo, e o mundo lá fora passando rápido pelas janelas.
Eu estiquei as pernas, joguei o corpo contra o encosto e fiquei observando o perfil dela enquanto dirigia. A mandíbula travada, os olhos fixos na estrada, as mãos firmes no colo. Linda. Irritantemente linda.
(Yelena) — Você não gostou de ver ele lá, não é? — perguntei, sabendo a resposta, mas querendo ouvir da boca dela.
Ela não desviou os olhos da rua.
(Vick) — Não gosto dele. O acho pior do que o teu pai…
(Yelena) — Eu também — confessei, rindo baixo. — Mas você também não gosta de mim, então isso não é novidade.
O silêncio dela me deu mais vontade de provocar. Inclinei-me devagar, passando o dedo pela coxa dela, bem de leve, sentindo a pele quente.
(Yelena) — Ele te deixa desconfortável porque você sabe que ele me conhece de verdade. Sabe o que eu era antes de você.
Ela finalmente me olhou, só por um instante, mas foi o bastante para o ar entre nós queimar.
(Vick) — E o que você acha que eu não sei sobre você, Yelena? — a voz dela era um desafio.
Sorri.
(Yelena) — Talvez tudo. Talvez nada. Mas não importa. — Minha mão deslizou até o joelho dela, apertando devagar. — O que importa é que agora você sabe como eu sou com você.
Eu freei bruscamente quando o sinal fechou, e por um instante pensei que ela fosse me arrancar do carro. Mas ela só respirou fundo, controlando-se.
(Vick) — Você é um problema — disse entre os dentes.
(Yelena) — O seu problema favorito — corrigi, encostando minha boca perto do ouvido dela, mas sem beijar. — E você sabe disso.
O sinal abriu, eu acelerei e ela se manteve sem me olhar. Mas eu sabia que minhas palavras tinham ficado ali, impregnadas nela.
Chegamos no meu apartamento sem dizer mais nada. O silêncio agora era uma bomba-relógio. Subimos, entramos, e assim que a porta bateu atrás de nós, eu senti a tensão estourar.
Victoria largou a bolsa sobre a mesa, virou-se para mim e cruzou os braços.
(Vick) — Você gosta de me provocar, não é?
Aproximei-me, passo por passo, até ficar perto o bastante para sentir o perfume dela, aquele perfume que grudava na minha memória como tatuagem.
(Yelena) — Gosto de ver você perder o controle. — Toquei a ponta dos dedos na cintura dela. — Porque eu sei que por trás dessa fachada toda de agente perfeita, você arde.
Ela me encarava, dura, mas os olhos denunciavam. Eu sabia quando ela queria me beijar e quando queria me bater. Muitas vezes, era as duas coisas ao mesmo tempo.
(Vick) — Você se acha demais… — disse.
Sorri.
(Yelena) — Acho...
E foi ela quem me puxou primeiro, as mãos no meu pescoço, a boca colada na minha com uma fúria que quase me tirou o ar. Eu retribuí, claro, agarrando sua cintura, sentindo seu corpo colado ao meu como se não houvesse amanhã.
Os beijos viraram mordidas, os toques viraram arranhões, e em segundos já estávamos nos empurrando em direção ao sofá.
Eu a joguei de costas, subi sobre ela e segurei seus pulsos acima da cabeça.
Eu a tinha exatamente onde queria. Deitada sob mim, pulsos presos acima da cabeça, corpo arqueado contra o meu. Ela lutava para manter a compostura, mas o tremor na respiração, o rubor no rosto, o jeito como seus quadris cediam sob a pressão do meu joelho… tudo gritava entrega.
(Yelena) — Diz que não sente nada por mim — murmurei, deixando meus lábios quase tocar o pescoço dela.
Ela se arrepiou inteira, e aquilo foi uma vitória que saboreei como vinho caro.
(Vick) — Eu odeio você — sussurrou, a voz falhando.
Sorri contra sua pele.
(Yelena) — Odeia o quanto gosta disso? — deslizei a mão por sua coxa, subindo devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo.
O corpo dela já respondia, já esquecia de qualquer discurso moral, quando o som seco e insistente estalou no ouvido dela. O maldito ponto.
O sorriso sumiu do meu rosto. Senti o corpo dela enrijecer debaixo do meu. O olhar perdido dela, subitamente fora dali, me disse antes mesmo de ouvir sua reação: não era mais comigo que ela estava, era com ele.
(Rick) — Victoria! — a voz de Rick veio, áspera, raivosa, como um balde de gelo derramado sobre nós. — Me diz o que diabos você acha que está fazendo?
Ela fechou os olhos, mordeu os lábios, e então me empurrou para o lado. Eu deixei. Não luto contra uma sombra.
Me sentei na beira do sofá, acendi um cigarro em silêncio e observei. Ela se levantou, caminhando de um lado para o outro, nervosa, puxando a si mesma de volta para a realidade.
(Vick) — Eu estou trabalhando, Rick. — a voz dela saiu tensa, carregada de frustração. — Você acha que eu não sei o que estou fazendo?
(Rick) — Não, não acho! — ele rebateu de imediato. — Nada do que conversamos hoje à tarde parece ter adiantado. Você está se deixando levar, se perdendo, e isso vai acabar custando a missão.
Aquela frase me atingiu também. "Se perdendo." A visão dele sobre ela era como se estivesse caindo em um abismo e eu era o abismo.
Eu me recostei no encosto, olhando o teto, fingindo não me importar. Mas cada palavra era uma navalha.
(Vick) — Não é assim! — ela gritou, finalmente parando no meio da sala. — Você não entende, Rick!
(Rick) — Então explica, Victoria! — a voz dele estava carregada de decepção, e isso doeu mais nela do que qualquer acusação. Eu vi. Estava escrito no rosto dela.
Ela respirou fundo, lutando contra o peso que se acumulava. E então, como se cuspisse veneno para se defender:
(Vick) — Talvez seja melhor acabar com essa infiltração. Se a minha palavra, a minha confiança, já não valem nada pra vocês… então talvez eu não devesse estar aqui.
Senti meu peito se apertar. Eu sabia o que aquela frase significava. Era mais do que uma ameaça. Era a verdade crua dela, um limite. E se cruzassem, ela sairia.
Eu fechei os punhos, discretamente. Pela primeira vez, não queria que ela fosse.
Houve silêncio no ponto. Tenso. Carregado. Até que Rick, com a voz pesada, respondeu:
(Rick) — Ninguém aqui quer perder você, Vick. Mas nós precisamos de resultados, não de desculpas.
Ela virou o rosto, os olhos encontrando os meus. Olhos escuros, cheios de dor e raiva, tentando decidir se eu era a causa ou o refúgio. Eu sustentei o olhar, imóvel, sem dar nada além de calma controlada.
Rick voltou a falar:
(Rick) — Amanhã, no armazém. Vai haver uma grande batida, e vamos prender quem tiver que ser preso. Você precisa dar um jeito de estar lá, com ela. — a ênfase na última palavra foi clara, cortante.
A respiração de Victoria vacilou. Ela odiava o tom de ordem. Odiava ainda mais a desconfiança por trás.
(Vick) — Estarei lá. — disse enfim, seca, quase cuspindo. — Mas se eu sentir, por um segundo, que não confiam em mim… eu mesma acabo com isso.
(Rick) — Espero que não precise chegar a esse ponto. — Rick encerrou, e o chiado no ponto cessou.
Silêncio. O tipo de silêncio que pesa toneladas.
Victoria ainda estava de pé, punhos cerrados, olhos marejados não de fraqueza, mas de raiva contida. Eu a vi tremer, respirar fundo, lutar para não desabar.
Eu queria dizer algo. Qualquer coisa. Mas minhas palavras nunca saem quando deveriam. E mesmo que saíssem… talvez só piorassem.
Então apenas observei. Ela me olhou de novo, longo, fundo, como se buscasse em mim uma resposta que eu não tinha.
Eu escondi o nó na garganta tragando a fumaça.
Mostrei apenas o que sempre mostro: calma, ironia, controle.
Por dentro? Por dentro, algo se movia. Algo que eu não queria nomear.
Fim do capítulo
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